Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um dos diagnósticos mais confundidos com di

3 respostas
Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um dos diagnósticos mais confundidos com dissimulação?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, essa é uma pergunta muito importante, porque toca diretamente em um dos maiores equívocos na compreensão do Transtorno de Personalidade Borderline.

O TPB costuma ser confundido com dissimulação principalmente por causa da intensidade e da variabilidade das respostas emocionais. Para quem observa de fora, mudanças rápidas de humor, alterações na forma de perceber o outro ou até comportamentos contraditórios podem parecer algo calculado. Mas, na maioria das vezes, essas mudanças não são planejadas, e sim resultado de um sistema emocional altamente sensível e reativo.

Existe também um fator relacional importante. Muitos comportamentos no TPB acontecem em contextos de vínculo, como medo de abandono, necessidade de proximidade ou reação a frustrações. Quando a pessoa tenta, de forma intensa, manter o outro por perto ou reage fortemente a sinais de afastamento, isso pode ser interpretado como tentativa de controle. No entanto, internamente, costuma ser vivido como urgência emocional, não como estratégia consciente.

Outro ponto que contribui para essa confusão é a aparente incoerência ao longo do tempo. A pessoa pode dizer algo com convicção em um momento e, depois, parecer mudar completamente de posição. Isso pode dar a impressão de falsidade, mas muitas vezes reflete estados emocionais diferentes que não estão integrados. Cada estado é vivido como verdadeiro enquanto está ativo.

Além disso, há casos em que a própria tentativa de se proteger emocionalmente, como esconder sentimentos, evitar conflitos ou adaptar o comportamento, é interpretada como dissimulação. Na prática, isso costuma estar mais relacionado a medo de rejeição e necessidade de preservar o vínculo.

Fico curioso em como você enxerga isso. Quando você observa esse tipo de comportamento, ele parece mais uma tentativa de controle ou uma reação emocional intensa? E quando você mesmo muda de forma de sentir ou pensar, isso parece algo planejado ou algo que acontece sem muito controle? Depois que passa, como você costuma interpretar essas mudanças?

Essas diferenças são fundamentais para uma compreensão mais justa e clínica do TPB. Caso precise, estou à disposição.

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O TPB é frequentemente confundido com dissimulação devido à sua natureza de instabilidade emocional intensa e comportamental. As pessoas com TPB podem apresentar comportamentos que parecem manipulação, como tentativas desesperadas de regular emoções insuportáveis, mas esses comportamentos são tentativas de lidar com o sofrimento agudo e não são uma forma de manipulação. A terapia comportamental dialética (DBT) é o tratamento padrão-ouro para o TPB, combinando técnicas de terapia cognitivo-comportamental (TCC) com mindfulness e habilidades de regulação emocional.


Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernadosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES
Abraços
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe essa reflexão, porque ela toca em um ponto muito sensível na forma como o Transtorno de Personalidade Borderline costuma ser percebido.

O TPB é frequentemente confundido com dissimulação porque os comportamentos podem mudar rapidamente e, para quem observa de fora, isso pode parecer incoerência ou até falta de verdade. A pessoa pode demonstrar afeto intenso em um momento e, pouco tempo depois, reagir com irritação ou afastamento. Essa oscilação, quando não é compreendida, pode ser interpretada como “teatro” ou estratégia, quando na realidade está muito mais ligada a uma instabilidade emocional genuína.

Outro fator importante é a intensidade com que as emoções são vividas. No TPB, pequenas variações no ambiente, especialmente nas relações, podem ser percebidas como sinais fortes de ameaça ou rejeição. O cérebro reage de forma rápida, quase automática, reorganizando pensamentos, sentimentos e comportamentos. Isso faz com que a pessoa realmente sinta aquilo que expressa em cada momento, mesmo que pareça contraditório depois.

Além disso, existe uma dificuldade em integrar diferentes experiências emocionais ao mesmo tempo. Em vez de sentir “gosto dessa pessoa, mas estou frustrado com ela”, pode surgir uma alternância mais brusca entre idealização e decepção. Para quem está de fora, isso pode parecer encenação. Para quem vive, é uma experiência emocional muito concreta e intensa.

Talvez valha se perguntar: quando você observa essas mudanças, elas parecem frias e planejadas ou carregadas de emoção e urgência? O que acontece logo antes dessas mudanças? Existe algum padrão relacionado a medo de perder alguém, de não ser valorizado ou de ser rejeitado?

Na prática clínica, o cuidado é justamente sair do julgamento e tentar compreender a função desses comportamentos. Quando isso é feito, o olhar muda bastante, e o que antes parecia dissimulação passa a ser entendido como uma forma, ainda que difícil, de lidar com emoções muito intensas.

Caso precise, estou à disposição.

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