Perguntas do paciente (61)

  • meu endocrinologista me receitou gastrinona + testosterona sublingual. Ao mesmo tempo que os hormoni

    meu endocrinologista me receitou gastrinona + testosterona sublingual. Ao mesmo tempo que os hormonios iniciei o uso do minoxidil oral e outros manipulados para tentar conter os possiveis colaterais. Estou fazendo o uso há um mes e na segunda senma senti um aumento progressivo de queda de cabelo, os fios que caem são grossos. Senti o aumento do crescimento de cabelos acima da testa assim como pelo corpo todo. Isso se da pelo uso dos hormônio ou sera o Minoxidil?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Nas primeiras semanas, a aposta é o minoxidil.

    Ele empurra de uma vez os fios em repouso para a fase de crescimento, e nessa virada o fio velho sai inteiro, com a bolinha na ponta. Daí a impressão de fio grosso caindo. Acontece com 16% a 22% de quem usa, começa nas primeiras semanas e passa sozinho em cerca de 2 meses. É sinal de que o cabelo está trocando de fase, e é justamente nesse ponto que muita gente abandona o tratamento.

    A testosterona derruba cabelo por outro caminho e em outro tempo: afina o fio nas entradas e no alto da cabeça ao longo de 2 a 5 anos. Não produz queda em bloco em poucas semanas.

    Falta considerar uma terceira hipótese, que costuma andar junto e passar despercebida: queda por ferro baixo, vitamina D baixa, tireoide, perda rápida de peso ou doença recente. Essa começa 2 a 4 meses depois do gatilho. Ferritina, TSH e vitamina D respondem.

    O pelo aumentando no corpo e acima da testa vem dos dois, e no minoxidil depende da dose.

    Levar as datas de início de cada medicação para uma avaliação do couro cabeludo resolve isso rápido, com dermatologista ou com o endocrinologista que conduz a reposição. Quase sempre dá para tratar a queda sem suspender o que está funcionando.


  • tenho Hipertireoidismo e estou tomando Tapazol e Cloridrato de propranolol, faz três meses , estou t

    tenho Hipertireoidismo e estou tomando Tapazol e Cloridrato de propranolol, faz três meses , estou tendo uma queda de cabelo acentuada. É normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Queda de cabelo nesse contexto é comum e tem três explicações possíveis, que costumam se sobrepor. A primeira é o próprio hipertireoidismo: o excesso de hormônio tireoidiano empurra muitos fios para a fase de queda ao mesmo tempo, quadro chamado eflúvio telógeno, e deixa o cabelo mais fino e quebradiço. A segunda é o metimazol, princípio ativo do Tapazol, que traz queda anormal de cabelo listada em bula como reação adversa menor. Em série de doença de Graves em crianças e adolescentes ela apareceu em cerca de 0,3% dos casos, ou seja, 3 em cada 1.000 pessoas tratadas, ou seja, é real mas incomum, e a maioria das reações a antitireoidiano surge nos primeiros meses de tratamento. A terceira, menos lembrada, é a própria normalização da tireoide: o eflúvio telógeno é disparado por qualquer mudança fisiológica brusca, e sair da tireotoxicose é uma delas, de modo que a queda pode aumentar justamente quando o tratamento está dando certo, com algumas semanas de atraso em relação ao gatilho. A parte boa é que o eflúvio telógeno é reversível, porque o folículo não é destruído: o cabelo volta a crescer depois que a causa se estabiliza, ainda que a densidade demore meses para se recompor. Separar essas causas exige olhar o momento do tratamento, a evolução dos exames e o padrão da queda, e é uma distinção que o endocrinologista que acompanha faz na revisão, sem dificuldade.


  • Boa noite tenho Hashimoto e hipertiroidismo tomava 2 tapazol de 10 mg por dia um pela manhã outro a

    Boa noite tenho Hashimoto e hipertiroidismo tomava 2 tapazol de 10 mg por dia um pela manhã outro a noite o médico mandou a três semanas atrás eu tomar os dois comprimidos pela manhã só que últimos dias comecei a me sentir muito cansada e falta de ar hj tomei um de manhã e outro a tarde não me senti cansada e agora estou com insônia o que posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Dividir o metimazol em duas tomadas ou concentrar tudo pela manhã dá o mesmo resultado. Nas doses baixas e intermediárias os dois esquemas são equivalentes, então o horário não explica o cansaço.

    O que explica costuma ser uma de três coisas.

    Tratamento passando do ponto, com o hormônio caindo abaixo do necessário: cansaço, falta de ar aos esforços e desânimo.

    Tireotoxicose ainda ativa, o oposto: fraqueza de coxas e braços, falta de ar, palpitação e insônia.

    Anemia, comum junto com doença da tireoide e capaz de explicar tudo sozinha.

    Um sinal não espera revisão: febre com dor de garganta em quem usa metimazol pede hemograma no mesmo dia, porque a queda dos glóbulos brancos de defesa é o efeito adverso mais sério da medicação.

    Separar as três é trabalho de exame. Vale marcar revisão com o endocrinologista levando os exames mais recentes e a data em que o esquema mudou.


  • É possível a pessoa ser diagnosticada com resistência a insulina e os valores da glicose em jejum e

    É possível a pessoa ser diagnosticada com resistência a insulina e os valores da glicose em jejum e hemoglobina glicada estarem dentro dos padrões considerados normais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Sim, é possível e é até o esperado. A resistência à insulina costuma existir anos antes de qualquer alteração da glicose: o pâncreas compensa produzindo mais insulina, e a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada seguem normais enquanto essa compensação dura. Estudos com metodologia rigorosa mostram que cerca de 1 em cada 5 adultos com glicose normal já tem resistência à insulina, proporção bem maior em quem tem excesso de peso. A avaliação junta sinais clínicos, como acúmulo de gordura abdominal, acantose nigricans (escurecimento aveludado de dobras da pele) e triglicerídeos altos com HDL baixo, com índices como o HOMA-IR, que ajudam mas têm limitações e não fecham o quadro sozinhos. Essa é justamente a fase em que mudança de alimentação, atividade física e sono têm o maior efeito, antes de qualquer remédio. Diante de sinais como esses, procurar um endocrinologista para discutir o caso em detalhe é o caminho para montar a investigação e a conduta certas para cada pessoa.


  • Estou tomando ciprofibrato a 6 dias e notei que nos últimos dois dias a minha glicose tem oscilado b

    Estou tomando ciprofibrato a 6 dias e notei que nos últimos dois dias a minha glicose tem oscilado bastante pela manhã, tem alguma relação com o uso da medicação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Oscilação de glicose pela manhã não é efeito esperado do ciprofibrato. A tendência da classe vai no sentido contrário: os fibratos reduzem um pouco a glicemia de jejum e a resistência à insulina, sem mudar a hemoglobina glicada, e o ciprofibrato foi testado em diabetes tipo 2 sem interferir no controle glicêmico.

    A exceção é a combinação. Junto com sulfonilureia ou insulina, os fibratos aumentam o risco de hipoglicemia, e aí a queda pode aparecer como variação matinal.

    Fora isso, variação da glicemia de jejum em dias seguidos tem causas mais frequentes que o remédio novo: a refeição da noite anterior, noite mal dormida, infecção, corticoide e a margem de erro do próprio aparelho de ponta de dedo.

    Havendo sulfonilureia ou insulina na receita, vale conferir a associação com quem acompanha o tratamento, levando as medidas anotadas com horário.


  • Tenho hipotireoidismo tomo o remédio de 50mg ,agora estou tomando cratina ,eu posso tomar laranja m

    Tenho hipotireoidismo tomo o remédio
    de 50mg ,agora estou tomando cratina ,eu posso tomar laranja mouro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Nem a creatina nem preparações de laranja têm interação descrita com a levotiroxina. O que muda o resultado é o horário.

    A absorção do hormônio depende de estômago vazio e de acidez gástrica. A orientação da bula é tomar em jejum, de 30 a 60 minutos antes do café da manhã, engolindo o comprimido inteiro com água.

    O que atrapalha de verdade é conhecido: cálcio, ferro, soja, alimentos ricos em fibra e alguns medicamentos, com separação recomendada de pelo menos 4 horas para vários deles.

    A regra prática que resolve quase tudo é manter a levotiroxina sozinha no jejum e deixar suplementos, café e demais remédios para depois, sempre no mesmo esquema todos os dias, porque a constância é o que torna o TSH interpretável.

    Contar essa mudança de rotina a quem acompanha a tireoide vale mais do que parece: é esse dado que decide se um TSH fora do lugar significa dose errada ou horário errado.


  • Sobre a Tireoidite de Hashimoto Devemos apenas acompanhar os exames e aguardar a falha da tireoide

    Sobre a Tireoidite de Hashimoto
    Devemos apenas acompanhar os exames e aguardar a falha da tireoide
    ou tem métodos de prevenção?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    A tireoidite de Hashimoto costuma evoluir devagar, e boa parte das pessoas passa anos, às vezes a vida inteira, sem desenvolver hipotireoidismo. Quando o TSH já está levemente alterado, a progressão para hipotireoidismo franco gira em torno de 2 a 4% ao ano. Até hoje nenhuma intervenção se mostrou capaz de impedir essa evolução: o selênio reduz os anticorpos no exame, mas não mudou o desfecho clínico nos estudos, e dietas restritivas não têm comprovação. O que tem respaldo é evitar excesso de iodo, como suplementos e polivitamínicos iodados sem indicação, que acelera a progressão em quem tem anticorpos positivos, e manter o acompanhamento periódico da função tireoidiana, que permite iniciar o tratamento no momento certo, quando e se ele for necessário. A frequência ideal dos exames e o momento certo de iniciar tratamento variam de pessoa para pessoa, e essa calibragem é conversa para uma consulta com endocrinologista.


  • Acabei de descobrir o hipertireoidismo a médica me passou tapazol de 10mg e propranolol minha dúvida

    Acabei de descobrir o hipertireoidismo a médica me passou tapazol de 10mg e propranolol minha dúvida é o propranolol já que tenho bronquite asmática devo ou não tomar? Existe um substituto para a taquicardia, ansiedade e tremores?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Asma brônquica é contraindicação formal ao propranolol, e existem substitutos.

    O propranolol é betabloqueador não seletivo, e a bula aprovada lista asma brônquica como contraindicação absoluta: ao bloquear a broncodilatação mediada por adrenalina, ele pode desencadear crise. A diretriz da American Thyroid Association diz o mesmo, com a razão por trás: nas doses usadas na tireotoxicose, os betabloqueadores disponíveis não têm seletividade suficiente, e a classe é em geral contraindicada em doença broncoespástica.

    As alternativas vêm em duas famílias. Com doença respiratória leve ou estável, a diretriz admite um betabloqueador relativamente cardiosseletivo, como atenolol ou metoprolol, sob monitoramento cuidadoso. Quando qualquer betabloqueador é inviável, entram os bloqueadores de canal de cálcio não di-hidropiridínicos, diltiazem ou verapamil, que controlam a taquicardia sem efeito sobre os brônquios.

    As duas famílias não entregam a mesma coisa. Palpitação e frequência cardíaca respondem a ambas; tremor e agitação de origem adrenérgica respondem melhor aos betabloqueadores, e essa diferença costuma decidir a escolha.

    Discuta o seu caso com um endocrinologista levando a informação sobre asma, ele poderá lhe ajudar e lhe apresentar outras opções.


  • Um problema de hipertiroidismo que está sendo tratado já a quase 3 anos e até agora con troca de med

    Um problema de hipertiroidismo que está sendo tratado já a quase 3 anos e até agora con troca de medicamentos sem controle ainda pode causar a morte do paciente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Hipertireoidismo que segue descontrolado por anos traz risco real. Insistir no comprimido é conduta legítima, e ainda assim existe um ponto de virada.

    O perigo vem do excesso de hormônio mantido, não do tratamento. Ele acelera o coração, favorece fibrilação atrial, pode levar a insuficiência cardíaca e consome massa óssea. A crise tireotóxica, a complicação aguda grave, é rara e costuma vir de infecção, cirurgia ou parada abrupta do remédio.

    As causas se separam: dose insuficiente, uso irregular, e um quadro que não remite com comprimido, como o nódulo que produz hormônio por conta própria. Nessa última, as diretrizes indicam o tratamento definitivo mais cedo, iodo radioativo ou cirurgia, sem esperar tentativas sucessivas.

    Leve essa pergunta ao endocrinologista que acompanha: escolher entre insistir e partir para o definitivo depende da causa, do coração e do que a doença já afetou.


  • Tenho arritmia cardíaca, e tomo o remédio concor 1.5. Posso fazer o uso do cha da folha da amora par

    Tenho arritmia cardíaca, e tomo o remédio concor 1.5. Posso fazer o uso do cha da folha da amora para melhorar os fogachos da menopausa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    A folha de amora não tem eficácia estabelecida para fogacho.

    O único dado humano controlado é um estudo pequeno com pó da folha de amora preta, a espécie mais usada aqui, com melhora de sintomas do climatério. Estudo pequeno abre hipótese, não estabelece tratamento. Da amora branca, vendida com o mesmo nome, não há ensaio para fogacho: ela é estudada para glicemia e colesterol.

    Chá também não é sinônimo de inofensivo: fitoterápico tem princípio ativo e a quantidade varia de lote para lote. Com medicação para o coração em uso, a preocupação passa a ser interação e efeito sobre ritmo e pressão.

    Existe tratamento com eficácia medida, hormonal e não hormonal, e a escolha depende de idade, tempo de menopausa e do quadro cardiovascular.

    Vale levar o fogacho ao ginecologista e ao cardiologista na mesma consulta: é o cruzamento das duas leituras que abre as opções com eficácia comprovada.


  • Tenho 29 anos, minha testosterona sempre foi abaixo de 500, isso é normal? Mesmo fazendo musculação

    Tenho 29 anos, minha testosterona sempre foi abaixo de 500, isso é normal? Mesmo fazendo musculação desde os 17 anos ela sempre foi esse valor, nunca passou de 500, posso ter problemas futuros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    O limite que define hipogonadismo é bem mais baixo do que a maioria imagina.

    Pela diretriz da Endocrine Society, o limite inferior da normalidade da testosterona total em homem jovem e não obeso, com ensaio padronizado, é 264 ng/dL. A régua prática trabalha com três faixas: valor matinal acima de 346 ng/dL praticamente afasta hipogonadismo, abaixo de 230 ng/dL o sugere com força, e entre os dois há uma zona indeterminada que só se resolve olhando o quadro clínico. Um valor que fica confortavelmente acima do limite é normal mesmo quando parece baixo perto do topo da faixa impressa no laudo, e as faixas de laboratórios sem ensaio certificado variam bastante entre si.

    A medida também depende de como foi feita: coleta pela manhã, em jejum, e confirmação em outro dia, porque o hormônio oscila ao longo do dia e de um dia para o outro. Na zona indeterminada entram testosterona livre, LH e SHBG, que separam causa testicular de causa central.

    Musculação não eleva a testosterona de repouso de forma sustentada. O treino de força produz picos agudos que voltam ao basal em poucas horas, e isso não aparece como valor basal mais alto no exame.

    Quanto a problemas futuros, o que tem consequência conhecida sobre osso, massa muscular e metabolismo é hipogonadismo confirmado, com exame alterado E sintomas, não um número estável dentro da normalidade em quem se sente bem. Havendo sintoma associado, como cansaço persistente, queda de libido ou disfunção erétil, a repetição matinal com LH e SHBG passa a valer, e é o endocrinologista quem lê esses resultados em conjunto.


  • amo doces mas recentemente soube que estou com 121 de glicose, tenho histórico na família, ainda pos

    amo doces mas recentemente soube que estou com 121 de glicose, tenho histórico na família, ainda posso consumir isoladamente algum doce (como sorvetes, bolos, refrigerantes)(uma vez no mês/duas)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Doce esporádico não é o que decide o rumo do pré-diabetes.

    O que muda a trajetória é o padrão alimentar do dia a dia e o peso: programas de estilo de vida com perda em torno de 7% do peso reduziram em 58% o aparecimento de diabetes em 3 anos.

    O sinal de risco ligado a açúcar aparece no consumo habitual, com dose-resposta: cada porção diária a mais de bebida açucarada se associa a 13% a 18% mais risco, e o consumo de 2 ou mais porções por dia chegou a 41%. O açúcar total da dieta, quando se tira a bebida da conta, não aparece associado ao pré-diabetes.

    Refrigerante é caloria líquida, que não sacia e vira hábito diário; bolo e sorvete de vez em quando entram no total calórico da semana.

    Com histórico familiar na jogada, montar esse plano com endocrinologista e nutricionista rende mais do que uma lista de proibições.


  • Emagreci 17 kilos com a tireoide passou o tapazol vou recupera o peso?

    Emagreci 17 kilos com a tireoide passou o tapazol vou recupera o peso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Provavelmente sim. O peso perdido com a tireoide acelerada quase sempre volta inteiro depois que o hormônio é controlado, e não é raro passar um pouco do peso anterior. Em média, homens ganham perto de 8 kg e mulheres perto de 5,5 kg.

    O tamanho do ganho não é fixo. Com comprimido, que é o caso do Tapazol, ele é o menor; com cirurgia, o maior. E qualquer período em que o tratamento passe do ponto, deixando a tireoide com hormônio de menos, empurra o peso além do necessário.

    O que volta primeiro é massa magra, e a gordura sobe depois. Por isso balança e espelho discordam nos primeiros meses.

    O ganho se concentra nos 12 a 24 meses seguintes ao controle, e essa janela é curta. Alimentação, musculação e o ajuste fino da dose mudam bastante o desfecho, e vale desenhar isso já na próxima consulta de tireoide.


  • Gostaria de uma orientação sobre meu caso porque estou bastante preocupada. Tive uma queda de cabelo

    Gostaria de uma orientação sobre meu caso porque estou bastante preocupada. Tive uma queda de cabelo importante após parar de amamentar meu primeiro filho em 2018, depois de cerca de 3 anos e 7 meses de amamentação. Agora, em 2026, após desmamar meu segundo filho depois de aproximadamente 3 anos e 9 meses, a queda voltou ainda mais intensa. Desde a primeira grande queda meu cabelo nunca mais voltou totalmente ao normal, apenas alterna períodos melhores e piores.

    Também percebi sensibilidade nas mamas após o desmame e comecei a ter medo de alterações hormonais mais importantes. Minha preocupação aumentou porque minha mãe faleceu por câncer de suprarrenal, então tenho receio de que meus sintomas possam ter relação com andrógenos altos ou algum problema adrenal.

    Não tenho diagnóstico de SOP e não sei se meus sintomas parecem mais compatíveis com alterações hormonais do pós-desmame/eflúvio telógeno, alopecia androgenética feminina ou algo endócrino mais relevante.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Queda que volta depois do desmame costuma ser eflúvio telógeno, o mesmo mecanismo da queda pós-parto.

    Na gestação o estrogênio segura o fio na fase de crescimento; quando a amamentação termina, estrogênio e prolactina caem de uma vez e muitos folículos entram em repouso junto, caindo 2 a 4 meses depois. Sozinho, isso se resolve em 6 a 9 meses.

    O desmame concentra outras causas que se somam: reserva de ferro esvaziada pela gestação e pela amamentação, tireoidite pós-parto, outras carências alimentares, e a calvície de padrão feminino que já existia e ficou visível quando o eflúvio afinou o restante.

    Volume que nunca voltou entre um episódio e outro pesa a favor dessa última, porque eflúvio isolado costuma recuperar. Ferritina, tireoide e exame do couro cabeludo separam as hipóteses, e a investigação rende mais dividida entre endocrinologista e dermatologista.


  • Sou pré diabética , e o endócrino receitou Nesina met 12,5 / 850 mg 2 vezes ao dia , porém a bula do

    Sou pré diabética , e o endócrino receitou Nesina met 12,5 / 850 mg 2 vezes ao dia , porém a bula do remédio informa que é indicado para pessoas diabéticas .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Bula com indicação de diabetes numa receita para pré-diabetes é situação prevista. Nenhum medicamento tem registro para pré-diabetes, então tudo que se prescreve nessa fase é uso fora de bula, o que é legal quando existe evidência que sustente.

    A evidência é forte na metformina. Ela reduziu em cerca de 31% os casos novos de diabetes no maior ensaio de prevenção, e é a medicação que as diretrizes recomendam nesse cenário, para grupos específicos: obesidade, idade mais jovem, glicemia próxima do limite e antecedente de diabetes gestacional.

    A parte gliptina da combinação é outra história. Os inibidores de DPP-4 foram testados para prevenir diabetes e não reduziram a progressão.

    Isso não torna a receita errada: há motivos individuais para a combinação, e às vezes o diagnóstico está mais adiantado do que a palavra pré-diabetes sugere.

    Pergunte ao endocrinologista que prescreveu por que a combinação em vez da metformina isolada. A resposta costuma esclarecer o diagnóstico junto.


  • Sou uma pessoa obesa e estou pensando em iniciar minha transição de gênero com acompanhamento médico

    Sou uma pessoa obesa e estou pensando em iniciar minha transição de gênero com acompanhamento médico. Porém, tenho dúvidas e receios em relação ao meu peso.

    É possível emagrecer durante a transição hormonal? Ou seria mais recomendado perder peso antes de começar a terapia hormonal?

    Tenho medo de iniciar os hormônios e depois ter dificuldade para emagrecer, ou de a distribuição de gordura corporal e as mudanças físicas não acontecerem da melhor forma por eu estar acima do peso. Também me preocupo com o resultado estético da feminização corporal caso eu comece a transição antes de emagrecer.

    P.S.: : fui designada homem ao nascer e desejo realizar minha transição para viver externamente minha identidade de gênero como mulher trans

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Emagrecer durante a hormonização é possível, e não há evidência que sustente exigir perda de peso antes de começar. As diretrizes atuais tratam peso e hormônio como cuidados simultâneos, e adiar a terapia hormonal cobra um preço conhecido em saúde mental.

    O que a hormonização faz com o corpo é redistribuir, mais do que reduzir. Sob estrogênio, a gordura migra para quadril, coxas e mamas, a massa magra cai um pouco e o peso tende a subir de forma modesta. A feminização corporal acontece independentemente do ponto de partida do peso.

    Isso também explica por que a balança confunde nessa fase. Peso estável com cintura menor e quadril maior é resultado bom, e só aparece se a medida de fita entrar no acompanhamento.

    Marcar essa conversa com endocrinologista antes de começar organiza as duas coisas de uma vez: o esquema hormonal e o plano para o peso, com metas que não competem entre si.


  • Hashimoto + hipotireoidismo causa baixa de plaquetas?

    Hashimoto + hipotireoidismo causa baixa de plaquetas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Pode, por dois caminhos diferentes, e a distinção muda o que se investiga.

    O primeiro é o próprio hipotireoidismo não tratado, que derruba um pouco as plaquetas junto com o resto da coagulação. É uma redução discreta, e ela se corrige quando o hormônio volta ao lugar com a levotiroxina.

    O segundo é a companhia autoimune. Hashimoto e púrpura trombocitopênica imune aparecem juntas com frequência maior que o acaso. Nesse cenário a queda costuma ser mais acentuada, e parte das pessoas melhora as plaquetas quando a tireoide é acertada.

    A terceira possibilidade é a causa não ser a tireoide: medicamento, infecção viral, deficiência de vitamina B12 ou de ácido fólico, doença do fígado.

    O tamanho da queda e o hemograma repetido separam as três. Vale levar essa dúvida com os hemogramas anteriores ao endocrinologista, e há casos em que ele chama o hematologista para a leitura.


  • Porque o quetipin é contra indicado para diabético?

    Porque o quetipin é contra indicado para diabético?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    A quetiapina não é contraindicada em diabetes. Ela entra na lista de cuidado porque piora o controle glicêmico, e a bula traz o alerta de classe dos antipsicóticos atípicos para hiperglicemia.

    O efeito vem de três coisas que se somam: ganho de peso, aumento da resistência à insulina e elevação de triglicerídeos. Mesmo em dose baixa, a usada fora de bula para insônia e ansiedade, o uso continuado se associa a subida de hemoglobina glicada e a mais casos novos de diabetes.

    Em quem já tem diabetes, isso significa duas coisas. A medicação segue possível quando há indicação psiquiátrica clara e nenhuma alternativa mais leve resolve o mesmo problema. E o controle passa a ser vigiado: peso, glicemia, glicada e lipídios antes de começar e nos meses seguintes.

    Trocar ou manter é decisão conjunta entre quem prescreve o psicotrópico e quem cuida do diabetes, e vale pedir essa conversa entre os dois em vez de escolher de um lado só.


  • Eu tenho 32 anos, peso por volta de 90kg e estou no processo de emagrecimento, faz 1 ano que eu freq

    Eu tenho 32 anos, peso por volta de 90kg e estou no processo de emagrecimento, faz 1 ano que eu frequento a academia e já mudei bastante, mas ainda tenho barriga e bastante gordura pra queimar.

    Fiz meus exames de sangue e meu colesterol LDL está por volta de 230, porém triglicerideos e outros estão super ok.

    Eu sou natural, tomo pré treino, creatina e zma apenas, e esqueci de perguntar para o médico e como é SUS, não consigo perguntar novamente...

    Então se alguém souber, vai a dúvida.

    Existe alguma contra indicação ou é perigoso tomar pré treino/ ingerir cafeina / tomar energético ou tomaf creatina com colesterol alto?

    Eu comecei a tomar rocusoreze que dizem que diminui bastante o colesterol em 2 semanas, mas é uso contínuo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Cafeína e creatina não elevam o LDL, e nenhuma das duas tem contraindicação por colesterol alto.

    Cafeína pura foi testada em ensaios duplo-cegos com cápsulas e não aumentou o LDL. Quem eleva colesterol no café é o cafestol, um diterpeno do óleo do grão. O que importa, então, é o preparo: cafestol é alto na prensa francesa e no café fervido, intermediário no espresso e na moka, e desprezível no coado em papel e no instantâneo. Consumo alto de café não filtrado elevou o LDL em cerca de 17,8 mg/dL em comparação com o filtrado.

    Creatina não tem sinal de piora do perfil lipídico, e o mesmo vale para o zinco e o magnésio das fórmulas de ZMA. Nos pré-treinos e energéticos, o ponto de atenção não é o colesterol, é a carga de estimulante somada ao açúcar de algumas versões, que pesa sobre pressão e ritmo cardíaco.

    Nesse conjunto de exames o que pede atenção é outra coisa. LDL bastante elevado com triglicerídeos normais, em adulto jovem sem tratamento prévio, é o padrão que faz suspeitar de hipercolesterolemia familiar, e o limiar que dispara a investigação é LDL igual ou acima de 190 mg/dL. Isso muda a conduta: a origem é genética, o risco começa cedo e passa a valer rastrear pais, irmãos e filhos.

    Sobre a estatina, uso contínuo está correto e não indica falha: o efeito máximo aparece em cerca de 4 semanas e se desfaz quando o tratamento para.

    Levar esse resultado, com o histórico familiar de colesterol e de infarto precoce, a um endocrinologista ou cardiologista muda mais o desfecho do que qualquer ajuste de suplemento.


  • Foi encontrado em meu exame LH, FSH , estradiol baixo , prolactina alterada . Menstruação com nive

    Foi encontrado em meu exame LH, FSH , estradiol baixo , prolactina alterada .
    Menstruação com nivel bem baixo , dores fortes de cabeça, solicitado a RM de sela turcica e não foi encontrado nenhum tumor
    É possivel ter passado algum microadenoma despercebido ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marcio Gester

    Pode, e isso é limitação do exame, não descuido de quem laudou.

    Ressonância sem contraste encontra o microadenoma em pouco mais da metade dos casos; com técnica dinâmica com contraste, perto de 85%. As lesões que escapam têm em média 2,8 mm. Sobra algo entre 13% e 20% de exames normais que não são normais. Protocolos mais novos, com cortes finos, acham o que a técnica clássica não acha, então repetir em serviço acostumado com hipófise não é repetir o mesmo exame.

    Antes disso, porém, vem um passo mais produtivo: as causas que não são tumor são mais comuns e quase todas se resolvem. Remédio vem primeiro: antipsicótico, metoclopramida, domperidona, antidepressivo, opioide, alfametildopa, verapamil, antiácido. Depois hipotireoidismo, que sobe a prolactina e cede tratando a tireoide. E a macroprolactina, uma pegadinha do laboratório: uma prolactina grande e sem efeito no corpo que o exame conta junto e infla o resultado, responsável por 10% a 25% dos casos e descartável com um teste no mesmo sangue. Gravidez e o estresse da coleta também levantam o valor.

    Um endocrinologista acostumado com hipófise vai querer fechar essas causas antes de repetir imagem, e essa ordem muda bastante o que será feito.


Perguntas frequentes

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