Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

5 respostas


Entendo a lógica do que você está dizendo. Quando algumas relações importantes terminam ou se afastam, pode surgir a sensação de que investir novamente em alguém significa apenas criar outra oportunidade para sofrer uma perda. Pela perspectiva fenomenológico-existencial, porém, talvez seja interessante olhar para essa experiência para além da pergunta “vale a pena ter amigos se eles podem ir embora?”. A questão poderia ser: o que significa, para você, permitir que alguém faça parte da sua vida mesmo sabendo que essa relação não é uma garantia de permanência? Os vínculos humanos são, de fato, marcados pela possibilidade da perda. Pessoas mudam de cidade, de trabalho, iniciam relacionamentos, mudam seus caminhos e, algumas vezes, simplesmente deixam de ocupar o mesmo lugar em nossa vida. Mas a possibilidade de uma relação terminar não torna necessariamente sem sentido aquilo que foi vivido enquanto ela existiu. Talvez a autossuficiência ofereça uma sensação importante de proteção: se eu não depender de ninguém, ninguém poderá me decepcionar ou me deixar. Mas existe uma diferença entre não depender do outro para existir e não permitir que o outro participe da sua existência. Na perspectiva fenomenológica, somos seres constituídos também pelas nossas relações. O outro não está apenas ali para preencher lacunas. Uma amizade pode possibilitar experiências, descobertas, reconhecimento e maneiras de existir que talvez não acontecessem da mesma forma na solidão. E isso não significa precisar transformar cada afastamento em uma nova pessoa que ocupará exatamente o mesmo lugar. Algumas relações permanecem por muitos anos; outras atravessam apenas uma parte da nossa história. Nem todo vínculo precisa durar para ter sido significativo. Talvez a pergunta não precise ser “como faço para não sofrer quando as pessoas forem embora?”, mas: “Como posso me permitir viver vínculos importantes sem exigir deles a garantia de que permanecerão para sempre?” A terapia pode ser um espaço interessante para compreender se o desejo de ser “o máximo autossuficiente e desapegado possível” está sendo uma escolha que combina com a vida que você deseja ou se também está funcionando como uma forma de se proteger da possibilidade de sofrer novamente. Porque, às vezes, não querer precisar de ninguém não é ausência de necessidade de vínculo. Pode ser uma maneira de dizer: “eu gostaria muito de ter vínculos, mas tenho medo do que pode acontecer comigo quando eles terminarem.”

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É compreensível pensar assim quando algumas pessoas importantes foram embora. A autossuficiência pode parecer mais segura do que correr o risco de se apegar e depois perder. Mas existe uma diferença entre saber estar sozinha e evitar vínculos para não sofrer. As pessoas realmente entram e saem da nossa vida. Nem todo vínculo precisa durar para sempre para ter sido importante. Talvez o ponto seja não deixar o medo da perda impedir novas conexões. Eu te perguntaria: você escolhe estar sozinha porque realmente gosta ou porque aprendeu que é mais seguro não precisar de ninguém? Autonomia é saber ficar bem consigo mesma. Isolamento, às vezes, também pode ser uma forma de proteção.


Talvez a questão não seja apenas “por que investir se as pessoas vão embora?”, mas o quanto essas partidas doem a ponto de fazer a solidão parecer mais segura. Criar vínculos sempre envolve algum risco: as pessoas mudam, se afastam e ocupam lugares diferentes em nossa vida. Mas um vínculo não precisa durar para sempre para ter sido verdadeiro ou importante. Talvez o desafio seja conseguir se relacionar sem exigir a garantia de permanência, permitindo que algumas pessoas fiquem, outras partam e que isso não transforme cada despedida na sensação de que investir no outro não valeu a pena.


Olá! Eu acho que a pergunta mais importante não é "por que as pessoas vão embora?", mas "por que toda despedida parece significar que o vínculo perdeu o valor?". As pessoas realmente entram e saem da nossa vida por trabalho, namoro, mudanças de cidade e por tantos outros motivos. Isso faz parte da vida. A autossuficiência pode até proteger da dor, mas também pode impedir que você viva a parte boa dos vínculos. Talvez o desafio não seja encontrar pessoas que nunca vão embora, e sim construir relações que continuem tendo significado, mesmo quando mudam de forma. Se essa sensação de desapego tem se tornado uma forma de se defender do sofrimento, vale a pena olhar para isso com mais calma em psicoterapia. Um abraço, Vinicius.


Quando você decide que é melhor ser totalmente autossuficiente, desapegado e evitar vínculos profundos porque as pessoas podem ir embora, isso é uma defesa emocional contra a dor do abandono e da perda. A lógica interna é: “se eu não me apegar, não sofrerei quando alguém partir”. O problema é que essa defesa impede intimidade, conexão e relações significativas. A Terapia do Esquema pode ajudar a trabalhar profundamente esquemas de abandono, privação emocional e rejeição, além das estratégias defensivas desenvolvidas para evitar vulnerabilidade. Na psicoterapia, também podem ser utilizadas ferramentas de regulação emocional e mindfulness para aprender a atravessar separações e mudanças sem precisar se fechar afetivamente. Relacionamentos podem terminar ou se transformar e ainda assim terem sido valiosos. Autonomia emocional não significa não precisar de ninguém; significa conseguir criar vínculos sem abandonar a si mesmo. Se essa necessidade de desapego está levando ao isolamento, procure psicoterapia e Terapia do Esquema para compreender e transformar esse padrão de forma personalizada. Isadora Klamt Psicóloga CRP 07/19323

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.