Perguntas do paciente (640)
-
Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Essa é uma dúvida muito comum durante a gestação e, muitas vezes, gera culpa desnecessária.
É importante saber que não aceitar imediatamente a gravidez não significa, necessariamente, rejeitar o bebê. São experiências diferentes. Muitas mulheres precisam de tempo para elaborar a notícia da gestação, especialmente quando ela acontece de forma inesperada ou em um momento de muitas mudanças pessoais, profissionais ou familiares.
A adaptação à ideia de se tornar mãe costuma ser um processo gradual. Durante esse período, podem surgir sentimentos ambivalentes: alegria e medo, expectativa e insegurança, amor e vontade de que a vida permanecesse como era antes. Essas emoções podem coexistir e não fazem de você uma mãe pior.
Uma forma de refletir sobre isso é observar a origem do seu sofrimento. Você sente que está rejeitando o bebê especificamente ou percebe que está tendo dificuldade em aceitar tudo o que a gestação representa — mudanças no corpo, na rotina, nos planos, nas responsabilidades e na identidade? Muitas vezes, o conflito está relacionado à transformação que a gravidez traz para a vida, e não à criança em si.
Também vale observar como você se sente quando pensa no futuro. Mesmo que hoje exista medo ou dificuldade em aceitar a gestação, você consegue imaginar, ainda que de forma tímida, um desejo de cuidar desse bebê ou curiosidade sobre como será conhecê-lo? Quando isso acontece, geralmente estamos diante de um processo de adaptação, e não de rejeição.
Por outro lado, se você percebe sentimentos persistentes de intensa tristeza, desesperança, indiferença completa em relação à gravidez ou sofrimento que tem aumentado ao longo das semanas, é importante conversar com o obstetra e procurar acompanhamento psicológico. Em alguns casos, esses sentimentos podem estar relacionados à ansiedade, à depressão durante a gestação ou a outras dificuldades emocionais que merecem atenção.
Não existe uma maneira "correta" de sentir a gravidez. O vínculo entre mãe e bebê pode ser construído em momentos diferentes: para algumas mulheres, ele surge logo no início; para outras, fortalece-se ao longo da gestação ou até mesmo após o nascimento.
Permita-se viver esse processo sem concluir, de forma precipitada, que a dificuldade em aceitar a gravidez significa falta de amor pelo seu bebê. Dar tempo para que essa experiência seja elaborada costuma ser parte natural da maternidade.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Essa é uma pergunta muito importante. Muitas pessoas que já passaram por um episódio depressivo têm a impressão de que a depressão está sempre "à espreita", esperando um momento difícil para voltar. Embora essa sensação possa ser angustiante, ela tem uma explicação.
Um episódio de depressão não significa apenas um período de tristeza. Durante esse processo, podem ocorrer mudanças na forma como a pessoa interpreta os acontecimentos, regula as emoções e responde ao estresse. Mesmo após a melhora, essa vulnerabilidade pode permanecer em algum grau, fazendo com que eventos muito difíceis como perdas, conflitos importantes, doenças ou mudanças marcantes na vida aumentem o risco de um novo episódio.
Isso não significa que qualquer acontecimento ruim inevitavelmente levará à depressão. A maioria das pessoas vivencia adversidades ao longo da vida, e muitos fatores influenciam a forma como cada um reage, como apoio social, qualidade do sono, saúde física, estratégias de enfrentamento, histórico de episódios anteriores e continuidade do tratamento quando necessário.
Na perspectiva comportamental contextual, também se considera que momentos de sofrimento intenso podem favorecer padrões de esquiva, isolamento e redução das atividades significativas. Esses comportamentos costumam trazer alívio momentâneo, mas, quando se mantêm por muito tempo, podem contribuir para o agravamento ou a manutenção dos sintomas depressivos.
A boa notícia é que o tratamento não busca apenas aliviar um episódio de depressão, mas também reduzir a vulnerabilidade a recaídas. A psicoterapia ajuda a identificar sinais precoces de piora, fortalecer estratégias de enfrentamento, ampliar a flexibilidade psicológica e manter uma rotina mais alinhada aos próprios valores. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico e o uso de medicação também desempenham um papel importante na prevenção de novos episódios.
Por isso, em vez de pensar que a depressão está sempre esperando para voltar, pode ser mais útil entender que algumas pessoas desenvolvem uma maior sensibilidade ao estresse, mas também podem desenvolver recursos para reconhecer os primeiros sinais, cuidar de si mesmas e buscar ajuda antes que um novo episódio se instale.
Ter vivido uma depressão aumenta o risco de recorrência, mas não significa que ela seja inevitável. Muitas pessoas permanecem bem por muitos anos e conseguem construir uma vida satisfatória com o apoio e as estratégias adequadas.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo
Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sinto muito que você tenha vivido essa experiência.
Pelo que você relata, o sofrimento não parece estar relacionado apenas ao que aconteceu no trabalho, mas também ao fato de não ter se sentido acreditado por alguém de quem esperava acolhimento e proteção. Quando uma pessoa passa por uma situação muito difícil e, ao buscar apoio, recebe descrédito ou minimização do seu sofrimento, é comum surgirem sentimentos de abandono, traição e profunda solidão.
É importante reconhecer que esses sentimentos fazem sentido dentro da sua história. Em muitos momentos da vida, esperamos que figuras importantes, como nossos pais, validem nossa experiência e nos ofereçam segurança. Quando isso não acontece, a dor costuma ser maior do que a causada pelo próprio evento estressante.
Ao mesmo tempo, chamou minha atenção a conclusão a que você chegou: de que "a maioria das pessoas não presta e são falsas". Essa conclusão é compreensível diante do sofrimento vivido, mas vale a pena observá-la com cuidado. Muitas vezes, após experiências de intensa decepção, nossa mente passa a generalizar o ocorrido como uma forma de proteção, tentando evitar que sejamos machucados novamente. Embora essa estratégia possa diminuir a vulnerabilidade no curto prazo, ela também pode dificultar a construção de novos vínculos e fazer com que a desconfiança se estenda a pessoas que nunca contribuíram para esse sofrimento.
Na psicoterapia, costuma ser importante diferenciar duas dores: a dor causada pelo que aconteceu no ambiente de trabalho e a dor de não ter recebido o apoio que você precisava da sua mãe. Elaborar essas experiências não significa justificar a atitude dela, mas compreender o impacto que isso teve sobre você e evitar que essa vivência continue determinando a forma como enxerga todas as outras relações.
Também pode ser útil refletir sobre algo importante: o fato de sua mãe não ter conseguido validar sua experiência não significa, necessariamente, que aquilo que você viveu não tenha sido real. Muitas pessoas, por limitações pessoais, dificuldade de compreender o sofrimento do outro ou até mecanismos de defesa, acabam reagindo dessa forma. Isso pode explicar o comportamento, mas não diminui a dor que ele causou.
Com o tempo, o objetivo da terapia costuma ser ajudá-lo a construir uma forma de reconhecer essa ferida sem permitir que ela se transforme em uma crença permanente de que ninguém é confiável. É possível preservar o cuidado consigo mesmo, estabelecer limites quando necessário e, ao mesmo tempo, continuar aberto à possibilidade de encontrar pessoas que ofereçam relações mais seguras e acolhedoras.
Se esse sentimento de abandono ainda é muito intenso, acredito que ele merece um espaço específico na psicoterapia. Muitas vezes, trabalhar essa experiência permite não apenas aliviar a dor do passado, mas também recuperar a confiança para construir novos vínculos no presente.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo
Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim, tanto a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) quanto outras abordagens psicoterapêuticas baseadas em evidências podem ajudar bastante quando existe esse padrão de impulsividade, busca constante por novos conteúdos e dificuldade em manter o foco no trabalho.
Pelo que você descreve, parece haver um ciclo em que o aprendizado deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a competir com a execução. Você sente necessidade de comprar livros, fazer cursos ou consumir mais conteúdo, mas isso acaba reduzindo o tempo dedicado àquilo que realmente gostaria de produzir. Muitas pessoas descrevem esse funcionamento como a sensação de que "ainda não sabem o suficiente para começar" ou de que "precisam aprender mais um pouco antes de agir".
Além disso, você menciona o perfeccionismo. Em alguns casos, ele pode contribuir para esse ciclo: buscar mais conhecimento gera uma sensação temporária de preparo, mas também adia o enfrentamento das tarefas, mantendo a impressão de que ainda falta algo para começar ou concluir um trabalho.
Na psicoterapia, o objetivo não costuma ser fazer a pessoa deixar de estudar ou de gostar de aprender. Pelo contrário, busca-se compreender qual função esse comportamento está desempenhando. Em algumas pessoas, consumir conteúdos ajuda a aliviar a ansiedade, evitar o medo de errar, reduzir a insegurança ou proporcionar uma sensação imediata de produtividade, mesmo quando as tarefas mais importantes permanecem adiadas.
A TCC pode ajudar a identificar esses padrões de pensamento e comportamento, enquanto terapias comportamentais contextuais, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), também podem ser bastante úteis ao trabalhar a capacidade de agir em direção aos próprios objetivos mesmo quando surgem insegurança, vontade de estudar mais ou necessidade de fazer tudo perfeitamente.
Também vale a pena considerar uma avaliação mais ampla, especialmente se essa impulsividade vier acompanhada de dificuldade persistente para manter a atenção, iniciar ou concluir tarefas, desorganização e distrações frequentes desde a infância ou adolescência. Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o que merece investigação por um psicólogo ou psiquiatra.
Portanto, sim, a psicoterapia pode ajudá-lo não apenas a reduzir o perfeccionismo e a impulsividade, mas também a desenvolver estratégias para transformar o conhecimento em ação, equilibrando o tempo dedicado ao aprendizado e à execução do que realmente é importante para você.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Repetir uma pequena frase ou uma palavra por algumas dezenas de minutos tem mesmo efeito relaxamento
Repetir uma pequena frase ou uma palavra por algumas dezenas de minutos tem mesmo efeito relaxamento e calmante na mente e faz alterar as ondas cerebrais rápidas para as mais lentas?
Mas pode ser verbalmente? Ou funciona melhor se for Mentalmente
Muito obrigado psicólogos do Doctoralia tomara que me respondamRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim, repetir uma palavra, uma frase curta ou um som de forma intencional pode promover uma sensação de relaxamento em algumas pessoas. Essa prática é conhecida em diferentes tradições como mantra, oração repetitiva ou um exercício de foco atencional, e também é utilizada em algumas intervenções de mindfulness e meditação.
Os estudos mostram que esse tipo de prática pode reduzir a ativação fisiológica associada ao estresse, diminuir a frequência de pensamentos repetitivos e favorecer um estado de maior calma. Em algumas pesquisas, também foram observadas alterações na atividade cerebral durante estados meditativos. No entanto, é importante ter cautela ao afirmar que a repetição "faz mudar as ondas cerebrais rápidas para lentas", pois essa relação é mais complexa e varia conforme a pessoa, o tipo de prática e o contexto. Além disso, essas alterações não são o principal objetivo nem um indicador necessário de que a técnica está funcionando.
Quanto à sua pergunta sobre repetir mentalmente ou verbalmente, as duas formas podem ser eficazes. Algumas pessoas preferem repetir em silêncio, pois isso facilita a concentração. Outras percebem maior benefício ao falar em voz baixa, porque o som da própria voz ajuda a manter a atenção na tarefa. Não existe evidência consistente de que uma forma seja, de modo geral, superior à outra; o mais importante costuma ser aquela que permite manter o foco de maneira confortável.
Também vale lembrar que o efeito dessas práticas tende a ser maior quando elas são realizadas de forma regular, e não apenas nos momentos de ansiedade intensa.
Por outro lado, se a repetição passar a ser feita porque a pessoa sente que precisa repetir determinada palavra ou frase para evitar que algo ruim aconteça ou para aliviar uma ansiedade muito intensa, é importante investigar melhor essa situação. Nesses casos, a repetição pode estar funcionando como um comportamento compulsivo, o que exige uma abordagem diferente.
Portanto, como técnica de relaxamento e de direcionamento da atenção, repetir uma palavra ou uma frase pode, sim, ser útil para muitas pessoas. O ideal é experimentar a forma que lhe parecer mais natural mentalmente ou em voz baixa e observar como seu corpo e sua mente respondem.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz
Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Os sintomas que você descreve — dificuldade de concentração, agitação e pensamento acelerado — podem ocorrer por diferentes motivos e, por isso, é importante evitar tirar conclusões apenas com base nesses sinais.
Essas dificuldades podem estar relacionadas, por exemplo, à ansiedade, ao estresse crônico, ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), a alterações do humor, à privação de sono ou até mesmo a fatores clínicos que precisam ser investigados. O significado desses sintomas depende de aspectos como há quanto tempo eles estão presentes, em quais situações aparecem e o quanto estão interferindo na sua vida.
Enquanto busca uma avaliação profissional, algumas estratégias podem ajudar a reduzir o impacto desses sintomas no trabalho:
dividir tarefas maiores em etapas menores e mais objetivas;
realizar uma atividade por vez, evitando alternar constantemente entre diferentes demandas;
reduzir distrações sempre que possível, como notificações do celular ou excesso de abas abertas no computador;
fazer pequenas pausas programadas ao longo do expediente, principalmente após períodos prolongados de concentração;
cuidar da qualidade do sono, da alimentação e da prática regular de atividade física, pois esses fatores influenciam diretamente o funcionamento cognitivo.
Também vale a pena observar se o pensamento acelerado aparece em momentos específicos, como diante de preocupações, prazos ou conflitos, ou se permanece presente durante a maior parte do tempo. Essas informações costumam ser muito úteis para a avaliação clínica.
Se esses sintomas têm sido frequentes ou estão prejudicando seu desempenho profissional, o ideal é procurar um psicólogo para uma avaliação inicial. Dependendo do caso, também pode ser recomendada uma consulta com um psiquiatra, especialmente se houver suspeita de um transtorno de ansiedade, alterações do humor ou TDAH.
O mais importante é lembrar que dificuldade de concentração não é um diagnóstico em si, mas um sintoma que pode ter diferentes causas. Identificar a origem do problema é o primeiro passo para definir o tratamento mais adequado.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d
Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.
Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.
Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.
Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Obrigado por descrever sua experiência com tantos detalhes. O conjunto de sintomas que você relata merece uma avaliação cuidadosa, mas é importante destacar que não é possível estabelecer um diagnóstico apenas com base nesse relato.
Os "flashes" que você descreve chamam atenção por serem pensamentos ou imagens mentais involuntárias, muito rápidas, recorrentes e acompanhadas de grande desconforto. Além disso, você relata que, em algumas situações, sente necessidade de realizar pequenas verificações ou comportamentos para diminuir a sensação de que algo ruim possa acontecer. Esse padrão pode ser observado em algumas pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), especialmente quando há obsessões de conteúdo agressivo ou catastrófico acompanhadas de comportamentos de busca de segurança. Nesses casos, a pessoa geralmente reconhece que esses pensamentos surgem contra sua vontade e sofre justamente porque eles entram em conflito com aquilo que ela valoriza.
Entretanto, esse não é o único diagnóstico possível. Pensamentos intrusivos também podem ocorrer em quadros de ansiedade, estresse intenso e outras condições psicológicas.
Outro aspecto importante do seu relato são as experiências que ocorreram na infância, como a sensação da "bola gigante", a percepção de espinhos na parede e a sensação de pressão ou aprisionamento. Esses episódios, por terem ocorrido em momentos específicos do desenvolvimento e terem reaparecido brevemente anos depois, não devem ser automaticamente interpretados como parte do mesmo fenômeno dos pensamentos atuais. Existem diferentes explicações possíveis para esse tipo de experiência, incluindo fenômenos neurológicos, perceptivos e relacionados ao sono, razão pela qual merecem investigação específica.
Da mesma forma, o sonho muito vívido em que você levou um tiro, embora tenha sido extremamente marcante, isoladamente não costuma indicar uma condição específica. Sonhos intensos podem ocorrer em pessoas sem qualquer transtorno e também em diferentes condições emocionais.
Pela combinação dos sintomas que você apresenta, acredito que o mais adequado seja realizar uma avaliação com um psiquiatra, que poderá investigar de forma abrangente as hipóteses diagnósticas e verificar se há necessidade de exames complementares ou encaminhamento para outras especialidades, como a neurologia, caso considere pertinente. Paralelamente, o acompanhamento com um psicólogo também pode ser bastante importante para compreender melhor esses pensamentos, avaliar seu impacto na sua vida e iniciar intervenções caso se confirme um quadro de ansiedade ou TOC.
Enquanto essa avaliação não acontece, procure observar alguns aspectos que poderão ajudar os profissionais:
se os pensamentos surgem em situações específicas ou aleatórias;
quanto tempo duram e com que frequência ocorrem;
se você consegue reconhecer que são pensamentos produzidos pela sua mente ou se, durante o episódio, parecem completamente reais;
quais comportamentos você realiza para aliviar a angústia;
se houve mudanças recentes na sua rotina, no sono, no estresse ou no uso de medicamentos e outras substâncias.
O fato de você conseguir descrever esses episódios com clareza e reconhecer que eles surgem de forma involuntária é uma informação clínica importante e será útil durante a avaliação.
Como os sintomas são recentes, têm ocorrido várias vezes ao dia e estão interferindo na sua atenção e no seu bem-estar, recomendo que procure essa avaliação o quanto antes. Quanto mais cedo houver um esclarecimento diagnóstico, maiores são as possibilidades de um tratamento adequado.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet
Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.
Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.
Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.
Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá. O que você descreve pode, sim, estar relacionado ao TOC, especialmente quando a culpa se torna desproporcional e a pessoa passa a interpretar um pensamento como se ele tivesse o mesmo peso de uma ação. No TOC, é comum ocorrer o fenômeno chamado fusão pensamento-ação, em que a pessoa acredita que apenas pensar em uma possibilidade significa desejar que ela aconteça ou que isso revele algo sobre seu caráter.
Imaginar como a vida teria sido caso tivesse tomado outro caminho é uma experiência humana e bastante comum. Esse tipo de pensamento, por si só, não permite concluir que você ainda tenha sentimentos por essa pessoa ou que deseje deixar seu relacionamento atual. Pensamentos são eventos mentais, não decisões ou intenções.
O fato de você ter sentido culpa intensa logo após o pensamento pode estar mais relacionado ao funcionamento do TOC do que ao conteúdo do pensamento em si. Muitas vezes, quanto maior a tentativa de ter certeza absoluta sobre o significado desses pensamentos, mais eles retornam e mais sofrimento causam.
Como você relata que a infidelidade ocorreu no passado, foi reconhecida, seu companheiro optou por perdoá-la e vocês decidiram seguir juntos, talvez uma parte importante do trabalho terapêutico seja aprender a diferenciar responsabilidade de culpa permanente. Assumir um erro, reparar quando possível e seguir vivendo é diferente de sentir que precisa continuar se punindo indefinidamente.
Vale a pena levar essa questão para seu psicólogo ou psiquiatra. Se esse pensamento estiver sendo acompanhado por necessidade de analisá-lo repetidamente, buscar certeza sobre o que ele significa ou procurar alívio por meio de repetidas confirmações, isso pode fazer parte do ciclo do TOC e existem intervenções específicas que costumam ajudar bastante, como a Terapia Cognitivo-Comportamental com Exposição e Prevenção de Resposta (EPR).
-
Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi
Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você está descrevendo é uma experiência relativamente comum nas primeiras semanas de tratamento para o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
Pelo seu relato, houve uma melhora importante da ansiedade e das crises após o início da sertralina. Ao mesmo tempo, essa sensação de tranquilidade tem lhe causado estranheza, como se você não estivesse sendo "você mesma". Isso pode acontecer porque, quando uma pessoa convive por muitos anos com um nível elevado de ansiedade, o estado de alerta constante passa a ser percebido como familiar. Quando esse estado diminui, o cérebro pode interpretar a calma como algo "diferente" ou até estranho, simplesmente porque ainda não está habituado a ela.
A explicação dada pela sua psiquiatra e pela sua psicóloga é compatível com o que costuma ser observado na prática clínica. À medida que o tratamento evolui, muitas pessoas passam a perceber essa tranquilidade como algo mais natural. Em vez de sentir que "não são elas mesmas", começam a reconhecer que estavam vivendo sob um nível de ansiedade tão elevado que esse estado havia se tornado o padrão.
Também é importante diferenciar tranquilidade de apatia ou embotamento emocional. A tranquilidade costuma vir acompanhada da capacidade de sentir emoções de maneira mais equilibrada e de lidar melhor com as situações do dia a dia. Já o embotamento emocional envolve uma redução importante da capacidade de sentir tanto emoções positivas quanto negativas. Caso você perceba que está indiferente a tudo, sem conseguir sentir alegria, interesse ou afeto, vale a pena conversar novamente com sua psiquiatra para reavaliar o tratamento.
Na psicoterapia, esse período costuma ser muito importante. Com a redução da ansiedade, muitas pessoas começam a entrar em contato com emoções, pensamentos e necessidades que antes ficavam encobertos pelo estado constante de preocupação. Além disso, é um momento favorável para desenvolver estratégias que permitam manter a melhora a longo prazo, sem depender exclusivamente da medicação.
Por isso, a tendência é que essa sensação de calma vá se tornando mais familiar ao longo das próximas semanas e meses. Em vez de representar uma perda da sua identidade, ela pode significar que seu organismo está encontrando um funcionamento mais equilibrado. Ainda assim, continue compartilhando essas percepções com sua psiquiatra e sua psicóloga, pois acompanhar essa adaptação faz parte do tratamento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta
Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim. A Terapia Comportamental Dialética (DBT) pode ser uma opção bastante útil mesmo para pessoas que não possuem Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).
Embora a DBT tenha sido desenvolvida inicialmente para o tratamento do TPB, atualmente há evidências de sua eficácia para outras condições que envolvem dificuldades de regulação emocional, impulsividade e sofrimento intenso, incluindo alguns casos de transtorno bipolar, TDAH e outros transtornos psiquiátricos.
No seu caso, é importante considerar que tanto o TDAH quanto o transtorno bipolar podem trazer desafios relacionados à organização, impulsividade, tolerância à frustração e manejo das emoções. As habilidades ensinadas na DBT, como mindfulness, regulação emocional, tolerância ao sofrimento e efetividade interpessoal, podem contribuir para lidar melhor com essas dificuldades, desde que adaptadas às suas necessidades.
Também vale a pena refletir sobre o motivo pelo qual você sente que a TCC não tem ajudado tanto. Nem sempre isso significa que a abordagem não seja adequada. Às vezes, pode estar relacionado ao foco das intervenções, ao momento do tratamento, à forma como a terapia foi conduzida ou até mesmo à necessidade de trabalhar habilidades que não foram priorizadas até então.
Além da DBT, outras abordagens baseadas em evidências, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), também podem ser úteis para pessoas com TDAH e transtorno bipolar, especialmente quando o objetivo é desenvolver maior flexibilidade psicológica, reduzir a luta contra pensamentos e emoções difíceis e construir uma vida mais alinhada aos próprios valores.
O mais importante é que o tratamento seja individualizado e integrado ao acompanhamento psiquiátrico, principalmente no transtorno bipolar, em que a estabilização do humor é um componente fundamental para que a psicoterapia alcance melhores resultados.
Se você tem a impressão de que sua terapia atual não está atendendo às suas necessidades, converse abertamente com seu psicólogo sobre isso. Essa conversa pode ajudar a redefinir objetivos, ajustar o plano terapêutico ou, se fizer mais sentido, considerar uma abordagem diferente ou um profissional com experiência específica nas dificuldades que você apresenta.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s
Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Antes de tudo, sinto muito pela experiência que você teve com aquele profissional. O comentário que recebeu foi inadequado e compreendo que isso possa ter dificultado sua confiança em buscar ajuda novamente.
Pelo que você descreve, o que mais chama a atenção não é o fato de você ter se deparado com um conteúdo perturbador, mas a intensidade da culpa, da angústia e da forma como você passou a interpretar esse episódio.
Na internet, é relativamente comum que conteúdos sejam encontrados de maneira inesperada, especialmente quando se navega por sites pornográficos. O fato de você ter interrompido a visualização rapidamente, perdido o interesse e ficado profundamente incomodada com o que viu sugere que esse material entrou em conflito com os seus valores e lhe causou sofrimento, e não prazer.
Além disso, você faz uma comparação com uma "recaída", como se esse episódio definisse quem você é ou anulasse todos os anos em que isso não fez parte da sua vida. Esse tipo de interpretação costuma aumentar ainda mais a culpa e manter o sofrimento.
Outro aspecto importante é que você relata estar em tratamento para ansiedade e depressão. Em algumas pessoas, principalmente quando existe um padrão de ansiedade associado à culpa ou ao medo de ter feito algo moralmente errado, acontecimentos como esse podem desencadear um ciclo de ruminação, autocrítica e necessidade de encontrar uma explicação ou uma certeza de que "não são uma pessoa ruim".
Na psicoterapia, seria importante compreender não apenas esse episódio específico, mas também a relação que você desenvolveu com a culpa, a sexualidade e as exigências que faz a si mesma. Também seria útil explorar como a baixa libido, sua história afetiva e a ausência de experiências sexuais influenciam a forma como você vive essas questões.
Você pergunta se precisa de terapia. Acredito que sim, mas não porque esse episódio signifique que exista algo "errado" com você. A terapia pode ajudá-la justamente a compreender esse sofrimento, reduzir a autocrítica e construir uma relação mais saudável com sua sexualidade e consigo mesma.
Como você já possui acompanhamento psiquiátrico, seria interessante associar a psicoterapia com um profissional com experiência em ansiedade, sexualidade ou terapias baseadas em evidências. E, se não se sentir acolhida pelo primeiro profissional, saiba que isso não significa que todos atuarão da mesma forma. Um bom processo terapêutico deve oferecer um ambiente de respeito, escuta e ausência de julgamentos.
Pelo seu relato, você demonstra preocupação com seus valores e sofrimento diante do ocorrido, e isso é muito diferente de desejar ou aprovar o conteúdo que viu. Há espaço para compreender essa experiência sem que ela defina quem você é.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro,
Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro, um pombo, um gato, etc....Qual especialista devo procurar?
Muito obrigadoRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve merece atenção, principalmente porque esse medo parece ser muito intenso e está provocando uma reação de pânico diante de diferentes animais.
É relativamente comum que crianças tenham medo de alguns animais em determinadas fases do desenvolvimento. No entanto, quando o medo é desproporcional ao perigo real, provoca crises intensas (como gritos, paralisação ou choro intenso) e começa a interferir na rotina da criança, pode ser um indicativo de que esse medo está causando um prejuízo importante e merece avaliação.
O profissional mais indicado para iniciar esse processo é um psicólogo infantil. Durante a avaliação, ele procurará compreender quando esse medo começou, se houve alguma experiência marcante envolvendo animais, como a criança reage nessas situações e o impacto que isso tem na vida dela e da família.
Em muitos casos, esse tipo de quadro pode estar relacionado a uma fobia específica, um transtorno de ansiedade caracterizado por medo intenso e persistente de um objeto ou situação. No entanto, somente uma avaliação clínica poderá confirmar essa hipótese e descartar outras possibilidades.
O tratamento costuma apresentar bons resultados. Abordagens baseadas em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e as terapias comportamentais, frequentemente utilizam estratégias graduais de exposição, sempre respeitando o ritmo da criança, associadas ao ensino de habilidades para lidar com a ansiedade. O objetivo não é forçá-la a enfrentar o medo de uma vez, mas ajudá-la, aos poucos, a desenvolver uma sensação maior de segurança e confiança.
Enquanto aguardam a avaliação, procure evitar tanto forçar a criança a se aproximar dos animais quanto reforçar excessivamente a evitação. O mais importante é acolher o medo dela, transmitir segurança e permitir que o tratamento conduza esse processo de forma gradual.
Se, além do medo de animais, ela apresentar outros medos muito intensos, preocupações frequentes ou dificuldades em diferentes situações do dia a dia, vale a pena informar isso ao psicólogo, pois ajudará na avaliação.
A boa notícia é que os transtornos de ansiedade na infância costumam responder bem ao tratamento quando identificados precocemente.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no ence
Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no encerramento de uma terapia que não resolveu a demanda.
É normal o processo ser encerrado sem uma sessão de devolutiva do psicólogo? Mesmo já tendo se passado alguns meses do término, o paciente ainda tem o direito de solicitar e receber essas informações por escrito, ou o profissional pode se recusar pelo tempo decorrido?
Eu gostaria de saber se tenho o direito de receber um relatório onde o profissional explique a visão geral dele sobre qual ele entendeu que era a minha demanda, qual seria a solução pensada por ele e quais barreiras ou limitações foram encontradas para que o processo não tenha dado certo. Também gostaria de saber se é meu direito pedir o prontuário com o histórico das sessões, contendo o que eu falei, as demandas que trouxe e as intervenções que ele fez.
O psicólogo é obrigado por regulamentação ou código de ética a me fornecer tudo isso caso eu peça, ou é algo opcional? Se for obrigado, como essas informações devem ser entregues oficialmente: em formato digital como PDF assinado ou em papel físico impresso?
Como preciso dessas informações para buscar uma nova ajuda especializada a partir da avaliação técnica de um profissional da saúde, o que mais seria de meu direito solicitar para me ajudar nessa transição, e também a entender toda a minha demanda a partir da visão de um profissional pra eu conseguir lidar melhor com minhas questões?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sua dúvida é bastante pertinente. De modo geral, o paciente tem direito de solicitar informações e documentos relacionados ao seu atendimento psicológico, mas é importante diferenciar o que é um direito previsto nas normas da profissão daquilo que depende do julgamento técnico do psicólogo.
Em relação ao encerramento da psicoterapia, uma sessão de devolutiva costuma ser considerada uma boa prática clínica, pois permite revisar o processo terapêutico, discutir os resultados alcançados, esclarecer dúvidas e, quando necessário, orientar os próximos passos. No entanto, ela não é obrigatória em todos os casos e pode não ocorrer por diferentes motivos, como interrupção do tratamento pelo próprio paciente ou impossibilidade de continuidade do vínculo.
Mesmo que alguns meses tenham se passado desde o término da terapia, você ainda pode entrar em contato com o profissional e solicitar documentos relacionados ao atendimento.
Quanto aos documentos, é importante distinguir suas finalidades:
Prontuário psicológico: reúne os registros técnicos do atendimento, elaborados pelo psicólogo para documentar o processo terapêutico. O paciente tem direito de solicitar acesso às informações que lhe dizem respeito, respeitados os critérios técnicos e éticos previstos pelo Conselho Federal de Psicologia.
Relatório psicológico: é um documento elaborado mediante solicitação, destinado a descrever aspectos do atendimento, objetivos, procedimentos e observações clínicas pertinentes para a finalidade informada. Ele não precisa reproduzir integralmente o conteúdo do prontuário nem responder exatamente às perguntas formuladas pelo paciente, pois sua elaboração segue critérios técnicos estabelecidos pela profissão.
Assim, você pode solicitar um relatório para auxiliar na continuidade do tratamento com outro profissional. É possível informar que gostaria que ele contemplasse uma síntese da demanda apresentada, dos objetivos terapêuticos, das intervenções realizadas, da evolução observada e dos fatores que, na avaliação técnica do psicólogo, influenciaram o encerramento ou os resultados obtidos. O conteúdo final, entretanto, será definido pelo profissional de acordo com as normas éticas e técnicas.
Da mesma forma, você pode solicitar cópia das informações do prontuário às quais tem direito. Caso existam dados cujo compartilhamento possa gerar prejuízo ao próprio paciente ou envolvam informações protegidas de terceiros, o psicólogo deverá avaliar a forma mais adequada de disponibilizá-los, sempre fundamentado nas normas profissionais.
Atualmente, esses documentos podem ser entregues em formato físico ou digital. Quando emitidos eletronicamente, é comum que sejam enviados em PDF com assinatura eletrônica ou digital, desde que atendam aos requisitos de autenticidade e validade do documento.
Se o objetivo é facilitar a transição para um novo tratamento, além do relatório, pode ser útil solicitar informações sobre a hipótese diagnóstica (quando houver), os objetivos trabalhados, as intervenções utilizadas, a evolução observada e recomendações para a continuidade do acompanhamento. Esses elementos costumam ser suficientes para oferecer ao novo profissional uma compreensão inicial do caso.
Caso surjam dúvidas sobre seus direitos ou sobre a emissão de documentos psicológicos, também é possível buscar orientação junto ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) da sua região.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo
Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo do jeito dela , arruma uma cama tenq ser do jeito que ela bota se muda pronto já faz escândalo começa a jogar os brinquedos pro alto , as vezes que me bater me morde , as vezes colocar uma meia no pé a meia estando certa ela cisma que está errada aí começa o choro os gritos, está bem difícil até na rua agora ela está fazendo essas coisas ela tem 3 anos , ela fica tão irritada aí ponto até da cara dela ficar cm algumas placas vermelhas. Qual especialista devo procurar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Imagino o quanto essa situação esteja sendo desgastante para você. Quando uma criança apresenta crises intensas de irritação com frequência, é natural que os pais se sintam preocupados e sem saber como agir.
Aos 3 anos de idade, é esperado que as crianças ainda tenham dificuldade para lidar com frustrações e emoções intensas. Nessa fase, elas estão desenvolvendo habilidades de autorregulação e, muitas vezes, recorrem ao choro, aos gritos ou às chamadas "birras" quando algo não acontece da forma que desejam. No entanto, quando essas crises são muito frequentes, intensas ou começam a causar prejuízos importantes na rotina da criança e da família, vale a pena buscar uma avaliação.
Pelo que você descreve, chamou a atenção o fato de que ela apresenta reações muito intensas diante de pequenas mudanças, como a posição de uma meia ou da cama, além de jogar objetos, tentar bater, morder e apresentar essas crises também em ambientes públicos. Embora esses comportamentos possam ocorrer no desenvolvimento típico, a intensidade e a frequência justificam uma avaliação mais detalhada.
O profissional mais indicado para iniciar essa investigação costuma ser um psicólogo infantil, que poderá observar o comportamento da criança, compreender o contexto em que essas crises acontecem e orientar os pais sobre estratégias de manejo. Dependendo da avaliação, também pode ser recomendada uma consulta com um pediatra ou um neuropediatra, especialmente se houver suspeita de alterações no desenvolvimento, dificuldades sensoriais ou outras condições que precisem ser investigadas.
Enquanto aguardam a avaliação, algumas atitudes podem ajudar:
procurar manter uma rotina previsível, pois muitas crianças lidam melhor com o dia a dia quando sabem o que esperar;
estabelecer limites de forma calma e consistente, evitando entrar em discussões durante a crise;
acolher a emoção da criança, sem ceder necessariamente ao comportamento inadequado;
observar se existem situações que costumam desencadear as crises, como cansaço, fome, mudanças de rotina ou ambientes muito estimulantes.
O fato de surgirem manchas vermelhas no rosto durante as crises provavelmente está relacionado à intensa ativação emocional e ao esforço físico de chorar ou gritar. Ainda assim, é importante comentar esse aspecto com o pediatra para que ele possa avaliar se há necessidade de alguma investigação adicional.
Uma avaliação precoce não significa que exista, necessariamente, um transtorno. Ela serve justamente para compreender melhor o que está acontecendo e orientar a família sobre a melhor forma de ajudar a criança nesse momento do desenvolvimento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne
Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve pode ser bastante doloroso. Permanecer pensando em alguém por tantos anos, especialmente quando existe a sensação de que houve erros ou de que a história ficou inacabada, costuma gerar dúvidas sobre os próprios sentimentos e dificultar seguir em frente.
É importante lembrar que o fato de você ainda pensar nessa pessoa não significa, necessariamente, que ela seja "o amor da sua vida" ou que vocês deveriam estar juntos. Em alguns casos, o que permanece vivo é o vínculo emocional, o arrependimento, a idealização da relação ou a dificuldade de elaborar aquilo que não pôde ser vivido ou encerrado.
Você também relata que chegou a se relacionar com outra pessoa, mas não conseguiu se sentir feliz. Isso pode acontecer quando parte da energia emocional ainda está investida na relação anterior ou quando a comparação constante impede que o novo relacionamento seja vivido de forma plena.
Uma pergunta que pode ajudá-lo a refletir é: o que exatamente você sente falta? Da pessoa como ela realmente era, da relação que tiveram ou daquilo que imaginava que poderiam ter vivido? Essa diferenciação costuma ser importante, porque nem sempre sentimos saudade da realidade; às vezes, sentimos saudade das possibilidades que nossa mente construiu.
Na psicoterapia, costuma-se explorar aspectos como o processo de luto pelo relacionamento que não aconteceu, os sentimentos de culpa, o significado atribuído a essa pessoa e os motivos pelos quais essa história continua ocupando um espaço tão importante na sua vida. Compreender esses processos pode ajudar a integrar essa experiência sem que ela continue determinando seus relacionamentos atuais.
Se esses pensamentos têm sido frequentes, causam sofrimento ou dificultam que você construa novos vínculos afetivos, acredito que buscar acompanhamento psicológico pode ser um passo importante. O objetivo não é fazer você esquecer essa pessoa, mas ajudá-lo a compreender o significado dessa história e permitir que ela deixe de impedir sua vida de seguir adiante.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissiona
Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissional deveria falar primeiro?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Quando existe a suspeita de mais de uma condição, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e depressão, o ideal é procurar um profissional que possa realizar uma avaliação ampla e ajudar a organizar essas hipóteses.
Em muitos casos, o primeiro profissional procurado é o psicólogo, especialmente quando há dúvidas sobre o que está acontecendo ou quando os sintomas envolvem emoções, comportamento, atenção, relações sociais e funcionamento no dia a dia. O psicólogo pode realizar uma avaliação clínica detalhada, investigar a história de desenvolvimento, identificar padrões de funcionamento e, quando necessário, indicar encaminhamentos complementares.
Outra possibilidade é iniciar a investigação com um psiquiatra, principalmente se os sintomas depressivos estiverem intensos, causando grande sofrimento ou prejuízo importante no cotidiano. O psiquiatra pode avaliar a necessidade de tratamento medicamentoso e contribuir para o processo diagnóstico.
Quando há suspeitas de TEA e TDAH, em alguns casos também pode ser útil uma avaliação neuropsicológica, realizada por psicólogos com formação específica nessa área. Esse processo utiliza entrevistas, observação clínica e instrumentos padronizados para investigar funções cognitivas, atenção, memória, linguagem, habilidades sociais e aspectos do desenvolvimento, auxiliando na compreensão do quadro.
É importante lembrar que algumas características podem se sobrepor entre diferentes condições. Por exemplo:
dificuldades de atenção podem ocorrer no TDAH, na depressão, na ansiedade e até mesmo em situações de estresse;
dificuldades sociais podem estar relacionadas ao TEA, à timidez, à ansiedade social ou a outras experiências de vida;
desânimo e isolamento podem aparecer tanto em quadros depressivos quanto como consequência de dificuldades persistentes em outras áreas.
Por isso, mais do que buscar imediatamente um diagnóstico específico, costuma ser mais útil procurar um profissional que realize uma avaliação cuidadosa e considere a sua história de vida, o início dos sintomas e o impacto que eles têm causado na sua rotina.
Assim, psicólogo, psiquiatra e neuropsicólogo podem ter papéis complementares nesse processo. O mais importante é iniciar a avaliação com um profissional qualificado, que possa ajudá-lo a compreender melhor o seu funcionamento e indicar os próximos passos de forma individualizada.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.
Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sinto muito que você esteja passando por isso.
O que você descreve pode acontecer por diferentes motivos e merece ser compreendido com cuidado. Pensar frequentemente em pessoas que faleceram e sentir pena ou tristeza não significa, por si só, que exista um transtorno psicológico. Em alguns casos, isso pode refletir uma sensibilidade maior diante da finitude da vida ou um período em que temas relacionados à perda estão mais presentes.
No entanto, vale a pena observar como esses pensamentos acontecem. Se eles surgem ocasionalmente e não causam grande prejuízo, podem fazer parte de um processo natural de reflexão. Por outro lado, se aparecem de forma repetitiva, difícil de controlar, ocupam grande parte do seu dia ou geram sofrimento intenso, é importante investigar melhor o que está acontecendo.
Em algumas situações, esses pensamentos podem estar associados à ansiedade, à depressão, a processos de luto, ou mesmo a um padrão de ruminação, em que a mente permanece repetidamente voltando ao mesmo tema sem chegar a uma resolução. Em outras pessoas, eles podem estar relacionados ao medo da morte, da perda de pessoas queridas ou da própria finitude.
Na perspectiva comportamental contextual, mais importante do que o conteúdo do pensamento é observar a relação que você estabelece com ele. Quanto mais tentamos expulsar determinados pensamentos ou entender por que eles surgem, maior pode ser o espaço que eles passam a ocupar na nossa mente. Por isso, na psicoterapia busca-se compreender a função desses pensamentos e desenvolver formas mais flexíveis de lidar com eles, sem que passem a controlar a vida da pessoa.
Se esses pensamentos têm sido muito frequentes, estão causando sofrimento ou interferindo na sua rotina, acredito que seria importante procurar um psicólogo para uma avaliação mais detalhada. Isso permitirá compreender melhor o significado desse padrão para você e identificar se ele está relacionado a alguma condição emocional que possa ser tratada.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando
Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O fato de você perceber essa mudança no seu comportamento e estar buscando compreender o que está acontecendo já é um passo importante.
Pelo que você relata, parece que o aumento do tempo no celular e o consumo de pornografia ocorreram após uma mudança significativa na sua vida: a gravidez da sua esposa. Grandes transições, mesmo quando desejadas, podem aumentar o estresse, a ansiedade, a sensação de responsabilidade e a necessidade de encontrar formas rápidas de aliviar o desconforto emocional.
É importante destacar que assistir pornografia com frequência, por si só, não significa necessariamente que exista uma compulsão. No entanto, alguns aspectos do seu relato merecem atenção, como o fato de procurar pornografia em diferentes contextos (inclusive no trabalho), sentir dificuldade para controlar esse comportamento e perceber que ele passou a ocorrer de forma repetitiva sempre que surgia uma oportunidade.
Nesses casos, o profissional mais indicado para iniciar a avaliação costuma ser o psicólogo. Durante o processo terapêutico, o objetivo não é apenas reduzir ou interromper o comportamento, mas compreender qual função ele está desempenhando na sua vida. Muitas vezes, comportamentos como esse passam a funcionar como uma forma de lidar com emoções difíceis, aliviar tensão, escapar de preocupações ou buscar uma recompensa imediata diante do estresse.
A partir dessa compreensão, a terapia costuma trabalhar aspectos como:
identificação dos gatilhos que antecedem o comportamento;
desenvolvimento de estratégias para lidar com ansiedade, estresse e outras emoções sem recorrer automaticamente à pornografia;
fortalecimento do autocontrole e da flexibilidade comportamental;
reorganização de hábitos relacionados ao uso do celular;
construção de formas mais saudáveis de obter prazer, descanso e regulação emocional.
Abordagens baseadas em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e as terapias comportamentais contextuais, incluindo a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), costumam apresentar bons resultados, especialmente quando o tratamento é individualizado.
Em algumas situações, principalmente quando há sintomas importantes de ansiedade, depressão, impulsividade ou quando o comportamento permanece muito difícil de controlar, também pode ser indicada uma avaliação com um psiquiatra, que verificará se existe alguma condição associada que necessite de tratamento específico.
Mais do que eliminar o comportamento, o tratamento busca ajudá-lo a compreender o que ele representa na sua vida e desenvolver maneiras mais eficazes de lidar com as demandas emocionais dessa fase. Isso tende a produzir mudanças mais consistentes e duradouras do que tentar apenas "parar pela força de vontade".
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n
Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que mais chama a atenção no seu relato é que o sofrimento parece estar sendo mantido não apenas pela lembrança da infidelidade, mas pelo ciclo que se formou em torno dela. Você descreve culpa intensa, recordações frequentes e uma necessidade constante de confirmar se seu parceiro realmente o perdoou, como se nenhuma confirmação fosse suficiente para trazer paz de forma duradoura.
É natural que uma infidelidade desperte culpa e arrependimento. Esses sentimentos podem, inclusive, motivar mudanças importantes na forma como a pessoa conduz seus relacionamentos. No entanto, quando a culpa permanece muito intensa por um longo período e passa a alimentar comportamentos repetitivos de revisão mental, necessidade de contar novamente o ocorrido ou de buscar confirmação constante de que foi perdoado, esse padrão merece uma avaliação mais cuidadosa.
Esse funcionamento pode estar relacionado a diferentes processos psicológicos. Em algumas pessoas, a culpa faz parte do processo de elaboração de um acontecimento marcante. Em outras, a necessidade de obter uma certeza absoluta de que foi perdoada pode se aproximar de padrões observados em quadros de ansiedade ou mesmo no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), especialmente quando surgem pensamentos recorrentes acompanhados de comportamentos de busca de confirmação que aliviam a angústia apenas temporariamente.
Isso não significa que você tenha TOC, pois esse diagnóstico depende de uma avaliação clínica completa. Entretanto, o padrão que você descreve — dúvida persistente, necessidade de certeza e busca repetida por tranquilização — é algo que merece ser explorado em psicoterapia.
Na perspectiva comportamental contextual, costuma-se observar que a busca constante por confirmação pode aliviar a culpa por alguns instantes, mas também impedir que a pessoa aprenda a conviver com a incerteza natural dos relacionamentos e desenvolva uma forma mais saudável de se relacionar com sua própria história. Assim, o foco do tratamento não costuma ser encontrar uma confirmação definitiva de que "está tudo resolvido", mas ajudá-la a interromper esse ciclo e construir uma relação mais flexível com esses pensamentos.
Quanto ao perdão, é importante lembrar que ele envolve duas dimensões diferentes. Uma é o perdão recebido do outro; outra é a capacidade de integrar esse acontecimento à própria história sem permanecer definido por ele para sempre. Assumir a responsabilidade pelos próprios atos não exige que a culpa permaneça ocupando esse espaço indefinidamente.
Se esse sofrimento tem sido frequente e a necessidade de confirmação continua interferindo na sua qualidade de vida, buscar acompanhamento psicológico pode ajudá-lo a compreender melhor esse processo e desenvolver estratégias para lidar com a culpa de maneira mais saudável, reduzindo gradualmente a dependência da tranquilização e favorecendo um verdadeiro processo de elaboração.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
-
Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t
Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Entendo que essa situação tenha despertado tristeza e confusão em você. Descobrir um comportamento do parceiro que não era conhecido pode gerar insegurança, dúvidas e fazer surgir muitas perguntas sobre o significado disso para o relacionamento.
Pelo que você descreve, o fato de ele assistir pornografia em diferentes contextos, inclusive no trabalho ou quando fica sozinho em casa por algumas horas, não é suficiente, por si só, para concluir que exista um vício ou uma compulsão. A frequência de uso, isoladamente, não permite fazer esse diagnóstico.
Para que um comportamento seja considerado compulsivo ou configure um transtorno relacionado ao comportamento sexual, costuma ser necessário observar outros aspectos, como:
perda de controle sobre o comportamento, mesmo quando a pessoa tenta reduzi-lo;
sofrimento significativo ou sensação de incapacidade de interromper o hábito;
prejuízos importantes na vida profissional, social ou nos relacionamentos;
persistência do comportamento apesar das consequências negativas.
No entanto, mesmo que não exista uma compulsão, isso não significa que seus sentimentos sejam inválidos. Muitas pessoas vivenciam sofrimento quando descobrem o consumo de pornografia pelo parceiro, especialmente se isso entra em conflito com suas expectativas sobre a relação, afeta a confiança ou desperta comparações e inseguranças.
Talvez, neste momento, seja mais útil compreender como esse comportamento impacta vocês como casal do que focar apenas em classificá-lo como vício ou não. Uma conversa aberta sobre expectativas, limites, significado da pornografia para cada um e como ambos se sentiram diante dessa descoberta costuma ser mais produtiva do que tentar chegar rapidamente a um diagnóstico.
Se esse tema tem gerado conflitos frequentes, sofrimento intenso ou dificuldade de diálogo, a psicoterapia individual ou de casal pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo e favorecer uma comunicação mais saudável entre vocês.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
Autor
Perguntas frequentes
-
olá. ha exatos 3 meses tive uma crise de panico apos anos bem, contexto no qual minha psiq associou
A resposta à quetiapina não depende apenas da dose e não é possível afirmar…