Por que as pessoas gostam de julgar e menosprezar outras pessoas?
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Por que as pessoas gostam de julgar e menosprezar outras pessoas?
As pessoas costumam julgar e menosprezar para se sentirem superiores, proteger sua autoestima ou por insegurança. Muitas vezes, isso reflete suas próprias dificuldades internas e medos.
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Muitas vezes, quando alguém julga ou menospreza outra pessoa, não é realmente sobre “o outro”, e sim sobre o que essa pessoa carrega dentro de si.
Existem alguns motivos comuns, que se misturam entre aspectos emocionais, sociais e até biológicos.
Julgar e menosprezar pode dar uma sensação temporária de poder, segurança ou pertencimento mas, na verdade, denuncia fragilidade interna.
Quem está bem consigo mesmo não precisa diminuir ninguém para se sentir bem.
Existem alguns motivos comuns, que se misturam entre aspectos emocionais, sociais e até biológicos.
Julgar e menosprezar pode dar uma sensação temporária de poder, segurança ou pertencimento mas, na verdade, denuncia fragilidade interna.
Quem está bem consigo mesmo não precisa diminuir ninguém para se sentir bem.
Melanie Klein, uma das grandes psicanalistas do século XX, formulou o conceito de identificação projetiva, que nos ajuda a compreender esse tipo de comportamento. De forma simples, ela descreve que, em certos momentos, o sujeito lida com sentimentos ou aspectos de si que considera inaceitáveis — raiva, inveja, insegurança, fragilidade — e, em vez de reconhecer isso como algo próprio, ele “expulsa” essas partes desagradáveis para fora, projetando-as em outra pessoa. É como se dissesse, sem palavras: “isso ruim não é meu, é dele”. Julgar o outro, nesse sentido, se torna uma maneira de manter afastadas partes internas que geram desconforto.
Quando olhamos, por exemplo, para o preconceito contra pessoas LGBTQIA+, esse mecanismo pode ficar bastante evidente. É comum que o sujeito preconceituoso se apoie num discurso social de normatividade cis-heterossexual, acreditando que há apenas um modo “certo” de viver gênero e sexualidade. Isso não significa, necessariamente, que a pessoa que manifesta preconceito seja ela própria LGBTQIA+ e esteja “reprimindo algo” — essa é uma leitura simplista. O que costuma estar em jogo é algo mais sutil: trata-se de alguém que, diante das próprias contradições, incertezas e ambiguidades sobre o que é ser homem, mulher, ou sobre o que é desejar, se refugia em uma ideia rígida de normalidade. Essa rigidez funciona como uma defesa contra a angústia de perceber que a identidade humana é, por natureza, múltipla e inacabada.
Assim, o preconceito pode funcionar como uma blindagem narcísica: ao menosprezar o outro, o sujeito se protege do risco de se confrontar com o que o desorganiza internamente. Ele reafirma um “lugar seguro” dentro da norma, mantendo a ilusão de estabilidade. Julgar o outro passa, então, a ser uma forma de reafirmar a própria imagem — “eu sou o certo, o normal, o aceitável” —, o que, paradoxalmente, denuncia o quanto ele depende desse outro que despreza para sustentar seu próprio equilíbrio.
Em última instância, o julgamento e o menosprezo dizem menos sobre quem é julgado e muito mais sobre quem julga. São defesas frágeis contra o medo de reconhecer a complexidade que existe em cada um de nós — e que, quando negada, se transforma em intolerância.
Quando olhamos, por exemplo, para o preconceito contra pessoas LGBTQIA+, esse mecanismo pode ficar bastante evidente. É comum que o sujeito preconceituoso se apoie num discurso social de normatividade cis-heterossexual, acreditando que há apenas um modo “certo” de viver gênero e sexualidade. Isso não significa, necessariamente, que a pessoa que manifesta preconceito seja ela própria LGBTQIA+ e esteja “reprimindo algo” — essa é uma leitura simplista. O que costuma estar em jogo é algo mais sutil: trata-se de alguém que, diante das próprias contradições, incertezas e ambiguidades sobre o que é ser homem, mulher, ou sobre o que é desejar, se refugia em uma ideia rígida de normalidade. Essa rigidez funciona como uma defesa contra a angústia de perceber que a identidade humana é, por natureza, múltipla e inacabada.
Assim, o preconceito pode funcionar como uma blindagem narcísica: ao menosprezar o outro, o sujeito se protege do risco de se confrontar com o que o desorganiza internamente. Ele reafirma um “lugar seguro” dentro da norma, mantendo a ilusão de estabilidade. Julgar o outro passa, então, a ser uma forma de reafirmar a própria imagem — “eu sou o certo, o normal, o aceitável” —, o que, paradoxalmente, denuncia o quanto ele depende desse outro que despreza para sustentar seu próprio equilíbrio.
Em última instância, o julgamento e o menosprezo dizem menos sobre quem é julgado e muito mais sobre quem julga. São defesas frágeis contra o medo de reconhecer a complexidade que existe em cada um de nós — e que, quando negada, se transforma em intolerância.
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