Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a construção de narrativa autobiográfica?
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Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a construção de narrativa autobiográfica?
Narramos nossa biografia de acordo com nossas vivências e da forma que enxergamos o mundo, sendo assim a construção de cada um também leva em conta seus sintomas. Por isso, uma escuta atenta e qualificada faz toda a diferença em um processo terapêutico.
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Como psicóloga clínica que atende pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, eu explico que a construção da narrativa autobiográfica — ou seja, a forma como a pessoa organiza e dá sentido à própria história — costuma ser fragmentada, instável e fortemente influenciada pelo estado emocional do momento. Utilizando a tríade cognitiva descrita por Aaron Beck, o paciente tende a construir narrativas marcadas por visões negativas de si (“sou inadequado”, “sou descartável”), dos outros (“as pessoas machucam”, “não são confiáveis”) e do futuro (“vou ser rejeitado”, “nada dá certo para mim”). Isso faz com que eventos de vida sejam interpretados de forma seletiva e emocionalmente carregada, reforçando essas crenças. Além disso, a literatura sobre memória autobiográfica mostra que, no TPB, há maior fragmentação e menor integração das experiências ao longo do tempo, muitas vezes associada a traumas precoces: memórias podem ser lembradas de forma intensa, porém desconectada, sem uma continuidade narrativa estável. Na prática, eu vejo pacientes que mudam a forma como contam a própria história dependendo do estado emocional — ora se percebem como vítimas, ora como culpados — com dificuldade de construir uma identidade coerente e contínua. Por isso, no tratamento, trabalhamos para integrar essas experiências, flexibilizar crenças centrais e ajudar o paciente a desenvolver uma narrativa mais estável, coerente e menos dominada por emoções momentâneas.
Olá, tudo bem? O Transtorno de Personalidade Borderline pode afetar a construção da narrativa autobiográfica porque a pessoa, muitas vezes, tem dificuldade de organizar a própria história com continuidade emocional. Em vez de sentir a vida como uma sequência integrada de experiências, ela pode viver certos momentos como se fossem capítulos soltos, muito marcados por dor, rejeição, medo, vergonha ou sensação de abandono.
Isso acontece porque, quando as emoções ficam muito intensas, a memória pode ser acessada mais pelo estado emocional do momento do que por uma visão ampla da trajetória de vida. Em uma fase de crise, por exemplo, a pessoa pode lembrar principalmente das experiências em que se sentiu rejeitada e ter dificuldade de acessar lembranças de cuidado, vínculo ou competência. É como se a emoção atual escolhesse quais páginas da biografia ficam iluminadas.
Algumas perguntas ajudam a perceber esse processo: a pessoa consegue contar sua história mantendo nuances ou tende a se ver como totalmente culpada, ferida, rejeitada ou sem valor? Ela consegue reconhecer fases diferentes da vida sem sentir que uma emoção atual define tudo? Quando está bem, ela enxerga sua história de um jeito, mas quando está em sofrimento passa a narrar a própria vida como se nada tivesse dado certo?
Na terapia, um trabalho importante é ajudar a pessoa a construir uma narrativa mais integrada, onde dor e recursos possam coexistir. Não se trata de apagar experiências difíceis, mas de impedir que elas escrevam sozinhas a história inteira. Quando a pessoa começa a organizar sua trajetória com mais continuidade, ela pode deixar de viver apenas como reação ao momento e começar a se perceber como alguém com passado, presente, possibilidades e identidade em construção. Caso precise, estou à disposição.
Isso acontece porque, quando as emoções ficam muito intensas, a memória pode ser acessada mais pelo estado emocional do momento do que por uma visão ampla da trajetória de vida. Em uma fase de crise, por exemplo, a pessoa pode lembrar principalmente das experiências em que se sentiu rejeitada e ter dificuldade de acessar lembranças de cuidado, vínculo ou competência. É como se a emoção atual escolhesse quais páginas da biografia ficam iluminadas.
Algumas perguntas ajudam a perceber esse processo: a pessoa consegue contar sua história mantendo nuances ou tende a se ver como totalmente culpada, ferida, rejeitada ou sem valor? Ela consegue reconhecer fases diferentes da vida sem sentir que uma emoção atual define tudo? Quando está bem, ela enxerga sua história de um jeito, mas quando está em sofrimento passa a narrar a própria vida como se nada tivesse dado certo?
Na terapia, um trabalho importante é ajudar a pessoa a construir uma narrativa mais integrada, onde dor e recursos possam coexistir. Não se trata de apagar experiências difíceis, mas de impedir que elas escrevam sozinhas a história inteira. Quando a pessoa começa a organizar sua trajetória com mais continuidade, ela pode deixar de viver apenas como reação ao momento e começar a se perceber como alguém com passado, presente, possibilidades e identidade em construção. Caso precise, estou à disposição.
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