Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a lidar com

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Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a lidar com o estigma que pode sentir em relação ao diagnóstico?
Bom dia! Como você está?

Tem uma coisa muito importante sobre esse diagnóstico: ele não define quem você é. Ele descreve um conjunto de padrões que você desenvolveu ao longo da vida — mas você é muito maior do que isso.

Ao mesmo tempo, eu também quero reconhecer que receber esse diagnóstico pode ser difícil. Muitas pessoas já ouviram coisas negativas sobre ele ou se sentiram julgadas, e isso pode gerar medo, vergonha ou até um sentimento de ‘tem algo errado comigo’. E faz sentido a gente olhar pra isso com cuidado.

O diagnóstico, na prática, é uma ferramenta. Ele ajuda a gente a entender melhor o que você sente e a escolher estratégias que realmente funcionem pra você. Hoje existem tratamentos com bastante evidência que ajudam muito pessoas com esse padrão, então isso não é uma sentença — é um ponto de partida.

A ideia aqui não é te encaixar em um rótulo, mas usar essa informação como um mapa. A partir disso, a gente pode pensar juntas:
• o que te ajuda a se regular emocionalmente
• quais situações são mais difíceis pra você
• que estratégias podem melhorar sua qualidade de vida

E, principalmente, te colocar como protagonista desse processo. Porque o diagnóstico pode explicar algumas coisas, mas não limita o que você pode construir daqui pra frente.

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Lara Ninin

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe esse ponto, porque o estigma em torno do Transtorno de Personalidade Borderline costuma pesar tanto quanto os próprios sintomas. Muitas pessoas chegam à terapia carregando a sensação de que “há algo de errado comigo” ou de que o diagnóstico define quem elas são. E isso, por si só, já impacta a autoestima, as relações e até a motivação para o tratamento.

O trabalho do terapeuta começa ajudando a separar a pessoa do rótulo. Um diagnóstico não é uma identidade, é uma forma de organizar padrões emocionais e comportamentais para que possam ser compreendidos e tratados. Quando isso fica mais claro, o paciente começa a perceber que não “é” o transtorno, mas que apresenta determinadas dificuldades que podem ser trabalhadas. Inclusive, do ponto de vista da neurociência, sabemos que o cérebro é plástico, ou seja, ele pode aprender novas formas de responder ao longo do tempo.

Também é importante explorar de onde vem esse estigma. Muitas vezes, ele não nasce só da sociedade, mas de experiências de rejeição, invalidação ou até de informações distorcidas sobre o transtorno. Na terapia, esses significados vão sendo revisados. O que antes era visto como “fraqueza” pode começar a ser entendido como uma tentativa de lidar com emoções muito intensas, mesmo que de formas que hoje não ajudam.

Outro ponto fundamental é fortalecer uma identidade mais ampla. Quando a pessoa começa a reconhecer seus valores, capacidades e outras partes de si, o diagnóstico deixa de ocupar todo o espaço. Ele passa a ser apenas um aspecto da experiência, não o centro dela.

Talvez valha refletir: o que esse diagnóstico significa para você hoje? Ele parece mais uma explicação ou um rótulo limitante? Em quais momentos você sente que ele pesa mais? E o que muda quando você olha para suas dificuldades como algo que pode ser compreendido, e não como algo que define quem você é?

Trabalhar o estigma é, no fundo, trabalhar a forma como a pessoa se enxerga. E isso, quando começa a mudar, abre espaço para um processo terapêutico muito mais leve e possível.

Caso precise, estou à disposição.

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