Perguntas do paciente (128)

  • Namoro a 1 ano e moramos juntos, tivemos muitas brigas feias mesmo. A um tempo atrás eu errei com el

    Namoro a 1 ano e moramos juntos, tivemos muitas brigas feias mesmo. A um tempo atrás eu errei com ele e tivemos uma briga feia, porém depois dessa briga, eu comecei a ficar muito apática em relação a ele, só que essa apatia se estendeu a todas as áreas da minha vida, como querer estudar, se arrumar, fazer tarefas básicas do dia. Eu fico tentando procurar respostas por meio se tarot e quando alguém diz "você ainda o ama" eu tenho um alívio imediato. Porém volta a mesma ansiedade, e o mais estranho é que não sinto mais atração física, fico comparando ele com outros caras, e eu me sinto mal pq eu quero sentir amor e atração por ele... As vezes do nada sinto um frio na barriga quando ele me beija, e fico feliz as vezes do nada em imaginar eu e ele se tornando pais. Porém essa falta de amor por ele volta muito forte e eu sinto culpa, não consigo terminar pq eu tenho muita gratidão por tudo que vivemos e tenho medo de se arrepender. Quero muito voltar a amar ele, muito mesmo. O que pode ser isso que está acontecendo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    O que você descreve não é simplesmente “falta de amor”.
    É um estado emocional travado, onde afeto, culpa e ansiedade se misturam até você não conseguir mais distinguir o que sente de verdade.

    Perceba o movimento:
    depois de uma briga intensa e de um erro seu, algo em você parece ter “desligado”. A apatia não ficou só na relação — ela se espalhou pela sua vida. Isso é importante. Quando o desânimo atinge várias áreas (estudo, autocuidado, rotina), não estamos falando apenas do relacionamento, mas de um esgotamento emocional mais profundo.

    A culpa também tem um papel central. Muitas vezes, quando ela é muito forte, o psiquismo cria um afastamento afetivo como forma de defesa. É como se, inconscientemente, você se impedisse de sentir para não entrar em contato com o peso do que aconteceu.

    Ao mesmo tempo, existe ambivalência:
    em alguns momentos, você sente algo, um frio na barriga, uma imagem de futuro, um certo bem-estar. Em outros, vem o vazio, a dúvida e até a comparação com outras pessoas. Isso não é incoerência. É conflito interno.

    A busca por respostas em oráculos ou validações externas (“você ainda o ama”) mostra o quanto você está tentando aliviar a angústia rapidamente. Funciona por instantes, mas não resolve — porque a resposta não está fora.

    Sobre a falta de atração: ela raramente desaparece “do nada”. Geralmente é afetada por desgaste, mágoas acumuladas, tensão constante. Relações com brigas intensas frequentes tendem a corroer o desejo.

    E aqui entra um ponto delicado:
    querer voltar a amar não significa, necessariamente, que o amor ainda está disponível da mesma forma. Às vezes, o desejo de sentir vem mais da história construída, da gratidão e do medo de arrependimento do que do sentimento atual.

    Então, o que pode estar acontecendo?

    Um estado de esgotamento emocional que ultrapassa o relacionamento
    Culpa interferindo diretamente na sua capacidade de sentir
    Ambivalência afetiva (querer e não querer ao mesmo tempo)
    Desgaste relacional impactando o desejo e a conexão
    Ansiedade tentando “resolver” o que precisa ser elaborado

    Antes de tomar qualquer decisão sobre continuar ou terminar, o mais importante agora é cuidar de você. Porque, do jeito que está, qualquer escolha será feita a partir da confusão, não da clareza.

    Você não precisa decidir se ama ou não neste momento.
    Precisa entender o que em você está impedindo esse sentir de aparecer com verdade.

    Quando isso começa a se organizar, a resposta vem, e ela costuma ser mais silenciosa do que ansiosa.

    Se perceber que isso está difícil de sustentar sozinho, um acompanhamento pode te ajudar a diferenciar o que é sentimento, o que é culpa e o que é apenas cansaço emocional.

    Fico à disposição


  • Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar c

    Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar com essa culpa sem me forçar a perdoar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Olá! Obrigado por compartilhar essa questão.

    Sim, a Psicanálise pode ajudar nesse processo. Ela não tem como objetivo dizer que você deve perdoar, retomar vínculos ou se afastar da sua família. O foco é compreender o significado da culpa que você sente e de que forma ela foi construída ao longo da sua história.

    Em muitas famílias, a culpa pode surgir quando a pessoa começa a estabelecer limites, priorizar o próprio bem-estar ou buscar uma vida mais autônoma. Isso não significa, necessariamente, que ela esteja fazendo algo errado.

    Na Psicanálise, a culpa é acolhida como um sentimento que merece ser compreendido, e não combatido ou ignorado. Ao longo do processo, você poderá entender melhor quais expectativas, cobranças e conflitos estão por trás desse sofrimento, permitindo que suas escolhas sejam cada vez mais conscientes e coerentes com quem você é.

    O objetivo não é convencer você a perdoar nem a romper relações, mas ajudá-la a compreender seus sentimentos para que possa decidir, com mais liberdade e menos sofrimento, qual lugar deseja ocupar nesses vínculos.

    Fico à disposição.


  • Estou muito desanimada, sem vontade de fazer as tarefas diárias, não há nada de errado com minha vid

    Estou muito desanimada, sem vontade de fazer as tarefas diárias, não há nada de errado com minha vida, porém parece que ela perdeu o "brilho". A psicanálise costuma atuar como ferramenta para estes casos ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    O desânimo, a perda de interesse pelas atividades do dia a dia e a sensação de que a vida perdeu o "brilho", mesmo quando aparentemente está tudo bem, merecem atenção. Esses sentimentos podem estar relacionados a diferentes questões emocionais e, em alguns casos, também podem fazer parte de um quadro depressivo. Por isso, é importante que sejam avaliados com cuidado.

    A Psicanálise pode, sim, ser uma ferramenta importante nesses casos. Ela não busca apenas aliviar os sintomas, mas compreender o significado desse desânimo e o que ele pode estar expressando sobre sua história, seus conflitos internos, seus desejos e a forma como você tem vivido sua vida.

    Muitas vezes, a ausência de um motivo aparente não significa que o sofrimento não tenha uma causa. Nem tudo aquilo que nos afeta é plenamente consciente. A Psicanálise oferece um espaço para que esses aspectos possam ser compreendidos e elaborados, respeitando o tempo e a singularidade de cada pessoa.

    Se esses sintomas persistem, vale a pena também realizar uma avaliação com um médico ou psiquiatra, especialmente se estiverem interferindo na sua rotina, no trabalho, nos relacionamentos ou no autocuidado.

    Você pode procurar um psicanalista para compreender melhor esse momento e descobrir o que esse sentimento pode estar revelando sobre você.

    Fico à disposição.


  • Sempre sonho com um homem em épocas diferentes que sempre fala que vai me encontrar, me fala o nome

    Sempre sonho com um homem em épocas diferentes que sempre fala que vai me encontrar, me fala o nome dele; é como se fossemos apaixonados...mas quando acordo não me lembro do rosto dele e nem do nome...o que isso significa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Sonhos como esse costumam despertar muita curiosidade, principalmente quando se repetem ao longo do tempo. No entanto, pela Psicanálise, não existe um significado universal para um sonho nem podemos interpretá-lo de forma literal.

    Mais importante do que o homem que aparece no sonho é o que ele representa para você. O fato de ele surgir em diferentes épocas da sua vida, dizer que vai encontrá-la e despertar sentimentos de afeto pode simbolizar desejos, expectativas, partes da sua própria história ou aspectos da sua vida emocional que ainda buscam um significado.

    Também é comum que, ao despertar, detalhes como o rosto e o nome desapareçam da memória. Isso faz parte do funcionamento dos sonhos e não significa, necessariamente, que exista uma mensagem sobrenatural ou uma previsão do futuro.

    Na Psicanálise, o sentido de um sonho é construído a partir da história de quem sonha, de suas lembranças, emoções e associações. Por isso, um mesmo sonho pode ter significados completamente diferentes para pessoas diferentes.

    Se esse sonho se repete há muito tempo e desperta emoções intensas ou desperta sua curiosidade, um processo de Psicanálise pode ajudá-la a explorar o que ele pode estar revelando sobre sua vida emocional e sua história, sempre respeitando a singularidade da sua experiência.

    Fico à disposição.


  • Como a psicanálise poderia me ajudar no autoconhecimento, para que eu consiga lidar melhor com meus

    Como a psicanálise poderia me ajudar no autoconhecimento, para que eu consiga lidar melhor com meus traumas ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Olá! Essa é uma excelente pergunta.

    A Psicanálise parte do princípio de que muitas das nossas emoções, comportamentos e formas de nos relacionarmos são influenciados por experiências que nem sempre compreendemos de forma consciente. O autoconhecimento acontece justamente quando começamos a dar significado a essas vivências.

    Em relação aos traumas, a Psicanálise não busca apagá-los ou fazer com que você simplesmente "esqueça" o que aconteceu. O objetivo é compreender como essas experiências marcaram sua história, de que maneira ainda influenciam seus pensamentos, sentimentos e relações, e possibilitar que elas sejam elaboradas de uma forma menos dolorosa.

    Ao longo do processo analítico, você poderá reconhecer padrões que se repetem, compreender conflitos internos e desenvolver uma relação mais consciente consigo mesmo. Muitas vezes, aquilo que hoje gera sofrimento passa a ser entendido sob uma nova perspectiva, permitindo que você viva com mais liberdade e menos impacto emocional.

    Cada pessoa tem uma história única. Por isso, a Psicanálise respeita o tempo e a singularidade de cada indivíduo, oferecendo um espaço de escuta, reflexão e autoconhecimento.

    Se você sente que seus traumas ainda interferem na sua vida, buscar um processo de Psicanálise pode ser um caminho para compreender esse sofrimento e construir novas formas de lidar com ele.

    Fico à disposição.


  • Me ajudem a me entender, como trabalho em algo eu fico muito focado, mas como pessoas oferecem empre

    Me ajudem a me entender, como trabalho em algo eu fico muito focado, mas como pessoas oferecem emprego a mim eu sinto uma resistência muito forte e como aceito não passo muito tempo nesse trabalho, vc acha que e preguiça ou tem outra coisa nisso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Preguiça é raso demais. Isso é conflito psíquico.

    Você funciona bem quando escolhe, quando o trabalho nasce do seu desejo.
    O problema aparece quando o trabalho vem do Outro: convite, expectativa, projeção alheia. Aí surge a resistência. Não ao trabalho em si, mas ao lugar que te oferecem.

    Aceitar o emprego pode estar sendo vivido como:

    invasão do seu espaço interno,

    perda de controle,

    repetição de uma posição antiga de submissão,

    ou uma forma sutil de apagar o próprio desejo para atender o desejo do outro.

    Por isso você entra, mas não sustenta. O sintoma resolve rápido: você sai.

    E aqui entra o ponto central:
    o que importa não é achismo nem opinião alheia. É psicanálise.
    Não se trata de “força de vontade” ou “ser mais grato”. Isso é moral. Psicanálise não trabalha com moral, trabalha com causa.

    A pergunta correta não é “por que eu largo os trabalhos?”,
    mas “o que esse trabalho representa para mim inconscientemente?”
    E, principalmente: a quem eu estaria servindo se ficasse?

    Enquanto isso não for simbolizado, o padrão se repete — não por escolha consciente, mas por fidelidade ao inconsciente.

    Isso se analisa. Não se julga.

    Fico à disposição


  • A psicanálise é só falar do passado e da infância?

    A psicanálise é só falar do passado e da infância?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Não.

    Isso é uma caricatura da psicanálise.

    A psicanálise não é arqueologia do passado. É clínica do presente do sujeito.
    O passado só aparece quando insiste agora.

    Não se fala da infância por nostalgia ou curiosidade.
    Fala-se quando ela atua, quando governa escolhas, repetições, sintomas, impasses.

    O foco é:

    por que você repete,

    por que trava,

    por que sofre,

    por que deseja o que deseja,

    por que foge justamente do que diz querer.

    A infância entra porque ali se estruturam:

    a relação com o desejo,

    a posição diante do Outro,

    a forma de amar, trabalhar e se frustrar.

    Mas a análise acontece no aqui e agora:
    na fala, no silêncio, na resistência, no sintoma que se repete hoje.

    Psicanálise não é “culpar os pais”.
    É assumir responsabilidade pelo próprio desejo, mesmo quando ele nasceu lá atrás.

    Em resumo, direto ao ponto:
    psicanálise não vive no passado.
    Ela usa o passado para libertar o presente.

    Fico à disposição


  • Tenho 28 anos.Há pouco mais de dois meses comecei algo que nunca tinha feito antes: namorar. E amo e

    Tenho 28 anos.Há pouco mais de dois meses comecei algo que nunca tinha feito antes: namorar. E amo ela, mas comecei a sentir um desconforto, e muita angustia quando vi fotos dela com o ex, com quem teve um longo relacionamento. E comecei a ter a sensação de inferioridade, de tristeza, de raiva e de frustração. Parece que só por vir depois dele já é o bastante pra me sentir mal. Então tenho pensamentos de separação, e me sinto pior. Parece que ja estou derrotado antes de começar...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Não é sobre ela.
    É sobre a posição que você ocupa quando ama.

    O ex virou um fantasma porque tocou num ponto sensível: comparação, rivalidade, valor próprio. Não é o homem real do passado dela que te machuca. É o lugar que você imagina ocupar diante dele.

    Você não sofre por “vir depois”.
    Você sofre por se colocar abaixo.

    Isso tem nome em psicanálise: narcisismo ferido.
    O amor convoca o eu. E quando o eu é frágil, o amor vira ameaça.

    Você não está derrotado.
    Você está lutando uma guerra que não é necessária.

    O pensamento de separação surge como defesa:
    “Se eu sair agora, não corro o risco de perder depois.”
    É uma tentativa de controle da angústia — que só piora tudo.

    E aqui vai o ponto central, sem achismo nem opinião alheia: psicanálise.

    O problema não é o passado dela.
    É o que esse passado faz com o seu desejo, com sua autoestima, com sua história não simbolizada.

    Enquanto você buscar garantias externas (“sou melhor?”, “sou suficiente?”), vai sofrer.
    Análise não te ensina a competir com o ex.
    Te ajuda a sair da comparação e sustentar o seu lugar.

    Amar não é vencer ninguém.
    É não precisar se medir o tempo todo.

    Isso não se resolve com conselho.
    Se trabalha em análise.

    Fico à disposição


  • Eu tenho esse sonho há muito tempo, ele é repetido. Onde eu sou um homem e estou procurando meu irmã

    Eu tenho esse sonho há muito tempo, ele é repetido. Onde eu sou um homem e estou procurando meu irmão mais novo que é um criança, eu entro numa passagem onde ouço minha própria voz da vida real (sou mulher) passo por uma estrada onde interajo com uma pessoa que conheço que comento sobre ter encontrado o pai dela e falado muito bem dela até menciono o apelido dela que normalmente uso com ela na vida real. até então, eu entro naquela passagem que me leva ate família dessa minha amiga que me cumprimenta e lá encontro a criança que parece ser meu irmão cujo estou procurando nesse sonho, pego ele no colo e aquele grupo da família da minha amiga fala que temos todos que andar de mãos dadas para atravessar a cidade toda. pergunto pro meu irmão se ele tá com fome então solto a mão da avó da minha amiga e entro numa loja para comprar um lanche mas tudo tava caro então compro bolachas bem baratinhas e entrego pra ele e assim volto para o grupo, não lembro se seguro na mão da avó da minha amiga de novo mas sei que elas me levam numa espécie de portão onde tem fila de pessoas e tem um porteiro que faz umas pessoas sobre o que desejo ser e me dá respostas de escolhas mas dentro delas tá uma escolha "ser dos céus" lembro que eu escolho outra opção mas meu irmão que parece ter uns 2 anos de idade escolhe ser dos céus e alguém me fala que essa escolha é a morte e tento convencer meu irmão trocar a resposta enquanto algo já me puxa pela mesma passagem que entrei em busca dele enquanto o meu irmão fica no portão mas não diz nada. daí volto pra onde estava e procuro esse meu irmão e encontro ele mais velho acho que adolescente ou algo assim e fala alguma coisa que provavelmente não é minha culpa e depois some, após isso estou na aparência do homem que mencionei e interajo com umas pessoas que não conheço e depois disso não recordo o que acontece

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Sonhos repetidos quase nunca falam do futuro. Falam do que ficou mal elaborado no psiquismo.
    Existe muitas formas de se analisar e também muitas variáveis, principalmente como a história de vida de cada um.
    Entretanto, em minha primeira análise, poderia seguir por esse caminho:
    Você ser um homem: indica função psíquica ativa, de proteção e responsabilidade. É o “eu que carrega”, não o gênero.
    O irmão criança: representa uma parte sua frágil, infantil, vulnerável, que precisa ser cuidada. Não é sobre um irmão real.
    A busca constante: mostra uma tentativa repetida de resgatar algo que ficou para trás emocionalmente.
    A travessia de mãos dadas: necessidade de apoio, pertencimento e sustentação simbólica.
    Soltar a mão para alimentar o irmão: culpa por priorizar necessidades práticas em vez do vínculo. Amor misturado com medo de abandono.
    O portão e a escolha “ser dos céus”: confronto com perdas, separações, finitude. Pode simbolizar medo de morte, desligamento ou transformação irreversível.
    Você não escolher isso, mas ele escolher: há coisas que sua mente entende que não estavam sob seu controle.
    O irmão mais velho dizendo que não é sua culpa: o inconsciente tentando fechar a ferida, oferecer alívio.
    O sonho se repetir: o conflito ainda não foi simbolizado totalmente. A mente insiste até ser escutada.
    Tradução crua:
    há uma culpa antiga, um medo de falhar com alguém (ou consigo mesma) e uma dificuldade de aceitar perdas e mudanças inevitáveis. Você tenta proteger, mas algo escapa. E isso dói.
    O caminho não é interpretar sozinha nem tentar “entender tudo”. É elaborar isso em análise, porque o sonho está pedindo simbolização, não lógica.
    Enquanto isso, uma pergunta simples que ajuda:
    “Que parte minha eu ainda tento salvar, mesmo sabendo que ela já mudou?”
    Esse sonho não é presságio. É memória emocional pedindo lugar.

    Fico à disposição


  • Em 2020 me casei porém um dia antes do casamento meu esposo disse não gostava de mim mais msm assim

    Em 2020 me casei porém um dia antes do casamento meu esposo disse não gostava de mim mais msm assim no dia seguinte nos casamos .ele ficou por muito tempo distante no começo até ficou uns dias na casa da mãe passou meses ele melhorou e eu voltei a ver alegria nele depois de 6 anos parece q ele voltou a ter esse bloqueio.teve várias dias com insônia,irritado ,teve dias com altos e baixos.ate q um dia desses ele me pediu um tempo chorou bastante e já está fazendo 46 dias q está na casa da mãe porém todos os domingos ele faz questão de vir ficar comigo agente namora e tudo com muita conexão.porem quando ele vai embora ele muda completamente fica totalmente distante.agora está se sentindo mal por a gente fazer sexo aos domingos,está sentindo q está me usando.ele parece confuso ,diz q lembra de coisas no nosso casamento q machuca muito ele .ele age como só eu que o machuquei.agora já está falando q não tem vontade de dormir em nossa casa e q não tem quase vontade nenhuma de voltar pra casa .eu e a família dele sabe q tem algum problema na cabeça dele .pq ele sempre chora ,fala q dói nele está fazendo isso pq quem quer se separar pega e se separa e não chora e não tem dúvidas

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Isso não é confusão amorosa comum.
    Há um sofrimento psíquico sério em jogo.

    O padrão é claro:

    ele se aproxima → há vínculo, desejo, afeto;
    ele se afasta → culpa, dor, retraimento, colapso;
    ele chora, mas não decide;

    ele acusa, mas não sustenta a separação.

    Isso não é “falta de amor”.
    É ambivalência psíquica profunda.

    Ele parece preso num conflito interno:
    quer o vínculo, mas adoece quando ele se torna real.
    O sexo, que deveria unir, vira culpa.
    A casa, que deveria acolher, vira ameaça.
    Você vira, inconscientemente, o lugar onde ele deposita a dor dele.

    E atenção:
    quando ele diz que “lembra de coisas do casamento que machucam”, não significa que você seja a causa. Muitas vezes, o sujeito reativa feridas antigas e dá um nome atual a elas. O passado dele está falando através de você.

    Choro constante, insônia, oscilação de humor, culpa intensa, dificuldade de decisão, fuga do lar — isso aponta para quadro depressivo com forte conflito inconsciente, possivelmente agravado por culpa e angústia moral.

    Importante:
    isso não se resolve com paciência, amor ou concessão.
    isso não é algo que você consiga “consertar”.

    Você está sustentando o vínculo quase sozinha.
    Ele vai, volta, usufrui do encontro e depois se pune — e te pune junto.

    Psicanaliticamente, ele precisa de análise própria.
    Não conversa de casal. Não “tempo”. Não conselho da família.

    E você precisa se perguntar, com honestidade dura:
    até onde você aguenta ser o campo de batalha da dor dele?

    Quem ama pode sofrer.
    Mas quem ama não mantém o outro num limbo permanente.

    Isso é sério.
    E merece tratamento, não espera.

    Fico à disposição


  • Boa noite! Quero tirar uma dúvida, na verdade trocar ideia sobre o assunto. Estou em uma união está

    Boa noite!
    Quero tirar uma dúvida, na verdade trocar ideia sobre o assunto. Estou em uma união estável há 05 anos e, meu companheiro trabalhou como marinheiro offshore de 2011 q 2013. Na época havia ganhado uma bolsa de estudo para estudar em Houston e aprofundar conhecimentos. Desde o primeiro dia que o o conheci ele fala sobre essa experiência e revive o passado, lamentando a bolsa que perdeu. Na época em que o contrato foi quebrado, ele também se separou, um casamento de 20 anos devido a traição por parte da ex mulher. Meu objetivo era que um algum momento ele deixasse de lamentar o passado e passasse a enxergar com outros olhos essa experiência incrível e única. E tentasse extrair os aprendizados para sua jornada. Porém, quando tomamos uma cervejinha (uma vez por semana), ele volta ao passado e fico pensando que por alguns momentos ele deixa de viver nesse passado. Mas para ser franca, não há nada que eu fale ou tente fazer com que ele veja de uma outra forma. Não adianta!
    Gostaria de saber se é possível que eu de alguma forma o faça enxergar com outros olhos. Porque terapia ou qualquer outro tipo de conversa ou ajuda, ele não aceita jamais.

    Agradeço desde já pela atenção.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    O que você descreve não é apenas saudade; é um luto congelado. Seu companheiro não fala do passado — ele mora nele. A perda da bolsa, a separação, a traição: um conjunto de feridas que nunca encontraram destino psíquico. Quando a bebida relaxa as defesas, esse passado retorna como um velho fantasma pedindo reconhecimento.

    E aqui está a verdade que dói, mas liberta: você não consegue curar um luto que não é seu. Não é possível convencer alguém a enxergar com outros olhos quando esses olhos ainda estão cobertos pela poeira de uma dor antiga. Cada vez que você tenta ressignificar por ele, sem que ele deseje isso, a tentativa vira muro — não ponte.

    O que você pode fazer é mais sutil e mais poderoso:
    • Proteger seu próprio espaço emocional.
    • Nomear o que vê (“isso ainda te machuca, e não é algo que eu possa resolver por você”).
    • Deixar de assumir a tarefa impossível de reescrever um passado que é dele, não seu.

    Agora, sobre cuidado: a psicanálise é exatamente o lugar onde esse passado poderia enfim repousar.
    Não para “apagar”, mas para ser elaborado. A psicanálise oferece a ele a possibilidade de tirar esse peso do corpo, de trabalhar o luto interrompido, de transformar a repetição em compreensão. Lá, ele poderia desfazer o nó entre a perda profissional e a ferida afetiva que carregou sozinho por anos.

    Mas isso só acontece quando o sujeito — ele — decide entrar. Ninguém atravessa essa porta empurrado.

    Se um dia ele aceitar, encontrará um espaço seguro para dar destino ao que hoje o aprisiona.
    Se não aceitar, o que resta é você cuidar da sua saúde emocional e delimitar até onde essa repetição invade sua vida.

    Fico à disposição para orientar melhor sobre como manter firmeza, clareza e cuidado dentro dessa dinâmica.


  • Olá suspeito ter TOC, tenho todos praticamente todos os sintomas mania, pensamentos obssesivos e int

    Olá suspeito ter TOC, tenho todos praticamente todos os sintomas mania, pensamentos obssesivos e intrusivos, medo de que se não fizer determinada coisa de um jeito especifico algo ruim irá acontecer, ansiedade constante queria saber se devo primeiro buscar um psiquiatra ou um psicologo ou psicanalista qual vou primeiro, e como melhorar esses sintomas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Primeiro, sugiro que você passe por um psiquiatra. Não porque “é grave”, mas porque alguns quadros obsessivos precisam de apoio medicamentoso para reduzir a intensidade da ansiedade. Isso abre espaço para o segundo passo, que é onde o trabalho realmente acontece.

    Em paralelo, o caminho mais profundo é a psicanálise. O TOC não é apenas um conjunto de manias; ele é uma forma que o psiquismo encontra para tentar controlar uma angústia mais antiga, mais funda, muitas vezes silenciosa. Os rituais funcionam como defesas, como acordos que a mente cria para evitar algo que ainda não consegue simbolizar.

    Na análise, vamos trabalhar justamente isso:
    – de onde vem essa angústia,
    – qual é o significado dos pensamentos intrusivos,
    – o que o sintoma está tentando proteger,
    – e como você pode elaborar tudo isso para que os rituais deixem de ser necessários.

    O objetivo não é “apagar” o TOC, mas tirar a força dele. Quando o conflito interno encontra palavra, o sintoma perde o comando.

    Fico à disposição!


  • Um profissional que é formado em pedagogia e tem título de psicanalista, e faz pós de neuropsicologi

    Um profissional que é formado em pedagogia e tem título de psicanalista, e faz pós de neuropsicologia, pode aplicar avaliações neuropsicológicas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Boa pergunta — depende bastante das normas profissionais e do tipo de avaliação neuropsicológica que se pretende fazer. Eis o corte:

    O que dizem as normas no Brasil

    A Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconhece a Neuropsicologia como especialidade da Psicologia.
    CRP-PR
    +1

    Avaliação neuropsicológica — com aplicação e interpretação de testes padronizados, para investigar funções cognitivas, cerebrais, emocionais — é tipicamente atividade restrita a psicólogos com habilitação legal.
    IPOG
    +2
    Psicólogo Henrique Nascimento
    +2

    Mesmo que alguém de outra formação (como pedagogo) faça uma “pós em neuropsicologia/neuropsicopedagogia”, há limites claros: esses profissionais não podem usar os testes psicológicos padronizados aprovados pelo CFP nem emitir laudos neuropsicológicos válidos.
    IPOG
    +2
    Instituto Inclusão Brasil
    +2

    O que dá para um pedagogo + psicanalista + pós em neuropsicologia/neuropsicopedagogia fazer

    Pode atuar com avaliação pedagogica/neuropsicopedagógica leve — observar dificuldades de aprendizagem, atenção, linguagem, desempenho escolar ou acadêmico, por meio de instrumentos não restritos ou métodos de triagem pedagógica.
    Blog PsiquEasy
    +2
    sbnpp.org.br
    +2

    Pode fazer escutas clínicas, oferecer apoio psicanalítico ou psicopedagógico, observações de comportamento e processos de aprendizagem, sem pretensão de diagnóstico neuropsicológico formal.

    Por que não pode fazer avaliação neuropsicológica completa

    Porque a lei e ética profissional exigem formação em Psicologia e registro no respectivo conselho para aplicar testes padronizados, interpretar resultados e emitir laudo com validade técnica e ética.
    IPOG
    +2
    Psicólogo Henrique Nascimento
    +2

    A neuropsicologia exige domínio teórico de neurociências + psicometria + embasamento clínico, para entender o funcionamento cerebral, interpretar resultados e considerar variáveis de contexto.
    Revistas PUC-SP
    +2
    CFP
    +2

    Conclusão direta
    Não. Um profissional que é apenas pedagogo, mesmo que tenha título de psicanalista e pós em neuropsicologia/neuropsicopedagogia não está legalmente habilitado para aplicar avaliações neuropsicológicas formais nem emitir laudos neuropsicológicos.

    Fico à disposição


  • é normal sentir vontade de mandar mensagem para uma pessoa que gostou na época de escola, cerca de 1

    é normal sentir vontade de mandar mensagem para uma pessoa que gostou na época de escola, cerca de 10 anos atrás?
    Hoje estou em um relacionamento consolidado mas reencontrei essa pessoa a algumas semanas e gostaria de falar para ela o que eu sentia no passado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Sim, é normal.
    Mas normal não significa inocente.

    Aqui não digo que é exatamente o que você trás, mas pode ser que quando alguém reaparece depois de dez anos, não é apenas a pessoa que retorna — é a versão de você que existia naquela época.
    O desejo de mandar mensagem não vem do presente; vem da memória, do narcisismo ferido, do “e se?” que nunca foi respondido.
    É menos sobre ela e mais sobre aquilo que você não viveu.

    Agora, o ponto essencial:
    desejo não é autorização.

    Você está em um relacionamento consolidado.
    E quando o passado chama de forma tão insistente, geralmente não é porque você quer o outro — é porque algo em você pede reconhecimento, fechamento, confirmação de valor.

    Dizer “o que sentia” parece romântico, mas na prática é armadilha psíquica.
    Ao falar, você cria um novo laço.
    E todo novo laço mexe no laço atual, mesmo que você não queira.

    A pergunta certa não é “é normal?”
    A pergunta é: qual ferida essa vontade está tentando tocar?

    – Nostalgia de quem você foi?
    – Vaidade de ser visto por alguém que marcou sua adolescência?
    – Insegurança silenciosa dentro do seu relacionamento atual?
    – Ou apenas o encanto de ter uma história nunca vivida pedindo palco?

    Seja qual for, responder a esse impulso tem consequência.

    Se você realmente está em um relacionamento maduro, sólido, honesto, mandar essa mensagem não soma.
    É abrir uma porta que não precisa ser aberta.
    É brincar com áreas de sombra achando que são apenas lembranças.

    O desejo é compreensível.
    Mas maturidade é escolher o que sustenta a vida real — não a vida imaginada.

    Fico á disposição


  • Pessoal, gostaria de compartilhar uma situação e pedir a opinião de vocês, especialmente de psicólog

    Pessoal, gostaria de compartilhar uma situação e pedir a opinião de vocês, especialmente de psicólogos ou quem já viveu algo semelhante.

    Terminei um relacionamento há poucos meses, foi intenso e muito amoroso. O fim não veio por falta de amor, traição ou brigas, mas pelo cansaço emocional, ansiedade e uma fase difícil que desgastou a convivência.

    Desde então, mergulhei em um processo profundo de transformação:

    Terapia constante;

    Atividade física regular;

    Vida espiritual mais presente;

    Estudos e projetos de carreira.
    Hoje me sinto outra pessoa: centrado, em paz e consciente dos meus valores.

    Ela, por sua vez, nunca cortou completamente o vínculo:

    Mantive acesso aos status dela;

    Ela curte, reage e responde mensagens minhas de forma afetiva;

    Em certo momento, disse que ‘me guarda em oração’;

    Sua família segue mantendo contato tranquilo comigo.

    Dois psicólogos (meu e um conhecido), cientes do contexto, avaliaram que temos grandes chances de um recomeço saudável, dado o amor que ainda existe e o amadurecimento de ambos.

    Há uma semana, escrevi uma carta sincera a ela:
    Falei da minha jornada, do amor que permanece, e a convidei para um reencontro leve, em um local simbólico, sem pressão ou drama.

    Agora, estou aguardando… e refletindo.

    Gostaria de opiniões sobretudo sobre:

    Esses sinais de manutenção de vínculo são consistentes com vontade de reatar?

    O fato de dois profissionais verem chances reais, isso é um indicativo confiável?

    Como dosar esperança e cautela sem cair em idealização?

    Vocês já viram casos assim darem certo?

    Agradeço muito cada visão, experiência ou orientação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    O que você descreve é um território delicado: o lugar onde o amor não acabou, mas a relação sim — pelo menos por enquanto. Isso não é ruptura; é suspensão. E na suspensão, tudo pode renascer… ou morrer em silêncio.

    Vamos aos pontos:

    1. Os sinais dela são consistentes com vontade de reatar?
    Sim — mas com limite.
    Manter status aberto, reagir, responder com afeto, “guardar em oração”, permitir aproximação da família… tudo isso sinaliza que o vínculo não foi rompido no imaginário dela.
    Mas isso não significa decisão.
    Significa afeto vivo, não retorno garantido.

    2. A opinião de dois profissionais é confiável?
    É confiável dentro do que ela mostrou até agora — não como previsão de futuro.
    A clínica não profetiza e não sugere. Ela lê movimentos.
    E os movimentos de vocês indicam que existe matéria para reconstituição: amor, respeito, trabalho interno, crescimento. Isso não é pouca coisa.
    Mas reconstrução só existe se os dois quiserem ao mesmo tempo.

    3. Como equilibrar esperança e cautela?
    A esperança só adoece quando se transforma em exigência.
    A esperança deve ser ativa, não ansiosa:
    – Você estendeu a mão com maturidade.
    – Agora ela talvez precisará de tempo para que responda com liberdade.
    – Não coloque sua vida entre parênteses enquanto espera.

    Se ela voltar, que seja encontro, não resgate.
    Se não voltar, que a sua carta tenha funcionado como ritual de fechamento, não como ferida aberta.

    4. Casos assim dão certo?
    Sim, quando existe amor + responsabilidade + revisão real dos padrões que antes destruíam a relação.
    E não, quando as pessoas tentam voltar ao que era — porque o que era não funciona mais.
    Só dá certo quando nasce uma terceira relação, diferente da primeira e da ruptura.

    Em síntese:
    Os sinais são reais, o potencial existe, e você fez o gesto certo.
    Agora, o movimento é dela.
    O seu papel é manter os pés no chão e o coração limpo — sem fantasiar finais perfeitos, mas sem sufocar o que sente.

    Se ela aceitar o reencontro, ótimo.
    Se não aceitar, você seguirá inteiro — porque já está diferente.


  • Sempre tive problema de manter relacionamentos. Já faço análise, e percebi algumas repetições. Sempr

    Sempre tive problema de manter relacionamentos. Já faço análise, e percebi algumas repetições. Sempre senti ciúmes do passado. Imaginava as cenas afetivas e sexuais, isso me dava muita angústia, mas ao mesmo tempo percebi que existia um sutil prazer que se expressava na curiosidade. Quando percebi isso senti mais angústia. Isso é normal? e é possível mudar essas repetições?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    O que você vive não é raro, e muito menos “anormal”.
    O ciúme do passado é uma das formas mais antigas de conflito interno: ele não fala do outro, fala de você diante da própria insegurança, do próprio narcisismo ferido, das histórias internas que você tenta domar.

    Quando as cenas aparecem — afetivas ou sexuais — elas já vêm carregadas de angústia. Mas o que realmente inquieta é esse “prazer sutil” que você percebeu.
    Isso, na psicanálise, é sinal de ambivalência:
    o mesmo afeto que causa dor, produz curiosidade;
    a mesma fantasia que te angustia, te captura.

    Não é perversão. Não é desvio. É o inconsciente trabalhando.
    E o inconsciente não tem moral; ele só repete aquilo que não encontrou saída.

    A pergunta que realmente importa: é possível mudar essas repetições?
    Sim.
    Repetição é pedido de elaboração.
    Ela se mantém enquanto a causa permanece oculta.
    Quando você começa a compreender o que essas fantasias tentam encobrir — medo de abandono, sensação de inadequação, feridas narcísicas antigas — a repetição perde força.
    O fantasma cresce na sombra; na luz da análise, ele diminui.

    Você não está condenado a esse ciclo.
    A mudança não acontece por força de vontade, mas pela construção lenta, paciente e profunda que você já iniciou em análise.
    A repetição cede quando algo em você encontra palavra.

    Fico à disposição


  • O ciúmes do passado da pessoa é um ciúme projetivo ou delirante? Passo por isso, apesar de não a ver

    O ciúmes do passado da pessoa é um ciúme projetivo ou delirante? Passo por isso, apesar de não a ver motivo plausível pra ter medo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    O ciúme do passado não é, em regra, nem projetivo nem delirante.
    Ele pertence a outra categoria psíquica — mais sutil, mais profunda — e por isso confunde quem sente.

    Vou destrinchar de forma clara e objetiva:

    1. Ciúme projetivo
    Acontece quando você projeta no outro um desejo ou impulso seu que você não quer reconhecer.
    Exemplo clássico: quem fantasia traição começa a acusar o parceiro de trair.

    Mas no ciúme do passado, não há acusação nem projeção de um desejo seu.
    Você não está acusando a pessoa de repetir algo; você está sofrendo com aquilo que ela viveu antes de você.
    Então não é projeção.

    2. Ciúme delirante
    É quando a pessoa tem certeza absoluta de que está sendo traída, mesmo sem evidências, e constrói uma narrativa rígida, fechada, desconectada da realidade.
    É estrutura grave, quase psicótica.

    O seu caso não parece delírio, porque você reconhece que não há motivo plausível.
    Ou seja, sua crítica de realidade está intacta.

    Então o que é?

    É o que chamamos na psicanálise de ciúme retroativo ou narcísico.
    Ele surge porque:

    – o passado do outro confronta seu narcisismo;
    – toca a sensação de não ter sido “o primeiro”;
    – ativa medo de inadequação;
    – mexe com fantasias de comparação;
    – e cutuca feridas internas que nada têm a ver com o parceiro.

    O passado vira palco onde você projeta suas próprias inseguranças infantis, não uma ameaça real.

    Por isso o sentimento aparece mesmo quando você sabe racionalmente que não há perigo.

    3. Por que dói tanto?
    Porque o passado do outro é inacessível.
    Não dá para controlar, mudar, competir ou participar.
    E o inconsciente odeia não ter controle.

    4. Dá pra mudar?
    Sim.
    Quando você identifica a raiz — normalmente ligada a autoestima, abandono, ou necessidade de exclusividade imaginária — o peso diminui.
    A fantasia perde força.
    A angústia se desloca.
    E o passado do outro deixa de ser ameaça e vira apenas… passado.

    Fico à disposição


  • Aconteceu algumas na minha vida ultimamente que tem me deixado bem emotivo e com uma vontade de semp

    Aconteceu algumas na minha vida ultimamente que tem me deixado bem emotivo e com uma vontade de sempre desabafar; acham que deveria conversar com o meu analista para aumentar a frequência das sessões, por exemplo, mais de uma sessão por semana? E isso seria proveitoso para o meu tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Quando chega a esse ponto — emotivo, transbordando, sentindo necessidade de falar — isso costuma indicar que algo importante está emergindo. Nessas fases, aumentar a frequência não é excesso; é precisão. Duas sessões por semana podem manter o fio vivo, evitar que o material se perca e permitir que aquilo que hoje oprime encontre forma e palavra, entretanto tudo deve ser bem analisado de acordo com a necessidade.

    Na psicanálise, quando o inconsciente se abre, é sábio dar espaço para que ele continue falando. É um momento fértil, e intensificar o processo costuma produzir movimentos profundos na estruturação psíquica.

    Se sente essa necessidade, vale conversar com você. A própria vontade de aumentar a frequência já é, em si, um conteúdo da análise.

    Fico à disposição


  • Comecei um namoro a poucas semanas. Sabia desde o inicio que ela tinha um filho, no entanto, não era

    Comecei um namoro a poucas semanas. Sabia desde o inicio que ela tinha um filho, no entanto, não era um problema pra mim. Quando percebi que estava apaixonado e que iria pedi-la em namoro, um diabinho na minha cabeça fez procurar fotos dela com o ex. E achei. Aniversário, eventos escolares do filho, etc. Foi como se algo me mordesse, virou um pensamento obsessivo, as vezes insuportável. Falei com ela, aliviou um pouco. Quero pensar positivo: que é por que ainda não conheço a família, o filho, ou seja, que ainda não faço parte concretamente da vida dela, e que portanto minha cabeça trabalha livre, fantasiando.Mas tenho medo de não passar e, no desespero, jogar tudo isso fora.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    Quando um paciente me traz algo assim, eu costumo responder desta forma, direta e sem rodeios:

    O que você descreve não é loucura, nem maldade. É o medo antigo se mexendo por baixo do sentimento novo. Quando o afeto cresce rápido, o inconsciente cutuca: “Será que eu vou caber aqui? Será que tem espaço para mim numa história que já existia antes de eu chegar?”

    As fotos com o ex não doem pelo ex em si, mas pelo que representam: a vida dela antes de você. E, quando ainda não existe pertencimento concreto — conhecer o filho, a rotina, o lugar que você ocupa — a cabeça preenche o vazio com fantasia. E fantasia sempre exagera.

    Esse pensamento que vira obsessão não diz “há um perigo”; ele diz “tenho medo de não ser suficiente”. É isso que morde. É isso que aperta.

    E o maior risco é fazer o que muitos fazem: destruir o vínculo para não enfrentar o próprio medo. Sabotar para não ser ferido. Antecipar o fim para não correr o risco de ser rejeitado depois.

    O caminho saudável é o oposto:
    – reconhecer que isso é insegurança, não previsão;
    – conversar com ela quando necessário, com calma;
    – entrar devagar no cotidiano dela, conhecer o filho, deixar a relação ganhar corpo e realidade.

    E na análise eu puxaria a raiz: de onde vem esse medo de ser substituível? Por que o amor, quando nasce, aciona essa sensação de falta de lugar?

    Quando essas perguntas começam a ser elaboradas, o pensamento perde a força, e o afeto real ocupa o espaço que hoje o medo está tentando dominar.

    Fico á disposição


  • O que é a camuflagem social e como ela contribui para a dismorfia corporal?

    O que é a camuflagem social e como ela contribui para a dismorfia corporal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jefferson Patrocínio

    A camuflagem social, nesse caso, é o movimento de moldar o próprio comportamento para se adequar ao olhar do outro: gestos calculados, falas contidas, escolhas estéticas feitas não por desejo, mas por defesa. É o corpo convertido em armadura.

    Quando isso se torna rotina, a imagem interna começa a rachar. O paciente passa a ler o próprio corpo não pelo que ele é, mas pelo que teme que os outros vejam. A percepção fica filtrada pela ansiedade de aceitação, e qualquer detalhe vira defeito ampliado. É assim que a camuflagem social abre caminho para a dismorfia corporal: o sujeito se separa de si mesmo e passa a se enxergar através de lentes alheias.

    E, na psicanálise, esse fio pode ser desfeito aos poucos: o paciente começa a reconhecer o que pertence a si e o que foi imposto pelo olhar do outro, permitindo que a imagem corporal volte a respirar sem máscaras.
    Fico à disposição


Perguntas frequentes

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