Perguntas do paciente (1175)

  • Perdi alguém recentemente por erros que cometi, não mudei atitudes que machucavam a pessoa. E agora

    Perdi alguém recentemente por erros que cometi, não mudei atitudes que machucavam a pessoa. E agora que perdi, estou mudando essas atitudes por mim mas a culpa do “e se eu tivesse mudado antes”, continua vindo a tona…. O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Talvez seja importante você tomar consciência de que, naquele momento, você tinha seus motivos para não conseguir iniciar essa mudança antes, mesmo que hoje enxergue diferente. Isso não anula a dor ou a culpa, mas ajuda a compreender que você estava lidando com o que era possível para você naquele contexto. Agora você descreve um movimento de mudança por você, e isso já é significativo. Ao mesmo tempo, pode ser válido se perguntar se não faltou, naquele período, algum espaço ou suporte para que essa mudança pudesse acontecer, porque nem sempre conseguimos fazer esses movimentos sozinhos. A culpa costuma trazer muito esse “e se...”, mas talvez o caminho não seja responder a essa pergunta, e sim olhar para o que você está fazendo com isso hoje, como está se responsabilizando e o que está construindo a partir dessa experiência. O acompanhamento psicológico pode ser um espaço importante para elaborar essa perda, essa culpa e sustentar essas mudanças de forma mais consistente.


  • É possível construir uma identidade autêntica através da psicoterapia?

    É possível construir uma identidade autêntica através da psicoterapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Sim, a psicoterapia pode ajudar você a se aproximar de uma identidade mais autêntica, porque oferece um espaço para se ouvir, se questionar e compreender melhor o que faz sentido para você, para além de expectativas externas ou padrões que foram sendo incorporados ao longo da vida, mas isso é um processo que leva tempo e depende muito do seu comprometimento, da sua disponibilidade para se olhar e de sustentar esse movimento ao longo do acompanhamento.


  • É possível ser "autêntico" e ainda assim mudar de opinião e estilo frequentemente?

    É possível ser "autêntico" e ainda assim mudar de opinião e estilo frequentemente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Sim, é possível, porque ser autêntico não significa ser rígido ou fixo. A autenticidade está mais ligada a estar em contato com o que faz sentido para você em cada momento, e isso pode mudar ao longo do tempo conforme você vive novas experiências, revê ideias e se transforma. Mudar de opinião ou de estilo não invalida quem você é, mas pode indicar justamente um movimento de construção de si mesmo.


  • De que forma o "Vazio Ontológico" se diferencia da depressão comum?

    De que forma o "Vazio Ontológico" se diferencia da depressão comum?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    O vazio ontológico está relacionado a uma sensação de falta de sentido, propósito ou direção na vida, mesmo quando, aparentemente, tudo está “funcionando”, enquanto a depressão envolve um conjunto mais amplo de sintomas, como tristeza persistente, desânimo, alteração no sono, apetite, energia e interesse pelas atividades. Embora possam se aproximar em alguns aspectos, o vazio ontológico gira mais em torno da questão do sentido de existir, enquanto a depressão afeta o funcionamento emocional e físico.


  • É possível tratar a crise de identidade sem trabalhar diretamente a identidade?

    É possível tratar a crise de identidade sem trabalhar diretamente a identidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Não é possível tratar uma crise de identidade sem que, em algum momento, a própria identidade seja atravessada, porque não se trata de algo isolado, é um processo mais amplo que envolve história de vida, relações, escolhas e a forma como a pessoa se percebe no mundo. Mesmo que o trabalho comece por outras questões, como ansiedade, conflitos ou decisões, em algum ponto isso vai esbarrar na identidade, justamente para entender como ela foi sendo construída e o que está em jogo nesse momento de crise.


  • Por que a crise de identidade pode piorar no início da psicoterapia?

    Por que a crise de identidade pode piorar no início da psicoterapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    A crise de identidade pode piorar no início da psicoterapia porque o processo funciona como um espelho, trazendo à tona questões, conflitos e percepções que antes não estavam tão claras ou não eram acessadas. Esse “dar-se conta” pode ser impactante, já que a pessoa começa a enxergar aspectos de si, da sua história e das suas escolhas que podem gerar desconforto e dúvida. Esse movimento não significa que a terapia está fazendo mal, mas que está abrindo espaço para uma compreensão mais profunda, que aos poucos pode ser elaborada.


  • Como lidar com o término do vínculo terapêutico? Minha psicóloga precisou me transferir por motiv

    Como lidar com o término do vínculo terapêutico?

    Minha psicóloga precisou me transferir por motivos pessoais dela, mas sinto que estou preso a ela. Tenho muitos pensamentos e sentimentos do quanto foi difícil essa transferência e parece que não consigo aceitar que isso aconteceu e seguir em frente. Já não faço terapia com ela tem meses e minha mente sempre fica voltando nisso com frequência.

    Gostaria de saber como posso aceitar que nosso vínculo acabou e seguir minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Você pode levar essa questão para o seu processo terapêutico atual, porque esse espaço pode te ajudar a elaborar o término desse vínculo e tudo o que essa transição despertou em você. O fim de um vínculo terapêutico, mesmo quando acontece por motivos externos, pode mobilizar sentimentos intensos, justamente porque é uma relação significativa, então faz sentido que isso ainda esteja presente. Trabalhar isso em terapia pode te ajudar a entender o que ficou desse vínculo, o que ele representou para você e como seguir construindo novos caminhos sem precisar apagar o que foi vivido, mas integrando essa experiência de uma forma que não te prenda mais a ela.


  • Eu sinto muito a falta de ter um relacionamento, e isso vem me afetando a algum tempo. Tenho 18 anos

    Eu sinto muito a falta de ter um relacionamento, e isso vem me afetando a algum tempo. Tenho 18 anos e nunca tive essa experiência, mas isso é algo que toma muito tempo dos meus pensamentos. Tenho uma boa vida social, não paro minha vida por isso, mas por muitas vezes é angustiante não ter alguém. Gostaria de saber como fazer para não deixar isso me afetar tanto.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Você pode começar olhando com mais curiosidade para o que exatamente você sente falta em um relacionamento, o que você imagina que ele pode te oferecer e o que você espera viver quando estiver com alguém. Como ainda não houve essa experiência, é natural que existam expectativas e até idealizações, então pode ser interessante se perguntar que tipo de vínculo você gostaria de construir, o que seria importante para você nessa relação e o que você acredita que mudaria na sua vida ao estar com alguém. Esse movimento pode te ajudar a entender melhor de onde vem essa angústia e também a diferenciar o desejo real do que pode estar sendo construído mais no campo da expectativa, o que tende a diminuir um pouco o peso que isso tem sobre você no dia a dia.


  • Olá, tenho 18 anos e já fui diagnosticada com transtorno de ansiedade social. Desde a infância, sem

    Olá, tenho 18 anos e já fui diagnosticada com transtorno de ansiedade social.
    Desde a infância, sempre tive dificuldade em interações sociais, preferência por ambientes mais tranquilos e sensibilidade a estímulos como sons, cheiros e algumas texturas.
    Também percebo dificuldade em entender certos tipos de piadas ou linguagem indireta, além de desconforto com contato visual prolongado. Em ambientes muito movimentados, costumo ficar em estado de alerta e desconfortável.
    Gostaria de saber: esses sintomas podem estar relacionados apenas à ansiedade social ou podem indicar a necessidade de investigação para algo mais aprofundado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Esses sinais podem estar relacionados à ansiedade social, porque muitas das situações que você descreve envolvem interação com outras pessoas ou ambientes mais estimulantes, o que pode gerar esse estado de alerta e desconforto. Ao mesmo tempo, como são experiências que vêm desde a infância e incluem também questões sensoriais e de comunicação, pode ser válido olhar para isso com mais atenção e, se fizer sentido, investigar de forma mais aprofundada com um profissional. O mais importante é considerar o quanto isso tem impactado a sua qualidade de vida, porque se está te causando sofrimento ou dificuldade, merece cuidado. O acompanhamento psicológico pode ajudar tanto no manejo da ansiedade quanto na compreensão mais ampla dessas características, e, se necessário, o próprio profissional pode te orientar sobre uma avaliação mais específica.


  • Estou muito desanima sem vontade de fazer as coisas e sem vontade de trabalhar depois q comecei a to

    Estou muito desanima sem vontade de fazer as coisas e sem vontade de trabalhar depois q comecei a tomar o sertralina oq eu faço ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Essa mudança que você percebeu pode estar relacionada ao início do uso da medicação, já que o organismo ainda está se adaptando. O mais indicado é levar essa queixa para os profissionais que te acompanham, tanto o psiquiatra quanto o psicólogo, para que possam avaliar juntos o que está acontecendo e pensar em ajustes, se necessário. O tratamento costuma funcionar melhor quando é combinado, envolvendo a medicação e o acompanhamento psicológico, porque enquanto um atua nos sintomas, o outro ajuda a compreender e elaborar o que você está sentindo. Falar sobre essa falta de ânimo e disposição é essencial para que o cuidado seja ajustado de forma mais adequada para você.


  • Escrever uma qualidade que quero ter na mente perto de adormecer será mais efetivo do que repetir a

    Escrever uma qualidade que quero ter na mente perto de adormecer será mais efetivo do que repetir a frase mentalmente até apagar o que a escrita faz no cérebro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Escrever pode ser mais efetivo para algumas pessoas porque envolve mais do que só o pensamento, você ativa também o movimento, a organização das ideias e dá uma forma concreta ao que quer trabalhar, o que tende a facilitar a assimilação. Além disso, o momento antes de dormir é importante porque o sono tem um papel fundamental na consolidação da memória e na fixação de conteúdos, então aquilo que você pensa ou escreve nesse período pode ser melhor integrado pelo cérebro. Repetir mentalmente também pode funcionar, mas a escrita costuma aprofundar um pouco mais esse processo justamente por exigir um nível maior de atenção e elaboração.


  • Desenvolvi um medo de que não consigo controlar meus próprios pensamentos e emoções depois de uma ex

    Desenvolvi um medo de que não consigo controlar meus próprios pensamentos e emoções depois de uma experiência bastante exaustiva de auto cobranças por uma seleção de pós graduação. Fico me vigiando pra ver se consigo controlar pensamentos, tento provar que x y pensamento não faz sentido. Mas quanto mais faço isso mais fico remoendo e mais sinto falta de controle. Passei a entender que meu problema é que estou com uma ideia muito rígida de controle mental e que ela não falta de capacidade emocional, estou no caminho certo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Você está fazendo uma reflexão importante ao perceber que essa tentativa de controlar e provar algo para si mesmo acaba intensificando ainda mais o ciclo, e essa ideia de um controle mental rígido pode mesmo estar contribuindo para esse desgaste e para a sensação de perda de controle. Quanto mais você tenta vigiar, responder ou eliminar os pensamentos, mais espaço eles parecem ganhar, o que não significa falta de capacidade emocional, mas sim uma relação mais tensa e exigente com o que você pensa e sente. Pode ser muito importante iniciar um acompanhamento psicológico, porque esse é um espaço onde você pode elaborar esses pensamentos com suporte, sem precisar combatê-los o tempo todo, entendendo melhor como esse padrão se formou e encontrando formas mais flexíveis de lidar com isso, o que tende a diminuir a intensidade e o impacto desses pensamentos no seu dia a dia.


  • Tive pouco apoio emocional na infância, adolescência e não tive apoio emocional da minha mãe na vida

    Tive pouco apoio emocional na infância, adolescência e não tive apoio emocional da minha mãe na vida adulta quando mais precisei e ela não me aceita como homossexual. Sinto me solitário na família e sinto que as coisas são mais difíceis pra mim. Como evitar desistir de tudo e ter forças pra continuar mesmo com falta de apoio familiar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    O que você descreve sobre a sua relação familiar envolve experiências de falta de apoio em momentos importantes e de não aceitação, e isso pode contribuir para sentimentos de solidão e para a percepção de que as coisas ficam mais difíceis. Diante disso, pode ser importante tentar buscar apoio onde houver possibilidade, porque talvez esse acolhimento não venha da forma ou das pessoas que você gostaria, e insistir apenas nesse lugar pode te frustrar ainda mais. Construir rede em outros espaços, com amigos, grupos ou pessoas que te reconheçam e te respeitem como você é, pode ajudar a sustentar esse caminho. Também é válido pensar se existe alguma forma de diálogo com a sua família, mas lembrando que relação é troca e depende do interesse do outro também, não só do seu esforço. Ter forças para continuar não significa não sentir o que você sente, mas encontrar outros sentidos, outros vínculos e outros apoios que te ajudem a não enfrentar tudo isso sozinho, e o acompanhamento psicológico pode ser um espaço importante para elaborar essas experiências e fortalecer você nesse processo.


  • Vivo v meu companheiro mas n amo já falei p ele.mas ele n acredita.estamos junto 8 anos .tive decepç

    Vivo v meu companheiro mas n amo já falei p ele.mas ele n acredita.estamos junto 8 anos .tive decepções C ele no passado hoje meu objetivo de está C ele somente é crescer juntos trabalhar juntos temos uma vida como marido e mulher nos respeitamos mas eu n amo.meu objetivo e vive C ele p um cuidar do outro na velhice e crescer juntos financeiramente.o q vcs me diz sobre???

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Talvez seja importante você se perguntar com mais cuidado sobre o lugar desse amor na relação, se ele é algo importante para você ou não, porque existem relações que se sustentam por diferentes motivos, mas isso precisa fazer sentido para quem está dentro dela. Também pode ser válido refletir sobre o que de fato te faz permanecer nesse relacionamento hoje, se são apenas esses objetivos de crescer juntos, ter companhia e apoio no futuro, ou se existe algo mais que te contempla nessa relação. Esses objetivos são suficientes para você se manter nessa escolha? Você se sente, de alguma forma, satisfeita com o que vive ao lado dele? Pensar sobre isso pode te ajudar a entender se essa permanência é uma escolha que realmente te representa ou se está sustentada por outras questões que talvez ainda precisem ser olhadas com mais atenção.


  • sempre tive que pensar em tudo como se eu tivesse que tomar decisões mentais que meu cérebro deve

    sempre tive que pensar em tudo

    como se eu tivesse que tomar decisões mentais que meu cérebro deveria fazer sozinho, de forma automática

    por exemplo monitorar minha emoções, reações expressões

    por exemplo " sorria levemente, pare de sorrir, sorria com os olhos, interrompa o contato visual"

    " você está ansioso, respire mas não tão forte para não notarem seu nervosismo "

    " o motorista do carro está errado e te ofendeu mas não responda, ignore! ele pode estar embriagado ou até armado. Se necessário fuja, se ele te seguir, faça um trajeto diferente da sua casa, busque um lugar com mais movimentação para que possam te ajudar se necessário "

    isso é extremamente cansativo

    tenho que pensar em tudo, reações que deveriam ser automáticas se tornam tarefas para meu consciente coordenar, decidir

    fico exausto demais

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    O que você descreve parece um estado de hipervigilância, como se você precisasse estar o tempo todo antecipando, monitorando e controlando tudo ao seu redor e dentro de você, e isso pode ser uma forma de ansiedade se manifestando, na tentativa de prever situações e evitar riscos, mas que acaba te deixando extremamente cansado e sobrecarregado. Quando processos que seriam mais automáticos passam a ser controlados de forma consciente o tempo todo, isso exige um esforço mental muito grande e impacta diretamente na sua qualidade de vida. A terapia pode te ajudar a compreender de onde vem essa necessidade de controle e previsibilidade, além de trabalhar formas de flexibilizar essa relação com seus pensamentos e com o ambiente, diminuindo essa sensação de que você precisa estar sempre “um passo à frente” de tudo. Aos poucos, é possível construir um modo de funcionamento mais leve, em que nem tudo precise passar por esse nível de monitoramento constante.


  • Estou a 5 meses lutando contra a dermatite, toda vez que passo por uma fase mais difícil/ansiosa as

    Estou a 5 meses lutando contra a dermatite, toda vez que passo por uma fase mais difícil/ansiosa as alergias aparecem! Os dermatologistas só falam que é emocional. E isso me deixa mais nervosa! Porque a TAG nós ataca não só emocionante, mas também fisicamente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Sim, a ansiedade pode se manifestar de diversas formas físicas quando passamos por períodos mais difíceis ou ansiosos, o organismo pode reagir, e isso pode aparecer na pele, no sono, na respiração, no intestino, entre outros. Por isso, além do acompanhamento dermatológico, é importante buscar um acompanhamento psicológico, para cuidar dessas questões emocionais e receber um tratamento adequado de forma mais integrada. Isso pode ajudar não só na ansiedade em si, mas também na forma como o seu corpo tem respondido a ela.


  • Sinto uma ansiedade constante depois de sofrer um acidente de carro. Não consigo dormir como antes,

    Sinto uma ansiedade constante depois de sofrer um acidente de carro.
    Não consigo dormir como antes, fico com medo de andar de carro, e às vezes fico lembrando de algumas cenas desconexas do dia do acidente. Essas cenas vem do nada e me deixam aflita, minha mão sua e meu coração dispara. Ela falou que estou com trauma.
    Conversei com uma amiga psicóloga e ela me recomendou terapia EMDR; mas moro no interior de São Paulo e não tem ninguém que atenda assim na minha cidade.
    O que seria mais recomendado? Fazer online com alguém que atenda assim ou fazer presencial com outro profissional na minha cidade? Online tem resultado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Pelo que você descreve, essas reações estão muito relacionadas a um estresse pós-traumático, já que seu corpo e sua mente ainda estão respondendo ao que foi vivido no acidente, com lembranças invasivas, medo, dificuldade para dormir e sintomas físicos de ansiedade, e isso não é algo incomum diante de uma experiência assim, mas merece cuidado. O mais importante agora é buscar um acompanhamento psicológico para poder falar sobre o que você viveu, elaborar essas memórias e entender como isso está te afetando hoje. Sobre a sua dúvida, tanto o atendimento online quanto o presencial podem ter bons resultados, o que mais faz diferença é você se sentir confortável, acolhida e segura com o profissional, porque isso impacta diretamente no processo. O online tem a mesma eficácia do presencial, a principal diferença é apenas a presença de uma tela, o que não impede o desenvolvimento do vínculo nem do trabalho terapêutico, então se você encontrar um profissional com quem se identifique, mesmo que seja online, pode ser um bom caminho para começar a cuidar disso.


  • Sempre que tenho um compromisso eu passo mal, só penso nisso e não durmo, quando durmo nao descanso

    Sempre que tenho um compromisso eu passo mal, só penso nisso e não durmo, quando durmo nao descanso apenas sonhando com isso. Recentemente consegui um emprego na minha área, tenho muito medo muito mesmo. Estou ha 3 dias sem dormir, sem comer, com ânsia de vomito e com o intestino desregulado. Não consigo me concentrar. Nem me sentir feliz. Não consigo pensar em mais nada, só sinto medo e passo mal e choro. Me dar falta de ar e piriri. Choro que falta o ar. Sinto angústia e me dói o peito. Me disseram que é frescura ou preguiça, mas não é. Eu sinto a mesma coisa quando penso que todo mundo consegue fazer coisas simples ou básicas (como arrumar um emprego) e eu não. E agora que consegui um emprego, me sinto ainda pior. Eu não sei o que fazer. Eu quero desistir e deixar o emprego, mas é muito difícil arrumar emprego na minha cidade e eu não cumpri nenhum dia de serviço ainda. Como lidar com isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    O que você está descrevendo não é frescura e nem preguiça, é um nível de ansiedade que está alto a ponto de prejudicar sua qualidade de vida, seu sono, sua alimentação e até seu funcionamento no dia a dia. Sentir ansiedade diante de algo novo, como um emprego, é natural, mas quando ela chega nesse grau, com sintomas físicos intensos, medo constante e dificuldade de pensar em qualquer outra coisa, é importante olhar para isso com mais cuidado. Buscar um acompanhamento psicológico pode ser um passo fundamental para te ajudar a entender o que está acontecendo, aprender a lidar com essa ansiedade e encontrar formas de diminuir essa intensidade para que você consiga viver esse momento de forma mais possível. Sobre o emprego, a ansiedade pode estar te fazendo enxergar isso como algo mais ameaçador do que realmente é, então antes de tomar uma decisão como desistir, pode ser importante tentar dar pequenos passos, no seu ritmo, enquanto busca ajuda, porque é possível aprender a lidar com essa ansiedade com o apoio adequado.


  • Há uma semana estou com sintomas horríveis de ansiedade: não sinto fome, não durmo, não sinto tesão,

    Há uma semana estou com sintomas horríveis de ansiedade: não sinto fome, não durmo, não sinto tesão, fico com uma angústia no peito que não passa, tremores, calafrios, sudorese excessiva e por aí vai. Não paro de pensar no meu futuro em qualquer questão de “vou conseguir dormir essa noite?” até “qual o propósito de viver sofrendo desse jeito?” e “quando eu for mais velho e/ou idoso como será minha vida?”. Sinto que estou completamente desconectado da realidade e que me tornei uma pessoa diferente negativamente. Estou fazendo acompanhamento terapêutico por 4 semanas antes disso tudo acontecer e medicamentoso há 4-3 dias. Isso vai passar? Vou conseguir voltar a funcionar? Vou conseguir voltar a ter desejos e metas? Devo mudar de psicanálise para TCC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Isso pode passar, sim, porque você já iniciou tanto o acompanhamento terapêutico quanto o medicamentoso, mas é importante considerar que tudo isso ainda é muito recente e o seu corpo e a sua mente ainda estão se adaptando a esse processo. Esses sintomas que você descreve são muito intensos e podem dar mesmo essa sensação de perda de controle e de desconexão. Sobre a abordagem, mais do que escolher entre psicanálise ou TCC, o mais importante é você estar com um profissional com quem se identifique e se sinta confortável para falar sobre tudo isso que está vivendo. Cada abordagem conduz o processo de uma forma diferente, mas ambas podem ajudar, então pode ser interessante conversar com os profissionais que já te acompanham, tirar suas dúvidas, entender como eles pensam o seu caso e até pedir uma certa previsibilidade de como o processo pode acontecer. Seu tratamento está no início e você já está fazendo o possível para se cuidar, mas é um processo que exige tempo, paciência e comprometimento, e aos poucos você pode sim voltar a funcionar, recuperar seus desejos e construir metas novamente.


  • Há alguns anos, durante a pandemia, fiquei isolado estudando o dia todo pra passar em uma selação. D

    Há alguns anos, durante a pandemia, fiquei isolado estudando o dia todo pra passar em uma selação. Durante esse período, comecei a ter muitos pensamentos intrusivos de questionamento da minha capacidade de dar conta de passar.

    Tentava constantemente resolver eles , me provar mais, mas quanto mais eu fazia isso, mais eles ganhavam força. Ficava diariamente na reclusão da quarentena remoendo isso, sem qualquer válvula de espace. A partir disso, passei a temer não ter controle sobre pensamentos intrusivos de forma geral, de ficar remoendo eles obsessivamente. Desenvolvi um padrão de ansiedade focado no medo de não conseguir controlar meus próprios pensamentos (ex: e se eu tiver pensamentos imorais, quebrei algo, briguei com uma pessoa e se eu ficar remoendo isso?).

    Fiquei investido em tentar provar que conseguia "controlar" eles, como que querendo evitar ficar ruminando como fiquei fazendo com aqueles pensamentos durante a seleção. Mas quanto mais tento provar que consigo não pensar ou me incomodar com x ideia mais ele me incomoda, mais eu penso nela. Quando surgem sinto que preciso dar uma resposta mental, mas o ciclo retorna. Passei a tentar avaliar que meu problema é manter um noção de controle mental que é disfuncional e rígida demais, de que confunso o degaste de tentar controlar com descontrole. Estou no caminho certo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Roberta Ramos Teixeira

    Você está fazendo uma leitura importante do que vem acontecendo quando percebe que essa tentativa de controlar os pensamentos acaba intensificando ainda mais o ciclo, isso já mostra um nível de consciência sobre o seu funcionamento. Pelo que você descreve, não parece que o problema está simplesmente em ter pensamentos intrusivos, mas na relação que você construiu com eles, marcada por essa necessidade de controle, de resposta e de “prova” de que consegue lidar, o que acaba gerando mais desgaste e repetição. A terapia pode ser um espaço muito importante nesse processo, para você poder se ouvir e desenvolver esses pensamentos, mesmo os mais desagradáveis, sem precisar combatê-los o tempo todo, mas podendo compreendê-los em um ambiente seguro. Ao invés de tentar eliminar ou controlar completamente o que surge, o trabalho pode ir no sentido de flexibilizar essa relação com os pensamentos, diminuindo essa exigência rígida de controle e permitindo que eles existam sem que você precise entrar nesse ciclo de resposta constante, e isso pode, aos poucos, reduzir a intensidade e o impacto que eles têm sobre você.


Perguntas frequentes

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