Como a "negação" se relaciona com a cisão (splitting) no e Personalidade Borderline (TPB) ?

Como a "negação" se relaciona com a cisão (splitting) no e Personalidade Borderline (TPB) ?

3 respostas


Olá, tudo bem? A sua pergunta é bem interessante, porque “negação” e “cisão” são mecanismos que podem aparecer juntos, mas não são exatamente a mesma coisa. A cisão, no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline, costuma se manifestar como uma forma de perceber a si mesmo e aos outros em extremos, como “totalmente bom” ou “totalmente ruim”, sem muita integração entre esses polos. A negação pode entrar como uma espécie de proteção dentro desse processo. Quando uma experiência emocional é muito difícil de tolerar, o psiquismo pode “recusar” partes dessa realidade para evitar dor. Então, por exemplo, quando alguém que era visto como muito importante frustra ou machuca, pode haver uma dificuldade em integrar essa ambivalência. A pessoa pode passar a enxergar o outro apenas como negativo, enquanto aspectos positivos ficam temporariamente fora da consciência. Esse movimento tem relação com a cisão, mas a negação ajuda a sustentar essa separação. Do ponto de vista emocional, isso faz sentido. O cérebro tenta organizar experiências intensas de uma forma que seja mais suportável naquele momento. Integrar que alguém pode ser importante e, ao mesmo tempo, falhar ou frustrar, exige um nível de regulação emocional que nem sempre está disponível durante uma ativação mais intensa. Isso também pode acontecer na forma como a pessoa se percebe. Em um momento, pode se ver como alguém totalmente inadequado; em outro, como alguém sem problemas. A dificuldade não está em sentir essas partes, mas em conseguir mantê-las juntas na mesma narrativa interna. Talvez valha se observar em algumas situações: quando alguém te decepciona, você consegue manter uma visão equilibrada dessa pessoa ou tende a mudar de forma mais radical? E quando você erra, o que acontece com a forma como você se enxerga? Existe espaço para nuances ou tudo fica mais “preto no branco”? E, em momentos de dor, você percebe alguma tendência a “afastar” certos aspectos da realidade para conseguir lidar com o que está sentindo? Esses movimentos são compreensíveis dentro do funcionamento emocional do TPB e podem ser trabalhados com mais profundidade em terapia, ajudando a construir uma percepção mais integrada de si e dos outros ao longo do tempo. Caso precise, estou à disposição.

Juliana  da Cruz Barros Neves

Juliana da Cruz Barros Neves

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Na Psicologia do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a **negação** e a **cisão (splitting)** estão intimamente relacionadas como mecanismos de defesa. A cisão é a tendência a perceber pessoas, situações ou aspectos do self de forma **extrema — totalmente bons ou totalmente maus** — sem integração de nuances. A negação entra quando sentimentos, falhas ou aspectos negativos da realidade são recusados ou minimizados, permitindo que o indivíduo mantenha a visão idealizada ou protegida de si mesmo ou do outro. Esses mecanismos estão ligados à dificuldade de tolerar ambivalência e conflitos internos, sendo comuns em relacionamentos interpessoais e na percepção da própria identidade. Para orientação ou acompanhamento, estou disponível na agenda do Doctoralia ou pelo WhatsApp.


Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. A negação funciona como defesa contra emoções intoleráveis. Na cisão, o paciente divide experiências em “tudo bom” ou “tudo ruim”. A negação pode reforçar essa divisão, evitando contato com aspectos dolorosos do self. Ambas protegem temporariamente, mas dificultam integração emocional e percepção realista de si e dos outros. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços

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