Perguntas do paciente (153)

  • Por que pessoas com "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) esquecem rápido o que estudam?

    Por que pessoas com "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) esquecem rápido o que estudam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Isso acontece geralmente devido a falhas na "Memória de Trabalho" e na velocidade de processamento. Para que uma informação saia da memória de curto prazo e se fixe na memória de longo prazo (aprendizado consolidado), ela precisa ser processada e "ensaiada".

    No FIL, o cérebro pode levar um pouco mais de tempo para processar essa informação ou ter dificuldade em manter muitos dados ativos na mente ao mesmo tempo. Se a informação não é repetida ou associada a algo significativo rapidamente, ela se perde antes de ser armazenada. O tratamento envolve ensinar técnicas de estudo ativo e repetição espaçada para fortalecer essa consolidação.


  • Como o "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) afeta o planejamento diário?

    Como o "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) afeta o planejamento diário?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    O Funcionamento Intelectual Limítrofe (FIL) pode impactar as Funções Executivas, que são as habilidades do cérebro responsáveis por organizar, priorizar e iniciar tarefas. Na prática, isso faz com que o planejamento diário seja um desafio: a pessoa pode ter dificuldade em estimar quanto tempo uma tarefa leva, por onde começar ou como dividir uma grande obrigação em passos menores (sequenciamento).

    Isso não é "preguiça", mas sim uma dificuldade neurocognitiva em visualizar a sequência de ações necessárias para atingir um objetivo. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Reabilitação Neuropsicológica ajudam a criar estratégias externas (como agendas visuais e quebra de tarefas) para compensar essa dificuldade e melhorar a autonomia.


  • Como o "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) afeta o sequenciamento?

    Como o "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) afeta o sequenciamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    O sequenciamento é a capacidade de colocar informações, eventos ou ações em uma ordem lógica (como saber que para tomar banho, primeiro tira-se a roupa, depois liga-se o chuveiro). No FIL, essa habilidade pode estar rebaixada, dificultando a compreensão de histórias com começo-meio-fim, a execução de receitas ou instruções passo a passo.

    Quando o sequenciamento é afetado, a pessoa pode parecer desorganizada ou confusa diante de tarefas complexas, pois ela vê o "todo" mas tem dificuldade em estruturar a ordem de execução. A avaliação neuropsicológica é fundamental para mapear se essa dificuldade é isolada ou parte do quadro de FIL, direcionando para o treino cognitivo correto.


  • O que é o processamento de informações no "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    O que é o processamento de informações no "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    O processamento de informações refere-se a todo o caminho que um dado percorre no cérebro: desde a atenção inicial, passando pela interpretação, até o armazenamento na memória. No caso do Funcionamento Intelectual Limítrofe (FIL), esse "caminho" está preservado, mas o ritmo e a capacidade de lidar com muitas informações complexas ao mesmo tempo podem ser diferentes da média.

    Não se trata de uma incapacidade de aprender, mas sim de uma forma de funcionamento que muitas vezes privilegia o concreto em detrimento do abstrato. Na prática clínica, observamos que entender como esse processamento ocorre é fundamental para ajustar as expectativas, tanto do paciente quanto da família, reduzindo a ansiedade e a sensação de fracasso.


  • Como é o processamento de informações no "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    Como é o processamento de informações no "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Geralmente, o processamento no FIL tende a ser um pouco mais lento em comparação à média populacional, exigindo mais tempo para que a informação seja consolidada. Observamos frequentemente uma maior facilidade com aprendizados práticos e visuais, e uma dificuldade mais acentuada com conceitos muito teóricos ou abstratos, que exigem generalização rápida.

    É comum que, devido a essa característica, a pessoa sinta que precisa se esforçar o dobro para obter o mesmo resultado dos colegas. O acompanhamento psicológico é essencial nesse cenário, não apenas para estimular estratégias cognitivas, mas para trabalhar a frustração e fortalecer a autoestima, impedindo que essa diferença de ritmo se transforme em sofrimento emocional.


  • O que é "fadiga cognitiva" para alunos com "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    O que é "fadiga cognitiva" para alunos com "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    A fadiga cognitiva é o esgotamento mental que ocorre quando o cérebro precisa manter um nível de esforço muito alto por tempo prolongado. Para um aluno com FIL, acompanhar uma aula padrão muitas vezes exige um gasto de energia muito superior ao dos colegas, pois o aprendizado não ocorre de forma tão "automática".

    É como se ele estivesse correndo uma maratona enquanto os outros caminham. Esse cansaço excessivo pode ser confundido com desinteresse ou preguiça, mas na verdade é um sinal de sobrecarga. Identificar essa fadiga é crucial para evitar que o aluno desenvolva aversão aos estudos ou crenças de incapacidade, temas que trabalhamos com muito cuidado na terapia.


  • O que é o "apoio educacional" no "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    O que é o "apoio educacional" no "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    O apoio educacional para o FIL não significa necessariamente reduzir o conteúdo, mas sim adaptar a forma como ele é entregue. Envolve criar "pontes" que facilitem o aprendizado, como o uso de materiais mais concretos, dar mais tempo para a realização de provas ou mediar a organização das tarefas.

    O objetivo desse apoio é garantir que o aluno tenha acesso ao conhecimento de forma justa, respeitando seu ritmo de processamento. Além das adaptações escolares, o suporte envolve a orientação aos pais e a psicoeducação do aluno, para que ele entenda seu próprio funcionamento e desenvolva autonomia sem culpa.


  • Como o "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) se manifesta na escola?

    Como o "Funcionamento Intelectual Limítrofe" (FIL) se manifesta na escola?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Na escola, o FIL costuma se manifestar como uma discrepância entre o esforço do aluno e o resultado das notas. É comum que o aluno vá bem nas séries iniciais e comece a apresentar dificuldades conforme as matérias exigem mais abstração (como física ou interpretação de texto complexa).

    Além da questão acadêmica, muitas vezes observamos manifestações comportamentais: o aluno pode se tornar mais quieto e isolado por se sentir "diferente", ou apresentar comportamentos de evitação (não querer ir à escola) por medo de falhar. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos justamente para que essas dificuldades acadêmicas não definam a autoimagem da criança ou do adolescente.


  • Ultimamente tenho me sentido muito cansada mentalmente, mesmo sem estar fazendo muitas coisas. É com

    Ultimamente tenho me sentido muito cansada mentalmente, mesmo sem estar fazendo muitas coisas. É como se eu carregasse um peso constante durante todo o dia. Tenho episódios em que interrompo o uso do antidepressivo, e não sei exatamente por que isso acontece. Sempre surgem pensamentos de que vou ficar assim para sempre e que nunca vou melhorar.

    Tenho ansiedade generalizada e percebo que penso de forma muito negativa na maior parte do tempo. Diariamente me sinto triste, angustiada e ansiosa por qualquer coisa, sem motivação e sem esperança. Esses sentimentos se intensificam principalmente em relação ao tratamento medicamentoso. Apesar de o remédio me ajudar bastante quando estou usando corretamente, acabo abandonando o tratamento em alguns momentos, sem entender exatamente o motivo.

    Acredito que esses episódios possam estar relacionados a sintomas depressivos associados à ansiedade, pois tenho pensamentos frequentes de que nada vai dar certo, que nada muda e que vou permanecer assim para sempre. Nessas fases, sinto uma grande falta de motivação e esperança, além de vontade constante de dormir e dificuldade de reagir às coisas do dia a dia, o porque que isso acontece?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Olá. Sinto muito que esteja passando por esse momento tão exaustivo. O que você descreve — essa sensação de "peso constante" e os pensamentos de que "nada vai mudar" — são sintomas clássicos do que chamamos na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) de Tríade Cognitiva da Depressão: uma visão negativa sobre si mesma, sobre o mundo e, principalmente, sobre o futuro.

    É importante que você saiba que o pensamento "vou ficar assim para sempre" não é uma previsão do futuro, é um sintoma. É a ansiedade e o quadro depressivo "falando" por você.

    Sobre interromper a medicação: muitas vezes, isso ocorre por um mecanismo de autossabotagem ou por uma dificuldade de aceitar o tratamento contínuo. Porém, ao parar abruptamente, seu corpo sofre uma queda brusca de neurotransmissores, o que intensifica a fadiga, a angústia e confirma a crença falsa de que "nada funciona".

    O tratamento eficaz envolve duas frentes: a medicamentosa (para dar base biológica) e a psicoterapia (para ensinar você a identificar e questionar esses pensamentos automáticos negativos antes que eles ditem seu comportamento). É possível quebrar esse ciclo.


  • O que são processos cognitivos? .

    O que são processos cognitivos? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Os processos cognitivos são, de forma simplificada, as ferramentas mentais que nosso cérebro utiliza para absorver e processar as informações do mundo ao nosso redor. Sem eles, seria impossível aprender ou interagir.

    Os principais incluem a Atenção (capacidade de focar), a Memória (reter informações), a Percepção (interpretar estímulos), a Linguagem e as Funções Executivas (planejamento e raciocínio).

    Na prática da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), damos muita importância a isso. Muitas vezes, o sofrimento emocional surge quando um desses processos está enviesado — por exemplo, quando nossa percepção foca apenas no negativo ou nossa memória seleciona apenas os fracassos. O trabalho terapêutico ajuda a identificar e reorganizar esses processos para uma vida mais leve e funcional.


  • A avaliação neuropsicológica substitui o diagnóstico do psiquiatra?

    A avaliação neuropsicológica substitui o diagnóstico do psiquiatra?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Não, a avaliação neuropsicológica não substitui o diagnóstico psiquiátrico. Elas são ferramentas diferentes que se somam.

    O psiquiatra é o médico responsável pelo diagnóstico nosológico (identificar a doença/transtorno) e pela condução do tratamento medicamentoso, baseando-se no histórico clínico e na observação dos sintomas.

    Já a avaliação neuropsicológica (realizada por psicólogos) investiga o funcionamento do cérebro. Ela mapeia como estão as funções cognitivas (atenção, memória, controle de impulsos, raciocínio) e ajuda a entender o impacto dessas funções no comportamento diário do paciente.

    No caso do Transtorno de Personalidade Borderline, o cenário ideal é a atuação multidisciplinar: o laudo neuropsicológico fornece dados refinados que auxiliam o psiquiatra a fechar o diagnóstico com mais precisão e a ajustar a medicação, além de orientar o psicólogo na psicoterapia.


  • O que é avaliado na neuropsicologia para o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    O que é avaliado na neuropsicologia para o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Na avaliação neuropsicológica com foco em TPB, nós investigamos principalmente as Funções Executivas, que são as habilidades do cérebro para planejar e controlar comportamentos. Os principais pontos avaliados são:

    Controle Inibitório: A capacidade de "frear" um impulso (fundamental para entender a impulsividade do Borderline).

    Tomada de Decisão: Como o paciente avalia riscos e recompensas (geralmente prejudicada em momentos de crise).

    Flexibilidade Cognitiva: A facilidade em mudar de ideia ou estratégia frente a um problema.

    Cognição Social: Como o paciente interpreta as intenções e emoções das outras pessoas.

    Esse mapeamento ajuda a diferenciar se as dificuldades do paciente são puramente emocionais ou se há déficits cognitivos que precisam de reabilitação.


  • Por que a avaliação neuropsicológica é necessária se o diagnóstico do Transtorno de Personalidade Bo

    Por que a avaliação neuropsicológica é necessária se o diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é clínico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Excelente pergunta. De fato, o "padrão-ouro" para o diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é a avaliação clínica psiquiátrica e psicológica. No entanto, a Avaliação Neuropsicológica entra como uma ferramenta complementar fundamental por três motivos principais:

    Diagnóstico Diferencial: O TPB compartilha sintomas com outros quadros, como TDAH, Transtorno Bipolar e Autismo (TEA). A avaliação testa funções específicas (como atenção e controle inibitório) para ajudar a distinguir o que é personalidade e o que pode ser um transtorno do neurodesenvolvimento.

    Mapeamento de Déficits: Pacientes com TPB frequentemente apresentam alterações nas funções executivas (planejamento, tomada de decisão e controle de impulsos). A avaliação mostra onde está a dificuldade, não apenas o nome da doença.

    Planejamento Terapêutico: Ao entender como o cérebro do paciente processa informações, o psicólogo (especialmente na TCC) consegue desenhar estratégias de intervenção mais personalizadas e eficazes para a regulação emocional.

    Portanto, embora não substitua a clínica, a avaliação neuropsicológica enriquece o diagnóstico e direciona o tratamento.


  • O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e seus ciclos melhoram com o tempo?

    O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e seus ciclos melhoram com o tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Sim, o prognóstico do Transtorno de Personalidade Borderline costuma ser positivo a longo prazo, e a melhora não depende apenas do "tempo", mas principalmente do tratamento adequado.

    Estudos indicam que a impulsividade e a instabilidade emocional tendem a diminuir com a idade. No entanto, a psicoterapia (especialmente a TCC) é o grande acelerador desse processo. Na terapia, o paciente aprende habilidades práticas de regulação emocional e tolerância ao mal-estar.

    Ou seja: o paciente deixa de ser refém dos seus "ciclos" e passa a ter ferramentas para gerenciá-los, construindo uma vida que vale a pena ser vivida.


  • O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) distorce a realidade?

    O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) distorce a realidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Olá! Essa é uma excelente pergunta que ajuda a esclarecer como funciona a mente de alguém com TPB. É importante diferenciar: o TPB não é um transtorno psicótico, ou seja, a pessoa não 'inventa' uma realidade que não existe. O que acontece é uma interpretação enviesada dos fatos.

    Na Psicologia, explicamos isso através de alguns mecanismos principais:

    Filtro Emocional Intenso: Quando a emoção está muito alta (o que chamamos de desregulação emocional), ela funciona como uma lente que 'colore' a percepção. Se a pessoa sente um medo intenso de abandono, ela pode interpretar um atraso de 5 minutos como uma prova concreta de que não é mais amada.

    Pensamento Dicotômico (8 ou 80): A realidade é cheia de nuances, mas no TPB há uma tendência a ver as situações ou pessoas como 'totalmente boas' ou 'totalmente más'. Essa divisão simplista acaba gerando uma percepção fragmentada da realidade.

    Viés de Negatividade: Existe uma tendência a focar em sinais de rejeição ou ameaça, ignorando evidências contrárias de afeto ou segurança.

    Portanto, a pessoa vê os fatos, mas o significado que ela dá a eles é moldado pela dor emocional do momento. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), trabalhamos justamente o 'teste de realidade', ajudando o paciente a separar o que é um fato concreto do que é uma interpretação baseada na emoção. Com o tratamento, a pessoa aprende a enxergar a realidade de forma mais equilibrada e menos dolorosa.


  • Por que as pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sentem raiva de forma tão intens

    Por que as pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sentem raiva de forma tão intensa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Olá! Essa é uma das dúvidas mais comuns e importantes para compreendermos o sofrimento de quem convive com o TPB. A raiva intensa — muitas vezes chamada de 'fúria borderline' — não é uma escolha, mas sim um sintoma de uma desregulação emocional profunda.

    Existem três fatores principais que explicam essa intensidade sob a ótica da Psicologia Clínica:

    Vulnerabilidade Biológica: Pessoas com TPB possuem um 'termostato emocional' muito sensível. Elas sentem as emoções com mais rapidez e uma intensidade muito superior à média. É como se a pele emocional estivesse em carne viva.

    O Viés de Interpretação: Como conversamos em outras perguntas, o viés emocional faz com que sinais neutros (um atraso, um tom de voz sério) sejam interpretados como abandono ou rejeição iminente. Para o cérebro do paciente, a raiva surge como uma resposta de defesa a essa 'ameaça'.

    Dificuldade de Retorno à Calma: Após o pico da raiva, o sistema nervoso de quem tem TPB demora muito mais tempo para voltar ao estado de equilíbrio (linha de base) em comparação a outras pessoas.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e na DBT (Terapia Dialética Comportamental), trabalhamos habilidades de regulação para que o paciente consiga identificar a emoção logo no início e utilizar estratégias para 'baixar a temperatura' antes que ela se torne uma crise. O tratamento é essencial para transformar essa relação com as emoções e melhorar a qualidade de vida e dos relacionamentos.


  • Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são excessivamente sensíveis a expressões f

    Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são excessivamente sensíveis a expressões faciais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Olá! Sim, essa é uma característica amplamente estudada e comprovada pela neurociência e pela psicologia clínica no contexto do TPB.

    Pessoas com esse transtorno costumam apresentar o que chamamos de hipersensibilidade a sinais sociais, o que inclui uma percepção muito aguda de expressões faciais. O que acontece na prática é o seguinte:

    Dificuldade com neutralidade: Estudos mostram que pessoas com TPB tendem a interpretar expressões faciais neutras como sendo negativas, hostis ou críticas. Onde alguém veria apenas um rosto sério, a pessoa com TPB pode enxergar desaprovação ou raiva.

    Reatividade rápida: O cérebro processa essas expressões com uma velocidade e intensidade maior, ativando o sistema de alerta (luta ou fuga) antes mesmo de a pessoa conseguir racionalizar a situação.

    Foco na Rejeição: Há um 'radar' muito sensível para qualquer sinal que possa indicar abandono ou exclusão social, o que gera muito sofrimento e conflitos nas relações.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), trabalhamos para ajudar o paciente a realizar o 'teste de realidade'. Ensinamos habilidades para que ele consiga identificar que a sua interpretação pode ser um viés emocional e não necessariamente a intenção real da outra pessoa.

    Esse treino de habilidades sociais e regulação emocional é fundamental para que o paciente se sinta mais seguro e menos vulnerável aos sinais alheios.


  • Quais são os sinais de alerta do viés emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    Quais são os sinais de alerta do viés emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Olá! Identificar os sinais de alerta do viés emocional é um passo fundamental para quem convive com o TPB ou para seus familiares. Esses sinais funcionam como um 'termômetro' de que a percepção da realidade está sendo filtrada por uma emoção muito intensa.

    Os principais sinais de alerta são:

    Hipersensibilidade a sinais não-verbais: Perceber uma mudança sutil no tom de voz ou uma expressão facial neutra como um sinal imediato de raiva, desapontamento ou abandono.

    Pensamento 'Tudo ou Nada' (Dicotômico): Quando a emoção assume o controle, a pessoa pode passar a ver o outro ou a si mesma como 'totalmente mau' ou 'totalmente bom', sem conseguir enxergar nuances.

    Reatividade imediata a estímulos pequenos: Uma mensagem não respondida rapidamente ou um atraso de poucos minutos pode gerar uma crise de ansiedade ou uma sensação de rejeição profunda.

    Dificuldade de 'desescalar' a emoção: Uma vez que o viés emocional é ativado, a pessoa sente muita dificuldade em se acalmar ou em considerar explicações alternativas para o que aconteceu.

    Desconfiança súbita: Começar a questionar as intenções de pessoas próximas, mesmo que não existam fatos concretos que justifiquem essa mudança.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos para que o paciente consiga 'pausar' entre o que sente e como interpreta a situação, desenvolvendo habilidades de regulação emocional para que esses sinais não dominem suas ações. O acompanhamento profissional é essencial para aprender a manejar esses momentos.


  • O que é o "viés emocional" no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    O que é o "viés emocional" no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Olá! Essa é uma dúvida muito frequente e fundamental para compreendermos o funcionamento do TPB.

    O viés emocional refere-se à tendência que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline têm de processar e interpretar estímulos — sejam eles palavras, tons de voz ou expressões faciais — de uma forma mais intensa e, frequentemente, com uma conotação negativa ou ameaçadora.

    Na prática, isso se manifesta de duas formas principais:

    Hipersensibilidade a sinais sociais: O paciente pode ser extremamente rápido em detectar mudanças sutis no humor de outra pessoa.

    Viés de interpretação negativa: Um rosto com expressão neutra pode ser interpretado como um sinal de raiva, rejeição ou desaprovação. É como se o 'filtro' emocional estivesse sempre buscando por sinais de abandono ou crítica.

    Dentro da TCC, trabalhamos para ajudar o paciente a identificar esses 'pensamentos automáticos' e a testar a realidade dessas interpretações. O objetivo é desenvolver uma visão mais equilibrada, diminuindo a reatividade emocional e melhorando a qualidade das relações interpessoais.

    Se você percebe que suas emoções costumam 'colorir' demais a sua realidade, buscar um profissional especializado pode ajudar muito a recalibrar esse olhar.


  • Como o viés emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é tratado?

    Como o viés emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é tratado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Priscila Hideko Oyama Alves

    Olá! Essa é uma excelente pergunta. No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), o 'viés emocional' costuma se manifestar como uma sensibilidade muito alta a estímulos e uma dificuldade em retornar à estabilidade após uma crise.

    Dentro da Psicologia, especialmente na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e em sua ramificação padrão-ouro para o TPB, a Terapia Dialética Comportamental (DBT), o tratamento foca em quatro pilares principais:

    Regulação Emocional: Ensinar o paciente a identificar e nomear o que sente, diminuindo a intensidade da reatividade.

    Tolerância ao Mal-estar: Estratégias para sobreviver a crises emocionais intensas sem recorrer a comportamentos impulsivos ou prejudiciais.

    Mindfulness (Atenção Plena): Ajudar o paciente a observar seus pensamentos e emoções sem julgamento, evitando que ele seja 'sequestrado' pelo viés emocional do momento.

    Eficácia Interpessoal: Melhorar a forma como a pessoa lida com conflitos, já que o viés emocional muitas vezes interfere na percepção das intenções alheias.

    O objetivo não é 'eliminar' a emoção, mas sim dar ferramentas para que a pessoa recupere o controle e tenha uma vida que valha a pena ser vivida. Se você ou alguém próximo se identifica com isso, o acompanhamento especializado é fundamental.


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