Perguntas do paciente (640)
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Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi
Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sinto muito que você esteja passando por esse momento com tanta angústia. Uma gravidez pode provocar mudanças emocionais muito intensas, especialmente quando acontece em uma fase em que você ainda estava tentando descobrir seus próprios caminhos, objetivos e possibilidades para o futuro.
O que você descreve — pensar que "a vida será do bebê e não minha", sentir que ele será amado enquanto você não é e ter a sensação de que seus próprios planos desaparecerão — não significa que você seja uma pessoa egoísta ou que não ame seu filho. Ter um filho e continuar desejando construir uma vida própria não são coisas incompatíveis.
Na verdade, pode existir uma diferença importante entre não ter planos atualmente e não desejar ter uma vida própria. Às vezes, quando a pessoa passou muito tempo em uma rotina restrita, com pouco contato social, poucas experiências e dificuldade para imaginar possibilidades para o futuro, ela pode chegar à vida adulta sem ter clareza sobre aquilo que gostaria de construir. Isso não significa que essa capacidade esteja perdida.
A gravidez também pode intensificar pensamentos e emoções que já estavam presentes. Você pode estar enfrentando simultaneamente mudanças corporais, responsabilidades novas, medo do futuro, mudanças na relação com sua família e a necessidade de construir uma nova rotina. É compreensível que sua mente tente interpretar tudo isso como uma perda de liberdade.
Talvez seja interessante reformular uma ideia: o nascimento de um filho muda a vida, mas não precisa apagar a vida da mãe. Você continua sendo uma pessoa com interesses, necessidades, relacionamentos, projetos, amizades, trabalho, lazer e desejos próprios.
Inclusive, pode ser importante começar a construir esses elementos agora, mesmo que de maneira pequena. Em vez de tentar descobrir imediatamente "qual é o grande objetivo da minha vida?", você pode começar perguntando:
"Que tipo de pessoa quero continuar sendo depois que meu filho nascer?"
"Que coisas eu gostaria de experimentar?"
"Que relações quero construir?"
"Que atividades me fazem sentir viva ou curiosa?"
"O que eu gostaria que existisse na minha vida além da maternidade?"
Você também não precisa transformar a maternidade em sua única fonte de afeto e sentido. Seu filho pode ocupar um lugar muito importante na sua vida sem precisar ocupar todos os lugares da sua vida.
Outro ponto que merece atenção é a frase de que você sente que "ele é amado e eu não". Isso parece envolver não apenas medo de perder liberdade, mas também uma dor relacionada à sua própria necessidade de afeto e pertencimento. Talvez seja importante olhar para essa questão com cuidado, porque construir uma vida mais significativa para você não depende apenas de se adaptar à gravidez, mas também de aprender a cuidar das suas próprias necessidades emocionais.
Como você relata que ficou "desesperada" com a gravidez e que sua saúde psicológica piorou bastante, acredito que seria muito importante buscar acompanhamento psicológico durante a gestação. O psicólogo pode ajudá-la a elaborar essa transição, trabalhar os medos relacionados à maternidade e, principalmente, construir um projeto de vida que inclua você como pessoa, e não apenas como mãe.
Também é importante conversar com seu obstetra sobre como você está se sentindo emocionalmente. Alterações de humor e ansiedade são relativamente frequentes na gestação, mas sofrimento intenso, desesperança ou prejuízo importante na rotina merecem atenção profissional.
E talvez exista uma questão ainda mais importante por trás da sua pergunta: você diz que "finalmente poderia começar" uma vida, mas sente que agora ela será tomada pelo bebê. Talvez o trabalho terapêutico seja justamente ajudá-la a começar essa vida sem precisar esperar a maternidade terminar.
Você pode construir uma vida própria enquanto constrói uma família. Não precisa escolher entre ser mãe e existir como indivíduo.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou
Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou 100mg de sertralina, mas não resolveu. Faz 3 anos que eu não vou a escola por conta dessa ansiedade. Tenho medo do julgamento, medo do que os outros estão pensando, medo de ser rejeitado, criticado, medo de desagradar alguém, autoestima baixa. Quando alguém me chama para sair, ir em algum evento, festas ou um jogo de futebol, eu nunca vou por conta dessa ansiedade. Já passei por 2 psicólogas da TCC, mas eu parei de fazer terapia porque eu achei que não estava resolvendo.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sinto muito que você esteja passando por isso. Pelo que descreve, a ansiedade social está causando um prejuízo bastante importante na sua vida, principalmente porque você está há cerca de três anos sem frequentar a escola e vem evitando encontros, festas e outras situações sociais por medo de julgamento, rejeição ou crítica.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais estudadas para o tratamento da ansiedade social, mas é importante que seja uma TCC especificamente estruturada para esse transtorno. Modelos como os de Clark e Wells e Heimberg trabalham não apenas os pensamentos, mas também os comportamentos que mantêm a ansiedade.
O tratamento pode envolver a identificação de pensamentos como "as pessoas vão me julgar", "vou ser rejeitado", "preciso agradar todo mundo" ou "vão perceber que sou inadequado". Porém, não se trata simplesmente de substituir esses pensamentos por frases positivas.
Também são trabalhados comportamentos de segurança e esquiva. Por exemplo, evitar sair, falar pouco por medo de dizer algo errado, ensaiar excessivamente o que vai falar, monitorar constantemente a própria aparência ou comportamento e procurar sinais de aprovação podem diminuir a ansiedade no momento, mas acabam mantendo o medo.
Por isso, a exposição gradual costuma ser uma parte muito importante do tratamento. No seu caso, provavelmente não seria adequado simplesmente dizer para você "voltar para a escola" de uma vez. O terapeuta pode construir uma hierarquia de situações, começando por desafios possíveis e aumentando progressivamente a dificuldade.
O objetivo não é esperar a ansiedade desaparecer para depois voltar a viver. É aprender, gradualmente, que você consegue permanecer nas situações mesmo sentindo ansiedade e que aquilo que sua mente prevê nem sempre acontece.
Também podem ser realizados experimentos comportamentais, nos quais você testa na prática crenças como "se eu errar, todos vão perceber" ou "se alguém não gostar de mim, não vou conseguir suportar". Com o tempo, essas experiências podem produzir mudanças mais profundas nas crenças sobre você mesmo e sobre as outras pessoas.
A baixa autoestima também pode ser trabalhada, principalmente quando existem crenças mais profundas como "sou inadequado", "não sou interessante" ou "preciso agradar para ser aceito". Mas é importante que esse trabalho esteja conectado às situações concretas que mantêm a ansiedade.
Em relação à sertralina, ela é uma das medicações utilizadas para ansiedade social. Quando a resposta ao tratamento medicamentoso é insuficiente, isso não significa que não exista tratamento para você. Diretrizes recomendam, em determinadas situações, associar TCC ao tratamento com SSRI; também existem outras possibilidades que podem ser avaliadas pelo psiquiatra quando a resposta é inadequada.
Não altere ou suspenda os 100 mg por conta própria. Converse com o psiquiatra sobre há quanto tempo utiliza a medicação, o quanto melhorou e quais sintomas continuam presentes.
Quanto às duas experiências anteriores com psicólogas, eu não concluiria que "a TCC não funciona". Seria interessante entender como foi realizado o tratamento: houve exposição gradual? Foram trabalhados comportamentos de segurança? Existiam tarefas entre as sessões? O tratamento tinha objetivos mensuráveis? A terapia estava especificamente direcionada para ansiedade social?
Você pode inclusive perguntar ao próximo profissional como ele costuma trabalhar ansiedade social e qual será o plano para ajudá-lo a recuperar gradualmente a escola e sua vida social.
E há algo muito importante no seu relato: você diz que quer voltar a ter uma vida normal, mas atualmente a ansiedade está escolhendo por você onde pode ir, com quem pode estar e o que pode fazer. Esse pode ser um objetivo central da terapia: recuperar essa liberdade de escolha.
Você não precisa se tornar uma pessoa extremamente extrovertida. O objetivo é poder ir a um jogo, encontrar amigos, frequentar a escola e participar de situações importantes para você mesmo quando existir algum medo de julgamento.
O fato de os tratamentos anteriores não terem funcionado como você esperava não significa que você não possa melhorar. Diante do tempo de isolamento e do prejuízo que você relata, acredito que valha a pena procurar novamente um profissional com experiência específica em ansiedade social e em tratamentos baseados em exposição.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediá
A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais sozinho?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o psicólogo não pretende ser a pessoa que "corrige" as crenças do paciente. Um dos objetivos do tratamento é justamente ensinar o paciente a reconhecer, questionar e modificar seus próprios padrões cognitivos, de maneira que ele consiga utilizar essas habilidades também fora das sessões.
Na TCC, costuma-se trabalhar com diferentes níveis de cognição. As crenças centrais são ideias mais profundas sobre si mesmo, sobre as outras pessoas e sobre o mundo, como: "sou inadequado", "não sou importante", "as pessoas vão me rejeitar" ou "não sou capaz". Já as crenças intermediárias podem aparecer na forma de regras, pressupostos e exigências, como: "preciso agradar todo mundo para ser aceito" ou "se eu cometer um erro, as pessoas vão perceber que sou incompetente".
O processo terapêutico não consiste simplesmente em o psicólogo dizer ao paciente que essas crenças estão erradas. O profissional ajuda o paciente a investigar essas ideias, observando evidências a favor e contra elas, identificando distorções cognitivas, avaliando suas consequências e, principalmente, testando novas formas de pensar e agir.
Por exemplo, diante da crença "se eu não agradar as pessoas, elas vão me rejeitar", o paciente pode aprender a perguntar:
"Qual é a evidência de que preciso agradar todo mundo?"
"O que acontece quando alguém não gosta de mim?"
"Existem pessoas que gostam de mim mesmo quando discordo delas?"
"Estou confundindo a possibilidade de alguém não gostar de mim com a certeza de que serei rejeitado?"
Além da reflexão, a TCC utiliza experimentos comportamentais. Isso é muito importante porque determinadas crenças não são modificadas apenas conversando sobre elas. O paciente pode, por exemplo, aprender gradualmente a discordar de alguém, dizer "não", cometer um pequeno erro ou deixar de buscar aprovação e observar o que realmente acontece.
Com o tempo, essas experiências podem produzir novas aprendizagens e enfraquecer regras antigas. O objetivo não é substituir uma crença negativa por uma frase positiva artificial, mas desenvolver uma forma de pensar mais flexível, realista e funcional.
Por isso, existe um aspecto muito importante na TCC chamado autonomia terapêutica. O paciente aprende habilidades que poderá continuar utilizando depois do término da terapia: identificar pensamentos automáticos, reconhecer padrões cognitivos, avaliar interpretações, testar hipóteses e escolher comportamentos mais coerentes com seus objetivos.
Isso também significa que o psicólogo não precisa estar presente toda vez que surgir um pensamento disfuncional. A ideia é que, progressivamente, o próprio paciente se torne capaz de fazer esse processo.
Entretanto, isso não significa que o paciente precise modificar suas crenças completamente sozinho desde o início. O terapeuta oferece estrutura, perguntas, técnicas e feedback para facilitar esse aprendizado. Conforme o tratamento avança, a responsabilidade pelo processo vai sendo cada vez mais compartilhada com o paciente.
Portanto, sim: ensinar o paciente a se tornar seu próprio terapeuta é uma das metas fundamentais da TCC. A terapia não busca apenas fazer a pessoa se sentir melhor durante as sessões, mas desenvolver habilidades que ela consiga aplicar na própria vida.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessid
Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessidade de agradar a todos, crenças como: "eu tenho que agradar todo mundo", "se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim". Esses medos e essas crenças estão me atrapalhando muito na minha vida pessoal e nos esportes também
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ser bastante útil para trabalhar o medo de julgamento, a necessidade excessiva de agradar e crenças como "preciso agradar todo mundo para ser aceito" ou "se alguém não gostar de mim, significa que há algo errado comigo".
Na TCC, o objetivo não é simplesmente substituir esses pensamentos por pensamentos positivos, mas compreender como essas crenças foram construídas e como continuam influenciando seus comportamentos atualmente.
Um ciclo possível seria:
situação social → medo de ser criticado ou rejeitado → pensamento ("preciso agradar") → ansiedade → comportamento de agradar, evitar discordar ou tentar impressionar → alívio momentâneo → manutenção da crença.
Por exemplo, no esporte, você pode cometer um erro e imediatamente pensar: "Vão achar que sou ruim" ou "Preciso fazer tudo certo para que gostem de mim". A ansiedade aumenta e você começa a monitorar excessivamente seu desempenho. Isso pode, inclusive, prejudicar sua concentração e seu rendimento.
A terapia pode trabalhar esse padrão de diferentes maneiras.
Primeiro, o psicólogo pode ajudar a identificar e questionar as crenças. Perguntas como "É realmente possível agradar todo mundo?", "O que aconteceria se alguém não gostasse de mim?", "Uma pessoa pode me criticar e ainda assim me respeitar?" e "Meu valor depende da aprovação das outras pessoas?" ajudam a examinar essas regras de maneira mais realista.
Depois, podem ser realizados experimentos comportamentais. Em vez de apenas conversar sobre o medo, você pode começar gradualmente a fazer coisas que normalmente evitaria: discordar de alguém, dizer "não", cometer pequenos erros, não tentar agradar determinada pessoa ou expressar uma opinião diferente. O objetivo é descobrir, na prática, o que acontece quando você deixa de seguir a regra de "preciso agradar".
Outro ponto importante é trabalhar a tolerância à possibilidade de rejeição. O objetivo não é chegar a um estado em que ninguém possa criticá-lo ou rejeitá-lo. Isso seria impossível. A questão é desenvolver a capacidade de pensar: "Talvez essa pessoa não goste de mim, e ainda assim eu consigo continuar sendo eu mesmo."
Também pode ser necessário trabalhar a autoestima. Quando a pessoa acredita que seu valor depende constantemente da aprovação externa, qualquer crítica pode ser interpretada como uma ameaça à própria identidade. A terapia procura construir uma avaliação de si mesmo menos dependente da opinião dos outros.
Como isso está afetando tanto sua vida pessoal quanto os esportes, seria interessante observar em quais situações o medo aparece com maior intensidade e o que você faz para tentar evitar a desaprovação. Esse levantamento pode ser um excelente ponto de partida para o tratamento.
E existe uma mudança importante de objetivo: em vez de tentar construir uma vida em que todo mundo goste de você, aprender a construir uma vida em que você consiga agir de acordo com aquilo que considera importante, mesmo sabendo que algumas pessoas poderão discordar, criticar ou não gostar de determinadas escolhas.
Isso costuma representar uma forma muito mais saudável de lidar com a rejeição.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu re
bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu reprovo , o que posso fazer para melhorar.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Ser canhota, por si só, não significa que você tenha algum problema ou que seja incapaz de realizar o teste palográfico. A posição da mão, do papel e a forma como você movimenta o braço podem influenciar a facilidade para produzir traços verticais, principalmente quando a pessoa está sendo avaliada em uma situação de teste e fica mais tensa.
Se você percebe que tem dificuldade especificamente para fazer traços retos e isso acontece repetidamente, pode ser interessante observar se a dificuldade ocorre apenas no palográfico ou também em outras atividades que exigem coordenação motora fina e controle do movimento.
Também é importante evitar a ideia de que existe uma "forma certa" de fazer o teste para conseguir aprovação. O teste palográfico é um instrumento psicológico, e seu resultado deve ser interpretado por profissional habilitado, dentro de um processo de avaliação mais amplo. Tentar treinar especificamente para produzir determinado resultado pode interferir na avaliação e não é uma estratégia recomendável.
Se o problema for apenas conseguir realizar os traços com maior controle, você pode trabalhar aspectos gerais de coordenação motora e escrita, por exemplo, com exercícios de desenho, escrita e movimentos gráficos. Um terapeuta ocupacional também pode avaliar questões relacionadas à coordenação motora e sugerir exercícios individualizados, caso exista uma dificuldade motora real.
Se essas reprovações estão acontecendo em avaliações psicológicas para trabalho ou outra finalidade, também pode ser importante conversar com o psicólogo responsável pela avaliação e explicar que você é canhota e que apresenta essa dificuldade. O profissional poderá verificar se a condição de realização do teste foi adequada e se é necessário considerar algum fator que possa ter interferido no desempenho.
Portanto, não pense que ser canhota significa que você necessariamente terá um resultado ruim. E, principalmente, não tente aprender a fazer o teste de uma maneira específica apenas para obter aprovação. Se existe uma dificuldade motora genuína, o melhor caminho é avaliá-la e trabalhá-la diretamente.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico
Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.
Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve não é, por si só, uma forma de traição. Perceber alguém que já foi um paquera, querer causar uma boa impressão ou se preocupar com a maneira como essa pessoa vai enxergá-la são experiências humanas bastante comuns. Ter um pensamento ou sentir vontade de parecer bonita, interessante ou bem-sucedida não é o mesmo que desejar estabelecer uma relação com aquela pessoa.
O que parece estar causando mais sofrimento no seu relato é a interpretação que você faz desses pensamentos. Você percebe a preocupação com a opinião do antigo paquera e, em seguida, começa a questionar se isso significa que está traindo seu parceiro. Quando essa dúvida passa a gerar culpa, necessidade de analisar o que fez e tentativa de descobrir com certeza se seu comportamento foi "certo" ou "errado", pode se formar um ciclo de ansiedade.
Em algumas pessoas, esse funcionamento pode estar relacionado à baixa autoestima ou à preocupação excessiva com a avaliação dos outros. Em outras, principalmente quando existe uma necessidade persistente de obter certeza sobre questões morais ou afetivas, pode haver características compatíveis com ansiedade ou até com o TOC. Entretanto, não é possível determinar isso apenas a partir desse relato.
Uma pergunta importante talvez seja: "Eu realmente quero alguma coisa com essa pessoa ou estou tentando controlar a imagem que ela tem de mim?" São situações bastante diferentes.
Também vale observar se você começa a revisar mentalmente o encontro, perguntar repetidamente a outras pessoas se aquilo foi traição, procurar garantias de que não fez nada errado ou monitorar seus próprios pensamentos para ter certeza de que não sentiu algo inadequado. Quando isso acontece, tentar obter uma certeza absoluta pode acabar alimentando ainda mais a ansiedade.
Na perspectiva comportamental contextual, pode ser mais útil aprender a reconhecer esses pensamentos sem precisar resolver imediatamente o que eles significam. Você pode perceber: "Estou preocupada com a forma como essa pessoa me enxergou e minha mente está transformando isso em uma questão sobre fidelidade. Não preciso chegar a uma certeza perfeita agora."
Também é importante lembrar que estar em um relacionamento não significa deixar de perceber outras pessoas, querer ser bem-vista ou experimentar pensamentos espontâneos. O compromisso com uma relação é construído principalmente pelas escolhas e comportamentos que você deliberadamente realiza, e não pela ausência completa de pensamentos ou emoções em relação a outras pessoas.
Se essa preocupação estiver ocupando muito espaço, gerando culpa frequente ou fazendo você analisar repetidamente suas atitudes para descobrir se foi fiel, a psicoterapia pode ajudar a compreender se existe um padrão de ansiedade, baixa autoestima ou compulsão por certeza por trás disso.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?
como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Se por “vício em pornografia teleguiada” você está se referindo ao uso de pornografia pela internet ou pelo celular que se tornou difícil de controlar, é importante primeiro diferenciar uso frequente de um comportamento realmente compulsivo.
O que merece atenção é quando a pessoa percebe que perdeu parte do controle sobre o comportamento, tenta reduzir ou parar e não consegue, utiliza pornografia mesmo quando isso traz consequências negativas ou passa a prejudicar trabalho, estudos, relacionamentos, sono ou outras áreas da vida.
Nessas situações, simplesmente tentar "ter mais força de vontade" pode não ser suficiente. A psicoterapia pode ajudar a entender o que acontece antes, durante e depois do comportamento. Muitas vezes, a pornografia não está funcionando apenas como uma busca por prazer, mas também como uma maneira de lidar rapidamente com ansiedade, solidão, tédio, estresse, frustração ou outras emoções difíceis.
Pode existir um ciclo semelhante a:
emoção desconfortável → vontade de acessar pornografia → consumo → alívio momentâneo → culpa ou consequências negativas → novo desconforto → nova vontade de consumir.
O tratamento procura interromper esse ciclo e ampliar as alternativas que você possui para lidar com essas situações.
Algumas medidas práticas também podem ajudar:
identificar em quais horários, lugares e estados emocionais a vontade aparece com maior frequência;
reduzir o acesso automático, evitando deixar o celular disponível em situações nas quais você costuma perder o controle;
utilizar bloqueadores ou outras barreiras tecnológicas, quando forem úteis;
observar a vontade sem necessariamente agir imediatamente sobre ela;
desenvolver outras formas de lidar com tédio, ansiedade, solidão e estresse;
retomar atividades importantes que foram sendo deixadas de lado por causa do comportamento.
Também é importante evitar transformar o tratamento em uma guerra contra a sexualidade. O objetivo não precisa ser eliminar o desejo sexual ou considerar a pornografia moralmente "errada", mas recuperar a capacidade de escolher como você quer se comportar, em vez de sentir que precisa consumir pornografia sempre que surge determinado estado emocional.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e abordagens comportamentais contextuais, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), podem ser utilizadas para trabalhar compulsividade, regulação emocional, esquiva e construção de comportamentos mais alinhados aos seus objetivos. Dependendo do caso, também pode ser interessante procurar um psicólogo com experiência em sexualidade e comportamentos compulsivos.
Se houver perda significativa de controle, sofrimento intenso ou prejuízos importantes na vida pessoal e profissional, vale procurar avaliação psicológica. O tratamento pode ser bastante individualizado e não precisa se resumir a simplesmente "parar de assistir".
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Contar números mentalmente faz mesmo descer as ondas cerebrais? Como acontece?? Mas aí contar de um
Contar números mentalmente faz mesmo descer as ondas cerebrais? Como acontece?? Mas aí contar de um número bem grande um números que leva vários minutos pra terminar? Isso faz mesmo diminuir ondas Rápidas e descer pra Alfa Profundo???
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Contar mentalmente pode, em algumas situações, ajudar a diminuir a agitação e direcionar a atenção, mas é importante ter cuidado com a ideia de que contar números automaticamente faz as ondas cerebrais "descerem" para um estado de alfa profundo.
Quando você conta mentalmente de maneira repetitiva e tranquila, pode estar utilizando uma forma de atenção focada, semelhante a algumas técnicas de meditação. Ao manter a atenção em uma tarefa simples e repetitiva, você pode diminuir temporariamente a quantidade de pensamentos e preocupações que ficam disputando sua atenção. Isso pode produzir uma sensação subjetiva de calma e relaxamento.
As ondas cerebrais, porém, não funcionam como uma espécie de "marcha" que simplesmente passa de ondas rápidas para ondas lentas conforme começamos a contar. A atividade cerebral envolve diferentes frequências simultaneamente, e elas variam de acordo com atenção, relaxamento, sono e outros estados.
Além disso, alfa não significa necessariamente "relaxamento profundo". A atividade alfa costuma estar associada a estados de vigília relaxada, especialmente quando a pessoa está acordada com pouca estimulação sensorial. Estados mais profundos de sono envolvem outras alterações na atividade cerebral, incluindo aumento de ondas mais lentas.
Contar de um número muito grande durante vários minutos pode manter sua atenção ocupada por mais tempo e, para algumas pessoas, funcionar como uma estratégia de concentração ou distração das preocupações. Porém, não existe uma quantidade específica de números que você precise contar para provocar uma determinada mudança nas ondas cerebrais.
Se o objetivo é relaxar, você pode experimentar contar lentamente, acompanhar a respiração ou repetir mentalmente uma frase curta, sem transformar a atividade em uma obrigação de chegar a determinado estado cerebral. O efeito mais importante é observar se você realmente se sente mais tranquilo depois da prática.
E existe uma diferença importante: se você sente que precisa contar até determinado número ou repetir a contagem várias vezes para impedir que algo ruim aconteça ou para aliviar uma ansiedade que retorna quando interrompe, vale conversar com um psicólogo. Nesse contexto, a contagem pode estar funcionando não como relaxamento, mas como um comportamento compulsivo.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2
Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.
Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Não é necessário esperar uma idade específica para começar a falar sobre a morte do pai biológico. Aos 3 anos, a criança já pode receber informações sobre sua história, mas a forma de conversar precisa ser compatível com o desenvolvimento dela. Não é necessário explicar tudo de uma vez nem abordar o assunto de maneira complexa.
Como ela nunca conheceu o pai biológico e tem o padrasto como figura paterna desde os 2 anos, é importante evitar a ideia de que falar sobre o pai que morreu possa ameaçar ou diminuir o vínculo que ela construiu com o padrasto. As duas histórias podem coexistir: existe um pai biológico que morreu e existe uma pessoa que exerce uma função paterna importante na vida cotidiana dela.
Nessa idade, a criança ainda possui uma compreensão bastante concreta da morte. É preferível utilizar palavras simples e diretas, como "seu pai morreu", explicando que isso significa que o corpo dele parou de funcionar e que ele não poderá voltar. Evite expressões como "foi dormir", "viajou" ou "foi embora", pois uma criança pequena pode interpretá-las literalmente e desenvolver medo de dormir ou de que outras pessoas desapareçam.
Também não é necessário criar uma conversa formal ou única. A história pode ser apresentada aos poucos e retomada conforme a criança fizer perguntas. Por exemplo:
"Você sabe que o [nome] é uma pessoa muito importante que cuida de você. Ele é seu padrasto. Você também teve um pai que era seu pai biológico, mas ele morreu antes de você conseguir conhecê-lo."
Depois, permita que ela pergunte e responda somente aquilo que ela conseguir compreender naquele momento.
É possível que uma criança de 3 anos faça perguntas repetidas, pareça não compreender completamente a informação ou alterne entre falar sobre a morte e brincar normalmente. Isso não significa necessariamente falta de compreensão ou ausência de sentimentos. O desenvolvimento infantil faz com que a compreensão da morte seja construída gradualmente.
Também pode ser interessante preservar registros da história do pai biológico, como fotografias, informações sobre quem ele era e histórias familiares adequadas à idade. Isso pode ajudá-la futuramente a construir uma narrativa sobre sua própria história e identidade.
O mais importante é não transformar o assunto em um segredo familiar, mas também não antecipar informações que ela ainda não consegue compreender. A criança pode saber a verdade de maneira gradual, simples e acolhedora.
Quanto ao padrasto, ele pode continuar exercendo seu papel afetivo normalmente. Não é necessário dizer à criança que ela precisa chamá-lo de pai ou estabelecer uma competição entre as figuras. O vínculo paterno que ela construiu é baseado principalmente na presença, no cuidado e na relação cotidiana.
Se houver sofrimento intenso, mudanças persistentes no comportamento, regressões importantes, alterações relevantes no sono ou alimentação, ansiedade de separação muito intensa ou dúvidas sobre como abordar a história familiar, pode ser interessante procurar um psicólogo infantil com experiência em luto e desenvolvimento infantil. O profissional também pode orientar os adultos sobre como conversar sobre o assunto de maneira adequada à idade.
Portanto, não há necessidade de esperar. Aos 3 anos, já é possível começar a construir essa narrativa, desde que de maneira simples, concreta, gradual e respeitosa ao desenvolvimento da criança.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam
Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.
Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve pode acontecer em relacionamentos longos e, por si só, não significa necessariamente que você deixou de amar seu namorado.
No início de um relacionamento, é comum existir uma intensidade maior de novidade, expectativa e entusiasmo. Com o passar do tempo, a relação tende a se tornar mais familiar e previsível, e aquela sensação de "frio na barriga" pode diminuir. Isso não significa necessariamente que o amor acabou; muitas vezes, ele passa a se manifestar de outras formas, como intimidade, companheirismo, cuidado, segurança e vontade de compartilhar a vida.
Algo que chama bastante atenção no seu relato é que você não se sente presa ou desconfortável ao lado dele, reconhece o cuidado que recebe e ainda consegue passar bastante tempo conversando e aproveitando a companhia dele. Esses elementos também fazem parte de vínculos afetivos significativos e talvez mereçam mais atenção do que a ausência daquela sensação intensa que existia no começo.
Também é importante considerar a ansiedade. Quando começamos a questionar constantemente "será que ainda amo?", podemos entrar em um ciclo de monitoramento dos próprios sentimentos: você passa a observar se está feliz o suficiente, se sente saudade suficiente, se ficou animada ao vê-lo, se sentiu "aquela sensação", e cada momento em que a emoção não aparece pode ser interpretado como uma prova de que o amor acabou. Esse processo pode tornar ainda mais difícil experimentar espontaneamente a relação.
Por isso, talvez seja interessante não transformar cada emoção em um teste para descobrir se você ainda ama seu namorado. Sentimentos não costumam funcionar como um interruptor que precisa estar ligado o tempo todo. Eles oscilam de acordo com rotina, estresse, humor, cansaço, contexto e muitos outros fatores.
Você também menciona a possibilidade de estar confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Em vez de tentar encontrar imediatamente uma resposta definitiva, pode ser mais produtivo observar como você se relaciona com ele ao longo do tempo: você gosta da companhia dele? Sente respeito e admiração? Existe vontade de cuidar e ser cuidada? Consegue ser você mesma na relação? Existem valores e projetos que fazem sentido compartilhar? Você deseja construir experiências novas ao lado dele?
Se a resposta para várias dessas perguntas for positiva, talvez exista uma relação importante que esteja precisando de renovação e atenção, e não necessariamente de um término.
Se você deseja recuperar a conexão, não precisa tentar fabricar uma emoção. Pode ser mais útil investir em experiências diferentes da rotina, conversar sobre assuntos que vão além das obrigações do relacionamento, criar momentos de intimidade e curiosidade um sobre o outro e observar como vocês se relacionam quando deixam de buscar constantemente a confirmação de que "ainda existe amor".
A psicoterapia também pode ajudar bastante, especialmente se essa dúvida estiver ocupando muito espaço mental. O objetivo não seria convencer você a permanecer ou terminar, mas ajudá-la a compreender seus sentimentos, diferenciar ansiedade de necessidades reais do relacionamento e tomar decisões de maneira mais coerente com aquilo que você valoriza.
E existe, sim, a possibilidade de o carinho e o entusiasmo se transformarem ou serem recuperados. Porém, isso costuma acontecer melhor quando deixamos de exigir que o sentimento apareça exatamente como apareceu no início da relação. Amor de longo prazo não precisa parecer com paixão de começo de namoro para continuar sendo amor.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm
Olá!
Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
Eu também tenho a sensação de não pertencimento
O que de fato é está se curando?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Pelo que você descreve, parece que houve uma evolução importante nos últimos seis meses. No início do trabalho, você se sentia muito ansiosa e travada nas interações e, atualmente, percebe que consegue se comunicar melhor e que a ansiedade diminuiu. Isso é um dado importante e merece ser reconhecido.
Uma coisa que pode estar acontecendo é você estar confundindo redução da ansiedade social com deixar de ser uma pessoa tímida ou quieta. São coisas diferentes.
Ser uma pessoa mais reservada, falar menos ou não ter vontade de conversar o tempo todo não significa necessariamente que exista um problema. A questão é perceber se você consegue escolher como quer agir ou se sente que precisa evitar interações por medo, vergonha ou preocupação excessiva com a avaliação dos outros.
Por isso, quando alguém diz que você é "séria", "quieta" ou que "não fala", talvez seja útil perguntar a si mesma: "Eu realmente estou insatisfeita com a maneira como me comporto ou estou me sentindo pressionada porque outra pessoa acha que eu deveria ser diferente?"
Essa diferença é muito importante.
Você também relata que sofreu bullying e passou boa parte da infância e adolescência se fechando socialmente. Experiências assim podem contribuir para que comentários sobre a maneira como você se comporta tenham um peso maior, despertando pensamentos como "será que estou fazendo algo errado?", "será que não estou evoluindo?" ou "será que as pessoas não gostam de mim?". Portanto, talvez exista uma história de experiências sociais negativas que ainda esteja influenciando a forma como você interpreta essas situações.
A melhora da ansiedade social também não significa necessariamente que você nunca mais ficará desconfortável diante de comentários ou que todas as pessoas deixarão de perceber você como uma pessoa reservada. O objetivo não precisa ser transformar sua personalidade. Muitas vezes, é conseguir viver de acordo com aquilo que você considera importante, mesmo quando existe desconforto ou quando outras pessoas fazem avaliações sobre você.
Nesse sentido, "se curar" não significa necessariamente deixar de ser tímida, falar mais ou se tornar extremamente comunicativa. Pode significar conseguir conversar quando deseja, colocar limites, participar de situações sociais importantes e construir vínculos sem que o medo da avaliação dos outros determine constantemente suas escolhas.
A sensação de não pertencimento também merece atenção. Ela pode estar relacionada às experiências anteriores de rejeição e bullying, mas também pode ser trabalhada na terapia, especialmente para diferenciar a necessidade legítima de conexão da ideia de que você precisa mudar quem é para ser aceita.
Uma pergunta que talvez ajude seja: "Se ninguém estivesse avaliando minha personalidade, eu gostaria de falar mais ou estou satisfeita com a quantidade de interação que tenho?". Se você perceber que gostaria de se expressar mais, pode trabalhar isso gradualmente. Se perceber que é simplesmente uma pessoa mais reservada, também não há necessidade de transformar essa característica em um problema.
Portanto, pelo que você relata, sentir algum desconforto diante desses comentários não significa que você esteja regredindo ou que não esteja melhorando. A própria redução da ansiedade que você percebe no trabalho já é um sinal relevante de mudança.
A psicoterapia pode ajudar justamente nesse processo: não necessariamente para fazer você deixar de ser quem é, mas para desenvolver maior liberdade para escolher como quer se relacionar com as pessoas, sem que o medo de julgamento, as experiências passadas ou a necessidade de corresponder às expectativas alheias controlem sua vida.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico
Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sinto muito que você esteja passando por um momento tão difícil. Pelo que descreve, parece ter se formado um ciclo em que a tentativa de entender o que estava acontecendo acabou aumentando ainda mais a sua ansiedade.
Pesquisar sobre sintomas não causa uma doença por si só, mas pesquisas excessivas podem contribuir para a manutenção da ansiedade. Quando estamos assustados, procurar informações pode parecer uma forma de encontrar segurança. O problema é que, quanto mais pesquisamos, mais passamos a observar nosso corpo e nosso comportamento em busca de sinais daquilo que lemos. Isso pode aumentar a sensação de ameaça e levar a novas pesquisas.
Pode se estabelecer um ciclo como:
ansiedade → pesquisa sobre sintomas → maior atenção aos sintomas → medo de ter uma crise → evitação de sair de casa → alívio momentâneo → aumento da ansiedade na próxima tentativa.
Por isso, não é necessário "apagar" da cabeça tudo o que você leu. Você provavelmente não conseguirá simplesmente esquecer essas informações, e tentar fazer isso pode até aumentar a preocupação. O objetivo é parar de tratar essas informações como previsões sobre o que vai acontecer com você.
Quando surgir um pensamento como "vou ter uma crise se sair sozinho", tente reconhecê-lo como uma possibilidade que sua mente está apresentando, e não como uma certeza. Algo como: "Estou tendo o pensamento de que posso passar mal ou ter uma crise. Não preciso descobrir agora se isso vai acontecer."
Também pode ser importante estabelecer um período sem pesquisas sobre sintomas, principalmente quando estiver ansioso. Evite procurar relatos, listas de sintomas, vídeos e testes na internet para tentar verificar como você está. Se surgir uma dúvida sobre o diagnóstico ou o tratamento, leve-a ao profissional que acompanha você em vez de tentar resolvê-la por meio de novas pesquisas.
A evitação também merece atenção. Se você deixou de sair sozinho por medo de ter uma crise, é compreensível que isso esteja acontecendo, mas permanecer completamente isolado tende a fortalecer o medo. O tratamento psicológico pode ajudá-lo a retomar gradualmente as atividades que foram abandonadas, respeitando seu momento e sem transformar isso em uma obrigação de enfrentar tudo de uma vez.
Como você relata que não consegue fazer terapia online, procure, se possível, um psicólogo presencial que tenha experiência com depressão, transtornos de ansiedade, pânico e comportamentos de evitação. A psicoterapia pode ajudar justamente a trabalhar esse ciclo de pesquisas, medo, monitoramento e isolamento.
Em relação aos medicamentos, continue seguindo a orientação do médico que os prescreveu. O início do tratamento pode exigir algum tempo e, dependendo da medicação e da resposta individual, pode ser necessário acompanhamento e ajustes. Não interrompa ou modifique a medicação por conta própria. Se estiver preocupado porque ainda não percebeu melhora suficiente ou se os sintomas pioraram depois do início do tratamento, converse com seu psiquiatra.
E uma coisa importante: o fato de você estar vivendo isso agora não significa que perdeu para sempre a capacidade de sair sozinho ou de ter uma vida normal. O cérebro pode aprender a associar determinadas situações ao perigo, mas essas associações também podem ser modificadas. A recuperação costuma acontecer gradualmente, com tratamento e retomada progressiva da vida.
Se em algum momento a depressão vier acompanhada de pensamentos de morte ou de vontade de se machucar, procure ajuda imediatamente e não permaneça sozinho. Isso merece avaliação profissional urgente.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?
Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Dormir com as mãos dobradas ou próximas ao corpo, posição que algumas pessoas chamam informalmente de “mão de T-Rex”, não significa necessariamente que exista algum transtorno ou problema de saúde.
Essa posição pode simplesmente ser uma forma confortável de dormir ou um hábito corporal. Isoladamente, ela não é um sinal diagnóstico de autismo, TDAH ou qualquer outro transtorno psicológico.
É importante ter cuidado com informações encontradas na internet que associam determinados comportamentos isolados a diagnósticos. O diagnóstico de um transtorno não é feito a partir de uma característica específica, mas da avaliação de um conjunto de sinais, sua frequência, intensidade, história de desenvolvimento e impacto na vida da pessoa.
Por outro lado, se você percebe que dorme dessa maneira porque sente dor, formigamento, dormência, rigidez ou perda de força nas mãos ou braços, vale a pena conversar com um médico para investigar se existe alguma questão física envolvida.
Portanto, se você apenas dorme com as mãos nessa posição e não apresenta outros sintomas, não há motivo para considerar isso, por si só, um sinal de transtorno.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom
Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
A terapia pode me ajudar?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim, pesquisar constantemente sintomas e doenças pode acabar aumentando a ansiedade e mantendo um ciclo de preocupação, principalmente quando a pessoa já está passando por um período de maior vulnerabilidade emocional.
Isso pode acontecer porque a pesquisa começa como uma tentativa de encontrar uma explicação ou tranquilização: "Será que eu tenho isso?". Porém, quanto mais você procura informações sobre os sintomas, mais passa a prestar atenção neles e a monitorar o próprio corpo e comportamento. Sensações que antes talvez passassem despercebidas podem ganhar importância e ser interpretadas como sinais de que existe algo errado.
Pode se formar um ciclo como:
sensação de ansiedade → pesquisa sobre sintomas → maior atenção aos sintomas → interpretação de ameaça → mais ansiedade → novas pesquisas.
No seu caso, você relata que já tinha alguma dificuldade nas interações sociais, mas que, depois de começar a pesquisar sobre fobia social, passou a ficar mais preocupado com a possibilidade de ter crises ao sair de casa e começou a evitar essas situações. Esse aumento da evitação é particularmente importante, porque evitar aquilo que provoca ansiedade pode trazer alívio no curto prazo, mas acaba ensinando ao cérebro que aquela situação realmente era perigosa. Com o tempo, a ansiedade pode ficar ainda mais forte.
Por isso, talvez seja interessante reduzir o hábito de pesquisar sintomas por conta própria, especialmente quando estiver ansioso. Isso não significa ignorar o que você sente, mas evitar transformar a internet em uma forma de verificar constantemente se existe ou não alguma doença.
A psicoterapia pode ajudar bastante nesse processo. O tratamento pode trabalhar tanto a ansiedade quanto os comportamentos que estão mantendo o problema, como pesquisa excessiva, monitoramento das sensações e isolamento. Dependendo da avaliação, intervenções comportamentais graduais também podem ajudar você a voltar às situações que começou a evitar, de maneira planejada e respeitando seu ritmo.
Em relação ao escitalopram, é importante continuar seguindo a orientação da sua psiquiatra. Antidepressivos como o escitalopram podem levar algumas semanas para apresentar seu efeito terapêutico completo, e a resposta varia entre as pessoas. Não interrompa, aumente ou reduza a medicação por conta própria. Se estiver preocupado com a ausência de melhora, converse com a profissional que prescreveu o medicamento.
Também é importante não concluir sozinho que você necessariamente tem fobia social. Uma avaliação profissional pode verificar se os sintomas correspondem a esse transtorno, a outro quadro de ansiedade ou a uma combinação de fatores.
Portanto, sim: pesquisar sintomas repetidamente pode contribuir para a manutenção da ansiedade, e a terapia pode ajudá-lo a interromper esse ciclo e recuperar gradualmente sua autonomia para sair de casa e se relacionar com as pessoas.
Você não precisa esperar a ansiedade desaparecer completamente para voltar a viver. O tratamento justamente pode ajudá-lo a recuperar essas atividades mesmo enquanto aprende a lidar de outra maneira com o medo.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus
Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve tem sido uma queixa bastante frequente nos últimos anos. Muitas pessoas perceberam uma redução da capacidade de manter a atenção por longos períodos, especialmente após a pandemia e com o aumento do tempo de exposição às redes sociais e aos conteúdos curtos.
Isso não significa, necessariamente, que você tenha desenvolvido um transtorno de atenção. A capacidade de concentração é influenciada por diversos fatores, como qualidade do sono, ansiedade, estresse, humor, hábitos digitais, rotina de estudos e saúde física. Por isso, antes de concluir que existe um problema específico, vale a pena observar o contexto em que essas dificuldades acontecem.
Você comentou algo que chamou minha atenção: a leitura, que antes era um prazer, hoje parece um fardo. Quando isso acontece, muitas vezes não perdemos apenas o hábito de ler; nosso cérebro pode estar mais acostumado a estímulos rápidos, variados e altamente recompensadores, como aqueles encontrados nas redes sociais. Em comparação, atividades que exigem atenção sustentada passam a parecer mais cansativas, mesmo sendo importantes ou prazerosas.
Uma estratégia útil não costuma ser "lutar" contra a vontade de olhar o celular, mas modificar o ambiente para que essa escolha seja mais fácil. Por exemplo:
deixar o celular longe durante períodos de estudo;
desativar notificações de aplicativos que geram distração;
definir blocos curtos de concentração (como 25 ou 30 minutos) seguidos de pequenas pausas;
retomar a leitura de forma gradual, começando com metas menores, sem exigir imediatamente o mesmo rendimento de antes.
Também vale a pena refletir sobre como você interpreta os momentos de distração. Muitas pessoas entram em um ciclo de autocrítica ("não consigo me concentrar", "estou perdendo tempo"), e essa culpa acaba tornando ainda mais difícil voltar para a tarefa.
Se essa dificuldade de foco surgiu apenas nos últimos anos e está restrita principalmente aos estudos ou à leitura, mudanças de hábitos e estratégias de organização podem trazer uma melhora importante. Por outro lado, se você percebe que essas dificuldades estão presentes desde a infância, acontecem em diferentes contextos e vêm acompanhadas de desorganização persistente, impulsividade ou dificuldade para concluir tarefas, pode ser interessante realizar uma avaliação com um psicólogo ou psiquiatra para investigar outras possibilidades, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Independentemente da causa, recuperar a capacidade de concentração costuma ser um processo gradual. Assim como o cérebro se adapta aos estímulos rápidos, ele também pode reaprender, aos poucos, a sustentar a atenção em atividades mais longas quando elas voltam a fazer parte da rotina.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion
A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sinto muito que você esteja passando por isso. Pelo que você descreve, o seu sofrimento parece ser intenso e está afetando diferentes áreas da sua vida, como a escola, o relacionamento, a concentração, a memória, as emoções e a disposição para realizar atividades do dia a dia.
Os sintomas que você relata tristeza frequente, choro constante, sensação de vazio, perda de interesse pelas coisas que antes eram agradáveis, dificuldade de concentração, sensação de que "perdeu a si mesma", cansaço, isolamento, ansiedade e pensamentos de que as pessoas a rejeitam podem, sim, estar presentes em um quadro de depressão. No entanto, eles não são exclusivos desse transtorno e também podem ocorrer em outras condições psicológicas ou até mesmo em algumas condições médicas. Por isso, não é possível confirmar um diagnóstico apenas por meio de uma mensagem.
É importante destacar que as dificuldades de memória e de raciocínio que você percebe também podem acontecer durante episódios de depressão e ansiedade. Muitas pessoas têm a impressão de que "estão ficando burras" ou que "não conseguem mais pensar", quando, na realidade, a atenção e a capacidade de concentração estão muito prejudicadas pelo sofrimento emocional.
Também chamou minha atenção o fato de você dizer que sente que as pessoas a odeiam e que seu namorado pode deixá-la a qualquer momento. Quando estamos vivendo um sofrimento intenso, é comum que nossa forma de interpretar as situações fique mais negativa, fazendo com que aumentem os sentimentos de insegurança, rejeição e desesperança.
O mais importante agora é que você não enfrente isso sozinha. Como os sintomas já duram cerca de dois meses e estão causando prejuízo importante na sua rotina, acredito que seria fundamental procurar ajuda profissional o quanto antes. Um psicólogo poderá realizar uma avaliação detalhada e iniciar o acompanhamento. Também seria importante consultar um psiquiatra, que poderá avaliar se existe um quadro depressivo ou outra condição que necessite de tratamento específico.
Enquanto busca atendimento, procure compartilhar o que está acontecendo com um adulto de confiança, como um familiar, responsável, professor ou outro profissional da escola. Você não precisa carregar esse sofrimento sozinha.
Por fim, gostaria de deixar uma mensagem importante: embora hoje pareça que você "se perdeu de si mesma", isso não significa que essa seja sua nova realidade permanente. Quando esses sintomas estão relacionados a um transtorno emocional, eles costumam melhorar significativamente com o tratamento adequado.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins
Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.
Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.
As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.
Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim, o que você está descrevendo é uma experiência bastante comum e, pelo seu relato, não parece indicar que exista algo de errado com você ou com o relacionamento.
Chamou minha atenção o fato de você dizer que esses quatro dias permitiram viver um pouco da rotina como casal: viajaram, cozinharam, dormiram juntos e compartilharam momentos simples do dia a dia. Muitas vezes, não é apenas a presença da pessoa que faz falta, mas a experiência de convivência que foi construída nesses dias.
Quando passamos um período prolongado ao lado de alguém com quem nos sentimos seguros e conectados, nosso cérebro e nosso corpo se adaptam àquela rotina. Ao retornar para casa, é natural existir um período de readaptação. Algumas pessoas vivenciam isso como saudade; outras descrevem exatamente como você: uma sensação de vazio, vontade de chorar e a impressão de que algo importante ficou para trás.
Também é interessante observar que você diferencia essa tristeza de outros sentimentos. Você relata que não existe medo de abandono, insegurança ou conflitos na relação. Isso sugere que o sofrimento está muito mais relacionado à separação temporária de alguém que lhe faz bem do que a uma preocupação com o futuro do relacionamento.
Na perspectiva comportamental contextual, faz sentido que uma experiência tão significativa seja seguida por um momento de tristeza. Quando algo tem muito valor para nós, sua ausência tende a ser sentida. Nesse sentido, a saudade pode ser compreendida como um reflexo da importância que aquela relação tem na sua vida, e não necessariamente como um sinal de dependência emocional.
Vale a pena observar apenas como essa tristeza evolui. Se ela diminui gradualmente conforme você retoma sua rotina, seus estudos, trabalho, lazer e outros vínculos, isso costuma fazer parte de um processo natural de adaptação. Com o tempo, muitas pessoas percebem que conseguem sentir saudade sem que ela impeça o funcionamento do dia a dia.
Por outro lado, se a sensação de vazio passar a ser muito intensa, persistente, impedir que você aproveite sua própria vida ou fizer com que toda a sua felicidade dependa exclusivamente da presença do parceiro, pode ser interessante explorar essas questões na psicoterapia.
Pelo que você descreveu, entretanto, parece que está vivendo algo bastante humano: depois de experimentar dias muito felizes ao lado de quem ama, é natural sentir falta dessa convivência quando ela termina. A tristeza, nesse contexto, não significa que o relacionamento esteja mal; muitas vezes, ela apenas revela o quanto essa relação é significativa para você.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in
Olá, tudo bem?
Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Essa é uma dúvida muito comum e, ao mesmo tempo, bastante delicada. A resposta mais honesta é que nem sempre é possível diferenciar imediatamente se o que você está sentindo corresponde a uma transferência, a um interesse amoroso genuíno ou a uma combinação de ambos.
Na psicoterapia, especialmente quando o vínculo terapêutico é seguro e acolhedor, é relativamente comum que o paciente desenvolva sentimentos intensos pelo terapeuta. Esses sentimentos podem envolver admiração, carinho, necessidade de proximidade e, em alguns casos, interesse amoroso ou sexual. Isso, por si só, não significa que haja algo de errado com você nem com o processo terapêutico.
Na psicanálise, esses sentimentos costumam ser compreendidos como parte da transferência, ou seja, um fenômeno em que emoções, expectativas e formas de se relacionar, construídas ao longo da história de vida, passam a ser vividas na relação com o terapeuta. No entanto, reconhecer que existe transferência não significa afirmar que o interesse seja "falso". Os sentimentos costumam ser reais; o que se investiga é por que eles surgem justamente naquele contexto e qual significado têm para a pessoa.
Algumas perguntas podem ajudar na reflexão:
O que exatamente desperta sua admiração ou interesse por ela?
Você sente vontade de conhecê-la como pessoa fora do consultório ou percebe que o principal desejo é manter a sensação de acolhimento que experimenta nas sessões?
Esse tipo de sentimento costuma surgir com frequência em outras relações importantes da sua vida ou parece algo muito específico da terapia?
Como você imagina que seria essa relação fora do contexto terapêutico?
Independentemente da resposta, o mais importante é saber que esse é um tema legítimo para ser levado à terapia. Psicólogos são preparados para lidar com esse tipo de situação de forma ética e sem julgamento. Na maioria das vezes, conversar sobre esses sentimentos contribui para aprofundar o processo terapêutico, ajudando a compreender necessidades afetivas, padrões de relacionamento, expectativas e formas de construir vínculos.
Também é importante lembrar que, por questões éticas, psicólogos não podem estabelecer relacionamentos amorosos ou sexuais com seus pacientes. Essa regra existe justamente para proteger o paciente e preservar o caráter terapêutico da relação.
Portanto, em vez de tentar descobrir sozinho se "é transferência ou paixão de verdade", talvez seja mais útil explorar a pergunta: "O que esses sentimentos podem estar me mostrando sobre minhas necessidades, minha forma de amar e de me vincular às pessoas?". Muitas vezes, essa investigação se torna uma parte muito valiosa do tratamento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma
Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Antes de qualquer coisa, sinto muito por tudo o que você viveu. Passar por abusos na infância é uma experiência profundamente traumática e pode deixar marcas que continuam aparecendo anos depois, especialmente em situações que envolvem intimidade, confiança e vulnerabilidade.
Pelo que você descreve, o choro, o medo, as crises de pânico e as lembranças que surgem durante ou diante da possibilidade de um contato íntimo podem ser uma forma de seu organismo reagir às experiências traumáticas do passado. Em muitas pessoas, o corpo e a mente passam a associar a intimidade a perigo, mesmo quando, no presente, estão com alguém que amam e em quem confiam.
Também chamou minha atenção o fato de você relatar que, quando bebe, as crises podem piorar e você chega a ver seus abusadores e reviver memórias dos abusos. O álcool pode reduzir temporariamente a ansiedade em algumas pessoas, mas também diminui o controle sobre as emoções e pode intensificar lembranças traumáticas e episódios de pânico. Por isso, nesse momento, talvez seja importante evitar utilizá-lo como forma de lidar com esse sofrimento.
Gostaria de destacar algo muito importante: você não é "defeituosa". As reações que está apresentando não significam que exista algo errado com quem você é. Elas podem ser compreendidas como consequências de violências que você sofreu, e isso é muito diferente de um defeito pessoal.
O que você está vivendo merece acolhimento e tratamento especializado. Um psicólogo com experiência em trauma poderá ajudá-la a compreender essas reações, trabalhar as memórias traumáticas e, aos poucos, reconstruir uma sensação de segurança nas relações. Dependendo da intensidade das crises, uma avaliação com um psiquiatra também pode ser indicada para verificar se há necessidade de algum tratamento complementar.
Enquanto isso, converse com seu namorado, na medida em que se sentir confortável. Se ele compreender o que está acontecendo, poderá respeitar seus limites e caminhar ao seu lado sem pressioná-la. A intimidade saudável não acontece pela obrigação de "conseguir", mas pela construção gradual de segurança e confiança.
Você não precisa enfrentar isso sozinha. O fato de ainda sofrer hoje não significa que será assim para sempre. Existem tratamentos baseados em evidências para pessoas que passaram por traumas, e muitas conseguem reduzir significativamente os sintomas, recuperar a sensação de segurança e viver relacionamentos afetivos de forma mais tranquila.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen
Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve é uma experiência profundamente humana. O desejo de construir um vínculo íntimo, compartilhar a vida com alguém e sentir que pertence a uma relação significativa faz parte de uma necessidade afetiva presente em muitas pessoas. Portanto, o fato de isso lhe causar angústia não significa que você seja fútil ou que exista algo de errado com você.
Pelo seu relato, parece que esse desejo o acompanha desde muito cedo e continua ocupando um espaço importante na sua vida. Ao mesmo tempo, você demonstra receio de que a felicidade fique condicionada ao início de um relacionamento, o que faz surgir perguntas como: "Quando serei feliz?" ou "Preciso esperar minha vida estar resolvida para procurar alguém?".
Acredito que essas perguntas merecem ser olhadas com cuidado.
Você não precisa esperar que sua vida esteja completamente estável para se relacionar. Na realidade, poucas pessoas iniciam um relacionamento quando "tudo já está resolvido". Relacionamentos saudáveis costumam ser construídos justamente enquanto as pessoas continuam crescendo, enfrentando desafios e desenvolvendo seus projetos de vida.
Ao mesmo tempo, também não é necessário adiar seus objetivos pessoais até encontrar alguém. Construir uma carreira, desenvolver amizades, cuidar da saúde e investir em atividades que tenham significado para você não são caminhos opostos ao desejo de viver uma relação afetiva; eles podem caminhar juntos.
Outro aspecto que chamou minha atenção foi quando você disse que já viveu alguns relacionamentos, mas sentiu que nenhuma daquelas pessoas era "a pessoa certa". Isso pode refletir apenas que aqueles vínculos realmente não eram compatíveis com aquilo que você busca, mas também pode ser uma oportunidade para refletir sobre quais características você considera essenciais em uma relação e como tem construído esses encontros.
Na perspectiva comportamental contextual, o amor não costuma ser entendido como algo que encontramos apenas quando estamos completamente prontos, mas como um processo de construção. Relacionamentos envolvem vulnerabilidade, escolhas, imperfeições e disposição para conhecer o outro enquanto continuamos conhecendo a nós mesmos.
Talvez uma mudança de perspectiva possa ajudar: em vez de perguntar "quando serei feliz?", experimentar perguntar "como posso construir uma vida que faça sentido para mim, enquanto permaneço aberto à possibilidade de compartilhar essa vida com alguém?". Dessa forma, o relacionamento deixa de ser a condição para que a vida comece e passa a ser uma parte importante dela, quando acontecer.
Se essa angústia tem sido frequente ou faz você sentir que sua vida está sempre "em espera", a psicoterapia pode ajudá-lo a compreender melhor esse desejo, trabalhar as expectativas relacionadas aos relacionamentos e desenvolver uma forma mais gentil de lidar com essa fase da vida.
O fato de você ter 25 anos e ainda não ter vivido a relação que deseja não significa que esteja atrasado. Cada pessoa constrói sua trajetória afetiva em um ritmo diferente, e isso não diminui suas chances de desenvolver um relacionamento profundo e significativo no futuro.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Perguntas frequentes
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olá. ha exatos 3 meses tive uma crise de panico apos anos bem, contexto no qual minha psiq associou
A resposta à quetiapina não depende apenas da dose e não é possível afirmar…