Qual a diferença na instabilidade emocional entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transto

3 respostas
Qual a diferença na instabilidade emocional entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Dra. Suzi Engelke
Psicólogo, Terapeuta complementar
Porto Alegre
A instabilidade emocional existe nos dois quadros, sim — mas ela nasce de fontes diferentes, como dois incêndios acesos por faíscas distintas. O fogo parece o mesmo, mas a origem muda tudo.
No TDAH: emoções que transbordam por falha de freio
No TDAH, a instabilidade emocional está ligada, principalmente, a dificuldades nas funções executivas e na autorregulação neurobiológica.
• As emoções surgem rápidas e intensas, mas passam relativamente rápido
• Há dificuldade em modular a resposta emocional no momento
• A reação costuma ser reativa ao ambiente (frustração, espera, tédio, sobrecarga)
• Não há, em geral, uma crise profunda de identidade ou de vínculo
• Depois da explosão, muitas vezes vem o arrependimento — e a emoção se dissipa
É como um semáforo que demora a fechar: o carro passa rápido demais, mas segue adiante.

No TPB: emoções que invadem e reorganizam o mundo interno
No Transtorno de Personalidade Borderline, a instabilidade emocional é estrutural, atravessa a forma como a pessoa sente, se percebe e se vincula.
• Emoções extremamente intensas, duradouras e avassaladoras
• Mudanças de humor profundas, muitas vezes sem gatilhos externos claros
• Forte medo de abandono como eixo central
• Oscilações entre idealização e desvalorização do outro
• Sensação crônica de vazio e instabilidade de identidade
Aqui, não é só o semáforo: é a estrada que muda de mapa de repente.

Diferenças essenciais, lado a lado
Origem
• TDAH: neurodesenvolvimento e autorregulação
• TPB: padrão de personalidade e vínculos emocionais
Duração da reação
• TDAH: curta, episódica
• TPB: prolongada, recorrente
Gatilho
• TDAH: frustração, sobrecarga, interrupção
• TPB: rejeição real ou percebida, abandono, ameaça relacional
Identidade
• TDAH: preservada
• TPB: instável
Relações
• TDAH: conflitos por impulsividade e desatenção
• TPB: relações intensas, instáveis, com medo de perda

Um cuidado clínico fundamental
A desregulação emocional do TDAH não é transtorno de personalidade.
E a intensidade emocional do TPB não é apenas impulsividade.
Confundir esses quadros pode levar a tratamentos ineficazes — ou dolorosamente injustos.

Quando entendemos de onde vem a emoção, paramos de pedir que a pessoa “controle” o que, na verdade, precisa ser compreendido, sustentado e ensinado.
Algumas emoções precisam de freio. Outras, de colo.
E a clínica sensível sabe reconhecer a diferença.

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Embora tanto o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) quanto o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) envolvam dificuldades emocionais, a instabilidade emocional se manifesta de formas diferentes em cada um, tanto na origem quanto na intensidade e no impacto nos relacionamentos.

No TDAH, a instabilidade emocional costuma estar ligada à dificuldade de regular as emoções no momento em que elas surgem. As reações emocionais tendem a ser rápidas e intensas, mas geralmente passam com mais facilidade. A pessoa pode ficar muito frustrada, irritada ou triste diante de um contratempo, mas essa emoção costuma diminuir quando a situação muda ou quando há distração. Em geral, essas oscilações emocionais não estão diretamente ligadas ao medo de abandono ou à identidade pessoal, mas à impulsividade e à baixa tolerância à frustração.

Já no TPB, a instabilidade emocional é mais profunda e persistente. As emoções não apenas surgem com muita intensidade, como também demoram mais para diminuir. Pequenos eventos interpessoais, como uma discussão, uma crítica ou uma sensação de afastamento, podem gerar sofrimento emocional intenso, medo de abandono e reações extremas. Além disso, no TPB, a oscilação emocional costuma afetar fortemente a forma como a pessoa vê a si mesma e aos outros, alternando entre idealização e desvalorização.

Outra diferença importante é o papel dos relacionamentos. No TDAH, os conflitos interpessoais geralmente surgem como consequência da desatenção, esquecimento ou impulsividade. No TPB, os relacionamentos são o centro do sofrimento emocional, e a instabilidade costuma girar em torno da necessidade intensa de vínculo, medo de rejeição e dificuldade em lidar com separações reais ou imaginadas.

Além disso, no TPB, a instabilidade emocional costuma vir acompanhada de sentimentos crônicos de vazio, dificuldade em manter uma identidade estável e, em alguns casos, comportamentos impulsivos mais graves, especialmente em momentos de crise emocional. No TDAH, apesar de haver impulsividade, esses padrões costumam ser mais situacionais e menos ligados a uma sensação contínua de sofrimento relacional.

Em resumo, enquanto no TDAH a instabilidade emocional está mais relacionada à dificuldade momentânea de controle emocional, no TPB ela está ligada a um padrão mais amplo e duradouro de sofrimento emocional e relacional. Diferenciar essas manifestações é essencial para um diagnóstico adequado e para a escolha das estratégias de tratamento mais eficazes.

(Essa resposta tem caráter informativo e não substitui uma avaliação ou acompanhamento com um profissional especializado. Cada caso é único e deve ser compreendido dentro da sua história, dinâmica relacional e necessidades específicas.)
A instabilidade emocional no TDAH está ligada principalmente à desregulação emocional, impulsividade e baixa tolerância à frustração. As mudanças de humor tendem a ser rápidas, reativas e situacionais, geralmente diminuem quando o estímulo passa e não envolvem, de forma central, medo intenso de abandono ou alterações persistentes da identidade.

Já no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a instabilidade emocional é mais intensa, profunda e duradoura, fortemente associada a medo de abandono, relações interpessoais instáveis, autoimagem fragilizada e sentimentos crônicos de vazio. As reações emocionais costumam ser mais extremas e podem envolver comportamentos autolesivos como tentativa de regulação emocional.

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