O que fazer quando o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) desvaloriza ou ataca

3 respostas
O que fazer quando o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) desvaloriza ou ataca o terapeuta?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma situação mais comum do que parece quando falamos de Transtorno de Personalidade Borderline, e é importante entender que, muitas vezes, esse tipo de reação não nasce de uma intenção de desrespeitar o terapeuta, mas de uma dor emocional muito intensa que não encontrou ainda outra forma de se expressar. É como se, em alguns momentos, o sistema emocional da pessoa interpretasse pequenas frustrações ou desencontros como sinais de rejeição ou abandono, e reagisse com muita intensidade para se proteger disso.

Quando um paciente desvaloriza ou ataca o terapeuta, geralmente estamos diante de algo muito valioso clinicamente acontecendo ao vivo na sessão. A relação terapêutica passa a refletir padrões que também aparecem fora dela, como medo de ser abandonado, dificuldade em confiar ou uma sensação profunda de não ser compreendido. Em vez de ser um “problema” da terapia, isso pode se tornar uma porta de entrada importante para o trabalho.

O caminho mais cuidadoso não costuma ser o confronto direto ou a correção imediata, mas sim tentar compreender o que está por trás daquela reação. O que aquela fala ou atitude quer comunicar emocionalmente? Que tipo de dor ou necessidade pode estar ali? Ao mesmo tempo, é importante que o terapeuta mantenha limites claros e respeitosos, porque a segurança da relação também depende disso. Nem tudo pode ser dito de qualquer forma, e isso também faz parte do processo terapêutico.

Talvez valha a pena se perguntar: o que exatamente o paciente sentiu naquele momento para reagir dessa forma? Em que situações fora da terapia ele também costuma sentir algo parecido? Existe uma sensação de rejeição, crítica ou abandono que aparece com frequência nas relações dele? E, olhando para a própria relação terapêutica, o que esse comportamento pode estar tentando “testar” ou proteger?

Quando essas situações são trabalhadas com cuidado, elas deixam de ser apenas momentos difíceis e passam a ser oportunidades profundas de mudança. É como se a terapia se tornasse um espaço onde padrões antigos podem, pela primeira vez, ser compreendidos e transformados de forma segura. Caso precise, estou à disposição.

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Quando um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) desvaloriza ou ataca o terapeuta, é fundamental que o profissional preserve a calma e a postura. Essa estabilidade ajuda a manter um ambiente seguro e protege a qualidade da relação terapêutica. Também é importante que o terapeuta estabeleça limites firmes e respeitosos, já que a segurança do vínculo depende disso. Além disso, compreender o que motiva a reação do paciente, muitas vezes uma dor emocional intensa que não encontrou outra forma de expressão, pode abrir caminhos valiosos para o processo terapêutico.

Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernadosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES
Abraços
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Quando um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline desvaloriza ou ataca o terapeuta, a primeira leitura importante é: isso geralmente fala mais sobre o estado emocional dele do que sobre a competência do profissional. Em momentos de ativação intensa, o sistema emocional pode entrar em modo de proteção, transformando frustração, medo de abandono ou sensação de não ser compreendido em críticas ou ataques. É como se o cérebro estivesse tentando “se defender antes de ser ferido”.

O manejo começa pela regulação do próprio terapeuta. Antes de responder, é essencial não reagir de forma impulsiva, nem entrando em confronto, nem cedendo para aliviar a tensão. A postura mais útil costuma ser firme e estável, ao mesmo tempo validando a emoção subjacente sem concordar com a forma do ataque. Isso ajuda a separar duas coisas que o paciente costuma misturar: o que ele sente e como ele expressa esse sentimento.

Também é um momento valioso para ampliar a consciência do paciente. Em vez de rebater o conteúdo diretamente, o terapeuta pode explorar o processo: o que aconteceu pouco antes dessa reação? Que sensação apareceu? Existe algum medo por trás dessa crítica? Esse tipo de investigação, quando feita com cuidado, ajuda o paciente a começar a reconhecer seus próprios padrões em tempo real.

Vale se perguntar: esse ataque aparece em outros vínculos fora da terapia? Ele surge em momentos específicos, como frustração ou sensação de distância? E dentro da sessão, o paciente consegue perceber depois o impacto do que disse? Essas pistas ajudam a transformar um momento difícil em material clínico rico.

Quando bem manejado, esse tipo de situação não enfraquece o vínculo. Pelo contrário, pode fortalecer bastante, porque o paciente experimenta algo novo: expressar emoções intensas sem que o outro rompa, ataque de volta ou se afaste. E isso, para muitos, é profundamente transformador.

Caso precise, estou à disposição.

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