Perguntas do paciente (150)

  • A 05 meses tomo Litio 450mg,Lamotrigina 100mg pela manhã e Quietiapina 400mg a noite, tratamento p/

    A 05 meses tomo Litio 450mg,Lamotrigina 100mg pela manhã e Quietiapina 400mg a noite, tratamento p/ estabilidade de humor,
    E passei a ficar com distensão abdominal ( abdominal alto) é normal ??

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Esse esquema terapêutico — lítio, lamotrigina e quetiapina — é uma combinação que faz sentido para estabilização de humor em quadros mais complexos, e o fato de você estar fazendo o tratamento há 5 meses mostra comprometimento. Vamos pensar na distensão abdominal.

    Distensão abdominal alta pode ter várias causas relacionadas ao seu esquema atual. A quetiapina, especialmente em doses como 400 mg, frequentemente causa alterações no apetite, na motilidade intestinal e no metabolismo — pode levar a constipação, retardo do esvaziamento gástrico e ganho de peso predominantemente abdominal. O lítio também pode contribuir, tanto por efeitos gastrointestinais diretos quanto por alterações no equilíbrio hídrico. A lamotrigina é a menos provável das três como causa principal, mas qualquer medicação pode produzir efeitos individuais.

    O que precisa ser avaliado é: a distensão é constante ou piora em momentos específicos (após refeições, ao deitar)? Acompanha constipação, plenitude pós-prandial precoce, refluxo? Houve mudança de peso ou de circunferência abdominal? Você está com algum desconforto ou dor associada? Essas respostas mudam bastante o raciocínio.

    Há também algo que merece atenção em paciente em uso de lítio: alterações abdominais novas podem, em alguns casos, sinalizar questões que precisam de avaliação laboratorial (função tireoidiana, função renal, litemia). Faz parte do acompanhamento regular pedir esses exames de tempos em tempos justamente para detectar precocemente qualquer alteração.

    Eu sugiro fortemente que você converse com o psiquiatra que te acompanha sobre isso antes da próxima consulta agendada — não é o tipo de sintoma para esperar passar. Pode ser algo simples e manejável, mas precisa ser avaliado para decidir se ajusta dose, troca alguma medicação, ou se há necessidade de exames complementares. Se quiser fazer essa avaliação no consultório, estou à disposição. Tratamento de estabilização de humor exige acompanhamento próximo, e qualquer sintoma novo merece ser escutado.


  • Até qts meses posso tomar clonazepan,esqueci de perguntar para meu psiq

    Até qts meses posso tomar clonazepan,esqueci de perguntar para meu psiq

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Pergunta importante, e fico feliz que você esteja pensando nela — muita gente toma clonazepam por anos sem questionar.
    A resposta direta é: idealmente, o uso de clonazepam deve ser pelo menor tempo possível e na menor dose eficaz. As principais sociedades médicas recomendam evitar uso contínuo por mais de 4 a 12 semanas como regra geral. Após esse período, começa a haver risco crescente de tolerância (precisar de doses maiores para o mesmo efeito), dependência física (sintomas de abstinência se interromper), efeitos cognitivos (memória, atenção, raciocínio mais lento) e, em uso prolongado, há também associação com maior risco de quedas em idosos e possíveis impactos cognitivos de longo prazo.
    Dito isso, a vida real do consultório é mais nuançada do que essa regra. Há pacientes com quadros graves para os quais o clonazepam, em dose baixa e controlada, é a melhor opção disponível por períodos mais longos. E há pacientes que ficam meses sem precisar, mas tomam pontualmente em crises. O importante é que esse uso seja consciente, monitorado e revisado periodicamente — não automático, "no piloto automático" da receita renovada.
    Se você está há mais de 3 meses tomando diariamente, vale conversar com seu psiquiatra sobre dois pontos: o tratamento de base (geralmente o escitalopram, no seu caso) está sendo suficiente para a ansiedade? Faz sentido começar a planejar uma redução gradual do clonazepam? Em muitos casos, é totalmente possível sair do clonazepam mantendo controle dos sintomas — só precisa ser feito com método.
    Como você disse que esqueceu de perguntar ao seu psiquiatra, sugiro que retome esse contato. E se quiser uma segunda opinião sobre o seu esquema atual ou planejar um desmame estruturado, estou à disposição no consultório. É exatamente o tipo de pergunta que merece resposta individualizada.


  • É normal sentir a garganta inchada depois de dois dia tomando revoc? Não sei se está sensação se dev

    É normal sentir a garganta inchada depois de dois dia tomando revoc? Não sei se está sensação se deve ao fato de que eu estava espirrando um pouco, e é claro que pode ser só gripe, mas fiquei preocupada com um possível reação alérgica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Sua preocupação é legítima e a atitude de buscar orientação é a certa. Vou ajudar a pensar.

    Sensação de garganta inchada nos primeiros dias do Luvox (fluvoxamina) não é o efeito colateral mais comum, mas reações alérgicas a antidepressivos podem acontecer, e a gente nunca subestima esse tipo de sintoma. O ponto crítico é diferenciar duas coisas: uma sensação subjetiva de "garganta diferente" (que pode ser resultado da própria ansiedade, do quadro gripal que você mesma menciona, ou de um leve efeito local) versus um inchaço real, com sinais objetivos de reação alérgica.

    Os sinais que pedem ida imediata ao pronto-socorro são: dificuldade real para engolir ou respirar, sensação de fechamento da garganta, inchaço visível na face, lábios ou língua, urticária (placas vermelhas que coçam pelo corpo), tontura intensa ou queda de pressão. Se algum desses estiver presente, suspenda o Luvox e procure emergência agora, sem hesitar.

    Se for uma sensação mais vaga, sem esses sinais objetivos, e considerando que você descreve espirros e suspeita de gripe, a hipótese mais provável é mesmo um quadro viral, não reação ao medicamento. Mas vale tomar duas precauções: observar nas próximas horas se algum sinal de alerta aparece, e entrar em contato com o psiquiatra que prescreveu para relatar o ocorrido — em alguns casos, vale interromper preventivamente até esclarecer.

    Uma coisa importante: nunca é exagero buscar avaliação quando há suspeita de reação alérgica a medicamento novo. É melhor checar e descartar do que esperar para ver. Se você não conseguir contato com o psiquiatra que prescreveu e quiser uma avaliação para decidir se continua ou troca a medicação, estou à disposição no consultório. Início de antidepressivo é um período em que vale ter o médico acessível.


  • Como a psiquiatria contemporânea descreve a comorbidade entre o Transtorno de Personalidade Borderli

    Como a psiquiatria contemporânea descreve a comorbidade entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), e quais são suas implicações na formulação psicopatológica, na avaliação dimensional dos sintomas e no diagnóstico diferencial dentro dos sistemas classificatórios atuais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Os sistemas classificatórios atuais (DSM-5-TR e CID-11) reconhecem TPB e TOC como entidades distintas, mas a clínica mostra sobreposição frequente que merece atenção dimensional.Na formulação psicopatológica, é útil pensar em dois níveis: o nível estrutural (organização borderline da personalidade, no sentido de Kernberg — difusão de identidade, mecanismos defensivos primitivos, prova de realidade preservada mas frágil) e o nível sintomático (presença de obsessões e compulsões propriamente ditas). Um paciente pode ter organização borderline e desenvolver TOC sintomático, ou apresentar fenômenos obsessivoides como parte da própria desregulação borderline.Dimensionalmente, vale avaliar: intensidade da desregulação afetiva, grau de impulsividade, estabilidade da identidade, presença e tipo de obsessões/compulsões, nível de insight e prejuízo funcional. A CID-11 já adota abordagem dimensional para transtornos de personalidade, o que facilita essa leitura.No diagnóstico diferencial, o ponto-chave é distinguir compulsões verdadeiras (rituais para neutralizar obsessões egodistônicas) de comportamentos repetitivos ligados à regulação afetiva borderline (autolesão repetida, comportamentos de controle relacional). A história longitudinal e o contexto de aparecimento dos sintomas costumam orientar.A formulação adequada exige avaliação clínica detalhada. Recomendo consulta para diagnóstico individualizado.


  • De que forma a comorbidade entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o Transtorno Obses

    De que forma a comorbidade entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é caracterizada e operacionalizada na prática clínica psiquiátrica, considerando aspectos psicopatológicos e diagnósticos diferenciais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    A comorbidade entre TPB e TOC é clinicamente relevante e exige diferenciação cuidadosa.No TPB, fenômenos do tipo obsessivo costumam emergir em contextos de instabilidade afetiva e relacional — ruminações sobre rejeição, abandono, conteúdos persecutórios transitórios sob estresse — e tendem a ser egossintônicos ou flutuantes, ligados ao estado emocional. No TOC, as obsessões são tipicamente egodistônicas, persistentes, acompanhadas de compulsões ritualizadas voltadas à neutralização da ansiedade.Quando coexistem, o quadro tende a ser mais grave: maior comprometimento funcional, pior resposta a tratamentos isolados, mais autolesão e mais hospitalizações. A impulsividade do TPB e o controle/ritualização do TOC produzem uma dinâmica clínica complexa — o paciente pode oscilar entre descontrole impulsivo e tentativas rígidas de controle obsessivo.O diagnóstico diferencial passa por avaliar: caráter ego-sintônico/distônico dos sintomas, presença de compulsões verdadeiras versus comportamentos impulsivo-compulsivos, estabilidade temporal dos sintomas (o TOC é mais estável; o TPB mais reativo) e o padrão das relações interpessoais.O tratamento, quando há comorbidade, geralmente combina psicoterapia estruturada com manejo psicofarmacológico individualizado. Recomendo avaliação presencial para formulação diagnóstica adequada.


  • “Quais são as principais manifestações clínicas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), com

    “Quais são as principais manifestações clínicas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), com ênfase nos eixos de desregulação afetiva, impulsividade e instabilidade interpessoal, conforme a literatura e a prática psiquiátrica contemporâneas?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    O TPB se organiza clinicamente em torno de três eixos principais.A desregulação afetiva é o núcleo do quadro: oscilações intensas e rápidas do humor, geralmente reativas a eventos interpessoais, com episódios de raiva, ansiedade ou disforia que duram horas a poucos dias. Diferentemente dos transtornos de humor primários, a labilidade aqui é altamente reativa ao contexto relacional.A impulsividade se manifesta em áreas potencialmente autolesivas: gastos, sexualidade, uso de substâncias, direção, alimentação, além de comportamentos autolesivos não suicidas e tentativas de suicídio recorrentes. É uma impulsividade que frequentemente serve à regulação afetiva — funciona como tentativa (falha) de aliviar estados internos insuportáveis.A instabilidade interpessoal organiza grande parte do sofrimento: relações intensas e instáveis, alternância entre idealização e desvalorização, esforços frenéticos para evitar abandono real ou imaginado, e sensibilidade exacerbada a sinais de rejeição. Acrescenta-se a perturbação da identidade — autoimagem instável — e os sintomas dissociativos ou paranoides transitórios sob estresse.O diagnóstico é clínico e exige avaliação cuidadosa, pois há sobreposição com transtornos do humor, do espectro do trauma e outros transtornos de personalidade. Recomendo consulta presencial para avaliação adequada.


  • “Quais são as principais manifestações clínicas, com ênfase em desregulação afetiva, impulsividade e

    “Quais são as principais manifestações clínicas, com ênfase em desregulação afetiva, impulsividade e instabilidade nas relações interpessoais, observadas em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) na prática psiquiátrica contemporânea?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Essa tríade — desregulação afetiva, impulsividade e instabilidade interpessoal — é o núcleo clínico do TPB.A desregulação afetiva se apresenta como labilidade rápida do humor, altamente reativa ao contexto interpessoal, com episódios de raiva, ansiedade ou disforia que duram horas a poucos dias. Há frequentemente sensação crônica de vazio e dificuldade marcada em modular intensidade emocional. Diferentemente dos transtornos do humor primários, a oscilação é reativa, não cíclica.A impulsividade aparece em áreas potencialmente autodanosas — gastos, sexualidade, substâncias, direção, alimentação — e em comportamentos autolesivos não suicidas e tentativas de suicídio. Clinicamente, é importante reconhecer que essa impulsividade costuma servir à regulação afetiva: funciona como tentativa (falha) de aliviar estados internos insuportáveis. Entender essa função muda o foco terapêutico.A instabilidade interpessoal estrutura grande parte do sofrimento: relações intensas e voláteis, alternância entre idealização e desvalorização, esforços marcantes para evitar abandono, hipersensibilidade à rejeição. O paciente vive os vínculos com intensidade que dificulta a sustentação de longo prazo.A prática contemporânea integra essa leitura sintomática a uma avaliação dimensional (intensidade de cada eixo) e estrutural (organização da personalidade), o que permite planejamento terapêutico mais individualizado. Recomendo consulta presencial.


  • “Quais manifestações psicopatológicas, afetivas e relacionais são mais frequentemente identificadas

    “Quais manifestações psicopatológicas, afetivas e relacionais são mais frequentemente identificadas em pacientes portadores de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    No plano psicopatológico, o TPB se caracteriza por desregulação em múltiplos eixos.Afetivamente: labilidade marcante, com oscilações rápidas e reativas a contextos interpessoais; raiva intensa e de difícil controle; sensação crônica de vazio; episódios disfóricos breves; e, sob estresse, fenômenos dissociativos ou paranoides transitórios.Relacionalmente: padrão de relações intensas e instáveis, com alternância entre idealização e desvalorização do outro; esforços frenéticos para evitar abandono; hipersensibilidade a sinais de rejeição; dificuldade de sustentar ambivalência (manter no outro qualidades positivas e negativas simultaneamente); e oscilação entre dependência intensa e ruptura abrupta dos vínculos.No nível da identidade: perturbação persistente da autoimagem, com sensação de descontinuidade do self, mudanças frequentes de objetivos e valores, e dificuldade de construir uma narrativa autobiográfica coerente.Comportamentalmente: impulsividade autolesiva (substâncias, sexualidade, gastos, alimentação), autolesão não suicida e tentativas de suicídio recorrentes — fenômenos que frequentemente funcionam como tentativa de regular estados afetivos insuportáveis.A leitura conjunta desses eixos é o que permite distinguir o TPB de quadros sobrepostos (transtornos do humor, do espectro do trauma, outros transtornos de personalidade). Recomendo avaliação presencial.


  • “Quais manifestações clínicas e comportamentais são mais frequentemente observadas em pacientes diag

    “Quais manifestações clínicas e comportamentais são mais frequentemente observadas em pacientes diagnosticados com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    As manifestações mais frequentes do TPB se organizam em alguns grupos.No plano afetivo: instabilidade intensa do humor, com oscilações rápidas (horas a poucos dias), episódios de raiva desproporcionais e difíceis de controlar, sensação crônica de vazio.No plano interpessoal: relações intensas e instáveis, alternância entre idealização e desvalorização, esforços marcantes para evitar abandono real ou imaginado, hipersensibilidade à rejeição.No plano comportamental: impulsividade em áreas potencialmente danosas (gastos, sexualidade, substâncias, alimentação, direção), comportamentos autolesivos não suicidas (cortes, queimaduras), tentativas de suicídio recorrentes.No plano da identidade: autoimagem instável, sensação de não saber "quem se é", mudanças frequentes de objetivos, valores ou orientação vocacional.No plano cognitivo: sintomas dissociativos transitórios (despersonalização, sensação de irrealidade) e fenômenos paranoides breves, geralmente sob estresse.Nem todo paciente apresenta todos os sintomas, e a gravidade varia substancialmente. O diagnóstico exige avaliação clínica estruturada e diferenciação de outros quadros (transtornos do humor, do espectro do trauma, outros transtornos de personalidade). Recomendo consulta presencial.


  • “De que modo déficits na flexibilidade cognitiva se associam às alterações do funcionamento interpes

    “De que modo déficits na flexibilidade cognitiva se associam às alterações do funcionamento interpessoal em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    A flexibilidade cognitiva — capacidade de alternar entre perspectivas, considerar interpretações alternativas e revisar julgamentos diante de novas informações — costuma estar comprometida no TPB, e isso tem impacto direto sobre o funcionamento interpessoal.Clinicamente, observa-se pensamento dicotômico (visão em "preto e branco"), dificuldade de sustentar ambivalência (o outro é "tudo bom" ou "tudo ruim"), rigidez na atribuição de intenções (tendência a leituras persecutórias ou de rejeição) e dificuldade de mentalizar — ou seja, de representar a mente do outro como distinta da própria e com motivações próprias.Essa rigidez cognitiva sustenta os fenômenos clássicos do TPB: idealização e desvalorização rápidas, reações afetivas desproporcionais a ambiguidades, dificuldade de reparação após conflitos, padrões de relacionamento intensos e instáveis. Quando o paciente não consegue manter simultaneamente "essa pessoa me frustrou" e "essa pessoa importa para mim", o vínculo entra em colapso.Há também base neurocientífica: estudos apontam alterações funcionais em regiões pré-frontais envolvidas no controle executivo e na regulação afetiva, com hiperresponsividade amigdaliana, o que ajuda a entender por que o paciente "trava" cognitivamente sob ativação emocional.O tratamento — particularmente abordagens baseadas em mentalização e psicoterapia psicanalítica — visa exatamente ampliar essa flexibilidade, permitindo representações mais integradas de si e do outro. Recomendo consulta presencial para avaliação.


  • “Como se apresenta a ansiedade de desempenho em situações sociais no Transtorno de Personalidade Bor

    “Como se apresenta a ansiedade de desempenho em situações sociais no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e quais são suas principais manifestações clínicas, especialmente no que se refere à hipersensibilidade à rejeição, à avaliação interpessoal e às reações afetivo-comportamentais em contextos sociais?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    A ansiedade social no TPB tem uma qualidade distinta da observada no transtorno de ansiedade social primário.O eixo organizador é a hipersensibilidade à rejeição: o paciente borderline monitora intensamente sinais interpessoais — tom de voz, expressão facial, demora em responder mensagens — e tende a interpretá-los como evidência de desaprovação ou abandono iminente. Pequenas ambiguidades sociais são vividas como ameaças significativas à integridade do self.Clinicamente, isso se manifesta como: antecipação ansiosa intensa antes de exposições sociais, vigilância exacerbada durante interações, reações afetivas desproporcionais a feedbacks neutros ou ambíguos, e oscilação entre busca ativa de aprovação e retração defensiva. Diferentemente da fobia social clássica, em que predomina o medo do julgamento e o evitamento, no TPB o sofrimento se organiza em torno do medo de não ser amado, escolhido ou validado.As reações afetivo-comportamentais incluem episódios de raiva quando há percepção de rejeição, comportamentos impulsivos pós-situação (uso de substâncias, autolesão, busca compulsiva de contato), e oscilações entre idealização e desvalorização do outro envolvido. A ansiedade de desempenho aqui não é apenas sobre "ser avaliado", mas sobre "ser deixado".O manejo combina psicoterapia voltada à mentalização e à tolerância afetiva com, quando indicado, suporte psicofarmacológico. Recomendo avaliação presencial.


  • “Qual é o significado clínico dos comportamentos de retaliação interpessoal (frequentemente descrito

    “Qual é o significado clínico dos comportamentos de retaliação interpessoal (frequentemente descritos como ‘vingança’) no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), e como esses comportamentos se relacionam com impulsividade, desregulação afetiva e instabilidade nos padrões de apego e funcionamento interpessoal?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    O termo "vingança", usado popularmente, descreve fenômeno clínico que, no TPB, tem leitura psicopatológica específica — não é categoria moral, mas expressão de funcionamento psíquico.
    Esses comportamentos surgem tipicamente após experiências de rejeição, abandono ou ferida narcísica, e cumprem múltiplas funções: descarregar afeto insuportável que não encontrou via simbólica, restituir uma sensação de potência diante da impotência vivida na ferida, reorganizar defensivamente uma autoimagem em colapso, e — paradoxalmente — manter o vínculo, já que o conflito é menos insuportável que a perda definitiva.
    A relação com a impulsividade é direta: a retaliação acontece em estado de alta ativação afetiva, com prejuízo da capacidade de pausa reflexiva. A relação com a desregulação afetiva é constitutiva: o comportamento emerge quando a intensidade emocional excede os recursos internos de tolerância e modulação.
    No plano do apego, esses fenômenos refletem padrões de vinculação desorganizados ou ansioso-ambivalentes. O outro significativo é simultaneamente fonte de segurança e ameaça, e a retaliação aparece como resposta a uma ameaça percebida ao vínculo. Há dificuldade de sustentar representações integradas do outro — ambivalência é vivida como insuportável, e a cisão (idealização/desvalorização) facilita a passagem ao ato agressivo.
    Compreender essa dinâmica muda o enfoque terapêutico: o trabalho é menos sobre "controlar a vingança" e mais sobre desenvolver capacidade de mentalização, tolerância afetiva e integração das representações de si e do outro. Recomendo avaliação presencial.


  • “Como se caracteriza a agressividade reativa e os comportamentos de retaliação interpessoal no conte

    “Como se caracteriza a agressividade reativa e os comportamentos de retaliação interpessoal no contexto da desregulação afetiva e da instabilidade relacional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    A agressividade reativa no TPB é fenômeno clínico distinto da agressividade instrumental (planejada, com objetivo claro). No TPB, ela emerge em contextos de ativação afetiva intensa, geralmente desencadeada por percepção de rejeição, abandono, traição ou desvalorização — reais ou interpretadas como tais.
    Suas características são: surgimento rápido, em estado de alta intensidade emocional; desproporção entre o estímulo aparente e a resposta; prejuízo transitório da capacidade de considerar o ponto de vista do outro; e, após o episódio, oscilação entre culpa, vergonha e tentativas de reparação ou justificação defensiva.
    No contexto da desregulação afetiva, essa agressividade funciona como descarga: estados internos insuportáveis (raiva, dor, vazio, ferida narcísica) encontram saída pela ação porque não foram suficientemente simbolizados ou tolerados. No contexto da instabilidade relacional, ela compõe o padrão de oscilação entre idealização e desvalorização — o mesmo outro que era "tudo" passa a ser "nada" ou "inimigo", e a retaliação reorganiza temporariamente a posição do sujeito.
    Clinicamente, é importante diferenciar essa agressividade de quadros com agressividade instrumental ou de transtornos psicóticos com heteroagressividade. No TPB, ela é reativa, contextual e tipicamente seguida de arrependimento — embora cause prejuízos relacionais significativos.
    O tratamento combina psicoterapia voltada à regulação afetiva e à mentalização com, quando indicado, suporte psicofarmacológico. Recomendo consulta presencial.


  • “Qual é a fenomenologia e a função psicopatológica dos comportamentos de retaliação ou reatividade a

    “Qual é a fenomenologia e a função psicopatológica dos comportamentos de retaliação ou reatividade agressiva em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Os comportamentos de retaliação no TPB têm fenomenologia particular e função psicopatológica reconhecível.Fenomenologicamente, aparecem como respostas agressivas — verbais, físicas, relacionais ou simbólicas — desencadeadas por experiências de rejeição, frustração, decepção ou ferida narcísica, frequentemente desproporcionais ao estímulo aparente. Surgem com rapidez, em estados de alta ativação afetiva, com prejuízo da capacidade de mentalizar (o outro deixa de ser percebido como sujeito com motivações próprias e passa a ser vivido como agente persecutório). Após o episódio, é comum haver culpa intensa, vergonha e tentativas de reparação ou, no extremo oposto, justificação rígida.Funcionalmente, a retaliação cumpre alguns papéis: restitui temporariamente uma sensação de potência diante da experiência de impotência produzida pela ferida; descarrega afeto insuportável que não encontrou via simbólica; reorganiza, de modo defensivo, uma autoimagem que estava em colapso ("se sou eu quem ataca, não sou o abandonado"); e, paradoxalmente, mantém o vínculo — o conflito é menos insuportável que a perda.Do ponto de vista estrutural, esses comportamentos refletem dificuldade de integrar afetos ambivalentes, predomínio de defesas como cisão e identificação projetiva, e baixa tolerância à frustração relacional. Não são "vingança" no sentido moral, mas fenômenos clínicos que exigem leitura psicopatológica.O manejo passa por psicoterapia estruturada e, quando indicado, suporte psicofarmacológico. Recomendo avaliação presencial.


  • “Quais modalidades de intervenção psicoterápica, recursos psicofarmacológicos e dispositivos psicoss

    “Quais modalidades de intervenção psicoterápica, recursos psicofarmacológicos e dispositivos psicossociais baseados em evidências demonstram efetividade na atenuação da disfunção interpessoal, na melhora da capacidade de vinculação afetiva e na reabilitação do funcionamento psicossocial de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    O tratamento do TPB tem boa base de evidências, sendo a psicoterapia o pilar central.Entre as psicoterapias com maior suporte empírico estão: Terapia Comportamental Dialética (DBT), Terapia Baseada em Mentalização (MBT), Terapia Focada na Transferência (TFP) e Terapia do Esquema. Todas mostram efetividade na redução de autolesão, tentativas de suicídio, hospitalizações e melhora do funcionamento interpessoal. A escolha depende do perfil do paciente, da formação do terapeuta e da disponibilidade do recurso. Em minha prática, conduzo psicoterapia de orientação psicanalítica integrada ao manejo psiquiátrico, o que permite trabalhar conjuntamente a estrutura de personalidade e a sintomatologia.A psicofarmacologia no TPB é adjuvante, não curativa. Nenhum medicamento trata o transtorno como um todo, mas há evidências para alvos sintomáticos específicos: estabilizadores do humor para impulsividade e labilidade afetiva, antipsicóticos atípicos em baixa dose para desorganização cognitiva e raiva, e antidepressivos quando há comorbidade depressiva ou ansiosa. O uso deve ser criterioso, com revisão periódica para evitar polifarmácia injustificada.Os dispositivos psicossociais incluem grupos terapêuticos, hospital-dia, suporte familiar e reabilitação ocupacional, especialmente úteis em quadros mais graves ou com pior funcionamento.O tratamento combinado — psicoterapia + psiquiatria, idealmente coordenados — costuma trazer os melhores resultados a médio e longo prazo. Recomendo avaliação presencial para planejamento individualizado.


  • Estou a quase 2 meses em tratamento com volproato de sódio e oxilalato de escitalopram. Sou dependen

    Estou a quase 2 meses em tratamento com volproato de sódio e oxilalato de escitalopram. Sou dependente químico de cocaína, e na consulta com o psiquiatra foi passado esse tratamento no qual larguei inacreditavelmente de fumar e fiquei livre das drogas por esse período depois de anos consegui ficar 2 meses limpo, (Não ficava 2 dias) porém decidi suspender a medicação por um dia para tomar uma cerveja em comemoração ao aniversário do meu filho, e me arrependi... Recai na cocaína... Estava me sentindo tão bem parecia que a vida tinha ganhado cores uma sensação única de voltar a viver, agora com essa recaída... Eu posso voltar a usar a medicação ou preciso esperar alguns dias para o efeito da droga passar? É seguro a retomada da medicação em imediato não vai dá interessao perigosa? Gostaria de retomar não queria ficar sem o tratamento para não dar brecha novamente para o satanás

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    O indicado é voltar imediatamento ao tratamento! Converse com seu médico o quanto antes, sempre que recair ou estiver sentindo que está para recair. E abstinencia total de qualquer droga é indicado para qualquer dependente


  • Oi pessoal! Espero que estejam todos bem! Tenho uma dúvida sincera rs... Eu tomo trazodona 50mg dura

    Oi pessoal! Espero que estejam todos bem! Tenho uma dúvida sincera rs... Eu tomo trazodona 50mg durante as noites para me ajudar com insônia, será que teria algum problema grave se eu tomasse Draft(chopp de vinho) em comemoração ao natal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Qualquer dose de álcool é prejudicial ao sistema nervoso central, podendo agravar qualquer quadro psiquiátrico em tratamento.


  • MEu namorado tem Esquizofrenia, tem alguma possibilidade dele ser esquizofrênico e Bipolar?

    MEu namorado tem Esquizofrenia, tem alguma possibilidade dele ser esquizofrênico e Bipolar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Em geral, Os pacientes que apresentam Episódios de psicose e episódios de humor distintos, acabam em sua maioria se enquadrando no Transtorno Esquizoafetivo. Mas para se ter certeza disto é necessário fazer uma boa avaliação psiquiátrica para definir corretamente os episódios agudos da doença.

    E independente do diagnóstico, o importante é que o quadro seja bem tratado para que se consiga controlar as crises e prevenir crises futuras.


  • Olá, fui na primeira consulta com o psiquiatra hoje. Ele me fez algumas perguntas: idade, com que eu

    Olá, fui na primeira consulta com o psiquiatra hoje. Ele me fez algumas perguntas: idade, com que eu moro, se durmo bem, se tenho vícios... Normal. E já me receitou 2 medicamentos. Queria saber se é normal receber receita médica já na primeira consulta...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    Em muitos casos sim, mas sempre acho importante que o paciente também entenda o porque do emprego do medicamento naquele momento. Se o paciente não se sente seguro com o tratamento farmacológico, algo precisa ser acertado entre o médico e o paciente para que a adesão ao tratamento seja efetivada. Pela sua pergunta, pareceu-me insegura quanto à prescrição. Tente conversar com ele novamente. Se acha que mesmo tentando conversar com ele não está resolvendo, talvez uma segunda opinião possa ser interessante.


  • Estou tomando Bupropiona 150mg de 12/12h para parar de fumar. Comecei a sentir muita coceira no corp

    Estou tomando Bupropiona 150mg de 12/12h para parar de fumar. Comecei a sentir muita coceira no corpo e pequenas bolinhas vermelhas. Vi que é uma reação comum, quanto tempo demora pra passar o efeito adverso? E em quanto tempo começo a sentir os efeitos completos do medicamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Leonardo de Almeida Sodré

    A farmacodermia pode ocorrer em varios medicamentos na medicina, as vezes ate mesmo com remédios que anteriormente usávamos sem problemas. Em geral costuma-se resolver espontaneamente com a suspensão do medicamento causador da farmacodermia.


Perguntas frequentes

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