Perguntas do paciente (522)

  • Como saber se tenho síndrome de ansiedade ou síndrome do pânico?

    Como saber se tenho síndrome de ansiedade ou síndrome do pânico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Essa dúvida é muito comum, porque ansiedade e pânico compartilham vários sintomas e, para quem está vivendo isso, tudo pode parecer a mesma coisa. De forma geral, a ansiedade costuma ser mais contínua, ligada a preocupações persistentes, antecipações negativas e uma sensação constante de tensão física e mental. Já o transtorno do pânico se caracteriza por crises súbitas e intensas de medo, que surgem de repente, atingem um pico rápido e vêm acompanhadas de sintomas físicos fortes, como taquicardia, falta de ar, tontura, aperto no peito e a sensação assustadora de que algo grave vai acontecer naquele momento.

    Um ponto importante é observar o padrão. Na ansiedade, o corpo parece estar sempre em estado de alerta, mesmo nos dias em que nada específico acontece. No pânico, a pessoa pode até se sentir relativamente bem entre as crises, mas passa a viver com medo de ter uma nova, o que acaba restringindo a vida aos poucos. Muitas vezes, esse medo do medo é o que mantém o problema, levando à evitação de lugares, situações ou atividades.

    Também é essencial esclarecer que essas condições não são diagnosticadas apenas pela presença de sintomas isolados. A avaliação envolve entender quando eles começaram, com que frequência aparecem, o que os desencadeia, como você reage a eles e o quanto isso tem impactado sua rotina, seus relacionamentos e sua autonomia. Rotular rapidamente pode mais confundir do que ajudar, especialmente quando a pessoa já está fragilizada.

    Vale se perguntar se seus sintomas surgem de forma gradual ou explosiva, se você vive mais preocupado com o futuro ou com o medo de passar mal de repente, e o que costuma acontecer depois que a crise passa. Você tenta controlar o corpo, fugir da situação ou buscar garantias? Isso tem ajudado de verdade ou apenas alivia por pouco tempo?

    A forma mais segura de esclarecer isso é por meio de uma avaliação psicológica cuidadosa. Em alguns casos, uma avaliação psiquiátrica também pode complementar o cuidado, especialmente quando os sintomas estão muito intensos. O mais importante é saber que tanto a ansiedade quanto o pânico têm tratamento e não definem quem você é. Caso precise, estou à disposição.


  • O que devo fazer pra cura essa Tricotilomania? Tem algum remédio que alivia esse sintomas e qual med

    O que devo fazer pra cura essa Tricotilomania? Tem algum remédio que alivia esse sintomas e qual medico especializado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    A tricotilomania é um transtorno caracterizado pelo impulso recorrente de arrancar os próprios cabelos, geralmente associado a tensão interna antes do ato e sensação de alívio depois. Não é falta de força de vontade, nem simples “mania”. Trata-se de um padrão comportamental ligado à regulação emocional e ao controle de impulsos.

    Quando falamos em “cura”, é importante ajustar a expectativa. O tratamento não costuma ser baseado apenas em eliminar o comportamento, mas em compreender o que o mantém. Abordagens psicológicas baseadas em evidências, como técnicas de reversão de hábito, treino de consciência do impulso, regulação emocional e estratégias de enfrentamento, costumam apresentar bons resultados. Trabalha-se tanto o comportamento em si quanto os gatilhos emocionais e contextuais.

    Em relação a medicamentos, alguns casos podem se beneficiar de acompanhamento psiquiátrico, especialmente quando há ansiedade intensa, depressão associada ou dificuldade importante de controle de impulsos. O psiquiatra é o médico especializado para avaliar essa necessidade. No entanto, medicação isolada raramente resolve o quadro sem acompanhamento psicoterapêutico estruturado.

    Fico pensando: você percebe que o ato acontece em momentos de estresse, tédio ou ansiedade? Consegue identificar a sensação que antecede o impulso? Já tentou interromper e sentiu aumento da tensão interna? Entender esse ciclo é essencial para intervir de forma eficaz.

    O tratamento é possível e há estratégias consistentes para reduzir significativamente o comportamento, mas exige acompanhamento profissional adequado. Psicólogo com experiência em transtornos de controle de impulso e, quando necessário, psiquiatra para avaliação medicamentosa, costumam ser o caminho mais indicado.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Boa Tarde, a minha duvida e, estou de luto a quatro anos e dois meses.Estou tomando Rivotril 2mg e t

    Boa Tarde, a minha duvida e, estou de luto a quatro anos e dois meses.Estou tomando Rivotril 2mg e tomei Citalopram, depois mudei para o Exodus. agora parei com tudo uns 5 dias.Tenho Sindrome do Panico a muitos anos, com a morte da minha irma fiquei com depressao severa.Os medicamentos nao ajudam muito.Nem Terapia.Me isolei de todos, penso na minha irma toda hora, nao posso falar sobre o assunto com ninguem desde o falecimento dela.Nem com minha familia.Ninguem fala sobre a morte dela.Sei que meu pai esta tao mal quanto eu.Mas o resto , vida que segue.Eu nao consigo seguir minha vida, talvez por isso.Fiz tratamento com uma psicologa que nao ajudou nada.Agora sem medicaçao parece que foi ontem que aconteceu tudo.Lembro da minha irma ali sendo velada.Minha querida e amada irma.Choro muito.Dificil de acreditar.Ela estava me ajudando a superar minhas crises, de repente ela fica doente e morre.Nao moramos no mesmo Estado.Minha familia toda mora em Curitiba .Eu e meu filho em Santa Catarina, Bombinhas.Eramos muito unidas sempre. Agora me sinto perdida e sem rumo.Nao posso falar da minha dor.Remedios apenas aliviam no momento.O que faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é um sofrimento profundo e muito solitário, e faz sentido que, sem medicação, a dor tenha voltado com tanta força. O luto que você vive não é apenas pela perda da sua irmã, mas pela perda de um vínculo fundamental, de alguém que te sustentava emocionalmente e te ajudava a atravessar momentos difíceis. Quando essa perda acontece de forma abrupta e não encontra espaço para ser falada, elaborada ou acolhida, ela tende a ficar “congelada” no tempo, como se o acontecimento estivesse sempre presente, exatamente como você descreve.

    O fato de você não conseguir falar sobre sua irmã com ninguém, nem mesmo com a família, é um ponto central aqui. O silêncio em torno da morte muitas vezes não protege, ele isola. Quando a dor não pode ser compartilhada, ela cresce por dentro e passa a ocupar tudo. Não é que você não consiga seguir em frente por fraqueza, é porque uma parte importante da sua história ficou sem possibilidade de elaboração. O luto não elaborado costuma manter imagens, lembranças e emoções muito vívidas, como se o cérebro não tivesse conseguido “digerir” a perda.

    Sobre os medicamentos, sua percepção é bastante lúcida. Eles podem aliviar sintomas, reduzir picos de ansiedade ou permitir algum funcionamento, mas não elaboram o luto nem organizam o trauma da perda. Isso não significa que nunca devam ser usados, mas que, sozinhos, realmente não dão conta do que você viveu. O mesmo vale para experiências terapêuticas que não funcionaram: nem toda abordagem, nem todo profissional, consegue acessar esse tipo de dor. Isso não invalida a terapia como caminho, apenas indica que talvez ela não tenha sido adequada para esse momento e para essa história específica.

    Talvez valha se perguntar com muito cuidado: o que ficou entalado dentro de você desde a morte da sua irmã que nunca pôde ser dito? A dor maior é a saudade, a injustiça da perda, o abandono, ou a sensação de ter perdido o chão justamente quando mais precisava? E o que você sente quando percebe que a vida seguiu para os outros, mas não para você? Essas perguntas não são para responder agora, mas para mostrar que existe muito conteúdo emocional aí que ainda precisa de espaço.

    Você não está errada por ainda sofrer, nem “atrasada” no luto. Você está ferida em um vínculo central e vivendo esse luto praticamente sozinha. Um acompanhamento psicológico focado em luto e trauma pode ajudar a dar forma a essa dor, sem te apressar, sem minimizar, sem te empurrar para “superar”. Em paralelo, uma reavaliação psiquiátrica cuidadosa pode ser importante, especialmente considerando o uso e a interrupção recente das medicações, mas como parte de um cuidado integrado, não como única resposta.

    Sua dor é legítima, tem história e tem sentido. Ela não precisa ser silenciada para sempre. Caso precise, estou à disposição.


  • Quando era criança tinha a mania de mastigar a lingua me dava uma sensação boa, mas naturalmente par

    Quando era criança tinha a mania de mastigar a lingua me dava uma sensação boa, mas naturalmente parou. Um dia desses um parente me lembrou que eu tinha esse hábito. É incrível mas instantaneamente a "mania" voltou! Desde então mastigo a lingua sem parar e agora piorou, eu peguei a mania de ficar passando a unha na linha, arranhando e está causando pequenas lesões e dor qdo eu como. Horrível, mas definitamente não consigo parar está incontrolável! Como posso tratar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve costuma assustar bastante, mas é mais comum do que parece e não indica algo “grave” ou fora de controle no sentido neurológico. Esses comportamentos entram no grupo dos hábitos corporais repetitivos, que podem reaparecer quando são reativados por lembranças, estresse ou aumento da atenção sobre o próprio corpo. Quando o parente mencionou o hábito antigo, sua mente provavelmente reconectou uma sensação conhecida de alívio ou conforto, e o cérebro passou a repeti-la automaticamente, como uma tentativa rápida de autorregulação.

    O problema começa quando a pessoa passa a monitorar o comportamento o tempo todo e tenta pará-lo pela força. Quanto mais você luta para não fazer, mais o corpo entra em tensão, e o impulso aparece com ainda mais intensidade. A sensação de prazer inicial costuma dar lugar à dor, culpa e frustração, criando um ciclo difícil de interromper sozinho. Isso não acontece por falta de controle, mas porque o sistema de ansiedade aprende esse caminho como uma forma rápida de aliviar desconforto interno.

    É importante esclarecer que isso não significa que você “voltou a ser como antes” ou que ficará assim para sempre. Esses comportamentos são aprendidos e, da mesma forma, podem ser modificados. O tratamento não passa por força de vontade ou por tentar se vigiar o tempo todo, mas por compreender o que está mantendo o hábito, reduzir a ativação emocional associada e aprender outras formas de lidar com a tensão que não machuquem o corpo.

    Vale refletir em quais momentos o impulso fica mais forte, se ele aparece junto com ansiedade, tédio, estresse ou pensamentos específicos, e o que você sente logo antes de começar a machucar a língua. O alívio vem por quanto tempo? O comportamento resolve algo ou apenas cria um novo problema depois? Essas respostas ajudam muito a entender o funcionamento do ciclo.

    O acompanhamento psicológico é bastante indicado nesses casos, justamente para trabalhar esse padrão de forma gradual e segura. Se houver feridas persistentes ou risco de infecção, um dentista ou médico também pode ajudar no cuidado local, mas sem tratar apenas o sintoma. Se você já faz terapia, é importante levar isso diretamente para o profissional que te acompanha. Caso precise, estou à disposição.


  • Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralin

    Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralina pela manha e Rivotril à noite. Me dei bem logo de início, sem efeitos colaterais. Mas, em dezembro a minha mãe tentou suicídio e eu consegui evitar. Lidei bem com a situação até duas semanas atrás. De duas semanas para cá, não tenho ânimo para fazer nada, estou muito para baixo e confusa. Voltei ao Psiquiatra e ele me indicou fazer terapia...confesso que não tenho vontade alguma. Não tive experiências boas com terapeutas passados...então, não sei o que fazer, porque a medicação não está me ajudando mais...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você viveu foi muito intenso e, muitas vezes, o impacto emocional de situações assim não aparece imediatamente. Conseguir lidar “bem” no momento de uma tentativa de suicídio de alguém próximo costuma exigir um nível enorme de mobilização interna. Quando o perigo passa, o corpo e a mente finalmente baixam a guarda, e é justamente aí que o cansaço emocional, a tristeza profunda e a confusão podem surgir. Isso não significa que a medicação parou de funcionar do nada, mas que houve um evento traumático que ultrapassou o que ela consegue sustentar sozinha.

    É compreensível que você esteja sem ânimo para iniciar terapia, especialmente depois de experiências frustrantes anteriores. Quando alguém já tentou se abrir e não se sentiu acolhida ou compreendida, a ideia de repetir isso pode gerar resistência, desconfiança e até um certo esgotamento. Essa falta de vontade não é preguiça nem negação, muitas vezes é um mecanismo de proteção dizendo “não quero me machucar de novo”.

    Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que o tipo de sofrimento que você descreve agora não é apenas ansiedade. Há sinais de luto, choque emocional, exaustão psíquica e possivelmente tristeza depressiva reativa ao que aconteceu com sua mãe. A medicação pode ajudar a reduzir sintomas, mas ela não elabora experiências, não organiza sentimentos contraditórios e não dá sentido ao que foi vivido. Quando algo tão impactante acontece, a dor costuma precisar de um espaço de elaboração, mesmo que esse espaço seja retomado com cuidado e no seu tempo.

    Talvez a pergunta mais importante neste momento não seja “faço ou não terapia?”, mas “o que exatamente me fez mal nas tentativas anteriores?”. Foi sentir que não era ouvida? Que o profissional minimizava sua dor? Que parecia tudo muito automático ou distante? Identificar isso ajuda muito a não repetir a mesma experiência e a buscar algo diferente, mais alinhado com o que você precisa agora.

    Você não está falhando porque está desanimada, você está cansada depois de atravessar algo muito pesado. Esse estado pode ser cuidado, mas dificilmente precisa ser carregado sozinha. Ir ajustando o tratamento, com acompanhamento psiquiátrico e psicológico quando fizer sentido para você, costuma ser o caminho mais protetivo. Caso precise, estou à disposição.


  • Pensamentos obsessivos do tipo "música na cabeça" tem cura?

    Pensamentos obsessivos do tipo "música na cabeça" tem cura?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Pensamentos obsessivos do tipo “música na cabeça”, conhecidos popularmente como músicas repetitivas ou “earworms”, podem sim melhorar muito e, em muitos casos, deixar de causar sofrimento significativo. Ter uma música que surge espontaneamente na mente é algo comum e não indica problema por si só. O que faz isso virar um sofrimento é quando a repetição se torna persistente, indesejada, gera angústia, sensação de perda de controle e passa a ocupar grande parte da atenção ao longo do dia.

    Quando esse fenômeno assume um caráter obsessivo, ele costuma funcionar de forma parecida com outros pensamentos intrusivos. Quanto mais a pessoa tenta expulsar a música, silenciar a mente ou conferir se ela “ainda está lá”, mais o cérebro mantém o foco nela. Não é a música em si o problema, mas a relação de ameaça, controle e vigilância que se cria em torno dela. Isso dá a impressão de que nunca vai passar, mesmo não sendo verdade.

    O tratamento não é “apagar” a música da mente, mas reduzir o medo e a importância atribuída a ela. Quando o cérebro deixa de interpretar essa repetição como algo perigoso ou anormal, a tendência é que ela perca força, duração e frequência. Muitas pessoas relatam melhora importante quando aprendem a não lutar contra o pensamento e a retomar a atenção para a vida, mesmo com a música presente por um tempo.

    Vale se perguntar o quanto você passa a monitorar a mente quando a música aparece, se tenta testar se consegue pará-la, e o que você teme que aconteça se ela não sumir. O sofrimento vem mais da repetição em si ou da ideia de “não ter controle sobre a própria mente”? O alívio vem quando você tenta controlar ou quando se envolve em algo significativo?

    A psicoterapia é bastante eficaz para trabalhar esse tipo de pensamento intrusivo e a ansiedade associada a ele. Em alguns casos, uma avaliação psiquiátrica pode complementar o cuidado, especialmente quando há outros sintomas obsessivos ou ansiedade intensa. Há caminho de melhora, mesmo que agora pareça difícil acreditar nisso. Caso precise, estou à disposição.


  • fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que sep

    fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que separamos e voltamos por varias vezes, quando estou com ele quero estar longe se estou longe quero ele. agora decidimos voltar e recomeçar do zero, tenho medo de dar errado novamente. Não consigo me entender. Que me aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é extremamente desgastante e, ao mesmo tempo, bastante compreensível quando olhamos para a dinâmica emocional envolvida. Esse movimento de querer proximidade quando está longe e afastamento quando está perto costuma gerar muita confusão interna, justamente porque ativa necessidades opostas ao mesmo tempo. Não é falta de decisão nem incoerência de caráter; geralmente é sinal de um conflito emocional profundo entre desejo de vínculo e medo do que esse vínculo desperta.

    Relações marcadas por idas e vindas costumam criar um padrão muito intenso de ligação emocional. O afastamento provoca saudade, idealização e medo de perda, enquanto a proximidade reacende dores antigas, frustrações não resolvidas ou a sensação de perder a própria liberdade. O corpo e a mente ficam presos nesse vai e volta, como se nenhuma posição fosse confortável por muito tempo. É exaustivo, mas não é aleatório.

    O medo de dar errado novamente faz todo sentido, porque a sua história já mostrou que esse ciclo se repete. A questão central talvez não seja apenas “dar certo ou errado”, mas entender o que exatamente se ativa em você quando está nessa relação. O que você sente que perde quando está com ele? E o que sente que perde quando está sem ele? O medo maior é de ficar sozinha, de se anular, de sofrer de novo ou de repetir um padrão que você mesma já percebe?

    Recomeçar “do zero” só costuma funcionar quando o que gerou as idas e vindas é compreendido de verdade. Caso contrário, o zero vira apenas uma nova rodada do mesmo jogo. Um acompanhamento psicológico pode ajudar muito a organizar esses conflitos internos, identificar padrões afetivos repetidos e diferenciar desejo genuíno de vínculo de medo, carência ou hábito emocional.

    Você não precisa se apressar a ter certeza agora. Entender-se melhor é parte essencial para que qualquer decisão futura seja mais segura e menos dolorosa. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá, minha afilhada está sofrendo com pesadelos que ela não consegue esquecer, as vezes fica gritand

    Olá, minha afilhada está sofrendo com pesadelos que ela não consegue esquecer, as vezes fica gritando e chorando por causa desses pesadelos antigos, ela só tem 9 anos. Poderia me ajudar? O que aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve na sua afilhada merece atenção, principalmente pela intensidade e pela repetição desses pesadelos. Crianças podem ter pesadelos em fases específicas, mas quando eles são recorrentes, com gritos, choro e dificuldade de “se desligar” mesmo depois de acordar, isso pode indicar que algo emocional ainda não está sendo bem processado.

    Muitas vezes, esses pesadelos estão ligados a medos, experiências que a criança não conseguiu elaborar ou até mudanças na rotina que geraram insegurança. O fato de ela não conseguir esquecer e continuar afetada durante o dia sugere que não é apenas um sonho isolado, mas algo que está ativo internamente.

    Talvez valha observar com mais cuidado: esses pesadelos começaram após algum evento específico ou mudança? Ela consegue contar o que sonha ou evita falar sobre isso? Durante o dia, ela demonstra mais medo, insegurança ou mudança de comportamento? E quando acorda, ela se acalma com a presença de alguém ou permanece muito agitada por bastante tempo?

    Nesse caso, o mais indicado é procurar um psicólogo infantil. O trabalho terapêutico ajuda a criança a expressar e organizar esses conteúdos de forma segura, muitas vezes através de brincadeiras, desenhos e linguagem adequada à idade. Evitar minimizar o medo e, ao mesmo tempo, oferecer acolhimento consistente em casa também é importante.

    Não parece algo para ignorar esperando que passe sozinho, mas sim um sinal de que ela precisa de ajuda para lidar com algo que ainda está difícil para ela.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Há uns meses comecei a sentir falta de ar,que se alterna. Ora sinto pra não.Como se a respiração tiv

    Há uns meses comecei a sentir falta de ar,que se alterna. Ora sinto pra não.Como se a respiração tivesse limitada. Fiz exames coração pulmão hemograma e todos deram normais. Será algo psicológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, entendo como essa sensação pode ser angustiante, especialmente quando o corpo sinaliza algo tão básico quanto a respiração.

    Quando exames cardiológicos, pulmonares e laboratoriais vêm normais, isso costuma ser um dado importante — não para “descartar” o que você sente, mas para mudar o foco da compreensão. Em muitos casos, essa falta de ar intermitente aparece ligada a processos psicológicos, especialmente ansiedade. O sistema respiratório é muito sensível ao estado emocional, e o cérebro pode ativar um modo de alerta que altera o ritmo e a percepção da respiração, mesmo sem qualquer comprometimento físico real. É como se o corpo entrasse em prontidão sem avisar a mente.

    Algo comum nesses quadros é a sensação de respiração curta ou “travada”, que vai e volta, justamente porque não está ligada a um dano orgânico contínuo. A ansiedade tende a gerar hipervigilância corporal: a pessoa começa a observar a respiração o tempo todo, e isso, paradoxalmente, interfere no automatismo natural de respirar. Quanto mais se tenta controlar conscientemente, mais limitada a respiração pode parecer. Você já reparou se essa sensação piora quando você presta muita atenção nela ou quando está mais tensa emocionalmente?

    Do ponto de vista neurobiológico, áreas do cérebro ligadas à ameaça e à antecipação de perigo podem interpretar sinais neutros do corpo como alarmantes. O organismo reage como se precisasse garantir oxigênio extra, mesmo quando ele já está adequado. Isso não é imaginação, nem fraqueza — é um circuito de proteção funcionando de forma exagerada, geralmente após períodos de estresse, medo, perdas ou sobrecarga emocional.

    Vale se perguntar também: em que momentos essa falta de ar aparece com mais frequência? Há relação com preocupações, ambientes específicos, cansaço mental ou situações de cobrança? Essas respostas ajudam a diferenciar ainda mais um quadro funcional de um orgânico, que, no seu caso, já foi cuidadosamente investigado.

    Se isso tem afetado sua qualidade de vida, a psicoterapia pode ser um espaço importante para entender o que o corpo está tentando comunicar e para ajudar o sistema nervoso a sair desse estado de alerta constante. Em alguns casos, também pode ser útil uma avaliação psiquiátrica para descartar ou tratar componentes ansiosos mais intensos. Esses temas merecem cuidado — quando sentir que é o momento certo, a terapia pode ser um espaço seguro para trabalhar isso.


  • Como superar os pensamentos intrusivos? Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    Como superar os pensamentos intrusivos?
    Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Pensamentos intrusivos são mais comuns do que parecem, especialmente durante a gravidez e no período pós-parto, e o fato de eles surgirem não diz nada sobre quem você é ou sobre suas intenções. Eles aparecem de forma involuntária, repetitiva e indesejada, justamente atacando aquilo que a pessoa mais valoriza. O problema costuma começar quando a mente passa a tentar controlar, analisar ou neutralizar esses pensamentos, porque isso acaba dando a eles ainda mais força e frequência.

    É importante esclarecer um ponto conceitual: ter pensamentos intrusivos não significa querer agir de acordo com eles, nem indica falta de amor, caráter ou responsabilidade. O cérebro, em estados de maior sensibilidade emocional e hormonal, pode entrar em um modo de hipervigilância, produzindo conteúdos mentais ameaçadores como uma tentativa equivocada de proteção. Quanto mais você tenta expulsar ou provar que o pensamento não faz sentido, mais ele tende a retornar, criando um ciclo de angústia.

    O caminho terapêutico não é “parar de pensar”, mas aprender a mudar a relação com esses pensamentos. Quando eles deixam de ser tratados como perigos reais e passam a ser reconhecidos como eventos mentais passageiros, a intensidade costuma diminuir gradualmente. Esse processo envolve compreender o funcionamento da ansiedade, desenvolver tolerância ao desconforto e retomar escolhas guiadas por valores, e não pelo medo.

    Vale se perguntar se esses pensamentos surgem acompanhados de culpa intensa, necessidade de checagem, busca constante por garantias ou tentativas de evitar situações. O alívio vem apenas por alguns instantes e depois tudo volta? O que você costuma fazer quando o pensamento aparece ajuda de verdade ou só acalma momentaneamente? Essas respostas ajudam a entender como o ciclo está se mantendo.

    Se você já está em acompanhamento psicológico, conversar abertamente sobre isso com o profissional que te acompanha é fundamental. Quando os pensamentos começaram na gravidez ou persistem após o parto, também pode ser indicado um cuidado integrado, incluindo avaliação psiquiátrica, se necessário, sempre de forma responsável e ética. Caso precise, estou à disposição.


  • Bom dia, sou um rapaz, 20 anos e fui diagnosticado com depressão e TAG em 2013 depois de uma mudança

    Bom dia, sou um rapaz, 20 anos e fui diagnosticado com depressão e TAG em 2013 depois de uma mudança bem traumática de cidade e desde 2015, tomei praticamente todos os ISRS e ISRSN disponíveis no mercado brasileiro, com pouca ou nenhuma melhora. Os principais sintomas sempre foram: tristeza, falta de vontade em realizar atividades, irritação, crises de choro, insônia, pânico, ansiedade extrema (premeditar 1 milhão de possibilidades para o futuro e ficar relembrando detalhes do passado), baixa concentração (não conseguia ler e fazer cálculos direito), pensamentos acelerados e obsessivos (sempre pensando em uma coisa atrás da outra ou em coisas que já aconteceram). Do meio pro final do ano passado, fiquei completamente apático. Não consigo chorar, não tenho libido, não sinto empolgação, não consigo assistir um filme ou qualquer atividade de lazer e nenhum acontecimento bom faz diferença pro meu cérebro. É como se eu tivesse parado de sentir emoções. Se no começo da depressão (em 2013) eu sentia principalmente tristeza, chorava etc, agora não consigo sentir tristeza, só restou um vazio que, pelo que eu pesquisei, é chamado de anedonia. Minha psiquiatra continua querendo empurrar ISRS e ISRSN e eles só pioram a minha anedonia. Alguma abordagem que eu poderia sugerir para um outro psiquiatra? Já pensei em: antipsicóticos, antiparkinsonianos ou outra substância que tenha relação com os receptores de dopamina, pois parece que o centro de recompensa do meu cérebro "se desligou", fora os outros sintomas antigos da depressão. Preciso urgentemente de ajuda, pois apesar de não ter pensamentos suicidas intensos, não consigo ver sentido em viver desse jeito, praticamente no piloto automático.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? O que você descreve vai muito além de uma tristeza simples. Parece um quadro de sofrimento emocional prolongado, complexo e bastante resistente, e dá para perceber que você vem tentando entender racionalmente o que está acontecendo com você há muitos anos. E, sinceramente, faz sentido você estar exausto.

    A mudança que você descreve ao longo do tempo é muito importante clinicamente. Antes havia ansiedade intensa, tristeza, choro, ruminação e sofrimento emocional “ativo”. Agora parece existir um estado de desligamento emocional, vazio e ausência de resposta afetiva. Isso realmente se aproxima muito do que chamamos de anedonia e embotamento emocional. E você trouxe um ponto relevante: em algumas pessoas, determinados antidepressivos podem aliviar ansiedade e sofrimento agudo, mas também podem aumentar sensação de apatia emocional e redução de libido.

    Uma coisa importante é que você não parece estar apenas “deprimido”. Existe um histórico longo, sintomas ansiosos intensos, obsessividade, hipervigilância mental, alterações cognitivas e agora uma sensação profunda de desconexão emocional. Por isso, faz sentido buscar uma segunda opinião psiquiátrica, principalmente com alguém acostumado a trabalhar com depressão resistente ao tratamento.

    Sobre as medicações que você citou: é compreensível que você tenha começado a pensar em mecanismos dopaminérgicos, especialmente pela anedonia e pela sensação de desligamento do sistema de recompensa. Existem, sim, estratégias psiquiátricas diferentes dos ISRS tradicionais que alguns profissionais consideram em quadros resistentes, incluindo abordagens que atuam mais em dopamina e noradrenalina, potencialização medicamentosa ou outras linhas terapêuticas. Mas isso precisa ser cuidadosamente avaliado individualmente, porque nem toda anedonia tem exatamente a mesma origem neurobiológica, e o histórico completo importa muito.

    Também me chama atenção o quanto seu sofrimento parece ter começado após uma experiência traumática importante na adolescência. Às vezes, quando o sistema emocional passa anos em estado de hiperalerta e sofrimento, ele parece “desligar” partes da experiência emocional como forma de proteção. Não porque a pessoa deixou de sentir para sempre, mas porque o organismo ficou exausto de sentir dor o tempo inteiro.

    Outro ponto importante: mesmo você dizendo que não tem pensamentos suicidas intensos, o fato de não conseguir ver sentido em viver dessa forma merece atenção séria. Não porque você esteja “fraco”, mas porque viver emocionalmente anestesiado por tanto tempo pode gerar um desgaste profundo.

    Talvez agora o mais importante não seja apenas trocar um remédio, mas encontrar um psiquiatra disposto a olhar seu caso de forma mais ampla e menos protocolar. E, ao mesmo tempo, um acompanhamento psicológico consistente continua sendo relevante, especialmente porque medicação pode ajudar o cérebro a sair de determinados estados, mas dificilmente reorganiza sozinho anos de sofrimento emocional, trauma e padrões mentais.

    Você parece alguém tentando sobreviver dentro de um sistema emocional que entrou em exaustão crônica. E isso merece um cuidado mais aprofundado, não apenas repetição automática de tratamentos anteriores.

    O fato de você ainda estar buscando ajuda e tentando entender o que acontece com você mostra que existe uma parte sua que ainda não desistiu. E essa parte importa muito.

    Se fizer sentido, podemos continuar conversando sobre isso.


  • Gostaria de saber o que é transtorno de ansiedade? E o que afeta na pessoa?

    Gostaria de saber o que é transtorno de ansiedade? E o que afeta na pessoa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O transtorno de ansiedade é um conjunto de condições em que o medo, a preocupação e o estado de alerta se tornam intensos, frequentes e difíceis de desligar, mesmo quando não há um perigo real imediato. A ansiedade em si é uma emoção normal e necessária, mas quando ela passa a dominar o dia a dia, antecipar ameaças o tempo todo e guiar decisões, deixa de ser adaptativa e começa a causar sofrimento e prejuízo no funcionamento da pessoa.

    Na prática, isso afeta tanto o corpo quanto a mente. Muitas pessoas percebem tensão constante, inquietação, cansaço, dificuldade de concentração, alterações no sono e sintomas físicos como palpitação, falta de ar, aperto no peito, tontura ou desconfortos gastrointestinais. Ao mesmo tempo, a mente tende a ficar presa em pensamentos repetitivos, cenários negativos e necessidade de controle, como se estivesse sempre tentando evitar que algo ruim aconteça.

    Com o tempo, a ansiedade pode impactar escolhas importantes, relações, trabalho, estudos e lazer. A pessoa passa a evitar situações, lugares ou decisões por medo de passar mal, errar ou perder o controle. Isso costuma reduzir a vida aos poucos, gerando frustração, culpa e, em alguns casos, sintomas depressivos associados. Não é falta de força ou de vontade, mas um sistema emocional funcionando em modo de alerta excessivo.

    Vale refletir se você sente que está sempre “ligado”, mesmo quando tudo parece estar bem, se seu corpo reage antes mesmo de você entender o que está acontecendo, e o quanto essa preocupação constante tem interferido na sua rotina. O medo costuma ser de algo específico ou mais difuso? Você tenta controlar os sintomas ou evitá-los a todo custo? O alívio vem apenas por pouco tempo?

    O transtorno de ansiedade tem tratamento, e a psicoterapia é um espaço fundamental para compreender esse funcionamento e aprender a lidar com ele de forma mais segura e duradoura. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico pode complementar o cuidado. Caso precise, estou à disposição.


  • Meu marido se isola principalmente quando algo não sai como ele quer .Ele só se responsabiliza pelo

    Meu marido se isola principalmente quando algo não sai como ele quer .Ele só se responsabiliza pelo trabalho a parte financeira a casa e os filhos fica por minha conta e brigo se algo da errado quanto a mim ele não se importa nem um pouco. Que aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você está descrevendo parece menos um problema pontual e mais um padrão de funcionamento dentro da relação. Quando ele se isola diante de frustrações e você acaba assumindo praticamente toda a responsabilidade da casa e dos filhos, cria-se um desequilíbrio que, com o tempo, tende a gerar sobrecarga, ressentimento e sensação de desamparo.

    Esse comportamento dele pode ter várias origens, como dificuldade em lidar com frustração, evitação de conflito ou até um modelo aprendido de relação onde ele se coloca apenas como provedor. Mas entender a origem não resolve, por si só, o impacto que isso tem em você. O ponto central é como isso está afetando a dinâmica do casal e o seu bem-estar.

    Talvez valha olhar com mais clareza para alguns aspectos: quando você tenta conversar sobre isso, ele consegue se manter na conversa ou se fecha rapidamente? Você sente que precisa “cobrar” para que ele participe, ou já desistiu de esperar essa mudança? E, sendo bem honesta consigo, até que ponto você tem conseguido colocar limites nessa divisão de responsabilidades?

    Mais do que um conselho direto, o caminho costuma passar por reorganizar a comunicação e os limites dentro da relação. Em alguns casos, a terapia de casal pode ajudar bastante a trazer essas questões de forma mais estruturada. E, se isso não for possível no momento, um acompanhamento individual também pode te ajudar a fortalecer sua posição e entender quais movimentos estão ao seu alcance.

    Porque, do jeito que está, você parece estar sustentando muito mais do que deveria sozinha. E isso, ao longo do tempo, tende a cobrar um preço emocional alto.

    Caso precise, estou à disposição.


  • eu tenho ansiedade e recentemente estou sentido um incomodo no pescoço, não é dor e nem nada só um i

    eu tenho ansiedade e recentemente estou sentido um incomodo no pescoço, não é dor e nem nada só um incomodo será se isso é ocasionado da minha ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? Esse tipo de sensação que você descreve costuma gerar dúvida mesmo, principalmente porque não é exatamente uma dor, mas algo estranho o suficiente para chamar atenção. E quando a gente já tem ansiedade, o corpo vira quase um “radar”, qualquer mudança parece ganhar mais intensidade e significado.

    Existe, sim, uma relação possível entre ansiedade e sensações físicas no pescoço. Quando o sistema emocional entra em estado de alerta, o corpo tende a ficar mais tensionado, especialmente em regiões como pescoço, ombros e mandíbula. Às vezes essa tensão não aparece como dor, mas como um incômodo, uma sensação de pressão, algo “fora do lugar”. É como se o corpo estivesse preparado para reagir, mesmo sem um perigo real naquele momento.

    Mas vale observar com um pouco mais de curiosidade: esse incômodo aparece mais em momentos de preocupação ou estresse? Ele diminui quando você está mais distraído ou relaxado? Porque isso pode dar pistas importantes sobre o quanto essa sensação está conectada ao seu estado emocional.

    Ao mesmo tempo, é sempre importante não atribuir tudo automaticamente à ansiedade. Se essa sensação persistir, aumentar ou vier acompanhada de outros sintomas físicos, pode ser interessante uma avaliação médica para descartar causas orgânicas. Não por alarme, mas por cuidado.

    Tem também um ponto sutil aqui: quando a gente começa a prestar muita atenção em uma sensação corporal, o cérebro tende a amplificar aquilo. Como se ele dissesse “isso é importante, continue monitorando”. E aí o incômodo pode se manter justamente por esse ciclo de atenção.

    Talvez o mais útil nesse momento seja observar sem entrar em luta com a sensação. O que acontece quando você tenta ignorar versus quando tenta entender? E o quanto esse incômodo te deixa mais preocupado ao longo do dia?

    Se fizer sentido, podemos explorar isso com mais calma — porque o corpo, muitas vezes, está tentando comunicar algo que ainda não foi totalmente nomeado.


  • Meu namorado disse que há um tempo atrás foi diagnosticado com transtorno bipolar,mais lendo a respe

    Meu namorado disse que há um tempo atrás foi diagnosticado com transtorno bipolar,mais lendo a respeito vi que os bipolares são frios,ele é totalmente o contrário,muito carinhoso...há possibilidade dele não ter esse tal transtorno bipolar?ou o bipolar tbm pode ser amoroso?Grata...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Existe, sim, uma confusão muito comum sobre o Transtorno Bipolar, e uma delas é a ideia de que pessoas bipolares seriam frias ou incapazes de demonstrar afeto. Isso não é verdade. O transtorno bipolar não define o caráter, a sensibilidade ou a capacidade de amar de alguém. Ele diz respeito principalmente a oscilações de humor, energia e ritmo emocional ao longo do tempo, e não a uma ausência de sentimentos ou vínculos afetivos.

    Uma pessoa com transtorno bipolar pode ser carinhosa, afetuosa, empática e envolvida emocionalmente, especialmente fora dos episódios de humor alterado. Mesmo durante fases de humor elevado ou deprimido, o afeto não desaparece automaticamente. O que pode mudar é a intensidade, a forma de expressar emoções ou a estabilidade emocional naquele período. Reduzir o transtorno a estereótipos como “frio” ou “distante” costuma gerar mais confusão do que esclarecimento.

    Também é importante lembrar que o diagnóstico de transtorno bipolar não é simples nem superficial. Ele depende de uma avaliação clínica cuidadosa, feita por psiquiatra, considerando a história ao longo do tempo, episódios específicos de humor e o impacto disso na vida da pessoa. Ler descrições gerais na internet pode levar a interpretações equivocadas, porque os quadros são muito mais variados do que os rótulos sugerem.

    Vale refletir se a sua dúvida vem mais do contraste entre o que você leu e o que você vive com ele, ou de alguma preocupação com o relacionamento em si. Você percebe mudanças bruscas de humor ou funcionamento ao longo do tempo ou essa questão apareceu apenas a partir da leitura? O que exatamente te deixou insegura ao pensar nesse diagnóstico?

    Se essa informação está gerando ansiedade ou dúvidas importantes, conversar abertamente com ele sobre como ele vive esse diagnóstico pode ajudar mais do que tentar encaixá-lo em descrições genéricas. E, se houver impacto emocional para você, o espaço terapêutico também pode ajudar a organizar essas inquietações. Caso precise, estou à disposição.


  • Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    Quando falamos de depressão no contexto do transtorno bipolar, é importante ter uma conversa honesta e cuidadosa. Em geral, não se fala em “cura” no sentido de desaparecer para sempre, mas sim em tratamento, estabilização e qualidade de vida. Muitas pessoas bipolares conseguem passar longos períodos bem, produtivas, com vínculos saudáveis e com os episódios depressivos cada vez mais espaçados e menos intensos. Isso não acontece por força de vontade, mas por um manejo adequado e contínuo.

    A depressão bipolar costuma ser diferente da depressão comum. Ela tende a vir com mais lentificação, vazio, desesperança e sensação de incapacidade, e nem sempre responde a estratégias isoladas. O tratamento costuma envolver acompanhamento psiquiátrico regular, com ajustes cuidadosos de medicação ao longo do tempo, e psicoterapia, que ajuda a reconhecer sinais precoces, organizar rotinas, lidar com frustrações e reduzir o impacto emocional dos episódios. A ideia não é “eliminar” quem você é, mas aprender a conviver melhor com esse funcionamento do cérebro.

    Também é fundamental olhar para além dos sintomas. Como está seu sono hoje? Você consegue perceber sinais de que está entrando em uma fase depressiva antes que ela se instale por completo? O que costuma piorar seus episódios, estresse, conflitos, excesso de cobrança, mudanças de rotina? E quando você melhora, o que ajuda a sustentar essa melhora? Essas respostas fazem muita diferença na construção de um tratamento mais estável ao longo dos anos.

    Muitas pessoas bipolares carregam a sensação de que vão viver sempre reféns da doença, e isso por si só já pesa emocionalmente. Mas o que a prática clínica mostra é que, com acompanhamento consistente, é possível reduzir recaídas, diminuir sofrimento e recuperar sentido de vida. Não é um caminho rápido, mas é um caminho real e possível.

    Se você sente que a depressão tem voltado com força ou não tem respondido como antes, isso não significa fracasso, e sim que talvez seja hora de reavaliar o cuidado com mais profundidade, integrando melhor medicação e psicoterapia. Caso precise, estou à disposição.


  • Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que e

    Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que eu, que é diagnosticada com depressão
    Tudo isso de escutar todo mundo está me deixando para baixo e eu acabo me sentindo confusa e choro muito ou me sentindo triste quase o tempo todo
    O que eu faço? Devo parar de ajudá-la?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve mostra algo muito bonito em você, a capacidade de se importar e querer ajudar, mas também revela um limite importante que talvez esteja sendo ultrapassado. Escutar alguém que sofre, especialmente alguém com depressão, exige um envolvimento emocional grande, e quando isso acontece sem proteção, sem preparo e sem espaço para você cuidar do que sente, o peso acaba sendo absorvido. Chorar com frequência, se sentir confusa e triste quase o tempo todo é um sinal claro de que isso está te afetando mais do que você consegue sustentar sozinha.

    Ajudar não deveria significar adoecer junto. Quando você escuta alguém em sofrimento intenso, é comum começar a carregar emoções que não são suas, principalmente se você já tem uma sensibilidade maior ou uma tendência a se responsabilizar pelos outros. Aos poucos, o sofrimento da outra pessoa começa a se misturar com o seu, e fica difícil separar o que é empatia do que é sobrecarga emocional. Isso não é egoísmo nem abandono, é um limite saudável.

    Vale se perguntar com honestidade: quando você escuta essa menina, você sente que consegue ajudá-la ou sai pior do que entrou? Você se sente responsável por melhorar o estado dela? E quem tem escutado você nesse processo? Essas perguntas são importantes porque mostram se você está ocupando um lugar que não deveria ser seu, o de cuidadora emocional, algo que precisa ser feito por adultos e profissionais preparados.

    Não é necessário “parar de ajudar” de forma brusca, mas é fundamental mudar a forma como isso acontece. Incentivar que ela continue o tratamento, falar com um adulto de confiança da escola ou da família e reconhecer que você não pode resolver tudo são atitudes mais protetivas para vocês duas. Cuidar de si não diminui sua empatia, pelo contrário, preserva.

    Você não precisa escolher entre ser uma boa pessoa e estar bem. É possível se importar e, ao mesmo tempo, respeitar seus próprios limites. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho TOC, tenho um ritual que é difícil de fazer, tem várias regras nele e acabo quebrando as regra

    Tenho TOC, tenho um ritual que é difícil de fazer, tem várias regras nele e acabo quebrando as regras sem querer, minha mente diz que tenho que refazer esse ritual, já que não fiz corretamente, há problema em deixar de fazer esse ritual sem refazê-lo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem?

    O que você descreve é muito característico do funcionamento do TOC. Quando há rituais com regras rígidas, a mente costuma agir como um fiscal implacável, buscando qualquer “erro” para exigir que tudo seja refeito. Não porque algo realmente perigoso tenha acontecido, mas porque o cérebro aprendeu a associar a sensação de alívio ao ato de cumprir o ritual perfeitamente. Quando a regra é quebrada, mesmo sem querer, surge a urgência de refazer para reduzir a angústia.

    A questão central não é se existe um “problema real” em não refazer o ritual, e sim como o TOC reage quando isso acontece. Em geral, o que mantém o transtorno ativo é justamente a repetição do ritual como resposta à ansiedade. Cada vez que você refaz para aliviar o desconforto, o cérebro aprende que aquela exigência precisa ser obedecida da próxima vez. Por isso, o alívio vem, mas dura pouco, e a cobrança volta ainda mais forte.

    É importante dizer que deixar de refazer o ritual não causa o mal que o TOC anuncia, embora a ansiedade possa aumentar no começo. O desconforto tende a subir, depois estabilizar e, com o tempo, diminuir, mesmo sem o ritual. Isso não é força de vontade nem negligência, é um processo de reaprendizado do cérebro, que precisa descobrir que a ameaça não se concretiza. A sensação de “fiz errado” é real, mas o perigo que ela promete não é.

    Vale observar com cuidado: o que exatamente a sua mente diz que vai acontecer se você não refizer? Quanto tempo essa angústia costuma durar quando você tenta não obedecer? Você percebe que, quando refaz, o alívio é temporário e a regra volta ainda mais complexa depois? Essas perguntas ajudam a diferenciar o que é necessidade real do que é a lógica do TOC em ação.

    O manejo desse tipo de situação costuma ser trabalhado de forma gradual em psicoterapia, respeitando seus limites e sem te colocar em situações abruptas. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser importante como parte do tratamento. Você não está falhando por sentir essa necessidade, seu cérebro está preso em um ciclo que pode ser cuidado. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá sou uma pessoa indecisa, principalmente no que diz respeito a area profissional. As vezes tenho

    Olá sou uma pessoa indecisa, principalmente no que diz respeito a area profissional.
    As vezes tenho vontade de fazer uma faculdade mas alguns dias depois quero ser empreendedor, ja desejei
    ser palestrante, mas nunca consigo tomar uma decisão. O eu que faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, tudo bem? O que você descreve não parece falta de capacidade de decidir, mas um movimento interno que oscila bastante. É como se, em alguns momentos, uma possibilidade fizesse muito sentido… e depois perdesse força, abrindo espaço para outra. E isso pode gerar a sensação de estar sempre começando e nunca escolhendo de verdade.

    Fico curioso sobre uma coisa: quando surge a vontade de seguir um caminho, ela vem mais como entusiasmo momentâneo ou como algo que se sustenta quando você começa a pensar nos detalhes, nas dificuldades, no longo prazo? Porque, muitas vezes, o que muda não é só a ideia, mas o contato com o que aquela escolha exige na prática. E aí o cérebro pode buscar outra alternativa que pareça mais alinhada naquele momento.

    Também pode existir aqui uma tentativa de encontrar “a escolha certa”, como se fosse necessário ter certeza absoluta antes de decidir. O problema é que essa certeza raramente aparece antes da experiência. E quanto mais você espera por ela, mais as opções vão mudando, porque nenhuma consegue se provar totalmente segura só no pensamento. Já percebeu se a dificuldade está mais em escolher… ou em sustentar a escolha depois?

    Outro ponto importante é entender o que cada uma dessas possibilidades representa para você. Faculdade, empreendedorismo, palestras… o que existe em comum entre elas? Autonomia, reconhecimento, propósito, estabilidade? Às vezes, quando você identifica o que está por trás das opções, fica mais fácil escolher um caminho que contemple isso, em vez de ficar trocando de direção.

    Talvez o caminho não seja esperar a decisão perfeita, mas escolher uma direção possível e permitir que ela se desenvolva com o tempo. Porque clareza, muitas vezes, não vem antes da ação — ela surge durante o processo.

    E tem uma pergunta que pode ajudar: se você tivesse que escolher algo para testar por um período limitado, sem a obrigação de ser definitivo, o que faria mais sentido agora? Isso pode diminuir o peso da decisão e te dar mais movimento.

    Se fizer sentido, podemos aprofundar isso juntos — porque essa indecisão costuma ter raízes mais específicas que, quando compreendidas, facilitam bastante esse processo.


  • Tenho um histórico de relacionamentos abusivos. Depois do último, fiquei com receio de me relacionar

    Tenho um histórico de relacionamentos abusivos. Depois do último, fiquei com receio de me relacionar pessoalmente com outros homens. Me fechei para outras relações e sinto falta dos dois últimos abusadores. Sei que isso não é normal. Qual especialista devo procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Elaine Ferreira da Silva Mischiatti

    Olá, agradeço por compartilhar algo tão delicado.

    O que você descreve não é incomum em pessoas que passaram por relações abusivas, mesmo que cause estranhamento e culpa em quem vive isso. O vínculo com parceiros abusivos costuma misturar medo, afeto, dependência emocional e tentativas repetidas de reparação, e o cérebro aprende esse padrão como se fosse uma forma de conexão. Por isso, sentir falta dessas pessoas e, ao mesmo tempo, evitar novos relacionamentos presenciais não significa que você “queira sofrer”, mas que algo aí ficou marcado de forma profunda.

    Clinicamente, o caminho mais indicado é a psicoterapia, justamente para entender como esses vínculos foram construídos, quais necessidades emocionais estavam sendo atendidas ali e por que a ideia de se aproximar novamente hoje ativa tanto receio. Em terapia, é possível diferenciar saudade de apego traumático, reorganizar limites e trabalhar a sensação de segurança emocional, sem pressa e sem julgamentos.

    Vale se perguntar: o que exatamente você sente falta nesses relacionamentos, da pessoa ou da sensação de não estar só? O medo atual está ligado ao presente ou a experiências passadas que ainda ecoam? O que você aprendeu sobre amor, cuidado e valor pessoal nesses vínculos? E o que em você se protege quando decide se fechar agora?

    Se, além disso, houver sintomas intensos de ansiedade, tristeza persistente, crises de pânico ou dificuldades importantes de funcionamento, a avaliação psiquiátrica pode ser útil como apoio complementar. Mas o centro do trabalho costuma estar no espaço terapêutico, onde essas experiências podem ser elaboradas com profundidade e no seu ritmo. Caso você já esteja em terapia, levar esse tema para a sessão é um passo importante e bastante consistente.

    Caso precise, estou à disposição.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.