Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a percepção do tempo?

3 respostas
Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a percepção do tempo?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta pouco comum, mas muito profunda. O Transtorno de Personalidade Borderline pode, sim, influenciar a forma como o tempo é percebido, principalmente durante momentos de maior intensidade emocional. Não é uma alteração do tempo em si, mas da experiência subjetiva dele.

Quando a emoção está muito elevada, o presente tende a ganhar um peso enorme, como se aquele momento fosse definitivo. Uma dor emocional pode parecer interminável, uma discussão pode ser vivida como se fosse o fim de tudo, e a sensação é de que aquilo não vai passar. É como se o cérebro tivesse dificuldade de acessar a ideia de continuidade, de que estados internos mudam com o tempo.

Ao mesmo tempo, o passado pode ser percebido de forma fragmentada ou enviesada pela emoção atual. Em um momento de dor, por exemplo, experiências positivas podem ficar menos acessíveis, enquanto lembranças negativas ganham mais destaque. Isso reforça a sensação de que “sempre foi assim” ou “sempre será assim”, mesmo que isso não corresponda à realidade completa.

Nos relacionamentos, isso também pode aparecer como dificuldade em sustentar uma visão mais estável do outro ao longo do tempo. Pequenas mudanças no presente podem fazer parecer que toda a história da relação mudou, o que impacta diretamente a forma de reagir.

Talvez seja interessante se perguntar: quando você está muito emocionalmente ativado, parece que aquele sentimento vai durar para sempre? Depois que passa, a forma como você enxerga a situação muda? E você consegue, nesses momentos, lembrar de outras experiências em que a emoção também parecia intensa, mas depois diminuiu?

Essas reflexões ajudam a construir uma noção mais estável de continuidade interna, algo que pode ser desenvolvido no processo terapêutico. Caso precise, estou à disposição.

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta muito interessante, porque a percepção do tempo no Transtorno de Personalidade Borderline não muda de forma “objetiva”, como em um problema neurológico, mas muda muito na experiência subjetiva, principalmente durante momentos de maior intensidade emocional.

Quando a pessoa entra em uma crise, o tempo pode parecer distorcido. Emoções como angústia, medo ou vazio podem dar a sensação de que aquilo vai durar para sempre, como se não houvesse saída. Ao mesmo tempo, em momentos de impulsividade, pode acontecer o oposto: uma dificuldade de considerar o futuro, como se só o “agora” existisse, o que pode levar a decisões rápidas sem avaliar consequências.

Do ponto de vista do funcionamento do cérebro, isso faz sentido. Quando o sistema emocional está muito ativado, ele prioriza respostas imediatas de sobrevivência e reduz a capacidade de pensar em continuidade, passado e futuro. É como se o presente ficasse “ampliado” e o restante da linha do tempo perdesse força naquele momento.

Isso também pode impactar a forma como a pessoa olha para a própria história. Em uma crise, experiências positivas do passado podem ficar menos acessíveis, enquanto lembranças negativas parecem mais intensas e atuais. Isso contribui para aquela sensação de que “sempre foi assim” ou “nada vai mudar”, mesmo que isso não corresponda à realidade completa.

Talvez valha refletir: quando você está emocionalmente ativado, o tempo parece mais lento, mais pesado ou mais urgente? Você sente que consegue lembrar de momentos em que estava melhor, ou tudo fica tomado pelo que está sentindo agora? E nas decisões mais impulsivas, você percebe dificuldade em imaginar como vai se sentir depois?

Explorar essas percepções com mais cuidado pode ajudar a construir uma relação mais estável com as próprias emoções e com o tempo, e a terapia costuma ser um espaço importante para desenvolver isso de forma gradual.

Caso precise, estou à disposição.
No Transtorno de Personalidade Borderline, a percepção do tempo pode ser afetada pelo predomínio de emoções intensas e crises, fazendo com que experiências passadas, presentes e futuras se misturem ou sejam vivenciadas de forma imediata e avassaladora; na perspectiva psicanalítica, isso pode ser compreendido como uma dificuldade de simbolização e de continuidade do eu, em que o sujeito não consegue organizar linearmente a experiência temporal, tornando o impacto dos eventos e das emoções mais extremo e desorganizado.

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