Existe “controle emocional estratégico” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

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Existe “controle emocional estratégico” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”
Oi, é um prazer te ter por aqui.


De forma geral, não existe um “controle emocional estratégico” no sentido de algo totalmente planejado, calculado ou manipulado por parte da pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).
O que muitas vezes parece “estratégico” para quem observa de fora é, na verdade, o resultado de desregulação emocional intensa, um dos pilares do transtorno.
O que isso significa na prática?
• As reações emocionais no TPB não são premeditadas.
• A pessoa não escolhe sentir tão intensamente nem “usar” emoções para obter algo.
• O comportamento é impulsionado por dor emocional real, medo de abandono, hipersensibilidade e dificuldade de autorregulação.
Por que pode parecer estratégico?
Porque algumas respostas emocionais, como choro, raiva, súplicas ou afastamento, acontecem repetidamente em situações de estresse. Mas isso não é estratégia: é padrão de sobrevivência emocional, aprendido ao longo da vida, muitas vezes desde a infância.
O que realmente acontece?
• O sistema emocional reage de forma rápida e intensa.
• A pessoa tenta, de forma desorganizada, reduzir o sofrimento.
• O comportamento pode parecer direcionado, mas é instintivo, não planejado.
Em resumo
No TPB, não há “controle emocional estratégico”, e sim tentativas desesperadas de lidar com emoções avassaladoras. A interpretação de manipulação ou estratégia geralmente é um equívoco que não leva em conta a neurobiologia e a dor emocional envolvidas.


Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernadosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES
Abraços

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem?

Essa é uma pergunta interessante, porque a expressão “controle emocional estratégico” pode dar a impressão de algo mais planejado e consciente do que geralmente acontece no Transtorno de Personalidade Borderline. Na maioria dos casos, o que vemos não é exatamente um controle emocional bem estruturado, mas sim tentativas de lidar com emoções muito intensas que às vezes até parecem estratégicas, mas surgem mais como respostas automáticas do que como escolhas deliberadas.

Em alguns momentos, a pessoa pode sim tentar regular o que sente ou como se expressa, por exemplo, segurando uma reação, evitando demonstrar algo ou tentando manter uma aparência de controle. Mas isso costuma ser instável e difícil de sustentar, especialmente quando o nível de ativação emocional aumenta. É como se houvesse uma intenção de controlar, mas o sistema emocional fosse mais rápido e mais intenso do que essa tentativa de organização.

Do ponto de vista clínico, isso pode ser confundido com manipulação ou cálculo, mas frequentemente está mais ligado a uma oscilação entre tentar se proteger e não conseguir manter essa regulação quando a emoção ultrapassa um certo limite. O cérebro, nesses momentos, prioriza a descarga emocional ou a proteção imediata, em vez de uma estratégia consistente.

Talvez faça sentido refletir: quando você tenta controlar o que sente, isso funciona por quanto tempo? O que acontece logo antes de perder esse controle? E essa tentativa de controle vem mais de um lugar de escolha ou de necessidade urgente de evitar alguma dor emocional?

Na terapia, o foco costuma ser justamente fortalecer formas mais estáveis e conscientes de regulação emocional, para que a pessoa não precise depender tanto dessas tentativas mais reativas. Com o tempo, isso amplia a sensação de controle real, não no sentido de bloquear emoções, mas de conseguir lidar com elas de forma mais segura.

Caso precise, estou à disposição.
No Transtorno de Personalidade Borderline, pode existir algum grau de modulação emocional intencional, mas, em geral, o que predomina não é um controle emocional estratégico consistente, e sim uma dificuldade na regulação dos afetos, de modo que as respostas emocionais tendem a ser mais reativas do que deliberadamente planejadas, especialmente em contextos de maior ativação interpessoal.

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