Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na

Desde criança (por volta dos 4 anos), tenho uma imaginação muito ativa. Crio histórias contínuas na minha cabeça, com personagens, acontecimentos e “episódios”, às vezes recriando minha própria vida de formas diferentes ou criando qualquer cenário que eu queira. Durante esses momentos costumo andar em círculos, girar objetos (quando era criança era sacola/corda, hoje é mais lápis) e fazer sons com a boca. Isso acontece quando estou entediado ou quando vejo algo que me inspira. Eu acho divertido e consigo parar quando quero, mas comecei a fazer escondido por vergonha, porque eu nunca vi ninguém fazer isso, de andar de um lado para o outro fazendo sons e girando lápis enquanto imagina… Além disso, desde criança tenho dificuldades como procrastinação, esquecer coisas, deixar tarefas para última hora, dificuldade em terminar atividades e começar tarefas chatas. Também tenho histórico de ansiedade/depressão e muita timidez, com medo de julgamento e dificuldade social. Quero entender se isso pode ter relação com alguma condição como TDAH ou outra questão, ou se é apenas meu jeito de funcionar

24 respostas


As duas hipóteses estão corretas, pode ser TDAH, também pode ser seu jeito de funcionar, pode ser os dois ao mesmo tempo, assim como também pode ser um terceiro diagnóstico ou nada. Sugiro que procure um neuropsicólogo caso deseje saber mais profundamente sobre essas possibilidades. Mas me parece, porém, que o que te incomodou nesse comportamento não é o comportamento em si ou a natureza dele, mas a reação social que o envolve. Sugiro que procure também psicoterapia para pensar sobre como essa visão do outro passou a te afetar onde não afetava, além de apenas procurar saber uma possibilidade de diagnóstico, para que você seja capaz de se conhecer mais profundamente e se fortalecer em si mesmo.

Dra. Patrícia Rios

Dra. Patrícia Rios

Psicólogo

Belo Horizonte

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Olá! Compreendo perfeitamente o seu desejo de entender o que está acontecendo. Quando olhamos para a forma como nossa mente opera, o primeiro passo essencial é evitar pressões para encaixar tudo em um rótulo ou transformar um jeito de ser em doença de forma apressada. Para estruturarmos essa reflexão juntos, utilizarei como base o referencial de Paulo Dalgalarrondo, um dos maiores nomes da psicopatologia no Brasil, para analisarmos o seu relato sob três aspectos fundamentais: 1. Em psicopatologia, as classificações diagnósticas são construtos aproximativos — ou seja, mapas conceituais para nos orientar, e não caixas rígidas. Dalgalarrondo nos lembra de forma muito precisa: "Que fique claro: não existem funções psíquicas isoladas e alterações psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela função. É sempre a pessoa na sua totalidade que adoece" (Dalgalarrondo, 2019, p.137) Por isso, não podemos reduzir tudo o que você vive a um único rótulo, como o TDAH. Precisamos de uma perspectiva pluridimensional que englobe diferentes dimensões da sua vida. Trago aqui um simples esboço com três eixos de formulação: a. Dimensão dos sintomas clínicos: onde investigamos a sobreposição entre uma possível desatenção, seus movimentos repetitivos, a ansiedade social e essa acentuada tendência ao devaneio. b. Dimensão da personalidade: onde avaliamos traços saudáveis e intrínsecos de timidez e introversão, que influenciam o seu ritmo de interagir com o mundo. c. Dimensão Psicossocial: onde olhamos para o ambiente, compreendendo como o medo do julgamento e a dificuldade social retroalimentam o seu isolamento ou a sua vergonha. 2. Analisando seu breve relato, o que você descreve aponta para o funcionamento integrado de algumas funções psíquicas elementares: As suas dificuldades em iniciar ou terminar tarefas chatas, além dos esquecimentos, aparentemente se ligam à Atenção e à Volição (vontade). Sob o ponto de vista quantitativo, Dalgalarrondo define a diminuição global da atenção (hipoprosexia) como "uma perda básica da capacidade de concentração, com fatigabilidade aumentada, o que dificulta a percepção dos estímulos ambientais e a compreensão; as lembranças tornam-se mais difíceis e imprecisas..." (ibid, p.174). Isso ajuda a explicar o "esquecer coisas e deixar tarefas para a última hora". Sob o ponto de vista qualitativo, há o que chamamos de distraibilidade. Diferente da "distração" (que é focar demais em uma coisa só e esquecer o resto), a distraibilidade é "um estado patológico que se exprime por instabilidade marcante e mobilidade acentuada da atenção voluntária, com dificuldade ou incapacidade para fixar-se ou deter-se em qualquer coisa que implique esforço produtivo." (ibid, p.174). É quando a atenção é muito facilmente desviada de um objeto para outro, dificultando a conclusão das suas atividades. B) Você relata que, desde os 4 anos, cria cenários e histórias ricas enquanto anda em círculos, emite sons ou gira um lápis. O autor explica que, em momentos de exaltação ou busca por ativação interna (como no tédio), pode ocorrer o que se chama de "atomização do tempo", gerando uma "aceleração em todas as esferas psíquicas e comportamentais, da ação, do pensamento, das lembranças e das representações na imaginação." (ibid, p.131). O seu devaneio rico pode ser, na verdade, uma excelente ferramenta criativa da sua mente para buscar estímulo e fugir da monotonia. O ato de girar o lápis ou andar de um lado para o outro entra na categoria semiológica de gestos adaptativos (comunicação não verbal). São "movimentos feitos com as mãos, que não servem para dar respaldo à fala (...), mas são movimentos que sinalizam, com frequência, algum nível de ansiedade e tensão" (ibid, p. 120). Ou seja, o corpo se move para descarregar uma tensão enquanto a mente viaja. Enfim, quais os próximos passos? A mente humana normalmente funciona de forma integrada. A atenção e a imaginação estão intimamente interligadas: quando a sua atenção voluntária para o mundo externo cai (hipoprosexia), a sua mente, que é ativa e criativa, tende a buscar estímulos internamente através das representações na imaginação. Criar histórias pode ser uma das suas potencialidades. Para diferenciar se essas características são apenas traços de uma personalidade profundamente criativa, rica e tímida, ou se configuram sintomas de uma condição neurodivergente como o TDAH, o critério determinante é o que chamamos de normalidade funcional. Um padrão de funcionamento só se torna uma questão clínica quando passa a ser disfuncional e a gerar sofrimento contínuo na sua rotina ou nas suas relações. Como o próprio Dalgalarrondo assevera, o diagnóstico legítimo em saúde mental "repousa sobre a totalidade dos dados clínicos, momentâneos (exame do estado mental) e evolutivos (anamnese...)" (p.83). Compreender exatamente onde termina o seu "jeito de ser" e onde começa uma necessidade de suporte executivo é algo que apenas um processo de consulta individualizado — seja presencial ou online — pode lhe oferecer com segurança e sem rotulações desnecessárias. Referência Bibliográfica DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. .


Ao ler seu relato, me chamou atenção que você descreve sua imaginação como algo que sempre foi divertido, rico e presente na sua vida, e não apenas como uma fonte de sofrimento. Isso pode ser uma diferença importante. Criar histórias contínuas desde a infância, desenvolver personagens, imaginar versões alternativas da própria vida ou construir cenários complexos costuma ser visto, muitas vezes, apenas pelo ponto de vista patológico, como uma forma de fuga da realidade. No entanto, em algumas pessoas, essa capacidade pode representar também uma forma muito potente, criativa e sofisticada de perceber, elaborar e experimentar a realidade. Em alguns casos, especialmente quando a criança cresce em ambientes que oferecem poucos estímulos compatíveis com sua forma de pensar, sentir ou imaginar, o mundo interno pode se tornar um espaço importante de criação, expressão e desenvolvimento pessoal. Isso não significa necessariamente que exista um transtorno. Também chamou minha atenção o fato de que esses processos parecem surgir tanto a partir de estímulos externos quanto do próprio ócio. Muitas pessoas com grande potencial criativo, artístico ou intelectual relatam justamente que os momentos de tédio, silêncio ou falta de estímulo acabam se transformando em momentos de intensa criação mental, imaginação e elaboração interna. Por outro lado, você também descreve características que podem estar associadas a diferentes formas de funcionamento neurodivergente, como dificuldades de atenção, procrastinação, dificuldade de iniciar tarefas pouco interessantes, ansiedade, timidez e receio de julgamento. Por isso, faz sentido considerar hipóteses como TDAH ou outras formas de neurodivergência, mas talvez sem a necessidade de encontrar uma única explicação para tudo o que você vive. Uma possibilidade que algumas pessoas acabam descobrindo mais tarde na vida é a de altas habilidades/superdotação, especialmente quando existe uma combinação de imaginação intensa, curiosidade persistente, grande sensibilidade, riqueza simbólica e uma percepção de mundo que parece funcionar de maneira diferente da maioria das pessoas. Isso não significa que seja o seu caso, mas pode ser uma linha interessante de investigação e autoconhecimento. Uma pergunta que considero importante é: quando você imaginava essas histórias, você sentia que estava fugindo da sua vida ou sentia que estava vivendo uma parte importante de quem você era? Também me pergunto se você já teve oportunidade de transformar essa capacidade imaginativa em alguma forma de expressão, como escrita, desenho, música, teatro, jogos, criação de histórias ou outras formas de arte. Em alguns casos, ansiedade, sofrimento ou sensação de inadequação podem surgir não porque exista um excesso de imaginação, mas porque a pessoa não encontrou espaços, incentivos ou relações que ajudassem a desenvolver e integrar esse potencial. Além disso, talvez seja importante compreender como essas diferentes características se relacionam entre si. Quais são suas potencialidades? Quais são suas dificuldades? Em quais situações elas se ajudam, se compensam ou entram em conflito? Muitas vezes, esse entendimento mais amplo e dinâmico é mais útil do que tentar encontrar um único diagnóstico capaz de explicar toda a experiência de uma pessoa. Antes de procurar apenas qual diagnóstico explica você, talvez também valha a pena investigar quais potencialidades da sua forma de pensar, imaginar e sentir nunca encontraram espaço suficiente para se desenvolver. Uma avaliação psicológica pode ajudar justamente nesse processo: não apenas identificar sintomas, mas compreender quem você é, como funciona e quais recursos internos podem estar esperando uma oportunidade de expressão.


Olá! Obrigada por compartilhar sua experiência com tantos detalhes. O que você descreve merece ser investigado, mas não é possível concluir, apenas com essas informações, que exista um diagnóstico específico. Podemos pensar em alguns aspectos do seu relato. Você descreve uma imaginação muito rica desde a infância, criando histórias contínuas e cenários detalhados. Ao mesmo tempo, relata comportamentos repetitivos, como andar em círculos, girar objetos e fazer sons enquanto imagina, além de dificuldades de atenção, procrastinação, esquecimento, ansiedade e timidez. Essas características podem estar relacionadas a diferentes condições e, em alguns casos, mais de uma delas pode estar presente. Por exemplo, as dificuldades para iniciar e concluir tarefas, procrastinação e esquecimentos podem estar associadas ao TDAH (funções executivas: planejamento, organização e controle da atenção). Já os movimentos repetitivos, o interesse intenso pela atividade imaginativa e as dificuldades sociais podem justificar uma investigação de outras condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Também existem pessoas com uma imaginação muito ativa que não apresentam nenhum transtorno mental. Outro ponto importante é que algumas pessoas descrevem experiências semelhantes ao que a literatura chama de devaneio excessivo (maladaptive daydreaming). Embora esse termo seja estudado por pesquisadores e descreva fantasias muito elaboradas que podem ocupar grande parte do tempo, ele ainda não é reconhecido como um diagnóstico oficial. Por isso, não é possível afirmar que esse seja o seu caso apenas com esse relato. A avaliação busca justamente compreender como essas características impactam sua vida. Por exemplo, elas interferem nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos ou na sua qualidade de vida? Elas causam sofrimento ou prejuízo significativo? Essas respostas ajudam muito mais do que analisar um comportamento isoladamente. Uma avaliação psicológica ou neuropsicológica poderá investigar seu histórico desde a infância, seu funcionamento cognitivo, atenção, funções executivas, habilidades sociais e outros aspectos importantes para compreender seu perfil de forma ampla. Independentemente do diagnóstico, o mais importante é entender como você funciona e quais estratégias podem ajudá-lo a lidar melhor com as dificuldades que vêm causando sofrimento. Um diagnóstico, quando existe, deve servir para orientar o tratamento e promover qualidade de vida, e não para definir quem você é.

Dra. Maiara Correa

Dra. Maiara Correa

Psicólogo

Florianópolis

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Antes de pensarmos em um diagnóstico ou em um rótulo fechado, o passo mais importante é avaliar como esses sintomas se manifestam no seu dia a dia. O foco principal deve estar naquilo que está atrapalhando a sua vida, gerando sofrimento ou causando o incômodo e a vergonha que você mencionou ao esconder o seu jeito de ser. Na Gestalt-terapia, trabalhamos de forma independente do diagnóstico. Embora o rótulo clínico funcione como um norte importante para guiar o tratamento, o verdadeiro centro da terapia é a pessoa e a forma como ela experiencia o mundo. Movimentos repetitivos e uma imaginação fértil são, muitas vezes, recursos que a sua mente criou para se autorregular diante da ansiedade e do tédio. As dificuldades com a procrastinação, esquecimentos e relações sociais merecem ser acolhidas com cuidado e respeito, investigando o impacto real delas na sua rotina. O espaço terapêutico oferece o amparo necessário para que você possa explorar esse seu funcionamento único, sem julgamentos, ajudando a transformar o que gera dor em caminhos de leveza e autoconhecimento.

Danielle Sales

Danielle Sales

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Voce descreve características que muitas pessoas experimentam em algum grau: procrastinar, esquecer compromissos, ter dificuldade para iniciar tarefas pouco interessantes, lidar com ansiedade etc. Essas experiências podem aparecer em diferentes condições, como o TDAH, mas também podem estar relacionadas ao modo como cada um se constitui, à sua história de vida, ao contexto em que vive e até ao momento que está atravessando. Caminhar enquanto imagina histórias, girar um objeto ou fazer sons também não deve ser automaticamente entendido como sinal de um transtorno. Nós, seres humanos, desenvolvemos inúmeros modos de brincar, imaginar e organizar pensamentos. Alguns desses modos são amplamente compartilhados e passam despercebidos; outros são menos comuns e, justamente por isso, podem despertar vergonha em quem os vive. Vivemos em uma sociedade em que existe uma expectativa de "como as pessoas devem agir" em público. Mas nem tudo aquilo que foge dessa impessoalidade (desses hábitos socialmente naturalizados) é necessariamente patológico. A avaliação psicológica ou psiquiátrica pode ser importante quando há dúvidas sobre um diagnóstico, mas ela precisa considerar a pessoa em sua totalidade, sua história e a maneira como essas experiências aparecem no seu cotidiano.

Dra. Iasmin Quintino

Dra. Iasmin Quintino

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá! O que você descreve envolve dois pontos principais: um estilo de imaginação muito ativo desde a infância e algumas dificuldades relacionadas à organização, início e conclusão de tarefas, além de aspectos emocionais como ansiedade e timidez. A imaginação intensa e a criação de histórias internas não são, por si só, um sinal de problema. Muitas pessoas têm um funcionamento mais “imaginativo” ou narrativo da mente, o que pode inclusive ser uma forma de autorregulação emocional, criatividade ou alívio do tédio. O fato de você conseguir parar quando quer e de isso não gerar prejuízo direto importante é um dado relevante. O comportamento de andar, girar objetos e fazer sons enquanto imagina pode funcionar como uma forma de estimulação e organização interna da atenção. Isso pode aparecer em diferentes perfis de pessoas e não é automaticamente indicativo de um transtorno. Já a segunda parte do seu relato — procrastinação, dificuldade de iniciar tarefas, esquecer coisas e deixar tudo para última hora — pode estar associada a diferentes fatores. Entre eles, podem estar: dificuldades de função executiva (como planejamento e organização); ansiedade, que muitas vezes leva à evitação de tarefas; desmotivação em tarefas pouco estimulantes; e, em alguns casos, pode estar presente em quadros como o TDAH. No entanto, é importante ter cautela: não é possível concluir um diagnóstico apenas com base nesse tipo de descrição, porque muitos desses comportamentos se sobrepõem entre diferentes condições e até em pessoas sem nenhum transtorno específico. Um ponto importante no seu relato é que você menciona também ansiedade, depressão e timidez com medo de julgamento. Esses fatores, por si só, já podem impactar muito a concentração, a energia para iniciar tarefas e a organização do dia a dia. Do ponto de vista clínico, o mais importante aqui não é rotular o funcionamento como “normal” ou “patológico”, mas entender: o quanto isso está impactando sua vida; se está gerando sofrimento; e quais estratégias podem te ajudar a funcionar melhor no dia a dia. Se isso estiver te causando prejuízo em estudos, trabalho ou qualidade de vida, o ideal é procurar uma avaliação psicológica ou neuropsicológica. Ela pode ajudar a diferenciar se estamos falando de um estilo cognitivo, de ansiedade, de TDAH ou de uma combinação de fatores. Independentemente do nome, o fato de você conseguir observar seu próprio funcionamento já é um ótimo sinal de insight e pode ser muito útil no processo terapêutico. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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O que você descreve pode estar relacionado a diferentes condições psicológicas e do neurodesenvolvimento (TDAH, TEA, etc) , mas também pode representar apenas uma característica do seu modo de funcionar. Não é possível chegar a um diagnóstico somente com esse relato. Dificuldades de organização, procrastinação, esquecimento, iniciar e concluir tarefas, associadas à ansiedade, ao medo de julgamento e às dificuldades sociais, merecem uma avaliação mais aprofundada, pois podem estar presentes em diferentes transtornos e também serem influenciadas por fatores emocionais. O mais indicado nesse caso é procurar um neuropsicólogo para uma avaliação neuropsicológica para auxiliar na investigação do funcionamento cognitivo, no diagnóstico diferencial e na definição do tratamento mais adequado.


O que você descreve é bastante interessante e não significa, por si só, que exista algum transtorno. Ter uma imaginação muito ativa, criar histórias elaboradas e passar um tempo envolvido nesse mundo interno pode fazer parte do funcionamento de algumas pessoas e até o cérebro, no geral. Mas, é claro que, quando isso vem acompanhado de outros padrões, como dificuldades persistentes de atenção, procrastinação, desorganização, esquecimento e impacto na vida diária, vale a pena investigar de forma mais aprofundada. Os comportamentos que você relata, como andar de um lado para o outro, girar objetos e emitir sons enquanto imagina, podem ter diferentes explicações. Para algumas pessoas, esses movimentos ajudam a manter o foco na imaginação, a organizar o pensamento ou até a regular emoções. Isoladamente, eles não permitem concluir que exista um transtorno específico. O mais importante é compreender qual função esses comportamentos exercem para você e o quanto interferem na sua rotina. Em relação ao TDAH, alguns dos sintomas que você mencionou realmente podem estar presentes nessa condição, como a procrastinação, a dificuldade para iniciar ou concluir tarefas, os esquecimentos e a tendência a evitar as atividades que não te interessam. Porém, esses mesmos sintomas também podem aparecer em pessoas que convivem com ansiedade, depressão, privação de sono, estresse crônico e outras condições. Por isso, não é possível afirmar um diagnóstico apenas com base nesses relatos. Outro ponto que merece atenção é que você diz conseguir interromper essas fantasias quando deseja e que elas são, em grande parte, prazerosas. Isso é um dado importante para a avaliação. Em algumas situações, o envolvimento com o mundo imaginário pode ser tão intenso que a pessoa perde muitas horas do dia ou deixa de viver experiências importantes da vida real. Em outras, trata-se apenas de uma característica da personalidade, sem causar prejuízos significativos. A diferença está menos na existência da imaginação e mais no impacto que ela produz na vida da pessoa. Considerando o conjunto dos seus relatos, acredito que seria interessante fazer uma avaliação clínica. Se houver suspeita de TDAH ou de outro transtorno do neurodesenvolvimento, o profissional poderá aprofundar essa investigação e, se necessário, encaminhá-lo também para uma avaliação psiquiátrica. O objetivo não é encontrar um rótulo, mas compreender como sua mente funciona e identificar quais dificuldades realmente precisam de intervenção. Independentemente do diagnóstico, vale lembrar que não há nada de errado em ter uma imaginação rica. O que merece atenção são os prejuízos que determinados padrões podem trazer. Se essas características estão dificultando seus estudos, trabalho, relacionamentos ou bem-estar, buscar uma avaliação é um passo importante para entender melhor seu funcionamento e encontrar estratégias que permitam viver de forma mais leve e funcional. Fico à disposição para aprofundarmos mais sobre isso.


O que você descreve não significa, por si só, que exista um transtorno. Ter uma imaginação muito ativa pode fazer parte do jeito de algumas pessoas. No entanto, como você também relata dificuldades de atenção, procrastinação, ansiedade e questões sociais, vale a pena fazer uma avaliação com um psicólogo. Dependendo do caso, também pode ser indicada uma avaliação com um psiquiatra. O mais importante é entender o conjunto da sua história, em vez de tentar explicar tudo por um único diagnóstico. Agendamento direto e fácil pelo meu perfil. Agenda aberta!


O que você descreve pode ser entendido como uma forma de atividade imaginativa rica e autorregulatória, que muitas pessoas usam desde a infância para organizar afetos, tédio e estímulos internos, e o fato de você conseguir interromper e não haver sofrimento direto nesse momento sugere que isso pode fazer parte do seu modo de funcionamento psíquico, e não necessariamente um sintoma patológico por si só; pela psicanálise, essa cena interna contínua pode ser vista como um espaço de elaboração e prazer imaginativo, enquanto as dificuldades com procrastinação, início e conclusão de tarefas e esquecimento podem ter múltiplas origens, incluindo ansiedade, padrão atencional e também traços que aparecem em quadros como TDAH, mas isso só pode ser compreendido de forma responsável em uma avaliação clínica completa, observando impacto funcional e história de vida. Se isso te gera dúvida ou começa a afetar sua vida, pode ser importante uma escuta profissional mais aprofundada, e se quiser, você pode conhecer meu perfil ou entrar em contato para pensarmos isso com mais cuidado.


Olá! Antes de tudo, agradeço por compartilhar sua história de forma tão detalhada. É compreensível que você queira entender o que está acontecendo, principalmente porque essas características o acompanham desde a infância e hoje parecem impactar diferentes áreas da sua vida. Pelo seu relato, não é possível afirmar se há um diagnóstico específico, como TDAH ou outra condição do neurodesenvolvimento. No entanto, aspectos como imaginação muito intensa, movimentos repetitivos durante esses momentos, dificuldade para organizar tarefas, procrastinação, esquecimento, ansiedade e dificuldades sociais merecem uma avaliação cuidadosa. Essas características podem estar presentes em diferentes condições e, em algumas pessoas, mais de uma delas pode coexistir. Também é importante destacar que uma imaginação muito ativa, por si só, não é necessariamente um problema. A questão principal é entender o quanto esses comportamentos interferem na sua rotina, nos seus relacionamentos, nos estudos, no trabalho e no seu bem-estar emocional. O fato de você conseguir interromper esses comportamentos quando deseja e ter começado a escondê-los por vergonha mostra o quanto essa situação tem despertado dúvidas e sofrimento. Felizmente, existem formas de compreender melhor esse funcionamento. Uma avaliação psicológica detalhada, e quando necessário uma avaliação neuropsicológica e psiquiátrica, pode esclarecer a origem desses sintomas e direcionar o tratamento mais adequado. Independentemente do diagnóstico, você não precisa continuar convivendo com essas dúvidas sozinho. Com um acompanhamento especializado, é possível compreender melhor seu modo de funcionar, desenvolver estratégias para lidar com as dificuldades e melhorar significativamente sua qualidade de vida.

João Paulo Vieira

João Paulo Vieira

Psicólogo

Belo Horizonte

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O que você descreve merece atenção, mas não permite concluir, apenas pelo relato, que exista um transtorno específico. Uma imaginação muito rica, por si só, faz parte da diversidade do funcionamento humano e não é considerada uma doença. No entanto, o conjunto de características que você relata — dificuldade para iniciar e concluir tarefas, procrastinação, esquecimentos frequentes, ansiedade, timidez e receio intenso de julgamento — pode justificar uma avaliação clínica mais aprofundada. Essas manifestações podem estar presentes em diferentes condições, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtornos de ansiedade ou outras formas de funcionamento psíquico. Por isso, é importante evitar o autodiagnóstico. Em relação ao hábito de andar enquanto imagina histórias, girar objetos ou fazer sons, algumas pessoas utilizam movimentos repetitivos como forma de facilitar a concentração, organizar pensamentos ou vivenciar a criatividade. Quando esses comportamentos existem desde a infância, são voluntários, não causam sofrimento significativo e não comprometem a vida cotidiana, podem representar uma característica individual. Entretanto, se ocupam muitas horas do dia, se tornam difíceis de controlar ou começam a interferir nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos ou em outras áreas importantes da vida, vale a pena investigá-los com um profissional. Independentemente do diagnóstico, o fato de essas características o acompanharem desde a infância e despertarem dúvidas já é um motivo legítimo para buscar ajuda. Um processo de avaliação cuidadoso permitirá compreender melhor seu modo de funcionamento e, se necessário, indicar estratégias ou tratamentos que favoreçam seu bem-estar e sua qualidade de vida.

Clarice Coelho

Clarice Coelho

Psicanalista

Curitiba

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O que você descreve merece ser investigado com cuidado, mas não significa, por si só, que exista um transtorno. Uma imaginação muito rica e a criação de histórias complexas podem fazer parte da forma de funcionamento de algumas pessoas e não representam necessariamente um problema. No entanto, alguns aspectos do seu relato chamam a atenção, como o hábito de andar em círculos, girar objetos, emitir sons enquanto imagina, além das dificuldades persistentes com organização, procrastinação, esquecimento, início e conclusão de tarefas e das dificuldades sociais. Esses sinais podem estar presentes em diferentes condições, como o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), o Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtornos de ansiedade ou até mesmo em pessoas sem um diagnóstico específico. Também existe um fenômeno conhecido como devaneio excessivo (maladaptive daydreaming), que ainda não é considerado um diagnóstico oficial, mas vem sendo estudado por envolver fantasias muito elaboradas e frequentes. Entretanto, não é possível concluir que esse seja o seu caso apenas com essas informações. Um ponto importante é que você relata conseguir interromper esse comportamento quando deseja e que ele costuma ocorrer em momentos de tédio ou quando algo desperta sua imaginação. Além disso, o fato de sentir vergonha e passar a esconder esse comportamento demonstra que ele lhe causa algum desconforto, o que também merece ser explorado durante uma avaliação. A melhor forma de compreender o que está acontecendo é procurar um psicólogo para uma avaliação clínica. Dependendo dos achados, pode ser indicada também uma avaliação neuropsicológica e, se necessário, uma consulta com um psiquiatra. Esse processo permitirá investigar se essas características fazem parte do seu estilo de funcionamento ou se estão relacionadas a alguma condição que possa se beneficiar de tratamento. Independentemente do diagnóstico, suas dificuldades têm impacto na sua rotina e merecem atenção. Com uma avaliação adequada, é possível compreender melhor seu funcionamento, identificar seus pontos fortes e desenvolver estratégias para lidar com os desafios do dia a dia, melhorando sua qualidade de vida.

Clarisse Bussolaro

Clarisse Bussolaro

Psicólogo

Santa Tereza Do Oeste

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Achei importante a forma como você descreveu essa experiência. Você não traz apenas uma dúvida sobre um possível diagnóstico, mas também um percurso que acompanha a sua vida desde a infância e que agora passou a despertar questionamentos. A partir de um relato como esse, não seria adequado concluir que se trata de uma condição específica, mas também não acredito que seja necessário tratar essa experiência como algo "sem importância". O fato de ela fazer parte da sua história e despertar tantas perguntas já mostra que vale a pena olhar para isso com mais cuidado. Um espaço de escuta pode ajudá-lo justamente a explorar essas questões sem a necessidade de chegar rapidamente a um rótulo. Às vezes, mais do que encontrar um nome, é importante poder compreender o lugar que essa experiência ocupa na sua vida.

Lívia Coxir

Lívia Coxir

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá! Obrigada por compartilhar sua experiência de forma tão detalhada. O que você descreve pode estar relacionado a diferentes formas de funcionamento psicológico e neurodesenvolvimental. Uma imaginação muito ativa, acompanhada de movimentos repetitivos durante a fantasia, pode ocorrer em algumas pessoas sem representar um transtorno. No entanto, quando esse padrão vem acompanhado, desde a infância, de dificuldades persistentes de atenção, organização, procrastinação, ansiedade, timidez intensa e prejuízos no dia a dia, é importante realizar uma avaliação cuidadosa. Essas características podem estar presentes em condições como o TDAH, o Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtornos de ansiedade ou outras questões, mas não é possível estabelecer um diagnóstico apenas com esse relato. É necessário compreender seu histórico de desenvolvimento, funcionamento em diferentes contextos e o impacto desses sintomas ao longo da vida. Uma avaliação neuropsicológica, associada à avaliação clínica, pode ajudar a esclarecer essas hipóteses, identificar seus pontos fortes e dificuldades e orientar as intervenções mais adequadas. Caso deseje investigar essas questões de forma mais aprofundada, fico à disposição para auxiliá-lo(a) nesse processo.

Kamilla Silveira

Kamilla Silveira

Psicólogo

Ribeirão Preto

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Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. Imaginação ativa com movimentos repetitivos pode ser traço de autorregulação emocional, criatividade intensa ou padrão neurodivergente. Dificuldades com procrastinação, foco, tarefas e ansiedade sugerem possível TDAH ou funcionamento cognitivo específico. Não é “estranho”: é um estilo de processamento interno. Uma avaliação neuropsicológica pode esclarecer se há TDAH, ansiedade, traços autistas ou apenas um padrão individual de funcionamento. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços


O que você descreve pode estar relacionado a diferentes fatores, e não é possível chegar a uma conclusão apenas pelo seu relato. Uma imaginação muito ativa, acompanhada de movimentos repetitivos durante a fantasia, pode fazer parte do funcionamento de algumas pessoas e não necessariamente indica um transtorno. Por outro lado, as dificuldades de organização, procrastinação, esquecimento e manutenção da atenção, somadas à ansiedade e à timidez, merecem uma avaliação mais aprofundada. Essas características podem estar presentes em condições como o TDAH, mas também podem estar relacionadas à ansiedade ou a outros fatores.

Giovana Dantas

Giovana Dantas

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá! O que você descreve não permite concluir um diagnóstico, mas merece uma avaliação. Ter uma imaginação muito ativa, criar histórias e fantasiar, por si só, pode fazer parte do funcionamento de muitas pessoas e não é necessariamente um problema. Por outro lado, quando isso vem acompanhado de dificuldades de atenção, procrastinação, esquecimentos, dificuldade para iniciar e concluir tarefas, ansiedade, timidez ou comportamentos repetitivos, pode ser importante investigar condições como TDAH, TEA ou outros fatores que podem explicar esse conjunto de características. O mais importante é avaliar o funcionamento como um todo, e não um único comportamento isolado. Um psicólogo e, se necessário, um psiquiatra poderão fazer uma avaliação detalhada para compreender melhor o que está acontecendo e indicar o tratamento mais adequado, caso seja necessário.


O que você descreve parece envolver dois aspectos diferentes: um estilo de imaginação muito rico e alguns padrões de funcionamento que podem estar relacionados a dificuldades de atenção, organização e ansiedade. A parte da imaginação criar histórias contínuas, personagens, cenários e “episódios” por anos não é necessariamente um sinal de transtorno. Muitas pessoas têm uma vida imaginativa intensa. O fato de você dizer que consegue parar quando quer, que isso é prazeroso e que não impede sua vida, sugere que pode ser uma característica pessoal (como criatividade, fantasia e uma forma de entretenimento mental). Os movimentos associados (andar em círculos, girar objetos, fazer sons) também podem funcionar como uma forma de estimulação sensorial ou autorregulação: algumas pessoas fazem movimentos repetitivos quando estão concentradas, imaginando, ansiosas ou animadas. Isso pode aparecer em diferentes perfis, incluindo pessoas com TDAH, ansiedade ou simplesmente como um hábito individual. Já as dificuldades que você citou procrastinação, esquecer coisas, dificuldade de iniciar e concluir tarefas, deixar tudo para a última hora podem aparecer em quadros como TDAH, mas também podem ocorrer por ansiedade, depressão, estresse, falta de estratégias de organização ou outros fatores. O diagnóstico depende de avaliar a intensidade, frequência, prejuízo na vida e se esses padrões aparecem em diferentes contextos desde a infância. A timidez, medo de julgamento e dificuldades sociais podem estar relacionados à ansiedade social, insegurança ou outras experiências emocionais, mas também precisam ser avaliados dentro do conjunto da sua história. Uma avaliação com psicólogo ou neuropsicólogo pode ajudar a diferenciar: traços de personalidade e funcionamento individual; dificuldades relacionadas ao TDAH; efeitos de ansiedade/depressão; outros padrões de funcionamento cognitivo e emocional. Uma pergunta importante é: essa imaginação e esses hábitos de movimento atrapalham sua vida (estudos, trabalho, relacionamentos) ou são principalmente algo que você esconde por vergonha? Essa diferença costuma ser muito relevante na avaliação.


Olá, como vai? Depende. No seu caso, qualquer tipo de indicação diagnóstica é leviana. Vamos combinar que ninguém gosta de fazer tarefas chatas, isso não é exclusividade de psicopatologia. No seu caso, indico procurar por um psicólogo para te ajudar a desmistificar o que faz parte de você como estrutura de funcionamento (que inclui os comportamentos "estranhos") de sintomas de psicopatologias que prejudicam o seu dia a dia. Desmistificar o que é normal e o patológico é uma das funções do psicólogo, o que pode te trazer mais leveza e aceitação com si mesmo. Se for necessário, você poderá ser encaminhado a outros profissionais como o neuropsicólogo para avaliação ou terapeuta ocupacional, depende de como esse psicólogo te avaliar durante o percurso de psicoterapia. Espero ter ajudado, fico à disposição.


Pelo que você descreve, não há motivo para concluir que exista algo “errado” com você apenas porque sua imaginação funciona dessa maneira. Criar histórias contínuas, andar de um lado para o outro ou manipular objetos enquanto imagina pode ser uma forma particular de entretenimento e autorregulação. O fato de você saber que são fantasias, se divertir e conseguir interrompê-las quando deseja é diferente de uma experiência que domina a rotina e foge ao controle. Alguns pesquisadores utilizam o termo “devaneio desadaptativo” quando as fantasias se tornam compulsivas, consomem muitas horas e causam prejuízos importantes. Entretanto, esse fenômeno ainda não é reconhecido como um diagnóstico formal. As dificuldades com procrastinação, esquecimentos e conclusão de tarefas podem estar presentes no TDAH, mas também aparecem em quadros de ansiedade e depressão. Para investigar TDAH, é necessário avaliar se existe um padrão persistente desde a infância, presente em diferentes contextos e com prejuízos reais na vida. Da mesma forma, movimentos repetitivos e dificuldades sociais não indicam autismo isoladamente; essa avaliação considera um conjunto mais amplo de características do desenvolvimento e da comunicação social. Conversar com um psicólogo ou realizar uma avaliação neuropsicológica pode te ajudar a compreender seu funcionamento com mais clareza, sem julgamentos e sem transformar toda característica diferente em um transtorno.


A sua pergunta reúne aspectos diferentes, e é importante evitar tirar conclusões precipitadas. Ter uma imaginação muito rica, criar histórias e fantasiar, por si só, não caracteriza um transtorno. No entanto, quando isso vem acompanhado de comportamentos repetitivos, dificuldades persistentes de atenção e organização, ansiedade ou prejuízos na vida cotidiana, vale a pena investigar de forma mais cuidadosa. Também chama a atenção o fato de você dizer que faz isso escondido por vergonha. Muitas pessoas passam anos adaptando seus comportamentos por receio de serem julgadas, sem compreender exatamente o significado deles. Em vez de buscar uma explicação única, como TDAH ou outra condição, considero mais importante entender como todas essas características se articulam na sua história de vida. Uma avaliação psicológica e um processo de psicoterapia podem ajudar tanto a esclarecer essa dúvida quanto a compreender o impacto que esse modo de funcionar tem sobre você hoje.


Ter uma imaginação intensa e criar histórias não indica, por si só, um transtorno, especialmente quando você consegue interromper isso e não há prejuízo importante. Porém, procrastinação, dificuldade para terminar tarefas, movimentos repetitivos, ansiedade e dificuldades sociais podem aparecer em diferentes condições, como TDAH, autismo, ansiedade ou depressão, mas também podem fazer parte de hábitos pessoais. Como esses sinais existem desde a infância, uma avaliação com psicólogo, neuropsicólogo ou psiquiatra experiente em adultos pode investigar o conjunto sem reduzir tudo a um único comportamento. No TDAH, por exemplo, os sintomas precisam ser persistentes, causar prejuízo e aparecer em mais de um contexto.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.