Qual o tratamento para o ciúme patológico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

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Qual o tratamento para o ciúme patológico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
O tratamento do ciúme patológico no Transtorno de Personalidade Borderline baseia-se principalmente em intervenções psicoterapêuticas voltadas à regulação emocional e ao desenvolvimento de estratégias adaptativas de enfrentamento. Terapias como a Dialética Comportamental (DBT) ou a Terapia Cognitivo-Comportamental ajudam a pessoa a identificar gatilhos do ciúme, questionar pensamentos distorcidos e reduzir comportamentos impulsivos, aprendendo a lidar com o medo de abandono de forma mais saudável. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico e o uso de medicação podem ser indicados para sintomas associados, como ansiedade ou depressão, sempre de forma complementar à psicoterapia. O processo é gradual, exigindo prática constante e suporte contínuo para promover maior estabilidade emocional e melhorar os relacionamentos.

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 Stephanie Von Wurmb Helrighel
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
O tratamento do **ciúme patológico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)** precisa ser profundo, sensível e integrado — porque esse ciúme não é apenas um sentimento de posse ou insegurança comum, mas a expressão de **uma ferida de abandono e desamparo emocional muito antiga**.

Na superfície, ele parece uma questão de controle — a vontade de vigiar, saber, garantir que o outro não vá embora. Mas, em sua raiz, ele fala de algo mais primitivo: o medo de desaparecer se o vínculo for rompido. Por isso, o tratamento precisa ir além de “aprender a confiar”. É um processo de **reconstrução psíquica**, que envolve corpo, mente e história emocional.

O caminho mais eficaz é a **psicoterapia contínua**, preferencialmente com um **psicanalista ou terapeuta especializado em transtornos de personalidade**. A psicanálise oferece um espaço de escuta profunda, onde o paciente pode compreender as origens inconscientes desse ciúme — geralmente ligadas a vivências precoces de rejeição, instabilidade afetiva ou vínculos frágeis com figuras de cuidado. Dentro desse processo, o sujeito aprende a reconhecer suas emoções antes que elas se tornem crises, a lidar com o vazio sem buscar preenchê-lo no outro e a construir um senso mais estável de identidade.

Em alguns casos, é indicado o acompanhamento **com psiquiatra**, especialmente quando há impulsividade, crises de raiva ou ansiedade intensa. O uso de medicação pode ajudar a regular o humor e reduzir a intensidade dos episódios, criando estabilidade emocional para que o trabalho analítico aconteça de forma mais segura.

Também é importante incluir no tratamento estratégias de **regulação emocional e autocuidado**: práticas de respiração, meditação, atividade física regular, sono adequado e uma rotina previsível. Elas ajudam o cérebro a sair do estado constante de alerta, diminuindo o impulso de reagir de forma desproporcional às situações.

Nos relacionamentos, é essencial que o paciente aprenda — pouco a pouco — a comunicar o que sente, sem atacar ou se fechar. A terapia ajuda a substituir o impulso de controlar pelo gesto de se expressar com vulnerabilidade, aprendendo a confiar na presença do outro sem precisar aprisioná-lo.

Do ponto de vista psicanalítico, o objetivo final não é eliminar o ciúme, mas **compreendê-lo** — dar voz ao medo que ele carrega e transformá-lo em algo que possa ser simbolizado. Quando o afeto encontra palavra, ele deixa de ser sintoma e se torna consciência.

Se você vive esse tipo de sofrimento, saiba que há tratamento e que a melhora é possível. O ciúme não é o que te define — é apenas a forma que o seu inconsciente encontrou para pedir cuidado. Na terapia, é possível reconstruir esse olhar sobre o amor: um amor que não nasce da falta ou do medo, mas da liberdade de estar inteiro, com o outro e consigo mesmo.

> *O tratamento do ciúme no borderline não é sobre aprender a controlar o outro — é sobre aprender a se acolher no momento em que o medo de ser abandonado desperta.*
 Raquel Aroxa Prudente
Psicólogo, Psicopedagogo
Aracaju
O tratamento do ciúme patológico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é principalmente psicoterapêutico, com foco na regulação emocional, no medo de abandono e nos padrões relacionais disfuncionais; abordagens com melhor evidência incluem a Terapia Dialética Comportamental (DBT) (para reduzir impulsividade, reatividade e comportamentos de controle), a Terapia do Esquema (para trabalhar esquemas de abandono, desconfiança e defectividade) e a Terapia Baseada em Mentalização (MBT) (para melhorar a leitura de intenções e diminuir interpretações persecutórias). Medicamentos podem ser usados como adjuvantes (por exemplo, estabilizadores do humor ou antipsicóticos em baixa dose) para sintomas associados como impulsividade, ansiedade ou ideação paranoide, mas não substituem a psicoterapia; o manejo inclui ainda psicoeducação, acordos relacionais claros e treino de habilidades para comunicação, limites e tolerância à incerteza.

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