O que fazer ao sentir uma crise de hipersensibilidade no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB

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O que fazer ao sentir uma crise de hipersensibilidade no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Stephanie Von Wurmb Helrighel
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Falando com você como profissional da saúde mental, quero começar dizendo algo essencial: a crise de hipersensibilidade no TPB não é exagero, drama ou fraqueza. Ela é uma resposta real de um sistema emocional que sente tudo com muita intensidade. O que importa não é “parar de sentir”, mas aprender a atravessar a crise com mais cuidado e menos sofrimento.

Quando a crise começa, algumas estratégias podem ajudar:

1. Reconheça a crise pelo que ela é

Diga mentalmente (ou em voz baixa):
“Isso é uma crise emocional. Vai passar.”
Nomear o que está acontecendo ajuda o cérebro a sair do modo de ameaça. Lembre-se: emoções intensas sobem e descem, mesmo quando parecem insuportáveis.

2. Reduza estímulos imediatamente

Durante a hipersensibilidade, tudo dói mais. Se puder:

Afaste-se de discussões

Diminua barulho, luz e redes sociais

Fique em um ambiente mais silencioso e seguro

Isso não é fuga — é autorregulação.

3. Use técnicas para acalmar o corpo

Antes de tentar “pensar diferente”, acalme o corpo:

Respiração lenta (inspire em 4, expire em 6)

Lave o rosto com água fria

Segure algo gelado ou algo macio

Observe 5 coisas que você vê, 4 que toca, 3 que ouve

O corpo precisa sentir que o perigo passou.

4. Evite decisões importantes durante a crise

Na hipersensibilidade, o pensamento fica extremo (“ninguém liga”, “vai ser sempre assim”).
Faça um acordo consigo:
“Vou decidir qualquer coisa só depois que essa emoção diminuir.”

Isso protege você de atitudes impulsivas que depois podem gerar culpa ou mais dor.

5. Valide a si mesmo(a)

Em vez de se criticar, experimente:

“Faz sentido eu estar assim com o que vivi.”

“Minha dor é real, mesmo que os outros não entendam.”

A autovalidação é uma das maiores faltas na história de quem tem TPB — e também uma das maiores curas.

6. Procure conexão segura

Se for possível, entre em contato com alguém que saiba respeitar seus limites. Às vezes não é para desabafar, mas apenas não ficar sozinho(a) naquele momento.

Quero que você saiba: essas crises podem se tornar mais curtas, menos intensas e mais manejáveis com acompanhamento adequado. A psicoterapia, ajuda você a entender seus gatilhos, fortalecer sua identidade e construir recursos internos para atravessar esses momentos com mais segurança.

Se você sente que essas crises estão frequentes ou difíceis de lidar sozinho(a), eu te convido a considerar a terapia como um espaço de acolhimento, onde suas emoções não serão invalidadas e você poderá aprender, no seu ritmo, a cuidar de si com mais gentileza. Você não precisa enfrentar isso sem apoio.

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Ao sentir uma crise de hipersensibilidade no Transtorno de Personalidade Borderline, o mais importante é tentar criar segurança emocional e física no momento, reconhecendo que as emoções intensas são reais, mas temporárias. Técnicas de respiração, atenção plena ou ancoragem no corpo ajudam a reduzir a ativação emocional imediata. Buscar estratégias aprendidas na terapia, como identificar gatilhos, nomear sentimentos e usar habilidades de tolerância à angústia, pode impedir comportamentos impulsivos ou autodestrutivos. Também é fundamental contar com apoio de pessoas de confiança ou profissionais de saúde mental, sem se isolar, para atravessar a crise de forma segura.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Durante uma crise de hipersensibilidade no Transtorno de Personalidade Borderline, o mais importante é entender que o que está acontecendo não é fraqueza nem exagero, mas um sistema emocional que entrou em sobrecarga. Nesse momento, a emoção vem muito rápido e com muita intensidade, enquanto a capacidade de pensar com clareza fica temporariamente reduzida. Por isso, tentar “racionalizar” ou se cobrar para reagir melhor costuma aumentar ainda mais o sofrimento.

Clinicamente, o foco passa a ser criar algum espaço entre o que é sentido e o que é feito. Não para negar a emoção, mas para permitir que ela atravesse sem virar ação impulsiva ou ruptura. A neurociência ajuda a entender que, quando o corpo entra em alerta máximo, primeiro é preciso reduzir essa ativação para que o pensamento volte a funcionar. Esse processo não é imediato e nem acontece por força de vontade.

Também é comum que a crise seja ativada por sinais sociais sutis, como silêncio, mudança de tom ou sensação de rejeição. Nesses momentos, a dor costuma dizer mais sobre experiências internas e histórias anteriores do que sobre o que o outro realmente fez agora. Aprender a reconhecer esse padrão é um passo central do trabalho terapêutico, porque ajuda a pessoa a não se confundir completamente com a emoção do momento.

Vale se perguntar: o que costuma disparar essas crises em você? Quais sinais o seu corpo dá antes da emoção escalar? O sofrimento vem mais do que aconteceu ou do significado que isso ganha sobre quem você é? O que costuma piorar a crise quando você tenta “resolver” rápido demais?

A psicoterapia é o espaço principal para aprender a atravessar essas crises com mais segurança, ampliando a tolerância emocional e reduzindo a necessidade de respostas impulsivas. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico pode ser um apoio complementar quando a intensidade está muito difícil de manejar. Se você já estiver em terapia, levar uma crise recente para ser explorada em sessão costuma ser extremamente produtivo.

Caso precise, estou à disposição.

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