Como o terapeuta pode manter a saúde emocional diante dos desafios que o Transtorno de Personalidade

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Como o terapeuta pode manter a saúde emocional diante dos desafios que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) apresenta?
Essa é uma questão importante, mas é fundamental dizer que o cuidado com a saúde emocional do terapeuta é uma responsabilidade do próprio profissional, e não do paciente.

Na prática clínica, trabalhar de forma ética também envolve cuidar de si, o que inclui fazer terapia, ter supervisão de casos e buscar constante reflexão sobre a própria atuação. Esses recursos nos ajudam a sustentar um espaço seguro e consistente para o paciente, mesmo diante de desafios mais intensos.

Para quem está em acompanhamento, é importante saber que o processo terapêutico deve ser um lugar de acolhimento, onde suas questões possam ser trabalhadas com cuidado, sem que você precise se preocupar em “proteger” o terapeuta.

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O terapeuta pode manter a saúde emocional diante dos desafios do Transtorno de Personalidade Borderline oferecendo limites claros, supervisionamento regular, autocuidado e reflexão contínua sobre suas respostas emocionais. Na perspectiva psicanalítica, reconhecer transferências, contratransferências e padrões relacionais permite que o terapeuta se mantenha consciente de suas próprias reações, evitando esgotamento, mantendo consistência no vínculo e proporcionando ao paciente um espaço seguro e estável para exploração emocional.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Cuidar da própria saúde emocional ao trabalhar com pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline é parte essencial da prática clínica, não um detalhe secundário. O nível de intensidade emocional, as oscilações no vínculo e os momentos de tensão podem mobilizar bastante o terapeuta. Ignorar isso costuma ser um erro, porque, com o tempo, pode levar ao desgaste ou até a respostas menos terapêuticas.

Um ponto central é o desenvolvimento de consciência sobre as próprias reações. Em muitos momentos, o terapeuta pode se perceber frustrado, inseguro, pressionado ou até com vontade de “resolver rápido”. Reconhecer essas respostas internas sem agir automaticamente sobre elas é fundamental. Isso permite que o profissional mantenha uma postura mais estável e menos reativa dentro da sessão.

Outro aspecto importante é o apoio fora do setting. Supervisão clínica, estudo contínuo e, quando necessário, o próprio processo terapêutico do profissional ajudam a organizar o que é mobilizado nesses atendimentos. Trabalhar com TPB exige não apenas técnica, mas também um espaço onde o terapeuta possa refletir sobre suas experiências sem julgamento.

Também é essencial manter limites claros e consistentes. Quando o terapeuta tenta ir além do que é possível ou assume uma responsabilidade excessiva pelo paciente, aumenta o risco de esgotamento. Sustentar o papel terapêutico, com presença emocional e, ao mesmo tempo, com limites bem definidos, protege tanto o paciente quanto o próprio profissional.

Faz sentido se perguntar: em quais momentos você percebe que sua emoção é mais mobilizada em sessão? Existe alguma situação que tende a te desorganizar mais? Como você costuma cuidar disso fora do atendimento? E o quanto você tem espaço para refletir sobre sua prática com outros profissionais?

Com o tempo, cuidar da própria saúde emocional deixa de ser apenas uma estratégia de proteção e passa a ser parte do próprio tratamento. Um terapeuta emocionalmente regulado oferece, por si só, uma experiência de estabilidade que é extremamente valiosa para o paciente.

Caso precise, estou à disposição.

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