Perguntas do paciente (519)
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Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré
Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O seu receio é bastante compreensível, porque terapia de casal só funciona verdadeiramente quando o espaço terapêutico consegue acolher a realidade do casal sem tentar encaixá-la previamente em um modelo considerado “correto” de relacionamento. Um relacionamento aberto não é, por si só, um problema a ser corrigido; o que merece ser trabalhado são as questões que surgem dentro dessa configuração, como acordos, limites, ciúmes, inseguranças, comunicação, diferenças de desejo, confiança e eventuais mudanças nas necessidades de cada um. Existem terapeutas de casal que conseguem trabalhar muito bem com diferentes configurações relacionais, mas eu considero importante procurar alguém que tenha, além da formação em terapia de casal, uma postura efetivamente aberta e não julgadora diante da não monogamia consensual. Vocês não precisam necessariamente encontrar alguém que trabalhe exclusivamente com relacionamentos abertos, mas é importante que o profissional tenha familiaridade com essa dinâmica e, sobretudo, não parta da premissa de que a solução será transformar vocês em um casal monogâmico. Na primeira conversa, inclusive, vocês podem perguntar diretamente ao terapeuta qual é sua experiência com relacionamentos abertos e como ele costuma trabalhar quando os acordos do casal são diferentes do modelo tradicional. Isso já oferece uma boa percepção de segurança e compatibilidade. No meu trabalho clínico, eu parto justamente desse princípio: não cabe ao terapeuta determinar qual formato de relacionamento é adequado para o casal, mas compreender profundamente como aquele vínculo funciona, quais acordos sustentam a relação e onde estão surgindo os conflitos, ajudando ambos a construírem escolhas mais conscientes e emocionalmente seguras. Se vocês sentirem que essa abordagem faz sentido para o momento que estão vivendo, ficarei muito feliz em conhecê-los e oferecer esse espaço de escuta para que possam falar sobre a relação de vocês com liberdade, sem precisar se defender ou justificar o formato que escolheram para amar.
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Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi
Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está descrevendo não me parece uma contradição, mas sim o sofrimento de alguém que está atravessando uma mudança de vida enorme antes de ter tido a oportunidade de construir com calma a própria identidade, autonomia e os próprios projetos. Aos 23 anos, é compreensível olhar para a gravidez e sentir simultaneamente amor, medo, perda, culpa e até a sensação de que a vida que você imaginava que poderia começar agora está sendo substituída por outra que você não escolheu completamente. E uma coisa importante: o fato de você sentir que “ele será amado e eu não” não significa que você não ame seu bebê ou que seja uma pessoa egoísta; pode significar que existe uma parte sua pedindo para também ser cuidada, reconhecida e lembrada. Seu filho não precisa ocupar o lugar de toda a sua vida, e tornar-se mãe não significa deixar de ser mulher, filha, profissional, amiga, pessoa com desejos, curiosidades e projetos próprios. Talvez, neste momento, você não consiga enxergar quais são esses projetos justamente porque está em uma fase de transição tão grande; você não precisa ter agora uma lista de grandes objetivos para provar que tem uma vida. Podemos começar muito menor: descobrir o que você gosta, o que gostaria de experimentar, que tipo de pessoa deseja se tornar, quais relações quer construir, que autonomia deseja conquistar e que espaço precisa preservar para você depois que o bebê nascer. Também quero olhar com carinho para essa mudança que você está fazendo sem contar à sua mãe, porque parece existir aí uma tentativa importante de construir autonomia, mas talvez acompanhada de muito medo e solidão. Você não precisa resolver toda a sua vida antes de o bebê nascer. Neste momento, talvez a tarefa seja construir uma vida em que **você e seu filho possam existir juntos, sem que um precise desaparecer para que o outro exista**. E, se você percebe que o sofrimento psicológico está muito intenso, que esses pensamentos estão tomando conta de você ou que está se sentindo desesperada, eu realmente recomendo que não atravesse esse período sozinha; a gestação também merece cuidado emocional. Na terapia, podemos trabalhar justamente essa transição, não para convencer você a “gostar” da gravidez, mas para ajudá-la a compreender o que está sentindo, recuperar a sensação de autoria sobre a própria vida e construir, aos poucos, uma identidade que inclua a maternidade sem ser reduzida a ela.
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Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico
Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.
Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve, por si só, não caracteriza traição. Pensar em como alguém do passado vai enxergá-la, querer parecer bonita, interessante ou bem-sucedida quando encontra um antigo paquera é uma experiência bastante humana e não significa que exista desejo de retomar aquele vínculo ou de desrespeitar o seu relacionamento atual. É importante separar **pensamento, emoção, comportamento e intenção**: você pode sentir ansiedade e vontade de causar uma boa impressão sem que isso represente uma escolha de trair seu parceiro. Inclusive, quanto mais você interpreta esses pensamentos como moralmente errados, mais provavelmente começa a monitorá-los, analisá-los e buscar garantias de que “não fez nada errado”, o que pode alimentar ainda mais a ansiedade. Dependendo da frequência, da intensidade e principalmente do quanto você fica presa em verificações mentais, culpa, necessidade de certeza ou tentativas de neutralizar os pensamentos, isso pode ter características compatíveis com um funcionamento obsessivo; por outro lado, também pode estar relacionado à autoestima, à necessidade de aprovação ou simplesmente à preocupação bastante comum com a imagem que transmitimos aos outros. Não seria adequado concluir TOC apenas a partir desse relato. Eu exploraria, por exemplo, o que exatamente você teme que aquela pessoa pense sobre você, por que a opinião dela ainda parece ter tanto peso e o que você acredita que significaria, sobre você mesma, caso ela não a considerasse bonita, bem-sucedida ou interessante. Talvez a questão mais profunda não seja “estou traindo meu parceiro?”, mas **“por que eu preciso tanto que determinadas pessoas confirmem que eu sou alguém de valor?”**. E essa é uma questão muito mais fértil terapeuticamente, porque permite trabalhar não apenas o comportamento diante desses encontros, mas a relação que você estabeleceu com a própria autoestima e com o olhar do outro.
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Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam
Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.
Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Eu entendo a sua angústia. E, pelo que você descreve, talvez o mais importante neste momento não seja tentar responder imediatamente “eu ainda amo ou não?”, mas compreender o que está acontecendo com os seus sentimentos.
O fato de você não se sentir presa, desconfortável ou distante dele, continuar gostando das conversas e reconhecer o cuidado e o amor que ele demonstra são aspectos importantes. Ao mesmo tempo, perceber uma diminuição do entusiasmo e da sensação gostosa que existia antes também merece ser olhado com cuidado, sem culpa e sem se obrigar a sentir algo que não está sentindo.
Às vezes, a ansiedade faz com que a pessoa comece a observar os próprios sentimentos o tempo todo: “Será que ainda amo? Por que não sinto como antes? E se eu estiver confundindo tudo?”. E essa tentativa constante de encontrar uma certeza pode, inclusive, aumentar ainda mais a dúvida e afastar a pessoa da própria experiência emocional.
Em um processo terapêutico, podemos investigar isso com calma: diferenciar amor, vínculo, desejo, rotina, ansiedade, medo de perder, carência e expectativas sobre o que “deveríamos” sentir em um relacionamento. E, principalmente, entender o que mudou dentro de você e dentro dessa relação.
Você não precisa decidir agora se deve ficar ou terminar. Primeiro, podemos compreender. E, a partir dessa compreensão, perceber se existe espaço para reconstruir a conexão e o carinho que você sente falta sem forçar sentimentos e sem fingir.
Se você sentir que faz sentido para você, gostaria de te convidar para uma primeira consulta comigo. Podemos conversar justamente sobre tudo isso, com acolhimento e sem julgamentos, para que você tenha um espaço seguro para entender o que está vivendo. Às vezes, quando conseguimos organizar aquilo que estamos sentindo, a resposta que parecia impossível começa a aparecer com muito mais clareza.
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Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm
Olá!
Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
Eu também tenho a sensação de não pertencimento
O que de fato é está se curando?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está descrevendo é muito mais compatível com um processo de desenvolvimento do que com um fracasso na sua evolução. Pense em tudo o que mudou em seis meses: você entrou em um trabalho que inicialmente despertava muita ansiedade, conseguiu permanecer nele, passou a interagir com pessoas diariamente e percebe que hoje está significativamente menos travada. Isso é evidência concreta de progresso, mesmo que ainda existam desconforto, timidez e insegurança. E talvez seja justamente aí que esteja uma mudança importante de perspectiva: **curar a ansiedade social não significa necessariamente deixar de ser uma pessoa tímida, quieta ou mais reservada**. A questão não é transformar você em alguém extrovertida, mas fazer com que a sua personalidade não seja governada pelo medo. Você pode continuar sendo uma pessoa séria e falar pouco, mas conseguir falar quando deseja, olhar para alguém, expressar uma opinião, colocar um limite ou participar de uma conversa sem sentir que precisa se transformar para ser aceita. Os comentários dos outros podem incomodar, especialmente porque você cresceu recebendo avaliações negativas e sofreu bullying; portanto, é compreensível que hoje uma simples observação como “você é muito quieta” possa tocar em uma ferida antiga e fazer surgir a dúvida: “será que há algo errado comigo?”. Mas o comentário de alguém sobre você não é uma medida objetiva da sua evolução. Talvez você esteja falando mais, mas ainda seja mais silenciosa do que seus colegas; as duas coisas podem ser verdadeiras simultaneamente. Em relação ao sentimento de não pertencimento, eu daria bastante atenção a ele, porque pertencer não significa conseguir conversar o tempo inteiro ou ser a pessoa mais expansiva do ambiente; significa conseguir sentir que existe espaço para você ser quem é sem precisar desempenhar uma personalidade para merecer estar ali. Então, talvez a sua recuperação não seja chegar ao ponto em que ninguém mais diga “você é quieta”, mas chegar ao ponto em que, quando alguém disser isso, você consiga pensar: **“Sim, eu sou mais quieta. E isso não significa que há algo errado comigo.”** A ansiedade social vai perdendo força justamente quando você deixa de organizar sua vida em torno da necessidade de evitar julgamento e começa a escolher seus comportamentos de acordo com aquilo que realmente deseja. E você já tem uma evidência muito bonita disso: aquela mulher que entrou nesse trabalho há seis meses, travada e extremamente ansiosa, não é exatamente a mesma mulher que está trabalhando hoje e percebendo que consegue lidar melhor com as pessoas. Talvez você ainda não esteja onde gostaria de estar, mas isso não significa que não esteja caminhando.
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Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico
Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está vivendo é muito angustiante, mas é importante saber que você não “estragou” sua mente por ter pesquisado demais e que esse ciclo pode ser interrompido. Muitas vezes acontece justamente isso: o medo leva à pesquisa, a pesquisa aumenta a atenção aos sintomas, os sintomas passam a parecer mais ameaçadores, a ansiedade aumenta e surge ainda mais necessidade de pesquisar e buscar certezas. Neste momento, talvez o mais importante seja interromper esse ciclo: evite pesquisas sobre sintomas, diagnósticos e relatos de crises, não fique testando seu corpo ou procurando sinais de que algo está errado e, quando surgir a vontade de pesquisar, tente lembrar: “Eu não preciso encontrar mais uma resposta agora; preciso aprender a atravessar essa sensação.” Você também não precisa combater cada pensamento negativo que encontrou na internet; pensamentos são pensamentos, não previsões nem verdades sobre o seu futuro. Como você já iniciou medicação, mantenha o acompanhamento com o médico que prescreveu e não faça alterações por conta própria. E, principalmente, não pense que precisa sair de casa e recuperar toda a sua vida de uma vez: podemos trabalhar isso gradualmente, respeitando o seu momento e reconstruindo sua segurança aos poucos. Se a terapia online não funciona para você, podemos conversar sobre isso e encontrar uma forma de atendimento que seja possível neste momento. Se fizer sentido, gostaria de te convidar para uma primeira consulta comigo; podemos começar exatamente pelo que está acontecendo agora, com acolhimento e sem julgamentos, para compreender esse ciclo e construir, passo a passo, um caminho para você recuperar sua autonomia e voltar a viver com mais tranquilidade.
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A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion
A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja passando por tudo isso. Pelo que você descreve, seu sofrimento é intenso e está afetando praticamente todas as áreas da sua vida: seus estudos, seu relacionamento, sua capacidade de concentração, sua memória, sua energia e até a forma como você enxerga a si mesma e aos outros. Esses sintomas podem, sim, estar presentes em um quadro de depressão, mas também podem ocorrer em transtornos de ansiedade, após períodos de estresse intenso ou em outras condições que precisam ser avaliadas com cuidado. Por isso, não é possível fazer um diagnóstico apenas por esse relato, mas é muito importante que você procure ajuda o quanto antes. Quanto mais cedo esse sofrimento for compreendido e tratado, maiores são as chances de recuperação. Quero que você saiba também que a sensação de estar "vegetando", de ter perdido quem você era ou de acreditar que as pessoas a odeiam não define a realidade, mas pode ser a forma como sua mente está interpretando o mundo neste momento de adoecimento. Você não precisa enfrentar isso sozinha. A psicoterapia pode ajudá-la a compreender a origem desse sofrimento, fortalecer seus recursos emocionais e, se necessário, trabalhar em conjunto com um psiquiatra para que você receba o tratamento mais adequado. E quero fazer um convite: permita-se ser acolhida. Será um prazer caminhar ao seu lado nesse processo de cuidado, oferecendo um espaço seguro, sem julgamentos, para que você possa recuperar sua saúde emocional, reencontrar a si mesma e voltar a viver com mais leveza. Se, além disso, em algum momento você sentir que a dor está insuportável ou surgir qualquer pensamento de machucar a si mesma ou de que a vida não vale a pena, procure imediatamente alguém de sua confiança ou um serviço de urgência. Você merece ajuda e não precisa carregar esse sofrimento sozinha.
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Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins
Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.
Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.
As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.
Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, isso pode ser absolutamente normal. O que você descreve não se parece com um sinal de que há algo errado no seu relacionamento, mas sim com o contraste entre uma experiência de grande proximidade e o retorno à rotina. Quando passamos vários dias compartilhando momentos cotidianos com quem amamos, nosso corpo e nossa mente se adaptam à presença dessa pessoa: às conversas espontâneas, ao carinho, aos pequenos rituais do dia a dia e à sensação de companhia. Ao voltar para casa, é natural que exista um período de readaptação, e essa saudade pode ser vivida como um vazio temporário. Na perspectiva psicanalítica, esse sentimento também nos fala sobre a importância que esse vínculo tem para você. Amar alguém significa, inevitavelmente, experimentar a presença e também a ausência. A ausência dói justamente porque houve um encontro significativo, e isso não é um sinal de fraqueza ou dependência emocional. O mais importante é observar se essa tristeza diminui com o passar dos dias e permite que você retome sua rotina, seus estudos, seus interesses e sua vida, enquanto espera com alegria pelo próximo encontro. Se, em algum momento, essa saudade passar a dominar seus dias, gerar sofrimento constante ou impedir que você viva sua própria vida, vale a pena investigar mais profundamente o que ela representa. A psicoterapia pode ajudá-la a compreender esse mundo interno, diferenciando uma saudade saudável de questões emocionais mais profundas. Se sentir que gostaria de entender melhor o que esse vazio está comunicando sobre sua história e sua forma de amar, será um prazer acolher você em terapia e caminhar ao seu lado nesse processo de autoconhecimento e fortalecimento emocional.
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Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in
Olá, tudo bem?
Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma dúvida muito frequente e, curiosamente, o fato de você estar se perguntando isso já mostra uma postura de reflexão importante. A verdade é que não existe um sinal único que diferencie a transferência de um interesse amoroso ou sexual "real", porque, na psicanálise, essas duas experiências podem se entrelaçar. A transferência acontece quando sentimentos, expectativas e formas de se relacionar que foram construídos ao longo da sua história passam a ser vividos na relação com a psicóloga. Isso pode incluir admiração, necessidade de aprovação, desejo de proximidade, ciúmes, raiva e, sim, até sentimentos amorosos ou atração sexual. Isso não significa que esses sentimentos sejam "falsos". Eles são reais, mas o mais importante é compreender o que eles representam na sua história. Perguntas como "o que exatamente nela desperta esse interesse?", "eu gostaria de conhecê-la como pessoa ou sinto que ela ocupa um lugar muito especial por tudo o que representa para mim?" e "esse sentimento apareceu depois de eu me sentir profundamente compreendido e acolhido?" podem ajudar nessa reflexão. A relação terapêutica é justamente um espaço para que essas vivências possam ser exploradas sem vergonha ou julgamento. Falar sobre isso com sua psicóloga não prejudica o tratamento; pelo contrário, costuma enriquecer muito o processo, porque permite compreender necessidades afetivas, padrões de vínculo e desejos que talvez estejam se repetindo em outros relacionamentos. Na psicanálise, a transferência não é um obstáculo, mas um dos principais caminhos para o autoconhecimento. Se esse tema desperta dúvidas ou desconforto, permita-se levá-lo para a sessão. É justamente nesse espaço de escuta que esses sentimentos podem ganhar significado e abrir caminho para transformações profundas. E, se você busca um processo terapêutico fundamentado na psicanálise, com uma escuta acolhedora e ética, será um prazer acompanhar você nessa jornada de compreender não apenas o que sente pela sua terapeuta, mas o que esses sentimentos revelam sobre sua própria história e sua forma de amar.
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Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma
Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de qualquer coisa, quero que você saiba de algo muito importante: você não é defeituosa. O que está acontecendo com você é uma resposta profundamente humana de alguém que viveu violências muito precoces, e seu corpo e sua mente aprenderam a associar a intimidade ao perigo, mesmo quando hoje você está ao lado de alguém que ama e em quem confia. O choro, o medo, as crises de pânico e as lembranças invasivas não são escolhas suas, mas sinais de que esses traumas ainda precisam ser elaborados em um espaço seguro. Você não precisa enfrentar isso sozinha, nem recorrer ao álcool para tentar aliviar uma dor que, infelizmente, costuma se intensificar dessa forma. Na psicoterapia psicanalítica, trabalhamos justamente para compreender a origem desse sofrimento, dar sentido ao que ficou sem palavras e ajudá-la a reconstruir uma relação mais segura consigo mesma, com seu corpo e com seus vínculos. Existe tratamento, existe possibilidade de viver a intimidade sem que o passado domine o presente. Se você sentir que este é o momento de cuidar de si, será um prazer acolher sua história e caminhar ao seu lado nesse processo de reconstrução, com respeito, escuta e sem julgamentos.
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Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen
Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está sentindo é muito mais comum do que imagina, e quero que saiba que sua angústia merece ser levada a sério. O desejo de construir um vínculo profundo faz parte da experiência humana e não há nada de fútil nisso. Percebo também que você parece acreditar que existe um momento "certo" para amar ou que precisa estar completamente realizado para merecer um relacionamento, mas a vida raramente acontece dessa forma. Muitas vezes, as perguntas "quando serei feliz?" ou "quando encontrarei a pessoa certa?" escondem outra questão ainda mais importante: como você tem se relacionado consigo mesmo e com sua própria história? Na psicanálise, compreendemos que nossos relacionamentos não são construídos apenas no presente, mas também carregam marcas das experiências afetivas que vivemos ao longo da vida. Explorar essas marcas pode ajudá-lo a entender por que alguns vínculos parecem superficiais, o que você realmente busca no outro e quais expectativas têm acompanhado essa busca. Você não precisa esperar que sua vida esteja perfeita para viver o amor, mas pode transformar esse momento de espera em uma oportunidade de se conhecer profundamente. Se fizer sentido para você, será um prazer acolher sua história em psicoterapia e caminhar ao seu lado nesse processo, para que esse desejo de compartilhar a vida deixe de ser apenas uma fonte de sofrimento e possa se tornar uma experiência mais consciente, segura e possível.
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Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma pergunta muito delicada, e o simples fato de você estar se questionando já demonstra o quanto essa situação é importante para você. Quero que saiba que não é incomum que, durante a gestação, muitas mulheres sintam ambivalência: ao mesmo tempo em que existe a possibilidade de desejar o bebê, também podem surgir medo, insegurança, tristeza ou até dificuldade de se conectar com a ideia da maternidade. Isso não significa, necessariamente, que você esteja rejeitando o bebê. Muitas vezes, o que ainda não foi aceito é a transformação profunda que a chegada de um filho representa na vida, na identidade, nos planos e na rotina. Na perspectiva psicanalítica, essas emoções fazem parte de um processo de elaboração e merecem ser escutadas sem culpa ou julgamentos, para que você possa compreender o que, de fato, está sendo vivido. Se esses sentimentos têm trazido sofrimento, culpa ou persistem de forma intensa, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para acolher essas dúvidas, ajudá-la a diferenciar o medo da maternidade de uma dificuldade de vinculação com o bebê e construir essa experiência de forma mais tranquila. Se sentir que precisa desse apoio, será um prazer acolher você e caminhar ao seu lado nesse momento tão significativo da sua vida.
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Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma pergunta muito delicada, e o simples fato de você estar se questionando já demonstra o quanto essa situação é importante para você. Quero que saiba que não é incomum que, durante a gestação, muitas mulheres sintam ambivalência: ao mesmo tempo em que existe a possibilidade de desejar o bebê, também podem surgir medo, insegurança, tristeza ou até dificuldade de se conectar com a ideia da maternidade. Isso não significa, necessariamente, que você esteja rejeitando o bebê. Muitas vezes, o que ainda não foi aceito é a transformação profunda que a chegada de um filho representa na vida, na identidade, nos planos e na rotina. Na perspectiva psicanalítica, essas emoções fazem parte de um processo de elaboração e merecem ser escutadas sem culpa ou julgamentos, para que você possa compreender o que, de fato, está sendo vivido. Se esses sentimentos têm trazido sofrimento, culpa ou persistem de forma intensa, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para acolher essas dúvidas, ajudá-la a diferenciar o medo da maternidade de uma dificuldade de vinculação com o bebê e construir essa experiência de forma mais tranquila. Se sentir que precisa desse apoio, será um prazer acolher você e caminhar ao seu lado nesse momento tão significativo da sua vida.
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Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo
Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que mais chama atenção no seu relato é que a dor não parece vir apenas da experiência difícil no trabalho, mas do fato de você não ter se sentido acreditado justamente por quem esperava acolhimento. Quando buscamos apoio em uma figura tão importante quanto a mãe e recebemos dúvidas, críticas ou desqualificação do nosso sofrimento, é natural que surjam sentimentos profundos de abandono, traição e até uma dificuldade em voltar a confiar nas pessoas. Isso pode fazer com que a mente tente se proteger concluindo que "ninguém presta" ou que "todos são falsos", porque, quando quem deveria oferecer segurança falha, o mundo inteiro pode passar a parecer inseguro. No entanto, embora essa conclusão seja compreensível diante da sua história, ela também pode mantê-lo preso à dor e impedir que novas experiências de confiança aconteçam. Na psicanálise, procuramos compreender como essas vivências marcam a forma como nos relacionamos conosco e com os outros, dando espaço para que essas feridas sejam elaboradas, em vez de continuarem determinando a maneira como enxergamos as pessoas e a nós mesmos. Você não precisa minimizar o que viveu nem convencer ninguém de que seu sofrimento foi real. Ele merece ser escutado com respeito. Se sentir que esse sentimento ainda pesa sobre a sua vida, será um prazer acolher sua história em psicoterapia e ajudá-lo a ressignificar essas experiências, para que elas deixem de definir seus relacionamentos e sua capacidade de confiar novamente.
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Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d
Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.
Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.
Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.
Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero dizer que fez muito bem em procurar orientação. O que você descreve merece uma avaliação cuidadosa, não porque signifique necessariamente algo grave, mas porque há um conjunto de sintomas que vem causando sofrimento e interfere no seu dia a dia. Os "flashes" involuntários de tragédias, a necessidade de conferir algumas coisas para aliviar a ansiedade e a sensação de que algo ruim pode acontecer lembram, em alguns casos, pensamentos intrusivos, que podem estar presentes em quadros como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ou outros transtornos de ansiedade. No entanto, seu relato também inclui experiências perceptivas incomuns na infância, como a sensação da "bola gigante", dos espinhos e da pressão no corpo, além do retorno recente de algumas dessas vivências. Embora essas experiências possam ocorrer em diferentes condições e, isoladamente, não permitam concluir um diagnóstico, elas tornam importante uma investigação ampla. O profissional mais indicado para iniciar essa avaliação é um psiquiatra, que poderá verificar se há necessidade de exames complementares, encaminhamento para um neurologista ou outros especialistas, além de avaliar se existe algum transtorno psiquiátrico que explique o conjunto dos sintomas. Paralelamente, a psicoterapia é um recurso fundamental para compreender como esses pensamentos, medos e sensações afetam sua vida emocional e desenvolver estratégias para lidar com eles. Na psicanálise, buscamos entender não apenas os sintomas, mas também o significado que eles podem ter na história de cada pessoa, oferecendo um espaço seguro para que esse sofrimento seja elaborado. Independentemente do diagnóstico, o mais importante é que você não tente enfrentar isso sozinho. Há tratamento e investigação adequados para situações como essa. Se desejar um acompanhamento acolhedor e aprofundado, será um prazer recebê-lo em psicoterapia e caminhar com você na compreensão desse momento, trabalhando em conjunto com outros profissionais sempre que necessário, para que você possa recuperar sua tranquilidade e qualidade de vida.
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Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet
Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.
Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.
Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.
Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quero começar dizendo que o sofrimento que você descreve merece ser acolhido. Pelo seu relato, chama atenção que o acontecimento do passado já foi reconhecido, houve arrependimento, seu companheiro escolheu perdoá-la e vocês decidiram seguir juntos. No entanto, parece que quem ainda não conseguiu oferecer perdão é você mesma. Pessoas com TOC costumam experimentar uma culpa muito intensa e uma tendência a atribuir um significado exagerado aos próprios pensamentos, como se pensar algo fosse equivalente a desejar ou até mesmo a agir. Na realidade, imaginar por alguns instantes como a vida poderia ter sido se tivesse feito outra escolha é uma experiência humana e muito comum. Pensamentos hipotéticos surgem espontaneamente e, por si só, não significam que você queira aquela pessoa de volta ou que esteja sendo infiel novamente. O sofrimento aparece justamente porque o TOC tende a transformar uma dúvida comum em uma questão moral, levando você a buscar certezas impossíveis sobre o que sente e sobre o que esse pensamento "quer dizer". Na perspectiva psicanalítica, também é importante compreender que essa culpa persistente pode estar relacionada a conflitos internos que vão além do episódio em si, fazendo com que você permaneça presa a uma posição de autopunição mesmo depois de o outro já ter seguido em frente. A psicoterapia pode ajudá-la a diferenciar aquilo que pertence ao TOC daquilo que realmente expressa seus desejos e valores, além de trabalhar a construção do autoperdão, que parece ser a parte mais difícil dessa história. Você não precisa continuar vivendo sob o peso de uma culpa que se renova a cada pensamento involuntário. Se sentir que esse sofrimento tem ocupado um espaço grande na sua vida, será um prazer acolhê-la em psicoterapia e caminhar ao seu lado para que você possa compreender esses conflitos de forma mais profunda, fortalecer sua relação consigo mesma e viver seu relacionamento com mais leveza e segurança.
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Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi
Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está descrevendo é uma experiência bastante comum entre pessoas que conviveram por muitos anos com o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Quando a ansiedade deixa de ocupar tanto espaço, pode surgir uma sensação de estranhamento, como se algo estivesse "faltando". Isso acontece porque, durante muito tempo, seu cérebro e seu corpo se acostumaram a funcionar em estado de alerta constante. Quando esse estado diminui, a tranquilidade pode parecer estranha, artificial ou até fazer você sentir que "não é mais você". No entanto, essa sensação não significa que você esteja perdendo sua identidade, mas que está conhecendo uma forma diferente de viver. É muito positivo que você já tenha percebido melhora nas crises após 22 dias de tratamento, embora ainda seja um período relativamente inicial para a sertralina, que costuma consolidar seus efeitos ao longo das semanas seguintes. A tendência, se a medicação continuar sendo eficaz e bem ajustada para você, é que essa sensação de calma deixe de parecer incomum e passe a ser vivida de forma cada vez mais natural. O objetivo não é fazer com que você deixe de sentir emoções ou se torne indiferente, mas permitir que elas aconteçam sem que a ansiedade domine sua vida. A tristeza e a estranheza que surgem nesse processo também merecem ser acolhidas, pois fazem parte de uma readaptação emocional. Na psicanálise, compreendemos que abandonar um modo antigo de funcionamento, mesmo que ele causasse sofrimento, pode despertar um sentimento de perda, porque ele fez parte da sua identidade por muito tempo. É justamente nesse momento que a psicoterapia se torna tão importante: ela ajuda você a reconhecer que existe uma diferença entre ser uma pessoa tranquila e ser alguém "sem personalidade". Com o tempo, você poderá construir uma nova relação consigo mesma, percebendo que a calma não diminui quem você é, mas amplia sua liberdade para viver, sentir e fazer escolhas com mais segurança. Continue mantendo o acompanhamento com sua psiquiatra e sua psicóloga, pois elas estão conduzindo esse processo de forma integrada. E lembre-se: você não está deixando de ser você; está, aos poucos, conhecendo uma versão sua que talvez a ansiedade não permitisse aparecer há muito tempo.
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Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta
Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, a DBT pode ser utilizada mesmo sem o diagnóstico de borderline, especialmente quando existem dificuldades importantes de regulação emocional, impulsividade, tolerância ao desconforto ou manejo de situações emocionalmente intensas. No entanto, como você já fez TCC e sente que não houve o resultado esperado, eu não partiria da ideia de que você precisa simplesmente de “outra técnica”, mas buscaria compreender de forma mais ampla como o TDAH e a bipolaridade estão se articulando na sua história, nos seus vínculos e na maneira como você vivencia e regula as emoções. No meu trabalho, como psicanalista com formação em neurociência, procuro justamente integrar a compreensão do funcionamento psíquico com o conhecimento sobre o funcionamento cerebral, sem reduzir a pessoa ao diagnóstico. Em uma primeira consulta, podemos conversar sobre o que você já tentou, o que sentiu que não funcionou e quais são hoje as suas principais dificuldades, para avaliarmos juntos qual abordagem pode ser mais adequada para você.
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Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s
Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de qualquer coisa, quero acolher o quanto essa experiência tem sido angustiante para você. Pelo que você descreve, o que mais parece causar sofrimento não é um desejo por esse tipo de conteúdo, mas a culpa intensa que surgiu após ter se deparado com ele. É importante diferenciar a exposição a um material que provoca repulsa da identificação com ele. Você relata que interrompeu o vídeo rapidamente, perdeu o interesse e, desde então, sente vergonha, nojo e medo de que isso diga algo sobre quem você é. Esses sentimentos são muito diferentes de alguém que sente prazer ou busca repetidamente esse tipo de conteúdo. Além disso, o fato de ter ficado mais de uma década sem vivenciar essa situação e de dizer que acessa pornografia apenas esporadicamente não é compatível, por si só, com um quadro de dependência. A recaída que você sente pode estar muito mais relacionada à reativação de uma ferida emocional antiga do que a um "vício". Também lamento profundamente a experiência que você teve com aquele profissional. Nenhuma pessoa que busca ajuda deveria sair de uma consulta sentindo-se julgada ou envergonhada por sua história.
Na perspectiva psicanalítica, muitas vezes a culpa excessiva revela um conflito interno mais profundo do que o próprio acontecimento. Algumas pessoas desenvolvem um olhar extremamente rígido sobre si mesmas, no qual um episódio isolado passa a definir toda a própria identidade. Nesses casos, o sofrimento costuma estar menos ligado ao que aconteceu e mais à forma como a mente transforma esse evento em uma prova de que "há algo de errado comigo". É justamente esse tipo de funcionamento que merece ser compreendido e elaborado em um espaço terapêutico.
Você já deu um passo importante ao manter o acompanhamento psiquiátrico, mas acredito que a psicoterapia pode ajudá-la a olhar para essa culpa, para sua relação com a sexualidade, para sua história afetiva e para a forma como você construiu a imagem de si mesma ao longo da vida. Existe uma diferença enorme entre compreender um comportamento e condenar uma pessoa, e um processo terapêutico ético jamais parte do julgamento. Você merece um espaço onde possa falar sobre esses temas com liberdade, respeito e acolhimento. Se sentir que este é o momento de cuidar de si de forma mais profunda, será um prazer recebê-la em psicoterapia e caminhar ao seu lado para que essa culpa deixe de ocupar tanto espaço e você possa construir uma relação mais tranquila consigo mesma e com sua sexualidade.
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Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne
Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O fato de você ainda pensar nessa pessoa depois de quatro anos não significa, necessariamente, que ela fosse "o amor da sua vida". Às vezes, quando uma relação termina sem que tenha sido plenamente vivida ou elaborada, nossa mente tende a manter essa história em aberto, imaginando como as coisas poderiam ter sido diferentes. A culpa pelos erros cometidos também pode fazer com que essa lembrança permaneça viva por muito tempo. Ao mesmo tempo, é compreensível que um relacionamento iniciado enquanto você ainda estava emocionalmente preso ao anterior não tenha trazido a felicidade que esperava, pois é difícil construir um novo vínculo quando uma parte do coração ainda está voltada para o passado. Na psicanálise, entendemos que, muitas vezes, não permanecemos ligados apenas à pessoa, mas ao significado que ela passou a representar: uma oportunidade perdida, um desejo não realizado, uma versão de nós mesmos que gostaríamos de ter sido. Por isso, antes de se perguntar se deveria tentar reconquistá-la ou esquecê-la, talvez a pergunta mais importante seja: o que essa história ainda representa para você? Elaborar essa resposta pode ser o caminho para encerrar esse ciclo, seja retomando esse vínculo de forma madura, se isso ainda for possível e fizer sentido, seja permitindo-se seguir em frente sem carregar o peso da culpa. Você não precisa enfrentar esse conflito sozinho. A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender por que essa lembrança permanece tão presente, ressignificar o passado e construir relacionamentos mais livres e conscientes. Se sentir que este é o momento de cuidar dessa parte da sua história, será um prazer acolhê-lo e caminhar ao seu lado nesse processo de autoconhecimento e transformação.
Perguntas frequentes
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Quem é vegetariano pode consumir alimentos que contém lactobacilos?
O tipo Ovolactovegetariano não come carne, mas consome leite, ovos e derivados.…