Tenho 22 anos e farei 23 esse mesmo ano. Percebo que meus pais estão tentando me fazer sair mais de

8 respostas
Tenho 22 anos e farei 23 esse mesmo ano. Percebo que meus pais estão tentando me fazer sair mais de casa e estão tentando me delegar mais tarefas domésticas de forma a fazer com que eu "cresça", mas também porquê quando eu era adolescente eles NUNCA me permitiram sair de casa. Creio que seja uma forma deles trntarem compensar o tempo perdido, mas eles estão me deixando com burnout, estressada e deprimida pois tenho que conciliar tudo isso com uma faculdade que me obriga a aprender quase de tudo sozinha pois é a metodologia deles.

Também cresci e faço parte de uma seita evangélica com seus pontos positivos e negativos. O quê eu faço para conseguir recuperar todo o tempo que eu perdi e para me sentir mais jovem?
Boa tarde!
Entendo o quanto você se sente sobrecarregada e em luto pelo que não viveu, mas talvez o caminho não seja recuperar o tempo perdido, e sim começar agora, de forma gradual e com limites claros, a construir sua autonomia, fazer escolhas próprias e viver experiências que façam sentido para você, respeitando seu ritmo e sua saúde emocional. Procure ajuda de um profissional de Psicologia. Estou à disposição.

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Olá, tudo bem? Entendo como pode ser difícil lidar com as mudanças das pessoas e da sua própria vida. Veja só, é importante entendermos que o passado já ocorreu. Tendo ele sido perfeito ou não. A única coisa que podemos viver verdadeiramente é o presente, o que não é possível quando estamos muito presos em tentar viver um passado diferente. Sobre o seu presente hoje, talvez o mais importante seja distância dos métodos dos seus pais, e acentuar os seus desejos e decisões. Tudo isso pode ser trabalho em terapia com um psicólogo. Caso você pense em tentar o processo, estou disponível para acompanha-la.
Entendo como isso pode estar sendo confuso e cansativo para você. Parece que há uma mistura de tentativa de compensação por parte dos seus pais com uma sobrecarga real no seu presente. Não é possível recuperar o tempo que passou, mas é possível construir novas experiências no seu ritmo. Talvez o mais importante agora seja colocar limites claros, reconhecer o que você dá conta e o que não dá, e buscar um espaço terapêutico para elaborar essa sensação de perda e pressão. Sentir-se jovem não depende de “correr atrás do prejuízo”, mas de se permitir viver escolhas que façam sentido para você hoje, com mais autonomia e menos culpa.
Quando você fala em “recuperar o tempo perdido”, fico curiosa sobre o que exatamente sente que perdeu. Foram experiências? Liberdade? Autonomia? Uma imagem de juventude que você acredita que deveria ter vivido?

O tempo, do ponto de vista existencial, não é algo que se guarda para depois resgatar. O passado compõe quem você é hoje. Nada disso pode ser desfeito, mas pode ser ressignificado. A questão talvez não seja recuperar o que não foi vivido, e sim escolher, agora, como deseja viver a partir das possibilidades que tem.

Também vale perguntar: quando seus pais incentivam você a sair mais e assumir responsabilidades, isso conversa com um desejo seu ou soa como mais uma exigência? Você quer sair mais? Quer explorar o mundo? Ou sente que deveria querer isso para corresponder a uma ideia do que é “ser jovem aos 23 anos”?

Existem muitas formas de ser jovem. Juventude não é apenas sair de casa, frequentar festas ou cumprir um roteiro social. Pode ser experimentar novas ideias, questionar crenças, construir autonomia emocional, fazer escolhas próprias. É importante reconhecer seus limites. Crescer não significa suportar tudo. Autonomia também envolve aprender a dizer “não”, negociar tarefas e estabelecer fronteiras.

Você não pode "recuperar" o tempo que passou, mas pode se apropriar do tempo que é seu agora. E isso não depende de compensação, mas de consciência e escolha e talvez a terapia possa ajudar nesse percurso.
Olá, boa tarde.

O que você descreve é muito coerente com alguém que viveu controle excessivo na adolescência e agora enfrenta uma transição abrupta para a vida adulta, sem que esse processo tenha sido gradual. Do ponto de vista da psicologia baseada em evidências, isso costuma gerar sobrecarga, confusão de papéis, culpa e sensação de tempo perdido, e não falta de maturidade.

Alguns pontos importantes para organizar isso:

Primeiro, sobre a sensação de “tempo perdido”. O desenvolvimento não é uma linha única nem tem prazo fixo. Pesquisas em psicologia do desenvolvimento mostram que experiências de autonomia, identidade e exploração podem ocorrer em diferentes fases da vida. Tentar “recuperar tudo de uma vez” costuma aumentar ansiedade e frustração. O caminho mais saudável é construir vivências novas no presente, em ritmo possível, e não reparar o passado como se ele fosse uma dívida.

Segundo, sobre seus pais. É plausível que exista uma tentativa tardia de compensação, mas o efeito prático tem sido excesso de demandas sem negociação, o que favorece o esgotamento mental e sintomas depressivos. Na TCC, isso é entendido como um problema de limites. Ser adulta não significa dar conta de tudo, mas poder negociar responsabilidades de forma realista. Conversas claras sobre carga, prioridades e impacto emocional são uma habilidade adulta central.

Terceiro, sobre faculdade e religião. Uma metodologia que exige muita autonomia somada a um contexto religioso rígido pode reduzir ainda mais o espaço de experimentação, erro e espontaneidade, que são essenciais para se sentir viva e jovem. Terapias contextuais e TCC ajudam a diferenciar valores escolhidos de regras impostas, permitindo decidir o que faz sentido manter e o que pode ser flexibilizado.Sentir-se jovem não é fazer tudo o que não foi feito antes, mas voltar a ter curiosidade, desejo e autonomia emocional no agora. Isso é algo que pode ser construído, mesmo com um passado restritivo.

Conte comigo caso queira saber mais sobre isso.
 Gisele Rodrigues
Psicólogo
Florianópolis
Olá. Sinto muito que sinta que perdeu tempo no passado. No entanto, o tempo não é algo que possamos recuperar ou refazer. O que é possível é decidir como você quer viver o tempo que tem agora.
Investigar o que, exatamente, faz você sentir que não se sente jovem pode trazer mais clareza sobre o que realmente está faltando para você hoje. É a sobrecarga? A sensação de obrigação?
Mais do que compensar o passado, penso que é razoável construir, no presente, escolhas que façam sentido para você.
A psicoterapia pode ajudar a organizar essas questões, entender seus limites e encontrar formas mais equilibradas de viver essa fase da sua vida.
Um abraço.
Olhar para trás e sentir que perdeu experiências importantes da adolescência pode trazer muita frustração. Mas, sendo muito sincera com você, não tem como recuperar o tempo que já passou. A gente não consegue voltar e viver aquela fase de novo. O que é possível é olhar para o agora e se perguntar o que você quer construir a partir daqui. Você está entrando na vida adulta, e isso também significa começar a se posicionar como adulta diante dos seus pais. Talvez seja o momento de refletir sobre quais responsabilidades fazem sentido para você, quais limites precisam ser conversados e de que forma você pode organizar sua rotina sem se sobrecarregar ainda mais. Também pode ser importante diferenciar o que é uma tentativa deles de compensar o passado e o que é parte natural do seu processo de autonomia. Em vez de focar em recuperar o que não aconteceu, pode ser mais produtivo pensar em como você pode começar a viver experiências agora, do seu jeito e respeitando seu ritmo. E, se isso tudo está te deixando estressada e deprimida, conversar com um psicólogo pode te ajudar a organizar esses sentimentos e a encontrar uma forma mais saudável de atravessar essa transição.
 Lucia Bianchini
Psicólogo
Rio de Janeiro
Pelo que você descreve, parece que seus pais estão tentando promover mudanças importantes na sua autonomia depois de um período em que houve mais restrições. Quando esse movimento acontece de forma rápida, mesmo com boas intenções, pode ser vivido como pressão e gerar cansaço e essa sensação de sobrecarga. O amadurecimento emocional não acontece por exigência externa, mas quando a pessoa encontra condições para dar passos que façam sentido para si.

Talvez a questão não seja recuperar um tempo perdido, mas poder construir, no presente, um modo próprio de crescer, respeitando seus limites e o momento que você está vivendo. A psicoterapia pode ajudar a elaborar essas mudanças e a encontrar um equilíbrio entre as expectativas familiares e aquilo que você sente ser possível agora.

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