Perguntas do paciente (61)

  • Quase dois meses depois de tomar minha primeira aplicação de Nebido, minha testosterona está baixa n

    Quase dois meses depois de tomar minha primeira aplicação de Nebido, minha testosterona está baixa novamente, isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Testosterona baixa nesse intervalo é o comportamento esperado do esquema, e não sinal de falha do tratamento.

    A primeira ampola de undecilato de testosterona sozinha não sustenta o nível. Por isso a segunda aplicação vem em 6 semanas, e só depois dela o intervalo abre para 10 a 14 semanas. Antes disso o organismo ainda não chegou ao patamar estável.

    Sangue colhido perto do fim do intervalo mede o vale, o ponto mais baixo da curva, e não o efeito médio da medicação.

    Leve a data de cada aplicação e a da coleta ao endocrinologista ou ao urologista que conduz a reposição, porque é o encaixe entre as duas que diz se o esquema está no rumo.


  • fiz a aplicação de tizeroatida na segunda dia 31/08 e desde entao ando tendo episodios de fraqueza,

    fiz a aplicação de tizeroatida na segunda dia 31/08 e desde entao ando tendo episodios de fraqueza, tremores, e palpitação se passo da hora de comer, meu exame de insulina em abril estava 6,6 e refiz ontem agora está em 2,8.
    Com o passar dotempo e o efeito da tg for diminuindo, minha insulina pode voltar? E consequentemente eu não ter mais esses episodios ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Sim, a insulina volta a subir quando o efeito do medicamento diminui.

    A queda no tratamento vem da melhora da sensibilidade à insulina, que caminha com a perda de peso. Na análise de retirada, a insulina de jejum voltou a subir na proporção do peso recuperado.

    Já a ligação entre insulina baixa e esses episódios é frágil. A tirzepatida estimula a insulina de forma dependente da glicose, e o estímulo cessa quando a glicemia normaliza. Sem insulina nem sulfonilureia na receita, hipoglicemia confirmada é rara.

    Fraqueza, tremor e palpitação ao atrasar a refeição costumam vir de outro lugar: comer e beber bem menos que antes, esvaziamento gástrico lento e a resposta ao jejum prolongado. Medir a glicemia no momento do sintoma separa essas hipóteses, e episódio frequente ou intenso não espera a revisão.

    Quem acompanha o tratamento fecha isso com o registro dos episódios em mãos.


  • Minha dieta sendo bem pobre em gorduras faz algum sentido a prescrição de orlistate para o tratament

    Minha dieta sendo bem pobre em gorduras faz algum sentido a prescrição de orlistate para o tratamento da obesidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Faz, com uma condição: o orlistate precisa de gordura na refeição para agir.

    Ele bloqueia a lipase intestinal e impede a absorção de cerca de 30% da gordura ingerida, então o efeito acompanha a quantidade de gordura que entra. A dieta que se recomenda junto com ele não é a de gordura mínima, e sim a de gordura moderada, em torno de 30% das calorias do dia. Abaixo de 20% das calorias vindas de gordura sobra pouco substrato e a medicação perde quase todo o efeito.

    A orientação de reduzir gordura que aparece na bula existe por outro motivo: controlar a diarreia com gordura nas fezes, que é o efeito adverso mais comum da classe.

    São duas orientações que precisam ser combinadas, não somadas. Vale levar as duas, a do nutricionista e a de quem prescreveu, para uma revisão conjunta com endocrinologista.


  • Estou fazendo tratamento para obesidade e meu endocrinologista me receitou orlistate porém a dieta f

    Estou fazendo tratamento para obesidade e meu endocrinologista me receitou orlistate porém a dieta feita pelo meu nutricionita faço questão de preparar cada alimento com quase 0 de gorduras, não faço uso de azeite para temperar saladas ou óleos para fazer o arroz ou ovos, vegetais faço apenas com agua e sal. A minha pergunta é vale a pena seguir a orientação do meu endocrinologista e seguir com o tratamento com o orlistate? Ela vai trazer algum resultado na perda de peso? Vi na bula e na internet que age no intestino tirando a gordura do que comemos e se eu como pouca gordura ele vai tirar essa pouca gordura?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Com muito pouca gordura na refeição, o orlistate tem pouco o que bloquear, e o ganho que ele acrescenta é baixo.

    O medicamento inibe a lipase do intestino e impede a absorção de cerca de um terço da gordura que a refeição traz. Sem óleo, sem azeite e sem fritura, a ação fica reduzida.

    Isso não torna a prescrição sem sentido, por duas razões. A primeira é que gordura não vem só do que se acrescenta no preparo. Carne, ovo, queijo, castanha e refeição feita fora de casa carregam gordura intrínseca, e o medicamento continua agindo. A segunda é que o efeito medido nos estudos nunca foi da medicação isolada: a diferença sobre o placebo gira em torno de 3% do peso corporal, sempre em quem recebia medicação e plano alimentar ao mesmo tempo. A maior parte da perda vem do déficit calórico, e o remédio soma uma parcela.

    Leve essa dúvida ao seu médico, a decisão sobre a manutenção do orlistate é individual, levando-se em consideração colesterol, glicose, constipação, dentre outros benefícios do orlistate fora da obesidade.


  • O orlistate realmente emagrece? Pois estou em obesidade. Além disso devo seguir uma alimentação feit

    O orlistate realmente emagrece? Pois estou em obesidade. Além disso devo seguir uma alimentação feita por um nutricionista junto com essa medicação ou devo continuar a comer de tudo? Já que dizem que se abusar na comida gordurosa ele pode causar uma diarreia muito severa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Emagrece pouco sozinho, e a dieta não é acessório: é o mecanismo.

    O ganho sobre o placebo fica em torno de 3% do peso corporal, algo como 3 kg em 6 a 12 meses, com perto de 70% de quem usa chegando a perder ao menos 5% do peso. Efeito real e modesto, e sempre medido em estudos que davam medicação e dieta hipocalórica juntas, nunca a medicação isolada.

    O orlistate bloqueia a enzima que digere gordura no intestino, então age só sobre a gordura que a refeição traz. Comer de tudo não desliga o remédio, desloca o resultado: o que deixa de ser absorvido vai para o intestino em vez de sair do estoque de gordura do corpo. É por isso que o plano do nutricionista, com gordura controlada e distribuída ao longo do dia, é o que converte o bloqueio em perda de peso.

    Os efeitos digestivos são proporcionais à gordura de cada refeição, o que os torna um termômetro. Fezes oleosas e urgência para evacuar aparecem depois da refeição que passou do ponto, e cedem quando a alimentação se ajusta. Não são sinal de intolerância nem de que o remédio esteja fazendo mal.

    Por quanto tempo manter, e o que fazer quando a perda estaciona, muda conforme o peso de partida e o que já foi tentado antes, e é a parte que rende numa consulta com endocrinologista.


  • Em 1 ano de uso de cerazette percebi aumento de 7 kg. Acredito que ele tenha sido responsável por au

    Em 1 ano de uso de cerazette percebi aumento de 7 kg. Acredito que ele tenha sido responsável por aumentar apetite. Vou iniciar mounjaro e gostaria de saber da opinião de um endocrino se o uso de anticoncepcional impede emagrecimento com mounjaro ou pode causar rebote?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    O anticoncepcional não vai atrapalhar o emagrecimento com tirzepatida. Nos grandes estudos da medicação, quem também usava remédios que costumam engordar (anticoncepcional incluído), emagreceu praticamente o mesmo tanto que os demais.

    O ganho de peso secundário aos anticoncepcionais orais é discreto e possivelmente inexistente. Nas pílulas só de progestagênio, o ganho médio fica abaixo de 2 kg em até 12 meses, e quem não usa hormônio nenhum ganha quase o mesmo com o passar do tempo. Com desogestrel, peso e índice de massa corporal não mudaram, mas o percentual de gordura subiu mais.

    O que existe de verdade é o contrário. A tirzepatida deixa o estômago mais lento, principalmente na primeira aplicação e a cada aumento de dose, e isso atrapalha a absorção da pílula. Por isso a bula orienta associar camisinha ou outro método não oral no começo e em cada subida de dose. Esse cuidado é da tirzepatida, e não vale igual para semaglutida e liraglutida.

    O rebote é a regra quando se interrompe a medicação, e não culpa do anticoncepcional. Converse com seu ginecologista e endocrinologista sobre sua situação e seu medo, existem diversas estratégias que podem ser adotadas para evitar o rebote.


  • A formula destes suplementos Green Select, e a Coenzima Q10, e Picolinato de Cromo e a L carnitina.

    A formula destes suplementos
    Green Select, e a Coenzima Q10, e Picolinato de Cromo e a L carnitina. São seguros para tomar para emagrecer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Segurança e eficácia são perguntas diferentes. Nas doses usuais, coenzima Q10, picolinato de cromo e L-carnitina costumam ser bem tolerados; extratos concentrados de chá verde, como o Green Select, têm relatos raros de problema no fígado, o que pede mais atenção. Já na pergunta que costuma importar, nenhum dos quatro tem evidência consistente de emagrecimento clinicamente relevante: as revisões de ensaios clínicos mostram efeito pequeno ou nenhum. Fórmulas que juntam vários ativos ainda dificultam saber o que está fazendo efeito e o que está causando algum sintoma. Suplemento não substitui a base do tratamento do excesso de peso, que é mudança de alimentação, atividade física, sono e, quando indicado, medicação com eficácia comprovada. Antes de tomar, vale revisar com o médico que acompanha a fórmula, as doses e o que já está em uso.


  • Com resultado do exame litemia em 1.1, é arriscado fazer uso de Mounjaro?

    Com resultado do exame litemia em 1.1, é arriscado fazer uso de Mounjaro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Quem usa lítio pode usar tirzepatida, mas a combinação exige vigilância maior que o habitual, e o motivo é o lítio.

    O lítio tem margem estreita entre a dose que funciona e a que intoxica, e é eliminado pelo rim de forma sensível ao sal e ao volume de líquido do corpo. O que desidrata empurra o nível para cima.

    É aí que a tirzepatida entra. Náusea, vômito, diarreia e a redução da ingestão nas primeiras semanas e a cada aumento de dose mexem nesse volume. Uma série de casos descreveu subida de lítio e intoxicação depois do início de análogo de GLP-1, com função renal estável e sem outra mudança de medicação.

    Na prática, isso significa dosar a litemia antes de começar, repetir semanas depois e a cada subida de dose, e procurar atendimento diante de tremor grosseiro, confusão, fala arrastada, vômito persistente ou desequilíbrio.

    Combinar as duas é decisão que o psiquiatra e o endocrinologista fecham juntos, com o calendário de exames definido antes da primeira aplicação.


  • Com resultado do exame de lítio em 1.1, é arriscado fazer uso de Mounjaro?

    Com resultado do exame de lítio em 1.1, é arriscado fazer uso de Mounjaro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    O lítio tem uma margem estreita entre o nível que trata e o que intoxica. O ponto de atenção com o Mounjaro (tirzepatida) não é uma interação química direta, e sim o efeito digestivo: náusea, vômito, diarreia e menor ingestão de líquidos são comuns no início e a cada aumento de dose, e a desidratação concentra o lítio no sangue, podendo levar à intoxicação. Já existem relatos publicados de intoxicação por lítio depois do início de medicações dessa classe. Não é uma proibição automática, mas é uma combinação que exige plano: alinhar o uso com o médico que prescreve o lítio, repetir a dosagem com mais frequência nesse período, manter boa hidratação e ficar atento a sinais como tremor mais forte, confusão ou vômitos persistentes, que pedem atendimento imediato. A decisão segura é individualizada com quem acompanha os dois tratamentos.


  • Fui diagnosticada com um microadenoma (prolactinoma) depois de um ano tentando engravidar, não tinha

    Fui diagnosticada com um microadenoma (prolactinoma) depois de um ano tentando engravidar, não tinha ciclos menstruais , endométrio atrofico.Fiz o uso de cabergolina e em seguida engravidei , o obstetra e o neuro mandaram suspender o medicamento.Descobri a gestação com 5 semanas , perdi entre a 6 e a 7 semanas .Eu questionei varias vezes sobre a interrupção do tratamento sem exames para acompanhar a prolactina ou a espessura do endométrio, no entando confiei nos profissionais.
    Agora estou aqui sem saber por onde recomeçar , seria o caso de buscar acompanhamento de um endocrinologista ? Não quero desistir de ter um filho mas não quero passar por isso de novo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Sinto muito pela perda. Duas informações podem aliviar o peso que você está carregando: suspender a cabergolina ao confirmar a gravidez é a conduta padrão recomendada para microprolactinoma, e perdas nas primeiras semanas são infelizmente frequentes, na maioria das vezes por alterações do próprio desenvolvimento embrionário. Não há evidência de que a suspensão do remédio nesse momento aumente o risco de perda gestacional, e no microadenoma o risco de crescimento durante a gestação é baixo. Sim, o endocrinologista é o especialista indicado para reorganizar o plano: reavaliar a prolactina, retomar a medicação se ela for necessária para recuperar a ovulação e planejar a próxima gestação junto com o obstetra. Uma nova tentativa costuma ser possível, com acompanhamento desde antes da concepção.


  • Como é feita a interpretação das variações de glicemia no Teste de Tolerância à Frutose? Qual é a el

    Como é feita a interpretação das variações de glicemia no Teste de Tolerância à Frutose? Qual é a elevação esperada nos tempos de 30 e 60 minutos para considerar o teste normal ou alterado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    O que define o teste alterado não é elevação da glicose, é queda.

    A resposta normal à carga de frutose é glicemia estável ou com subida pequena, porque a frutose é metabolizada pelo fígado e ajuda a sustentar a glicose circulante. Na intolerância hereditária à frutose, a falta da enzima aldolase B trava essa via, o fígado deixa de liberar glicose e o valor CAI durante o teste, em geral junto com queda do fosfato sérico. Não existe, portanto, faixa de elevação esperada a conferir meia hora ou uma hora depois da carga: o achado diagnóstico é a hipoglicemia induzida, e a leitura é da direção da curva, não do tamanho da subida.

    Há uma ressalva que pesa mais que a interpretação: as referências atuais desaconselham fortemente realizar esse teste, porque a hipoglicemia provocada pode ser grave e há relato de desfecho fatal. A confirmação hoje é genética, pelo gene ALDOB, sem provocação.

    Má absorção de frutose é outra condição, de transporte intestinal, e não aparece em curva glicêmica nenhuma: investiga-se por teste respiratório de hidrogênio expirado.

    Vale conferir com o endocrinologista ou o gastroenterologista que solicitou qual das duas está em investigação, porque o exame certo muda inteiramente conforme a resposta.


  • Estou fazendo uso do orlistat e metformina em formula, tbm estou usando picolinato de cromo e oleo d

    Estou fazendo uso do orlistat e metformina em formula, tbm estou usando picolinato de cromo e oleo de cartamo, hj fui ao banheiro e minhas fezes saiu com liquido oleoso a laranjado, pode ser devido as medicaçoes?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Sim, o orlistat explica isso. Ele bloqueia as enzimas que quebram a gordura da comida, cerca de 30% da gordura da refeição passa sem ser absorvida e sai como está. A bula descreve essa secreção como clara, alaranjada ou amarronzada, e entre 50% e 70% de quem usa relata fezes oleosas.

    O tamanho do episódio acompanha a gordura da refeição, e suplemento oleoso entra nessa conta como qualquer outra gordura.

    A metformina não faz isso. Ela causa diarreia aquosa, sem óleo.

    O que tiraria a culpa do orlistat seria a saída oleosa continuar depois de interromper o medicamento, principalmente junto de emagrecimento involuntário. Nesse cenário a investigação vira outra, de má absorção.

    Se o efeito estiver atrapalhando a rotina, leve isso a quem prescreveu a fórmula, porque dá para ajustar sem abandonar o tratamento.


  • Sou pre diabética asmática. O que fazer para melhorar o quadro de saúde?

    Sou pre diabética asmática. O que fazer para melhorar o quadro de saúde?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Pré-diabetes é a fase em que dá para mudar o desfecho, e a intervenção mais eficaz não é medicamentosa. No Diabetes Prevention Program, o programa estruturado de mudança de hábitos reduziu em 58% o aparecimento de diabetes tipo 2 em 3 anos, e o benefício se manteve no seguimento longo: 34% em 10 anos, 27% em 15 anos e 24% em 21 anos. As metas eram concretas, e vale conhecê-las porque elas dão a medida do esforço: perda de pelo menos 7% do peso corporal e pelo menos 150 minutos por semana de atividade de intensidade moderada, do tipo caminhada rápida, com acompanhamento estruturado nos primeiros 6 meses e uma fase de manutenção depois. A metformina é a opção farmacológica com melhor dado de eficácia e segurança para prevenção, mas foi menos eficaz que a mudança de hábitos no estudo, com a diferença diminuindo ao longo dos anos, o que a coloca como alternativa em situações específicas e não como primeiro passo automático. Quando existe outra doença crônica em tratamento, como asma, faz diferença que as duas equipes conversem: parte das medicações usadas em crises respiratórias interfere na glicose enquanto está em uso, e saber disso evita interpretar um exame fora de contexto. Definir por onde começar, e se há indicação de medicação, é o tipo de plano que se monta em consulta com endocrinologista.


  • Uma curva glicemica quando realizada em estado de pânico, maos suando, coração acelerado, pode alt

    Uma curva glicemica quando realizada em estado de pânico, maos suando, coração acelerado, pode alterar momentaneamente a glicose? Ficando acima do esperado pra duas horas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Sim, o estresse agudo altera a glicose. Uma crise de ansiedade ou pânico dispara adrenalina e cortisol, hormônios que fazem o fígado liberar glicose e ao mesmo tempo atrapalham a ação da insulina. O resultado pode sair mais alto do que o habitual daquela pessoa, inclusive no valor de 2 horas da curva. Por isso as diretrizes de diabetes listam o estresse agudo entre os fatores que interferem na glicemia e orientam que, em quem não tem sintomas clássicos, nenhum diagnóstico seja fechado com um único exame alterado: o achado sempre pede confirmação. Uma curva feita em dia de crise costuma merecer repetição em condições tranquilas, com jejum adequado e repouso antes da coleta, e vale discutir com um endocrinologista como interpretar o resultado no contexto de cada caso.


  • Quem é diabético pode consumir açúcar demerara no brownie se a receita for essa: 3 ovos 300g de a

    Quem é diabético pode consumir açúcar demerara no brownie se a receita for essa:


    3 ovos
    300g de açúcar demerara
    100g de manteiga
    200g de choc derrotado 70% cacau
    Cacau 100% ( sem açúcar)

    Poderíamos comer 1 pedaço desse brownie se fizermos academia e cardio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Açúcar demerara, mascavo e branco se comportam praticamente igual na glicemia. Os três são quase inteiramente sacarose, e o que muda entre eles é traço de melaço, mineral e polifenol, não o carboidrato que faz a glicose subir. Quem determina o quanto ela sobe depois da refeição é a quantidade total de carboidrato somada ao resto do prato: gordura, proteína e fibra desaceleram a absorção, e por isso um doce com bastante manteiga e cacau costuma elevar menos que a mesma quantidade de açúcar isolado, o que não torna o doce neutro. Trocar o branco pelo demerara, portanto, não funciona como estratégia de controle glicêmico e não deveria ser apresentado como tal. Exercício depois da refeição ajuda de verdade, porque o músculo em atividade capta glicose por uma via que não depende de insulina. Ainda assim ele atenua o impacto daquela refeição, não o anula, e o que pesa no controle é o total de carboidrato do dia e da semana, não o gesto isolado. Quanto de doce cabe na rotina, e com que frequência, depende do controle glicêmico atual e do restante da alimentação, e é o tipo de acerto que se faz com nutricionista ou com endocrinologista que acompanhe o tratamento.


  • Tomo pantoprazol há 3 anos com orientação médica. Agora estou com a glicemia 85 e a hemoglobina glic

    Tomo pantoprazol há 3 anos com orientação médica. Agora estou com a glicemia 85 e a hemoglobina glicada 6.5. Estou com receio de tomar o glifage XR 500mg que me receitaram devido ao tratamento para o estômago. Esse remédio seria prejudicial nesse nesse caso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Não, a metformina não é prejudicial para quem trata o estômago com pantoprazol. As duas podem ser usadas juntas.

    A suspeita de interação existiu, mas o que se mediu em pessoas foi um aumento pequeno da exposição à metformina, cerca de 15%, sem diferença no controle da glicose.

    O desconforto gástrico da metformina não vem de acidez, e a apresentação de liberação prolongada, tomada junto da refeição e com aumento gradual, foi desenhada justamente para reduzi-lo.

    O único cuidado que a combinação pede é dosar vitamina B12 de tempos em tempos, porque as duas medicações reduzem esse nível por caminhos diferentes.

    Leve esse receio à consulta de quem receitou. É uma conversa curta, e ela resolve melhor que adiar o início do tratamento.


  • estou utilizando a caneta emagrecedora Poviztra, e após 2 meses de uso a endocrinologista passou exa

    estou utilizando a caneta emagrecedora Poviztra, e após 2 meses de uso a endocrinologista passou exames de sangue para acompanhar as taxas e levar a consulta. Após quantos dias da última dose da caneta, posso realizar esses exames de sangue?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Não existe intervalo de suspensão a cumprir antes de exame de sangue de rotina em quem usa essa classe de medicações, sejam os análogos de GLP-1, como semaglutida e liraglutida, seja a tirzepatida, que é agonista duplo de GIP e GLP-1. Nenhuma bula e nenhuma diretriz define carência entre a última aplicação e a coleta. A razão é farmacológica: são medicações de meia-vida longa, que mantêm concentração estável ao longo da semana, sem pico agudo depois da injeção capaz de distorcer glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico ou provas de função do fígado e do rim. Mais que isso, o efeito do tratamento é justamente o que o exame precisa mostrar. Coletar longe da aplicação para ver o resultado sem a medicação inverteria o objetivo do acompanhamento, que é medir como o corpo está respondendo ao tratamento em curso. O preparo que continua valendo é o de sempre e depende do exame pedido: jejum quando o item exigir, hidratação normal e informar ao laboratório e a quem for interpretar tudo o que está em uso, inclusive suplemento. Como esse preparo muda de exame para exame e de laboratório para laboratório, a conferência rápida cabe a quem solicitou o painel ou ao endocrinologista que acompanha.


  • Boa noite, O chá de hibisco com cavalinha emagrece? Obrigada ☺️

    Boa noite,
    O chá de hibisco com cavalinha emagrece?

    Obrigada ☺️

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Não emagrece. O hibisco foi testado a sério: uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2024 reuniu 6 ensaios clínicos randomizados, com 339 participantes, e a diferença de peso em relação ao grupo de comparação foi de 0,27 kg, menos de 300 gramas, sem significado clínico nem estatístico. Índice de massa corporal e circunferência abdominal também não se moveram. A cavalinha está em situação diferente e igualmente pouco animadora: não há ensaio clínico avaliando o chá para perda de peso, ou seja, o uso é tradicional e não testado, o que não é o mesmo que comprovado. Vale separar duas coisas que se confundem com facilidade. Erva de efeito diurético faz eliminar líquido, e a balança registra isso em poucos dias, mas perda de líquido não é perda de gordura e volta assim que a hidratação normaliza. Chá também não é sinônimo de inofensivo: a cavalinha tem uso limitado no tempo e é desaconselhada em algumas situações, como doença renal e uso de diurético. Como existem hoje várias estratégias com eficácia demonstrada, e a escolha entre elas muda conforme o peso, os exames e o histórico de cada pessoa, vale levar essa decisão a um endocrinologista em vez de começar pelo chá.


  • É aceitável ingerir bebida alcóolica no tratamento de emagrecimento com tizerpatida?

    É aceitável ingerir bebida alcóolica no tratamento de emagrecimento com tizerpatida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Não existe interação química proibitiva entre álcool e tirzepatida, e sim três pontos práticos que valem a pena conhecer. O primeiro é digestivo: náusea, enjoo e desconforto abdominal são os efeitos mais comuns da medicação, sobretudo no início e a cada aumento de dose, e a bebida empurra no mesmo sentido, de modo que o mal-estar tende a ser maior do que cada um produziria isolado. O segundo é a glicemia. A tirzepatida, que é agonista duplo de GIP e GLP-1 e não um análogo de GLP-1 como a semaglutida, estimula insulina de forma dependente da glicose e por isso quase não causa hipoglicemia sozinha: em ensaio de monoterapia não houve nenhum episódio abaixo de 54 mg/dL, e hipoglicemia clinicamente relevante apareceu em 10% a 14% de quem usava também sulfonilureia, contra 1% a 3% de quem não usava. O álcool age por outra via, travando a produção de glicose pelo fígado, efeito mais forte em quem bebe muito ou de estômago vazio. Somando isso à redução de apetite do tratamento, beber no lugar de uma refeição é a combinação de maior risco. O terceiro ponto é que essa classe costuma reduzir a própria vontade de beber, achado hoje bastante consistente. Quanto cabe, e se cabe, muda com a dose, com as outras medicações em uso e com as condições associadas, e é conversa que rende numa consulta com endocrinologista.


  • Tomo Glifage XR para pré-diabetes e depois que comecei a tomá-lo de madrugada, devido a uma mudança

    Tomo Glifage XR para pré-diabetes e depois que comecei a tomá-lo de madrugada, devido a uma mudança nos meus horários, notei que a minha glicemia em jejum baixou. Antes eu tomava por volta das 21 horas, agora tomo por volta da 1/2 da manhã. Será que estou melhor metabolicamente ou isso ocorreu devido a mudança do horário do remédio? Antes ficava entre 102 a 111 e agora fica de 98 a 103.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Provavelmente não mudou nada, e essa é a hipótese que quase ninguém considera.

    A glicemia de jejum varia sozinha muito mais do que parece. Na mesma pessoa, sem diabetes, a diferença de uma manhã para outra gira em torno de 7,5 mg/dL, quase um terço da distância que separa uma glicemia normal de uma na faixa de diabetes. Num estudo com sensor, 40% de quem mediu normal na primeira vez caiu na faixa de pré-diabetes ao repetir.

    O horário muda a farmacocinética, mas não como se espera. A metformina de liberação lenta leva cerca de 7 horas para chegar ao pico, então o comprimido do jantar já cobre a madrugada. Nenhum estudo comparando jantar e hora de dormir mostrou vantagem na glicemia de jejum.

    E há um ponto contra: esse remédio é bem melhor absorvido junto com comida. De estômago vazio, na madrugada, a absorção cai.

    Quem muda de horário também muda sono, hora do jantar e tempo de jejum. Se houve ganho real, é mais provável que tenha vindo daí.

    A série completa de manhãs e a hemoglobina glicada respondem isso na revisão com o endocrinologista ou com o médico que acompanha, e existem caminhos melhores que mexer no horário quando a intenção é baixar o jejum.


Perguntas frequentes

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