Perguntas do paciente (271)

  • Boa tarde. Para terapia hormonal com pessoas trans maiores de idade é necessário laudo psicológico a

    Boa tarde. Para terapia hormonal com pessoas trans maiores de idade é necessário laudo psicológico assinado? Existe tempo mínimo de acompanhamento psicológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Essa dúvida é muito pertinente, e buscar essa informação antes de iniciar o processo pode evitar preocupações desnecessárias.

    Atualmente, para pessoas trans maiores de idade, não há um tempo mínimo de acompanhamento psicológico que seja exigido de forma geral para o início da terapia hormonal. Da mesma forma, a necessidade de um laudo psicológico não é uma regra universal e pode variar conforme o serviço de saúde ou o profissional responsável pelo acompanhamento.

    O acompanhamento psicológico, quando realizado, não tem como objetivo validar a identidade de gênero da pessoa, mas oferecer um espaço de escuta, acolhimento e apoio para lidar com as mudanças envolvidas nesse processo, sempre respeitando a autonomia de cada indivíduo.

    Para saber exatamente quais são os requisitos no seu caso, vale a pena conversar com o médico que fará o acompanhamento da terapia hormonal, geralmente um endocrinologista ou outro profissional habilitado. Dessa forma, você receberá orientações de acordo com o protocolo adotado pelo serviço e poderá seguir esse processo com mais segurança e tranquilidade.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Perceber que um comportamento está se repetindo e reconhecer que ele tem causado prejuízos já demonstra um nível importante de autoconhecimento. Muitas pessoas só conseguem enxergar esse tipo de padrão depois de muito tempo.

    Ter opiniões firmes não é um problema. A questão é quando a necessidade de defender o próprio ponto de vista se torna tão intensa que acaba prejudicando os relacionamentos, o ambiente de trabalho ou dificulta a abertura para outras possibilidades. Nesses casos, muitas vezes o que está em jogo não é apenas a opinião em si, mas a forma como lidamos com discordâncias, críticas ou a sensação de estar errado.

    Observar quais situações despertam essa reação, quais pensamentos passam pela sua cabeça e quais emoções aparecem nesses momentos pode ajudar a compreender melhor esse funcionamento.

    A psicoterapia pode ser um espaço importante para identificar a origem desse padrão e desenvolver maior flexibilidade cognitiva e emocional, permitindo que você expresse suas ideias com segurança, sem que isso comprometa seus relacionamentos ou sua vida profissional. O fato de você estar buscando entender isso já é um excelente ponto de partida para a mudança.


  • Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muit

    Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muito provavelmente minha vida só melhore mesmo entre 35 e 40 anos. Às vezes fico com raiva de mim mesmo por isso mesmo que eu vá atrás das minhas metas porém só de pensar nessa idade que minha vida melhore me deixa desmotivado pois sinto que minha vida começaria quando metade dela já passou. Como lidar com essa sensação e manter motivado mesmo com esse cenário em mente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O que mais chamou minha atenção no seu relato foi que o sofrimento não parece estar apenas no tempo necessário para alcançar seus objetivos, mas na ideia de que sua vida só passará a ter valor quando essas conquistas acontecerem. Carregar esse pensamento por muito tempo pode ser extremamente desgastante.

    É natural fazermos comparações com outras pessoas, principalmente quando parece que elas chegaram onde gostaríamos de estar. O problema é que essas comparações costumam desconsiderar histórias, oportunidades e dificuldades muito diferentes das nossas, alimentando a sensação de estar "atrasado".

    Embora você esteja seguindo em direção às suas metas, talvez valha a pena refletir sobre a forma como tem avaliado a própria trajetória. Quando todo o significado da vida fica concentrado em um momento futuro, o presente pode acabar sendo vivido apenas como um período de espera, o que tende a aumentar a frustração e reduzir a motivação.

    A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender a origem dessas crenças, desenvolver uma relação mais equilibrada com as comparações e construir uma percepção mais realista sobre suas conquistas e seu próprio tempo. É possível continuar investindo nos seus objetivos sem que a sensação de valor pessoal dependa exclusivamente de quando eles serão alcançados.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Essa é uma pergunta importante e que costuma surgir quando o desgaste no relacionamento já se tornou muito intenso.

    Do ponto de vista psicológico, é possível reconstruir o respeito em alguns casos, mas isso depende principalmente da disposição de ambos para reconhecer o que aconteceu e se comprometer com mudanças. Quando anos de conflitos, críticas e ofensas se acumulam, é comum que a confiança e a admiração também sejam afetadas. Ainda assim, isso não significa, por si só, que a relação esteja definitivamente perdida.

    Reconstruir o respeito não acontece apenas com pedidos de desculpas ou com a diminuição das discussões. É um processo que envolve mudanças consistentes na forma de se comunicar, de lidar com os conflitos e de considerar as necessidades do outro. Para que isso aconteça, é fundamental que os dois participem ativamente desse processo.

    A psicoterapia pode ser uma ferramenta importante nesse momento. Quando ambos desejam investir na relação, a terapia de casal pode ajudar a compreender os padrões que mantêm o sofrimento e favorecer um diálogo mais saudável. Já a psicoterapia individual pode auxiliar cada pessoa a refletir sobre seus próprios limites, necessidades e sobre qual caminho faz mais sentido para sua realidade.

    Independentemente da decisão do casal, compreender essa dinâmica costuma ser um passo importante para que ela seja tomada de forma mais consciente.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A sua pergunta é muito importante. Sentir tristeza diante de situações em que você percebe que não é compreendida ou que precisa medir cada palavra para evitar conflitos pode acontecer. No entanto, quando essa tristeza se torna tão intensa a ponto de provocar isolamento, choro frequente e dificultar o entendimento do que está acontecendo, ela merece ser olhada com mais atenção.

    Pelo que você relata, existe um contexto em que seus sentimentos parecem não estar encontrando espaço para serem expressos e acolhidos. Isso pode gerar uma sensação de solidão emocional, mesmo dentro de um relacionamento. Ainda assim, não é possível concluir, apenas por esse relato, que essa seja a única explicação para o seu sofrimento, e nem afirmar que exista algum transtorno psicológico.

    A psicoterapia pode ajudá-la justamente a compreender melhor essa tristeza, identificar os fatores que contribuem para ela e diferenciar o que está relacionado à dinâmica do relacionamento, à sua história de vida ou a outros aspectos emocionais. Esse processo também favorece o desenvolvimento de formas mais saudáveis de comunicar suas necessidades e cuidar de si.

    Você não precisa entender tudo sozinha. Buscar compreender o que está acontecendo já é um passo importante, e esse sofrimento pode ser acolhido e trabalhado de forma cuidadosa.


  • Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos

    Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos os lados e isso acontece, infelizmente, na frente dos nossos filhos. Percebo que isso está afetando meu bem-estar emocional.

    O que mais me angustia é que sinto muita dificuldade em conversar com minha esposa sobre os problemas, pois tenho a impressão de que ela nunca reconhece a própria participação nos conflitos. Isso me faz perder a esperança de que a relação possa melhorar.

    Também reconheço que eu erro e que, durante as discussões, acabo respondendo de forma inadequada. Hoje me sinto emocionalmente exausto, com baixa autoestima e muito confuso sobre como lidar com essa situação.

    Minha dúvida é: do ponto de vista psicológico, como saber quando um relacionamento ainda tem possibilidade de ser reconstruído e quando o desgaste já é tão grande que um afastamento temporário pode ser uma alternativa saudável para preservar a saúde emocional e o bem-estar dos filhos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O que mais chamou minha atenção no seu relato foi o quanto essa situação parece estar consumindo suas forças. Além do desgaste no relacionamento, você demonstra preocupação com o impacto disso sobre os seus filhos e consegue reconhecer tanto as dificuldades da sua esposa quanto as suas próprias. Essa capacidade de olhar para si costuma ser um passo importante para qualquer processo de mudança.

    Do ponto de vista psicológico, não existe um critério único que determine quando um relacionamento pode ou não ser reconstruído. Mais do que a quantidade de conflitos, costuma fazer diferença a disposição de ambos para reconhecer a própria participação nos problemas, assumir responsabilidades e construir novas formas de diálogo. Sem esse movimento, a tendência é que o desgaste se mantenha.

    Quando as discussões são frequentes, envolvem ofensas e acontecem na frente dos filhos, é importante que essa dinâmica seja olhada com cuidado. Preservar o bem-estar das crianças também passa por cuidar da saúde emocional dos pais e da forma como os conflitos são conduzidos.

    A psicoterapia pode te ajudar a compreender essa situação com mais clareza, fortalecer seus recursos emocionais e identificar quais limites e possibilidades existem para essa relação. Se houver abertura de ambos, a terapia de casal também pode ser um espaço para avaliar, de maneira respeitosa e consciente, se ainda há condições de reconstrução ou se outro caminho será mais saudável para todos os envolvidos.


  • Olá! Eu estou ficando um pouco preocupado com a minha situação atual, não para entrar em pânico, mas

    Olá! Eu estou ficando um pouco preocupado com a minha situação atual, não para entrar em pânico, mas estou ficando receoso.

    Eu venho chorando e ficando bem triste por conta de provavelmente nunca poder ter a chance de conhecer um grupo de K-pop que eu construí um Relacionamento Parassocial, e eu não sei se esse sentimento vai se "acalmar", entendo que muito disso é idealização minha da possível interação que aconteceria entre mim e o grupo, mas eu simplesmente não consigo parar de pensar nisso, eu fico mal de verdade, eu me "identifiquei" e me "conectei" tanto com o grupo que eu acho que não consigo mais ignorar isso.

    Vale ressaltar também que a minha vida social no momento está bem parada, isso com certeza acaba intensificando bastante toda essa questão. Será que isso uma hora vai passar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Pelo seu relato, o que mais chama atenção não é o fato de você gostar muito desse grupo, mas o quanto essa situação tem feito você sofrer. Quando um sentimento provoca choro frequente, ocupa os pensamentos e gera preocupação de que nunca vá diminuir, faz sentido buscar compreendê-lo com mais cuidado.

    Os relacionamentos parassociais, em que criamos um vínculo emocional com artistas ou figuras públicas, são um fenômeno conhecido na Psicologia e podem ser vividos de forma saudável. No entanto, quando esse vínculo passa a ser a principal fonte de conexão emocional ou de esperança, especialmente em momentos de maior isolamento social, é comum que qualquer sensação de distância ou impossibilidade provoque uma dor muito intensa.

    Não é possível dizer exatamente quanto tempo esse sentimento vai durar, mas ele não precisa permanecer dessa forma para sempre. À medida que você compreende o significado dessa ligação, amplia suas experiências e fortalece outros vínculos e interesses, é possível que esse sofrimento perca intensidade.

    Como isso tem afetado seu bem estar, a psicoterapia pode ajudá-lo a entender por que essa conexão se tornou tão importante neste momento da sua vida e a construir formas mais equilibradas de lidar com esses sentimentos. O fato de você estar refletindo sobre isso e buscando ajuda já é um passo importante para que essa situação possa mudar.


  • Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensaçã

    Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensação de que a qualquer momento pode acontecer algo consigo de um real problema que pode colocar em perigo? Tem uma maneira de diferenciar a ansiedade de algo fisiológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Essa é uma dúvida muito frequente e compreensível. Quando a ansiedade provoca sintomas físicos intensos, muitas pessoas passam a questionar se estão diante de um estado emocional ou de um problema de saúde que ainda não foi identificado.

    Na prática, nem sempre é possível fazer essa diferenciação apenas pela sensação do momento, porque a ansiedade produz alterações físicas reais. O que costuma ajudar é observar o contexto em que os sintomas aparecem, se eles já ocorreram outras vezes, quanto tempo duram e se melhoram quando o nível de ansiedade diminui. Ainda assim, essas observações não substituem uma avaliação médica, principalmente quando os sintomas são novos, muito intensos, diferentes do habitual ou persistentes.

    Depois que possíveis causas clínicas são investigadas, muitas pessoas percebem que o grande desafio deixa de ser o sintoma físico em si e passa a ser o medo constante de que ele represente um perigo. A psicoterapia pode ajudar justamente nesse processo, auxiliando a compreender como a ansiedade influencia a interpretação das sensações corporais e desenvolvendo estratégias para responder a elas de forma mais segura e equilibrada.

    Com o acompanhamento adequado, é possível aprender a reconhecer melhor esses sinais e reduzir o sofrimento causado pela incerteza, sem deixar de cuidar da própria saúde quando isso é realmente necessário.


  • Vc acha q o controlo digital parental é bom ou mau?

    Vc acha q o controlo digital parental é bom ou mau?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Essa é uma pergunta muito pertinente. Na psicologia, a discussão geralmente não é se o controle parental é "bom" ou "mau", mas como ele é utilizado e se faz sentido para a idade e o desenvolvimento da criança ou do adolescente.

    Nos primeiros anos, algum nível de supervisão costuma ser importante para proteger contra riscos do ambiente digital e para ensinar hábitos saudáveis de uso da tecnologia. No entanto, essa supervisão tende a ser mais eficaz quando vem acompanhada de diálogo, explicações e construção de confiança, e não apenas de vigilância.

    À medida que os filhos amadurecem e demonstram responsabilidade, o ideal é que o controlo seja gradualmente reduzido, dando espaço para o desenvolvimento da autonomia. Quando a supervisão permanece excessiva ou acontece sem comunicação, pode favorecer conflitos e dificultar a construção de uma relação de confiança.

    Em outras palavras, o controlo parental pode ser uma ferramenta útil, desde que seja usado como um recurso educativo e de proteção, e não como a única forma de lidar com a vida digital. O equilíbrio entre segurança, diálogo e autonomia costuma trazer melhores resultados a longo prazo.


  • É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem

    É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem?

    Eu estou em um relacionamento sério há algum tempo. Um dia, a minha namorada sugeriu de experimentarmos sem camisinha, pois segundo ela eu passaria a não mais querer fazer com camisinha. Assim que começou a menstruação dela nós experimentamos. Pois bem, fizemos isso duas vezes (em dois meses diferentes).

    Acontece que ela disse que agora só faremos após o casamento. Perguntei a ela o porquê disso, e ela me explicou os motivos dela. Me senti um pouco enganado, mas entendi e respeitei. Após isso, eu não tenho mais sentido "tesão" durante o sexo com camisinha da mesma forma que eu sentia antes de saber como era a sensação sem proteção. Soma-se o fato dela ter me contato que só transava sem camisinha com o ex, faz me sentir ainda pior.

    Agora, me parece que essa minha dificuldade de sentir o "tesão", não digo prazer, é mais da parte psicológica. E eu tenho buscado maneiras de "reeducar" meu cérebro para voltar a sentir essa vontade no sexo que eu sentia antes, mas tem sido muito difícil.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    É possível, sim, voltar a sentir desejo e ter uma experiência satisfatória usando camisinha. Experimentar o sexo sem preservativo pode ter criado uma nova referência de sensação, mas isso não significa que seu cérebro tenha sido alterado de forma permanente ou que o sexo protegido nunca mais será prazeroso.

    Pelo que você contou, essa dificuldade parece envolver mais do que a diferença física. Você se sentiu enganado pela mudança de decisão, soube que ela tinha outra prática com o ex e talvez esteja vivendo isso como uma comparação ou uma forma de rejeição. Quando esses pensamentos aparecem durante o sexo, eles podem diminuir a excitação e fazer com que toda a atenção fique voltada para o que estaria “faltando”.

    Sua namorada tem o direito de mudar de ideia e definir seus limites, mas vocês também podem conversar com honestidade sobre o que essa situação despertou em você, sem transformar essa conversa em pressão para transar sem proteção.

    Em relação à parte prática, experimentar preservativos com modelos mais finos e lubrificação compatível pode melhorar a sensibilidade. Também ajuda tirar o foco exclusivo da penetração e explorar outras formas de intimidade e prazer. Caso a dificuldade continue, a psicoterapia pode te ajudar a trabalhar as comparações, a frustração e as expectativas que passaram a interferir nesse momento.


  • Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na

    Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na minha cabeça, com personagens, acontecimentos e “episódios”, às vezes recriando minha própria vida de formas diferentes ou criando qualquer cenário que eu queira.

    Durante esses momentos costumo andar em círculos, girar objetos (quando era criança era sacola/corda, hoje é mais lápis) e fazer sons com a boca. Isso acontece quando estou entediado ou quando vejo algo que me inspira. Eu acho divertido e consigo parar quando quero, mas comecei a fazer escondido por vergonha, porque eu nunca vi ninguém fazer isso, de andar de um lado para o outro fazendo sons e girando lápis enquanto imagina…

    Além disso, desde criança tenho dificuldades como procrastinação, esquecer coisas, deixar tarefas para última hora, dificuldade em terminar atividades e começar tarefas chatas. Também tenho histórico de ansiedade/depressão e muita timidez, com medo de julgamento e dificuldade social.

    Quero entender se isso pode ter relação com alguma condição como TDAH ou outra questão, ou se é apenas meu jeito de funcionar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Pelo que você descreve, não há motivo para concluir que exista algo “errado” com você apenas porque sua imaginação funciona dessa maneira. Criar histórias contínuas, andar de um lado para o outro ou manipular objetos enquanto imagina pode ser uma forma particular de entretenimento e autorregulação. O fato de você saber que são fantasias, se divertir e conseguir interrompê-las quando deseja é diferente de uma experiência que domina a rotina e foge ao controle.

    Alguns pesquisadores utilizam o termo “devaneio desadaptativo” quando as fantasias se tornam compulsivas, consomem muitas horas e causam prejuízos importantes. Entretanto, esse fenômeno ainda não é reconhecido como um diagnóstico formal.

    As dificuldades com procrastinação, esquecimentos e conclusão de tarefas podem estar presentes no TDAH, mas também aparecem em quadros de ansiedade e depressão. Para investigar TDAH, é necessário avaliar se existe um padrão persistente desde a infância, presente em diferentes contextos e com prejuízos reais na vida. Da mesma forma, movimentos repetitivos e dificuldades sociais não indicam autismo isoladamente; essa avaliação considera um conjunto mais amplo de características do desenvolvimento e da comunicação social.

    Conversar com um psicólogo ou realizar uma avaliação neuropsicológica pode te ajudar a compreender seu funcionamento com mais clareza, sem julgamentos e sem transformar toda característica diferente em um transtorno.


  • O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abert

    O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abertos e você sente que você e seu corpo estão cochilando, mas os seus olhos ainda estão abertos e você consegue ver o que está na sua volta mesmo cochilando, e tem horas que você consegue fechar os olhos e dormir, só que quando você abre, você percebe que às vezes você tá acordada e ao mesmo tempo pode acabar voltando a dormir, e tem vezes que quando você quer mexer o dedo, se auto acordar ou até mesmo falar, você tem que fazer um esforço grande ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O que você descreve pode ser bastante confuso, porque parece que uma parte de você está acordada enquanto o corpo ainda está adormecendo. Uma possibilidade é que isso aconteça durante a transição entre o sono e o estado de vigília.

    Quando a pessoa percebe o ambiente, mas temporariamente não consegue se movimentar ou falar, podemos pensar em um fenômeno semelhante à paralisia do sono. Nesses episódios, até um movimento pequeno, como mexer um dedo, pode exigir bastante esforço. Isso costuma durar pouco, mas não é possível confirmar a causa apenas por uma mensagem.

    Também é importante observar quando acontece. Episódios ocasionais, próximos do momento de dormir ou acordar, podem ser favorecidos por pouco sono, estresse e horários irregulares. Caso sejam frequentes, ocorram durante o dia ou venham acompanhados de uma necessidade difícil de controlar de dormir, vale buscar uma avaliação com um neurologista ou médico especialista em sono.

    Procure atendimento com urgência se a dificuldade para se mexer ou falar continuar mesmo depois de você estar totalmente acordada, principalmente se surgir fraqueza de um lado do corpo, confusão ou alteração repentina da fala.

    Registrar a frequência, a duração e os horários dos episódios pode te ajudar a explicá-los durante a consulta e facilitar uma investigação mais cuidadosa.


  • Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração p

    Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração para minha ansiedade e falta de motivação/ânimo dessa vida. Normalmente automutilação é tratado pelas pessoas apenas como cortes, as vezes queimaduras voluntárias, mas eu queria saber sobre uma perspectiva profissional como esse ato em específico é classificado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Não é apenas o tipo de ferimento que define se um comportamento é uma autolesão. O mais importante é entender por que você morde o lábio, quanto controle tem sobre isso e se existe a intenção de provocar dor ou se machucar.

    Quando a pessoa morde o lábio de maneira repetitiva, às vezes quase sem perceber, principalmente em momentos de ansiedade, isso pode fazer parte dos chamados comportamentos repetitivos focados no corpo. Eles costumam reduzir a tensão por alguns instantes, mas podem se tornar difíceis de interromper.

    Quando o ato é intencional e utilizado para sentir dor, se distrair de emoções difíceis ou aliviar o sofrimento, ele pode ser compreendido como uma forma de autolesão, mesmo que não envolva cortes ou queimaduras e não exista intenção de morrer.

    Mais importante do que encontrar um rótulo é reconhecer que você está usando esse comportamento para lidar com ansiedade, desânimo e falta de motivação. A psicoterapia pode te ajudar a identificar os momentos que despertam essa necessidade e construir outras formas de regular essas emoções sem se ferir.

    A expressão “falta de ânimo dessa vida” também merece cuidado. Caso ela envolva vontade de morrer, desaparecer ou aumentar os ferimentos, procure ajuda imediatamente, fale com alguém próximo ou ligue gratuitamente para o CVV pelo número 188, disponível 24 horas. A psicoterapia também pode te ajudar a identificar de onde e porque esses pensamentos vem a sua mente.


  • eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sob

    eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sobre-excitabilidades (intelectual, emocional, imaginativa, sensorial e psicomotora) e vários sinais associados a altas habilidades/superdotação. Isso pode indicar uma dupla excepcionalidade (TDAH/TEA junto com altas habilidades)? Existe alguma avaliação que eu possa fazer para investigar isso?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Faz sentido querer investigar se existe uma explicação que considere não apenas suas dificuldades, mas também suas potencialidades. Sim, uma pessoa com TDAH e/ou TEA pode apresentar altas habilidades ou superdotação. Essa coexistência costuma ser chamada de “dupla excepcionalidade”, embora o termo descreva um perfil e não seja, por si só, um novo diagnóstico.

    As sobre-excitabilidades que você percebe podem trazer informações sobre a intensidade com que vivencia pensamentos, emoções e estímulos. Porém, elas não confirmam altas habilidades isoladamente. Algumas dessas características também podem se misturar a manifestações do TDAH, do TEA, da ansiedade ou a aspectos da personalidade. A própria relação entre sobre-excitabilidades e superdotação não é igual em todas as pessoas.

    Para investigar com mais segurança, procure um psicólogo ou neuropsicólogo que tenha experiência tanto em altas habilidades quanto em condições do neurodesenvolvimento. A avaliação precisa reunir entrevistas, história desde a infância, testes psicológicos adequados e informações sobre atenção, raciocínio, criatividade, funções executivas, aspectos emocionais e funcionamento na vida real. A avaliação psicológica é um processo amplo, não apenas a aplicação de um teste de inteligência.

    Esse processo pode te ajudar a construir uma compreensão mais integrada de como você funciona e de quais apoios ou estímulos fazem sentido para você.


  • Olá! Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por

    Olá!

    Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por isso desde pequeno, ainda mais considerando que sou uma pessoa LGBTQIA+. Hoje ainda permaneco com crenças que não fazem sentido para mim, mas sinto que muitas vezes fico tomado pelo medo ou ansiedade, o que inclusive afeta o meu relacionamento atual. Devo procurar um psicólogo e/ou psiquiatra?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    É bastante frustrante perceber racionalmente que algumas crenças não fazem mais sentido e, ainda assim, continuar sentindo medo, culpa ou ansiedade por causa delas. Isso acontece porque nem sempre o que aprendemos emocionalmente muda na mesma velocidade que aquilo que passamos a compreender.

    Sendo uma pessoa LGBTQIA+, é possível que algumas dessas crenças tenham sido construídas a partir de mensagens recebidas desde cedo, experiências de rejeição, medo de julgamento ou da necessidade de esconder partes de si. Isso não significa que exista algo errado com quem você é. A Psicologia reconhece que orientações sexuais e identidades de gênero não são doenças e não precisam ser corrigidas.

    Você pode começar procurando um psicólogo que tenha uma postura acolhedora e experiência com questões LGBTQIA+. A psicoterapia pode te ajudar a entender como essas crenças foram formadas, perceber como elas aparecem no seu relacionamento e construir maneiras mais saudáveis de lidar com o medo e a ansiedade.

    O psiquiatra pode ser incluído quando os sintomas são intensos, persistentes ou estão prejudicando significativamente seu sono, sua rotina, seu trabalho ou suas relações. Essa necessidade pode ser avaliada ao longo do acompanhamento, pois psicoterapia e avaliação médica podem se complementar de acordo com cada caso.

    Essas crenças podem ser trabalhadas, e você não precisa continuar enfrentando esse conflito sozinho.


  • Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando es

    Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando estou caminhando me fazem pensar um monte coisas e drenam a minha capacidade física. Interessante que ontem mesmo senti isso ao sair de casa até um restaurante. Não conseguia me desligar dos sintomas e já estava ficando cansado. Na volta, que era a mesma distância, vinha conversando com uma pessoa e nem percebi quando terminei o percurso. Não senti qualquer cansaço. Isso aponta para ansiedade? Ainda não fiz exames médicos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O que aconteceu nos dois trajetos traz uma informação importante. Quando você caminhava prestando muita atenção aos sintomas e aos pensamentos, o percurso pareceu cansativo. Na volta, conversando e menos concentrado no próprio corpo, percorreu a mesma distância sem perceber cansaço. Esse padrão pode, sim, indicar que a ansiedade e a vigilância sobre as sensações estão aumentando sua percepção de esforço.

    Isso não significa que o cansaço seja imaginário. A ansiedade pode gerar alterações físicas reais, como tensão muscular, respiração mais acelerada, dificuldade de concentração, fraqueza e fadiga. Além disso, quanto mais você monitora o corpo procurando sinais de que algo está errado, mais intensas e ameaçadoras essas sensações podem parecer.

    Ainda assim, não é possível afirmar que a causa seja apenas a ansiedade. Como você ainda não fez uma avaliação médica, vale começar por um clínico geral, principalmente se o cansaço continuar acontecendo ou estiver limitando suas atividades.

    Você pode retomar as caminhadas aos poucos, em ritmo confortável, sem tentar testar constantemente sua capacidade física. A psicoterapia pode te ajudar a diminuir esse monitoramento e recuperar gradualmente a confiança no próprio corpo.

    Se durante o esforço aparecerem dor no peito, falta de ar intensa, tontura importante ou desmaio, procure atendimento médico.


  • Como a Teoria do Apego contribui para a compreensão do funcionamento neuropsicológico no Transtorno

    Como a Teoria do Apego contribui para a compreensão do funcionamento neuropsicológico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na prática clínica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A Teoria do Apego contribui para a compreensão do Transtorno de Personalidade Borderline ao sugerir que experiências precoces de instabilidade, rejeição, negligência ou inconsistência nos vínculos podem influenciar a forma como a pessoa percebe a si mesma e se relaciona com os outros. Na prática clínica, isso ajuda a compreender dificuldades relacionadas ao medo de abandono, à instabilidade emocional, à impulsividade e aos relacionamentos intensos e conflituosos frequentemente observados no TPB.

    Do ponto de vista neuropsicológico, pesquisas indicam que experiências interpessoais precoces podem influenciar sistemas relacionados à regulação emocional, à percepção de ameaças e ao controle de impulsos. A compreensão desses processos auxilia na formulação clínica e no desenvolvimento de intervenções voltadas para regulação emocional, fortalecimento da identidade e construção de vínculos mais seguros.


  • O que é avaliação psicopatológica e qual sua finalidade clínica?

    O que é avaliação psicopatológica e qual sua finalidade clínica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A avaliação psicopatológica é uma investigação clínica dos sintomas, comportamentos e alterações no funcionamento mental da pessoa. O objetivo não é apenas descobrir “qual transtorno ela tem”, mas compreender como ela está funcionando naquele momento e o que pode estar explicando seu sofrimento.

    O profissional investiga, por exemplo, humor, ansiedade, atenção, memória, pensamento, percepção, sono, energia, comportamento, relações, uso de substâncias e impacto dos sintomas no trabalho, estudos e vida pessoal. Também observa aspectos do estado mental, como organização do pensamento, contato com a realidade, julgamento e presença de risco.

    Essas informações ajudam a responder perguntas importantes: os sintomas formam um quadro depressivo? Ansioso? Existem sinais de mania, psicose ou alguma condição que precise de avaliação médica? Há mais de um problema acontecendo ao mesmo tempo? Qual deles precisa ser tratado primeiro?

    A partir disso, o profissional constrói hipóteses diagnósticas, faz diagnóstico diferencial, define prioridades e planeja o tratamento. A avaliação também pode ser repetida ao longo do acompanhamento para verificar se houve melhora, piora ou mudança no quadro.

    É importante diferenciar: o exame do estado mental descreve principalmente como a pessoa se apresenta naquele momento; já a avaliação psicopatológica integra esse exame com história, sintomas, contexto e evolução clínica.

    Ela organiza o sofrimento para orientar cuidado, não para reduzir a pessoa a um rótulo.


  • Como o estresse pode contribuir para o surgimento de transtornos mentais?

    Como o estresse pode contribuir para o surgimento de transtornos mentais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O estresse pode contribuir para o surgimento de transtornos mentais quando ultrapassa a capacidade de adaptação da pessoa e se mantém por muito tempo. Isso não significa que qualquer período estressante causará um transtorno, mas que ele pode funcionar como um fator de risco, principalmente quando se combina com outras vulnerabilidades.

    Em situações de pressão, o corpo e a mente entram em estado de alerta. Esse mecanismo é útil por períodos curtos, mas, quando permanece ativado, pode alterar o sono, aumentar a irritabilidade, dificultar a concentração e tornar os pensamentos mais negativos ou ameaçadores.

    A forma como o estresse é interpretado e enfrentado também influencia. Uma pessoa que acredita não conseguir lidar com as demandas pode sentir mais ansiedade, evitar situações e abandonar atividades importantes. O alívio trazido pela evitação é temporário e pode fortalecer o medo. Na depressão, o estresse pode favorecer isolamento, perda de rotina e redução de experiências positivas, mantendo o desânimo.

    O surgimento de um transtorno resulta da interação entre predisposição biológica, história de vida, contexto atual, apoio disponível e formas de enfrentamento. Por isso, o mesmo acontecimento pode ter impactos diferentes em cada pessoa.

    Quando os sintomas persistem, pioram progressivamente ou comprometem áreas importantes da vida, a psicoterapia pode te ajudar a compreender esse ciclo, desenvolver recursos de enfrentamento e reduzir os efeitos do estresse sobre a saúde mental.


  • Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado

    Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado uma pessoa difícil e estamos discutindo constantemente, nossa primeira discussão foi porque ele começou a questionar respostas de comentários das minhas fotos de 2022, época que eu não estava com ele, e nos comentários não tinha nada de mais. Ele sempre questiona coisas bobas e sempre faz muitas perguntas e quer saber muitos detalhes sempre, ele viu uma foto antiga com um amigo meu e começou a questionar, vocês estão muito perto não acha? Como vocês conversavam? porque tirou essa foto? para quem mandou? porque tirou para mandar para outra pessoa?... Isso me incomoda e ao falar sobre com ele, ele fala que só está tentando me entender melhor e que não tem culpa de eu só ter tido relacionamentos rasos e que passado importa para ele, isso está acabando com a minha cabeça e eu não estou conseguindo ficar feliz, pois sei que quando ele está perto e estamos conversando eu posso falar algo ou fazer e ele começar a questionar e acabar com o momento feliz. Ele já falou que não é ciúmes e nem desconfiança. Sinto que nenhuma resposta e o suficiente para ele. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Conviver com a sensação de que qualquer comentário ou atitude pode iniciar um novo interrogatório é muito desgastante. O seu incômodo não é “coisa da sua cabeça”, mesmo que ele diga que não sente ciúmes ou desconfiança.

    É natural que duas pessoas conversem sobre o passado ao começarem uma relação. A diferença está na forma, na frequência e no efeito dessas perguntas. Quando você responde, mas nenhuma explicação parece suficiente, o problema pode deixar de ser a busca por compreensão e passar a ser uma necessidade constante de controle ou confirmação. Não é possível rotular o relacionamento por uma única mensagem, mas vigilância, manipulação e tentativas de controlar as ações ou escolhas do parceiro são sinais que merecem atenção.

    Você pode conversar com ele em um momento tranquilo e dizer claramente que esses questionamentos estão afetando seu bem-estar e tirando sua liberdade de estar presente na relação. Mais importante do que a justificativa que ele apresenta será observar se consegue escutar você, respeitar seus limites e mudar de forma consistente.

    Procurar um psicólogo pode te ajudar a compreender melhor essa dinâmica, recuperar a confiança na própria percepção e decidir quais limites são necessários. Caso apareçam monitoramento, humilhações, isolamento, ameaças ou medo de contrariá-lo, busque apoio fora da relação e priorize sua segurança. Você não precisa permanecer em constante estado de alerta para demonstrar que não fez nada errado.


Perguntas frequentes

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