Perguntas do paciente (206)

  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Esse medo pode ter sido aprendido ao longo da sua história, especialmente se, em algum momento, demonstrar suas qualidades foi seguido de críticas, ironias, rejeição ou zombaria. Com isso, esconder ou diminuir certas características pode ter se tornado uma forma de evitar situações desagradáveis.
    O caminho não é eliminar o medo para depois se mostrar como você é, mas aprender, gradualmente, a agir de acordo com aquilo que é importante para você, mesmo quando existe algum desconforto. Isso pode envolver se expor aos poucos, em contextos seguros, e observar que nem toda demonstração de competência, cuidado ou autenticidade resulta em rejeição.

    Ser dedicado, inteligente, detalhista, pragmático, direto ou cuidar da própria aparência não é, por si só, um problema. O importante é perceber como essas características aparecem nas suas relações e quais consequências produzem. Ser direto, por exemplo, pode ser uma qualidade, desde que não impeça a sensibilidade ao outro.
    Talvez a pergunta mais importante seja: “Quanto da pessoa que quero ser estou deixando de mostrar apenas para evitar a possibilidade de ser rejeitado?”
    O objetivo não precisa ser tornar-se imune à opinião dos outros, mas ampliar a liberdade de ser quem você é sem organizar sua vida principalmente em função de evitar críticas ou rejeição.


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Ser uma pessoa interessante e atraente para si mesmo começa menos pela tentativa de impressionar os outros e mais pela construção de uma vida que tenha significado para você.

    Invista em comportamentos que façam você se admirar: aprender, cuidar do corpo e da aparência, desenvolver interesses, cultivar boas relações, cumprir aquilo que se propõe e experimentar coisas novas. Quanto mais diversificado for o seu repertório, mais possibilidades você terá de conversar, se relacionar e se sentir bem consigo mesmo.

    Para a Análise do Comportamento, aquilo que chamamos de “ser interessante” não é uma característica fixa da pessoa. Depende também da relação que estabelecemos com os outros. Alguém se torna interessante quando sua presença produz boas experiências: sabe conversar, mas também ouvir; demonstra interesse genuíno; tem opinião própria sem precisar se impor; compartilha conhecimentos sem precisar provar que sabe.

    Por isso, talvez uma boa pergunta não seja apenas “Como faço para que gostem de mim?”, mas: “Estou construindo uma vida e uma maneira de me relacionar das quais eu mesmo gostaria de fazer parte?”

    Quando você começa a gostar da pessoa que está construindo, a aprovação dos outros deixa de ser a principal medida do seu valor — e, paradoxalmente, isso pode tornar suas relações mais espontâneas e atraentes.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    É importante diferenciar perfeccionismo, ansiedade diante da incerteza e TOC, porque eles podem produzir comportamentos parecidos sem serem a mesma coisa.

    Na perspectiva da Análise do Comportamento, mais importante do que perguntar apenas “esse comportamento é obsessivo?” é observar qual função ele exerce. Quando surge uma dúvida ou incerteza, você sente ansiedade e então verifica, pergunta, pesquisa, repete, organiza ou busca garantias? Se isso reduz temporariamente o desconforto, esse alívio pode reforçar o comportamento e fazer com que ele se repita cada vez mais.

    Vale investigar a possibilidade de TOC quando aparecem pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos e recorrentes e/ou comportamentos ou rituais que você sente necessidade de realizar para diminuir a ansiedade ou evitar alguma consequência temida. Alguns exemplos são conferir repetidamente, refazer tarefas, buscar garantias constantes, repetir mentalmente alguma coisa ou precisar atingir uma sensação de que algo está “exatamente certo”. No TOC, geralmente há sofrimento significativo, perda de tempo ou interferência na vida cotidiana.

    Um ponto particularmente importante no que você descreve é a necessidade de “certeza absoluta”. Ela pode estar presente no TOC, mas, isoladamente, não permite concluir que exista o transtorno. A intolerância à incerteza também aparece em diferentes quadros de ansiedade e em padrões perfeccionistas.

    Eu observaria especialmente este ciclo: incerteza → ansiedade → comportamento para obter certeza/alívio → alívio momentâneo → nova dúvida → repetição do comportamento. Quanto mais rígido, frequente e difícil de interromper esse ciclo estiver se tornando, mais indicada é uma avaliação profissional específica.

    E há uma pergunta bastante útil para levar à psicoterapia: “O que eu faço quando não consigo ter certeza, e o que acontece comigo quando tento não fazer aquilo que normalmente faço para aliviar essa dúvida?”

    Isso ajuda a sair do rótulo e olhar para o comportamento em funcionamento. O diagnóstico de TOC, porém, exige uma avaliação clínica mais ampla; perfeccionismo e comportamentos que parecem “obsessivos” não são suficientes, por si só, para caracterizá-lo.


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    im. Eu recomendaria procurar ajuda profissional, principalmente porque, além desse sentimento persistente de vazio, perda de interesse e estranhamento em relação às próprias experiências, você relata pensamentos de “acabar com tudo”. Isso merece ser acolhido e avaliado com cuidado, sem que seja necessário esperar piorar.

    Aos 18 anos é comum viver períodos de incerteza sobre o futuro, mas o sofrimento que você descreve vai além de simplesmente “não ter a vida planejada”. Também não seria adequado tentar concluir, apenas por esse relato, se existe depressão ou outro diagnóstico. Um psicólogo pode ajudá-lo a compreender o que está acontecendo, há quanto tempo isso ocorre, em quais situações piora ou melhora e, principalmente, avaliar esses pensamentos sobre morrer.

    Se esses pensamentos estiverem presentes agora, se você estiver pensando em se machucar, tiver imaginado como faria isso ou sentir que pode não conseguir se manter seguro, não fique sozinho. Procure imediatamente alguém de confiança e diga claramente o que está acontecendo. No Brasil, você pode ligar gratuitamente para o CVV pelo 188, 24 horas por dia. Se houver risco imediato, procure uma UPA/pronto-socorro ou acione o SAMU pelo 192.

    Há uma coisa que considero especialmente importante no que você escreveu: você não precisa descobrir sozinho se o que sente é “normal o suficiente” para justificar ajuda. O sofrimento que você está sentindo já é motivo suficiente para conversar com um profissional. E procurar ajuda agora não significa assumir que será assim para sempre; significa começar a entender o que está mantendo esse sofrimento e construir outras possibilidades para lidar com ele.


  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Esse pensamento é compreensível: se criar vínculos aumenta a possibilidade de sentir a perda, não se vincular parece uma maneira eficiente de evitar esse sofrimento. E, no curto prazo, pode realmente funcionar.

    Pela Análise do Comportamento, porém, é importante observar o custo dessa estratégia. Ao evitar vínculos para não sofrer quando alguém se afasta, você reduz experiências dolorosas, mas também diminui as oportunidades de experimentar companhia, intimidade, afeto, apoio, diversão e pertencimento. A esquiva protege da perda, mas pode empobrecer a vida.

    Talvez seja útil diferenciar autonomia de isolamento e desapego de ausência de vínculo. Ser autônomo é conseguir ficar bem consigo mesmo sem depender permanentemente de alguém. Isso não exige deixar de precisar das pessoas — relações humanas envolvem alguma interdependência.

    Além disso, uma amizade não precisa durar para sempre para ter valido a pena. Algumas pessoas permanecem durante décadas; outras participam de determinados períodos da nossa história. O término de uma relação não apaga aquilo que ela proporcionou enquanto existiu.

    Então eu não colocaria a escolha como “depender das pessoas ou não precisar de ninguém”. Há uma terceira possibilidade: aprender a construir vínculos sabendo que eles podem mudar ou terminar e, ainda assim, considerar que algumas pessoas valem o risco da saudade.

    Talvez a pergunta mais importante seja: “Quero realmente viver sozinho ou estou escolhendo ficar sozinho para não precisar enfrentar novamente a dor de alguém ir embora?”


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Sim, a terapia de casal pode ser muito útil nesse contexto. O fato de o relacionamento ser aberto não deveria ser tratado pelo terapeuta como o problema em si. O foco deveria estar nas dificuldades que vocês estão vivenciando dentro da dinâmica que escolheram.

    Nem todo terapeuta de casal, porém, tem formação ou experiência suficiente com não monogamia consensual. Por isso, considero válido procurar alguém que indique experiência ou, pelo menos, uma postura afirmativa e não patologizante em relação a diferentes configurações de relacionamento. Não precisa necessariamente ser um profissional que trabalhe exclusivamente com esse “nicho”.

    Antes de marcar, vocês podem fazer uma pergunta simples ao profissional: “Somos um casal em um relacionamento aberto consensual e gostaríamos de trabalhar algumas questões da nossa relação sem que a abertura seja considerada, a priori, algo a ser corrigido. Você tem experiência e se sente confortável trabalhando com essa configuração?”

    Uma boa terapia poderá ajudá-los a analisar questões como acordos, comunicação, ciúmes, expectativas, limites, segurança, confiança e consequências das escolhas de cada um — sem partir do pressuposto de que o objetivo terapêutico seja fechar ou manter aberto o relacionamento.

    Pela perspectiva comportamental, eu acrescentaria algo importante: mais relevante do que definir se relacionamento aberto é “certo ou errado” é compreender como os acordos e comportamentos de vocês estão funcionando para ambos e quais consequências estão produzindo na relação.

    Portanto, eu procuraria um profissional com experiência em terapia de casal e perguntaria previamente sobre sua familiaridade com relações não monogâmicas. Sentir que vocês podem falar honestamente sobre a própria relação sem precisar defendê-la diante do terapeuta é uma condição importante para o trabalho terapêutico.


  • Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi

    Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    É possível sentir essas duas coisas ao mesmo tempo, e isso não significa que você não ame ou não possa amar seu bebê. A chegada de um filho pode representar algo novo e, simultaneamente, despertar medo de perder possibilidades que você ainda nem teve oportunidade de viver.

    Pela perspectiva da Análise do Comportamento, eu teria cuidado com a ideia de que “o bebê está roubando minha vida”. Talvez ele esteja tornando mais evidente algo que já doía antes da gravidez: a sensação de que você ainda não construiu uma vida suficientemente sua — com autonomia, relações, experiências, projetos e escolhas.

    Por isso, eu não colocaria a questão como “minha vida ou a vida do meu filho”. Tornar-se mãe será uma parte muito importante da sua história, mas você continuará sendo uma pessoa com necessidades, interesses e possibilidades próprias. Seus objetivos não precisam estar definidos agora; eles podem ser construídos gradualmente, inclusive durante a maternidade.

    Também me chama atenção você dizer que estava “horrível psicologicamente”, ficou desesperada com a gravidez e agora pensa que seu bebê será amado e você não. Eu procuraria ajuda psicológica neste momento, de preferência com alguém que tenha experiência em gestação e saúde mental perinatal. Você está atravessando muitas mudanças ao mesmo tempo e não precisa compreender tudo isso sozinha.

    E talvez eu começasse a terapia com uma pergunta muito concreta: “Além de ser mãe, que pequenas coisas eu gostaria de começar a construir para que essa vida também seja minha?”

    Não precisa começar com grandes planos. Pode começar aprendendo a fazer escolhas próprias, ampliando aos poucos suas relações e habilidades sociais, experimentando atividades fora de casa e construindo autonomia. Seu filho não precisa ocupar o lugar da sua vida; ele pode fazer parte de uma vida que você ainda está aprendendo a construir.


  • A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediá

    A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais sozinho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Sim, esse é um dos objetivos da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mas eu faria uma pequena correção: não se trata simplesmente de ensinar o paciente a “trocar” crenças negativas por positivas.

    Na TCC, o terapeuta ajuda a pessoa a identificar pensamentos automáticos, crenças intermediárias e crenças centrais, avaliar as evidências que as sustentam e desenvolver interpretações mais flexíveis, realistas e funcionais. Com o tempo, espera-se que o próprio paciente aprenda esse processo e se torne cada vez mais autônomo para lidar com situações futuras.

    Por exemplo, uma crença central como “sou incapaz” pode gerar uma regra intermediária do tipo “se eu não fizer tudo perfeitamente, os outros perceberão que sou incompetente”. O trabalho terapêutico não seria simplesmente ensinar a pensar “sou competente”, mas investigar essa regra, testar suas previsões na vida real e construir formas mais adequadas de interpretar as experiências.

    Portanto, sim: a TCC busca desenvolver autonomia. O terapeuta inicialmente ensina, questiona, propõe exercícios e ajuda na experimentação; progressivamente, o paciente aprende a aplicar essas habilidades sem depender do terapeuta.

    E existe uma diferença interessante em relação à Análise do Comportamento: enquanto a TCC tradicional atribui um papel importante à identificação e modificação das crenças, a Análise do Comportamento tende a perguntar em quais condições aquele pensamento ocorre, que função ele exerce e como o ambiente e as consequências estão mantendo determinados padrões de comportamento. Não é necessário pressupor uma “crença disfuncional interna” como causa do comportamento para poder modificá-lo.


  • Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessid

    Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessidade de agradar a todos, crenças como: "eu tenho que agradar todo mundo", "se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim". Esses medos e essas crenças estão me atrapalhando muito na minha vida pessoal e nos esportes também

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), essas dificuldades costumam ser trabalhadas em conjunto, porque medo de julgamento, rejeição e necessidade de agradar podem fazer parte de um mesmo ciclo.

    Por exemplo: surge uma situação em que você pode ser avaliado — inclusive no esporte — e aparece o pensamento: “Se eu errar, vão me criticar” ou “Preciso agradar para gostarem de mim”. Isso aumenta a ansiedade e pode levar você a evitar, buscar aprovação, pedir garantias, tentar não cometer nenhum erro ou ficar excessivamente atento à reação dos outros. O alívio obtido com esses comportamentos pode acabar mantendo o problema.

    Na TCC, terapeuta e paciente identificam esses pensamentos e regras, investigam crenças mais profundas e questionam sua rigidez: É realmente possível agradar todo mundo? Uma crítica significa rejeição? Se alguém não gostar de mim, o que isso diz sobre meu valor?

    Mas o tratamento não fica apenas na conversa. Uma parte fundamental são os experimentos comportamentais e exposições graduais. A pessoa pode aprender, por exemplo, a discordar educadamente, dizer “não”, cometer pequenos erros sem tentar escondê-los, expressar preferências e, no esporte, tolerar ser observado, avaliado ou criticado sem abandonar aquilo que está fazendo.

    Aos poucos, a experiência pode favorecer uma crença mais flexível: “Eu gostaria de ser aceito, mas não preciso da aprovação de todos para agir de acordo com aquilo que considero importante.”

    O objetivo, portanto, não é fazer você parar de se importar com o que os outros pensam. É diminuir o quanto a possibilidade de julgamento controla suas escolhas.

    E há uma pergunta que pode ser muito útil para começar esse trabalho: “O que eu faria de diferente na minha vida e nos esportes se não precisasse garantir que todos gostassem de mim?”


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    O que você descreve, por si só, não caracteriza traição. Pensar “quero que essa pessoa me ache bonita, interessante ou perceba que estou bem” não é o mesmo que desejar estabelecer uma relação com ela. Pensamentos e sentimentos não equivalem automaticamente a ações ou intenções.

    Pela Análise do Comportamento, eu olharia principalmente para o que acontece depois desses episódios. Se você percebe o pensamento, sente culpa e começa a analisar repetidamente “Será que isso foi traição? Será que ainda sinto alguma coisa? Por que quis parecer bonita? O que isso diz sobre meu relacionamento?”, essa busca por certeza pode acabar aumentando a ansiedade em vez de resolvê-la.

    Também é possível existir uma forte sensibilidade à avaliação social: querer causar uma boa impressão, especialmente diante de alguém que já demonstrou interesse por você, pode estar relacionado à necessidade de aprovação e não necessariamente a interesse amoroso.

    Quanto ao TOC, não seria possível concluir isso apenas por esse comportamento. O que justificaria uma avaliação mais cuidadosa seria a presença de pensamentos intrusivos recorrentes, culpa intensa, necessidade de obter certeza sobre seus sentimentos, checagens mentais, pedidos frequentes de confirmação ou outros rituais que estejam consumindo tempo e causando sofrimento.

    Talvez uma pergunta mais útil do que “Isso significa que estou traindo?” seja: “Por que é tão importante para mim controlar a maneira como essa pessoa me enxerga?”

    Essa mudança de pergunta pode ajudar a compreender melhor o comportamento sem transformar cada pensamento ou reação espontânea em uma prova sobre quem você é ou sobre o que sente pelo seu parceiro.


  • como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Se você está usando “pornografia teleguiada” no sentido de um consumo muito direcionado, repetitivo e difícil de controlar, eu começaria evitando a ideia de que basta “ter força de vontade”.

    Pela Análise do Comportamento, é mais útil descobrir qual função a pornografia está exercendo. Pergunte-se: quando costumo procurar pornografia? Quando estou ansioso? Entediado? Sozinho? Frustrado? Antes de dormir? E, principalmente: o que muda imediatamente depois que assisto? Se ela proporciona alívio, prazer ou fuga de emoções desagradáveis, essas consequências podem estar reforçando e mantendo o comportamento.

    O tratamento passa então por modificar esse ciclo, e não apenas proibir a pornografia. Algumas medidas ajudam: identificar situações que funcionam como gatilhos; dificultar o acesso nos momentos mais vulneráveis; mudar rotinas associadas ao consumo; construir outras fontes de prazer e reforçamento; aprender a permanecer com a vontade sem necessariamente agir sobre ela; e observar recaídas para compreender o que aconteceu, em vez de transformá-las em culpa.

    Também é importante não patologizar qualquer consumo de pornografia. A preocupação aumenta quando há perda persistente de controle, tentativas repetidas e malsucedidas de diminuir, muito tempo dedicado ao comportamento e continuidade apesar de prejuízos importantes. A CID-11 reconhece o transtorno do comportamento sexual compulsivo como um transtorno do controle de impulsos.

    Quando esse padrão já está instalado, psicoterapia pode ajudar bastante. Abordagens comportamentais e cognitivo-comportamentais podem trabalhar gatilhos, manejo das urgências, mudanças ambientais e construção de comportamentos alternativos.

    Eu resumiria em uma pergunta: “Em vez de apenas tentar parar de assistir pornografia, consigo descobrir o que ela está fazendo por mim naquele momento e aprender outras maneiras de conseguir aquilo?” Essa compreensão costuma ser muito mais produtiva do que entrar no ciclo consumo → culpa → promessa de nunca mais → novo consumo.


  • Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2

    Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.

    Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Sim. Aos 3 anos já é possível — e geralmente adequado — começar a construir essa história com a criança. Eu não esperaria uma “idade ideal” para revelar posteriormente que existiu um pai biológico que morreu. O mais saudável tende a ser fazer dessa informação uma parte natural de sua história, sempre adequada à capacidade de compreensão dela. Crianças menores de 5 anos ainda não compreendem plenamente a irreversibilidade da morte, por isso a informação precisa ser simples e pode precisar ser repetida ao longo do desenvolvimento.

    Nesse caso existe uma particularidade importante: ela não está elaborando a perda de uma relação que viveu com o pai, porque não chegou a conhecê-lo. Ela estará, progressivamente, construindo a compreensão de sua própria história: “Eu tive um pai biológico, ele morreu antes que eu pudesse conhecê-lo e hoje tenho uma figura paterna que está presente na minha vida.” Não há necessidade de colocar essas duas figuras em competição.

    Eu começaria de maneira muito simples, aproveitando situações naturais — uma fotografia, uma pergunta sobre família ou quando ela começar a perguntar de onde veio. Algo como:

    “Esse é o seu papai [nome]. Ele é seu pai de nascimento. Ele morreu quando você era muito pequenininha e por isso vocês não puderam se conhecer. E o [nome do padrasto] chegou depois e cuida de você, brinca com você e está com você.”

    É melhor utilizar palavras concretas como “morreu” do que “foi embora”, “partiu” ou “foi dormir”, porque crianças pequenas interpretam essas expressões literalmente e podem ficar confusas ou desenvolver medos desnecessários.

    Pela Análise do Comportamento

    Eu teria uma preocupação especial em não transformar o assunto em um grande evento emocional. A criança observará também como os adultos respondem quando ela pergunta sobre o pai. Se todos ficam tensos, mudam de assunto ou demonstram que aquilo não pode ser mencionado, ela poderá aprender que existe algo perigoso ou proibido naquela história.

    Por outro lado, se encontra disponibilidade — “pode perguntar sobre seu pai quando quiser” —, falar sobre ele pode tornar-se simplesmente mais uma parte de sua história familiar. Fotografias, pequenas histórias e lembranças podem ajudar a construir essa narrativa conforme ela cresce. Orientações especializadas sobre luto infantil também recomendam informações verdadeiras em pequenas porções, acrescentando detalhes à medida que a criança pergunta e amadurece.

    Também evitaria dizer “seu pai agora é o padrasto”, mesmo que afetivamente ele exerça plenamente essa função. Para uma criança, podem coexistir duas verdades: “Eu tive um pai que morreu e não conheci” e “tenho alguém que exerce uma função paterna e me ama hoje.”

    E haverá novas conversas aos 4, 6, 8, 12 anos... A história será a mesma, mas a compreensão dela mudará. Portanto, não pensaria em uma conversa na qual finalmente “contaremos tudo”, mas em uma narrativa verdadeira que acompanha o desenvolvimento da criança.

    Se eu estivesse orientando essa família clinicamente, antes de falar com a criança eu trabalharia com a mãe e o padrasto qual narrativa familiar será utilizada, como responderão às perguntas mais prováveis e, sobretudo, como falarão do pai falecido sem ameaçar o vínculo que ela construiu com o padrasto. Isso provavelmente é mais importante do que encontrar a frase perfeita.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    O que você descreve não significa necessariamente que o amor acabou. Em relacionamentos mais longos, é comum que a intensidade e a novidade do início diminuam. Amor e entusiasmo não são exatamente a mesma coisa, e esperar sentir permanentemente aquilo que existia no começo pode fazer com que qualquer mudança seja interpretada como sinal de que algo está errado.

    Pela Análise do Comportamento, eu evitaria tentar responder imediatamente à pergunta “eu ainda o amo?”. Quando estamos muito ansiosos, podemos começar a monitorar constantemente nossos sentimentos: “Estou com saudade? Senti vontade de beijá-lo? Estou feliz o suficiente perto dele?” Quanto mais verificamos, mais artificial a experiência pode se tornar e maior pode ser a dúvida.

    Eu investigaria também o que mudou na relação e na vida de vocês. Diminuíram os momentos de novidade, intimidade, diversão, admiração, desejo ou projetos compartilhados? A rotina aumentou? Existem ressentimentos não conversados? Como você se sente em outras áreas da vida? Às vezes, não é simplesmente o “amor” que desapareceu; diminuíram as situações que favoreciam determinadas emoções dentro da relação.

    Há algo importante no seu relato: você ainda descreve conversa, cuidado, companhia e momentos agradáveis. Isso não prova que deva permanecer no relacionamento, mas também não deveria ser desconsiderado apenas porque você não sente a mesma euforia do começo.

    Em vez de tentar obrigar-se a sentir novamente, talvez seja mais produtivo reconstruir condições para que proximidade e carinho possam acontecer: fazer coisas novas juntos, recuperar experiências que eram prazerosas, conversar sobre necessidades, criar momentos de intimidade e observar a relação ao longo do tempo — sem transformar cada encontro em um teste do tipo “vamos ver se hoje eu o amo”.

    E eu levaria uma questão para reflexão: “Se eu parasse por algum tempo de conferir se ainda o amo, como eu escolheria tratar e me relacionar com essa pessoa?”

    Se essa dúvida estiver se tornando repetitiva, angustiante e acompanhada de muita necessidade de obter certeza absoluta sobre seus sentimentos, vale conversar com um psicólogo. Nesse caso, além da própria relação, pode ser importante compreender a função que essa busca por certeza está exercendo na sua ansiedade.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    O fato de você ainda se sentir incomodada com esses comentários não significa que não esteja evoluindo. Pelo contrário: você relata que, em seis meses, conseguiu permanecer em um trabalho que inicialmente provocava muita ansiedade e hoje consegue interagir melhor. Isso é uma mudança importante.

    Ser tímida, quieta ou mais reservada não é uma doença que precise ser curada. O que merece atenção é quando o medo da avaliação dos outros limita sua vida, faz você evitar situações ou provoca sofrimento significativo. O objetivo da psicoterapia não seria transformá-la em uma pessoa extrovertida, mas ajudá-la a ter mais liberdade para falar, interagir e se posicionar quando desejar, mesmo diante de algum desconforto.

    Sua história de bullying também pode ter contribuído para que situações sociais e comentários sobre você adquirissem um peso maior. Isso pode ser trabalhado.

    A psicoterapia pode ajudá-la a diferenciar “eu sou uma pessoa mais reservada” de “eu deixo de fazer o que gostaria porque tenho medo do julgamento”. Essa diferença é muito importante.

    Se perceber que essa ansiedade, a sensação de não pertencimento e a preocupação com a opinião dos outros ainda trazem sofrimento, vale procurar acompanhamento psicológico. Estou à disposição caso queira conversar e compreender melhor essas questões.


  • Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico

    Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Sim, é possível sair desse ciclo. Pelo que você relata, as pesquisas parecem ter se tornado parte do próprio problema: você sente ansiedade, pesquisa para tentar entender ou obter segurança, encontra novas informações assustadoras, fica mais atento aos sintomas e a ansiedade aumenta novamente.

    Neste momento, eu recomendaria interromper as pesquisas sobre sintomas e diagnósticos e levar essas dúvidas para os profissionais que estão acompanhando você. Como você já iniciou medicação, mantenha o acompanhamento médico e não faça alterações por conta própria. O tratamento da depressão pode envolver medicação e psicoterapia.

    Como sair de casa sozinho já está muito difícil e você não consegue fazer terapia on-line, vale buscar ajuda para conseguir chegar presencialmente a um psicólogo, inclusive acompanhado por alguém de confiança nas primeiras vezes. Pelo SUS, UBS e CAPS também são portas de entrada para cuidados em saúde mental; o CAPS permite procura direta para acolhimento inicial.

    Na psicoterapia, você poderá trabalhar justamente esse ciclo de ansiedade → pesquisa → alívio momentâneo → novas dúvidas → mais ansiedade, além de retomar gradualmente comportamentos que hoje estão sendo evitados, como sair de casa.

    Não tente recuperar sua “vida normal” de uma vez. O objetivo inicial é voltar a dar pequenos passos apesar da ansiedade.

    E, considerando que você menciona depressão e sofrimento intenso, se surgirem pensamentos de se machucar ou de não querer mais viver, procure ajuda imediatamente: CVV 188, SAMU 192, UPA ou pronto-socorro.

    A psicoterapia seria bastante indicada no seu caso. Estou à disposição caso queira conversar sobre a possibilidade de acompanhamento psicológico.


  • olá, vou contar algo sobre mim. é algo em que venho pensando bastante e que tem me tirado várias n

    olá, vou contar algo sobre mim.
    é algo em que venho pensando bastante e que tem me tirado várias noites de sono de tanto refletir sobre isso.
    então, eu tenho 21 anos, faço 22 esse ano, e sou uma pessoa muito insegura tipo, muito mesmo — em todos os aspectos, seja em relação à aparência ou a algo que eu faço ou devo fazer. sempre penso que vou entregar o pior.
    além disso, uma coisa que me incomoda muito é que parece que eu não me vejo sendo capaz de ser uma adulta, sabe? de resolver meus próprios problemas. querendo ou não, o tempo está passando e eu estou sendo obrigada a me tornar uma adulta e a largar as atitudes de uma adolescente/jovem. será que isso é algum tipo de problema de desenvolvimento? porque eu não me imagino de forma alguma sendo adulta e não estou conseguindo seguir a minha vida e fazer o que tem que ser feito.
    quando eu era criança, eu costumava me expor mais a situações e aprender. agora parece que eu tenho medo de tudo, e isso é horrível.
    será que tudo isso que eu venho sentindo tem a ver com o bullying que eu sofri quando era mais nova e pode ser que esteja me afetando agora? o que eu devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    O que você descreve não é, necessariamente, um “problema de desenvolvimento”, mas pode estar relacionado a experiências passadas e ao modo como você aprendeu a lidar com situações de exposição, responsabilidade e avaliação.

    Vivências como o bullying podem, sim, aumentar o medo de errar, a insegurança e a tendência a evitar desafios. Com o tempo, evitar situações difíceis pode trazer alívio momentâneo, mas também reforça a sensação de incapacidade e o medo de “ser adulta”.

    A boa notícia é que isso pode ser trabalhado em psicoterapia. Na Análise do Comportamento, buscamos compreender como esses padrões se formaram e, aos poucos, construir novas formas de agir, com mais segurança e autonomia.

    Procurar um psicólogo pode te ajudar a entender melhor o que está acontecendo e a desenvolver estratégias concretas para retomar sua vida com mais confiança.


  • O que é o laudo neuropsicológico? .

    O que é o laudo neuropsicológico? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    O laudo neuropsicológico é um documento elaborado por um psicólogo após uma avaliação detalhada das funções cognitivas, como atenção, memória, linguagem, raciocínio e funções executivas.

    Ele ajuda a identificar dificuldades, potencialidades e possíveis transtornos, auxiliando no diagnóstico e no planejamento de intervenções terapêuticas.

    Se você tem dúvidas sobre seu funcionamento cognitivo ou dificuldades no dia a dia, uma avaliação neuropsicológica pode ser um importante ponto de partida.


  • Assunto: Dificuldades com ansiedade e comportamento nas redes sociais Queria falar sobre algo que

    Assunto: Dificuldades com ansiedade e comportamento nas redes sociais

    Queria falar sobre algo que tem me causado bastante angústia. Já convivo com ansiedade há um tempo, faço uso de antidepressivo e ansiolítico, mas mesmo assim ainda tenho alguns comportamentos que não consigo entender bem.

    Um deles é que, com frequência, eu paro de seguir pessoas nas redes sociais e depois volto a seguir de novo. Isso acontece muitas vezes, quase como um impulso, e eu realmente não sinto que faço isso porque quero. Parece algo automático, difícil de controlar. Depois que faço, me sinto muito culpada e com vergonha.

    Uma vez, uma pessoa chegou a me mandar mensagem perguntando por que eu fazia isso o tempo todo. Aquilo me deixou tão envergonhada que, naquele momento, eu excluí meu Instagram. Hoje não uso mais, mas esse comportamento e o que eu sinto em relação a ele ainda me incomodam muito.

    Eu fico com a sensação de que as pessoas me odeiam ou têm uma visão muito negativa de mim, e isso me corrói por dentro. Não sei se esse comportamento pode ser uma forma de lidar com a ansiedade ou com pensamentos que eu tenho, mas me sinto confusa e mal por não entender por que ajo assim.

    Queria ajuda para compreender melhor o que pode estar por trás disso e como posso lidar de uma forma mais saudável?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Esse tipo de comportamento pode estar relacionado à ansiedade e a tentativas de aliviar emoções difíceis, como insegurança, medo de rejeição ou necessidade de controle. Muitas vezes, agir por impulso traz um alívio momentâneo, mas depois gera culpa e reforça o sofrimento.

    Na Análise do Comportamento, buscamos entender em que situações esse padrão aparece, quais sentimentos e pensamentos o antecedem e quais consequências o mantêm. A partir disso, é possível construir formas mais saudáveis de lidar com a ansiedade e com a relação com as redes sociais.

    A psicoterapia pode ajudar você a compreender esses padrões e desenvolver maior controle e segurança emocional.


  • Minha vida é organizada, tenho trabalho, estudo, relacionamentos, mas mesmo assim me sinto vazia às

    Minha vida é organizada, tenho trabalho, estudo, relacionamentos, mas mesmo assim me sinto vazia às vezes. Isso é normal ou sinal de algum problema emocional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Sentir vazio mesmo com a vida organizada é algo relativamente comum.
    Pela Análise do Comportamento, isso pode ocorrer quando as atividades do dia a dia estão pouco conectadas a reforçadores pessoais, como sentido, valores ou prazer.
    Não indica, por si só, um problema emocional grave, mas é um sinal de atenção.
    A psicoterapia ajuda a identificar o que tem sido feito por obrigação e a construir uma rotina mais alinhada ao que realmente produz satisfação.


  • n estou exatamente triste, mas tudo parece sem graça. Quando tenho tempo livre, fico inquieta, desco

    n estou exatamente triste, mas tudo parece sem graça. Quando tenho tempo livre, fico inquieta, desconfortável, como se algo estivesse errado. Isso é só tédio ou tem algo por trás?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Eduardo  Santos Miguel

    Nem sempre é tristeza; muitas vezes é empobrecimento de reforços no dia a dia.
    Pela Análise do Comportamento, quando a rotina é muito baseada em obrigações, o tempo livre pode gerar inquietação, não prazer.
    O desconforto indica dificuldade em entrar em contato com atividades que realmente reforçam, não apenas tédio.
    A psicoterapia ajuda a identificar esses padrões e a construir experiências mais significativas no cotidiano.


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