Perguntas do paciente (231)
-
Olá, gostaria de entender e tirar uma dúvida sobre o que vem acontecendo comigo. Na minha última per
Olá, gostaria de entender e tirar uma dúvida sobre o que vem acontecendo comigo. Na minha última pergunta (link falei sobre um término de relacionamento, que retomamos o contato e eu estava aguardando a resposta dela, bom, ela me respondeu e não deu em nada, realmente é o fim e eu preciso me reconstruir e seguir minha vida. Só que vem acontecendo uma coisa estranhada: ela me diz que o que temos é muito importante para ser ignorado, fala que me considera bastante importante e o que temos é um laço de amor fraterno, mas quando me vê nos lugares não me olha nem na cara. O que seria isso? Confusão? Autoproteção? Conflito interno? Indecisão? Está lutando contra a decisão dela?
Enfim, são muitas perguntas, mas não são as principais, as mais importantes vem a seguir.
Percebo que quando passo um tempo considerável online, seja no instagram, whatsapp, youtube, ou até mesmo vendo um filme ou série, eu sinto ansiedade e tristeza, como se tivesse um vazio ali dentro de mim e que as redes sociais/internet estão me sugando. Mas quando me desconecto e vou fazer coisas no mundo real como: arrumar meu quarto, tocar violão, sair para caminhar ou pedalar, ir para a academia, ler um livro, conversar com meus pais, tudo isso me tira daquela sensação de tristeza e angústia, é como se fosse um instinto de sobrevivência sendo ativado, e me sinto muito melhor desconectado da internet e redes socias e me faz sentir bem. Gostaria de entender essas minhas dúvidas do motivo disso acontecer e os motivos que estão por trás dessas minhas sensações e também pelas atitudes da minha ex. Devo me afastar completamente dela? Devo continuar fazendo esse desmame de redes sociais?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sob a ótica psicanalítica, o término que você vivencia ainda está em processo de elaboração, caracterizando um luto afetivo. As falas da sua ex, que reconhecem a importância do vínculo, mas são acompanhadas de esquiva no contato presencial, podem indicar ambivalência e conflito interno, funcionando como uma defesa para evitar afetos que ainda não foram simbolizados. Esse movimento tende a manter a ligação no plano da palavra, sem sustentar a presença real, o que pode prolongar a dor psíquica.
A angústia sentida durante o uso intenso de redes sociais pode ser compreendida como um aumento da sensação de vazio subjetivo, pois esses espaços frequentemente reforçam expectativas, comparações e repetições ligadas ao objeto perdido. Em contraste, as atividades no mundo concreto, corpo em movimento, rotina, vínculos reais e criação atuam como formas de reorganização psíquica e fortalecimento do eu, promovendo maior bem-estar.
O afastamento da ex e a redução do uso das redes não aparecem como negação, mas como gestos de cuidado psíquico, favorecendo o avanço do luto e a reconstrução subjetiva. Coloco-me à disposição, como profissional, para oferecer um espaço de escuta e acompanhamento nesse processo, respeitando seu tempo e sua singularidade.
-
Olá, eu tenho diagnóstico de transtorno de ansiedade. Estava consideravelmente moderada, porém, eu i
Olá, eu tenho diagnóstico de transtorno de ansiedade. Estava consideravelmente moderada, porém, eu iniciei o tratamento com roacutan, e um tempo depois eu estou sentindo uma apatia, não sinto felicidade, nem tristeza por coisas que antes sentia. Quero muito saber se isso tem relação com o remedio
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sob a perspectiva psicanalítica, é importante compreender que o sofrimento psíquico nem sempre se manifesta por meio da tristeza evidente ou da angústia explícita; muitas vezes ele aparece justamente como apagamento afetivo, apatia ou dificuldade de sentir prazer e interesse pela vida. Quando um medicamento como a isotretinoína entra em cena, ele não atua apenas no corpo biológico, mas pode incidir sobre a economia psíquica do sujeito, interferindo na forma como os afetos circulam e são simbolizados. Em pessoas com diagnóstico prévio de transtorno de ansiedade, esse impacto pode ser ainda mais sensível, pois o psiquismo já se encontra em um arranjo específico de defesas e modos de lidar com o excesso. Assim, o que se apresenta como “não sentir nada” pode ser entendido tanto como um efeito medicamentoso quanto como uma resposta psíquica de proteção diante de algo que se tornou difícil de elaborar. Diante disso, é fundamental que essa experiência seja escutada, nomeada e cuidada, sem julgamento ou minimização. Coloco-me à disposição, como profissional, para acolher essa vivência, ajudar a pensá-la com cuidado e construir, no seu tempo, caminhos possíveis de compreensão e manejo desse momento.
-
Em janeiro de 2025, fui para um psiquiatra chegando lá, tinha em média 8 alunos para assistir... no
Em janeiro de 2025, fui para um psiquiatra chegando lá, tinha em média 8 alunos para assistir... no momento me encorajei e fiz a consulta mesmo assim, porque estava precisando muito de atendimento. Na consulta me abri, contei minha história, tive momentos de desatenção, perdi a paciência, conversei sozinha em voz alta... agi com impulsividade em alguns momentos, inclusive naquela consulta fui diagnosticada com TDAH, porém, minha mente começou a ruminar sem para... repetir aquele dialogo dia pós dia na minha mente, me causando exaustão, tenho a ansiedade generalizada e depressão leve, essa ruminacao virou hábito, era automatica, eu chegava a passar dia todo repetindo, revivenciando aquele momento em minha cabeça, durmia e acordava com isso, minha cabeça se programou pra fazer isso dia pós dia, a imagem do médico, alunos, diálogo, tudo se repetindo todod santo dia,,, comecou a me trazer prejuízos em todas areas da minha vida... tenho necessidade de repetir pensamentos de maneira compulsiva na minha mente... repetir e analisar cada passo que eu mesma dou, duvidar de coisas que eu mesma faço, não por esquecimento, mas pq de fato fico duvidando , me questionamdo se realmente fiz aquilo e voltando na mesama ação 1 dezena de vezes para aliviar a ansiedade... vivo me automonitorando, se esqueci, se errei, voltando, repetindo, repetindo e repetindo comportamentos, analisando cada passo meu, me trás desgaste, cansaço mental, mas simplesmente não consigo parar, essa noite estou ruminando muito, nao consigo desligar a mente, se eu não me conter ou entrar em exaustão passoa noite revivendo dialogos, experiências passadas na minha cabeça... não consigo calar a ruminacao, já acordo com imagens na minha cabeça, o dia já amanhece com a ruminacao em primeiro lugar, não consigo controlar e quando tento conter, me da ansiedade, em 90% das vezes é essa experiência que tive com meu antigo psiquiatra, se repentindo de maneira compulsiva na minha mente... e detalhe, ja se passaram 11 meses do ocorrido, meu cérebro não aceita, está preso naquele dia... O que eu poderia fazer, nesse caso seria já medicação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na perspectiva psicanalítica, sua experiência revela um processo complexo de elaboração psíquica. O evento traumático da consulta transformou-se em núcleo cristalizado onde conflitos inconscientes se condensam. Essa repetição compulsiva indica um recalque mal-sucedido: a mente tenta dominar o trauma através da revivência, mas paradoxalmente mantém sua força ao evitar contato com feridas mais profundas que ele simboliza.
A ruminação funciona como formação de compromisso entre o desejo de elaboração e a resistência ao trabalho psíquico necessário. Suas dúvidas compulsivas e autoverificação sugerem falhas na função simbólica de garantia, frequentemente associada à figura paterna na estruturação psíquica. O corpo torna-se palco desse drama quando a palavra falha, convertendo conflitos em exaustão física e insônia.
Sua "conversa em voz alta" durante a consulta foi ato inaugural de exteriorização que demanda continuidade no setting analítico. O trabalho terapêutico focaria em decifrar os significados ocultos dessa cena repetida através da associação livre, investigando sua função protetora e os fantasmas fundamentais de autopunição ou desamparo que mobiliza.
Estou disponível para acolher esse processo em espaço seguro, onde possamos construir juntos as vias de elaboração simbólica que transformem a repetição em narrativa integrada.
-
Em 2020 me casei porém um dia antes do casamento meu esposo disse não gostava de mim mais msm assim
Em 2020 me casei porém um dia antes do casamento meu esposo disse não gostava de mim mais msm assim no dia seguinte nos casamos .ele ficou por muito tempo distante no começo até ficou uns dias na casa da mãe passou meses ele melhorou e eu voltei a ver alegria nele depois de 6 anos parece q ele voltou a ter esse bloqueio.teve várias dias com insônia,irritado ,teve dias com altos e baixos.ate q um dia desses ele me pediu um tempo chorou bastante e já está fazendo 46 dias q está na casa da mãe porém todos os domingos ele faz questão de vir ficar comigo agente namora e tudo com muita conexão.porem quando ele vai embora ele muda completamente fica totalmente distante.agora está se sentindo mal por a gente fazer sexo aos domingos,está sentindo q está me usando.ele parece confuso ,diz q lembra de coisas no nosso casamento q machuca muito ele .ele age como só eu que o machuquei.agora já está falando q não tem vontade de dormir em nossa casa e q não tem quase vontade nenhuma de voltar pra casa .eu e a família dele sabe q tem algum problema na cabeça dele .pq ele sempre chora ,fala q dói nele está fazendo isso pq quem quer se separar pega e se separa e não chora e não tem dúvidas
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A situação conjugal que você relata apresenta elementos significativos à luz da teoria psicanalítica. O padrão cíclico de aproximação e distanciamento do seu esposo sugere uma repetição compulsiva de conflitos inconscientes não elaborados. Sua oscilação entre momentos de intensa conexão afetiva e sexual aos domingos, seguida por recuos abruptos, aponta para uma dinâmica transferencial onde reatualiza feridas relacionais anteriores. A culpa manifestada após a intimidade física revela um superego punitivo em ação, associado a fantasias de transgressão ou medo de fusão emocional.
As lembranças dolorosas que ele evoca sobre o casamento funcionam como formações de compromisso entre o desejo de vinculação e mecanismos defensivos contra a vulnerabilidade. Sua narrativa unilateral ("só eu o machuquei") demonstra projeção de conteúdos internos não integrados, característica de processos regressivos diante de angústias não simbolizadas. A insônia, labilidade emocional e indecisão prolongada configuram sintomas somáticos de conflitos psíquicos mal resolvidos.
Esta configuração demanda intervenção especializada. O setting analítico oferece espaço seguro para:
Decifrar os significados latentes desta repetição relacional
Identificar objetos internos que fundamentam sua ambivalência
Elaborar as memórias traumáticas que emergem de forma fragmentada
Trabalhar sua capacidade de tolerância à intimidade sem recuo autopunitivo
Como psicanalista, disponho-me a acompanhá-los neste processo de elaboração simbólica. Caso queiram iniciar trabalho terapêutico, estou à disposição para agendarmos uma avaliação conjunta que permita estabelecer o enquadre necessário para este percurso.
-
Qual a visão psicanalista dos personagens do filme Cisne Negro?
Qual a visão psicanalista dos personagens do filme Cisne Negro?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sob a ótica psicanalítica, Cisne Negro pode ser compreendido como uma metáfora dos conflitos relacionados à constituição do eu, ao ideal de perfeição e à dificuldade de integrar aspectos contraditórios da própria subjetividade. O corpo, por meio da dança, torna-se o lugar de inscrição desses conflitos, funcionando tanto como tentativa de sublimação quanto como espaço onde emergem angústias e falhas na simbolização. O cisne branco e o cisne negro representam, simbolicamente, a clivagem entre controle e desejo, obediência e transgressão. A intensificação do sofrimento ocorre quando essas dimensões não conseguem coexistir no psiquismo, levando a experiências de desorganização subjetiva.
Caso deseje aprofundar essa leitura ou refletir sobre como essas questões podem se relacionar à sua própria experiência, estou à disposição para um atendimento, oferecendo um espaço de escuta e elaboração.
-
Olá suspeito ter TOC, tenho todos praticamente todos os sintomas mania, pensamentos obssesivos e int
Olá suspeito ter TOC, tenho todos praticamente todos os sintomas mania, pensamentos obssesivos e intrusivos, medo de que se não fizer determinada coisa de um jeito especifico algo ruim irá acontecer, ansiedade constante queria saber se devo primeiro buscar um psiquiatra ou um psicologo ou psicanalista qual vou primeiro, e como melhorar esses sintomas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Diante da suspeita de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), sua iniciativa de buscar orientação é fundamental. Na perspectiva psicanalítica, os sintomas descritos: pensamentos intrusivos, rituais compulsivos e ansiedade constante — são compreendidos como manifestações de conflitos inconscientes que exigem elaboração simbólica.
Recomenda-se iniciar com avaliação psiquiátrica para investigar possíveis bases neurobiológicas, avaliar necessidade de medicação (como ISRS, primeira linha para TOC) e descartar condições comórbidas, como depressão ou outros transtornos de ansiedade. Após estabilização inicial, a psicoterapia psicanalítica torna-se o eixo central do tratamento, trabalhando as raízes inconscientes do transtorno. Este processo foca na decifração dos significados latentes por trás das obsessões e compulsões, além da elaboração das angústias projetadas nos rituais.
Muitos pacientes beneficiam-se da integração de abordagens, combinando análise freudiana ou lacaniana para desvendar fantasias inconscientes com técnicas cognitivo-comportamentais (como Exposição e Prevenção de Resposta) para sintomas agudos. Grupos de apoio também são valiosos na redução do estigma.
Na melhoria sintomática pela ótica psicanalítica, a interpretação dos rituais revela tentativas de controle simbólico sobre conteúdos ameaçadores do inconsciente. A análise busca identificar significantes nucleares, como medos de perda de controle, e trabalhar a relação entre superego punitivo e demandas pulsionais. A transformação da ansiedade ocorre através da associação livre e análise de sonhos, convertendo descargas ansiosas em pensamento articulado, o que reduz a urgência dos rituais. O setting terapêutico oferece continência para nomear o indizível por trás das obsessões, desmontar lógicas mágicas ("se não fizer X, Y acontecerá") e restaurar a autonomia do sujeito.
Como psicanalista, disponho-me para acompanhá-lo neste processo de decifração sintomática, articular com psiquiatras quando necessário e fornecer espaço protegido para elaboração das angústias subjacentes. Caso deseje iniciar avaliação psicanalítica, estou à disposição para agendarmos um primeiro encontro e construirmos juntos um plano terapêutico personalizado.
-
Um profissional que é formado em pedagogia e tem título de psicanalista, e faz pós de neuropsicologi
Um profissional que é formado em pedagogia e tem título de psicanalista, e faz pós de neuropsicologia, pode aplicar avaliações neuropsicológicas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A formação em Pedagogia, o título de psicanalista e mesmo a realização de uma pós-graduação em Neuropsicologia não autorizam, por si só, a aplicação de avaliações neuropsicológicas formais. A pós-graduação tem caráter complementar e não substitui a exigência legal da graduação em Psicologia, nem confere acesso aos instrumentos psicológicos regulamentados e aprovados pelo SATEPSI/CFP, cujo uso é restrito a psicólogos.
Esse profissional, contudo, pode atuar de forma ética e legal em outros campos, como observações clínicas e educacionais, entrevistas, anamnese, escuta psicanalítica, orientação pedagógica e participação em equipes multiprofissionais, contribuindo com pareceres qualitativos que não se caracterizem como avaliação ou diagnóstico psicológico/neuropsicológico.
Coloco-me à disposição, como profissional, para esclarecimentos adicionais, orientações técnicas ou apoio na construção de pareceres e encaminhamentos adequados dentro das normativas legais e éticas vigentes.
-
é normal sentir vontade de mandar mensagem para uma pessoa que gostou na época de escola, cerca de 1
é normal sentir vontade de mandar mensagem para uma pessoa que gostou na época de escola, cerca de 10 anos atrás?
Hoje estou em um relacionamento consolidado mas reencontrei essa pessoa a algumas semanas e gostaria de falar para ela o que eu sentia no passado.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A psicanálise entende que certos encontros funcionam como marcadores da história subjetiva. Pessoas do passado podem representar momentos de idealização, possibilidades não vividas ou aspectos do próprio sujeito que ficaram associados àquela fase da vida. Ao reencontrá-las, não é apenas o outro que retorna, mas também uma versão de si mesmo ligada à juventude, às fantasias e aos desejos ainda não simbolizados.
A vontade de dizer o que se sentia no passado pode estar menos relacionada à necessidade de produzir um efeito no outro e mais ao desejo de dar palavra a algo que, à época, não pôde ser dito. Trata-se, muitas vezes, de uma tentativa de fechamento simbólico, e não necessariamente de um movimento em direção a um novo laço amoroso.
Ao mesmo tempo, a psicanálise convida a interrogar o lugar desse desejo hoje: o que se busca ao falar agora? Alívio, reconhecimento, validação, ou a reativação de uma fantasia? Essa reflexão é importante, sobretudo quando há um relacionamento atual consolidado, pois nem todo desejo precisa ser atuado para ser elaborado.
Caso sinta necessidade de aprofundar essa reflexão em um espaço de escuta individual, coloco-me à disposição como psicanalista para acompanhamento e elaboração desse processo.
-
Pessoal, gostaria de compartilhar uma situação e pedir a opinião de vocês, especialmente de psicólog
Pessoal, gostaria de compartilhar uma situação e pedir a opinião de vocês, especialmente de psicólogos ou quem já viveu algo semelhante.
Terminei um relacionamento há poucos meses, foi intenso e muito amoroso. O fim não veio por falta de amor, traição ou brigas, mas pelo cansaço emocional, ansiedade e uma fase difícil que desgastou a convivência.
Desde então, mergulhei em um processo profundo de transformação:
Terapia constante;
Atividade física regular;
Vida espiritual mais presente;
Estudos e projetos de carreira.
Hoje me sinto outra pessoa: centrado, em paz e consciente dos meus valores.
Ela, por sua vez, nunca cortou completamente o vínculo:
Mantive acesso aos status dela;
Ela curte, reage e responde mensagens minhas de forma afetiva;
Em certo momento, disse que ‘me guarda em oração’;
Sua família segue mantendo contato tranquilo comigo.
Dois psicólogos (meu e um conhecido), cientes do contexto, avaliaram que temos grandes chances de um recomeço saudável, dado o amor que ainda existe e o amadurecimento de ambos.
Há uma semana, escrevi uma carta sincera a ela:
Falei da minha jornada, do amor que permanece, e a convidei para um reencontro leve, em um local simbólico, sem pressão ou drama.
Agora, estou aguardando… e refletindo.
Gostaria de opiniões sobretudo sobre:
Esses sinais de manutenção de vínculo são consistentes com vontade de reatar?
O fato de dois profissionais verem chances reais, isso é um indicativo confiável?
Como dosar esperança e cautela sem cair em idealização?
Vocês já viram casos assim darem certo?
Agradeço muito cada visão, experiência ou orientação.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O investimento que você descreve em si mesmo (terapia, corpo, espiritualidade, projetos) é clinicamente significativo, sobretudo porque não parece ter sido feito como estratégia para recuperar o outro, mas como resposta a um sofrimento. Isso, de fato, pode produzir deslocamentos subjetivos importantes. Contudo, a psicanálise nos lembra que mudanças internas não se verificam apenas pela intenção ou pela sensação de paz atual, mas pela forma como o sujeito se posiciona quando reencontra o outro e os antigos impasses.
Sobre dosar esperança e cautela, talvez a questão não seja conter a esperança, mas interrogar o lugar que ela ocupa: se ela abre espaço para um encontro real, com alteridade e limites, ou se sustenta uma expectativa de retorno a um ideal de relação. A cautela, nesse sentido, não é frieza, mas disponibilidade para acolher qualquer resposta sem que ela invalide o trabalho subjetivo já realizado.
Do ponto de vista psicanalítico, o que você descreve aponta menos para a pergunta “vai ou não vai reatar?” e mais para como o vínculo está sendo simbolizado por cada um neste momento.
Caso sinta necessidade de aprofundar essa reflexão em um espaço de escuta individual, coloco-me à disposição como psicanalista para acompanhamento e elaboração desse processo.
-
Sempre tive problema de manter relacionamentos. Já faço análise, e percebi algumas repetições. Sempr
Sempre tive problema de manter relacionamentos. Já faço análise, e percebi algumas repetições. Sempre senti ciúmes do passado. Imaginava as cenas afetivas e sexuais, isso me dava muita angústia, mas ao mesmo tempo percebi que existia um sutil prazer que se expressava na curiosidade. Quando percebi isso senti mais angústia. Isso é normal? e é possível mudar essas repetições?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O ponto importante que você nomeia: a percepção de um prazer sutil misturado à angústia, é clinicamente muito relevante. A psicanálise reconhece que há formas de satisfação que não se organizam pelo princípio do prazer, mas pelo que Lacan nomeou como gozo: uma satisfação paradoxal, que não alivia, mas insiste, mesmo quando produz sofrimento. A curiosidade compulsiva, nesse sentido, pode funcionar como um circuito de gozo, no qual o sujeito se mantém preso à repetição.
Quando essa dimensão começa a ser percebida conscientemente, é comum que a angústia aumente. Isso ocorre porque algo do funcionamento inconsciente deixa de operar de forma silenciosa e passa a ser interrogado. Longe de ser um sinal negativo, esse aumento da angústia pode indicar que o trabalho analítico está tocando em pontos estruturais da repetição.
Em psicanálise, o que se transforma não é o passado do outro nem a estrutura do desejo, mas a possibilidade de o sujeito não fazer do sofrimento o único modo de se relacionar com o amor. Caso sinta necessidade de aprofundar essa reflexão em um espaço de escuta individual, coloco-me à disposição como psicanalista para acompanhamento e elaboração desse processo.
-
O ciúmes do passado da pessoa é um ciúme projetivo ou delirante? Passo por isso, apesar de não a ver
O ciúmes do passado da pessoa é um ciúme projetivo ou delirante? Passo por isso, apesar de não a ver motivo plausível pra ter medo.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O ciúme direcionado ao passado do parceiro, mesmo sem motivos plausíveis, caracteriza-se como ciúme projetivo na perspectiva psicanalítica. Esse mecanismo ocorre quando conteúdos inconscientes do sujeito como inseguranças narcísicas, medos de abandono ou desejos recalcados são atribuídos ao outro. A projeção funciona como defesa para evitar confronto com conflitos internos, deslocando a fonte de angústia para a história prévia do parceiro.
Diferencia-se do ciúme delirante pela preservação do juízo crítico: o indivíduo reconhece a irracionalidade do medo, embora não o controle.
Estou à disposição para explorarmos estratégias de elaboração dessas dinâmicas ou iniciarmos um processo analítico direcionado.
-
Aconteceu algumas na minha vida ultimamente que tem me deixado bem emotivo e com uma vontade de semp
Aconteceu algumas na minha vida ultimamente que tem me deixado bem emotivo e com uma vontade de sempre desabafar; acham que deveria conversar com o meu analista para aumentar a frequência das sessões, por exemplo, mais de uma sessão por semana? E isso seria proveitoso para o meu tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na psicanálise, não se trata apenas de “falar mais”, mas de criar condições para que o sujeito possa escutar a si mesmo a partir da relação analítica. Por isso, essa decisão não é protocolar: ela se constrói no diálogo, respeitando o tempo, o desejo e as possibilidades de cada analisando.
Se você percebe esse movimento interno, mais emoção, mais urgência de dizer, isso já é, em si, um material clínico valioso. Levar essa questão para a análise pode abrir caminhos importantes para o seu processo.
Como profissional, coloco-me à disposição para conversar sobre isso, acolher essa demanda e, se for o caso, pensar conjuntamente a melhor forma de conduzir o tratamento neste momento, sempre respeitando sua singularidade e o sentido que esse pedido tem para você.
-
Comecei um namoro a poucas semanas. Sabia desde o inicio que ela tinha um filho, no entanto, não era
Comecei um namoro a poucas semanas. Sabia desde o inicio que ela tinha um filho, no entanto, não era um problema pra mim. Quando percebi que estava apaixonado e que iria pedi-la em namoro, um diabinho na minha cabeça fez procurar fotos dela com o ex. E achei. Aniversário, eventos escolares do filho, etc. Foi como se algo me mordesse, virou um pensamento obsessivo, as vezes insuportável. Falei com ela, aliviou um pouco. Quero pensar positivo: que é por que ainda não conheço a família, o filho, ou seja, que ainda não faço parte concretamente da vida dela, e que portanto minha cabeça trabalha livre, fantasiando.Mas tenho medo de não passar e, no desespero, jogar tudo isso fora.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua leitura de que a ausência de uma inserção concreta na vida dela (família, filho, cotidiano) favorece a fantasia é bastante pertinente. Quando o vínculo ainda não está simbolicamente sustentado por experiências compartilhadas, o imaginário tende a ocupar esse espaço vazio. A fantasia, então, trabalha “livremente”, muitas vezes de forma cruel para o próprio sujeito.
O medo de “jogar tudo fora” também merece atenção clínica. Ele indica que você percebe que agir movido pela angústia pode produzir perdas reais, mesmo quando o sofrimento parece insuportável. Esse reconhecimento já é um movimento importante de elaboração. A psicanálise não propõe eliminar o ciúme ou o desconforto de imediato, mas transformar a relação que você tem com esses pensamentos. O que tende a produzir mudança não é provar racionalmente que “não há motivo”, mas compreender por que esse passado toca você dessa forma específica, neste momento da sua história.
Esses movimentos são passíveis de trabalho clínico e não determinam, por si só, o fracasso do relacionamento. Ao contrário, quando elaborados, podem evitar que a repetição leve a rupturas precipitadas.
Caso sinta necessidade, coloco-me à disposição para um acompanhamento psicanalítico, oferecendo um espaço de escuta onde seja possível compreender a origem dessa angústia, o lugar do ciúme na sua história e encontrar formas menos sofridas de sustentar o vínculo sem se perder de si mesmo.
-
O que é a camuflagem social e como ela contribui para a dismorfia corporal?
O que é a camuflagem social e como ela contribui para a dismorfia corporal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A camuflagem social consiste em estratégias usadas para se adaptar às expectativas sociais, como controlar gestos, aparência e comportamentos, muitas vezes à custa de grande esforço psíquico. Esse processo pode gerar desgaste emocional e afastamento da própria espontaneidade.
Ao vigiar constantemente o próprio corpo para corresponder a padrões externos, o sujeito passa a se perceber mais como objeto do que como experiência vivida. Isso pode favorecer o surgimento da dismorfia corporal, marcada por autocrítica intensa, estranhamento e insatisfação com a própria imagem.
Na clínica, compreender a camuflagem social é essencial para acolher esse sofrimento e favorecer uma relação mais integrada e singular com o corpo.
Coloco-me à disposição, enquanto profissional, para acolher e acompanhar pessoas que vivenciam os efeitos da camuflagem social e do sofrimento relacionado à imagem corporal, oferecendo um espaço de escuta ética e sensível, onde seja possível compreender essas experiências, fortalecer a relação com o próprio corpo e construir caminhos mais autênticos de existência, respeitando a singularidade de cada sujeito.
-
Quando a ansiedade com mudanças se torna um problema sério?
Quando a ansiedade com mudanças se torna um problema sério?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na perspectiva psicanalítica, a ansiedade diante das mudanças torna-se um problema sério quando deixa de ser passageira e passa a limitar a vida do sujeito, gerando rigidez, evitação e sofrimento intenso. O novo é vivido como ameaça, despertando angústias profundas e medo de perda de controle ou desintegração.
Essa dificuldade costuma estar ligada a experiências precoces de instabilidade, nas quais a mudança reativa sentimentos de desamparo. O trabalho terapêutico busca ajudar o sujeito a simbolizar essas angústias e ampliar sua tolerância ao novo. Coloco-me à disposição, enquanto profissional, para acolher e acompanhar esse processo de forma ética e sensível.
-
Como saber se a pessoa é autista depois de adulto?
Como saber se a pessoa é autista depois de adulto?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Saber se uma pessoa é autista na vida adulta exige uma avaliação cuidadosa da história de vida, dos vínculos e da forma singular de funcionamento psíquico. Muitos adultos mascaram características do TEA ao longo dos anos, o que pode atrasar o reconhecimento.
Alguns sinais comuns incluem dificuldades persistentes na interação social, necessidade de previsibilidade, interesses intensos e específicos, desconfortos sensoriais e sensação recorrente de inadequação. Muitas vezes, há um histórico de sofrimento emocional que não se explica apenas por diagnósticos como ansiedade ou depressão.
O diagnóstico não se baseia apenas em testes, mas em uma avaliação clínica ampliada, preferencialmente multidisciplinar. Na perspectiva psicanalítica, mais do que rotular, busca-se compreender a singularidade do sujeito. Coloco-me à disposição, enquanto profissional, para acolher e orientar nesse processo de escuta e compreensão.
-
O que são interesses especiais no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
O que são interesses especiais no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na perspectiva psicanalítica, os interesses especiais no TEA são compreendidos como formas singulares de o sujeito organizar sua relação com o mundo e manejar a angústia. Eles funcionam como pontos de segurança e previsibilidade, ajudando a dar contorno ao que pode ser vivido como excessivo ou caótico.
Esses interesses também representam uma modalidade própria de investimento libidinal, não devendo ser vistos apenas como rigidez ou limitação, mas como recursos subjetivos importantes. Muitas vezes, é por meio deles que a pessoa no espectro consegue se expressar, aprender e estabelecer vínculos.
Na clínica psicanalítica, o objetivo não é eliminar esses interesses, mas escutá-los e utilizá-los como vias de acesso ao sujeito, respeitando sua singularidade. Coloco-me à disposição, enquanto profissional, para acompanhar esse processo de forma ética e sensível.
-
. O que pode ser feito para apoiar a reciprocidade social em pessoas com Transtorno do Espectro Auti
. O que pode ser feito para apoiar a reciprocidade social em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na perspectiva psicanalítica, apoiar a reciprocidade social em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) significa reconhecer e respeitar a singularidade de cada sujeito e seu modo próprio de se relacionar com o outro. O foco não está em normalizar comportamentos, mas em favorecer vínculos possíveis, a partir de um espaço de escuta acolhedor, não invasivo e previsível, que permita ao sujeito se aproximar do laço social no seu tempo e à sua maneira.
A valorização dos interesses singulares, a redução de exigências excessivas e a compreensão de que a reciprocidade pode se expressar por gestos sutis e não convencionais são fundamentais nesse processo. Quando o ambiente relacional se torna menos demandante e mais respeitoso, abrem-se possibilidades para trocas autênticas e para a construção de vínculos.
Coloco-me à disposição, enquanto profissional, para acolher, orientar e acompanhar pessoas com TEA e suas famílias, oferecendo um espaço de escuta ética e sensível, que respeite a singularidade subjetiva e favoreça a construção de laços possíveis.
-
Como a busca por sentido se relaciona com o comportamento impulsivo?
Como a busca por sentido se relaciona com o comportamento impulsivo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na perspectiva psicanalítica, o comportamento impulsivo pode ser compreendido como um agir que substitui o pensar. Quando falta um eixo de sentido que organize o desejo, o sujeito fica mais vulnerável à descarga imediata das tensões internas. Assim, a impulsividade não é apenas falta de controle, mas uma forma de lidar com o excesso de angústia diante da ausência de referências internas mais estáveis.
O trabalho terapêutico, especialmente na psicanálise, oferece um espaço para que o sujeito possa falar sobre esse vazio, reconhecer seus conflitos e construir, pouco a pouco, um sentido próprio para sua história. À medida que o sentido se fortalece, a necessidade do agir impulsivo tende a diminuir, pois o sujeito passa a contar com recursos simbólicos para sustentar a angústia sem precisar descarregá-la no ato.
Coloco-me à disposição como profissional para acolher e acompanhar esse processo, ajudando a compreender a relação entre impulsividade, sofrimento psíquico e busca por sentido, respeitando a singularidade de cada trajetória.
-
O que pode desencadear Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial?
O que pode desencadear Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial pode ser desencadeado por fatores interligados de natureza psicológica, neurobiológica e contextual. Predisposições psíquicas são fundamentais, especialmente em indivíduos com tendência à hiper-reflexão e ruminação abstrata, comum em personalidades de traços obsessivos ou esquizoides. Eventos traumáticos existenciais, como confrontos abruptos com a mortalidade (diagnósticos graves, acidentes), perdas significativas ou rupturas de sentido (crises religiosas ou profissionais), frequentemente atuam como catalisadores.
Gatilhos contextuais incluem transições desenvolvimentais críticas, como crises de identidade na adolescência tardia ou meia-idade, quando questionamentos sobre propósito vital tornam-se centrais. Exposição prolongada a conteúdos filosóficos ou científicos complexos sem mediação adequada pode gerar sobrecarga cognitiva, desestabilizando estruturas de significado pré-existentes. O isolamento social também contribui, ao reduzir âncoras relacionais que conferem senso de pertencimento e continuidade. Neurobiologicamente, disfunções em circuitos córtico-estriatais-tálamo-corticais — com hiperatividade do córtex orbitofrontal e alterações nos sistemas serotoninérgicos — criam vulnerabilidade à desregulação. As obsessões surgem como formações de compromisso entre desejos inconscientes de transcendência e angústias arcaicas de desamparo, enquanto as compulsões (rituais mentais, buscas de "certeza") buscam restaurar ilusoriamente o controle através da racionalização excessiva.
A manutenção do quadro ocorre por evitação experiencial (fuga de emoções associadas às dúvidas via intelectualização), fusão pensamento-ação (crença de que refletir intensamente previne catástrofes existenciais) e reforço paradoxal do alívio temporário proporcionado pelas ruminações.
Estou à disposição para esclarecer detalhes, aprofundar mecanismos específicos ou discutir estratégias clínicas personalizadas para este quadro. Caso deseje, podemos agendar uma avaliação para explorar intervenções direcionadas às suas necessidades.
Perguntas frequentes
-
Doente com Cardiomiopatia Hipertrófica Apical e Insuficiência Cardíaca, 68 anos, pode viajar avião?
Em muitos casos a viagem aérea é possível quando a insuficiência cardíaca…