Perguntas do paciente (271)

  • Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi

    Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
    Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    É possível que essa tranquilidade seja justamente a redução da ansiedade, mas ainda é cedo para afirmar exatamente como você se sentirá ao longo do tratamento. Com 22 dias de sertralina, seu organismo permanece em adaptação, e os benefícios podem continuar se ajustando durante as próximas semanas.

    Quando alguém vive muitos anos com TAG, o estado de alerta pode passar a parecer parte da própria identidade. Nesse contexto, descansar a mente pode causar estranheza e até ansiedade: “Se não estou preocupada, será que continuo sendo eu?”. Isso não significa necessariamente que você tenha perdido sua personalidade; pode indicar que ainda está aprendendo a reconhecer como é funcionar sem tanta tensão.

    Mais importante do que decidir agora se essa sensação será seu “novo normal” é observar sua qualidade. Uma tranquilidade saudável permite continuar sentindo interesse, alegria, tristeza, afeto e motivação, mas sem a ansiedade dominando tudo. Já uma sensação persistente de vazio, apatia, indiferença, desconexão ou redução marcante das emoções merece ser relatada à psiquiatra.

    Você já tomou uma atitude adequada ao conversar com as duas profissionais. Continue levando exemplos concretos para as consultas: como estão seu sono, disposição, interesse, emoções e funcionamento diário. Não modifique ou suspenda a medicação por conta própria.

    Procure orientação antes do retorno programado se surgirem tristeza intensa, pensamentos de morte, agitação importante, insônia acentuada, impulsividade ou uma elevação de energia muito diferente do seu padrão.


  • Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta

    Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A DBT não é exclusiva para pessoas com transtorno de personalidade borderline. Ela pode ser considerada sempre que suas estratégias forem adequadas às dificuldades apresentadas, como impulsividade, desregulação emocional, baixa tolerância à frustração, conflitos nos relacionamentos ou dificuldade para atravessar crises sem agir de maneira prejudicial.

    Programas baseados em habilidades da DBT já apresentaram resultados positivos em estudos com adultos com TDAH, especialmente para organização, funções executivas e manejo emocional. Entretanto, para a bipolaridade, as evidências da DBT ainda são iniciais. As intervenções psicossociais mais consolidadas incluem psicoeducação, TCC adaptada, terapia focada na família e terapia interpessoal e do ritmo social, sempre associadas ao acompanhamento médico.

    Antes de trocar de abordagem, pode ser útil identificar o que não funcionou na terapia anterior. Ela era adaptada ao TDAH? Trabalhava rotina, sono, identificação de sinais de episódios de humor, impulsividade e prevenção de recaídas? Havia objetivos concretos e acompanhamento dos resultados? As diretrizes para adultos com TDAH recomendam que a intervenção psicológica seja estruturada e especificamente voltada para o transtorno, podendo incluir elementos de TCC.

    Você pode procurar um psicólogo com formação em DBT e experiência real com TDAH e transtorno bipolar. Na primeira conversa, explique quais mudanças espera alcançar e pergunte se será oferecida DBT completa, treinamento de habilidades ou uma integração de abordagens. O melhor tratamento é aquele construído para suas necessidades, não apenas escolhido pelo nome da terapia.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sinto muito que, ao procurar ajuda anteriormente, você tenha recebido uma pergunta tão constrangedora. Não ter tido experiências sexuais não diminui seu valor e não deveria ter sido usado para te envergonhar. É compreensível que isso tenha dificultado uma nova tentativa de terapia.

    Pelo seu relato, não há elementos suficientes para chamar o episódio atual de “recaída de um vício”. Um transtorno de comportamento sexual compulsivo envolve perda de controle persistente, repetição ao longo do tempo e prejuízos importantes. Além disso, sofrimento motivado somente por culpa ou julgamento moral não basta para caracterizá-lo.

    O ponto que merece atenção é o ciclo iniciado depois: “vi isso, então talvez eu seja uma pessoa ruim”, seguido de culpa, nojo, análise do ocorrido e necessidade de obter certeza sobre o que aquilo significa. Pensamentos ou imagens sexuais indesejados e contrários aos próprios valores podem aparecer em processos obsessivos. Tentar neutralizá-los, revisar a memória ou procurar garantias costuma aliviar momentaneamente, mas pode fortalecer a dúvida.

    Nos próximos dias, não volte ao material para se testar e não tente reconstruir cada segundo do episódio. Quando a acusação surgir, experimente responder: “Estou sentindo culpa e ansiedade, mas não preciso emitir uma sentença sobre mim agora”.

    Converse com sua psiquiatra e procure um psicólogo com experiência em TCC, TOC ou pensamentos intrusivos e sexualidade, em uma postura não julgadora. Caso a angústia evolua para pensamentos de morrer ou se machucar, procure atendimento imediato pelo SAMU, no 192, ou apoio pelo CVV, no 188.


  • Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro,

    Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro, um pombo, um gato, etc....Qual especialista devo procurar?
    Muito obrigado

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Ver uma criança ficar paralisada, gritar e entrar em pânico diante de animais costuma deixar os responsáveis muito preocupados. Alguns medos são esperados na infância, mas a intensidade da reação da sua filha e o fato de acontecer com cachorros, gatos, pombos e outros animais justificam uma avaliação. Isso não significa automaticamente que exista um transtorno, mas mostra que ela está sofrendo e precisa de ajuda para lidar com esse medo.

    Procure um psicólogo infantil com experiência em ansiedade e fobias. O profissional poderá conversar com vocês, entender quando o medo começou, quais situações o despertam e como ele está afetando a rotina. O pediatra também pode participar dessa avaliação, principalmente se houver outras mudanças emocionais, comportamentais ou no desenvolvimento.

    O tratamento costuma ser feito de forma lúdica e gradual. A criança aprende a compreender o medo e se aproxima das situações em pequenos passos, sempre com segurança e sem ser forçada. A terapia comportamental e a Terapia Cognitivo-Comportamental são abordagens utilizadas no tratamento das fobias infantis.

    Durante uma crise, fale com calma, leve-a para um local seguro e evite longas explicações naquele momento. Não a ridicularize nem a coloque perto do animal para que “perca o medo”. Com tratamento e participação da família, é possível reduzir bastante essas reações.


  • Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no ence

    Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no encerramento de uma terapia que não resolveu a demanda.
    É normal o processo ser encerrado sem uma sessão de devolutiva do psicólogo? Mesmo já tendo se passado alguns meses do término, o paciente ainda tem o direito de solicitar e receber essas informações por escrito, ou o profissional pode se recusar pelo tempo decorrido?
    Eu gostaria de saber se tenho o direito de receber um relatório onde o profissional explique a visão geral dele sobre qual ele entendeu que era a minha demanda, qual seria a solução pensada por ele e quais barreiras ou limitações foram encontradas para que o processo não tenha dado certo. Também gostaria de saber se é meu direito pedir o prontuário com o histórico das sessões, contendo o que eu falei, as demandas que trouxe e as intervenções que ele fez.
    O psicólogo é obrigado por regulamentação ou código de ética a me fornecer tudo isso caso eu peça, ou é algo opcional? Se for obrigado, como essas informações devem ser entregues oficialmente: em formato digital como PDF assinado ou em papel físico impresso?
    Como preciso dessas informações para buscar uma nova ajuda especializada a partir da avaliação técnica de um profissional da saúde, o que mais seria de meu direito solicitar para me ajudar nessa transição, e também a entender toda a minha demanda a partir da visão de um profissional pra eu conseguir lidar melhor com minhas questões?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    É compreensível querer entender melhor um processo terapêutico que terminou sem atender à sua demanda, principalmente para não precisar recomeçar sem nenhuma referência.

    As normas não determinam que toda psicoterapia precise terminar obrigatoriamente com uma sessão específica de encerramento. Ainda assim, o psicólogo tem o dever de informar resultados relevantes, orientar os encaminhamentos adequados e registrar o encerramento do trabalho.

    Você pode solicitar, mesmo meses depois, acesso ao seu prontuário e um documento para continuidade do cuidado. Quando existe prontuário, é garantido acesso integral às informações nele registradas. Porém, ele não é uma gravação ou transcrição das sessões: costuma conter, de forma resumida, a demanda, os objetivos, a evolução, os procedimentos utilizados e o encerramento. Anotações técnicas restritas e protocolos de testes não se confundem com o prontuário entregue ao paciente.

    Também é possível pedir um relatório psicológico descrevendo o acompanhamento, os temas trabalhados, as intervenções, os efeitos observados, limitações e possíveis encaminhamentos. O profissional deverá elaborar o documento adequado à finalidade, mas não é obrigado a oferecer uma explicação definitiva para o insucesso nem incluir afirmações que não consiga fundamentar tecnicamente.

    Você pode solicitar por escrito: acesso ao prontuário, relatório para continuidade do tratamento e entrevista devolutiva para esclarecer o conteúdo. O relatório pode ser entregue impresso ou digitalmente, com assinatura apropriada e protocolo de recebimento.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Pensar em alguém durante tantos anos pode dar a sensação de que essa pessoa era “a certa” e de que você perdeu uma oportunidade única. Mas, quando uma relação não chegou a acontecer de verdade, também é comum ficarmos ligados ao que imaginamos que poderia ter sido.

    O arrependimento parece ter um peso importante no seu relato. Quando sentimos que erramos com alguém, a mente pode voltar ao passado tentando encontrar uma forma de mudar o que aconteceu. Como isso não é possível, os pensamentos se repetem e mantêm a culpa e a idealização vivas.

    Também é importante não concluir que a infelicidade no relacionamento seguinte prova que você ainda deveria estar com essa garota. Talvez você tenha iniciado outra relação sem ter elaborado essa história, ou talvez aquele relacionamento simplesmente não atendesse às suas necessidades.

    Tente observar o quanto você realmente conhece quem ela é hoje e o quanto está preso à lembrança dela e à possibilidade de uma vida que não aconteceu. A psicoterapia pode te ajudar a trabalhar a culpa, compreender por que essa história continua ocupando tanto espaço e construir um encerramento emocional.

    Elaborar essa perda não significa apagar o que você sentiu, mas conseguir seguir em frente sem transformar o passado na única possibilidade de felicidade.


  • Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissiona

    Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissional deveria falar primeiro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Quando surgem suspeitas de autismo, TDAH e depressão ao mesmo tempo, é normal não saber por onde começar. Essas condições podem apresentar características parecidas ou coexistir. Uma dificuldade de concentração, por exemplo, pode estar relacionada ao TDAH, mas também pode aparecer durante um quadro depressivo, em períodos de ansiedade ou por alterações no sono. Por isso, a avaliação precisa olhar para o conjunto da sua história.

    Você pode começar procurando um psicólogo com experiência em adultos, neurodesenvolvimento e avaliação psicológica. Ele poderá investigar quando as características começaram, como você era na infância e quais prejuízos existem atualmente. Se for necessário avaliar de forma mais aprofundada atenção, memória, raciocínio e funções executivas, poderá indicar uma avaliação neuropsicológica.

    O psiquiatra pode ser incluído desde o início quando a tristeza, o desânimo, a perda de prazer ou a dificuldade para manter a rotina estiverem intensos. Ele também poderá avaliar a necessidade de medicação, caso alguma condição seja confirmada.

    Mais importante do que encontrar rapidamente um rótulo é buscar um profissional capaz de diferenciar essas possibilidades e integrar as informações. Uma avaliação cuidadosa pode te ajudar a entender seu funcionamento e definir quais cuidados realmente fazem sentido para você.


  • Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.

    Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sentir tristeza ao lembrar de pessoas conhecidas que morreram não significa, por si só, que exista algo errado com você. Algumas pessoas são mais sensíveis à história e ao sofrimento dos outros, e a morte pode despertar compaixão, pena e pensamentos sobre tudo o que aquela pessoa não pôde mais viver.

    A questão principal é entender o espaço que essas lembranças estão ocupando. Se aparecem ocasionalmente e depois você consegue seguir com o dia, podem fazer parte de uma reação emocional natural. Porém, quando surgem o tempo todo, parecem impossíveis de interromper ou vêm acompanhadas de medo constante da morte, culpa ou necessidade de ficar revendo essas histórias, pode existir também um ciclo de ansiedade ou ruminação.

    Quando o pensamento aparecer, tente não discutir com ele nem se obrigar a encontrar uma explicação. Reconheça a lembrança e volte, aos poucos, sua atenção para o momento presente e para a atividade que estava realizando.

    Caso isso esteja trazendo sofrimento, prejudicando seu sono, sua concentração ou sua rotina, a psicoterapia pode te ajudar a compreender por que o tema da morte está te afetando tanto e desenvolver uma maneira mais equilibrada de lidar com essas lembranças. Ter compaixão é humano, mas você não precisa carregar continuamente a dor de todas essas perdas.


  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O fato de você perceber que esse comportamento saiu do espaço privado, começou a acontecer no trabalho e passou a ser escondido da sua esposa mostra que ele já está trazendo consequências importantes. Reconhecer isso pode despertar vergonha ou culpa, mas também é o primeiro passo para recuperar o controle.

    Você pode começar procurando um psicólogo com experiência em sexualidade, comportamento sexual compulsivo ou Terapia Cognitivo-Comportamental. Nem todo uso frequente de pornografia representa um transtorno. O que precisa ser avaliado é se existe dificuldade persistente para controlar o comportamento, tentativas frustradas de parar e prejuízos na rotina, no trabalho ou no relacionamento.

    A gravidez pode ter coincidido com mudanças na rotina, na intimidade, nas responsabilidades e na forma como você lidava com o estresse. Isso não significa que sua esposa ou a gestação tenham causado o problema, mas entender o que a pornografia passou a oferecer emocionalmente será uma parte importante do tratamento.

    Na psicoterapia, vocês podem trabalhar os gatilhos, o ciclo entre vontade, consumo e culpa, o manejo dos impulsos, mudanças no acesso à pornografia e outras formas de lidar com emoções difíceis. Questões de intimidade e comunicação do casal também podem ser abordadas, inclusive em terapia de casal, caso ambos desejem.

    O psiquiatra pode ser incluído se houver ansiedade, depressão ou impulsividade intensas. Na maioria dos casos, a psicoterapia é o ponto de partida.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Arrepender-se de uma infidelidade e reconhecer o sofrimento causado pode fazer parte de um processo saudável de responsabilização. Mas isso é diferente de sentir que precisa revisitar o acontecimento indefinidamente ou continuar se punindo para provar que o arrependimento é verdadeiro.

    Pelo seu relato, parece existir um ciclo: surge uma lembrança ou dúvida, você sente culpa, procura confirmar o perdão ou pensa em acrescentar novos detalhes e experimenta algum alívio. Depois, outra dúvida aparece e tudo recomeça. Em padrões obsessivos, a confissão repetida, a revisão mental e a busca por garantias podem funcionar como compulsões. Elas reduzem a ansiedade por pouco tempo, mas ensinam a mente que é necessário conferir novamente sempre que a dúvida retornar.

    Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC, mas não é possível concluir apenas pela mensagem. Uma avaliação com um psicólogo pode te ajudar a entender se a culpa ainda está orientando alguma reparação necessária ou se passou a funcionar como uma forma de autopunição.

    Caso exista um padrão obsessivo, a Terapia Cognitivo-Comportamental com exposição e prevenção de resposta pode te ajudar a reduzir as confirmações e conviver com a incerteza sem voltar ao assunto repetidamente. É possível reconhecer um erro, aprender com ele e ainda assim se permitir seguir em frente.


  • Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t

    Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Faz sentido que essa descoberta tenha te deixado triste e confusa. O seu incômodo não precisa ser descartado como exagero, principalmente porque o comportamento acontece no trabalho e parece surgir rapidamente quando você não está presente.

    Ainda assim, não é possível afirmar que ele tenha uma compulsão apenas pela frequência do consumo. O que costuma ser avaliado é se existe perda de controle, tentativas frustradas de diminuir, necessidade cada vez maior de consumir e continuidade mesmo diante de prejuízos no trabalho, na vida sexual, nas responsabilidades ou no relacionamento. Assistir no ambiente profissional pode ser um sinal de alerta, porque indica dificuldade para adiar o comportamento mesmo em uma situação de risco.

    Também é importante separar duas questões: se existe ou não uma compulsão e como esse comportamento afeta você e os acordos da relação. Mesmo que ele não preencha critérios para um quadro compulsivo, você pode se sentir desconfortável e conversar sobre seus limites, necessidades e expectativas.

    Procure abordar o assunto em um momento tranquilo, falando sobre o impacto que isso teve em você, sem transformar a conversa apenas em uma discussão sobre o rótulo de “vício”. Caso ele perceba dificuldade para controlar o consumo, um psicólogo com experiência em sexualidade ou comportamentos compulsivos pode ajudar. Se a confiança e a intimidade já estiverem abaladas, a terapia de casal também pode ser considerada.


  • Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixon

    Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixono por alguém e uma vez percebi que gostei de uma pessoa quando ele cortou o contanto quando tive uma coragem pra falar com ele. É possível eu conseguir não só amar como também identificar com mais facilidade esse sentimento e qual seria a relação de amar com a força pra seguir nas minhas metas pessoais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Crescer recebendo pouco afeto pode tornar mais difícil reconhecer e demonstrar o que você sente, principalmente porque talvez tenha faltado um espaço seguro para aprender a falar sobre emoções. Isso não significa que você não consiga amar. Significa apenas que pode precisar de mais tempo e atenção para perceber como o afeto aparece em você.

    Nem sempre a paixão surge como uma certeza imediata. Para algumas pessoas, ela se manifesta na vontade de estar perto, compartilhar a vida, cuidar, sentir saudade ou imaginar aquela pessoa fazendo parte do futuro. Quando alguém se afasta, a ausência pode tornar sentimentos que já existiam mais visíveis. Ainda assim, isso não quer dizer que você só consiga amar diante da perda.

    A psicoterapia pode te ajudar a entender como sua história familiar aparece nos vínculos atuais, reconhecer melhor suas emoções e expressá-las antes que o medo ou a insegurança ocupem todo o espaço.

    Amar alguém também pode trazer apoio e motivação, mas é importante que seus projetos pessoais não dependam exclusivamente desse vínculo. Uma relação saudável tende a acompanhar e fortalecer o seu caminho, não a ser a única razão para você continuar nele. É possível construir relações profundas e, ao mesmo tempo, desenvolver metas ligadas ao que você valoriza e deseja para a própria vida.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sentir que a ansiedade e a angústia ficam mais difíceis de manejar nos dias sem sessão é algo importante para levar ao seu psicólogo. Isso não significa que você esteja fazendo terapia “errado” ou que seja dependente do atendimento. Pode indicar apenas que vocês ainda precisam construir recursos mais claros para o período entre as sessões.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, é comum utilizar materiais como cartões de enfrentamento, lembretes de pensamentos alternativos, registros breves, exercícios de respiração, estratégias para crises e pequenos planos de ação. Eles podem ser impressos, escritos à mão ou salvos no celular. Mais importante do que o formato é que tenham sido elaborados de acordo com o que você vive e com o que já foi trabalhado na terapia.

    Esses recursos podem ajudar porque, durante uma crise de ansiedade, costuma ser mais difícil lembrar sozinho de tudo o que foi discutido na sessão. Ter um material simples e acessível pode facilitar a aplicação das estratégias naquele momento.

    Ainda assim, eles não substituem o tratamento e precisam ser revistos ao longo do processo. Vale dizer ao seu psicólogo exatamente como você se sente durante a semana e propor que construam juntos um plano para esses momentos. Se a angústia chegar a um nível em que você não se sinta seguro, isso também deve ser comunicado para que haja uma orientação mais específica.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Pelo seu relato, parece que você está vivendo um conflito muito difícil: de um lado, o desejo de construir uma nova etapa da sua vida; do outro, o medo de que sua mãe fique sozinha. É compreensível que isso desperte ansiedade e uma sensação de aperto no coração.

    Muitas pessoas confundem seguir o próprio caminho com abandonar quem amam, mas essas duas coisas nem sempre são a mesma coisa. Sair de casa faz parte do desenvolvimento da vida adulta e pode acontecer sem que o vínculo, o cuidado e a presença deixem de existir.

    Talvez valha a pena pensar em formas de manter sua mãe próxima, como estabelecer uma rotina de visitas, ligações frequentes e verificar se ela conta com outras pessoas da família ou da comunidade para oferecer apoio quando necessário. Isso pode trazer mais segurança para vocês dois durante essa adaptação.

    Se essa culpa e essa ansiedade continuarem muito intensas, a psicoterapia pode te ajudar a entender melhor esses sentimentos, diferenciar responsabilidade de culpa e encontrar uma forma mais equilibrada de viver esse momento. É possível construir a sua própria vida sem deixar de cuidar de quem é importante para você.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Dá para perceber o quanto essa perda ainda dói. Pelo seu relato, você não perdeu apenas uma cachorra, mas também todos os momentos que imaginava viver ao lado dela. Quando um animal faz parte da nossa família, é natural criar expectativas sobre o futuro, e a interrupção desses planos pode tornar o luto ainda mais difícil.

    Os pensamentos de que "eu poderia ter feito mais" também são muito comuns nesse processo. Muitas vezes, a culpa aparece como uma tentativa de encontrar uma explicação ou de recuperar, pelo pensamento, algo que já não podia ser mudado. Isso não significa, necessariamente, que você tenha falhado nos cuidados com ela.

    O fato de ver outros cães e sentir tristeza também faz sentido. Essas situações acabam lembrando não apenas da ausência dela, mas de tudo o que você gostaria que ainda estivesse vivendo.

    Aos poucos, esse luto pode deixar de ser marcado apenas pela dor e abrir espaço para que as lembranças também tragam carinho e gratidão pela história que vocês construíram juntos. Se perceber que esse sofrimento continua muito intenso ou que a culpa não diminui, a psicoterapia pode te ajudar a elaborar essa perda de forma mais saudável e acolher tudo o que ela representa para você. O amor que você sente por ela não desaparece com a despedida, mas a forma de conviver com essa saudade pode, sim, se transformar com o tempo.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Viver com a sensação de que tudo depende de você pode ser extremamente cansativo. Quando isso acontece por muito tempo, é comum surgir ansiedade, culpa e a impressão de que não existe espaço para descansar, porque parece que qualquer coisa pode dar errado se você não estiver no controle.

    Nem sempre essa sensação corresponde à realidade. Em muitos casos, ela está relacionada à forma como aprendemos a lidar com responsabilidades ao longo da vida ou à maneira como interpretamos determinadas situações. Isso não significa que você seja irresponsável se dividir tarefas ou aceitar que nem tudo está sob o seu controle.

    Vale a pena se perguntar, em diferentes momentos: "Essa responsabilidade é realmente minha ou estou assumindo mais do que preciso?". Esse exercício pode ajudar a perceber que algumas situações dependem de você, mas muitas outras envolvem fatores e pessoas que estão além do seu controle.

    Se essa sensação tem sido frequente e está afetando sua qualidade de vida, a psicoterapia pode te ajudar a entender de onde vem esse padrão, desenvolver uma relação mais equilibrada com as responsabilidades e reduzir o peso que você sente carregar. Você não precisa dar conta de tudo para ter valor ou para que as coisas deem certo.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O término de um relacionamento costuma ser uma experiência muito dolorosa e, sim, do ponto de vista psicológico, pode ser compreendido como um processo de luto. Isso acontece porque não perdemos apenas uma pessoa, mas também projetos, expectativas, planos para o futuro e uma forma de viver que fazia parte da nossa rotina.

    Durante esse período, é comum experimentar emoções intensas e até contraditórias, como tristeza, saudade, raiva, culpa ou esperança de reconciliação. Essas reações fazem parte do processo de adaptação à perda e não significam, por si só, que exista algo de errado com você.

    Superar um término não significa esquecer o que foi vivido, mas conseguir integrar essa experiência à sua história e retomar, gradualmente, o investimento em si mesmo, nos seus relacionamentos e nos seus projetos de vida.

    Se perceber que a dor permanece muito intensa ou está dificultando sua rotina por um longo período, a psicoterapia pode te ajudar a elaborar esse luto, compreender o significado desse relacionamento e desenvolver recursos para atravessar essa fase de forma mais saudável.

    Embora agora possa parecer difícil, esse sofrimento tende a diminuir com o tempo e com o apoio adequado, permitindo que novas possibilidades possam surgir.


  • Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Quando perdemos algo que faz parte da nossa história, nem sempre estamos sofrendo apenas pelo objeto em si, mas pelo significado que ele carregava. Objetos da infância costumam representar lembranças, fases importantes da vida e até uma sensação de continuidade da própria história. Por isso, quando eles são perdidos sem a nossa autorização, é compreensível que a dor seja tão intensa.

    Esse tipo de experiência pode ser vivido como um pequeno processo de luto. Além da tristeza, é comum surgirem sentimentos de raiva, impotência ou injustiça, principalmente quando a decisão foi tomada por outra pessoa.

    Com o tempo, essa dor costuma diminuir, mas isso não significa esquecer o que aqueles objetos representavam. Significa encontrar outras formas de manter viva essa parte da sua história, sem que a ausência deles continue causando tanto sofrimento.

    Se perceber que essa perda continua ocupando um espaço muito grande na sua vida ou desperta outras questões emocionais, a psicoterapia pode te ajudar a elaborar esse luto, compreender o significado dessa experiência e encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com ela. Afinal, as memórias e os vínculos construídos ao longo da vida vão muito além dos objetos que as representam.


  • Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes)

    Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes) e eu descobri ontem com um ano juntos q eles são irmãos, e meu namorado pediu um tempo. Estou com medo de terminarmos, eu me sinto muito culpada. E ele é o único apoio que tenho (eu tenho autismo e depressão) e sem ele sinto que tudo vai desmoronar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O que mais chamou minha atenção no seu relato foi o tamanho da angústia que você está vivendo neste momento. Além do medo de perder o relacionamento, você sente que pode perder a pessoa que hoje representa seu principal apoio emocional. É compreensível que isso desperte tanto sofrimento.

    Pelo que você descreve, essas conversas aconteceram cerca de dois anos antes de vocês se conhecerem. Por isso, é importante tomar cuidado para que a culpa não faça você assumir uma responsabilidade que talvez não corresponda aos fatos. O pedido de um tempo pode refletir a necessidade dele de organizar os próprios sentimentos, e isso não significa, necessariamente, que o relacionamento tenha chegado ao fim.

    Você também contou que convive com autismo e depressão. Diante desse contexto, o sentimento de que "tudo vai desmoronar" merece ser levado a sério. A dor que você está sentindo é real, mas ela não precisa ser enfrentada sozinha. A psicoterapia pode te ajudar a atravessar esse momento, lidar com a culpa, fortalecer seus recursos emocionais e construir uma rede de apoio que não dependa exclusivamente de uma única pessoa.

    Independentemente do que acontecer com o relacionamento, cuidar de você continua sendo fundamental. Com o apoio adequado, é possível passar por esse momento de forma mais segura e encontrar novos caminhos, mesmo que agora isso pareça muito difícil.


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Lendo o seu relato, uma coisa chama bastante atenção: o quanto você tem sofrido tentando lidar com tudo isso sozinha. E quero começar dizendo que o que você descreve merece, sim, ser levado a sério.

    Embora não seja possível fazer um diagnóstico por esse relato, a intensidade dos sintomas e o impacto que eles têm causado na sua vida justificam uma avaliação com um psicólogo. O medo intenso das interações sociais, as manifestações físicas de ansiedade e o sofrimento após essas situações podem estar relacionados a diferentes condições, e compreender isso é um passo importante para definir o tratamento mais adequado. Em alguns casos, dependendo da avaliação, o acompanhamento com um psiquiatra também pode ser indicado.

    Você comentou que tem receio de procurar ajuda e não ser compreendida. Esse medo é mais comum do que parece, mas um bom processo terapêutico acontece justamente em um ambiente de acolhimento, sem julgamentos e respeitando o seu ritmo. A psicoterapia não consiste em forçar você a enfrentar situações para as quais ainda não se sente preparada, mas em compreender o que mantém esse sofrimento e ajudá-la, gradualmente, a desenvolver mais segurança e qualidade de vida.

    Pela intensidade do que você relata, acredito que vale a pena buscar essa avaliação. Esse sofrimento pode ser compreendido e tratado, e você não precisa continuar enfrentando tudo isso sozinha.


Perguntas frequentes

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