Perguntas do paciente (522)

  • Como faço para me acalmar quando tenho crises de ansiedade?

    Como faço para me acalmar quando tenho crises de ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Durante uma crise de ansiedade, o que mais assusta costuma ser a sensação de perda de controle, como se o corpo estivesse reagindo a um perigo iminente. Nesses momentos, é importante compreender que a crise é uma resposta do organismo em estado de alerta exagerado e que, embora desconfortável, ela não é perigosa nem permanente. Quanto mais a mente interpreta os sintomas como ameaça, mais o ciclo se intensifica, fazendo o medo crescer sobre o próprio medo.

    Em geral, tentar “se acalmar rápido” ou lutar contra as sensações costuma ter o efeito contrário. O corpo precisa primeiro sair do modo emergência, e isso acontece quando a pessoa consegue reduzir a vigilância constante sobre os sintomas e permitir que a onda da ansiedade siga seu curso até diminuir. Quando a ansiedade deixa de ser tratada como inimiga, ela perde parte da força. O alívio costuma vir não do controle absoluto, mas da mudança na relação com o que está sendo sentido.

    Vale observar também o que acontece logo antes das crises. Muitas pessoas percebem que elas surgem após períodos de tensão acumulada, preocupação antecipatória ou tentativas repetidas de evitar sensações internas. Entender esse padrão ajuda a reduzir o impacto das crises ao longo do tempo, porque o foco passa a ser menos “como faço para parar agora” e mais “o que está mantendo esse ciclo ativo”.

    Você costuma prestar muita atenção ao corpo quando a crise começa? O medo é mais de morrer, enlouquecer ou perder o controle? O que você faz nesses momentos ajuda de verdade ou apenas traz um alívio breve? Essas perguntas são importantes porque apontam para os mecanismos que mantêm a ansiedade funcionando.

    O acompanhamento psicológico é um espaço fundamental para aprender a lidar com as crises de forma mais segura e duradoura, trabalhando tanto o momento agudo quanto o padrão emocional que está por trás delas. Em alguns casos, uma avaliação psiquiátrica também pode ser considerada como parte de um cuidado integrado. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho crises de ansiedade e muito ruim palpitação no coração dores no peito e muito complicado lida

    Tenho crises de ansiedade e muito ruim palpitação no coração dores no peito e muito complicado lida com a situação tive muitas perda a na família e esse quadro de ansiedade foi só agravando o que. Faco pra sai dessa rotina de transtorno?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é muito difícil de viver e faz sentido que esse quadro tenha se intensificado depois de tantas perdas. Quando o luto não consegue ser elaborado com tempo e apoio, o corpo muitas vezes passa a carregar essa dor em forma de ansiedade. Palpitações, dores no peito e a sensação constante de ameaça costumam assustar muito, mas geralmente são sinais de um sistema emocional em alerta permanente, tentando lidar com algo que foi intenso demais para ser processado sozinho.

    Essas crises não surgem do nada nem significam que você está “quebrando” por dentro. Elas costumam ser o resultado de emoções acumuladas, medo de novas perdas e uma vigilância constante sobre o próprio corpo. Quanto mais você tenta se livrar das sensações ou controlar o que sente, mais o ciclo tende a se manter, como se o organismo estivesse sempre se preparando para algo ruim acontecer novamente.

    Sair dessa rotina não passa por força de vontade ou por simplesmente “pensar diferente”, mas por compreender o que essas crises estão comunicando e aprender a se relacionar de outra forma com elas. A psicoterapia é um espaço importante para trabalhar o luto, o medo e a ansiedade de maneira integrada, ajudando o corpo a sair desse estado contínuo de emergência. Em alguns casos, um acompanhamento psiquiátrico também pode ser necessário para oferecer mais estabilidade enquanto esse processo acontece.

    Vale se perguntar quando essas crises costumam aparecer, se elas vêm acompanhadas de pensamentos sobre perdas ou medo de adoecer, e o quanto você tem conseguido falar sobre essas dores com alguém. O que mais te assusta durante as crises: a sensação física ou o significado que você dá a ela? O isolamento tem sido uma forma de proteção ou tem aumentado o sofrimento depois?

    Você não precisa atravessar isso sozinho nem se acostumar a viver com medo. Há caminhos de cuidado possíveis, mesmo que agora pareça difícil enxergá-los. Caso precise, estou à disposição.


  • Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa me

    Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa mesmo? Pelo o que ela pode ser causada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, fico feliz que você tenha trazido essa pergunta, porque ela toca em algo que muita gente sente, mas nem sempre consegue nomear.

    A ansiedade não surge apenas quando existe um “motivo lógico” evidente. Do ponto de vista psicológico e neurobiológico, ela é uma resposta do sistema de proteção do cérebro. Às vezes, esse sistema aprende a funcionar em modo de alerta mesmo quando, racionalmente, tudo parece estar bem. É como se o corpo estivesse dizendo “preciso me preparar”, mesmo quando a mente olha em volta e não encontra uma ameaça clara. Isso não é defeito, nem falha de caráter — é um funcionamento aprendido, muitas vezes automático.

    Em muitas pessoas, a ansiedade se desenvolve a partir de experiências anteriores de insegurança, imprevisibilidade ou pressão emocional. O cérebro guarda essas memórias não só como lembranças, mas como padrões de reação. Assim, situações neutras podem ser interpretadas pelo sistema emocional como potencialmente perigosas. Você já percebeu se sua ansiedade aparece mais ligada a expectativas, ao medo de errar, de decepcionar ou de perder algo importante, mesmo que isso não esteja acontecendo agora?

    Também é comum que fatores como estresse prolongado, excesso de autocobrança, dificuldade de descansar mentalmente ou até hábitos de vida desregulados mantenham o corpo em um estado constante de tensão. O organismo vai ficando “acostumado” a funcionar acelerado, e sair desse ritmo passa a ser difícil. Nesses casos, a ansiedade não aponta para um problema imediato, mas para um sistema que ficou sensível demais ao longo do tempo.

    Talvez valha refletir: o que o seu corpo parece estar tentando evitar ou proteger quando a ansiedade surge? Em quais momentos ela fica mais intensa, e em quais diminui? Essas pistas costumam ajudar a entender a função que a ansiedade está cumprindo na sua vida, em vez de tratá-la como algo sem sentido.

    Se essa sensação tem sido frequente ou limitante, a terapia pode ajudar a compreender de onde esse alerta constante vem e como torná-lo mais flexível, sem precisar travar uma briga interna com ele. Esses temas merecem cuidado — se quiser, posso te ajudar a aprofundar essa compreensão.


  • Olá,boa tarde! Gostaria de saber se é normal uma pessoa ser tímida, ao ponto de não conseguir fazer

    Olá,boa tarde! Gostaria de saber se é normal uma pessoa ser tímida, ao ponto de não conseguir fazer amizades com ninguém? E ter dificuldade de conversar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, boa tarde! Essa é uma dúvida que aparece com bastante frequência, e faz sentido você querer entender melhor isso. A timidez, por si só, é uma característica comum, muitas pessoas são mais reservadas, levam mais tempo para se soltar e preferem interações mais tranquilas. Mas quando essa timidez chega ao ponto de dificultar muito as conversas e impedir a formação de vínculos, já não é só um traço de personalidade — passa a ser algo que pode estar limitando a sua vida.

    O que você descreve pode ter relação com ansiedade social, onde o medo de ser avaliado, de falar algo errado ou de não ser aceito acaba travando a pessoa antes mesmo da conversa acontecer. E aí surge um ciclo: a dificuldade de se comunicar leva ao afastamento, o afastamento reduz as oportunidades de conexão, e isso reforça ainda mais a sensação de não conseguir. Você percebe se, antes de falar com alguém, já aparecem pensamentos como “vou travar”, “não vão gostar de mim” ou algo parecido?

    Também é importante considerar que, para algumas pessoas, a dificuldade não está só no medo, mas na forma como organizam a comunicação. Às vezes existe uma insegurança sobre o que dizer, como iniciar ou manter uma conversa. E isso pode fazer com que a pessoa se sinta ainda mais deslocada, como se os outros tivessem uma habilidade que ela não tem.

    Mas tem um ponto importante: isso não é algo fixo ou imutável. Essas habilidades sociais podem ser desenvolvidas, e o primeiro passo costuma ser entender o que exatamente está travando você. É mais o medo do julgamento ou a sensação de não saber como agir? Porque cada uma dessas possibilidades pede um caminho um pouco diferente.

    Quando essa dificuldade começa a trazer sofrimento ou isolamento, vale muito a pena buscar ajuda. Um processo terapêutico pode te ajudar a compreender essas barreiras e, aos poucos, construir mais segurança nas interações, sem precisar se forçar a ser alguém diferente de quem você é.

    Talvez a questão não seja “ser tímido demais”, mas entender o que essa timidez está tentando proteger dentro de você. Se fizer sentido, podemos explorar isso com mais profundidade.


  • Olá. Tenho ansiedade diagnosticada mas não terminei o tratamento. Já faz algum tempo que me sinto es

    Olá. Tenho ansiedade diagnosticada mas não terminei o tratamento. Já faz algum tempo que me sinto estranha, não tenho reação as coisas.
    Se algo de ruim ou bom acontece não manifesto reação sobre isso. E agora tenho sentido uma estranheza das coisas e ambiente q me encontro.
    Isso pode ser devido a ansiedade não tratada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve merece atenção e acolhimento cuidadoso. Essa sensação de não reagir emocionalmente, como se as coisas boas ou ruins não gerassem impacto interno, pode estar relacionada a diferentes fatores. Em alguns casos, ansiedade prolongada e não tratada pode evoluir para um estado de esgotamento emocional, em que o sistema psíquico entra quase em “modo de economia”, reduzindo a intensidade das respostas para tentar lidar com a sobrecarga.

    Essa estranheza em relação ao ambiente também pode se parecer com experiências de despersonalização ou desrealização, que às vezes surgem em quadros de ansiedade intensa. É como se a mente criasse uma espécie de distanciamento para diminuir o excesso de ativação. A sensação é real e desconcertante, mas não significa que você esteja “perdendo o controle”. Ainda assim, é algo que precisa ser avaliado com cuidado.

    Vale se perguntar: isso começou após algum período de estresse maior? Você tem percebido alterações no sono, energia ou interesse pelas coisas? Essa sensação de estranheza vem acompanhada de medo de enlouquecer ou de algo ruim acontecer? Entender a frequência, intensidade e contexto desses sintomas ajuda muito na avaliação.

    Como você já tem diagnóstico prévio de ansiedade e interrompeu o tratamento, seria importante retomar acompanhamento psicológico. Dependendo da intensidade dos sintomas, uma avaliação com psiquiatra também pode ser indicada para verificar necessidade de suporte medicamentoso. Não é algo para ignorar, mas também não é um sinal de que não há saída. O sofrimento psíquico costuma responder bem quando é olhado com método e cuidado.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Estou há 2 dias tendo crises intensas de choro, sinto muito frio ( como se fosse febre), falta de ap

    Estou há 2 dias tendo crises intensas de choro, sinto muito frio ( como se fosse febre), falta de apetite e vontade de não fazer nada. Pode ser um sinal de crise de ansiedade/panico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? O que você descreve pode, sim, ter relação com ansiedade intensa ou uma crise emocional importante, principalmente se esses sintomas apareceram junto com muito choro, sensação de esgotamento e dificuldade de funcionar normalmente. O corpo reage de forma muito forte quando o sistema emocional entra em sobrecarga.

    A sensação de frio, tremores ou como se estivesse com febre também pode acontecer em estados de ansiedade e estresse intenso, porque o organismo entra em alerta e altera várias respostas físicas. Falta de apetite, cansaço extremo e vontade de não fazer nada também costumam aparecer quando a pessoa está emocionalmente muito sobrecarregada.

    Mas existe um ponto importante: sintomas físicos também merecem atenção médica quando são intensos, persistentes ou diferentes do habitual. Então, embora ansiedade possa explicar bastante coisa, não é ideal concluir isso sozinho sem observar o contexto geral e, se necessário, buscar avaliação médica.

    Outra coisa que chama atenção é a intensidade emocional desses últimos dois dias. Houve alguma situação difícil, perda, conflito, medo ou acúmulo emocional recente antes dessas crises começarem? Porque, às vezes, o corpo “desaba” depois de tentar suportar muita coisa por tempo demais.

    Também é importante observar se existe sensação de desesperança profunda, pensamentos de desistência da vida ou incapacidade total de cuidar de si. Quando o sofrimento emocional começa a tomar essa dimensão, vale procurar ajuda profissional o quanto antes.

    Talvez o mais importante agora não seja tentar descobrir sozinho “o nome exato” do que está acontecendo, mas reconhecer que seu corpo e sua mente parecem estar pedindo cuidado urgentemente.

    Você não está exagerando. Seu organismo parece emocionalmente exausto neste momento.

    Se os sintomas continuarem intensos, procure um psicólogo, psiquiatra ou atendimento médico para uma avaliação mais próxima. Você não precisa enfrentar isso sozinho.

    Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Tenho 46 anos, estou grávida de 6 meses, primeira gestação e casada há 6 meses. Estou vivendo sob es

    Tenho 46 anos, estou grávida de 6 meses, primeira gestação e casada há 6 meses. Estou vivendo sob estresse por causa dos incômodos da gravidez, da vida a dois e da pandemia. Devo procurar um psicólogo, psicanalista ou psiquiatra para me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Primeiro, é importante reconhecer o tamanho das mudanças que você está vivendo. Primeira gestação aos 46 anos, casamento recente e ainda atravessando um contexto de pandemia é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Mesmo eventos desejados e felizes podem gerar sobrecarga emocional, ambivalência e sensação de perda de controle. Isso não significa fragilidade, significa que seu sistema emocional está lidando com múltiplas adaptações simultâneas.

    Quando há estresse persistente, irritabilidade, choro frequente, ansiedade intensa ou sensação de estar “no limite”, procurar ajuda profissional é um gesto de cuidado consigo e com o bebê. Um psicólogo pode ajudar você a organizar emoções, ajustar expectativas, trabalhar conflitos do relacionamento e desenvolver estratégias de regulação emocional. Se houver sintomas mais intensos como insônia grave, tristeza profunda, pensamentos muito negativos ou ansiedade incapacitante, uma avaliação com psiquiatra pode ser considerada para verificar a necessidade de suporte medicamentoso seguro na gestação.

    Mais do que escolher o rótulo do profissional, vale se perguntar: o que exatamente tem pesado mais, as mudanças no corpo, os conflitos na relação ou os medos em relação ao futuro? Você sente que consegue conversar abertamente com seu parceiro sobre o que está vivendo? Há momentos do dia em que a ansiedade aumenta mais?

    A psicoterapia nesse momento pode funcionar como um espaço de sustentação emocional, ajudando você a atravessar essa fase com mais clareza e menos culpa. A gestação é também um período de reorganização psíquica profunda, e cuidar da saúde mental é parte do pré-natal emocional.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Quando tenho síndrome do pânico ou transtorno de ansiedade, sinto muita falta de ar. Em tempos de pa

    Quando tenho síndrome do pânico ou transtorno de ansiedade, sinto muita falta de ar. Em tempos de pandemia sei que a atividade física é essencial. Como posso melhorar meu condicionamento se a ansiedade me tira o fôlego?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é muito comum em quadros de ansiedade e síndrome do pânico. A sensação de falta de ar é real, mas geralmente não está ligada a um problema pulmonar, e sim a um padrão de respiração mais acelerado e superficial que o corpo assume quando entra em estado de alerta. É como se o organismo estivesse se preparando para um “perigo”, mesmo sem haver uma ameaça concreta naquele momento.

    Isso gera um efeito curioso: quanto mais você tenta “puxar mais ar”, mais a respiração pode se desorganizar, aumentando a sensação de sufocamento. E aí surge um ciclo desconfortável, onde o medo da falta de ar aumenta a ansiedade, e a ansiedade intensifica ainda mais a sensação no corpo.

    Sobre a atividade física, ela pode ser uma grande aliada, mas precisa ser introduzida com estratégia e gentileza. Começar com exercícios leves, respeitando o seu ritmo, ajuda o corpo a reaprender que o aumento da respiração durante o esforço não é perigoso. Com o tempo, isso tende a reduzir o medo associado à sensação de falta de ar.

    Talvez valha a pena observar alguns pontos: quando a falta de ar aparece, você percebe que está respirando mais rápido ou mais superficial? Existe medo de perder o controle ou de algo mais grave acontecer? E ao evitar atividade física, você sente um alívio imediato, mas depois a insegurança volta?

    Um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante a trabalhar essa relação com o corpo e com a respiração, além de orientar formas mais seguras de retomar o condicionamento físico. Em alguns casos, o apoio de um profissional de educação física também pode trazer mais confiança nesse processo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Bom dia! A ansiedade deixa a gente como se tivesse com uma bola na garganta?

    Bom dia!
    A ansiedade deixa a gente como se tivesse com uma bola na garganta?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, a ansiedade pode causar exatamente essa sensação de “bola na garganta”, como se algo estivesse preso ou apertando, mesmo sem haver nada fisicamente ali. Esse sintoma é bastante comum e costuma estar relacionado à tensão muscular e ao estado de alerta do organismo. Quando a ansiedade está ativada, músculos da garganta, do pescoço e do tórax podem se contrair de forma involuntária, gerando essa sensação estranha e desconfortável.

    Além disso, a respiração tende a ficar mais superficial e acelerada durante a ansiedade, o que também contribui para essa percepção de aperto ou nó na garganta. O corpo entra em modo de proteção, como se precisasse estar pronto para reagir, e sinais físicos aparecem mesmo sem um perigo real. Quanto mais a pessoa presta atenção nessa sensação e tenta forçar que ela desapareça, maior tende a ser o desconforto.

    É importante diferenciar esse sintoma de problemas orgânicos. Quando a sensação surge junto com ansiedade, medo, tensão ou pensamentos preocupantes, e melhora quando a pessoa está mais calma ou distraída, geralmente tem origem emocional. Ainda assim, se houver dor intensa, dificuldade real para engolir ou outros sinais físicos persistentes, uma avaliação médica pode ser indicada para descartar outras causas.

    Vale refletir se essa sensação aparece em momentos de estresse, preocupação ou tensão emocional, se ela piora quando você pensa nela, e o quanto isso tem gerado medo ou vigilância corporal. O desconforto vem sozinho ou acompanhado de outros sintomas de ansiedade? O que você costuma pensar quando sente essa “bola” na garganta?

    Trabalhar a ansiedade de forma mais ampla costuma reduzir bastante esse tipo de sintoma físico ao longo do tempo. A psicoterapia ajuda a compreender e manejar essas respostas do corpo com mais segurança. Caso precise, estou à disposição.


  • Quero saber qual profissional procurar. Sinto que tenho pensamento acelerado, sempre acho que tomo a

    Quero saber qual profissional procurar. Sinto que tenho pensamento acelerado, sempre acho que tomo as piores decisões profissionais e amorosas. Ultimamente tenho sentido reações físicas, como cansaço sem ter feito esforço, falta de sono e dificuldade para acordar de manhã. Sinto desânimo constante, desinteressse com a maioria das coisas, e ao mesmo tempo, inquietação. Devo procurar psicólogo ou psicanalista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? O que você descreve mistura duas coisas que costumam caminhar juntas: uma mente muito acelerada, que revisa decisões e antecipa cenários negativos, e um corpo que já começa a dar sinais de desgaste, com cansaço, sono desregulado e desânimo. É como se, por dentro, existisse uma agitação constante, mas ao mesmo tempo uma queda de energia para lidar com o dia a dia.

    Sobre qual profissional procurar, tanto um psicólogo quanto um psicanalista são psicólogos, mas com formas diferentes de trabalhar. Em situações como a sua, em que há sintomas mais claros de ansiedade e possível desregulação do humor, costuma ser útil iniciar com um psicólogo que trabalhe de forma mais estruturada com esses sintomas, ajudando a entender e organizar esses padrões no presente. Mas me conta uma coisa: o que você sente que mais te incomoda hoje, é a intensidade dos pensamentos ou esse desânimo que vem junto?

    Pelos sinais físicos que você mencionou, também vale considerar uma avaliação com psiquiatra. Não como uma substituição da terapia, mas como um complemento. Quando o sono, a energia e o humor começam a oscilar, às vezes o corpo precisa de um suporte adicional para que você consiga se reorganizar com mais estabilidade.

    Outra coisa importante é observar como esses pensamentos funcionam. Eles vêm como uma análise constante do que pode dar errado? Existe uma cobrança interna de “preciso decidir certo”? Porque, muitas vezes, essa aceleração não é aleatória — ela está tentando evitar erro, frustração ou arrependimento. Só que, no processo, acaba gerando ainda mais insegurança.

    Talvez o mais importante não seja escolher o “tipo perfeito” de profissional, mas dar início a um acompanhamento que te ajude a entender esse funcionamento com mais clareza. Um bom processo vai ajustando o caminho conforme necessário, inclusive indicando outros profissionais se fizer sentido.

    Esses sinais que você trouxe merecem atenção e cuidado, e o fato de você já estar buscando isso é um passo importante. Se fizer sentido, podemos aprofundar juntos como esses padrões aparecem no seu dia a dia.


  • Oi! Quais esportes indicados para quem tem ansiedade?

    Oi! Quais esportes indicados para quem tem ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá! Tudo bem?

    A relação entre ansiedade e atividade física não passa tanto por “qual esporte é o certo”, mas por como o corpo reage ao movimento e ao contexto em que ele acontece. Para muitas pessoas ansiosas, atividades que ajudam a regular a respiração, o ritmo cardíaco e a atenção tendem a trazer mais sensação de equilíbrio, porque ensinam o sistema nervoso a sair do estado constante de alerta. Outras pessoas se beneficiam de esportes mais dinâmicos, desde que não virem mais uma fonte de cobrança ou comparação.

    Do ponto de vista emocional e neurobiológico, o movimento ajuda o cérebro a metabolizar a ansiedade, mas isso só acontece de forma consistente quando a atividade não é vivida como obrigação, prova de desempenho ou mais um lugar onde é preciso “dar conta”. Quando o esporte vira um espaço de presença, ritmo e descarga saudável de tensão, ele costuma funcionar como um regulador importante do humor.

    Vale observar com curiosidade: você se sente melhor em atividades mais previsíveis e rítmicas ou em esportes com interação social? O que mais te ajuda, descarregar energia ou desacelerar? Em que momentos a ansiedade diminui durante o movimento, e em quais ela aumenta? Você pratica pensando em prazer ou em cobrança?

    A psicoterapia pode ajudar bastante a entender esse padrão e a escolher atividades alinhadas com o seu funcionamento emocional, além de trabalhar a própria ansiedade que às vezes aparece até na hora de cuidar de si. Se a ansiedade for intensa ou vier acompanhada de sintomas físicos importantes, a avaliação psiquiátrica pode ser um apoio complementar. Caso você já esteja em terapia, vale levar essa questão para conversar com o terapeuta e integrar isso ao seu processo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Não sou gay mas tenho dificuldade em falar com mulheres, que tipo de ajuda vocês indicam?

    Não sou gay mas tenho dificuldade em falar com mulheres, que tipo de ajuda vocês indicam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Essa dificuldade que você descreve é mais comum do que parece e não tem relação com orientação sexual. Muitos homens heterossexuais sentem travamento, insegurança ou bloqueio ao falar com mulheres, especialmente quando existe medo de rejeição, de julgamento ou de “não saber o que dizer”. Em geral, isso não nasce do contato com mulheres em si, mas da forma como você se percebe nessas interações e do peso que elas acabam ganhando internamente.

    Frequentemente, esse bloqueio está ligado a ansiedade social, baixa confiança, experiências passadas de crítica ou rejeição, ou a uma autocrítica muito intensa que entra em cena justamente nesses momentos. A mente começa a antecipar erros, imaginar cenários negativos e cobrar um desempenho perfeito, e isso faz com que a conversa deixe de ser espontânea. É como se, em vez de estar na relação, você estivesse se observando o tempo todo.

    Vale refletir com calma: o que passa pela sua cabeça quando pensa em falar com uma mulher? O medo maior é parecer inadequado, ser rejeitado, ficar sem assunto ou ser avaliado negativamente? Essa dificuldade acontece com todas as mulheres ou mais em contextos de interesse afetivo? E quando você se sente mais à vontade, o que muda dentro de você? Essas respostas ajudam a entender onde está o nó central da dificuldade.

    O tipo de ajuda mais indicado costuma ser o acompanhamento psicológico, justamente para trabalhar ansiedade, crenças sobre si mesmo, medo de rejeição e habilidades de presença emocional. Não se trata de aprender “técnicas de conquista”, mas de reduzir o nível de ameaça que essas interações ganharam internamente, permitindo que você se coloque de forma mais natural e autêntica.

    Isso é algo que pode ser trabalhado e transformado, sem te mudar como pessoa nem te forçar a ser alguém que você não é. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá tenho dificuldade de me socializar tenho medo de reuniões com outras pessoas isso pode se dizer

    Olá tenho dificuldade de me socializar tenho medo de reuniões com outras pessoas isso pode se dizer que é fobia social ou eu sou antissocial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Dificuldade de se socializar e medo de reuniões não significam automaticamente que você seja “antissocial”. Esse termo costuma ser usado de forma equivocada. Na psicologia, comportamento antissocial está ligado a desrespeito persistente às regras e aos direitos dos outros, o que é bem diferente do que você descreve. O que aparece no seu relato se aproxima muito mais de ansiedade social, que envolve medo intenso de avaliação, julgamento ou de passar por situações sociais sentidas como ameaçadoras.

    Na ansiedade social, a pessoa geralmente quer se relacionar, mas o corpo reage como se estivesse em perigo. O coração acelera, os pensamentos ficam autocríticos, surge a vontade de evitar, e isso acaba reforçando o medo com o tempo. A neurociência ajuda a entender que o cérebro passa a antecipar essas situações como risco, mesmo quando racionalmente você sabe que não deveria ser tão difícil assim.

    Vale observar alguns pontos: esse medo aparece em qualquer encontro social ou mais em situações de exposição, como reuniões, apresentações ou falar em grupo? O receio maior é de errar, ser julgado ou parecer inadequado? Você evita essas situações por não gostar delas ou por medo do que pode acontecer? E quando consegue enfrentar, como se sente depois?

    A psicoterapia é um espaço importante para diferenciar timidez, ansiedade social e outros fatores emocionais que podem estar envolvidos, além de ajudar a reorganizar essa relação com o contato social de forma gradual e segura. Se os sintomas forem muito intensos ou vierem acompanhados de crises frequentes, uma avaliação psiquiátrica pode ser considerada como apoio complementar. Caso você já esteja em terapia, levar esse tema para conversar com o terapeuta pode ajudar bastante no processo.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Medir a pressão várias vezes ao dia faz mal , porque sou muito ansiosa e por esse motivo eu verifico

    Medir a pressão várias vezes ao dia faz mal , porque sou muito ansiosa e por esse motivo eu verifico muitas vezes a pressão no meu aparelho digital , gostaria de saber se isso faz fica cada vez mais ansiosa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? Sim, medir a pressão muitas vezes ao dia pode acabar aumentando a ansiedade, principalmente quando a medição começa a funcionar como uma tentativa constante de buscar segurança ou confirmar que “está tudo bem”.

    O problema é que a ansiedade raramente se satisfaz completamente. Você mede, sente um alívio momentâneo… mas pouco tempo depois a dúvida volta, o medo reaparece e surge vontade de conferir novamente. E aí o cérebro aprende algo importante: “preciso verificar toda hora para me sentir segura”. Sem perceber, a medição acaba alimentando o próprio ciclo da ansiedade.

    Outra coisa importante é que ansiedade pode alterar temporariamente a pressão e os batimentos. Então, quanto mais nervosa você fica antes de medir, maior a chance do resultado oscilar — e isso costuma assustar ainda mais. Você percebe se às vezes mede justamente porque sente alguma sensação no corpo, como coração acelerado, aperto ou medo de passar mal?

    Também vale lembrar que focar excessivamente no corpo faz o cérebro entrar em hipervigilância. É como se qualquer sensação física virasse um possível sinal de perigo. E aí o organismo fica cada vez mais sensível.

    Isso não significa que medir pressão seja errado. O problema geralmente está na frequência e na função emocional que isso começa a ter. Quando vira uma necessidade repetitiva para aliviar medo, costuma manter a ansiedade ativa.

    Talvez seu corpo não esteja pedindo mais medições. Talvez esteja pedindo mais sensação de segurança interna, porque hoje parece que sua mente está tentando encontrar certeza absoluta de que nada ruim vai acontecer.

    Um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante nesse tipo de ansiedade ligada ao corpo e à necessidade constante de checagem. Porque, muitas vezes, o sofrimento não está na pressão em si, mas no medo contínuo do que pode acontecer.

    Você não está exagerando nem “ficando louca”. Parece mais alguém vivendo em estado constante de vigilância tentando impedir algo ruim de acontecer.

    E isso pode melhorar com tratamento adequado e redução gradual desse ciclo de checagem.

    Se fizer sentido, podemos conversar mais sobre isso.


  • Olá, minha mãe vem enfrentando problemas de insônia e tremores nas mãos. Isso pode ser causado por a

    Olá, minha mãe vem enfrentando problemas de insônia e tremores nas mãos. Isso pode ser causado por ansiedade? Qual o profissional adequado para tratar esse tipo de problemas: Psiquiatra, psicólogo ou neurologista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, ansiedade pode estar relacionada tanto à insônia quanto a tremores nas mãos, especialmente quando a pessoa vive em estado de tensão constante. A ansiedade mantém o organismo em modo de alerta, o que dificulta o relaxamento necessário para dormir e pode provocar manifestações físicas como tremores, agitação, sensação de fraqueza ou instabilidade no corpo. Muitas vezes, esses sinais assustam e aumentam ainda mais a preocupação, criando um ciclo difícil de quebrar.

    Ao mesmo tempo, é importante ter cautela para não atribuir tudo automaticamente à ansiedade. Tremores podem ter várias origens, como efeitos colaterais de medicamentos, alterações hormonais, questões neurológicas ou outras condições clínicas. Por isso, olhar para o quadro de forma ampla é essencial, principalmente quando os sintomas são persistentes ou surgiram recentemente.

    Em geral, o psicólogo é um profissional fundamental quando há suspeita de ansiedade, pois ajuda a compreender o que está mantendo o estado de alerta, trabalhar o impacto emocional da insônia e reduzir a sobrecarga psíquica. O psiquiatra pode ser indicado quando os sintomas são intensos, comprometem muito o funcionamento ou quando há necessidade de avaliar medicação. Já o neurologista costuma ser procurado quando há dúvida sobre a origem neurológica dos tremores ou quando é preciso descartar outras causas físicas.

    Vale observar há quanto tempo esses sintomas vêm acontecendo, se eles pioram em momentos de estresse, se há uso de medicamentos ou mudanças recentes na saúde, e como sua mãe se sente emocionalmente nesse período. A insônia surgiu antes ou depois dos tremores? O medo de estar doente tem aumentado? Esses detalhes ajudam muito a orientar o caminho mais adequado.

    Muitas vezes, o cuidado mais eficaz envolve mais de um profissional, atuando de forma complementar. O importante é não normalizar o sofrimento nem tentar resolver tudo sozinho. Caso precise, estou à disposição.


  • A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, a depressão pode afetar o raciocínio e a capacidade de pensar com clareza, e isso é algo muito relatado por quem vive esse quadro. Muitas pessoas descrevem a sensação de mente lenta, dificuldade para organizar pensamentos, tomar decisões simples, lembrar informações ou manter a concentração. Não é falta de inteligência nem desinteresse, mas um efeito direto do estado emocional sobre o funcionamento mental.

    Quando a depressão está presente, o cérebro tende a operar em um modo mais pesado e restrito. Pensamentos ficam mais negativos, rígidos e repetitivos, como se tudo exigisse um esforço maior do que antes. Isso pode dar a impressão de estar “emburrecendo” ou perdendo a capacidade de pensar, o que costuma gerar ainda mais angústia e autocrítica, alimentando o próprio sofrimento.

    Além disso, o cansaço emocional constante, alterações de sono e perda de motivação interferem diretamente na clareza mental. A pessoa até tenta pensar, mas parece que as ideias não fluem, a mente trava ou fica presa nos mesmos temas. Esse bloqueio não é permanente, mas enquanto a depressão está ativa, ele pode ser bastante limitante.

    Vale refletir se você percebe essa dificuldade em todos os momentos ou mais em situações que exigem esforço mental, se ela piora quando você está mais triste ou ansioso, e o quanto isso tem impactado sua rotina, trabalho ou estudos. Você se cobra por não render como antes? Essa lentidão aparece junto com desânimo e perda de prazer?

    A boa notícia é que, à medida que a depressão é tratada, essa clareza mental tende a retornar gradualmente. A psicoterapia é um espaço importante para trabalhar tanto os sintomas emocionais quanto esses impactos cognitivos. Em alguns casos, uma avaliação psiquiátrica pode complementar o cuidado. Caso precise, estou à disposição.


  • Bom dia! Consigo fazer dieta, mas chega um momento que começo a me descontrolar na comida. Posso te

    Bom dia! Consigo fazer dieta, mas chega um momento que começo a me descontrolar na comida.
    Posso ter algum transtorno?
    Devo procurar um psicologo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve acontece com muitas pessoas e, por si só, não significa que exista obrigatoriamente um transtorno. Conseguir seguir uma dieta por um período e depois perder o controle costuma estar muito mais relacionado à forma como essa dieta é vivida do que à comida em si. Quando há muita restrição, cobrança ou tentativa de controle rígido, chega um ponto em que o corpo e a mente reagem, buscando compensar aquilo que foi contido por tempo demais.

    Em muitos casos, esses episódios de descontrole aparecem em momentos de estresse, exaustão emocional, frustração ou até como uma tentativa de aliviar sentimentos difíceis. A comida passa a cumprir uma função emocional, oferecendo conforto ou desligamento temporário. O problema não é esse uso em si, mas quando ele vira a principal estratégia para lidar com o que está acontecendo internamente, vindo acompanhado de culpa, vergonha ou sensação de fracasso.

    É diferente quando esses episódios são frequentes, intensos e começam a dominar os pensamentos, interferir na rotina ou gerar sofrimento significativo. Aí não se trata apenas de força de vontade ou disciplina, mas de um padrão emocional que merece ser compreendido com mais cuidado, sem rótulos precipitados e sem autocrítica excessiva.

    Vale observar quando esse descontrole costuma acontecer, o que você estava sentindo antes, e como fica depois que passa. A fome era física ou emocional? A dieta tem sido vivida como algo sustentável ou como uma luta constante? O quanto a culpa tem pesado mais do que a própria alimentação?

    Procurar um psicólogo pode ajudar bastante a entender essa relação com a comida, com o corpo e com as emoções, além de construir caminhos mais equilibrados e possíveis no longo prazo. Se durante o processo surgir a necessidade de avaliar um transtorno alimentar específico, isso será feito de forma cuidadosa e responsável. Caso precise, estou à disposição.


  • Autoestima baixa pode estar relacionada com depressão?

    Autoestima baixa pode estar relacionada com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Sim, autoestima baixa pode estar relacionada à depressão, embora uma coisa não signifique automaticamente a outra. A autoestima diz respeito à forma como a pessoa se percebe, se avalia e se trata internamente, enquanto a depressão envolve um conjunto mais amplo de alterações emocionais, cognitivas e comportamentais. Em muitos quadros depressivos, a visão negativa sobre si mesmo se intensifica, surgem autocríticas constantes, sensação de inadequação e a ideia de “não ser bom o suficiente”, o que acaba reforçando ainda mais o sofrimento.

    Ao mesmo tempo, é importante fazer uma distinção cuidadosa. Existem pessoas com autoestima baixa que não estão deprimidas, mas carregam padrões antigos de autocrítica, comparação ou desvalorização aprendidos ao longo da vida. Já na depressão, essa visão negativa costuma ser mais rígida, persistente e acompanhada de desânimo, perda de prazer, cansaço emocional e dificuldade de enxergar possibilidades de mudança. A autoestima fica comprometida não só pelo que a pessoa pensa sobre si, mas pelo estado emocional global em que ela se encontra.

    O funcionamento da mente nesses casos tende a filtrar a realidade de forma mais dura e limitada. Conquistas perdem valor, erros ganham um peso exagerado e qualquer falha parece confirmar uma narrativa interna de incapacidade. Isso não reflete quem a pessoa realmente é, mas como o sofrimento emocional está organizando o modo de pensar naquele momento.

    Vale se perguntar se essa baixa autoestima apareceu junto com tristeza persistente ou perda de interesse pelas coisas, se ela varia conforme o contexto ou parece constante, e o quanto essas ideias sobre você têm afetado suas escolhas, relações e motivação. Essa autocrítica te ajuda a crescer ou apenas te paralisa? Você se reconhece hoje da mesma forma que se via antes de se sentir assim?

    A psicoterapia é um espaço importante para diferenciar se a autoestima baixa está ligada a um quadro depressivo ou a padrões emocionais mais antigos, e para trabalhar essas questões de forma cuidadosa e consistente. Em alguns casos, uma avaliação psiquiátrica também pode complementar o cuidado. Caso precise, estou à disposição.


  • Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Autoestima baixa não significa automaticamente depressão, embora as duas coisas possam caminhar juntas em alguns momentos. A autoestima diz respeito à forma como a pessoa se percebe, se avalia e se trata internamente, enquanto a depressão envolve um conjunto mais amplo de sintomas, como humor deprimido persistente, perda de interesse, alterações de sono, energia e funcionamento geral. É possível alguém ter autoestima baixa sem estar deprimido, assim como alguém com depressão pode relatar a autoestima relativamente preservada em certos períodos. Por isso, é importante evitar conclusões rápidas ou rótulos baseados em um único aspecto.

    Na prática clínica, a autoestima baixa costuma estar ligada a padrões de autocrítica, comparações constantes, experiências de rejeição, fracasso ou invalidação ao longo da vida. O cérebro aprende, com o tempo, a repetir essas leituras internas como se fossem verdades absolutas, mesmo quando não são. Isso pode gerar sofrimento significativo, mas não necessariamente configura um quadro depressivo. A diferença costuma aparecer na intensidade, na duração e no impacto global desses sentimentos no dia a dia.

    Quando se fala em “aumentar a autoestima”, é importante ter cuidado com soluções simplistas. Não se trata de pensar positivo à força ou repetir frases motivacionais, mas de compreender de onde vêm essas crenças sobre si mesmo e como elas são mantidas. O trabalho terapêutico costuma ajudar a identificar esses padrões, flexibilizar interpretações rígidas e desenvolver uma relação interna mais justa e funcional, em vez de apenas tentar “se sentir melhor”.

    Vale refletir se essa visão negativa sobre você aparece em situações específicas ou em quase tudo, se ela muda conforme o contexto ou parece fixa, e o quanto isso tem limitado suas escolhas, relacionamentos ou projetos. Essa autocrítica soa como algo que te protege de falhar ou mais como algo que te paralisa? O que você aprendeu, ao longo da vida, sobre quem você deveria ser para ser aceito?

    Se esses temas já estão sendo trabalhados em terapia, é fundamental aprofundá-los com o profissional que te acompanha. Caso os sentimentos venham acompanhados de tristeza persistente, perda de prazer ou prejuízos importantes no funcionamento, uma avaliação mais cuidadosa pode ser indicada, inclusive considerando apoio psiquiátrico quando necessário. Caso precise, estou à disposição.


  • Eu não me sinto à vontade em falar. Eu tenho vergonha, eu nem sequer sei que especialidade eu devo p

    Eu não me sinto à vontade em falar. Eu tenho vergonha, eu nem sequer sei que especialidade eu devo procurar. Eu fico pensando que isso seria só fraqueza e vaidade. Será que teria algum tipo de assistência, algum tipo de lugar onde eu pudesse me questionar? Eu não consigo mais resolver minha vida só eu.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você está sentindo não é fraqueza, nem “vaidade”. Quando a pessoa começa a se travar para falar, sentir vergonha constante e perceber que já não consegue lidar com tudo sozinha, isso costuma ser um sinal de que algo interno está sobrecarregado, não de falta de força.

    Essa dificuldade de se expressar muitas vezes vem acompanhada de autocrítica forte, medo de julgamento ou até a sensação de que o que você sente “não é válido o suficiente” para ser dito. Só que esse tipo de pensamento costuma justamente impedir você de acessar o apoio que poderia te ajudar a sair desse lugar.

    Sobre a sua dúvida prática: o profissional mais indicado para começar é um psicólogo. Não precisa saber exatamente “o que você tem” antes de procurar. O espaço terapêutico serve justamente para isso, para você poder falar no seu ritmo, inclusive sobre a dificuldade de falar. Você não precisa chegar pronto, nem saber explicar tudo.

    Talvez valha se perguntar com honestidade: o que você teme que aconteça se você se abrir com alguém? É mais medo de julgamento, de não saber o que dizer ou de entrar em contato com o que sente? E hoje, ficar em silêncio tem te protegido ou tem te mantido preso nessa sensação?

    Também existem formas de acesso mais acolhedoras, como atendimentos online, clínicas-escola de universidades e serviços com valores reduzidos, caso isso seja uma preocupação. O importante aqui não é encontrar o “lugar perfeito”, mas dar o primeiro passo em direção a não precisar carregar tudo sozinho.

    Reconhecer que você não está conseguindo resolver tudo sozinho já é um movimento importante. A partir daqui, o caminho não precisa ser solitário.

    Caso precise, estou à disposição.


Perguntas frequentes

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