Perguntas do paciente (527)
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É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c
É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?
Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”
Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, é possível termos sentimentos, pensamentos, imagens e até reações corporais que não escolhemos conscientemente e que não representam necessariamente aquilo que queremos hoje. Principalmente nesse estado entre o sono e o despertar, em que a mente ainda está fazendo associações de forma mais solta, pode surgir a lembrança de alguém acompanhada de uma reação automática, como um sorriso, sem que isso signifique que você ainda goste dessa pessoa ou queira retomar essa relação. Uma reação espontânea não é uma declaração de intenção, nem uma prova de sentimento; às vezes ela está ligada a uma memória, a uma sensação antiga, a algo que já fez parte da sua história e que o cérebro reconhece antes mesmo de você organizar racionalmente o que aquilo significa para você no presente. O que me chama mais atenção no que você contou não é o sorriso em si, mas o fato de você ter passado o dia inteiro tentando entender o que ele “queria dizer” e se culpando por algo que aconteceu de maneira involuntária. Quando começamos a tratar cada pensamento ou reação espontânea como se fosse uma evidência sobre quem somos ou sobre o que realmente desejamos, podemos entrar num ciclo de dúvida, culpa e ruminação que aumenta bastante a ansiedade. Em psicoterapia, é possível trabalhar justamente essa necessidade de encontrar certeza absoluta sobre o que você sente, aprender a diferenciar uma experiência mental passageira de uma escolha ou desejo real e compreender por que algumas situações despertam tanta culpa ou necessidade de análise. Se você percebe que costuma ficar presa tentando decifrar pensamentos, lembranças ou sensações dessa maneira, podemos trabalhar isso juntas para que essas experiências deixem de ter tanto poder sobre você.
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Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u
Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve faz bastante sentido quando pensamos na forma como aprendemos, ao longo da nossa história, a ocupar um lugar nas relações: quando uma pessoa cresce sentindo que suas necessidades emocionais foram pouco vistas ou pouco acolhidas, ela pode acabar aprendendo, muitas vezes sem perceber, que cuidar do outro, se adaptar ou não “dar trabalho” é mais seguro do que reconhecer e sustentar os próprios desejos. Nesse contexto, se priorizar pode vir acompanhado de culpa e até da sensação de estar sendo egoísta, embora colocar-se em consideração não seja o mesmo que desconsiderar os outros. Em terapia, nós não trabalhamos simplesmente tentando “tirar uma força negativa” de dentro de você, mas buscando compreender de onde vêm essas exigências internas, como essa culpa foi construída, em quais situações ela aparece e por que, hoje, talvez uma parte sua ainda sinta que precisa pedir permissão para desejar, escolher e investir em si mesma. Aos poucos, esse trabalho pode ajudar você a diferenciar aquilo que realmente deseja daquilo que aprendeu a fazer para ser aceita, evitar conflitos ou preservar vínculos, construindo uma forma mais livre de se posicionar diante da própria vida. E esse processo não precisa ser feito apenas pela força de vontade, porque justamente essas dificuldades costumam estar ligadas a padrões emocionais profundos que nem sempre conseguimos modificar sozinhos. Se você sentir que chegou o momento de olhar para isso com mais profundidade, podemos trabalhar juntas em psicoterapia, em um espaço seguro e sem julgamentos, para compreender a sua história e ajudá-la a construir uma relação consigo mesma na qual se escolher não precise mais significar sentir culpa.
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Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do
Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja atravessando um momento tão difícil, e o que você descreve merece ser levado a sério: quando a depressão começa a comprometer coisas tão básicas como sair do quarto, realizar tarefas, trabalhar e participar da própria vida, não é simplesmente uma questão de “ter mais força de vontade”, e sim um sinal de que você provavelmente precisa de um cuidado mais próximo e estruturado neste momento. O fato de você já estar buscando o CAPS e fazendo uso de antidepressivo é importante, mas, se mesmo assim sente que o acompanhamento está insuficiente, acredito que vale procurar a equipe que cuida de você e contar exatamente o que me contou aqui, inclusive o quanto sua vida cotidiana está comprometida, para que possam reavaliar seu tratamento, a frequência dos atendimentos e a própria medicação; existem modalidades de CAPS que oferecem acompanhamento intensivo e, em alguns locais, acolhimento durante crises. Sobre a internação, ela pode ser necessária em determinadas situações, especialmente diante de uma crise psíquica aguda ou quando a pessoa não consegue permanecer em segurança fora de um ambiente protegido, mas essa indicação precisa ser feita a partir de uma avaliação cuidadosa da equipe de saúde; internação não é necessariamente “mais efetiva” simplesmente por ser mais intensa e, quando indicada, costuma fazer parte de um tratamento que precisa continuar depois da alta. Além do acompanhamento médico, eu consideraria muito importante que você tivesse um espaço de psicoterapia com regularidade, porque existe também todo um sofrimento por trás dessa sensação de estar estagnada, das oportunidades que você sente que perdeu e talvez da maneira como hoje esteja enxergando a si mesma e o próprio futuro; isso pode ser trabalhado sem cobrança e começando exatamente do ponto em que você consegue estar hoje, mesmo que agora pareça muito distante voltar a estudar, trabalhar ou ter uma rotina. Se você estiver procurando esse acompanhamento mais próximo, podemos conversar sobre a possibilidade de eu te acompanhar em psicoterapia, em conjunto com o seu tratamento psiquiátrico e com o CAPS, e pensar juntas em um caminho possível, passo a passo, para que você não precise enfrentar tudo isso sozinha. E quero deixar uma orientação importante: se além dessa dificuldade estiver aparecendo vontade de morrer, pensamentos de se machucar, algum plano de suicídio ou a sensação de que você não consegue se manter segura, isso precisa de atendimento imediato — procure uma UPA ou pronto-socorro, peça ajuda à sua mãe ou a outra pessoa de confiança para acompanhá-la, ou acione o SAMU pelo 192.
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Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coi
Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coisas das revistas que tive ou tenho e costumo anotar num papel, antes eu guardava mas agora jogo fora,e isso está me deixando ansiosa,pois eu esqueço das coisas importantes, mesmo sabendo que essas coisas não são reais eu sinto tipo um impulso pra isso, isso é normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Oi, o que você descreve pode acontecer com algumas pessoas em momentos de ansiedade, quando certos pensamentos, desejos ou imagens ficam se repetindo e surge uma necessidade de anotá-los para sentir que não serão perdidos ou esquecidos; o ponto mais importante não é tanto o conteúdo desses pensamentos, mas perceber o quanto esse impulso de anotar está te causando ansiedade, tomando espaço na sua rotina ou fazendo você sentir que precisa realizar esse comportamento para conseguir se acalmar. O fato de você saber que essas coisas não são reais é importante, mas, ainda assim, se existe uma sensação de obrigação, repetição ou medo de esquecer algo “importante”, vale olhar para isso com mais cuidado, porque pode estar relacionado a um funcionamento ansioso ou compulsivo, mas não seria correto afirmar um diagnóstico apenas com essa descrição. Em psicoterapia, podemos investigar o que acontece antes desse impulso aparecer, o que você sente quando tenta não anotar, quais pensamentos surgem e que função esse comportamento está cumprindo para você, sem julgamento e sem simplesmente mandar você “parar”. Se isso estiver te trazendo sofrimento, aumentando sua ansiedade ou ocupando muito tempo, acredito que seria muito válido buscar acompanhamento psicológico; se quiser, podemos conversar sobre como seria esse processo e avaliar juntas o que está acontecendo de forma mais aprofundada.
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Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b
Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Entendo o seu receio, porque quando alguém sente que certas características pessoais podem provocar julgamento, zombaria ou afastamento, é comum começar a se vigiar e a esconder partes de si para tentar evitar rejeição. Ao mesmo tempo, é importante separar duas coisas: uma coisa é reconhecer que determinados grupos podem ter normas mais rígidas sobre como um homem “deveria” se comportar, se vestir ou se expressar; outra é concluir antecipadamente que sua dedicação, inteligência, cuidado com a aparência ou objetividade serão necessariamente mal recebidos. Quando esse medo cresce, a pessoa pode passar a viver muito mais em função da reação imaginada dos outros do que de quem realmente é. O trabalho costuma envolver perceber em quais ambientes você se sente mais ameaçado, que experiências anteriores podem ter ensinado que se destacar ou se mostrar traz consequências, e também aprender a sustentar suas qualidades sem transformá-las em uma defesa ou em uma necessidade de provar valor. Ser direto, por exemplo, pode ser uma qualidade quando vem acompanhado de consideração pelo outro; cuidar da aparência pode ser uma forma legítima de expressão pessoal, independentemente de estereótipos de masculinidade. Diminuir esse medo não significa chegar ao ponto de não se importar com ninguém, mas conseguir tolerar melhor que nem todas as pessoas vão aprovar você e, ainda assim, não precisar se diminuir para caber. Se você percebe que esse receio faz com que se esconda, evite vínculos, oportunidades ou situações sociais, isso pode ser trabalhado em psicoterapia de forma bastante profunda, investigando de onde vem essa expectativa de rejeição e construindo uma forma mais segura de se posicionar. Se quiser, podemos trabalhar justamente essa dificuldade para que você consiga se mostrar com mais liberdade, sem precisar escolher entre ser você mesmo e se sentir aceito.
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Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço
Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pelo que você descreve, é importante diferenciar o perfeccionismo, a necessidade de controle e a dificuldade em lidar com a incerteza de um quadro de TOC, porque eles podem se parecer em alguns aspectos, mas não são necessariamente a mesma coisa. No TOC, geralmente encontramos obsessões, que são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e intrusivos que provocam ansiedade ou desconforto, acompanhados muitas vezes de compulsões, que são comportamentos ou atos mentais realizados para tentar neutralizar essa ansiedade ou obter uma sensação de certeza ou segurança. Um ponto importante é perceber quanto esses pensamentos e comportamentos ocupam seu tempo, quanto sofrimento provocam e principalmente se você sente que precisa realizá los mesmo percebendo que eles são excessivos ou pouco proporcionais à situação. A busca constante por certeza, checagens, necessidade de confirmação, revisões excessivas e dificuldade intensa em tolerar a possibilidade de ter cometido um erro podem aparecer tanto em pessoas perfeccionistas quanto no TOC, por isso não é adequado concluir um diagnóstico apenas a partir desses sinais. O mais importante é compreender o funcionamento desses comportamentos, o que acontece antes deles, o que você sente quando tenta não realizá los e que alívio você experimenta depois. Essa avaliação cuidadosa pode ajudar a entender se estamos diante de traços de perfeccionismo, ansiedade, comportamentos compulsivos ou de um possível quadro obsessivo compulsivo. Se você percebe que essa necessidade de certeza está começando a limitar sua vida ou gerar sofrimento significativo, vale a pena olhar para isso com mais profundidade em um processo terapêutico. Se você sentir que faz sentido para você, ficarei muito feliz em te acolher no meu consultório e, através da psicanálise, construirmos juntos uma compreensão mais profunda sobre a origem e a função desses padrões, sem precisar reduzir sua experiência a um diagnóstico.
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Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu
Olá, boa noite.
Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
Eu deveria procurar ajuda?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Oi. Pelo que você descreve, eu acredito que sim, seria importante procurar ajuda, e não porque exista algo “errado” em você, mas porque você parece estar carregando um sofrimento grande demais para precisar lidar com ele sozinho. Essa sensação de que até momentos genuinamente felizes depois parecem distantes, como se não tivessem acontecido exatamente com você, junto desse vazio persistente, da falta de vontade, da angústia diante da passagem do tempo e da dificuldade de imaginar um futuro possível, são experiências que merecem ser escutadas com bastante cuidado. E tem uma parte do que você escreveu que eu considero especialmente importante: quando começam a aparecer pensamentos de “acabar com tudo”, mesmo que eles venham e vão ou que você não tenha certeza de querer fazer alguma coisa, não é preciso esperar que isso fique mais grave para pedir ajuda. Se neste momento você estiver pensando em se machucar, tiver imaginado uma forma de fazer isso, sentir que pode perder o controle ou que não consegue garantir a própria segurança, procure atendimento de urgência agora e, se puder, não fique sozinho: conte a alguém de confiança o que está acontecendo e vá a uma UPA ou pronto-socorro, ou acione o SAMU pelo 192; o SAMU também atende urgências de natureza psiquiátrica. Você também pode ligar gratuitamente para o CVV pelo 188, 24 horas por dia, caso precise conversar e atravessar um momento de crise, lembrando que esse serviço é de apoio emocional e não substitui tratamento psicológico ou psiquiátrico. Se você estiver seguro neste momento, ainda assim eu recomendaria começar um acompanhamento psicológico e, dependendo da avaliação, também psiquiátrico. Em psicoterapia, não precisaríamos começar exigindo que você já soubesse o que quer fazer da vida ou tivesse planos para o futuro; podemos começar justamente por esse vazio, pela sensação de desconexão, pelo medo do que vem pela frente e por esse lugar em que aquilo que você deseja parece tão distante que você já começa a desistir antes mesmo de alcançá-lo. Muitas vezes, antes de reconstruir projetos, é preciso compreender o que tornou tão difícil continuar desejando e se sentir pertencendo à própria vida. Se você quiser, podemos conversar sobre iniciar esse acompanhamento comigo; eu posso te oferecer um espaço para olhar com profundidade para tudo isso, sem julgamentos e sem exigir que você esteja bem para começar, mas, se houver risco de você se machucar agora, a prioridade é primeiro garantir sua segurança e buscar atendimento presencial imediato.
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Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr
Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Eu entendo por que, diante de tantas experiências de afastamento, você possa chegar à conclusão de que ser sozinho e o mais autossuficiente possível seria uma forma de se proteger da dor de perder alguém, mas talvez seja importante observar que existe uma diferença entre escolher a solitude porque ela faz bem e construir uma vida de isolamento para não correr o risco de sofrer. As relações humanas realmente são marcadas por mudanças, algumas pessoas permanecem por muitos anos, outras atravessam apenas determinados períodos da nossa vida, e isso não significa necessariamente que o vínculo tenha sido inútil ou que você tenha investido em vão. Quando alguém vai embora, não precisamos necessariamente substituir essa pessoa ou encontrar outra para preencher uma lacuna, porque cada relação ocupa um lugar próprio e deixa experiências, aprendizados e marcas afetivas que não precisam ser reproduzidas por outra pessoa. A ideia de ser completamente autossuficiente pode parecer segura, mas nenhum ser humano é emocionalmente independente o tempo todo, e precisar de vínculos não significa ser fraco, dependente ou incapaz de ficar sozinho. Talvez a questão mais profunda seja compreender o que essas despedidas despertam em você e se, diante do medo de perder novamente, você está começando a abrir mão também da possibilidade de viver relações significativas. Em terapia, podemos olhar justamente para essa experiência de perda, para a maneira como você constrói seus vínculos e para o significado que você atribui ao fato de as pessoas partirem, sem tentar simplesmente convencer você de que precisa ter muitos amigos. Se você sentir que gostaria de compreender melhor esse padrão e construir uma relação mais tranquila com seus próprios vínculos, será muito bem vindo ao meu trabalho como psicanalista, e podemos investigar juntos essas questões com profundidade e acolhimento.
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Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré
Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O seu receio é bastante compreensível, porque terapia de casal só funciona verdadeiramente quando o espaço terapêutico consegue acolher a realidade do casal sem tentar encaixá-la previamente em um modelo considerado “correto” de relacionamento. Um relacionamento aberto não é, por si só, um problema a ser corrigido; o que merece ser trabalhado são as questões que surgem dentro dessa configuração, como acordos, limites, ciúmes, inseguranças, comunicação, diferenças de desejo, confiança e eventuais mudanças nas necessidades de cada um. Existem terapeutas de casal que conseguem trabalhar muito bem com diferentes configurações relacionais, mas eu considero importante procurar alguém que tenha, além da formação em terapia de casal, uma postura efetivamente aberta e não julgadora diante da não monogamia consensual. Vocês não precisam necessariamente encontrar alguém que trabalhe exclusivamente com relacionamentos abertos, mas é importante que o profissional tenha familiaridade com essa dinâmica e, sobretudo, não parta da premissa de que a solução será transformar vocês em um casal monogâmico. Na primeira conversa, inclusive, vocês podem perguntar diretamente ao terapeuta qual é sua experiência com relacionamentos abertos e como ele costuma trabalhar quando os acordos do casal são diferentes do modelo tradicional. Isso já oferece uma boa percepção de segurança e compatibilidade. No meu trabalho clínico, eu parto justamente desse princípio: não cabe ao terapeuta determinar qual formato de relacionamento é adequado para o casal, mas compreender profundamente como aquele vínculo funciona, quais acordos sustentam a relação e onde estão surgindo os conflitos, ajudando ambos a construírem escolhas mais conscientes e emocionalmente seguras. Se vocês sentirem que essa abordagem faz sentido para o momento que estão vivendo, ficarei muito feliz em conhecê-los e oferecer esse espaço de escuta para que possam falar sobre a relação de vocês com liberdade, sem precisar se defender ou justificar o formato que escolheram para amar.
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Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi
Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está descrevendo não me parece uma contradição, mas sim o sofrimento de alguém que está atravessando uma mudança de vida enorme antes de ter tido a oportunidade de construir com calma a própria identidade, autonomia e os próprios projetos. Aos 23 anos, é compreensível olhar para a gravidez e sentir simultaneamente amor, medo, perda, culpa e até a sensação de que a vida que você imaginava que poderia começar agora está sendo substituída por outra que você não escolheu completamente. E uma coisa importante: o fato de você sentir que “ele será amado e eu não” não significa que você não ame seu bebê ou que seja uma pessoa egoísta; pode significar que existe uma parte sua pedindo para também ser cuidada, reconhecida e lembrada. Seu filho não precisa ocupar o lugar de toda a sua vida, e tornar-se mãe não significa deixar de ser mulher, filha, profissional, amiga, pessoa com desejos, curiosidades e projetos próprios. Talvez, neste momento, você não consiga enxergar quais são esses projetos justamente porque está em uma fase de transição tão grande; você não precisa ter agora uma lista de grandes objetivos para provar que tem uma vida. Podemos começar muito menor: descobrir o que você gosta, o que gostaria de experimentar, que tipo de pessoa deseja se tornar, quais relações quer construir, que autonomia deseja conquistar e que espaço precisa preservar para você depois que o bebê nascer. Também quero olhar com carinho para essa mudança que você está fazendo sem contar à sua mãe, porque parece existir aí uma tentativa importante de construir autonomia, mas talvez acompanhada de muito medo e solidão. Você não precisa resolver toda a sua vida antes de o bebê nascer. Neste momento, talvez a tarefa seja construir uma vida em que **você e seu filho possam existir juntos, sem que um precise desaparecer para que o outro exista**. E, se você percebe que o sofrimento psicológico está muito intenso, que esses pensamentos estão tomando conta de você ou que está se sentindo desesperada, eu realmente recomendo que não atravesse esse período sozinha; a gestação também merece cuidado emocional. Na terapia, podemos trabalhar justamente essa transição, não para convencer você a “gostar” da gravidez, mas para ajudá-la a compreender o que está sentindo, recuperar a sensação de autoria sobre a própria vida e construir, aos poucos, uma identidade que inclua a maternidade sem ser reduzida a ela.
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Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico
Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.
Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve, por si só, não caracteriza traição. Pensar em como alguém do passado vai enxergá-la, querer parecer bonita, interessante ou bem-sucedida quando encontra um antigo paquera é uma experiência bastante humana e não significa que exista desejo de retomar aquele vínculo ou de desrespeitar o seu relacionamento atual. É importante separar **pensamento, emoção, comportamento e intenção**: você pode sentir ansiedade e vontade de causar uma boa impressão sem que isso represente uma escolha de trair seu parceiro. Inclusive, quanto mais você interpreta esses pensamentos como moralmente errados, mais provavelmente começa a monitorá-los, analisá-los e buscar garantias de que “não fez nada errado”, o que pode alimentar ainda mais a ansiedade. Dependendo da frequência, da intensidade e principalmente do quanto você fica presa em verificações mentais, culpa, necessidade de certeza ou tentativas de neutralizar os pensamentos, isso pode ter características compatíveis com um funcionamento obsessivo; por outro lado, também pode estar relacionado à autoestima, à necessidade de aprovação ou simplesmente à preocupação bastante comum com a imagem que transmitimos aos outros. Não seria adequado concluir TOC apenas a partir desse relato. Eu exploraria, por exemplo, o que exatamente você teme que aquela pessoa pense sobre você, por que a opinião dela ainda parece ter tanto peso e o que você acredita que significaria, sobre você mesma, caso ela não a considerasse bonita, bem-sucedida ou interessante. Talvez a questão mais profunda não seja “estou traindo meu parceiro?”, mas **“por que eu preciso tanto que determinadas pessoas confirmem que eu sou alguém de valor?”**. E essa é uma questão muito mais fértil terapeuticamente, porque permite trabalhar não apenas o comportamento diante desses encontros, mas a relação que você estabeleceu com a própria autoestima e com o olhar do outro.
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Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam
Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.
Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Eu entendo a sua angústia. E, pelo que você descreve, talvez o mais importante neste momento não seja tentar responder imediatamente “eu ainda amo ou não?”, mas compreender o que está acontecendo com os seus sentimentos.
O fato de você não se sentir presa, desconfortável ou distante dele, continuar gostando das conversas e reconhecer o cuidado e o amor que ele demonstra são aspectos importantes. Ao mesmo tempo, perceber uma diminuição do entusiasmo e da sensação gostosa que existia antes também merece ser olhado com cuidado, sem culpa e sem se obrigar a sentir algo que não está sentindo.
Às vezes, a ansiedade faz com que a pessoa comece a observar os próprios sentimentos o tempo todo: “Será que ainda amo? Por que não sinto como antes? E se eu estiver confundindo tudo?”. E essa tentativa constante de encontrar uma certeza pode, inclusive, aumentar ainda mais a dúvida e afastar a pessoa da própria experiência emocional.
Em um processo terapêutico, podemos investigar isso com calma: diferenciar amor, vínculo, desejo, rotina, ansiedade, medo de perder, carência e expectativas sobre o que “deveríamos” sentir em um relacionamento. E, principalmente, entender o que mudou dentro de você e dentro dessa relação.
Você não precisa decidir agora se deve ficar ou terminar. Primeiro, podemos compreender. E, a partir dessa compreensão, perceber se existe espaço para reconstruir a conexão e o carinho que você sente falta sem forçar sentimentos e sem fingir.
Se você sentir que faz sentido para você, gostaria de te convidar para uma primeira consulta comigo. Podemos conversar justamente sobre tudo isso, com acolhimento e sem julgamentos, para que você tenha um espaço seguro para entender o que está vivendo. Às vezes, quando conseguimos organizar aquilo que estamos sentindo, a resposta que parecia impossível começa a aparecer com muito mais clareza.
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Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm
Olá!
Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
Eu também tenho a sensação de não pertencimento
O que de fato é está se curando?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está descrevendo é muito mais compatível com um processo de desenvolvimento do que com um fracasso na sua evolução. Pense em tudo o que mudou em seis meses: você entrou em um trabalho que inicialmente despertava muita ansiedade, conseguiu permanecer nele, passou a interagir com pessoas diariamente e percebe que hoje está significativamente menos travada. Isso é evidência concreta de progresso, mesmo que ainda existam desconforto, timidez e insegurança. E talvez seja justamente aí que esteja uma mudança importante de perspectiva: **curar a ansiedade social não significa necessariamente deixar de ser uma pessoa tímida, quieta ou mais reservada**. A questão não é transformar você em alguém extrovertida, mas fazer com que a sua personalidade não seja governada pelo medo. Você pode continuar sendo uma pessoa séria e falar pouco, mas conseguir falar quando deseja, olhar para alguém, expressar uma opinião, colocar um limite ou participar de uma conversa sem sentir que precisa se transformar para ser aceita. Os comentários dos outros podem incomodar, especialmente porque você cresceu recebendo avaliações negativas e sofreu bullying; portanto, é compreensível que hoje uma simples observação como “você é muito quieta” possa tocar em uma ferida antiga e fazer surgir a dúvida: “será que há algo errado comigo?”. Mas o comentário de alguém sobre você não é uma medida objetiva da sua evolução. Talvez você esteja falando mais, mas ainda seja mais silenciosa do que seus colegas; as duas coisas podem ser verdadeiras simultaneamente. Em relação ao sentimento de não pertencimento, eu daria bastante atenção a ele, porque pertencer não significa conseguir conversar o tempo inteiro ou ser a pessoa mais expansiva do ambiente; significa conseguir sentir que existe espaço para você ser quem é sem precisar desempenhar uma personalidade para merecer estar ali. Então, talvez a sua recuperação não seja chegar ao ponto em que ninguém mais diga “você é quieta”, mas chegar ao ponto em que, quando alguém disser isso, você consiga pensar: **“Sim, eu sou mais quieta. E isso não significa que há algo errado comigo.”** A ansiedade social vai perdendo força justamente quando você deixa de organizar sua vida em torno da necessidade de evitar julgamento e começa a escolher seus comportamentos de acordo com aquilo que realmente deseja. E você já tem uma evidência muito bonita disso: aquela mulher que entrou nesse trabalho há seis meses, travada e extremamente ansiosa, não é exatamente a mesma mulher que está trabalhando hoje e percebendo que consegue lidar melhor com as pessoas. Talvez você ainda não esteja onde gostaria de estar, mas isso não significa que não esteja caminhando.
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Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico
Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está vivendo é muito angustiante, mas é importante saber que você não “estragou” sua mente por ter pesquisado demais e que esse ciclo pode ser interrompido. Muitas vezes acontece justamente isso: o medo leva à pesquisa, a pesquisa aumenta a atenção aos sintomas, os sintomas passam a parecer mais ameaçadores, a ansiedade aumenta e surge ainda mais necessidade de pesquisar e buscar certezas. Neste momento, talvez o mais importante seja interromper esse ciclo: evite pesquisas sobre sintomas, diagnósticos e relatos de crises, não fique testando seu corpo ou procurando sinais de que algo está errado e, quando surgir a vontade de pesquisar, tente lembrar: “Eu não preciso encontrar mais uma resposta agora; preciso aprender a atravessar essa sensação.” Você também não precisa combater cada pensamento negativo que encontrou na internet; pensamentos são pensamentos, não previsões nem verdades sobre o seu futuro. Como você já iniciou medicação, mantenha o acompanhamento com o médico que prescreveu e não faça alterações por conta própria. E, principalmente, não pense que precisa sair de casa e recuperar toda a sua vida de uma vez: podemos trabalhar isso gradualmente, respeitando o seu momento e reconstruindo sua segurança aos poucos. Se a terapia online não funciona para você, podemos conversar sobre isso e encontrar uma forma de atendimento que seja possível neste momento. Se fizer sentido, gostaria de te convidar para uma primeira consulta comigo; podemos começar exatamente pelo que está acontecendo agora, com acolhimento e sem julgamentos, para compreender esse ciclo e construir, passo a passo, um caminho para você recuperar sua autonomia e voltar a viver com mais tranquilidade.
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A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion
A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja passando por tudo isso. Pelo que você descreve, seu sofrimento é intenso e está afetando praticamente todas as áreas da sua vida: seus estudos, seu relacionamento, sua capacidade de concentração, sua memória, sua energia e até a forma como você enxerga a si mesma e aos outros. Esses sintomas podem, sim, estar presentes em um quadro de depressão, mas também podem ocorrer em transtornos de ansiedade, após períodos de estresse intenso ou em outras condições que precisam ser avaliadas com cuidado. Por isso, não é possível fazer um diagnóstico apenas por esse relato, mas é muito importante que você procure ajuda o quanto antes. Quanto mais cedo esse sofrimento for compreendido e tratado, maiores são as chances de recuperação. Quero que você saiba também que a sensação de estar "vegetando", de ter perdido quem você era ou de acreditar que as pessoas a odeiam não define a realidade, mas pode ser a forma como sua mente está interpretando o mundo neste momento de adoecimento. Você não precisa enfrentar isso sozinha. A psicoterapia pode ajudá-la a compreender a origem desse sofrimento, fortalecer seus recursos emocionais e, se necessário, trabalhar em conjunto com um psiquiatra para que você receba o tratamento mais adequado. E quero fazer um convite: permita-se ser acolhida. Será um prazer caminhar ao seu lado nesse processo de cuidado, oferecendo um espaço seguro, sem julgamentos, para que você possa recuperar sua saúde emocional, reencontrar a si mesma e voltar a viver com mais leveza. Se, além disso, em algum momento você sentir que a dor está insuportável ou surgir qualquer pensamento de machucar a si mesma ou de que a vida não vale a pena, procure imediatamente alguém de sua confiança ou um serviço de urgência. Você merece ajuda e não precisa carregar esse sofrimento sozinha.
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Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins
Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.
Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.
As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.
Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, isso pode ser absolutamente normal. O que você descreve não se parece com um sinal de que há algo errado no seu relacionamento, mas sim com o contraste entre uma experiência de grande proximidade e o retorno à rotina. Quando passamos vários dias compartilhando momentos cotidianos com quem amamos, nosso corpo e nossa mente se adaptam à presença dessa pessoa: às conversas espontâneas, ao carinho, aos pequenos rituais do dia a dia e à sensação de companhia. Ao voltar para casa, é natural que exista um período de readaptação, e essa saudade pode ser vivida como um vazio temporário. Na perspectiva psicanalítica, esse sentimento também nos fala sobre a importância que esse vínculo tem para você. Amar alguém significa, inevitavelmente, experimentar a presença e também a ausência. A ausência dói justamente porque houve um encontro significativo, e isso não é um sinal de fraqueza ou dependência emocional. O mais importante é observar se essa tristeza diminui com o passar dos dias e permite que você retome sua rotina, seus estudos, seus interesses e sua vida, enquanto espera com alegria pelo próximo encontro. Se, em algum momento, essa saudade passar a dominar seus dias, gerar sofrimento constante ou impedir que você viva sua própria vida, vale a pena investigar mais profundamente o que ela representa. A psicoterapia pode ajudá-la a compreender esse mundo interno, diferenciando uma saudade saudável de questões emocionais mais profundas. Se sentir que gostaria de entender melhor o que esse vazio está comunicando sobre sua história e sua forma de amar, será um prazer acolher você em terapia e caminhar ao seu lado nesse processo de autoconhecimento e fortalecimento emocional.
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Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in
Olá, tudo bem?
Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma dúvida muito frequente e, curiosamente, o fato de você estar se perguntando isso já mostra uma postura de reflexão importante. A verdade é que não existe um sinal único que diferencie a transferência de um interesse amoroso ou sexual "real", porque, na psicanálise, essas duas experiências podem se entrelaçar. A transferência acontece quando sentimentos, expectativas e formas de se relacionar que foram construídos ao longo da sua história passam a ser vividos na relação com a psicóloga. Isso pode incluir admiração, necessidade de aprovação, desejo de proximidade, ciúmes, raiva e, sim, até sentimentos amorosos ou atração sexual. Isso não significa que esses sentimentos sejam "falsos". Eles são reais, mas o mais importante é compreender o que eles representam na sua história. Perguntas como "o que exatamente nela desperta esse interesse?", "eu gostaria de conhecê-la como pessoa ou sinto que ela ocupa um lugar muito especial por tudo o que representa para mim?" e "esse sentimento apareceu depois de eu me sentir profundamente compreendido e acolhido?" podem ajudar nessa reflexão. A relação terapêutica é justamente um espaço para que essas vivências possam ser exploradas sem vergonha ou julgamento. Falar sobre isso com sua psicóloga não prejudica o tratamento; pelo contrário, costuma enriquecer muito o processo, porque permite compreender necessidades afetivas, padrões de vínculo e desejos que talvez estejam se repetindo em outros relacionamentos. Na psicanálise, a transferência não é um obstáculo, mas um dos principais caminhos para o autoconhecimento. Se esse tema desperta dúvidas ou desconforto, permita-se levá-lo para a sessão. É justamente nesse espaço de escuta que esses sentimentos podem ganhar significado e abrir caminho para transformações profundas. E, se você busca um processo terapêutico fundamentado na psicanálise, com uma escuta acolhedora e ética, será um prazer acompanhar você nessa jornada de compreender não apenas o que sente pela sua terapeuta, mas o que esses sentimentos revelam sobre sua própria história e sua forma de amar.
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Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma
Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de qualquer coisa, quero que você saiba de algo muito importante: você não é defeituosa. O que está acontecendo com você é uma resposta profundamente humana de alguém que viveu violências muito precoces, e seu corpo e sua mente aprenderam a associar a intimidade ao perigo, mesmo quando hoje você está ao lado de alguém que ama e em quem confia. O choro, o medo, as crises de pânico e as lembranças invasivas não são escolhas suas, mas sinais de que esses traumas ainda precisam ser elaborados em um espaço seguro. Você não precisa enfrentar isso sozinha, nem recorrer ao álcool para tentar aliviar uma dor que, infelizmente, costuma se intensificar dessa forma. Na psicoterapia psicanalítica, trabalhamos justamente para compreender a origem desse sofrimento, dar sentido ao que ficou sem palavras e ajudá-la a reconstruir uma relação mais segura consigo mesma, com seu corpo e com seus vínculos. Existe tratamento, existe possibilidade de viver a intimidade sem que o passado domine o presente. Se você sentir que este é o momento de cuidar de si, será um prazer acolher sua história e caminhar ao seu lado nesse processo de reconstrução, com respeito, escuta e sem julgamentos.
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Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen
Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está sentindo é muito mais comum do que imagina, e quero que saiba que sua angústia merece ser levada a sério. O desejo de construir um vínculo profundo faz parte da experiência humana e não há nada de fútil nisso. Percebo também que você parece acreditar que existe um momento "certo" para amar ou que precisa estar completamente realizado para merecer um relacionamento, mas a vida raramente acontece dessa forma. Muitas vezes, as perguntas "quando serei feliz?" ou "quando encontrarei a pessoa certa?" escondem outra questão ainda mais importante: como você tem se relacionado consigo mesmo e com sua própria história? Na psicanálise, compreendemos que nossos relacionamentos não são construídos apenas no presente, mas também carregam marcas das experiências afetivas que vivemos ao longo da vida. Explorar essas marcas pode ajudá-lo a entender por que alguns vínculos parecem superficiais, o que você realmente busca no outro e quais expectativas têm acompanhado essa busca. Você não precisa esperar que sua vida esteja perfeita para viver o amor, mas pode transformar esse momento de espera em uma oportunidade de se conhecer profundamente. Se fizer sentido para você, será um prazer acolher sua história em psicoterapia e caminhar ao seu lado nesse processo, para que esse desejo de compartilhar a vida deixe de ser apenas uma fonte de sofrimento e possa se tornar uma experiência mais consciente, segura e possível.
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Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma pergunta muito delicada, e o simples fato de você estar se questionando já demonstra o quanto essa situação é importante para você. Quero que saiba que não é incomum que, durante a gestação, muitas mulheres sintam ambivalência: ao mesmo tempo em que existe a possibilidade de desejar o bebê, também podem surgir medo, insegurança, tristeza ou até dificuldade de se conectar com a ideia da maternidade. Isso não significa, necessariamente, que você esteja rejeitando o bebê. Muitas vezes, o que ainda não foi aceito é a transformação profunda que a chegada de um filho representa na vida, na identidade, nos planos e na rotina. Na perspectiva psicanalítica, essas emoções fazem parte de um processo de elaboração e merecem ser escutadas sem culpa ou julgamentos, para que você possa compreender o que, de fato, está sendo vivido. Se esses sentimentos têm trazido sofrimento, culpa ou persistem de forma intensa, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para acolher essas dúvidas, ajudá-la a diferenciar o medo da maternidade de uma dificuldade de vinculação com o bebê e construir essa experiência de forma mais tranquila. Se sentir que precisa desse apoio, será um prazer acolher você e caminhar ao seu lado nesse momento tão significativo da sua vida.
Perguntas frequentes
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Fiz a cirurgia do desvio a um mês e ainda estou sem olfato, e sentindo tudo fedendo isso é normal?
Sim. Com um mês de pós operatório, ainda pode haver alteração do olfato,…