O terapeuta deve “substituir” o que faltou na infância?

4 respostas
O terapeuta deve “substituir” o que faltou na infância?
 Isabela Zeggiato Passos
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Essa é uma pergunta muito comum e merece uma resposta cuidadosa. O terapeuta não é e não pode ser uma figura parental substituta, e tentar ocupar esse lugar seria, na verdade, um problema clínico. O que o espaço terapêutico oferece não é o que faltou, mas algo diferente: uma escuta que não julga, que não abandona diante da intensidade e que ajuda o sujeito a entender como o que viveu na infância ainda organiza sua vida hoje. A ideia de "preencher o que faltou" pode até parecer acolhedora, mas ela mantém a pessoa presa numa busca impossível. O trabalho clínico aponta em outra direção, não para reparar o passado, mas para que o passado deixe de determinar tão pesadamente o presente e as escolhas de quem se é hoje.

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
Não, sendo esta substituição perigosa podendo reforçar regressões e borra a fronteira ética e das técnicas disponíveis. O que o terapeuta pode oferecer é o acolhimento, limites saudáveis, e visibilidade ao paciente e seus problemas.
Que pergunta interessante! E a resposta mais honesta é que não, o terapeuta não substitui o que faltou na infância. Ele não ocupa o lugar de um pai, de uma mãe ou de qualquer vínculo que não foi vivido como deveria. Tentar fazer isso, inclusive, pode atrapalhar o processo. Mas existe um ponto importante aqui. Mesmo não substituindo, a relação terapêutica pode oferecer uma experiência emocional nova. Pela primeira vez, talvez você se sinta ouvida de verdade, respeitada, levada a sério, sem precisar se moldar para caber no outro. E isso tem um impacto grande, porque o cérebro e as emoções aprendem com experiências, não só com explicações. É como se, aos poucos, você fosse construindo dentro de si algo que lá atrás não pôde ser desenvolvido. Não porque o terapeuta virou aquela figura que faltou, mas porque a relação cria um espaço seguro onde você pode experimentar confiança, limites saudáveis e validação. Então não é uma substituição, é uma reconstrução. O que faltou não pode ser apagado ou trocado, mas pode ser elaborado, compreendido e, em certa medida, reparado na forma como você passa a se relacionar consigo mesma e com os outros.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta muito importante, e a resposta mais direta é: não, o terapeuta não deve “substituir” o que faltou na infância. Mas ele pode, sim, oferecer uma experiência relacional diferente, que ajuda a reparar e reorganizar aquilo que não se desenvolveu da forma necessária.

Na prática, o terapeuta não ocupa o lugar de pai, mãe ou qualquer figura do passado. O que ele faz é construir um vínculo consistente, previsível e emocionalmente disponível, dentro de limites claros. É justamente essa combinação de proximidade e limite que permite algo novo: a pessoa começa a viver uma relação onde pode confiar sem se perder, se aproximar sem depender totalmente e lidar com frustrações sem que isso signifique abandono.

Esse processo costuma ativar emoções antigas, inclusive expectativas de que o terapeuta vá preencher ou compensar o que faltou. E isso não é um erro, é parte do trabalho. A diferença está em como isso é conduzido. Em vez de reforçar a substituição, o terapeuta ajuda a pessoa a reconhecer essas necessidades e, aos poucos, desenvolver formas internas de lidar com elas.

Do ponto de vista mais atual, podemos pensar que o cérebro aprende a partir de novas experiências repetidas. Quando a pessoa vive um vínculo mais estável e coerente ao longo do tempo, isso vai sendo internalizado. Não como substituição do passado, mas como uma atualização da forma de se relacionar consigo e com os outros.

Talvez faça sentido você refletir: quando você sente falta de algo emocionalmente, espera que alguém preencha isso por você ou existe espaço para construir isso de outras formas? E quando alguém se aproxima, surge mais a expectativa de ser cuidado ou o medo de depender?

O papel da terapia não é voltar ao passado para refazê-lo, mas criar condições para que o presente seja vivido de uma forma diferente, mais segura e integrada. Caso precise, estou à disposição.

Especialistas

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Psicólogo

Rio de Janeiro

Claudia Matias Santos

Claudia Matias Santos

Psicólogo

Rio de Janeiro

Anabelle Condé

Anabelle Condé

Psicólogo

Rio de Janeiro

Paloma Santos Lemos

Paloma Santos Lemos

Psicólogo

Belo Horizonte

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 3566 perguntas sobre Transtorno da personalidade borderline
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.

Seu caso é parecido? Esses profissionais podem te ajudar.

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.