Por que algumas doenças mentais causam pensamento dicotômico?

2 respostas
Por que algumas doenças mentais causam pensamento dicotômico?
Dra. Leticia Sanches de Castilho
Psicanalista, Psicólogo
São Paulo
Algumas doenças mentais provocam pensamento dicotômico porque o cérebro, sob estresse ou trauma, passa a usar formas mais rígidas de pensar como uma tentativa de controle. Dividir tudo entre “bom ou ruim” reduz a incerteza, mas aumenta o sofrimento.

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Oi, tudo bem? Essa pergunta é muito significativa, porque o pensamento dicotômico — essa tendência de enxergar tudo em extremos, como “tudo certo ou tudo errado”, “tudo bom ou tudo terrível” — não surge por acaso. Ele costuma aparecer em algumas doenças mentais porque, em momentos de grande ativação emocional, o cérebro tenta simplificar a realidade para manter uma sensação de controle. É como se, diante de algo que parece ameaçador ou imprevisível, a mente reduzisse as nuances para conseguir reagir mais rápido.

Em quadros como transtorno de personalidade borderline, depressão, ansiedade intensa e até em alguns transtornos alimentares, esse estilo de pensamento funciona como uma estratégia automática de proteção. O sistema emocional fica tão sensível que interpretar nuances se torna mais difícil. A neurociência mostra que, quando a emoção sobe, áreas do cérebro ligadas à avaliação equilibrada ficam menos acessíveis, e o raciocínio passa a ser guiado por circuitos mais antigos, que gostam de respostas rápidas: “seguro” ou “perigo”, “aceito” ou “rejeitado”. Só que essa estratégia, que nasceu para proteger, acaba machucando, porque transforma situações simples em montanhas emocionais.

Talvez valha refletir como isso aparece na sua experiência. Em quais momentos você percebe que passa de um extremo ao outro sem transição? O que acontece dentro de você antes dessa mudança brusca? Existe algum instante em que seu corpo tenta avisar que a emoção está ganhando velocidade? E quando a situação se acalma, como você reinterpreta aquilo? Essas pistas costumam dizer muito sobre o que alimenta esse estilo de pensamento.

Na terapia, trabalhamos justamente para reconstruir essa capacidade de enxergar gradações, nuances, caminhos intermediários. A ideia não é “parar de sentir demais”, mas ajudar o cérebro a ter tempo para avaliar com mais clareza antes de entrar em respostas polarizadas. Com o tempo, o pensamento se torna menos rígido, as emoções ficam mais navegáveis e as relações começam a ter mais espaço para diálogo.

Se sentir que faz sentido entender melhor esse funcionamento no seu caso, posso te acompanhar nesse processo com cuidado e profundidade. Caso precise, estou à disposição.

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