Perguntas do paciente (151)

  • Olá, recentemente passei por uma crise de ansiedade e perdi um tempo ao meu ex namorado para refleti

    Olá, recentemente passei por uma crise de ansiedade e perdi um tempo ao meu ex namorado para refletir oq estava acontecendo comigo pq nunca me havia acontecido isso e eu sentia ansiedade so de pensar nele. Depois que minha mente clareou percebi que não queria perder-lo, mas quando fui conversar novamente ele falou que ja queria terminar o relacionamento e que nao era culpa minha, mas sim ele que não estava conseguindo se doar para mim. Estou me sentindo péssima, sinto que estraguei tudo. E também muito confusa sobre essa situação, sinto vontade de ficar perguntando até saber oq significa não conseguir se doar, apesar de suspeitar que seja "não gosto o suficiente de você" me sinto meio traída.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá, tudo bem? Primeiramente, sinto muito pelo que você está vivendo. Quando a ansiedade aparece de forma intensa, ela pode confundir sentimentos e gerar atitudes que, depois, são interpretadas com muita culpa. É importante dizer com clareza: você não “estragou tudo”. Você reagiu a um limite emocional real naquele momento, tentando se proteger e entender o que estava acontecendo com você.

    A fala dele sobre “não conseguir se doar” costuma dizer mais sobre o momento emocional dele do que sobre o seu valor ou o quanto você é digna de amor. A mente ansiosa tenta preencher o vazio com explicações duras, como “não fui suficiente”, mas isso é uma interpretação, não um fato.

    A vontade de perguntar repetidamente é uma tentativa de aliviar a dor e recuperar controle, mas raramente traz o fechamento que esperamos. O trabalho agora é acolher o luto, sustentar a frustração e diferenciar responsabilidade de culpa. Em psicoterapia, isso pode ser elaborado com cuidado, para que você compreenda seus gatilhos de ansiedade sem se punir — e possa, aos poucos, reconstruir segurança emocional.


  • Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapi

    Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapia por um ano, Há dois anos atrás. Aparentemente, parecia uma depressão. A psicóloga me passou que ele tinha um pouco de fobia social. Como ele apresentou uma certa melhora, a psicóloga disse que não havia mais necessidade de terapia. Porém, eu percebo qie ele é diferente, já cheguei a pensar que ele talvez seja autista. Mas, hoje ele (chorando) me disse que não queria nos decepcionar e me contou que ele não se sente um menino e sim menina(desde pequeno). Ele tem 17 anos.Ele não demonstra nenhum estereótipo feminino. Já chegou a se apaixonar por uma menina. Ele diz que apesar de se sentir assim,.sexualmente, ele não tem interesse em se relacionar com menino, e sim, com menina
    Comentou também sobre a mudança de identidade, de transição de gênero e que pode acontecer dd mesmo ele se tornando uma menina ele se relacionar com outra menina. Hoje em dia os jovens tem muito mais informação. Pra mim é um pouco confuso , sei qie mesmo que ele tenha informações, tenho certeza que não é fácil lidar com isso. Pois, sabemos os desafios e situações que iremos enfrentar. Jamais agendei com uma psicóloga, mas gostaríamos de mais esclarecimentos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá, tudo bem? O que seu filhe trouxe é muito importante e exige, antes de tudo, acolhimento. Identidade de gênero e orientação sexual são dimensões diferentes: identidade diz respeito a como a pessoa se percebe internamente (menino, menina, ambos, nenhum), enquanto a orientação fala sobre por quem se sente atração afetiva e sexualmente. Uma coisa não determina a outra, e isso costuma gerar confusão mesmo.

    O fato de não apresentar estereótipos ou de se apaixonar por meninas não invalida o que sente sobre si. Muitos jovens demoram anos para conseguir nomear essas vivências, e o sofrimento costuma estar mais ligado ao medo de decepcionar e de não ser aceito do que à identidade em si.

    Retomar a psicoterapia pode ser muito importante para que filhe tenha um espaço seguro para se escutar e se compreender. Um acompanhamento também pode ajudar a família a compreender melhor essas questões, elaborar angústias e caminhar junto, com mais informação e cuidado, e também com menos medo.


  • Ola me chamo Leandra e estou em um relacionamento de quase 3 anos e meu namorado sempre desconfiou d

    Ola me chamo Leandra e estou em um relacionamento de quase 3 anos e meu namorado sempre desconfiou de mim pelo fato de eu não lembrar de algumas coisas, mas eu sempre provei tudo pra ele, ate mesmo de chegar no ponto de eu ter que gravar meu dia a dia, sempre para fazer com que ele acredite que eu não faço nada de errado pois nunca fiz mesmo, já da parte dele já teve vários acontecimentos, inclusive traição, sempre pedi para ele me mostrar que tinha mudado mas ele se recusa a fazer isso, sempre falando que eu que tenho que fazer isso, eu que esqueço as coisas, que somos diferentes e ele não precisa provar nada e etc., ele desconfia de mim e eu sempre tento conforta-lo mas na minha vez ele só me da mais desconfiança, como por exemplo, ter acesso ao meu telefone e e eu não ter acesso ao dele, e ele ate diz que se eu mexer ele vai ficar bravo. Não sei oq fazer, sempre tenho que mostrar confiança mas nunca recebo o mesmo. O que eu faço e o que isso significa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Leandra, o que você descreve não é uma relação baseada em confiança mútua, mas em um desequilíbrio de poder. Quando você precisa provar o tempo todo que é confiável — ao ponto de gravar sua rotina — enquanto a outra pessoa, mesmo após traição, se recusa a oferecer transparência, algo está profundamente desajustado. Isso não significa que haja “algo errado” com você ou com sua memória; significa que a desconfiança está sendo colocada apenas de um lado.

    Em vínculos saudáveis, confiança não é exigência unilateral, nem vigilância. O que aparece aí é uma inversão: quem traiu não se responsabiliza, e quem tenta sustentar a relação acaba se justificando o tempo todo. Isso costuma gerar desgaste emocional, insegurança e confusão sobre o próprio valor.

    É importante se perguntar, com honestidade: esse formato é suportável para você a longo prazo?


  • Quantos sintomas são necessários para um diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?

    Quantos sintomas são necessários para um diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Segundo o DSM-5-TR, versão mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o diagnóstico de TDAH não se baseia apenas na sensação subjetiva de desatenção ou inquietação, mas em critérios clínicos bem definidos. O manual descreve dois conjuntos de sintomas: desatenção e hiperatividade/impulsividade. Para crianças e adolescentes até 16 anos, é necessário que pelo menos seis sintomas de um desses grupos estejam presentes; a partir dos 17 anos, o número mínimo passa a ser cinco sintomas. Esses sinais precisam persistir por no mínimo seis meses, ter se manifestado antes dos 12 anos de idade e ocorrer em dois ou mais contextos da vida, como escola, trabalho ou casa. Além disso, devem causar prejuízo significativo no funcionamento social, acadêmico ou profissional e não podem ser melhor explicados por outro transtorno mental. Por isso, o diagnóstico de TDAH não se resume a “contar sintomas”, mas exige uma avaliação clínica cuidadosa, que considere a história de vida, o contexto e o impacto real desses sintomas, realizada por um profissional habilitado.


  • Bom dia! Esse ano vou fazer 4 anos trabalhando em departamento pessoal, mas já tem algum tempo que q

    Bom dia! Esse ano vou fazer 4 anos trabalhando em departamento pessoal, mas já tem algum tempo que quero sair dessa área, todo dia sinto uma agonia muito forte, principalmente no domingo, não consigo dormir direito, porque a minha mente não consegue parar de pensar em tudo que tenho que fazer nos prazos, quando penso que tenho que continuar trabalhando com bate um desespero e ter que sair de casa pra ir pro escritório é um sofrimento. Não aguento mais ter que lidar com isso, só sinto vontade de chorar, tudo me irrita, quando acordo já me sinto mal, não tenho vontade de sair pra me divertir, às vezes sinto faltar de ar e meu coração acelera muito. O que posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Bom dia. Pelo que você descreve, seu corpo e sua mente estão dando sinais claros de esgotamento. Essa agonia constante, a antecipação angustiante dos prazos, o sofrimento ao pensar em ir ao trabalho, a irritabilidade, o choro fácil, a perda de prazer e os sintomas físicos como falta de ar e taquicardia são manifestações comuns de ansiedade intensa e, muitas vezes, de burnout.

    Antes de qualquer decisão radical, é importante acolher o que você sente e buscar ajuda profissional. Um acompanhamento psicológico pode ajudar a entender o que exatamente nesse trabalho se tornou insuportável, diferenciar medo, exaustão e desejo real de mudança, além de construir estratégias para reduzir a sobrecarga emocional no presente. Se os sintomas físicos forem frequentes, uma avaliação psiquiátrica também pode ser indicada.

    A terapia pode ajudar tanto a aliviar os sintomas quanto a pensar, com mais clareza e sustentação, em mudanças possíveis — internas ou externas — sem decisões impulsivas, mas também sem continuar se exigindo além do que hoje é suportável para você.


  • Estou em um relacionamento com uma mulher bissexual. Recentemente, em uma conversa sincera, ela diss

    Estou em um relacionamento com uma mulher bissexual. Recentemente, em uma conversa sincera, ela disse que sente falta de sexo com homens, mas afirmou que não deseja se relacionar com eles e que escolheu estar comigo. Mesmo assim, essa informação me deixou insegura e confusa. Gostaria de entender se esse incômodo é algo natural e como posso lidar com esse sentimento sem invalidar nem a mim nem a relação...eu realmente não sei o que fazer...ela me pergunta o que ela pode fazer...e eu realmente não sei. Era meu medo disso. Tenho medo disso atrapalhar a relação. De eu acabar não lidando com isso e terminar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    O que você sente é compreensível. Somos ensinades, socialmente, a acreditar que uma relação amorosa precisa nos tornar “completes” e que devemos ser tudo o que a outra pessoa deseja. Quando algo escapa disso — como o desejo que não nos inclui diretamente — surge insegurança, medo e confusão. Isso não significa que há algo errado com você ou com a relação.

    O desejo não funciona de forma linear ou totalmente controlável. E estar em um relacionamento é, inevitavelmente, conviver com o mistério do desejo da outra pessoa: nem sempre você vai saber exatamente o que ela deseja, pois muito provavelmente nem ela saberia falar tudo sobre o desejo dela. O fato de sua parceira escolher estar com você não apaga as histórias, fantasias ou faltas dela — e isso vale para qualquer relação. Existe uma frustração em nos relacionar justamente porque nós nunca vamos conseguir captar a completude do desejo da outra pessoa: e isso é terrível e maravilhoso, pois é justamente essa diferença que possibilita que tenhamos trocas e aprendizados nas nossas relações.

    Quando ela pergunta o que pode fazer, talvez a resposta não seja uma ação concreta, mas um processo: construir, juntas, um espaço de escuta, sem exigência de certezas imediatas. A terapia pode ajudar muito você a elaborar essa sensação de incompletude, a diferenciar medo de realidade e a sustentar a relação sem sentir pressionada a "corresponder" totalmente aos desejos da sua parceria romântica.


  • Olá, tenho 20 anos, e quase todo dia tenho pensamentos obsessivos sobre algo que aconteceu de ruim n

    Olá, tenho 20 anos, e quase todo dia tenho pensamentos obsessivos sobre algo que aconteceu de ruim no passado, por exemplo, coisas erradas que fiz. Toda vez que isso acontece, eu tento suprimir falando comigo mesmo, fazendo algum gesto com as mãos, caretas... Um exemplo é: vem o pensamento 'X', isso me causa um grande desconforto (TODOS os pensamentos que vem me causam muito desconforto), e pra suprimir o X, eu falo "Cala a boca", ou aperto as mãos. São pensamentos aleatórios, literalmente cada vez pode ser um diferente, tem dias que isso dura o dia inteiro, um atrás do outro, tem dia que é pouco. Pesquisei bastante, e quase todos os sintomas se parecem com os de TOC, e que só piora se a pessoa continuar fazendo os rituais (percebi que piorou bastante da metade de 2025 pra cá). Oq devo fazer? Qual profissional devo procurar? Eu ignorava, mas agora tá ficando cansativo e insuportável.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá, boa tarde, tudo bem? Pelo que você descreve, o que mais chama atenção não é o conteúdo dos pensamentos, mas a relação que você passou a ter com eles. Pensamentos intrusivos acontecem com muitas pessoas, mas quando vêm acompanhados de intenso desconforto e da necessidade de neutralizar, calar, corrigir ou “desfazer” com gestos e frases, entramos num funcionamento muito próximo do TOC. E faz sentido você perceber que quanto mais tenta suprimir, mais eles retornam — e isto não é falta de força, é o próprio ciclo obsessivo. O caminho mais indicado é procurar um psicólogo, de preferência com experiência em TOC. Não é algo que você precise enfrentar sozinho, e buscar ajuda agora é um sinal de cuidado com você mesmo!


  • Tenho problema em demostrar meus sentimentos a minha esposa e isso está acabando com meu casamento.

    Tenho problema em demostrar meus sentimentos a minha esposa e isso está acabando com meu casamento.
    Estou a 6 anos com minha esposa, e casado a 1 ano, durante esse período, fiz coisas que ao olhar dela e de muitas mulheres é errado, tipo entrar em perfil feminino (mesmo que sem intenção de algo, apenas para verificar, muitas vezes de pessoas que já conheci ou trabalhei a anos atrás só para ver como estão hoje), dancei com minha prima e por ai vai...
    Durante esse período fiquei muito receoso em demostrar carinho ou apego com medo de se tornar um ser frágil, muitas vezes sou seco ou frio em alguns momentos. O problema é que muitas vezes eu vejo da parte dela em alguns momentos frieza também, mas não falo pois os meus erros justificam qualquer coisa que ela me disser, infelizmente fiquei preso em uma situação e não quero terminar da pior forma...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Os comportamentos que você cita — como olhar perfis ou situações que despertam conflito — podem também indicar ciúmes e inseguranças que não estão sendo elaborados e que, quando ficam silenciosos, acabam prejudicando a relação. Não porque sejam “imperdoáveis”, mas porque deixam de ser conversados pelo casal e passam a operar como culpa e vigilância. A partir disso, você parece se colocar numa posição de dívida permanente, onde sente que não pode falar do que dói, inclusive da frieza que percebe nela. Mas se autorizar a nomear isso é fundamental: relações não se sustentam quando apenas um se cala. Aprender a falar sobre os próprios sentimentos — medo, ciúmes, insegurança, carência — sem transformar a conversa em uma disputa moral sobre quem está certo ou errado é um passo essencial para reconstruir o vínculo. Um acompanhamento psicológico pode ajudar você a acessar o afeto sem medo, estabelecer limites e reconstruir o diálogo antes que o vínculo se quebre de vez.


  • Estou como responsável da pastoral da Liturgia, mas não consigo ficar normal, estou sempre nervosa e

    Estou como responsável da pastoral da Liturgia, mas não consigo ficar normal, estou sempre nervosa e com as mãos geladas,será que tenho que fazer algum desbloqueio emocional, pois minha vida desde a infância não foi normal igual de outras pessoas, tenho muitos traumas e já tive ansiedade e depressão.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Mãos geladas, nervosismo constante e tensão corporal costumam aparecer quando o corpo entra em modo de alerta, especialmente em situações de responsabilidade, exposição ou cobrança interna. Considerando sua história de vida marcada por traumas, ansiedade e depressão, é compreensível que assumir um papel importante desperte essas reações, mesmo quando há fé e desejo de servir. Isso não significa fraqueza espiritual nem falha pessoal; é o corpo lembrando de experiências antigas ainda não elaboradas. O cuidado mais indicado aqui é psicológico: um espaço de psicoterapia onde sua história possa ser escutada com respeito, ajudando você a diferenciar o presente do passado e a sustentar suas funções sem adoecer.


  • Como a hipersensibilidade emocional afeta o dia a dia de quem tem Transtorno de Personalidade Border

    Como a hipersensibilidade emocional afeta o dia a dia de quem tem Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá, tudo bem? O que sabemos sobre a hipersensibilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline é que ela faz com que emoções sejam sentidas de forma muito intensa e rápida, como se não houvesse um “filtro” entre o que acontece fora e o que se vive por dentro. Por isso, pequenas frustrações, silêncios ou mudanças de tom podem ser experimentadas como rejeições profundas, gerando angústia, raiva ou desespero. Ela vai impactar relações, trabalho e a própria imagem de si, que pode oscilar bastante. E aqui é importante que eu te lembre: não se trata de exagero ou falta de controle, mas de um funcionamento psíquico que sofre. Por isso, a psicoterapia é fundamental para ajudar a reconhecer emoções, nomeá-las e construir formas mais seguras de lidar com elas no cotidiano.


  • Qual é a terapia mais indicada para o meu caso? Tenho dificuldade em me expressar de forma objetiva

    Qual é a terapia mais indicada para o meu caso?
    Tenho dificuldade em me expressar de forma objetiva, então posso ser meio prolixo, mas vamos lá: eu não consigo ser espontâneo. Até consigo, mas toda vez que percebo, a minha ansiedade vem e bloqueia automaticamente o meu fluxo de ideias e a minha criatividade, o que me prejudica muito em interações sociais e, sobretudo, nos estudos. Raras são as vezes em que consigo dar uma risada espontânea. E quando percebo que perdi a espontaneidade, a ansiedade aumenta, porque sei que estou sendo improdutivo e fico “encucando” com isso, e fico assim o dia todo. Acho que já tentei de tudo: remédios (tomo sertralina há mais de um ano, mas nada; comecei a tomar Ritalina, porque não entendia/não sabia explicar direito o meu problema, e dei a entender ao meu médico que se tratava de falta de foco e fui diagnosticado com TDAH, mas acabou piorando a minha ansiedade, porque me sentia mais “preso” naquele estado quando tomava; tomei Rivotril nos dias antes do ENEM, e foi o único que me proporcionou um certo alívio), meditação (que me ajudava ali na hora, mas depois o problema voltava), pesquisei bastante sobre o assunto e tentei fazer uma técnicas, tipo de respiração, etc, por minha conta, mas, assim como a meditação, só aliviava ali na hora; por fim, fui a uma psicoterapeuta tradicional (não há muitas opções na minha cidade), mas somente falar sobre o meu problema não ajudava; ela só perguntava sobre a minha semana e, quando eu mencionava a minha ansiedade (que é o meu maior problema), ela só indicava respirar na hora, fazer exercício físico, comer bem, sendo que eu já faço isso. Enfim, não me lembro de como isso começou, mas lembro de quando começou (tinha uns 12 anos, agora tenho 19), e é muito frustrante, porque sei como é o meu rendimento social e acadêmico quando estou espontâneo e não estou me “hipervigilando” (sim, pesquisei sobre e vi esse termo). Só quero voltar a ser como era antes. Isso é tão exaustivo. Passo o dia inteiro assim, encucando e frustrado por não conseguir ser espontâneo, e sinto que só tenho descanso quando estou dormindo, e é por isso que durmo até tarde como escapismo. E isso acaba piorando a minha ansiedade, porque sei que isso contribui para a minha improdutividade. Sei que devo recorrer à terapia, mas não há opções além da terapia tradicional na minha cidade.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá, tudo bem? O que você descreve aponta para um funcionamento marcado por ansiedade antecipatória e hipervigilância, em que a mente passa a se observar o tempo todo, bloqueando justamente aquilo que deveria fluir. Quando a espontaneidade vira uma exigência, ela se perde. Nesse sentido, abordagens mais focadas apenas em técnicas podem aliviar pontualmente, mas não alcançam o núcleo do problema.

    Pelo seu relato, uma psicoterapia de orientação psicanalítica pode ser especialmente indicada. Ela não trabalha para “corrigir” sintomas de imediato, mas para compreender como esse modo de funcionamento se organizou ao longo da sua história, desde a adolescência, e por que a ansiedade passou a ocupar esse lugar central. É nesse espaço de escuta que a pressão por desempenho pode ser elaborada, permitindo que o pensamento e a criatividade voltem a circular. Caso não haja profissionais presenciais, a psicoterapia online pode ser uma alternativa válida e eficaz.


  • É comum a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) interpretar erroneamente os sinais

    É comum a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) interpretar erroneamente os sinais sociais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Sim, isso é bastante comum. Na minha escuta clínica, vejo que pessoas com TPB percebem muitos sinais, mas os interpretam a partir de um medo profundo de rejeição ou abandono. Não é falta de sensibilidade, é excesso de dor ativada. Com acompanhamento, essas leituras podem se tornar mais seguras e menos sofridas.


  • Quais são os desafios de lidar com uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    Quais são os desafios de lidar com uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Na prática clínica, lidar com alguém com TPB pode ser desafiador porque o transtorno envolve padrões emocionais e relacionais muito intensos. Os critérios diagnósticos incluem medo profundo de abandono, relações instáveis, oscilações bruscas de humor, impulsividade, sensação crônica de vazio, dificuldade na regulação das emoções e, em alguns casos, comportamentos autolesivos. No dia a dia, isso pode se traduzir em aproximações intensas seguidas de afastamentos abruptos, reações emocionais desproporcionais a pequenas frustrações e grande sensibilidade a sinais de rejeição. Para quem convive, pode ser cansativo e confuso, especialmente quando não se compreende que esses comportamentos não são manipulação, mas expressão de sofrimento psíquico. Com informação, limites claros e acompanhamento terapêutico adequado, é possível construir relações mais estáveis e menos dolorosas para todos os envolvidos.


  • Tenho ansiedade intensa e faço uso de fluoxetina 40mg. Ultimamente, venho enfrentando uma autoestima

    Tenho ansiedade intensa e faço uso de fluoxetina 40mg. Ultimamente, venho enfrentando uma autoestima muito baixa e constante, que me causa sofrimento e interfere no meu dia a dia. Me cobro e me comparo o tempo todo, o que aumenta minha ansiedade e tristeza.

    Tenho pensamentos muito negativos e recorrentes, principalmente em relação a mim mesma, com uma sensação frequente de inutilidade. Quase tudo me deixa mal, cansada emocionalmente, triste e desconfortável. Em alguns momentos, esses pensamentos se tornam impulsivos e difíceis de controlar, o que intensifica meu desânimo.

    Apesar disso, ainda consigo realizar algumas atividades, mas existem dias em que me sinto completamente paralisada emocionalmente. Nesses períodos mais intensos de ansiedade e tristeza, acontece algo que me preocupa, ou mesmo não acontecendo nada perco a vontade de tomar o antidepressivo, como se eu não tivesse energia ou desejo de melhorar naquele momento.

    Gostaria de saber se esses sinais podem estar relacionados a um quadro depressivo associado à ansiedade, poderiam me dizer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    O que você descreve é um sofrimento psíquico importante e merece ser levado a sério. A combinação de ansiedade intensa, autocrítica constante, sensação de inutilidade, cansaço emocional e momentos de paralisação pode, sim, estar relacionada a um quadro depressivo associado à ansiedade. Esses estados costumam se retroalimentar: a ansiedade intensifica a cobrança interna, e a tristeza aprofunda o desânimo e a perda de sentido. A dificuldade em manter o uso da medicação nos momentos mais críticos também é algo que aparece quando a energia psíquica está muito comprometida, não como falta de vontade, mas como expressão do esgotamento. Ainda assim, é importante dizer com cuidado: apenas um acompanhamento com um profissional de saúde mental — psicólogo e/ou psiquiatra — pode avaliar com precisão se há um quadro depressivo e qual a melhor forma de cuidado.


  • Saí do meu primeiro relacionamento tem quase 1 mês, durou 8 meses. Eu tenho 29 anos, estou com um ce

    Saí do meu primeiro relacionamento tem quase 1 mês, durou 8 meses. Eu tenho 29 anos, estou com um certo medo de não encontrar um novo amor ou a pessoa certa nunca aparecer. Esse medo é normal depois de um término? Ao mesmo tempo vejo que finalmente superei a minha ex. Sou muito caseiro e introvertido, como posso mudar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Olá, tudo bem? Esse medo que você descreve é bastante comum após o fim de um primeiro relacionamento, especialmente quando ele teve significado afetivo. Mesmo quando o vínculo já foi elaborado, o término pode reativar fantasias de solidão, de “tempo perdido” ou de que o amor não voltará a acontecer. Isso não significa que haja algo errado com você, mas que o psiquismo ainda está se reorganizando após a perda.

    Ser caseiro e introvertido não é um problema em si, mas pode ganhar peso quando se transforma na ideia de que “não há possibilidades”. Mais do que mudar quem você é, talvez o convite seja ampliar, aos poucos, seus espaços de circulação e de encontro, respeitando seu ritmo. A psicoterapia pode ajudar a compreender de onde vem esse medo, diferenciar desejo de cobrança interna e construir vínculos que não nasçam da urgência, mas da disponibilidade emocional.


  • Por que sinto que estou me enganando frequentemente? Durante a maior parte da minha vida tenho prob

    Por que sinto que estou me enganando frequentemente?
    Durante a maior parte da minha vida tenho problemas em acreditar nos meus sentidos, quando me vejo no espelho ou em fotos sinto que minha mente está me enganando e aquela não sou eu de verdade, como se estivesse tentando amenizar minha imagem real que seria perturbadora. Houve um tempo em que cheguei a não me reconhecer no espelho, parecia uma pessoa totalmente desconhecida.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    O que você descreve é muito angustiante e, na clínica, costuma aparecer associado a experiências de despersonalização e desrealização, especialmente quando há ansiedade intensa ou sofrimento psíquico prolongado. Nessas situações, a mente cria uma espécie de afastamento da própria imagem e das percepções como forma de proteção frente ao excesso. Não é que seus sentidos estejam “enganando” você, mas que algo do contato consigo ficou fragilizado. Essa sensação de estranhamento do próprio rosto ou de não se reconhecer no espelho indica um abalo na experiência de identidade, que merece cuidado. A psicoterapia pode ajudar a compreender quando e por que esse afastamento começou, permitindo uma reconexão mais segura com o próprio corpo, a própria imagem e a própria história.


  • Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são boas ou ruins em ler as emoções dos out

    Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são boas ou ruins em ler as emoções dos outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Existe uma ideia errônea de que as pessoas com TPB são "ruins" em entender emoções e ter empatia com outrem, mas na verdade, as pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline costumam ser muito sensíveis às emoções alheias, percebendo rapidamente mudanças de humor, gestos ou tons de voz. O desafio não está em “ler pouco”, mas em ler demais e, muitas vezes, interpretar esses sinais a partir do medo de rejeição ou abandono. Assim, percepções sutis podem ganhar significados dolorosos ou ameaçadores. Isso não é falta de empatia, mas um funcionamento emocional intenso, atravessado por experiências passadas.


  • Eu terminei com minha ex 1 ano atrás, voltamos a nos falar alguns meses depois, mas eu não queria um

    Eu terminei com minha ex 1 ano atrás, voltamos a nos falar alguns meses depois, mas eu não queria um namoro então ela foi embora, o que é justo. Recentemente ela voltou, disse que queria voltar, mas foi sincera logo de início e me disse que ficou com algumas pessoas. Gosto dela, quero voltar com ela, mas não sei se consigo lidar com isso, pois eu não tentei ficar com ninguém desde que terminamos mesmo tendo oportunidades, e agora descubro que ela ficou.
    Minha dúvida é qual profissional procuro, considerando que preciso resolver o motivo de eu terminar (muito medo de apego, intimidade) e lidar com o fato de que ela ficou com outros (que eu sei que não é traição por parte dela, mas ainda me magoa por eu ter me mantido "fiel" mesmo sendo uma escolha exclusiva minha, mas não consigo deixar de lado esse sentimento). Ambos temos 20 anos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    O que você descreve envolve dois movimentos importantes: compreender o medo de apego e intimidade que levou ao término e elaborar o luto e a frustração pelo desencontro de tempos entre vocês. O incômodo com o fato de a outra pessoa ter seguido a vida, mesmo sem haver traição, fala menos sobre certo ou errado e mais sobre expectativas, idealizações e renúncias que você fez para se proteger. Esse tipo de conflito interno costuma gerar muita ambivalência. Um acompanhamento psicológico pode ajudar a entender o lugar que o vínculo ocupa para você, o sentido desse “ter se mantido fiel” e o medo que se reativa diante da proximidade. Uma psicoterapia de orientação psicanalítica pode ser especialmente útil para trabalhar essas questões de apego, repetição e escolha, antes de decidir se retomar a relação é, de fato, um cuidado consigo.


  • Quando vou encontrar uma pessoa, fico inicialmente um pouco ansioso, com leve ofegância e sensação d

    Quando vou encontrar uma pessoa, fico inicialmente um pouco ansioso, com leve ofegância e sensação de frio. Após o encontro começar e a conversa fluir, esses sintomas diminuem e consigo me acalmar.

    No entanto, quando a situação evolui para um momento íntimo, a ansiedade aumenta de forma intensa. Nessa hora, sinto frio forte no corpo, tremor nas pernas, fico ofegante e percebo o coração acelerar. Quando fico nesse estado de ansiedade, acabo também ejaculando muito rapidamente, o que não acontece quando estou mais tranquilo.

    Esses sintomas acontecem com frequência e acabam atrapalhando o momento, mesmo eu tendo vontade de estar ali.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    O que você descreve é bastante compatível com um quadro de ansiedade de desempenho, especialmente em situações íntimas. O corpo entra em estado de alerta, como se estivesse diante de uma ameaça, mesmo havendo desejo e consentimento. Esse excesso de ativação fisiológica — tremores, frio, taquicardia, respiração curta — interfere diretamente na resposta sexual, podendo levar à ejaculação precoce. É importante compreender que isso não é falta de controle ou de desejo, mas um corpo ansioso tentando se proteger. Quanto mais você percebe os sinais e tenta “evitar que aconteçam”, mais a ansiedade tende a crescer. A psicoterapia pode ajudar a entender o sentido que a intimidade e o desempenho assumiram para você, reduzindo a pressão interna e permitindo que o corpo volte a responder com mais espontaneidade. Com cuidado adequado, esse padrão pode, sim, ser transformado.


  • Quais exemplos de comportamentos invalidantes em um ambiente familiar?

    Quais exemplos de comportamentos invalidantes em um ambiente familiar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Teixeira

    Na minha experiência, comportamentos invalidantes na família aparecem quando sentimentos são desqualificados ou minimizados. Exemplos comuns são frases como “isso é drama”, “você é muito sensível” ou “não tem motivo pra ficar assim”. Também ocorre quando a pessoa é constantemente comparada, interrompida ou quando suas emoções são corrigidas em vez de escutadas. Há invalidação ainda quando o afeto é condicionado ao bom comportamento, ou quando limites são ignorados. Com o tempo, isso pode levar a dificuldades em confiar nas próprias emoções e a um sentimento persistente de inadequação. Reconhecer essas dinâmicas é um passo importante para romper ciclos de sofrimento e construir relações mais cuidadosas.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.