Os pensamentos obsessivos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) parecem muito reais. Por quê?

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Os pensamentos obsessivos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) parecem muito reais. Por quê?
Dra. Ana Karina do Carmo
Psicólogo
Rio de Janeiro
Porque ao contrário de um pensamento psicótico , por exemplo que é totalmente descolado da realidade, os pensamentos obsessivos do TOC podem acontecer na realidade. Não são pensamentos tão absurdos, o que está distorcido é a intensidade que gera um medo desproporcional. Podemos realmente sofrer um acidente, deixar uma porta destrancada ou se contaminar tocando algum objeto mas existe uma probabilidade não porque a pessoa pensou que isso vai acontecer realmente.

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Os pensamentos obsessivos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo realmente costumam parecer muito reais, e isso acontece porque eles ativam as mesmas áreas do cérebro envolvidas nas emoções e na percepção de ameaça. Quando uma pessoa com TOC tem um pensamento intrusivo como o medo de contaminar alguém ou de cometer um erro grave, o cérebro interpreta esse pensamento como se fosse um perigo real e imediato. Assim, o corpo reage com ansiedade, culpa ou medo, como se aquilo estivesse de fato acontecendo. Além disso, o TOC costuma vir acompanhado de uma grande necessidade de certeza e controle. Como o pensamento é angustiante e a pessoa não consegue “desligá-lo”, ela passa a analisá-lo, questioná-lo e tentar neutralizá-lo, o que paradoxalmente faz com que ele pareça ainda mais verdadeiro e ganhe mais força. É importante lembrar que esses pensamentos não refletem a vontade real da pessoa, e sim, são sintomas do transtorno, e não sinais de que ela quer agir de determinada forma.
Olá! Isso acontece porque o pensamento intrusivo desencadeia emoções muito forte e intensa. Geralmente, essa emoção envolve o medo, nojo, culpa e ansiedade. Nas pessoas com o TOC, essa emoção é interpretada pelo sistema nervoso como ameaça, um perigo que a pessoa está exposta, considerando o pensamento como verdadeiro. O pensamento intrusivo no TOC é uma distorção cognitiva, como o "pensamento de tudo ou nada" ou a superestimação da responsabilidade e da ameaça. Essas distorções reforçam a crença na veracidade ou importância do pensamento obsessivo. Reforçando ainda mais que são reais. Na psicoterapia é possível aprender técnicas para corrigir e reprocessar esses pensamentos e a reduzir sua intensidade e o sofrimento associado. Procure ajuda.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa sensação de que os pensamentos obsessivos parecem muito reais é algo muito característico do TOC, e costuma ser uma das partes mais angustiantes da experiência. Não é apenas “pensar algo estranho”, é sentir como se aquilo tivesse um peso de realidade, quase como se fosse um risco concreto prestes a acontecer.

Isso acontece porque, no TOC, o cérebro não trata esses pensamentos como simples eventos mentais. Ele ativa áreas ligadas à ameaça e à sobrevivência, como se aquele conteúdo fosse importante e exigisse atenção imediata. É como se o sistema emocional “carimbasse” o pensamento com um selo de urgência. E quando emoção intensa entra em cena, a mente tende a interpretar aquilo como algo mais verdadeiro ou mais relevante.

Existe também um fenômeno em que pensamento e ação ficam misturados na percepção da pessoa. O cérebro passa a reagir como se pensar algo fosse um sinal de que aquilo pode acontecer ou até dizer algo sobre quem a pessoa é. Isso faz com que o pensamento não seja visto como uma possibilidade aleatória, mas como algo que precisa ser resolvido, neutralizado ou evitado.

Agora eu queria te convidar a observar uma coisa: quando esse pensamento aparece, o que mais te impacta, o conteúdo dele ou a sensação de que “isso pode ser verdade”? Você percebe que quanto mais tenta ter certeza ou controlar, mais forte ele parece ficar? E em momentos em que você está mais tranquilo, esse mesmo pensamento parece ter o mesmo peso?

Essas perguntas ajudam a perceber que o problema não está apenas no pensamento em si, mas na forma como o cérebro está interpretando e reagindo a ele. E isso, apesar de intenso, é algo que pode ser trabalhado.

Quando esse processo começa a ser compreendido, muitas pessoas relatam uma mudança importante: o pensamento ainda aparece, mas perde essa “cara de realidade” e passa a ser reconhecido como um evento mental, não como um fato.

Se fizer sentido para você, esse é um caminho que pode ser aprofundado em terapia. Caso precise, estou à disposição.

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