Perguntas do paciente (151)

  • Quando estou em atendimentos psicológicos, sinto que o mundo pode ser compreensivo; quando saio, enc

    Quando estou em atendimentos psicológicos, sinto que o mundo pode ser compreensivo; quando saio, encontro indiferença. Tenho medo de que a terapia esteja criando uma expectativa que a realidade não sustenta.

    Porque o psicólogo me faz sentir acolhido e numa atmosfera e perspectiva de compreensão, reflexão, diálogo e atenção que não existe no mundo lá fora do consultório e das sessões? No mundo lá fora o que eu vejo são pessoas que não querem saber de mim e dos meus sentimentos. Sendo assim e isto constatado, porque o psicólogo faz parecer que o mundo é um lugar bom e fácil de encaixar e que é preciso ter amigos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    A diferença que você percebe pode ser justamente uma parte importante do trabalho terapêutico. O consultório é um espaço construído para que você possa falar, ser escutado e pensar sobre o que sente, algo que não é uma condição de todas as relações cotidianas. Isso não significa que o psicólogo esteja tentando convencer você de que o mundo é compreensivo ou que as pessoas sempre estarão disponíveis para acolher seus sentimentos. A realidade também envolve indiferença, desencontros e relações pouco cuidadosas.

    Ao mesmo tempo, experimentar uma relação em que você se sente escutado pode ajudar a perceber que nem toda relação precisa funcionar como aquelas em que você encontrou indiferença. Na clínica, não se trata necessariamente de ensinar que você precisa ter muitos amigos ou que o mundo é um lugar fácil de se encaixar. Pode ser mais interessante compreender o que você espera dos outros, o que encontra nas relações e que tipo de vínculo realmente faz sentido para você. O acolhimento da terapia não precisa ser uma promessa sobre o mundo, mas uma experiência a partir da qual você pode pensar sobre ele.


  • O que eu faço quando não consigo viver angustiada com o toc? Tenho toc religioso e eu já fiz de tudo

    O que eu faço quando não consigo viver angustiada com o toc? Tenho toc religioso e eu já fiz de tudo pra conseguir resolver, até tenho um posicionamento sobre e tô tentando não mexer no assunto que me angustia, mas fico com medo de não ser toc ou até ser mas eu ainda estar em risco quanto ao conteúdo, daí tudo até mesmo o mecanismos pra superar o toc eu duvido, pq pode ser que eu esteja fazendo errado e fico perdida na minha cabeça, parece que eu não tenho certeza de nada e ainda me cobro pra viver normal e sentir algum orgulho de mim, mas não consigo pq parece que eu não tô vivendo certo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá! O que você descreve parece muito desgastante, principalmente porque até as tentativas de melhorar acabam sendo colocadas em dúvida. No TOC, a busca por certeza pode se tornar parte do próprio problema: surge uma dúvida, você tenta resolvê-la, sente algum alívio e logo aparece outra dúvida sobre se resolveu corretamente. Isso pode acontecer inclusive com questões religiosas e morais. Talvez o caminho não seja encontrar a resposta perfeita para garantir que você não está em risco ou que está fazendo tudo certo. O tratamento pode ajudar a tolerar gradualmente essa incerteza sem transformar cada pensamento em algo que precisa ser analisado ou resolvido. E sentir dúvida, angústia ou medo não significa que você esteja fazendo algo errado.


  • Olá, eu comecei a fazer terapia recentemente (hoje foi a minha terceira sessão e eu nunca tinha ido

    Olá, eu comecei a fazer terapia recentemente (hoje foi a minha terceira sessão e eu nunca tinha ido a nenhuma outra), mas eu sempre tenho a sensação que estou falando coisas muito confusas nas minhas consultas, que eu nem sempre falo o que eu estou sentindo de verdade ou que eu não exponho o que eu realmente deveria, mesmo que sem querer. Ás vezes parece que eu não sei responder a nenhuma pergunta dirigida a mim ou que eu fico tão nervosa para responder que eu acabo respondendo qualquer coisa sem analisar bem. Eu gostaria saber se é comum sentir isso durante as primeiras sessões e como eu posso melhorar isso ou conseguir externalizar os problemas que eu quero trabalhar na terapia.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    É comum que, no início, seja difícil organizar o que dizer. Pela via da psicanálise, não é necessário chegar à sessão com um relato pronto ou saber exatamente o que deveria ser dito. A associação livre parte justamente da possibilidade de falar sem organizar previamente o discurso. Esquecer, hesitar, mudar de assunto ou não saber responder também pode fazer parte do que aparece no trabalho.

    O próprio nervosismo diante das perguntas pode ser importante: o que você imagina que o psicólogo espera que você responda? Existe medo de dizer algo errado, de ser julgada ou de não conseguir se explicar? A transferência também pode aparecer nesses momentos, fazendo com que sentimentos e expectativas em relação a outras relações sejam atualizados na relação com o analista. Por isso, dizer “não sei o que responder” ou “estou com dificuldade de falar” já pode ser uma maneira de começar a trabalhar aquilo que está acontecendo.


  • Olá É normal um psicólogo durante a consulta interromper o paciente pra falar da vida pessoal?

    Olá
    É normal um psicólogo durante a consulta interromper o paciente pra falar da vida pessoal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá! Tudo bem? Pode acontecer, mas isso não significa que seja necessariamente adequado ou útil em qualquer situação. Um psicólogo pode, em alguns momentos, compartilhar algo pessoal se isso tiver uma função no trabalho clínico e estiver a serviço do paciente. O problema é quando a conversa passa a se concentrar na vida do profissional, desviando o foco do que está sendo trabalhado.

    Também é importante observar como você se sente com essas interrupções. Se elas fazem você se sentir sem espaço para falar, desconfortável ou pouco escutado, isso pode ser conversado diretamente com o psicólogo. Na própria relação terapêutica, sua reação a esse comportamento pode ser importante para compreender o que está acontecendo. Se, ainda assim, você sentir que seus limites não estão sendo respeitados, procurar outro profissional também é uma possibilidade.


  • É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c

    É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?

    Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”

    Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Na psicanálise, não partimos da ideia de que tudo o que sentimos é escolhido ou controlado conscientemente. Pensamentos, lembranças e afetos podem surgir sem que tenhamos decidido produzi-los. Um sorriso ao acordar, portanto, não precisa ser entendido como uma declaração de que você ainda gosta daquela pessoa ou deseja voltar para ela. O inconsciente não funciona como uma escolha racional e imediata, e uma reação espontânea não tem um significado único que possa ser decifrado de forma automática.

    Talvez a questão mais interessante seja justamente o que aconteceu depois: você passou o dia tentando entender aquele sorriso e buscando uma certeza sobre o que ele “significava”. Na perspectiva psicanalítica, pode ser mais produtivo investigar essa necessidade de interpretar e controlar cada manifestação afetiva do que tentar provar que você não sente mais nada. É possível ter sentimentos contraditórios, lembranças agradáveis de alguém que também nos fez mal e afetos que não correspondem às nossas escolhas atuais. Isso não invalida aquilo que você decidiu para a sua vida.


  • Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u

    Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Quando uma pessoa cresce sentindo que suas necessidades emocionais ficam em segundo plano, pode aprender a considerar o desejo do outro mais legítimo ou urgente que o seu. Com o tempo, colocar-se em primeiro lugar pode despertar culpa, como se cuidar de si significasse abandonar ou prejudicar alguém.

    O trabalho não seria simplesmente “tirar uma força negativa” de dentro de você ou aprender a se colocar sempre em primeiro lugar. Seria investigar de onde vem essa culpa, para quem você sente que precisa renunciar aos seus desejos e o que imagina que aconteceria se começasse a escolher também por si. Aos poucos, pode ser possível diferenciar egoísmo de consideração por si mesmo: ter desejos próprios não significa deixar de se importar com os outros.


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Eu trabalharia isso em terapia não apenas tentando diminuir o medo da rejeição, mas entendendo o que você faz com esse medo. Em algum momento, pode ser importante se perguntar: essas características — sua inteligência, dedicação, cuidado com a aparência, objetividade, atenção aos detalhes — são importantes o suficiente para você a ponto de aceitar que, em alguns contextos, alguém possa julgá-las, invejá-las ou até zombar delas? Ou existem aspectos da sua forma de se apresentar que você realmente gostaria de ajustar para ser mais bem recebido socialmente?

    A questão não é escolher entre “ser totalmente você mesmo” ou “se adaptar completamente aos outros”. A vida social sempre envolve algum grau de adaptação. O trabalho terapêutico pode ajudá-lo a diferenciar uma mudança feita por escolha, porque faz sentido para você, de uma mudança feita por medo, para evitar a rejeição. Assim, você deixa de apenas reagir ao julgamento dos outros e passa a escolher conscientemente o que vale a pena preservar, o que vale a pena flexibilizar e quais rejeições você está disposto a suportar para não precisar se diminuir.


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Acho que essa pergunta já começa com uma armadilha: não existe uma resposta objetiva para o que torna alguém interessante ou atraente. O que desperta interesse em uma pessoa pode ser justamente aquilo que passa despercebido, ou até incomoda, em outra.

    Talvez, então, o caminho não seja descobrir uma fórmula para se tornar interessante, mas construir uma relação consigo mesmo em que você tenha curiosidade sobre quem é, desenvolva interesses, sustente suas opiniões, experimente coisas novas e tenha espaço para mudar de ideia. Isso costuma produzir uma pessoa mais viva, e não necessariamente mais “atraente”.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Para falar em Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), não basta ter pensamentos repetitivos, preocupação excessiva ou alguns comportamentos que você sente necessidade de repetir. O diagnóstico considera a presença de obsessões, compulsões ou ambas. Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e indesejados, que costumam provocar ansiedade ou desconforto. Compulsões são comportamentos ou atos mentais repetitivos realizados para aliviar esse desconforto ou evitar que algo ruim aconteça. Além disso, esses sintomas precisam consumir tempo significativo ou causar sofrimento e prejuízos reais na vida da pessoa, e não serem melhor explicados por outra condição ou pelo uso de alguma substância.

    Por isso, mais importante do que tentar descobrir sozinho se “é TOC” é entender o que está acontecendo e qual tratamento será mais adequado. Mesmo quando os sintomas parecem muito característicos, existem diferentes formas de apresentação do TOC e outras condições que podem produzir experiências semelhantes. Uma avaliação psicológica ou psiquiátrica pode ajudar a fazer essa diferenciação e, principalmente, a identificar quais mecanismos estão mantendo o sofrimento.


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Isso pode aparecer em diferentes situações e não é possível dizer, apenas por esse relato, qual seria a explicação. Mas é sofrimento suficiente para merecer atenção e cuidado, mesmo que você ainda não saiba exatamente como nomeá-lo.

    Eu começaria por um psicólogo e, dependendo da avaliação, também consideraria uma avaliação psiquiátrica.


  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Eu entendo a lógica: se os vínculos terminam, pode parecer mais seguro não depender deles. Só que existe uma diferença entre ser autossuficiente e se proteger do risco de perder alguém. Amizades, assim como outros relacionamentos, não precisam durar para sempre para terem sido importantes. Algumas pessoas vão embora por mudanças na vida, trabalho, namoro, distância… e isso não significa necessariamente que o vínculo anterior tenha sido um erro ou que tenha deixado apenas uma lacuna para ser preenchida.

    Talvez a questão para trabalhar em terapia não seja “como encontrar amigos que nunca vão embora?”, porque esse tipo de garantia não existe. Pode ser mais interessante entender o que significa, para você, quando alguém vai embora e por que a perda parece exigir que você deixe de investir novamente.


  • Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi

    Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Acho que existe uma diferença importante entre não ter planos para a própria vida e não querer perder a possibilidade de construí-los. Você pode estar sem objetivos claros hoje e, ainda assim, sentir medo de que a gravidez determine o caminho que sua vida vai seguir. Talvez esse pensamento de que “a vida será do bebê” esteja expressando justamente o receio de que, depois de tanto tempo se sentindo sem viver algumas experiências, você finalmente perca a oportunidade de descobrir quem é, o que gosta e o que gostaria de construir.

    E não acho que você precise resolver tudo agora, nem sentir imediatamente que a gravidez é algo maravilhoso. É possível amar um filho e, ao mesmo tempo, sentir medo, ambivalência, tristeza ou até ressentimento pelas mudanças que ele representa. O que me parece importante é não abandonar a construção da sua própria vida por causa da maternidade. Seus projetos, amizades, trabalho, interesses e descobertas continuam podendo existir, ainda que precisem assumir outras formas. Como você está grávida e relata um sofrimento psicológico importante, eu buscaria acompanhamento psicológico também para poder falar sobre esses sentimentos sem precisar julgá-los.


  • Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2

    Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.

    Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Eu não esperaria uma idade “ideal” para começar a falar. Mesmo que essa criança nunca tenha conhecido o pai, ele faz parte da história dela: foram dois anos de vida em que ele existiu de alguma forma em sua história familiar. Se esse assunto simplesmente deixar de existir, pode haver uma lacuna na narrativa sobre a própria origem da criança. Ela pode não compreender isso agora, mas, conforme crescer, poderá perceber que existe uma parte de sua história sobre a qual os adultos não falam. Por isso, eu não esconderia a informação, mas a apresentaria de maneira gradual e compatível com cada idade.

    A compreensão da morte também muda com o desenvolvimento. Aos 3 anos, a criança ainda tende a ter uma compreensão bastante concreta e pode não entender a irreversibilidade da morte. Pode perguntar quando a pessoa volta ou imaginar que ela está apenas dormindo. Entre aproximadamente 5 e 7 anos, começa a compreender melhor que a morte é permanente e que todos os seres vivos podem morrer; a noção de que isso é definitivo vai ficando mais elaborada ao longo da infância. A ideia mais abstrata de eternidade, tempo e universalidade da morte costuma se consolidar progressivamente, não de uma vez. Por isso, não é necessário dar uma grande explicação agora: é possível dizer a verdade em pequenas doses, responder ao que ela perguntar e permitir que essa história seja construída com ela ao longo do desenvolvimento. O padrasto também pode continuar ocupando seu lugar afetivo, sem que isso exija apagar o pai biológico da história.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Eu acho importante não transformar essa dúvida em uma obrigação de recuperar exatamente o sentimento que existia três anos atrás. Sentimentos não funcionam muito bem quando são colocados sob fiscalização: quanto mais você procura desesperadamente uma certeza sobre o que sente, mais a ansiedade pode ocupar o espaço da própria experiência. Pode ser interessante olhar para o relacionamento com curiosidade, perceber o que se perdeu, o que permanece e o que pode ser construído novamente. Às vezes, a conexão não precisa ser “recuperada”; ela precisa ganhar uma nova forma.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    O que você está descrevendo mostra justamente uma diferença importante: melhorar da ansiedade social não significa necessariamente deixar de ser tímida, quieta ou séria. Você mesma percebe que, depois de seis meses, consegue interagir melhor e sente menos ansiedade. Isso é evolução. Os comentários das pessoas podem incomodar, mas uma coisa é aprender a lidar com eles; outra, bem diferente, é transformar esses comentários em uma exigência para a sua “cura”. Você não precisa se tornar uma pessoa falante e extrovertida para provar que está melhor.

    Talvez o trabalho seja conseguir ouvir “você é muito quieta” sem imediatamente traduzir isso como “tem algo errado comigo”.


  • Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom

    Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
    A terapia pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Sim, pesquisar sintomas pode atrapalhar, principalmente quando a pesquisa vira uma tentativa de ter certeza de que você não tem determinada doença. É comum acontecer um ciclo: você sente algo ou passa por uma situação difícil, pesquisa para tentar entender, encontra uma lista de sintomas, começa a observar se também apresenta aqueles sinais, fica mais ansioso, percebe mais sintomas e sente necessidade de pesquisar novamente. Isso não significa que a pesquisa “criou” uma fobia social, mas ela pode ter aumentado muito a sua atenção e o medo em relação às situações sociais.

    A terapia pode ajudar justamente a interromper esse ciclo e a entender o que está acontecendo com você, sem precisar transformar cada sensação em um diagnóstico. A medicação também pode precisar de algum tempo para apresentar efeito, então não é recomendável concluir que ela não está funcionando antes de conversar com o profissional que a prescreveu. E, se você já começou a evitar sair de casa, é importante trabalhar isso gradualmente, porque quanto mais evitamos uma situação por medo, mais ameaçadora ela pode parecer.


  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    O que você descreve é um sofrimento bastante importante, e alguns desses sintomas podem aparecer em quadros depressivos: choro frequente, falta de energia e interesse, sensação de vazio, dificuldade de concentração, alterações na memória e uma vontade muito grande de se isolar. A ansiedade também pode contribuir bastante para dificuldades de concentração e para essa sensação de que a mente “não está funcionando como antes”. Mas existem outras possibilidades, inclusive questões físicas e emocionais, então não seria responsável afirmar um diagnóstico apenas a partir desse relato.

    Como isso já dura cerca de dois meses e está afetando sua escola, seus relacionamentos e até atividades que antes eram simples para você, eu procuraria uma avaliação profissional. Um psicólogo pode ajudar a entender o que está acontecendo emocionalmente, e uma avaliação médica também pode ser importante para investigar outras causas. E tem algo que merece atenção especial: quando você diz que gostaria de ficar deitada na cama “para sempre”, é importante perceber se isso é apenas uma vontade de fugir de tudo ou se aparecem pensamentos de morrer ou de se machucar. Se isso estiver acontecendo, procure ajuda imediatamente e converse com alguém de confiança.


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Na psicanálise, a transferência acontece quando sentimentos, expectativas e formas de se relacionar que foram construídos em outras relações acabam sendo atualizados na relação com quem analisa. Por isso, é possível sentir admiração, paixão, desejo sexual, raiva, necessidade de aprovação ou uma sensação muito intensa de intimidade. E isso pode, sim, se confundir com um interesse amoroso “real”. A própria relação analítica favorece isso: existe uma assimetria, uma pessoa procura ajuda e a outra ocupa uma posição de escuta e de saber, o que pode fazer com que fantasias e expectativas ganhem uma força muito particular naquele vínculo. Isso não significa que o sentimento seja “falso”; significa que ele pode ter sentidos que vão além da pessoa concreta da psicóloga.

    Uma coisa importante é diferenciar trabalhar uma fantasia de colocá-la em prática na relação real. Você não precisa descobrir sozinha se é transferência ou se está realmente apaixonada: pode falar sobre isso diretamente com sua psicóloga. Na verdade, esses sentimentos podem ser bastante importantes para o trabalho analítico. A partir daí, vocês podem investigar o que esse desejo representa, sem precisar transformá-lo em uma relação amorosa ou sexual. E existe um limite ético muito claro: se a psicóloga corresponder amorosa ou sexualmente a esse interesse e passar a agir a partir dele, estará ultrapassando os limites éticos da relação profissional.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Não acho que exista nada de fútil no seu desejo de construir uma relação profunda. Querer compartilhar a vida com alguém é uma necessidade humana legítima, e não significa que você esteja incompleto ou que precise aprender a “se amar” antes de poder amar outra pessoa. Aos 25 anos, você também não está atrasado. Não existe uma idade em que deveríamos já ter descoberto como encontrar a pessoa certa, construir uma carreira, ter estabilidade e finalmente saber como ser feliz. A vida não costuma respeitar essa ordem tão organizada.


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá! No livro O Demônio do Meio-Dia, Andrew Solomon descreve a depressão como algo que pode deixar uma espécie de vulnerabilidade, fazendo com que determinadas experiências de perda, fracasso, rejeição ou sofrimento tenham um peso maior. Isso ajuda a entender por que, depois de um episódio depressivo, acontecimentos difíceis podem reativar sentimentos que pareciam ter ficado para trás. Mas isso não significa que a depressão esteja literalmente “à espreita” o tempo todo.

    Também é importante diferenciar tristeza de uma recaída depressiva. Um acontecimento ruim pode provocar sofrimento intenso sem necessariamente desencadear uma nova depressão. Solomon também destaca que a depressão não é explicada apenas pelas circunstâncias: há uma interação complexa entre história pessoal, biologia, relações e contexto de vida. Por isso, perceber mudanças persistentes no humor, no sono, no prazer e no funcionamento pode ser mais importante do que tentar prever quando a depressão voltará.


Perguntas frequentes

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