Quais são os sintomas existenciais do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

2 respostas
Quais são os sintomas existenciais do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Dra. Ana Paula Porto
Psicólogo
Rio de Janeiro
No Transtorno de Personalidade Borderline, os sintomas existenciais costumam aparecer como um vazio interno persistente, uma dificuldade de sentir estabilidade na própria identidade e um questionamento constante sobre quem se é ou qual o sentido da vida. A pessoa pode oscilar entre se sentir intensamente ligada aos outros e, de repente, experimentar uma sensação de abandono ou solidão insuportável, o que gera sofrimento profundo e crises de angústia. Esses aspectos existenciais não se resumem a momentos passageiros, mas fazem parte de uma luta diária para encontrar coerência interna, propósito e segurança nos vínculos

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? A sua pergunta é bem profunda, porque falar de “sintomas existenciais” no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline não significa reinventar critérios diagnósticos, mas olhar para a experiência interna da pessoa com uma lupa mais sensível. O TPB, do ponto de vista clínico, tem critérios bem definidos, mas quando ampliamos o olhar para o campo existencial, falamos do que a pessoa vive por dentro, da angústia, do vazio e dos conflitos de identidade que atravessam o dia a dia. Isso não muda o diagnóstico, mas ajuda a compreender a dimensão humana por trás dele.

Muitas pessoas com TPB descrevem uma sensação de descontinuidade de si mesmas, como se a identidade estivesse sempre em transformação ou dependendo muito das relações e das emoções do momento. Há também um vazio que não é simplesmente “estar triste”, mas uma espécie de buraco interno que parece pedir preenchimento imediato. Já reparou se, em algum momento da sua vida, você sentiu essa dificuldade de se reconhecer de forma estável? Ou percebeu que as emoções mudavam tão rápido que era difícil acompanhar quem você era em cada situação?

Outro ponto existencial muito marcante é a relação com o abandono. Não apenas o medo de perder alguém, mas a sensação quase corporal de que ser deixado para trás significaria perder o próprio eixo. É como se o cérebro interpretasse a possibilidade de afastamento como ameaça existencial, e isso intensifica reações emocionais. Quando você pensa nas suas relações, já sentiu que pequenas mudanças de comportamento do outro acionam emoções muito mais intensas do que você gostaria?

As oscilações emocionais, quando vistas pelo viés existencial, revelam uma luta constante para manter continuidade interna. Não é drama e nem exagero, é uma experiência real que desgasta profundamente. A pessoa tenta se segurar, mas o mundo interno parece sempre pedindo mais estabilidade do que ela consegue oferecer. Em meio a isso, surgem impulsos, tentativas de aliviar o vazio, conflitos com o próprio valor e uma sensação de que viver é, por si só, muito intenso.

A terapia, especialmente quando integra abordagens como DBT, Terapia dos Esquemas e o olhar existencial, ajuda a reorganizar essa experiência de dentro para fora, trazendo mais clareza, estabilidade e sentido para a vida. Se sentir que esses temas dialogam com sua história, podemos aprofundar isso juntos. Caso precise, estou à disposição.

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