Acredita-se que delírios e alucinações seja causadas pelo excesso de dopamina em determinadas regiões cerebrais
Como explicar então a causa da psicose na depressa sendo que a pessoa (suponha-se ) que possua baixos níveis desses neurotransmissores como dopamina e serotonia entre outros?
 Paulo Renato Oliveira
Paulo Renato Oliveira
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Delírios e alucinações não estão presentes apenas na psicose e não são causados pela presença ou ausência de nenhuma substância química no indivíduo. A depressão também não é causada pela presença ou ausência de nenhuma substância, apenas sabe-se que a depressão tem efeito na ação de alguns neurotransmissores e os medicamentos que agem sobre a disponibilização desses neurotransmissores têm efeito de melhora nos estados depressivos. Se sua utilização for suspensa, porém, os sintomas voltam. As causas dos transtornos mentais são psicológicas, relacionadas ao modo particular de cada um de nós nos relacionarmos com o mundo, incluindo aí as pessoas, os traumas, as dificuldades, etc. A psicose é estrutural, ou seja, determinada pessoa pode ter uma estrutura psíquica tal que, em determinadas situações, pode desencadear um surto e efetivamente tornar-se esquizofrênica, paranoica ou melancólica.

 Helton Fernando Mota Guerra
Helton Fernando Mota Guerra
Psicanalista, Psicólogo
Belo Horizonte
Olá. Existem outras hipóteses para os transtornos psíquicos que não sejam os orgânicos. Segundo a Psicanálise, a psicose é uma resposta do sujeito (forclusão) diferente daquela que se dá na neurose ou na perversão. Porém, para que ocorra o desencadeamento, é necessário que haja um fator causal, num sujeito de estrutura psicótica. Os delírios e as alucinações são uma resposta a esse desencadeamento. Os delírios, inclusive, são uma tentativa de reconstrução do mundo, a partir daquilo que se rompeu. Por isso, é importante "escutá-los", porque eles dizem algo da verdade do sujeito. Assim como também é importante medicar o sujeito, com doses adequadas de medicação.

Os níveis de dopamina, noradrenalina e serotonina nunca estão baixos na depressão. Os níveis de recaptação é que estão aumentados, por isto os antidepressivos são classificados como inibidores da recaptação de...(serotonina, dopamina, noradrenalina). É necessário entender bem a fisiologia cerebral para discutir este assunto, seria necessário uma aula para dissertar sobre o assunto o que não é possível fazer aqui. Um abraço.

Acho que você se confundiu um pouco, já que a depressão não apresenta esses sintomas referidos, qto aos neurotransmissores, nunca estão baixos, dai os medicamentos inibidores de dopamina e serotonina.
Espero que tenha lhe ajudado
Estou a disposição
Abraço
Vera Pelizzari

Olá, boa tarde, tudo bem? Respondendo a sua pergunta, é isso mesmo, para ocorrer os delírios e alucinações precisa de uma quantidade elevada de determinados neurotransmissores no SNC, porém, na verdade o que acontece na depressão é que há um aumento no nível de captação desses neurotransmissores, comparado aos níveis de produção do mesmo, influenciando nas cognições, emoções, comportamentos e reações fisiológicas, sendo assim, a pessoa com depressão pode sim ter as alucinações e delírios dependendo do caso, devido ela estar produzindo esses neurotransmissores; tanto é que os antidepressivos servem como uma forma de interferir (inibir) essa captação excessiva que está ocorrendo no SNC.

Grande abraço!

A unica maneira de entender nossos sentimentos é em análise, não acredito que saber da fisiologia ajude em alguma coisa...
Att.
Eduardo

 João Bosco Carneiro
João Bosco Carneiro
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
É sempre um caminho delicado aquele que tenta explicar o comportamento humano, unicamente, pela via da biologia/neurofisiologia. As causas de um surto psicótico tem a ver com o que a psicanálise vai chamar de « estrutura psíquica », ou seja, um modo particular do sujeito de estar no mundo, que tem a ver com a forma como ele se constituiu na relação com a linguagem. Isso é diferente de um surto por causas externas, como estresse, por exemplo. Evidentemente, há um processo psicofisiológico em causa no surto, mas este processo está muito mais no lugar de resultado desse surto do que causa ou motivação para uma pessoa surtar.

Vi que alguns psiquiatras já falaram superficialmente sobre a questão bioquimica (é um assunto muito amplo para ser detalhado aqui). Gostaria apenas de ponderar o uso da palavra "causa", caso você tenha interesse em ter uma visão diferente. Para a Análise do Comportamento, entender um comportamento, dentre eles o psicótico, passa pelo conhecimento de aspectos biológicos (genética, por exemplo, tem muita importância), mas também do desenvolvimento da pessoa, das suas interações com o seu meio físico e social ao longa da história e atualmente (chamamos isso de contingências). Isso pode não parecer muito importante, mas muitas vezes é um problema quando o cliente chega ao consultório e acredita que a "causa" de sua depressão é biológica (existem casos que de fato é muito mais biológica). Nesses casos, temos que mostrar como o contexto histórico se juntou com o contexto atual culminando no desenvolvimento do que se chama de depressão, pois é o contexto atual que podemos modificar para ajudar a pessoa. O "apego" ao rótulo e às causas biológicas pode dificultar esse processo. A parte biológica será bem tratada com o psiquiatra e na psicoterapia analitico-funcional trabalhamos a parte comportamental. Se quiser mais informações sobre o tema, estou à disposição. Abraço.

 Cleide Marchiotti
Cleide Marchiotti
Psicólogo, Psicanalista
Maringá
Ola! As respostas a essa questão, estão todas muito bem colocadas e discorrer mais sobre é como chover no molhado. Para a Psicanálise cada ser é único em sua singularidade. Da mesma forma que, porque uma pessoa da mesma idade tem doenças diferentes? Somos únicos e cada um construiu sua subjetividade de acordo com sua forma de sentir e reagir, muitas coisas não tem a ver porque sou "assim" e fulano é "assado"? Parafraseando; "existe muito mais entre o céu e a terra, do que possa imaginar nossa vã filosofia"

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