Tenho o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e como posso lidar com a ansiedade de que minhas memór
3
respostas
Tenho o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e como posso lidar com a ansiedade de que minhas memórias não são confiáveis?
Olá! Como estás?
Este é um tópico de alta relevância nos fenômenos de nossa vida cotidiana e , como tal, surge muito no ambiente clínico.
É profundamente compreensível que a ansiedade sobre a confiabilidade das suas memórias cause sofrimento e questionamentos.
O TOC, muitas vezes, é uma maneira particular de questionar justamente aquilo que mais valorizamos, isto é, as nossas certezas interiores, as nossas confianças em nossas próprias mentes.
Vejo que você já deu um passo importantíssimo: questionar a própria mente é colocar se em movimento, uma busca de solução para o padecimento, o que pode ser uma experiência profundamente solitária e assustadora mas, já é algo de muita valia e méritos.
Do ponto de vista psicanalítico, podemos pensar que o TOC funciona, parcialmente, como um mecanismo de defesa, em que age com o intuito de proteger você de algum sofrimento ou angústia internalizados, com a criação de rituais e dúvidas para tentar controlar o incontrolável.
A dúvida sobre as memórias não é sobre a memória em si, mas sim sobre o significado e a certeza que você precisa ter em relação a ela.
Você já fez as seguintes perguntas? "E se eu não me lembrar perfeitamente do fato ocorrido? O que ocorrerá?", "E se eu estiver errado? Algo terrível aconteceu porque minha memória falhou?"
A ansiedade surge não da memória em si, mas da necessidade obsessiva de certeza absoluta, um controle indubitável na essência, o qual é inviável, é um ideal.
Nenhuma memória humana é 100% confiável. Nossos cérebros não são gravadores; são contadores de histórias que editam, condensam e reinterpretam conforme as nossas vivências.
Para a maioria das pessoas, essa flexibilidade é irrelevante. Contudo, para a mente com TOC, ela se torna o campo de uma batalha exaustiva.
Assim, é interessante fazer uns procedimentos para uma reflexão. Quando a dúvida surgir, tente nomeá-la e associar com algum sentido, algum fato histórico ("Esta é a dúvida do TOC. Esta não é uma verdade sobre mim, é um sintoma.").
O objetivo não é se tornar 100% confiante em suas memórias, mas sim é ver os motivos que a colocam em ação. A dúvida do TOC quase sempre se apega a memórias autobiográficas específicas e de significado moral ou afetivo.
"Que angústia mais profunda essa dúvida tenta tampar?" "Que medo original está por trás da necessidade de controle absoluto sobre o passado?" Entender isso não faz o sintoma desaparecer como mágica, mas dá a você um contexto mais rico e menos aterrorizante para ele, enfraquecendo seu poder e fortalecendo a sua consciência com um conteúdo possivelmente ressignificado.
Você não está sozinho nessa jornada.
Se desejar aprofundar tais questionamentos, faço um convite um encontro inicial e até mesmo um processo psicanalítico, em que conversaremos muito sobre este tema e outros que serão do seu desejo de elaborarmos, juntos.
Para tal, veja a possibilidade de consulta através do site Doctoralia, clicando no botão agendar consulta.
Espero ter ajudado e grande abraço!
Este é um tópico de alta relevância nos fenômenos de nossa vida cotidiana e , como tal, surge muito no ambiente clínico.
É profundamente compreensível que a ansiedade sobre a confiabilidade das suas memórias cause sofrimento e questionamentos.
O TOC, muitas vezes, é uma maneira particular de questionar justamente aquilo que mais valorizamos, isto é, as nossas certezas interiores, as nossas confianças em nossas próprias mentes.
Vejo que você já deu um passo importantíssimo: questionar a própria mente é colocar se em movimento, uma busca de solução para o padecimento, o que pode ser uma experiência profundamente solitária e assustadora mas, já é algo de muita valia e méritos.
Do ponto de vista psicanalítico, podemos pensar que o TOC funciona, parcialmente, como um mecanismo de defesa, em que age com o intuito de proteger você de algum sofrimento ou angústia internalizados, com a criação de rituais e dúvidas para tentar controlar o incontrolável.
A dúvida sobre as memórias não é sobre a memória em si, mas sim sobre o significado e a certeza que você precisa ter em relação a ela.
Você já fez as seguintes perguntas? "E se eu não me lembrar perfeitamente do fato ocorrido? O que ocorrerá?", "E se eu estiver errado? Algo terrível aconteceu porque minha memória falhou?"
A ansiedade surge não da memória em si, mas da necessidade obsessiva de certeza absoluta, um controle indubitável na essência, o qual é inviável, é um ideal.
Nenhuma memória humana é 100% confiável. Nossos cérebros não são gravadores; são contadores de histórias que editam, condensam e reinterpretam conforme as nossas vivências.
Para a maioria das pessoas, essa flexibilidade é irrelevante. Contudo, para a mente com TOC, ela se torna o campo de uma batalha exaustiva.
Assim, é interessante fazer uns procedimentos para uma reflexão. Quando a dúvida surgir, tente nomeá-la e associar com algum sentido, algum fato histórico ("Esta é a dúvida do TOC. Esta não é uma verdade sobre mim, é um sintoma.").
O objetivo não é se tornar 100% confiante em suas memórias, mas sim é ver os motivos que a colocam em ação. A dúvida do TOC quase sempre se apega a memórias autobiográficas específicas e de significado moral ou afetivo.
"Que angústia mais profunda essa dúvida tenta tampar?" "Que medo original está por trás da necessidade de controle absoluto sobre o passado?" Entender isso não faz o sintoma desaparecer como mágica, mas dá a você um contexto mais rico e menos aterrorizante para ele, enfraquecendo seu poder e fortalecendo a sua consciência com um conteúdo possivelmente ressignificado.
Você não está sozinho nessa jornada.
Se desejar aprofundar tais questionamentos, faço um convite um encontro inicial e até mesmo um processo psicanalítico, em que conversaremos muito sobre este tema e outros que serão do seu desejo de elaborarmos, juntos.
Para tal, veja a possibilidade de consulta através do site Doctoralia, clicando no botão agendar consulta.
Espero ter ajudado e grande abraço!
Tire todas as dúvidas durante a consulta online
Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.
Mostrar especialistas Como funciona?
Olá! O TOC pode gerar medos e pensamentos obsessivos, os quais não são verdadeiros, são sintomas da doença. Procure um psicólogo cognitivo comportamental para aprender as técnicas de controle da ansiedade, obterá recursos para não ceder a rituais ou ficar verificando a memória, resistindo a compulsão, lidando melhor com a incerteza, focando no momento presente. Procure um psicólogo.
Olá, tudo bem? Esse tipo de ansiedade é bem comum no TOC, e muitas vezes ela não é sobre “memória fraca” de verdade, e sim sobre a necessidade de ter certeza absoluta. O TOC costuma atacar exatamente onde a pessoa valoriza muito a segurança e a responsabilidade, então ele cria a dúvida: “E se eu estiver lembrando errado?”, “E se eu tiver feito algo e não percebi?”, “E se eu estiver me enganando?”. O problema é que, quando você tenta resolver isso buscando garantias, revisando mentalmente, checando ou pedindo confirmações, você até sente alívio na hora, mas o cérebro aprende que só fica seguro com esse ritual, e a dúvida volta mais exigente depois.
O caminho terapêutico geralmente é sair da lógica de provar para si mesmo que a memória é confiável e entrar na lógica de tolerar a incerteza sem alimentar o ciclo. Em vez de transformar cada dúvida em uma investigação, você vai treinando reconhecer “isso é TOC pedindo certeza”, aceitar que nenhuma memória humana é 100 por cento perfeita e escolher não fazer as compulsões que mantêm a ansiedade ligada. Com repetição e método, a mente vai entendendo que a dúvida pode existir sem virar um incêndio, e o volume diminui.
Quando essa preocupação aparece, o que você costuma fazer para se sentir mais seguro: você revisa a cena na cabeça, tenta reconstruir detalhes, checa mensagens, pergunta para alguém, volta ao lugar, compara versões? O que você teme que aconteça se você não fizer isso, é medo de ser injusto, de ter cometido um erro, de ser uma pessoa ruim, ou de perder o controle? E quanto tempo do seu dia isso está consumindo hoje?
Se essa ansiedade estiver muito intensa, ou vier acompanhada de crises de pânico, insônia ou travamento funcional, pode fazer sentido uma avaliação com psiquiatra para considerar medicação como suporte, junto com a terapia. O ponto não é te convencer a “acreditar na sua memória”, e sim te ajudar a recuperar liberdade para viver sem precisar ganhar um tribunal interno toda vez que o TOC levanta uma dúvida.
Caso precise, estou à disposição.
O caminho terapêutico geralmente é sair da lógica de provar para si mesmo que a memória é confiável e entrar na lógica de tolerar a incerteza sem alimentar o ciclo. Em vez de transformar cada dúvida em uma investigação, você vai treinando reconhecer “isso é TOC pedindo certeza”, aceitar que nenhuma memória humana é 100 por cento perfeita e escolher não fazer as compulsões que mantêm a ansiedade ligada. Com repetição e método, a mente vai entendendo que a dúvida pode existir sem virar um incêndio, e o volume diminui.
Quando essa preocupação aparece, o que você costuma fazer para se sentir mais seguro: você revisa a cena na cabeça, tenta reconstruir detalhes, checa mensagens, pergunta para alguém, volta ao lugar, compara versões? O que você teme que aconteça se você não fizer isso, é medo de ser injusto, de ter cometido um erro, de ser uma pessoa ruim, ou de perder o controle? E quanto tempo do seu dia isso está consumindo hoje?
Se essa ansiedade estiver muito intensa, ou vier acompanhada de crises de pânico, insônia ou travamento funcional, pode fazer sentido uma avaliação com psiquiatra para considerar medicação como suporte, junto com a terapia. O ponto não é te convencer a “acreditar na sua memória”, e sim te ajudar a recuperar liberdade para viver sem precisar ganhar um tribunal interno toda vez que o TOC levanta uma dúvida.
Caso precise, estou à disposição.
Especialistas
Perguntas relacionadas
- Por que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é diferente nos idosos?
- O que é um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) segundo um modelo transdiagnóstico?
- Como a sensibilidade sensorial afeta o sofrimento de pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
- O que são disfunções sensoriais no contexto do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
- O Transtorno de Processamento Sensorial (TPS) é o mesmo que Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) com disfunções sensoriais?
- O que são TOC e dificuldades de processamento sensorial? .
- Quais são os critérios diagnósticos utilizados para definir se um paciente é portador de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
- Quando o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) vira psicose?
- Qual é a diferença entre Crise Existencial e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial ?
- Como pais e amigos podem usar a educação socioemocional para ajudar uma pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Você quer enviar sua pergunta?
Nossos especialistas responderam a 1295 perguntas sobre Transtorno Obsesivo Compulsivo (TOC)
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.