Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se relaciona com a Existência Autêntica?

3 respostas
Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se relaciona com a Existência Autêntica?
 Claudia Cecilia Daniel
Psicólogo, Psicanalista
São José dos Campos
Essa é uma pergunta profunda. O Transtorno de Personalidade Borderline envolve justamente uma intensa oscilação na forma como a pessoa se percebe e se relaciona com os outros. Essa instabilidade pode dificultar a construção de um senso de identidade mais contínuo, o que se conecta diretamente à ideia de uma existência autêntica. Ao mesmo tempo, o sofrimento vivido nessa condição pode abrir espaço para um questionamento muito genuíno sobre ‘quem eu sou de fato’ e ‘como posso me reconhecer no mundo’. Em análise, é possível explorar esses movimentos, compreender de que modo eles surgem na sua experiência e abrir caminhos para uma relação mais autêntica consigo mesmo e com os outros. Se você quiser, podemos aprofundar essa questão juntos em sessão.

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O TPB pode ser visto como um obstáculo à existência autêntica quando aprisiona a pessoa em respostas emocionais extremas e crises de identidade. Porém, o próprio processo terapêutico — de autorreflexão, regulação emocional e cultivo de valores — abre espaço para que a pessoa encontre autenticidade mesmo dentro de sua vulnerabilidade.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Dá para fazer uma ponte bem interessante entre TPB e “existência autêntica”, mas sem romantizar o sofrimento. Em linguagem existencial, autenticidade é viver mais alinhado com valores e escolhas conscientes, em vez de viver no piloto automático do medo, da urgência ou da necessidade de validação. E no TPB, justamente por haver emoções muito intensas, medo de abandono e oscilações na autoimagem, a pessoa pode acabar vivendo “em modo sobrevivência”, reagindo para aliviar a dor do momento, mesmo quando isso a afasta da vida que ela quer construir.

Muitas vezes, a sensação é de contradição interna: num dia eu tenho certeza de quem sou, no outro eu me sinto vazio(a) ou perdido(a); numa hora eu amo, na outra eu sinto raiva ou desespero. Isso não significa falta de caráter ou “falsidade”, e sim um sistema emocional que interpreta sinais de rejeição ou ameaça como urgências. O cérebro tenta proteger o vínculo e a identidade com respostas rápidas, só que essas respostas podem virar impulsos, rupturas, testes, idealizações e desvalorizações, e aí a vida fica menos escolhida e mais reagida.

A questão existencial que costuma aparecer por trás é: “Quem eu sou quando não estou tentando não ser abandonado(a)?” ou “Como eu mantenho meu eu quando estou com medo?” Autenticidade, nesse cenário, vira a capacidade de sustentar emoções intensas sem precisar transformar cada emoção em uma ação imediata. É como aprender a não assinar um contrato permanente em cima de um sentimento que dura quinze minutos.

Quando você fala em existência autêntica, o que você imagina exatamente: ser verdadeiro(a) no que sente, ter relacionamentos mais estáveis, não se moldar ao outro, ou conseguir manter seus valores mesmo sob pressão? Em quais situações você sente que “se perde de si” com mais facilidade? E quando a crise passa, qual é a parte de você que você sente que ficou para trás naquele momento?

Se você já está em terapia, vale levar esse tema para o seu terapeuta e trabalhar como construir identidade e direção por valores, junto com habilidades de regulação emocional e manejo de relacionamentos. E se houver sofrimento muito intenso, risco ou impulsos perigosos, uma avaliação psiquiátrica pode ajudar a aumentar a segurança enquanto esse trabalho acontece.

Quando sentir que é o momento certo, a terapia pode ser um espaço seguro para transformar “sobrevivência emocional” em escolhas mais autênticas e consistentes. Caso precise, estou à disposição.

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