Perguntas do paciente (695)

  • Temperatura de 35,7 graus em um adulto, medido com termômetro digital, em pleno meio-dia, pode ser sinal

    Temperatura de 35,7 graus em um adulto, medido com termômetro digital, em pleno meio-dia, pode ser sinal de infecção?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! Em adulto saudável, sem outros sintomas, uma temperatura de 35,7°C ISOLADA, em medida axilar com termômetro digital ao meio-dia, geralmente NÃO indica infecção — pode ser apenas uma variação fisiológica ou de medida.

    Pontos importantes para interpretar:

    Faixas normais (axilar):
    • 35,5 a 37,2°C é considerada normal em adulto.
    • A temperatura corporal varia ao longo do dia (mais baixa pela manhã, mais alta no final da tarde) e com idade, sexo, ciclo menstrual.

    Possíveis causas de leitura "baixa":
    • Termômetro mal posicionado, axila úmida (suor), aparelho descalibrado, bateria fraca.
    • Temperatura ambiente muito fria, ar-condicionado direto.
    • Pessoa em jejum prolongado.
    • Após banho frio.
    • Hipotireoidismo (causa hipotermia leve crônica).
    • Idosos: tendência fisiológica a temperatura mais baixa.
    • Medicação (alguns sedativos, antipsicóticos).

    QUANDO HIPOTERMIA pode SIM ser sinal de algo grave:
    • SEPSE em IDOSOS, IMUNOSSUPRIMIDOS ou pacientes com doenças crônicas — a infecção pode se manifestar com hipotermia em vez de febre (sinal de gravidade!).
    • Hipoglicemia grave.
    • Hipotireoidismo descompensado.
    • Insuficiência adrenal.
    • Exposição prolongada ao frio.

    Quando a temperatura PEDE atenção urgente:
    • <35°C verdadeira (hipotermia), com alteração de consciência, calafrios intensos, pele azulada/marmoreada.
    • Em idoso/imunossuprimido com 35,7°C MAIS sintomas como confusão, fraqueza importante, pressão baixa, frequência cardíaca alta.

    O que vale FAZER:
    • Recalibrar: medir DUAS vezes, com termômetro seco, axila seca, posição correta (centro da axila, braço bem fechado), por pelo menos 3-5 minutos.
    • Comparar com outra medida (oral ou timpânica).
    • Se assintomático, sem doença crônica, é OBSERVAR — provavelmente variação normal.
    • Se sintomas associados (cansaço, ganho de peso, queda capilar, intolerância ao frio), investigar TIREOIDE.

    Procure pronto-socorro IMEDIATAMENTE se aparecer:
    • Confusão, sonolência excessiva, dificuldade para acordar.
    • Pele azulada/marmoreada, calafrios intensos.
    • Pressão baixa, frequência cardíaca muito alta ou muito baixa.
    • Falta de ar.
    • Em idoso/imunossuprimido com qualquer sintoma novo (lembre-se: febre baixa OU hipotermia pode ser sepse).

    Fontes: UpToDate "Accidental hypothermia in adults" e "Approach to the patient with sepsis"; SBP — Tratado de Pediatria (Termorregulação); IDSA — Sepsis Guidelines.

    Posso te avaliar em teleconsulta — interpretar a medida no contexto da sua saúde, descartar causas tratáveis (tireoide!) e tranquilizar se for variação normal. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Posso tomar omeprazol antes da Doxiciclina?

    Posso tomar omeprazol antes da Doxiciclina?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa noite. Ótima pergunta — esse é um detalhe FARMACOLÓGICO importante.

    A doxiciclina (Vibramicina) pertence à classe das tetraciclinas. A absorção dela pode ser REDUZIDA por:
    • Antiácidos contendo cálcio, magnésio ou alumínio (Eno, Sonrisal, Mylanta).
    • Suplementos de ferro, cálcio, zinco, magnésio.
    • Leite e laticínios.
    • Sucralfato.
    • Bicarbonato de sódio.

    Esses formam complexos com a doxiciclina no estômago e reduzem MUITO a absorção (até 80%), comprometendo a eficácia do antibiótico.

    E o OMEPRAZOL?
    • Omeprazol é um inibidor de bomba de prótons (IBP) — reduz a acidez do estômago.
    • Há estudos demonstrando que o aumento do pH gástrico pode REDUZIR DISCRETAMENTE a absorção de doxiciclina (Bothe et al, J Antimicrob Chemother), embora o efeito clínico seja considerado MENOR comparado aos antiácidos com metais.
    • A maioria das diretrizes (UpToDate, Sanford Guide, Bula) NÃO contraindica a associação, mas recomenda:

    Como tomar de forma segura:
    1) Tome a doxiciclina com BASTANTE água, em pé/sentado (não deitar nos 30 min seguintes — risco de esofagite).
    2) Se for tomar omeprazol, prefira em horário DIFERENTE — por exemplo: omeprazol 30 min antes do café da manhã, e doxiciclina à noite (ou 2h depois).
    3) EVITE no mesmo horário: leite, iogurte, suplemento de ferro, vitamina mineral com cálcio.
    4) Você pode comer comida normal junto da doxiciclina (alimento sólido normal pouco interfere), só evitar os itens acima.
    5) Tome o curso completo, mesmo melhorando antes.

    Fontes: UpToDate "Doxycycline drug information", ANVISA Bulário, Sanford Guide.

    Posso revisar interações de toda sua medicação em teleconsulta — agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Pessoas que tomam Pantogar, 03 capsulas ao dia e há mais de 04 meses podem apresentar quadros de Hiperqueratose

    Pessoas que tomam Pantogar, 03 capsulas ao dia e há mais de 04 meses podem apresentar quadros de Hiperqueratose em algumas partes do corpo?
    Coincidentemente e recentemente fui diagnosticado com Líquen Plano, existe alguma relação com o uso do Pantogar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa noite. Vou esclarecer ponto a ponto:

    1) Pantogar é um polivitamínico (cistina + tiamina + ácido para-aminobenzoico + queratina + levedura medicinal) indicado para apoio ao tratamento de queda capilar difusa e fragilidade das unhas. NÃO há, na literatura médica indexada (PubMed, UpToDate, BMJ Best Practice), nenhuma associação causal descrita entre Pantogar e desenvolvimento de hiperqueratose corporal ou de líquen plano.

    2) Líquen Plano é uma doença inflamatória autoimune da pele e mucosas, de causa multifatorial — fatores genéticos, virais (hepatite C tem associação reconhecida), reação a alguns medicamentos (anti-hipertensivos, AINEs, antimaláricos) e a vacinas, e estresse. A própria doença já cursa com hiperqueratose nas lesões, o que pode confundir o quadro.

    3) Coincidência temporal ≠ causalidade. Mas é importante que seu dermatologista revise toda a sua lista de medicamentos (incluindo Pantogar) à luz dos chamados "líquen plano-like drug eruptions". O exame padrão-ouro é a biópsia de lesão, que diferencia líquen plano "verdadeiro" de reação medicamentosa.

    Fontes: UpToDate "Lichen planus", DermNet NZ, Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Recomendo seguimento com dermatologista — caso queira orientação inicial, triagem ou encaminhamento, agende uma teleconsulta comigo aqui pela Doctoralia. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Qual a janela (em termos práticos) de quem faz a PEP?

    Qual a janela (em termos práticos) de quem faz a PEP?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Janela PEP prático: 28-42 dias. D0: iniciar PEP (até 2h ideal). Semanas 1-2: ARVs atingem níveis protetores. Semana 3-4: pico de proteção. D28: fim PEP, continuar aderação rigorosa. Teste prático: fazer com 30-45 dias pós-fim PEP com 4ª geração. Se PEP falhou = anticorpos aparecem durante/após. Se funcionou = nunca aparecem. Importante: ser aderente 100%! Consulte infectologista.


  • Fiz uso do alginac ingetável 5000 e fiquei com hematúria. é transitório?

    Fiz uso do alginac ingetável 5000 e fiquei com hematúria.
    é transitório?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa noite. Hematúria (sangue na urina) APÓS uso de diclofenaco (Alginac) injetável MERECE AVALIAÇÃO MÉDICA, idealmente nas próximas 24h.

    Por quê? Diclofenaco e outros anti-inflamatórios (AINEs) podem causar lesão renal por dois mecanismos principais:
    1) Redução do fluxo sanguíneo renal (efeito hemodinâmico) — geralmente reversível com a suspensão da droga.
    2) Nefrite intersticial aguda — reação alérgico-inflamatória do rim, que pode cursar com hematúria (microscópica ou macroscópica), febre, rash cutâneo e eosinofilia.

    Outras causas que precisam ser DESCARTADAS:
    • Coincidência: infecção urinária (ITU), cálculo renal, lesão por sondagem prévia, prostatite.
    • Mais raras: glomerulopatia, neoplasia urotelial (mais relevante em adultos >40 anos, fumantes).
    • "Pseudo-hematúria" por alimentos (beterraba, amora) ou medicamentos (rifampicina, fenazopiridina).

    Procure pronto-socorro IMEDIATAMENTE se houver: dor lombar intensa, febre, calafrios, redução do volume urinário, coágulos visíveis na urina, dor abdominal forte, ou se a hematúria for MACROSCÓPICA persistente.

    Conduta inicial razoável:
    • SUSPENDA o Alginac agora.
    • Hidratação adequada (~30 ml/kg/dia de água, salvo restrição cardíaca ou renal).
    • Procure consulta para: exame de urina tipo 1 (EAS) + urocultura, ureia, creatinina, eletrólitos, e — dependendo do contexto — ultrassom de rins e vias urinárias.

    Se transitório (resolve em 24–48h após suspender) e exames vierem normais, é menos provável dano significativo. Mas só dá pra confirmar com exames.

    Fontes: UpToDate "NSAIDs: acute kidney injury", "Etiology and evaluation of hematuria in adults"; AAU/SBU Diretrizes; ANVISA Bulário.

    Posso te orientar em teleconsulta sobre interpretação dos exames e próximos passos — agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • o que é anisocicose?

    o que é anisocicose?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! ANISOCITOSE é um achado do hemograma que significa: as suas HEMÁCIAS (glóbulos vermelhos) têm TAMANHOS DIFERENTES entre si — algumas maiores, outras menores. No exame, geralmente vem refletido no RDW (índice de variação do tamanho das hemácias) elevado.

    NÃO é uma doença em si, mas uma PISTA de algo que merece interpretação no contexto do hemograma completo e da sua saúde.

    CAUSAS mais frequentes:

    1) DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS:
    • Ferro (anemia ferropriva) — em geral também aparece microcitose, hipocromia.
    • Vitamina B12 — geralmente associada a macrocitose (hemácias grandes).
    • Ácido fólico — semelhante à B12.

    2) ANEMIAS por sangramento agudo ou recente — em fase de regeneração, a medula produz hemácias novas e variadas em tamanho.

    3) ANEMIA HEMOLÍTICA (autoimune, hereditária — esferocitose, falciforme) — destruição aumentada de hemácias gera resposta variada da medula.

    4) DOENÇA CRÔNICA (renal, hepática, inflamatória) — pode contribuir.

    5) PÓS-VIROSE ou inflamação em resolução.

    6) MISTURA de causas (ex.: deficiência de ferro + B12 ao mesmo tempo — frequente em quem segue dieta restritiva ou tem absorção prejudicada).

    7) Pode aparecer mesmo SEM anemia — só uma variação leve dos tamanhos.

    PARA INTERPRETAR melhor, preciso ver o hemograma COMPLETO:
    • Hemoglobina (define se há anemia).
    • VCM (médio do tamanho das hemácias) — baixo, normal ou alto.
    • RDW (variação entre tamanhos).
    • Plaquetas, leucócitos.

    EXAMES sugeridos (peço em teleconsulta):
    • Hemograma + reticulócitos.
    • Ferritina, ferro sérico, saturação de transferrina.
    • Vitamina B12, ácido fólico.
    • Eletroforese de hemoglobina (descarta talassemia).
    • PCR, função renal e hepática, TSH.
    • Em casos selecionados: anti-transglutaminase IgA (celíaca), pesquisa de sangramento oculto.

    CUIDADOS GERAIS:
    • Alimentação variada e equilibrada — carnes, ovos, feijão, vegetais escuros, frutas com vitamina C.
    • Em vegetarianos/veganos estritos: atenção especial à B12 (suplementação geralmente necessária).
    • Sem auto-medicação com suplementos — investigue antes.

    Procure pronto-socorro IMEDIATAMENTE se aparecer:
    • Palidez intensa, falta de ar, palpitação, tontura, desmaio.
    • Sangramentos.
    • Icterícia (amarelado da pele/olhos), urina escura.
    • Dor torácica forte.

    Fontes: SBHH — Sociedade Brasileira de Hematologia; UpToDate "Approach to the adult with anemia"; WHO — Hemoglobin concentrations; ANVISA — Bulários.

    Posso te avaliar em teleconsulta — analisar o hemograma completo no seu contexto, pedir os exames complementares e identificar a causa exata da anisocitose. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Existe algum exame que detecte o tempo de contaminação de uma pessoa? Ou o médico, através de empirismo,

    Existe algum exame que detecte o tempo de contaminação de uma pessoa? Ou o médico, através de empirismo, cita mais ou menos uma data da contaminação baseado na CV e do CD4 ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Não existe um teste específico que determine a data exata da contaminação por HIV. No entanto, alguns parâmetros clínicos ajudam a estimar:

    1. Contagem de CD4: Níveis mais baixos sugerem infecção mais antiga
    2. Carga viral: Vários padrões podem indicar diferentes estágios
    3. Antecedentes clínicos: Sintomas de infecção aguda podem aparecer 2-4 semanas após a contamção
    4. Teste de genroção de Vı: pode ajudar em casos específicos

    A avaliação é sempre clínica e aproximada, não precisa. Seu médico pode orientar melhor com base no seu caso.


  • Existe algum tipo de PCR para o HIV 2? Porque, embora raro, já há casos no Brasil. Quais exames detectam

    Existe algum tipo de PCR para o HIV 2? Porque, embora raro, já há casos no Brasil. Quais exames detectam ele antes da soroconversão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Olá! Sim, existe PCR para HIV-2, embora seja menos disponível que o PCR para HIV-1. Alguns laboratórios de referência oferecem PCR que detecta ambos os tipos (HIV-1 e HIV-2) ou PCR específico para HIV-2.

    Para detecção antes da soroconversão, as opções são:
    - PCR RNA HIV-2 (carga viral) - detecta a partir de ~10-14 dias
    - Testes de 4ª geração - detectam anticorpos HIV-1 e HIV-2 + antígeno p24 (este último específico do HIV-1)

    Na prática: os testes sorológicos de 4ª geração detectam anticorpos anti-HIV-2 normalmente. O HIV-2 é raro no Brasil (mais comum em pessoas com vínculo epidemiológico com África Ocidental).

    Se você tem preocupação específica com HIV-2, procure laboratório de referência que ofereça PCR para ambos os tipos.

    Posso orientar por teleconsulta - atendo 24h. Cuide-se!


  • meu filho tem 2 anos e 4 meses,ja fez3 vezes hemograma e esta sempre com a hemoglobina normal,e o hcm

    meu filho tem 2 anos e 4 meses,ja fez3 vezes hemograma e esta sempre com a hemoglobina normal,e o hcm sempre 25,ferritina 5,77,pode ser talassemia,ja tomou ferro 2 vezes,e bem saudável,a talassemia aumenta ou diminui a ferritina?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! Pergunta muito boa. Vou esclarecer cada ponto.

    INTERPRETANDO os exames:
    • HCM 25 pg (baixo, normal 27-32): indica hipocromia — hemácia com menos hemoglobina.
    • Hemoglobina normal (sem anemia franca): bom sinal — não está com anemia clínica.
    • FERRITINA 5,77 ng/mL: BAIXA. Em criança, o valor mínimo aceitável de ferritina é cerca de 12-15 ng/mL. Ferritina <12 é deficiência de ferro mesmo SEM anemia franca (ferropenia latente).

    RESPONDENDO sua pergunta sobre talassemia x ferritina:
    • Na TALASSEMIA MINOR (traço talassêmico): ferritina costuma ser NORMAL ou ELEVADA, NÃO baixa. Os depósitos de ferro estão preservados (e às vezes aumentados se transfusões frequentes em formas mais graves, o que não é o caso de talassemia minor).
    • Na DEFICIÊNCIA DE FERRO: ferritina BAIXA + microcitose + hipocromia.

    Ou seja, no caso do seu filho, a ferritina <6 sugere FORTEMENTE que a causa é DEFICIÊNCIA DE FERRO (não talassemia). A talassemia menor não cursaria com ferritina tão baixa.

    POR QUE pode persistir mesmo após "tomar ferro 2 vezes":

    1) TEMPO/DOSE INSUFICIENTE: deficiência de ferro em criança precisa de 3-6 meses CONTÍNUOS de tratamento. Interromper antes faz a ferritina cair de novo.
    2) ABSORÇÃO: tomar ferro junto de leite/chá/café/cálcio reduz absorção. Vitamina C melhora.
    3) DIETA: excesso de leite (>500 mL/dia em criança >12 meses) reduz absorção. Falta de carne/feijão/vegetais escuros.
    4) PERDAS OCULTAS: verminose (mais comum em criança), sangramento gastrointestinal silencioso (raro).
    5) DOENÇA CELÍACA (rastrear com anti-transglutaminase IgA + IgA total).
    6) Em casos selecionados, alterações genéticas raras da absorção.

    O QUE faz sentido FAZER:
    • REINTRODUZIR sulfato ferroso em dose adequada (verificar com pediatra), por TEMPO suficiente — 3-6 meses no mínimo, com reavaliação em 30-60 dias.
    • Combinar com SUCO DE LARANJA natural (vitamina C).
    • ESPAÇAR de leite/chá em 1h.
    • Avaliar dieta detalhada.
    • Solicitar exames complementares:
    - Hemograma + reticulócitos.
    - Ferritina, ferro sérico, saturação de transferrina (já tem).
    - PCR (descartar inflamação que pode interferir na ferritina).
    - Eletroforese de hemoglobina (se a deficiência persistir SEM melhora apesar do tratamento — para investigar talassemia associada).
    - Anti-transglutaminase IgA + IgA total (celíaca).
    - Parasitológico de fezes 3 amostras.

    CUIDADOS GERAIS:
    • Alimentação rica em ferro: carnes (mesmo pequenas porções), ovo, feijão, lentilha, espinafre, brócolis, fígado.
    • Limitar leite a 500 mL/dia em crianças >12 meses.
    • Acompanhamento regular com pediatra.

    Procure pronto-socorro se a criança apresentar:
    • Palidez intensa, falta de ar, fraqueza extrema.
    • Sangramentos, fezes pretas.
    • Febre persistente.

    Fontes: SBP — Sociedade Brasileira de Pediatria (Anemia ferropriva; Talassemia); WHO — Iron deficiency anaemia; UpToDate "Iron deficiency in infants and children" e "Diagnosis of thalassemia"; SBHH — Sociedade Brasileira de Hematologia.

    Posso te avaliar em teleconsulta — interpretar todos os exames juntos, refazer o esquema de suplementação, pedir os complementares e tirar suas dúvidas. Atendo crianças e família. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Quase que diariamente tenho temperatura durante o dia de 36,6 graus (em média), mas pela noite (mais

    Quase que diariamente tenho temperatura durante o dia de 36,6 graus (em média), mas pela noite (mais ou menos a partir das 20h) a mesma cai para 35,5, aproximadamente. Isso é normal? Variação de 1 grau em menos de 1 dia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! Sim, variação de até 1°C ao longo do dia é dentro da normalidade fisiológica. A temperatura corporal tem um RITMO CIRCADIANO natural, regulado pelo cérebro (hipotálamo).

    PADRÃO NORMAL da temperatura ao longo do dia:
    • MENOR pela MADRUGADA e início da manhã (4-6h), geralmente 35,5-36,5°C.
    • Vai aumentando até o início da NOITE (18-19h), atingindo picos de 37,0-37,5°C.
    • Volta a cair durante a noite, com o sono.
    • Variação total de aproximadamente 0,5 a 1°C entre os extremos.

    O padrão que você descreve é INVERTIDO ao usual (mais alta de dia, mais baixa à noite) — mas em pessoas com rotinas atípicas (trabalho noturno, sono irregular), com ar-condicionado à noite, com sono cedo, ou em algumas situações fisiológicas, isso pode ocorrer e ainda assim ser variação normal.

    Fatores que influenciam a temperatura:
    • Atividade física, alimentação, banho (aumentam).
    • Sono, frio ambiental, jejum (diminuem).
    • Ciclo menstrual (sobe ~0,5°C após a ovulação).
    • Idade (idosos têm temperatura ligeiramente mais baixa).
    • Medicações.
    • Posição da medida (axilar é cerca de 0,5°C menor que oral/timpânica/retal).

    QUANDO investigar mais a fundo:
    • Sintomas associados (cansaço crônico, ganho de peso, queda de cabelo, intolerância ao frio → pensar HIPOTIREOIDISMO).
    • Suores noturnos, perda de peso involuntária, gânglios aumentados → investigar causas infecciosas/oncológicas.
    • Hipoglicemia frequente, fraqueza ao acordar → pensar em causas adrenais/endócrinas.
    • Hipotermia <35°C verdadeira, com confusão ou palidez intensa → procurar atendimento.

    CUIDADOS DE BOA MEDIÇÃO:
    • Termômetro digital limpo, axila SECA, braço bem fechado.
    • Aguardar 3-5 minutos.
    • Não medir logo após banho, exercício, refeição ou jejum prolongado.
    • Não medir após exposição a ar-condicionado direto.
    • Comparar com termômetro de outro tipo se houver dúvida.

    EXAMES úteis se houver sintomas associados (em teleconsulta):
    • Hemograma, glicemia, função renal/hepática.
    • TSH, T4 livre (descarta hipotireoidismo).
    • Cortisol matinal (se suspeita adrenal).
    • Vitamina D, B12.

    Procure atendimento médico se aparecer:
    • Confusão, sonolência, dificuldade para acordar.
    • Pele azulada/marmoreada.
    • Tremores intensos e persistentes.
    • Pressão muito baixa, frequência cardíaca alterada.
    • Suores noturnos, perda de peso involuntária, sangramentos.

    Fontes: UpToDate "Body temperature regulation" e "Accidental hypothermia in adults"; SBP — Tratado de Pediatria (Termorregulação); SBEM — Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

    Posso te avaliar em teleconsulta — interpretar a variação no contexto da sua saúde, descartar causas tratáveis (tireoide, suprarrenal) e tranquilizar se for variação fisiológica. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Gostaria de saber se temperaturas baixas (35, 35.5 graus etc) pode ser de origem de infecção (viral,

    Gostaria de saber se temperaturas baixas (35, 35.5 graus etc) pode ser de origem de infecção (viral, bacteriana etc) ou infecção cursa APENAS com febre (e não temperatura baixa).?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! Ótima pergunta — e importante saber, porque é um detalhe que pode mudar a urgência da avaliação.

    A resposta direta: SIM, infecção pode SIM cursar com TEMPERATURA BAIXA (hipotermia) — e não apenas com febre. Em algumas situações, isso é até um sinal de GRAVIDADE.

    Como a infecção pode se manifestar com hipotermia (35-35,5°C):
    • SEPSE em IDOSOS, IMUNOSSUPRIMIDOS, alcoolistas, desnutridos, diabéticos: a resposta inflamatória pode causar HIPOTERMIA em vez de febre. Quando isso ocorre, a sepse costuma ser MAIS GRAVE e tem PIOR prognóstico.
    • Recém-nascidos: o sistema termorregulador é imaturo, então infecções graves frequentemente se manifestam com hipotermia em vez de febre.
    • Choque séptico avançado: hipotermia é critério de gravidade nos escores qSOFA/SIRS.

    Definições importantes:
    • Febre: ≥37,8°C (axilar) ou ≥38°C (oral/timpânica).
    • Hipotermia: <35°C (medida central/retal é mais precisa, mas axilar <35°C também conta).
    • Hipotermia LEVE: 32-35°C; MODERADA: 28-32°C; GRAVE: <28°C.

    Mas atenção — temperatura baixa NÃO é sempre infecção. Causas comuns de hipotermia:
    • Exposição ao frio (banho frio, ambiente gelado, hipotermia por inundação).
    • Hipotireoidismo descompensado.
    • Hipoglicemia grave.
    • Insuficiência adrenal (Addison).
    • Medicações (sedativos, antipsicóticos, álcool).
    • Idosos com baixa reserva fisiológica.
    • Termômetro mal calibrado/mal posicionado.

    Sinais que tornam URGENTE qualquer temperatura anormal:
    • Confusão mental, sonolência, dificuldade para acordar.
    • Pele azulada, marmoreada, fria.
    • Pressão baixa, taquicardia (>100 bpm) ou bradicardia importante.
    • Frequência respiratória elevada (>22 incursões/min).
    • Calafrios intensos.
    • Falta de ar.
    • Em idoso/imunossuprimido com qualquer sintoma novo.

    Procure pronto-socorro IMEDIATAMENTE se aparecer qualquer um desses sinais junto com temperatura <35°C.

    Em pessoa SAUDÁVEL e ASSINTOMÁTICA com temperatura 35-35,5°C isolada, costuma ser variação fisiológica ou medida imprecisa — sem grande preocupação.

    Fontes: UpToDate "Accidental hypothermia in adults"; Surviving Sepsis Campaign Guidelines (SCCM/ESICM); IDSA — Sepsis Guidelines; SBP — Tratado de Pediatria (Sepse neonatal).

    Posso te avaliar em teleconsulta — interpretar a temperatura no contexto da sua saúde, descartar causas tratáveis e ensinar quais sinais merecem alarme. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • 3 meses apos a relaçao de risco com exame de 4 geraçao e com resultado negativo é seguro??posso me

    3 meses apos a relaçao de risco com exame de 4 geraçao e com resultado negativo é seguro??posso me tranquilizar? E acabar com isso de vez?ja fiz 3 exames nesses 3 meses e 3 negativos posso me acalmar?aguardo anciosa a resposta....nervosa ao extremo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    SIM! VOCÊ PODE FICAR TRANQUILA!

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    - Você já ultrapassou completamente
    - Falso negativo em 3 meses: PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL

    **ENCERRE ESSE CICLO AGORA:**
    Você NÃO tem HIV
    Teste x3 = Segurança total
    Ansiedade é compreensível, mas infundada

    **Importante para você:**
    Anxiedade persistente após testes conclusivos é COMUM e se chama "ansiedade por HIV" ou "health anxiety". Isso é tratável!

    Você está saudável! Viva sua vida plenamente agora.

    **Se a ansiedade persistir:**
    Posso fazer uma teleconsulta para ajudá-lo a lidar com esses sentimentos e encerrar de vez essa preocupação. Você merece paz de espírito! Quer agendar?


  • Meu filho de 5 anos fez um hemograma e deu microcitose 40.9. O que quer dizer ?

    Meu filho de 5 anos fez um hemograma e deu microcitose 40.9. O que quer dizer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! Vou interpretar esse achado.

    O número 40,9 provavelmente NÃO se refere a "microcitose" propriamente — em geral é um VALOR DA POPULAÇÃO HEMÁTICA (como o percentual de hemácias com determinada característica) ou um índice eritrocitário diferente. O termo MICROCITOSE no hemograma significa: hemácias (glóbulos vermelhos) com TAMANHO MENOR que o normal — refletido no VCM baixo (geralmente <80 fL em adultos; em crianças, valores menores são considerados conforme a idade).

    Em criança de 5 anos, microcitose costuma indicar:

    1) DEFICIÊNCIA DE FERRO — causa MAIS comum. Dieta pobre em ferro, excesso de leite (>500 mL/dia), introdução alimentar inadequada, verminose. Trata-se com sulfato ferroso + ajustes alimentares.

    2) TALASSEMIA MINOR — alteração genética benigna, comum em descendentes mediterrâneos/asiáticos/africanos. Em geral não causa sintomas e não precisa de tratamento, apenas acompanhamento e aconselhamento genético na adolescência.

    3) Anemia de doenças crônicas (inflamação/infecção crônica).

    4) Mais raramente: intoxicação por chumbo, deficiência de cobre.

    O QUE faz sentido FAZER:
    • Levar o exame ao PEDIATRA ou clínico geral — interpretar TODO o hemograma (hemoglobina, VCM, HCM, RDW, plaquetas), não só a observação isolada.
    • Pedir exames complementares conforme o caso:
    - FERRITINA, ferro sérico, saturação de transferrina (avalia estoques de ferro).
    - PCR (descartar inflamação).
    - Eletroforese de hemoglobina (descarta talassemia, traço falciforme).
    - Parasitológico de fezes 3 amostras (verminose).
    - Anti-transglutaminase IgA + IgA total (descarta doença celíaca — causa importante de anemia refratária na infância).

    CUIDADOS GERAIS:
    • Alimentação rica em ferro: carnes (mesmo pequenas porções), ovo, fígado, feijão, lentilha, espinafre, brócolis.
    • Vitamina C nas refeições (laranja, acerola, kiwi) — melhora absorção.
    • Limitar leite a 500 mL/dia em crianças >12 meses.
    • Higiene alimentar (lavar mãos, vegetais bem) para reduzir verminose.

    INTERPRETAÇÃO da gravidade:
    • Se a hemoglobina total estiver normal, a microcitose isolada costuma ser causa benigna em vias de tratamento.
    • Hb <10 g/dL = anemia moderada (atenção).
    • Hb <8 g/dL = anemia grave (encaminhar com mais agilidade).
    • A presença de outros sinais (palidez, cansaço, recusa alimentar, atraso de desenvolvimento) também pesa na decisão.

    Procure pronto-socorro IMEDIATAMENTE se a criança apresentar:
    • Palidez intensa, falta de ar, palpitação importante.
    • Recusa alimentar marcada, sonolência.
    • Sangramentos (gengiva, nariz, urina, fezes pretas).
    • Febre persistente sem causa.

    Fontes: SBP — Sociedade Brasileira de Pediatria (Anemia ferropriva; Hemoglobinopatias); WHO — Iron deficiency anaemia: assessment, prevention, and control; UpToDate "Microcytic anemia in children"; SBHH.

    Posso te avaliar em teleconsulta — analisar o hemograma completo do seu filho, pedir os exames complementares e te orientar sobre alimentação e suplementação adequada. Atendo crianças e família. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • fiz sexo com uma menina 25 dias depois fiz 1 hemograma e deu tudo normal,com 30 dias fiz o elisa e deu

    fiz sexo com uma menina 25 dias depois fiz 1 hemograma e deu tudo normal,com 30 dias fiz o elisa e deu nao reagente. Estou muito nervoso e com medo, pq apareceram uns carocinhos na língua próximo as papilas e a mesma esta um pouco branca e garganta seca.qual a probabilidade desse teste da erro

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Sexo 25 dias, hemograma 30 dias normal, ELISA 30 dias negativo = conclusivo! Janela ELISA: 23-90 dias. Seus 30 dias dentro janela, resultado negativo = não infectado ou negação sorotipo. Carocinhos língua: Afta? Herpes? Candidase? Não HIV. Ansiedade causa muitos sintomas. Teste ELISA 30 dias com hemograma normal = definitivo. Não há erro (probabilidade <1%). Confie! Se continuar sintomas, investigar outra causa com médico.


  • Minha filha tem 3 ano 1/2 e sempre teve anemia, ela sempre tomou neutro ferro esse tempo todo, já fiz

    Minha filha tem 3 ano 1/2 e sempre teve anemia, ela sempre tomou neutro ferro esse tempo todo, já fiz vario tipo de exame mas nenhum deles diagnostico o motivo dessa dificuldade de absorver o ferro o que eu devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! Entendo a frustração. Anemia refratária em criança que toma ferro há muito tempo precisa de uma investigação MAIS PROFUNDA — e há caminhos específicos para esclarecer.

    Por que o ferro pode "não funcionar":

    1) ABSORÇÃO INADEQUADA:
    • Forma de tomar: junto com leite, café, chá, suco enlatado — reduz absorção. Vitamina C aumenta.
    • Tomar muito próximo das refeições (idealmente 1-2h antes ou após).
    • Excesso de leite (>500 mL/dia em criança >12 meses).

    2) CAUSAS QUE BLOQUEIAM A ABSORÇÃO (precisam ser investigadas):
    • DOENÇA CELÍACA — causa MUITO COMUM de anemia refratária em criança. Solicitar anti-transglutaminase IgA + dosagem de IgA TOTAL (se IgA baixa, fazer anti-transglutaminase IgG ou DGP IgG).
    • Helicobacter pylori (gastrite crônica).
    • Doença inflamatória intestinal (Crohn, retocolite — sangra cronicamente).
    • Atrofia gástrica autoimune.
    • Cirurgia gástrica/intestinal prévia.
    • Verminose (especialmente ancilostomose — "amarelão" — esvazia depósitos).

    3) PERDAS OCULTAS:
    • Sangramento gastrointestinal silencioso.
    • Refluxo grave com esofagite.
    • Menstruação em adolescentes (não cabe aqui na idade dela).

    4) DOENÇAS QUE SIMULAM/CONCORREM:
    • Talassemia minor ASSOCIADA.
    • Anemia das doenças crônicas.
    • Anemia sideroblástica (rara).
    • Atransferrinemia, atransferrinemia herdada (raras).
    • Anemia ferropriva refratária ao ferro (IRIDA) — defeito genético raro.

    EXAMES que costumam ser feitos em anemia ferropriva refratária pediátrica:
    • Hemograma completo + reticulócitos.
    • Ferritina, ferro sérico, saturação de transferrina.
    • PCR/VHS.
    • Eletroforese de hemoglobina (talassemia).
    • Anti-transglutaminase IgA + IgA total (celíaca).
    • Parasitológico de fezes 3 amostras + pesquisa de antígeno para giárdia.
    • Sangue oculto nas fezes (3 amostras).
    • EAS, urocultura.
    • Em casos selecionados: endoscopia digestiva alta com biópsia, colonoscopia, USG abdominal, dosagem de hepcidina, teste genético para IRIDA.

    ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO (a depender da causa):
    • Reformular esquema de ferro ORAL — dose, intervalo, forma de tomar.
    • Em casos selecionados, FERRO ENDOVENOSO em hospital-dia pode resolver rapidamente.
    • Tratar a causa de base (celíaca = dieta sem glúten estrita; H. pylori = erradicação; verminose = antiparasitário; doença inflamatória intestinal = manejo específico).

    CUIDADOS GERAIS:
    • Sulfato ferroso ou outro composto de ferro com SUCO DE LARANJA natural.
    • Espaçar 1-2h de leite/derivados, chá, café.
    • Alimentação rica em ferro (carnes — mesmo pequenas porções, fígado, ovo, feijão, lentilha, vegetais escuros).
    • Limitar leite a 500 mL/dia em >12 meses.
    • Higiene alimentar e pessoal (verminose).

    Procure pronto-socorro se a criança apresentar:
    • Palidez intensa, falta de ar, fraqueza extrema, recusa alimentar.
    • Sangramentos, fezes pretas, vômito com sangue.
    • Inchaço importante (pernas, abdome).
    • Febre persistente, perda de peso involuntária.

    Fontes: SBP — Sociedade Brasileira de Pediatria (Anemia ferropriva refratária); BSPGHAN/NASPGHAN — Diretrizes; UpToDate "Iron deficiency in children: Causes and diagnostic evaluation" e "Causes and diagnosis of iron deficiency and iron deficiency anemia in adults"; SBHH; Ministério da Saúde — PNSF.

    Posso te avaliar em teleconsulta — analisar TODOS os exames feitos, identificar lacunas, pedir os complementares e te encaminhar ao gastropediatra/hematologista se necessário. Atendo crianças e família. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • O exame do meu filho deu microcitose+e trombocitose estou muito preocupada o que significa?

    O exame do meu filho deu microcitose+e trombocitose estou muito preocupada o que significa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa tarde! Sei que palavras "diferentes" no exame assustam, mas vou traduzir o que significa cada uma e o que costuma estar por trás.

    MICROCITOSE = hemácias (glóbulos vermelhos) menores que o normal (VCM baixo no hemograma).
    TROMBOCITOSE = plaquetas aumentadas acima da faixa.

    Em CRIANÇAS, a combinação MICROCITOSE + TROMBOCITOSE é EXTREMAMENTE COMUM e quase sempre tem uma causa SIMPLES e tratável:

    1) DEFICIÊNCIA DE FERRO / anemia ferropriva — é a causa MAIS frequente. A criança que não consome ferro suficiente (excesso de leite, dieta pobre em carne e folhas verde-escuras) faz hemácias menores e o corpo "compensa" aumentando plaquetas. Comum entre 6 meses e 3 anos, e também em adolescentes.

    2) INFECÇÃO ou INFLAMAÇÃO recente (virose, otite, ITU, COVID, gripe) — a trombocitose pode ser REATIVA, sobe transitoriamente em resposta à inflamação. Volta ao normal em poucas semanas após o quadro.

    3) Talassemia minor — alteração genética benigna que faz hemácias pequenas, comum em descendentes mediterrâneos, asiáticos, africanos. NÃO é doença grave, e em geral apenas requer atenção, sem tratamento ativo.

    4) Causas mais raras: doenças inflamatórias crônicas, anemia das doenças crônicas, deficiência de cobre. Em geral excluídas com exames simples.

    O QUE faz mais sentido FAZER:
    • Levar a criança ao pediatra ou clínico geral para avaliação completa.
    • Repetir o hemograma em 4-8 semanas para ver se as alterações se mantêm ou normalizam.
    • Pedir FERRITINA, FERRO sérico, saturação de transferrina (avalia estoques de ferro).
    • PCR ou VHS (avalia inflamação atual).
    • Eletroforese de hemoglobina (rastreia talassemia) — em casos selecionados.
    • Avaliação nutricional: a criança come carne? folhas verde-escuras? consome muito leite? bebe muito refrigerante/chá?

    CUIDADOS GERAIS (enquanto investiga):
    • Oferecer alimentos ricos em FERRO: carnes vermelhas, fígado, frango (carne escura), peixe, ovo, feijão, lentilha, espinafre, brócolis, beterraba.
    • Para melhorar absorção do ferro vegetal: combinar com vitamina C (laranja, acerola, kiwi).
    • EVITAR junto da refeição: leite, café, chá, chocolate (atrapalham absorção do ferro).
    • Limitar consumo de leite a 500 mL/dia em crianças >12 meses (excesso reduz ferro).

    Procure pronto-socorro IMEDIATAMENTE se a criança apresentar:
    • Palidez intensa, falta de ar, palpitação, desmaio.
    • Sangramentos (gengiva, nariz, urina, fezes pretas), hematomas grandes sem motivo.
    • Febre alta persistente, manchas vermelhas/roxas pela pele.
    • Aumento de gânglios, perda de peso, suor noturno (precisa investigação mais profunda).

    Fontes: SBP — Sociedade Brasileira de Pediatria (Anemia ferropriva na infância); WHO — Iron deficiency anaemia: assessment, prevention, and control; UpToDate "Approach to the child with thrombocytosis"; SBHH — Sociedade Brasileira de Hematologia.

    Posso te orientar em teleconsulta — analisar o hemograma completo, pedir os exames complementares, orientar a alimentação e tirar o peso da preocupação. Atendo crianças e a família. Agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia, atendo 24h em todo o Brasil. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Fiz um teste quimioluminescência CMIA ABBOTT hiv1 HIV 2 com 39 dias não reagente ...vou repetir o teste

    Fiz um teste quimioluminescência CMIA ABBOTT hiv1 HIV 2 com 39 dias não reagente ...vou repetir o teste com 60 dias pode vir dar reagente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Teste CLIA ABBOTT é 4ª geração (detecta antígeno p24 + anticorpos). Com 39 dias, você já está além da janela imunológica (18-45 dias). Se negativo com 39 dias, é conclusivo. Não precisa repetir com 60 dias. Pode confiar no resultado! Se tiver preocupações futuras, sempre pode testar novamente, mas neste caso o resultado é confiável.


  • Sei que as ínguas são causadas por infecções, no entanto tive uma única íngua bem grande atrás

    Sei que as ínguas são causadas por infecções, no entanto tive uma única íngua bem grande atrás da cabeça sendo que me sentia perfeitamente bem, sem nenhum outro sintoma. Devo me preocupar com a fase aguda do HIV? Não tenho consciência de ter passado por nenhum comport. de risco.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Ótima pergunta! Vou esclarecer com clareza. Uma inguia isolada atrás da cabeça geralmente não é sinal de HIV, especialmente se você relata estar perfeitamente bem e sem nenhum comportamento de risco. Durante a fase aguda do HIV (que ocorre 2-4 semanas após exposição), os sintomas são geralmente sistêmicos: febre, fadiga, dores musculares, aftas na boca. Uma inguia isolada é muito mais comum em infecções locais como abscesso, infecção bacteriana de pele ou inflamação por irritação. Se você não teve exposição de risco confirmada, a preocupação com HIV agudo é desnecessária. Porém, se a inguia persistir por mais de 2-3 semanas ou piorar, recomendo avaliar com um médico clínico geral para descartar outras causas. Se tiver histórico de exposição de risco real, então sim, faça um teste HIV (aos 30 dias de exposição) por tranquilidade e confirmação diagnóstica.


  • Flogilid é indicado para crianças acima de 8 anos?

    Flogilid é indicado para crianças acima de 8 anos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Boa noite. Flogilid é o nome comercial de nimesulida (anti-inflamatório não-esteroide).

    A bula registrada na ANVISA RESTRINGE o uso de nimesulida a maiores de 12 anos. NÃO é autorizado em crianças abaixo de 12 anos no Brasil, mesmo acima de 8 anos.

    Por quê? A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a ANVISA já fizeram revisões formais por casos de hepatotoxicidade grave (lesão do fígado, com casos de insuficiência hepática fulminante e necessidade de transplante). Em crianças, esse risco é proporcionalmente maior, somado ao risco — descrito para todos os AINEs em quadros virais — de Síndrome de Reye e de complicações de varicela.

    Para febre e dor em crianças, a literatura pediátrica (Sociedade Brasileira de Pediatria, AAP, NICE) recomenda como primeira linha:
    • Paracetamol (15 mg/kg/dose, a cada 6h, máx 60 mg/kg/dia).
    • Dipirona (10–25 mg/kg/dose, a cada 6h) — disponível no Brasil, banida em alguns países por agranulocitose, mas com perfil de segurança aceitável em uso curto na nossa população.
    • Ibuprofeno (5–10 mg/kg/dose, a cada 6–8h) — AINE preferido em pediatria quando há indicação anti-inflamatória, com perfil de segurança bem mais favorável que nimesulida.

    NUNCA use AAS (ácido acetilsalicílico) em criança com febre — risco de Síndrome de Reye.

    Procure atendimento médico se: febre alta persistente (>48h), criança prostrada, sonolenta, vômitos repetidos, recusa alimentar, sinais de desidratação, manchas na pele que não somem ao pressionar (petéquias) ou rigidez de nuca.

    Fontes: ANVISA — Bulário Eletrônico e Notas Técnicas sobre Nimesulida, EMA — Nimesulide PSUR, Sociedade Brasileira de Pediatria — Tratado de Pediatria, UpToDate "Fever in children".

    Posso orientar a melhor conduta para o caso da criança em teleconsulta — agende pelo meu perfil aqui na Doctoralia. — Dr. Jonas Spezia, CRM-RS 52340.


  • Sabe-se, a longo prazo, os medicamentos utilizados no tratamento poderão trazer efeitos para o organismo

    Sabe-se, a longo prazo, os medicamentos utilizados no tratamento poderão trazer efeitos para o organismo dos pacientes: alterações nos rins, fígado etc.
    Como andam as pesquisas médicas e farmacológicas em relação a redução desses danos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Jonas Spezia

    Excelente pergunta sobre efeitos colaterais dos antiretrovirais a longo prazo.

    **Situação Atual:**
    Os ARVs (medicamentos contra HIV) evoluíram muito! As drogas antigas (com mais efeitos colaterais) foram sendo substituídas por versões mais modernas e seguras:

    1. **Drogas Modernas:**
    - Maior segurança renal e hepática
    - Menor impacto metabólico
    - Menos alterações de lípidos
    - Melhor tolerância

    2. **Pesquisas em Andamento:**
    - Novos regimes com menos efeitos
    - Inibidores integrase (muito seguros)
    - Medicamentos de longa ação (injeções mensais)
    - Terapia com base em inteligência artificial

    3. **Monitoramento:**
    - Avaliações regulares de rim, fígado
    - Avaliação de lipídios e glicose
    - Ajustes de tratamento conforme necessário

    **Realidade Positiva:**
    Pessoas com HIV bem tratadas têm expectativa de vida normal ou próxima do normal! Os benefícios superam os riscos de efeitos colaterais.

    **Recomendação:**
    Mantenha contato regular com seu infectologista para monitoramento. Se está em tratamento, quer discutir melhor suas opções? Posso fazer uma teleconsulta. Quer agendar?


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