Nutrição comportamental, neurociência e saúde metabólica
Por que tratar o corpo sem olhar o cérebro não sustenta resultados
Durante muitos anos, a nutrição foi conduzida a partir de listas, regras e controle. Contar calorias, pesar alimentos e exigir força de vontade parecia suficiente. Na prática clínica, isso não se sustenta.
A maior parte das pessoas não falha por falta de informação. Falha porque o cérebro está em estado de ameaça, o corpo inflamado e o sistema emocional desregulado. Quando isso acontece, nenhuma estratégia alimentar funciona de forma consistente.
Meu trabalho como nutricionista comportamental parte exatamente desse ponto.
O cérebro decide antes do prato
O comportamento alimentar não começa no estômago. Ele começa no cérebro.
Estados como ansiedade crônica, estresse prolongado, privação de sono e inflamação sistêmica alteram a comunicação entre o córtex pré-frontal e estruturas emocionais como a amígdala. O resultado é um cérebro em modo de sobrevivência, com maior impulsividade, busca por recompensa rápida e dificuldade de autorregulação.
Nesses contextos, comer não é sobre fome. É sobre alívio.
Por isso, meu atendimento integra nutrição, neurociência e comportamento. Não trabalho apenas com o que a pessoa come, mas com por que, como e em que estado fisiológico ela come.
Exames não são números isolados. São contexto clínico
A leitura de exames laboratoriais, para mim, nunca é isolada. Hemograma, ferritina, insulina, HOMA-IR, PCR, perfil lipídico, vitaminas e minerais precisam ser interpretados dentro da história clínica, dos sintomas e do comportamento alimentar.
Inflamação, resistência à insulina, alterações intestinais e deficiências nutricionais afetam diretamente a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA. Isso impacta humor, sono, compulsão alimentar e adesão ao plano alimentar.
Sem corrigir o terreno biológico, pedir mudança de comportamento é como exigir foco de um cérebro exausto.
Nutrição não é só caloria. É sinalização
Alimentos não servem apenas para “bater meta”. Eles enviam sinais hormonais, metabólicos e neuroquímicos.
Refeições mal distribuídas, longos períodos de jejum não individualizado, excesso de ultraprocessados e baixa ingestão proteica desorganizam glicemia, cortisol e saciedade. O resultado é mais fome, mais ansiedade e menos controle.
Por isso, meus planos alimentares são qualitativos, flexíveis e realistas. Sempre com opções de trocas, explicação do porquê cada estratégia funciona e foco em estabilização metabólica, não em restrição.
Mindful eating não é comer devagar. É reaprender a perceber
Mindful eating não é técnica estética. É uma ferramenta clínica.
Ensinar o paciente a reconhecer fome física, vontade emocional, saciedade e sinais corporais devolve autonomia e reduz a necessidade de controle externo. Quando a pessoa aprende a se perceber, ela deixa de depender de regras rígidas.
No consultório, utilizo práticas estruturadas de consciência alimentar, psicoeducação e estratégias comportamentais baseadas em evidências. O objetivo não é perfeição. É constância.
Suplementação com critério, não com modismo
Suplementar não é empilhar cápsulas. É raciocínio clínico.
Toda prescrição precisa considerar sinais, sintomas, exames, biodisponibilidade, interações medicamento-nutriente e acompanhamento. Sem isso, a suplementação vira tentativa e erro.
Quando bem indicada, ela apoia o tratamento. Quando mal conduzida, atrapalha.
O objetivo não é emagrecer rápido. É sustentar saúde
Se o paciente emagrece, mas continua ansioso, inflamado, culpado e desconectado do corpo, o processo falhou.
Meu foco é construir saúde metabólica, emocional e comportamental para que o resultado seja consequência, não imposição. O corpo responde quando o sistema deixa de operar em alerta.
Cuidar da alimentação é cuidar do cérebro. E cuidar do cérebro muda tudo.
01/01/2026