Artigos 15 abril 2026

Andropausa: O que é, causas, sintomas e tratamentos

Equipe Doctoralia
Equipe Doctoralia

O processo de envelhecimento humano é acompanhado por diversas transformações biológicas, sendo as alterações hormonais algumas das mais significativas. No público masculino, esse fenômeno é caracterizado por um declínio gradual na produção de hormônios esteroides, especificamente a testosterona e a saúde masculina. Embora o termo popular “menopausa masculina” seja frequentemente utilizado em contextos informais, a terminologia clínica correta e mais precisa é Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM). Diferente do que ocorre com as mulheres, onde há uma interrupção nítida da função reprodutiva, os homens vivenciam uma transição sutil e prolongada, que pode impactar a qualidade de vida, a saúde metabólica e o bem-estar emocional.

Compreender o funcionamento da saúde hormonal é um passo fundamental para a manutenção do vigor físico e mental ao longo das décadas. Este guia busca esclarecer os principais aspectos da andropausa, desde suas bases fisiológicas e prevalência estatística até as formas de diagnóstico e as intervenções terapêuticas disponíveis, sempre sob uma perspectiva baseada em evidências científicas e diretrizes médicas atuais.

O que é a andropausa?

A andropausa, ou Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), é uma condição clínica decorrente da redução fisiológica e progressiva dos níveis séricos de testosterona em homens maduros. Esse hormônio, produzido majoritariamente pelas células de Leydig nos testículos sob o estímulo do eixo hipotálamo-hipófise, desempenha funções essenciais no organismo, incluindo a regulação do desejo sexual, a manutenção da massa muscular e óssea, a produção de células sanguíneas e o equilíbrio do humor.

Diferente do evento biológico feminino da menopausa, a andropausa não representa o encerramento da capacidade reprodutiva. O homem pode continuar fértil até idades avançadas, embora a qualidade espermática possa sofrer declínios. A queda hormonal na DAEM é lenta, iniciando-se geralmente a partir da quarta década de vida. Estima-se que os níveis de testosterona total diminuam de forma constante, mas essa redução não ocorre de maneira uniforme em todos os indivíduos. Diversos fatores genéticos e ambientais influenciam a velocidade dessa queda e a manifestação dos sintomas clínicos associados.

Diferenças entre andropausa e menopausa

A comparison entre os processos de envelhecimento hormonal masculino e feminino é comum, porém, do ponto de vista fisiológico, existem distinções marcantes. Enquanto a menopausa é um evento universal e biologicamente programado para todas as mulheres, a andropausa é um processo que afeta apenas uma parcela da população masculina de forma sintomática. O ritmo de alteração dos hormônios sexuais é o principal diferencial entre ambos os sexos.

Característica Menopausa (Feminina) Andropausa (DAEM)
Início Abrupto (geralmente entre 45-55 anos) Gradual (inicia após os 40 anos)
Fertilidade Encerramento total Diminuição, mas geralmente mantida
Hormônios Queda drástica de estrogênio Queda lenta de testosterona (1% ao ano)
Sintomas Manifestação quase universal Manifestação em apenas uma parcela dos homens

A transição feminina envolve o esgotamento dos folículos ovarianos, levando a uma queda acentuada dos níveis de estrogênio em um curto período. No homem, a redução da testosterona é progressiva e muitas vezes compensada por outros mecanismos biológicos até que atinja um limiar crítico, onde os sinais de deficiência tornam-se clinicamente evidentes.

Prevalência e estatísticas no Brasil

A saúde do homem tem se tornado um foco relevante para as políticas de saúde pública no Brasil, especialmente com o aumento da longevidade da população. Dados epidemiológicos indicam que a deficiência androgênica é uma realidade para uma parcela significativa dos brasileiros acima de 50 anos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), estima-se que entre 15% e 20% dos homens nesta faixa etária apresentem sintomas clínicos e laboratoriais compatíveis com a DAEM.

O declínio hormonal é uma constante biológica, mas sua progressão é discreta. Estudos publicados em veículos como a revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia apontam que o declínio dos níveis de testosterona total ocorre a uma taxa média de 1% ao ano a partir dos 40 anos de idade. No entanto, fatores como obesidade, sedentarismo e doenças crônicas podem acelerar esse processo, tornando as estatísticas mais preocupantes em determinados subgrupos populacionais. O reconhecimento precoce dessa condição é relevante para evitar complicações secundárias, como a fragilidade óssea e o aumento do risco cardiovascular.

homem pensando sobre a andropausa O diagnóstico da andropausa não deve ser baseado apenas em sintomas, pois estes são altamente subjetivos e podem derivar de quadros como depressão ou doenças sistêmicas.
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Principais sintomas da baixa testosterona

Os sintomas da baixa testosterona não são específicos e podem se confundir com outras condições médicas ou com o próprio estresse do cotidiano. Por esse motivo, é fundamental analisar o conjunto de sinais físicos e psicossociais. Segundo a Mayo Clinic, os sintomas podem ser divididos em categorias para facilitar a compreensão clínica e a abordagem terapêutica.

Alterações sexuais

A esfera sexual costuma ser a primeira área onde o homem percebe as mudanças hormonais. Os principais sinais incluem:

  • Redução do desejo sexual (libido): Uma diminuição persistente no interesse por atividades sexuais.
  • Disfunção erétil: Dificuldade em obter ou manter ereções satisfatórias para a relação sexual.
  • Redução do volume ejaculatório: Diminuição perceptível na quantidade de sêmen expelido.
  • Diminuição das ereções matinais espontâneas: A perda desse fenômeno fisiológico é um forte indicador de baixa hormonal.

Mudanças físicas e metabólicas

A testosterona é um hormônio anabólico por excelência, e sua carência altera a composição corporal de forma significativa:

  • Perda de massa muscular: Redução da força e da definição dos músculos, mesmo com atividade física.
  • Aumento da gordura abdominal: Tendência ao acúmulo de tecido adiposo na região visceral, o que eleva o risco metabólico.
  • Redução da densidade óssea: O aumento da fragilidade dos ossos (osteopenia) pode evoluir para a osteoporose masculina.
  • Fadiga persistente: Sensação de cansaço excessivo que não melhora com o repouso adequado.
  • Ginecomastia: Em alguns casos, pode ocorrer o crescimento do tecido mamário devido ao desequilíbrio entre testosterona e estrogênio.

Sintomas psicológicos e cognitivos

O sistema nervoso central possui diversos receptores para andrógenos, o que explica o impacto da testosterona no cérebro:

  • Alterações de humor: Irritabilidade, baixa tolerância ao estresse e sentimentos de tristeza persistente.
  • Dificuldade de concentração: Perda de foco, redução da agudeza mental e problemas de memória recente.
  • Distúrbios do sono: Insônia ou sono fragmentado, que por sua vez prejudica a produção hormonal noturna.
  • Redução da motivação: Sentimento de apatia e falta de iniciativa para atividades antes prazerosas.

Causas e fatores de risco

Embora o envelhecimento seja a causa primária da redução hormonal, o estilo de vida e a presença de comorbidades desempenham um papel determinante na gravidade da andropausa. Alguns indivíduos mantêm níveis hormonais saudáveis até idades avançadas, enquanto others apresentam quedas precoces.

Fatores de risco Descrição do impacto
Obesidade O tecido adiposo contém a enzima aromatase, que converte testosterona em estrogênio, acelerando a queda hormonal.
Diabetes Tipo 2 Existe uma correlação direta entre resistência à insulina e baixos níveis de testosterona, criando um ciclo vicioso metabólico.
Estresse crônico Níveis elevados e constantes de cortisol podem inibir o eixo HPT, reduzindo a produção natural de testosterona.
Sedentarismo A falta de estímulo mecânico e de exercícios de força reduz a demanda e o sinal biológico para a produção hormonal.

Além desses fatores, o uso crônico de certos medicamentos (como opioides ou corticoides) e o consumo excessivo de álcool podem interferir diretamente na função testicular e hipofisária, agravando o quadro de DAEM.

Diagnóstico e exames laboratoriais

O diagnóstico da andropausa não deve ser baseado apenas em sintomas, pois estes são altamente subjetivos e podem derivar de quadros como depressão ou doenças sistêmicas. O protocolo médico estabelecido exige a confirmação bioquímica por meio de exames de sangue padronizados.

  • Exame de testosterona total: É a principal ferramenta de triagem. A coleta deve ser realizada preferencialmente no período da manhã, entre 7h e 10h, momento em que os níveis hormonais atingem seu pico circadiano. Resultados abaixo dos valores de referência em duas ocasiões distintas, acompanhados de sintomas, geralmente confirmam o diagnóstico.
  • Testosterona livre e SHBG: A SHBG é uma proteína que transporta o hormônio no sangue. Como apenas a fração “livre” da testosterona é biologicamente ativa para os tecidos, medir esses parâmetros é essencial quando a testosterona total está em valores limítrofes.
  • Avaliação da próstata (PSA): Antes de iniciar qualquer tratamento, é obrigatório avaliar a saúde prostática por meio do exame de PSA e, se necessário, do toque retal, para descartar neoplasias malignas ocultas.
  • Hematócrito: A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos. É necessário monitorar a viscosidade do sangue para evitar complicações como a poliglobulia.

Opções de tratamento e reposição hormonal

A Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) tem como objetivo principal restaurar os níveis hormonais para a faixa fisiológica, promovendo a melhora dos sintomas e prevenindo danos ósseos e metabólicos. A indicação deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios para cada paciente.

  • Gel transdérmico: Trata-se de uma aplicação diária sobre a pele (ombros, braços ou abdômen). A absorção é contínua e mantém os níveis hormonais estáveis, evitando os picos e vales comuns em outras formas de administração.
  • Injeções intramusculares: Podem ser de curta duração (aplicações a cada 2 ou 3 semanas) ou de longa duração (undecilato de testosterona, aplicado a cada 10 ou 14 semanas). As opções de longa duração oferecem maior conveniência para o paciente.
  • Benefícios esperados: A terapia bem sucedida pode contribuir para a melhora da libido, aumento da massa magra, redução da gordura corporal, estabilização do humor e aumento da densidade mineral óssea.
  • Contraindicações e riscos: O tratamento é contraindicado para homens com câncer de próstata ou de mama masculina, suspeita de malignidade, insuficiência cardíaca grave ou poliglobulia (excesso de glóbulos vermelhos). O acompanhamento médico periódico é indispensável para ajustar doses e monitorar possíveis efeitos colaterais.

Prevenção e qualidade de vida

Embora a queda hormonal faça parte do processo natural de envelhecimento, certas estratégias podem auxiliar na preservação da função endócrina e na mitigação dos sintomas da andropausa. A adoção de hábitos saudáveis atua como um suporte para o sistema hormonal.

  • Alimentação estratégica: Consumir alimentos ricos em zinco, magnésio e vitamina D é fundamental para a síntese hormonal. Gorduras de boa qualidade (monoinsaturadas e poli-insaturadas) também são necessárias, já que o colesterol é a matéria-prima básica para a produção de testosterona.
  • Treinamento de força: A musculação e outros exercícios de alta intensidade estimulam a liberação de hormônios anabólicos. A manutenção da massa muscular ajuda a manter a sensibilidade à insulina, o que favorece o equilíbrio hormonal.
  • Higiene do sono: Higiene do sono: Os níveis de testosterona aumentam durante o sono e atingem o seu pico durante o sono REM, dependendo da integridade de todos os ciclos, incluindo as fases de sono profundo. Dormir entre 7 e 8 horas por noite em um ambiente escuro e silencioso é uma das intervenções mais eficazes para a saúde endócrina.
  • Controle do estresse: Práticas que reduzem o cortisol, como meditação ou atividades de lazer, evitam que esse hormônio bloqueie a produção de testosterona no eixo cerebral.

Manter um acompanhamento regular com profissionais de saúde permite que as alterações sejam detectadas precocemente, garantindo uma abordagem preventiva e personalizada.

O manejo da saúde masculina durante a maturidade envolve uma visão integrativa do organismo. A compreensão de que a andropausa é um fenômeno biológico tratável permite que o homem busque suporte adequado para atravessar essa fase com vitalidade. Diante da presença de sinais físicos ou emocionais persistentes, é recomendável buscar o auxílio de um profissional de saúde, como um urologista, endocrinologista ou psicólogo, para uma avaliação abrangente e o delineamento de estratégias que promovam o equilíbrio hormonal e emocional.

Referências

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). O que é andropausa. Disponível em: https://www.endocrino.org.br/o-que-e-andropausa/
SciELO (Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia). Diagnóstico e tratamento da deficiência androgênica do envelhecimento masculino. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abem/a/cZH5P6kkgpHHD66mDD34ydz/
Mayo Clinic. Male menopause: Myth or reality? Disponível em: https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/mens-health/in-depth/male-menopause/art-20048056?pg=1
Hospital São Camilo. Você sabe o que é andropausa? Disponível em: https://www.hospitalsaocamilosp.org.br/conteudos-informativos/voce-sabe-o-que-e-andropausa


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