Perguntas do paciente (527)
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Como o estresse influencia a “aparente incoerência” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
Como o estresse influencia a “aparente incoerência” no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno de Personalidade Borderline o estresse tem um papel central naquilo que muitas vezes é percebido de fora como “incoerência”, mas que, do ponto de vista clínico, é melhor compreendido como uma oscilação intensa e rápida dos estados psíquicos. Sob condições de maior ativação emocional, o sujeito com TPB apresenta uma dificuldade significativa de manter a integração entre afetos, pensamentos e representações de si e do outro. Isso ocorre porque o estresse exacerba mecanismos mais primitivos de funcionamento psíquico, como a cisão, fazendo com que experiências sejam vividas de forma polarizada, ora totalmente boas, ora totalmente más, sem continuidade entre esses estados.
Além disso, o aumento do estresse reduz a capacidade de mentalização, ou seja, a habilidade de compreender os próprios estados mentais e os dos outros de maneira estável. Com isso, pequenas mudanças no ambiente ou nas relações podem ser interpretadas de forma intensa e ameaçadora, levando a reações que parecem contraditórias ao observador externo, mas que fazem sentido dentro daquele estado emocional momentâneo. Não se trata, portanto, de incoerência no sentido de falta de lógica, e sim de uma lógica dependente do estado afetivo vigente, que muda rapidamente quando o nível de estresse se altera.
Outro ponto importante é que o estresse pode desencadear episódios transitórios de desorganização, como sentimentos de vazio, impulsividade, ideação paranoide leve ou sintomas dissociativos. Nesses momentos, há uma espécie de “quebra” na continuidade da experiência subjetiva, o que contribui ainda mais para essa aparência de inconsistência. Em termos psicodinâmicos, o ego fica temporariamente menos capaz de sustentar uma narrativa coesa, e diferentes “configurações do self” emergem conforme o afeto predominante.
Assim, a chamada incoerência no TPB é, na verdade, uma expressão da sensibilidade extrema ao estresse e da dificuldade de integrar experiências emocionais intensas. O trabalho terapêutico busca justamente ampliar a capacidade de regulação emocional, fortalecer a integração do self e promover maior estabilidade na forma como o sujeito vivencia a si mesmo e os outros ao longo do tempo.
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O que caracteriza um conflito terapêutico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
O que caracteriza um conflito terapêutico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno de Personalidade Borderline, o conflito terapêutico é praticamente constitutivo do processo e não deve ser entendido como falha, mas como expressão direta da dinâmica psíquica do paciente emergindo na relação transferencial. Ele se caracteriza pela tensão entre necessidades emocionais intensas e, ao mesmo tempo, profundamente ambivalentes em relação ao vínculo com o terapeuta.
De um lado, há uma busca por proximidade, validação e segurança; de outro, um medo igualmente intenso de dependência, rejeição ou abandono. Essa ambivalência tende a se manifestar em movimentos oscilatórios na relação terapêutica, como idealização seguida de desvalorização, aproximação seguida de afastamento, confiança seguida de suspeita. O conflito, portanto, não é apenas interpessoal, mas intrapsíquico, sendo encenado no campo terapêutico.
Outro elemento central é a fragilidade na integração do self e do objeto. Isso faz com que o terapeuta seja percebido de maneira não contínua, variando conforme o estado afetivo do paciente. Pequenas frustrações, limites técnicos ou interpretações podem ser vividos como falhas graves ou rejeições, ativando respostas emocionais desproporcionais. Nesses momentos, o conflito pode aparecer como rupturas na aliança, questionamentos sobre a intenção do terapeuta ou mudanças abruptas na narrativa do paciente.
A capacidade de mentalização também oscila, especialmente sob estresse. Em estados de maior desorganização, o paciente pode ter dificuldade de reconhecer o terapeuta como um outro separado, com mente própria, o que favorece interpretações concretas ou persecutórias da relação. Isso intensifica o conflito, pois a comunicação perde nuance e passa a ser regida por afetos intensos e pouco elaborados.
Há ainda um componente importante de teste de vínculo. O paciente pode, de forma não necessariamente consciente, colocar a relação em situações de tensão para verificar sua estabilidade, sua confiabilidade e os limites do outro. Isso pode incluir comportamentos que parecem provocativos ou contraditórios, mas que, clinicamente, funcionam como tentativas de garantir que o vínculo suporte frustração sem colapsar.
Uma leitura crítica necessária é que o conflito terapêutico, no TPB, não deve ser reduzido a “resistência” no sentido clássico, nem interpretado como oposição ao tratamento. Ele é, muitas vezes, o próprio material clínico central. O manejo exige consistência técnica, validação sem conivência, clareza de limites e capacidade de sustentar a relação mesmo diante de ataques ou retraimentos. Quando bem trabalhado, o conflito se torna um espaço privilegiado para promover integração psíquica, ampliar a capacidade reflexiva e construir formas mais estáveis de relação consigo e com o outro.
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Superdotação e ansiedade social é confundivel? Por exemplo a sensação de hipervigilancia e muita con
Superdotação e ansiedade social é confundivel? Por exemplo a sensação de hipervigilancia e muita consciência é devido a ansiedade ativada?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olha… essa tua pergunta é muito importante, porque toca num ponto em que muita gente se confunde, inclusive profissionais às vezes.
Sim, pode ser confundível. E mais do que isso, muitas vezes as duas coisas se misturam dentro da mesma pessoa.
Quando a gente fala de superdotação, não estamos falando só de inteligência no sentido acadêmico. Estamos falando de um funcionamento psíquico mais intenso: percepção mais aguçada, pensamento mais rápido, maior sensibilidade aos estímulos e, principalmente, uma consciência muito ativa, de si e do outro.
Então essa hipervigilância que tu descreve pode, sim, ter duas origens diferentes, ou coexistir.
Por um lado, pode vir dessa capacidade ampliada de perceber nuances. Tu capta microexpressões, mudanças de tom, incoerências, coisas que passam despercebidas pra maioria. Isso não é ansiedade, isso é percepção.
Mas, por outro lado, quando essa percepção se encontra com insegurança, medo de julgamento, experiências de rejeição ou um senso de inadequação, ela deixa de ser só percepção e vira vigilância ansiosa.
A diferença central está no estado interno.
Quando é mais ligado à superdotação, essa consciência vem com curiosidade, análise, até um certo distanciamento. Tu percebe muito, mas não necessariamente sofre com isso o tempo todo.
Quando é ansiedade social, essa mesma percepção fica carregada de ameaça. Tu não só percebe, tu interpreta como risco. O corpo entra em alerta, vem tensão, autocobrança, medo de errar, de ser visto, de ser exposto.
Então a pergunta mais importante não é de onde vem, mas o que isso te faz sentir no corpo e na relação com os outros.
Se essa hipervigilância te paralisa, te faz evitar, te deixa exausto depois de interações, tem ansiedade aí operando.
Agora, tem um ponto delicado que eu quero que tu escute com calma.
Pessoas com alta capacidade muitas vezes crescem se sentindo diferentes, deslocadas, não pertencentes. E isso, ao longo do tempo, pode gerar ansiedade social secundária. Não porque há algo errado nelas, mas porque o ambiente não acompanhou.
Então não é uma coisa ou outra.
Às vezes é uma mente muito potente tentando se proteger.
E aí o trabalho não é desligar essa consciência, porque isso faz parte de quem tu é.
O trabalho é tirar dela o peso da ameaça.
Me diz uma coisa.
Quando tu percebe muito o ambiente, isso vem mais como leitura tranquila ou como uma sensação de perigo?
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Como o terapeuta pode lidar com os sentimentos de vergonha do paciente com Transtorno de Personalida
Como o terapeuta pode lidar com os sentimentos de vergonha do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando você me pergunta isso, eu escuto algo além da técnica. Eu escuto o quanto essa vergonha te atravessa, não como um sentimento pontual, mas como algo que parece dizer quem você é.
Então deixa eu te dizer de forma muito direta: eu não “lido” com a sua vergonha tentando tirá-la de você. Isso, inclusive, costuma piorar tudo. Porque, para você, essa vergonha não é um erro, ela é uma verdade profundamente sentida.
O que eu faço é diferente.
Eu sustento estar com você enquanto essa vergonha aparece.
Porque no Transtorno de Personalidade Borderline, a vergonha costuma ser muito primitiva, muito antiga. Não é só “fiz algo errado”. É mais perto de “eu sou errado”, “eu sou demais”, “eu não deveria existir assim”. E quando isso aparece, você espera, quase automaticamente, que o outro vá confirmar isso, te rejeitar, te julgar, se afastar.
E é aí que o trabalho começa, de verdade.
Quando você me mostra sua vergonha, seja falando, se calando, evitando, atacando, ou até tentando me afastar, eu presto atenção em duas coisas ao mesmo tempo. No que você está sentindo e no que você espera que eu faça com isso.
Porque muitas vezes você já chega esperando que eu te veja como você se vê, inadequado, exagerado, difícil.
E, aos poucos, eu não entro nesse lugar.
Não te corrijo de forma fria, não te exponho, não te invado. Mas também não finjo que não vejo. Eu nomeio, com cuidado, o que está acontecendo entre nós.
Algo como:
“Percebo que, quando você fala disso, parece surgir uma vergonha muito forte, como se você estivesse se vendo de um jeito muito duro. Fico pensando se, em algum nível, você espera que eu também te veja assim.”
Percebe? Eu não tiro a vergonha. Eu ajudo você a olhar para ela, sem que você esteja sozinho dentro dela.
Com o tempo, isso vai criando uma experiência nova. A de ser visto exatamente onde você sente mais vergonha e ainda assim não ser abandonado, nem humilhado, nem destruído.
E isso é profundamente transformador.
Mas tem mais uma coisa importante. Às vezes, essa vergonha vem acompanhada de raiva, de impulsos, de rupturas na relação, inclusive comigo. E isso não é um problema do tratamento. Isso é o material do tratamento.
Quando você me ataca, se afasta, ou sente que quer desistir, muitas vezes é a vergonha tentando se proteger.
E, nesses momentos, o meu trabalho não é reagir defensivamente, nem te “colocar no lugar”. É tentar entender com você: “o que foi tão difícil aqui que precisou virar isso?”
Então, no fundo, eu não trato a vergonha como algo a ser eliminado. Eu trato como uma porta de entrada para aquilo que, em você, nunca pôde ser vivido com alguém ao lado.
E talvez o mais importante de tudo: eu vou te ajudando, pouco a pouco, a diferenciar uma coisa da outra.
Você sentir vergonha não significa que você seja vergonhoso.
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Como o terapeuta pode lidar com a transição de um vínculo terapêutico com Transtorno de Personalidad
Como o terapeuta pode lidar com a transição de um vínculo terapêutico com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) para o término do tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Eu vou te responder como se estivesse falando contigo dentro do processo, porque essa transição não é só técnica… ela é profundamente emocional.
Quando a gente se aproxima do término num tratamento com Transtorno de Personalidade Borderline, o que está em jogo não é só encerrar sessões. É tocar diretamente em temas muito sensíveis pra ti, como abandono, continuidade do vínculo e medo de deixar de existir na mente do outro.
Então o terapeuta não “encerra” de forma brusca. Ele começa a trabalhar o término muito antes dele acontecer.
Primeiro, ele precisa nomear o que está acontecendo. Não evitar o assunto. Trazer pra consciência que o processo está caminhando para um fechamento. Porque, pra ti, o não dito pode virar fantasia, e a fantasia muitas vezes vai para o pior cenário.
Ao mesmo tempo, ele sustenta o vínculo enquanto fala do fim. Isso é essencial. Não é se afastar aos poucos de forma fria, é justamente o contrário. É mostrar que é possível existir proximidade mesmo quando existe uma separação se aproximando.
É comum que nessa fase apareçam movimentos intensos. Tu pode sentir mais necessidade do terapeuta, ou vontade de se afastar antes que ele vá embora, ou até desvalorizar o processo. Nada disso é “erro”. São formas de tentar lidar com algo que, lá no fundo, toca em experiências antigas de perda.
E o terapeuta precisa conseguir sobreviver a isso sem retaliar, sem se afastar emocionalmente e sem “punir” esses movimentos. Ele precisa entender isso como comunicação.
Outra coisa muito importante é construir contigo a ideia de continuidade interna.
O vínculo não precisa acabar dentro de ti só porque as sessões terminam. O que foi vivido ali pode ser internalizado. A função do terapeuta vai, aos poucos, sendo incorporada por ti.
Mas isso não se diz só com palavras. Isso se constrói na experiência repetida de:
tu se sentir visto
tu se sentir compreendido
e isso permanecer estável, mesmo quando o fim é nomeado
O término saudável não é aquele que não dói.
É aquele em que a dor pode ser sentida sem que ela vire desorganização.
E tem mais um ponto delicado que eu quero que tu escute com cuidado:
o terapeuta também precisa estar atento ao próprio movimento. Porque, às vezes, ele pode querer prolongar demais pra não te frustrar, ou encerrar rápido demais pra fugir da intensidade. E nenhum desses extremos ajuda.
O bom término é aquele que é vivido junto. Pensado junto. Sentido junto.
Me diz… quando tu pensa em término, o que aparece mais forte em ti: medo de ser abandonado ou vontade de sair antes disso acontecer?
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. O que é a "Vergonha de Existir" (Vergonha Tóxica)?
. O que é a "Vergonha de Existir" (Vergonha Tóxica)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olha, eu vou te explicar isso de um jeito bem direto.
Quando a gente fala em “vergonha de existir”, não é aquela vergonha comum de ter feito algo errado. É algo mais profundo. É quando, em vez de pensar “eu errei”, você sente “eu sou o erro”.
É como se tivesse algo em você que fosse, na sua percepção, inadequado, defeituoso… como se você não fosse bom o suficiente do jeito que é.
E isso geralmente não começa agora. Isso se forma lá atrás, na infância.
Quando a criança vive situações de crítica, rejeição, comparação, falta de acolhimento… ela não tem maturidade pra pensar “o outro errou comigo”. Ela pensa: “tem algo errado comigo”. E ela guarda isso.
Com o tempo, isso vira uma espécie de voz interna.
Uma sensação constante de:
“vão me julgar”,
“eu não sou suficiente”,
“é melhor eu me esconder”,
“se eu for eu mesmo, vão me rejeitar”.
E aí você pode até funcionar bem na vida, trabalhar, se relacionar, mas por dentro fica essa sensação de inadequação, como se você estivesse sempre devendo, sempre aquém.
Percebe que não é sobre o que você faz… é sobre como você se sente sendo você?
Agora, tem uma coisa importante: isso não é quem você é.
Isso é algo que você aprendeu a sentir sobre si, a partir do que você viveu.
E aqui, no nosso trabalho, a gente não vai tentar “arrancar” isso à força.
A gente vai olhar pra isso com cuidado, entender de onde vem, dar nome.
Porque quando você começa a perceber que essa vergonha foi construída e não que ela é a sua essência algo começa a mudar.
Você deixa de pensar “eu sou assim”
e começa a perceber: “eu aprendi a me sentir assim”.
E isso abre espaço pra você, aos poucos, se relacionar com você mesmo de um jeito diferente.
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Olá, sou um homem de 23 anos e desde que me entendi como gay coloquei uma condição a mim mesmo que s
Olá, sou um homem de 23 anos e desde que me entendi como gay coloquei uma condição a mim mesmo que só ia vivenciar essa sexualidade quando conseguisse independência.
Aos 16, passei numa universidade pública e me formei aos 21, logo consegui um trabalho num comércio em Outubro/23 e 2 anos depois, em Dezembro/25, depois de muita luta, consegui atuar na minha área (sou nutricionista). Paralelamente, usei o salário do antigo emprego pra tirar minha CNH, fazer uma pós - que me rendeu o atual trabalho numa indústria - e formar patrimônio, tanto que hoje tenho R$ 27 mil acumulados.
Assim que consegui meu emprego antigo, aos 21, iniciando uma independência financeira, passei a ter encontros casuais com outros homens e nos últimos meses, comecei a frequentar saunas e bares de pegação.
No entanto, o fato de não ser assumido me aflige muito. Resolvi aproveitar o Carnaval da minha cidade (Olinda) pela 1ª vez e ver vários casais gays se beijando livremente me deu uma sensação de que perdi muito tempo na vida e que a minha personalidade foi tão congelada que eu não consigo ser livre pra beijar em público, dançar, cantar e ser mais afetivo, mesmo em espaços seguros. Em um dos dias, fui acompanhado de um carinha que conheci na sauna que queria ficar comigo mas como não quis fazer nada, ele acabou ficando com outro, mas não chegou a me destratar nem nada, foi respeitoso comigo todo o tempo, me levou até pra almoçar com ele na praia (que eu não ia desde os 14), tentando deixar o clima mais leve. Senti sensações muito boas mas algo ali me fazia sentir que eu tava me aventurando demais.
Eu vou seguir no meu plano mas diariamente eu sinto que eu vou surtar comigo mesmo, não aguento mais me sentir sufocado. Caso alguém se disponha, gostaria de algum conselho de como fazer essa angústia diminuir...RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Eu quero começar te dizendo o quanto a sua trajetória revela força, disciplina e uma capacidade enorme de se responsabilizar pela própria vida. Você construiu independência, se formou, fez pós-graduação, organizou sua vida financeira, conquistou estabilidade profissional tudo isso muito jovem. Isso não é pouca coisa. Mas enquanto você construía essa base externa, uma parte muito essencial de você ficou em suspensão.
Quando você me conta que colocou como condição só viver sua sexualidade depois de conquistar independência, eu escuto algo muito importante aí: você precisou negociar consigo mesmo para sobreviver emocionalmente. Talvez essa regra tenha sido uma forma de proteção. Como se dissesse: “Primeiro eu me fortaleço, depois eu me permito”. Essa estratégia fez sentido em algum momento. O problema é que, quando a proteção permanece além do necessário, ela começa a sufocar.
O que você sentiu em Olinda, vendo casais gays se beijando livremente, não é apenas sensação de “tempo perdido”. É luto. Luto pela adolescência que talvez você não pôde viver com espontaneidade. Luto pela afetividade que precisou ser contida. E junto com o luto vem a percepção de que agora existe desejo, mas também existe medo. Medo de se expor, medo de perder controle, medo de que algo “desande” dentro de você.
Quando você diz que, mesmo em espaços seguros, não consegue ser livre para beijar, dançar, cantar, isso não é incapacidade é congelamento psíquico. Durante anos, você treinou seu corpo e sua mente para conter. Não se desliga um mecanismo de defesa do dia para a noite. Seu corpo aprendeu que se expor pode ser perigoso. Mesmo que racionalmente você saiba que não é.
E perceba algo muito delicado: você teve uma experiência boa com esse rapaz. Ele foi respeitoso, gentil, te levou para almoçar, houve prazer e leveza. Mas ao mesmo tempo surgiu a sensação de estar “se aventurando demais”. Isso mostra que o conflito não está no outro está na autorização interna. Existe um superego muito exigente aí, que talvez diga que você só pode viver a sexualidade sob certas condições, ou que precisa manter controle absoluto para não “perder a linha”.
A angústia que você descreve essa sensação de que vai surtar consigo mesmo é o choque entre o desejo de viver e a estrutura rígida que você construiu para se proteger. E quanto mais você tenta seguir apenas o “plano”, ignorando o sofrimento, mais essa pressão interna aumenta.
Diminuir essa angústia não significa se assumir amanhã ou mudar radicalmente sua vida. Significa começar a integrar as partes de você que ficaram separadas: o homem disciplinado e o homem desejante. O profissional bem-sucedido e o jovem que quer dançar no Carnaval sem culpa. Você não perdeu tempo. Você se protegeu. Agora talvez esteja na hora de aprender, com cuidado, a se permitir.
Esse processo não precisa ser solitário. Na psicanálise, a gente cria um espaço onde você pode falar sem julgamento, explorar esses medos, entender de onde vêm essas exigências internas e construir uma liberdade que não seja impulsiva, mas sustentada. Uma liberdade que não te faça sentir que está “se aventurando demais”, mas que esteja alinhada com quem você é.
Se você quiser, podemos trabalhar isso juntos em sessões online. Será um espaço seguro para você organizar essa angústia, compreender esse sufocamento e, aos poucos, encontrar uma forma mais respirável de existir na sua própria pele. Você não precisa continuar lidando com isso sozinho.
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Meditação como Trataka de olhar a chama da vela não terá resultados nos primeiros dias mesmo olhando
Meditação como Trataka de olhar a chama da vela não terá resultados nos primeiros dias mesmo olhando a vela por muito tempo??
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando você me pergunta se a meditação Trataka, de fixar o olhar na chama da vela, não traz resultados nos primeiros dias mesmo olhando por muito tempo, eu te diria com muita tranquilidade: isso é absolutamente esperado. Na prática de mindfulness e em técnicas contemplativas como o Trataka, o resultado não está no “tempo que você aguenta olhar”, mas na qualidade da presença que você desenvolve ao longo do processo. Nos primeiros dias, é comum sentir inquietação, lacrimejamento, pensamentos acelerados, impaciência e até frustração. Isso não significa que a prática não está funcionando — significa que você está começando a perceber o funcionamento da sua mente.
A mente não foi treinada para permanecer estável; ela foi treinada para sobreviver, antecipar, comparar, julgar. Quando você fixa o olhar na chama, o que aparece não é apenas a chama, mas o seu mundo interno. E esse encontro pode ser desconfortável no início. O benefício vem com a regularidade, com poucos minutos diários, sem forçar. Em mindfulness, nós aprendemos que insistir excessivamente ou buscar um resultado rápido ativa ainda mais a ansiedade. A prática é sobre constância gentil, não sobre desempenho.
Além disso, cada pessoa responde de forma diferente. Às vezes os efeitos iniciais são sutis: um pequeno aumento de consciência, uma leve melhora na capacidade de perceber pensamentos, uma fração de segundo a mais entre o impulso e a reação. São mudanças delicadas, mas profundas quando sustentadas ao longo do tempo.
Se você quiser, podemos trabalhar isso juntos em uma sessão online. Posso te orientar de forma personalizada, ajustando a prática ao seu momento emocional e ao seu funcionamento mental, para que a meditação se torne um recurso real de regulação e não mais uma cobrança interna. Será um prazer te acompanhar nesse processo.
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Mantras como AUM tem poder de fazer relaxar profundamente o corpo mesmo sem sono e entrar em ondas c
Mantras como AUM tem poder de fazer relaxar profundamente o corpo mesmo sem sono e entrar em ondas cerebrais mais lentas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando você me pergunta se mantras como AUM têm o poder de relaxar profundamente o corpo, mesmo sem sono, e induzir ondas cerebrais mais lentas, eu te respondo com equilíbrio entre ciência e experiência clínica: sim, eles podem favorecer esse estado — mas não como algo místico ou automático, e sim como um efeito neurofisiológico da repetição sonora e da atenção sustentada.
O som do AUM produz uma vibração prolongada, especialmente na região torácica e craniana, que estimula o nervo vago. Essa estimulação ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo relaxamento, pela redução da frequência cardíaca e pela diminuição do estado de alerta. Quando isso acontece, o cérebro pode transitar de padrões mais acelerados, como ondas beta (associadas à atividade mental intensa), para padrões mais lentos, como alfa e até teta — estados relacionados a relaxamento profundo e meditação. Isso não é sono, mas é um estado de repouso consciente.
No entanto, é importante entender que esse efeito depende de regularidade, intenção e forma de prática. Não é apenas repetir mecanicamente o som. É sustentar a vibração com presença, perceber o corpo, acompanhar a respiração, permitir que o som ressoe internamente. Muitas vezes, no início, a mente continua agitada — e isso não significa que não está funcionando. Significa que você está começando a perceber o quanto ela já estava acelerada.
Na minha prática clínica com mindfulness, eu sempre reforço que o objetivo não é “forçar o cérebro a entrar em ondas lentas”, mas criar as condições para que o corpo se sinta seguro o suficiente para desacelerar. O relaxamento profundo é consequência, não meta.
Se você quiser, podemos experimentar isso juntos em uma sessão online. Posso te orientar de forma estruturada, ajustando a prática ao seu perfil emocional e às suas necessidades, para que o mantra se torne um recurso real de regulação e não apenas uma técnica isolada. Será um prazer te acompanhar nesse processo.
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A fibromialgia afeta a memória a curto prazo de um paciente ?
A fibromialgia afeta a memória a curto prazo de um paciente ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, a fibromialgia pode afetar a memória de curto prazo, e isso não é “coisa da sua cabeça” nem sinal de falta de inteligência. Muitas pessoas com fibromialgia relatam aquilo que chamamos de “fibrofog”, uma espécie de nevoeiro mental que envolve dificuldade de concentração, lapsos de memória recente, esquecer palavras no meio da frase, perder o raciocínio ou ter mais dificuldade para organizar informações. Isso acontece porque a fibromialgia não é apenas dor física; ela envolve alterações na forma como o sistema nervoso processa estímulos, além de estar frequentemente associada a estresse crônico, ansiedade, alterações do sono e sobrecarga emocional. Quando o corpo vive em estado de alerta constante, com dor persistente e sono não reparador, o cérebro acaba priorizando a sobrevivência e a regulação da dor, e funções como atenção e memória recente podem ficar prejudicadas. Além disso, o sofrimento emocional acumulado — muitas vezes guardado por anos — também impacta diretamente áreas cerebrais responsáveis pela memória e pela concentração. Por isso, é muito importante olhar para a fibromialgia de forma integrada, entendendo que corpo e mente não estão separados. Cuidar das emoções, do estresse e das experiências que ficaram registradas no corpo pode ajudar não só na dor, mas também na clareza mental e na qualidade de vida. Se você quiser, podemos aprofundar isso em uma sessão de psicologia, para compreendermos juntos como a sua história emocional pode estar dialogando com os seus sintomas físicos e construirmos estratégias para você se sentir mais leve, com menos dor e mais presença no seu dia a dia.
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Por que fazer uma avaliação neuropsicológica se a fibromialgia é uma doença de dor?
Por que fazer uma avaliação neuropsicológica se a fibromialgia é uma doença de dor?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Eu entendo a sua dúvida, porque à primeira vista a fibromialgia parece ser “apenas” uma doença de dor, mas hoje sabemos que ela é uma condição que envolve o funcionamento do sistema nervoso como um todo. A dor é o sintoma mais visível, porém muitas pessoas também apresentam dificuldades de atenção, memória, velocidade de processamento, organização mental e até alterações emocionais associadas. A avaliação neuropsicológica não é para questionar a sua dor nem para dizer que ela é psicológica; ao contrário, ela serve para compreender como o seu cérebro está funcionando dentro desse contexto de dor crônica, estresse e possível privação de sono. A dor constante consome recursos cognitivos, altera padrões de ativação cerebral e pode impactar funções executivas e memória. Quando avaliamos isso de forma estruturada, conseguimos diferenciar o que é efeito da dor, do cansaço e da sobrecarga emocional, do que poderia ser outro quadro associado, como ansiedade, depressão ou até alterações cognitivas independentes. Além disso, a avaliação oferece um mapa claro das suas forças e fragilidades cognitivas, permitindo direcionar intervenções mais assertivas, tanto terapêuticas quanto médicas. Isso pode trazer alívio, porque tira você do lugar da dúvida e da autocrítica — não é falta de esforço, não é desatenção voluntária, é um funcionamento que precisa ser compreendido e cuidado. E como a fibromialgia tem uma relação importante com o emocional e com a forma como o corpo registra experiências de estresse ao longo da vida, olhar para isso de maneira integrada pode transformar não só a sua compreensão do quadro, mas também a sua qualidade de vida. Se você sentir que faz sentido, eu te convido para fazermos uma sessão de psicologia, para que possamos conversar com calma sobre os seus sintomas, suas vivências e pensarmos juntas em um caminho de cuidado mais completo e acolhedor para você.
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Qual hemisfério cerebral é majoritariamente associado à compreensão da metáfora e linguagem figurada
Qual hemisfério cerebral é majoritariamente associado à compreensão da metáfora e linguagem figurada?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma pergunta muito interessante, e eu vou te explicar de forma clara e tranquila: tradicionalmente, o hemisfério direito do cérebro é o mais associado à compreensão de metáforas, ironias, duplo sentido e linguagem figurada. Enquanto o hemisfério esquerdo costuma estar mais ligado aos aspectos formais da linguagem — como gramática, vocabulário literal e organização sintática — o hemisfério direito participa mais da interpretação do contexto, da intenção emocional, do tom implícito e daquilo que não está dito de forma direta. É ele que nos ajuda a entender quando alguém diz “estou com o coração apertado” e percebemos que não se trata de uma dor física literal, mas de um sentimento.
No entanto, é importante você saber que o cérebro não funciona de forma isolada, como se cada lado trabalhasse sozinho. A compreensão da linguagem figurada envolve uma integração entre os dois hemisférios, além de redes relacionadas à memória, à experiência emocional e à teoria da mente — que é a capacidade de entender a intenção do outro. Por isso, dificuldades na interpretação de metáforas podem estar associadas não apenas a alterações estruturais, mas também a fatores emocionais, cognitivos ou até ao impacto do estresse crônico sobre o funcionamento cerebral.
Quando olhamos para isso em um contexto clínico, essa informação nos ajuda a entender como você processa comunicação, relações e experiências subjetivas. E muitas vezes, questões emocionais profundas também influenciam a forma como interpretamos o mundo e as entrelinhas das relações.
Se você quiser, podemos explorar isso com mais profundidade em uma sessão de psicologia, entendendo como o seu funcionamento cognitivo e emocional se articulam na sua história e no seu dia a dia, para que você se sinta mais segura, compreendida e fortalecida no seu processo.
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Os pacientes com déficit de processamento figurativo podem ter dificuldade em esportes?
Os pacientes com déficit de processamento figurativo podem ter dificuldade em esportes?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando você me pergunta isso, eu entendo que está tentando fazer uma conexão entre uma dificuldade cognitiva específica e o funcionamento no corpo, na prática, no esporte e essa é uma pergunta muito pertinente.
Sim, pacientes com déficit de processamento figurativo podem apresentar dificuldade em alguns esportes, mas isso não é uma regra absoluta. Depende muito do tipo de esporte e da natureza da dificuldade.
O processamento figurativo está ligado à capacidade de compreender informações não literais, metáforas, nuances, mas também pode envolver aspectos de organização visuoespacial, leitura de contexto e integração global de estímulos. Quando essa dificuldade inclui prejuízos na percepção espacial, na antecipação de movimentos ou na leitura do “todo” da situação, isso pode impactar esportes que exigem:
percepção rápida de trajetórias (como futebol, basquete, vôlei)
coordenação visuomotora fina
leitura estratégica do jogo
adaptação rápida a mudanças no ambiente
Nesses casos, o paciente pode ter mais dificuldade em prever o movimento da bola, entender a dinâmica coletiva do time ou ajustar seu corpo rapidamente ao contexto.
Por outro lado, se o déficit figurativo for mais restrito à linguagem simbólica e à compreensão de metáforas, sem comprometimento visuoespacial ou motor, o impacto esportivo pode ser mínimo ou inexistente.
É importante também diferenciar dificuldade cognitiva de insegurança emocional. Às vezes, o paciente evita esportes não por limitação neurocognitiva, mas por medo de errar, baixa tolerância à frustração ou vergonha especialmente em quadros como TPB, TDAH ou Funcionamento Intelectual Limítrofe, onde a exposição social pode ser vivida como ameaça.
Então, quando observo esse tipo de queixa, eu costumo investigar três dimensões:
processamento visuoespacial
coordenação motora e praxias
regulação emocional diante do erro
Porque nem sempre a dificuldade está “no cérebro motor”; muitas vezes está na forma como o sujeito vivencia o desempenho.
Se você quiser, podemos explorar: essa dificuldade aparece mais como desorganização corporal, como lentidão para entender o jogo, ou como ansiedade diante da performance? Isso muda bastante a compreensão clínica.
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O que é comportamento socialmente inadequado de uma pessoa com Funcionamento Intelectual Limítrofe (
O que é comportamento socialmente inadequado de uma pessoa com Funcionamento Intelectual Limítrofe (FIL), Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno Misto Ansioso e Depressivo (TMAD) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando falamos em comportamento socialmente inadequado nesse contexto, eu quero que você entenda antes de tudo que não estamos falando de falta de caráter, de “má intenção” ou de quem você é como pessoa, mas de formas de reagir que surgem quando suas emoções, seus pensamentos e seus limites internos ficam difíceis de regular ao mesmo tempo. No Funcionamento Intelectual Limítrofe, pode acontecer de algumas regras sociais mais sutis como ironias, limites implícitos ou expectativas não ditas serem compreendidas de forma literal ou confusa, o que pode levar você a falar ou agir de um jeito que os outros estranham sem que essa tenha sido a sua intenção. No Transtorno de Personalidade Borderline, a intensidade emocional e o medo de abandono podem fazer você reagir com explosões, cobranças, impulsividade ou atitudes que depois geram arrependimento, especialmente em relações importantes. No TOC, comportamentos como checagens, repetições, pedidos constantes de garantia ou rigidez excessiva podem aparecer em situações sociais e serem vistos como exagerados, quando na verdade são tentativas de aliviar uma ansiedade muito grande. Já no Transtorno Misto Ansioso e Depressivo, o isolamento, a irritabilidade, a dificuldade de responder, a apatia ou o choro fácil podem ser interpretados como desinteresse ou grosseria, quando na realidade refletem cansaço emocional e sofrimento psíquico. O ponto central é que o comportamento socialmente inadequado, nesses quadros, não define você; ele é um sinal de que algo dentro está pedindo cuidado, regulação e compreensão, e é justamente isso que a terapia nos ajuda a construir, passo a passo, com mais consciência, recursos emocionais e autocompaixão.
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O que o Teste de Rorschach pode indicar sobre o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
O que o Teste de Rorschach pode indicar sobre o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Teste de Rorschach, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo não aparece como um “rótulo fechado”, mas como um conjunto de indicadores que nos ajudam a compreender como a sua mente organiza a ansiedade, o controle e o pensamento. Em pessoas com TOC, é comum observar sinais de rigidez cognitiva, necessidade elevada de controle interno e um estilo de pensamento mais cauteloso, detalhista e vigilante. Isso pode aparecer, por exemplo, em respostas muito focadas em pequenos detalhes das manchas, em tentativas de dar explicações excessivamente lógicas ou corretas, ou em dificuldades em permitir respostas mais livres e espontâneas. Também podem surgir indicadores de conflito entre impulsos e controle, mostrando o quanto existe um esforço constante para conter pensamentos, imagens ou emoções que são vividas como inaceitáveis ou perigosas. Além disso, o Rorschach pode revelar altos níveis de ansiedade interna, preocupação com erros, medo de perder o controle e um funcionamento emocional mais contido, com tendência à ruminação. O mais importante é entender que esses achados não servem para julgar, mas para mostrar o quanto o TOC é uma tentativa do psiquismo de criar ordem, segurança e previsibilidade diante de uma ansiedade intensa, ajudando o terapeuta a compreender melhor suas defesas, seus sofrimentos e os caminhos mais adequados para o tratamento.
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Como a velocidade de processamento influencia a memória e a atenção?
Como a velocidade de processamento influencia a memória e a atenção?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando a gente fala em velocidade de processamento, estamos falando do tempo que o cérebro leva para perceber uma informação, compreendê-la e responder a ela. Isso parece algo simples, mas essa velocidade funciona como um eixo central que sustenta tanto a atenção quanto a memória.
Se o processamento é mais lento, a atenção tende a se esgotar mais rápido. A pessoa até tenta se concentrar, mas o cérebro ainda está ‘decodificando’ o estímulo enquanto novas informações já chegaram. Isso gera a sensação de distração, de ‘perder o fio da meada’, não porque falte interesse, mas porque o sistema atencional fica sobrecarregado tentando acompanhar o ritmo do ambiente.
Na memória, o impacto é direto. Para que algo seja lembrado, primeiro precisa ser registrado com qualidade. Quando a velocidade de processamento é reduzida, parte da informação não chega a ser bem codificada. É como tentar salvar um arquivo enquanto o computador trava: o problema não é o armazenamento em si, mas a lentidão no processamento inicial. Por isso, essas pessoas costumam dizer ‘eu até entendo na hora, mas depois não lembro’ ou ‘preciso que repitam’.
Do ponto de vista neuropsicológico, a velocidade de processamento sustenta funções como atenção sustentada, memória de trabalho e aprendizagem. Ela influencia a capacidade de manter informações ativas enquanto se pensa, compara ou decide. Quando está comprometida, a memória de trabalho fica mais frágil, o raciocínio parece mais cansativo e tarefas simples passam a exigir um esforço desproporcional.
Clinicamente, é fundamental entender que lentidão de processamento não é falta de inteligência, nem desinteresse. Muitas vezes, com mais tempo, menos pressão e estímulos bem organizados, o desempenho melhora muito. Por isso, adaptações de ritmo, pausas e estratégias externas de apoio não são ‘facilitação’, mas formas de alinhar o ambiente ao funcionamento real do cérebro.
Em resumo, a velocidade de processamento funciona como o ritmo interno do sistema cognitivo. Quando esse ritmo está ajustado, atenção e memória fluem. Quando está mais lento, o cérebro até trabalha bem, mas precisa de mais tempo para que a informação seja percebida, sustentada e lembrada.
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Pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) podem ter Disforia S
Pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) podem ter Disforia Sensível à Rejeição (RSD) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim. Pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual – DI) podem apresentar Disforia Sensível à Rejeição (RSD), embora a RSD não seja um diagnóstico formal e ainda não conste nos manuais (DSM-5-TR ou CID-11).
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Observar os intervalos entre um pensamento e outro pode induzir ondas cerebrais lentas??
Observar os intervalos entre um pensamento e outro pode induzir ondas cerebrais lentas??
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim. Observar conscientemente os intervalos entre um pensamento e outro pode induzir a predominância de ondas cerebrais mais lentas, especialmente alfa e teta, e em praticantes mais experientes, delta em vigília, mas isso depende de como a prática é feita e do estado do sistema nervoso.
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O Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) pode levar ao desenvolvimento do Transtorno de Personalid
O Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) pode levar ao desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) não causa diretamente o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), mas pode aumentar significativamente a vulnerabilidade ao seu desenvolvimento quando combinado a fatores ambientais, relacionais e emocionais específicos ao longo do desenvolvimento. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por impulsividade, desatenção e dificuldades de autorregulação, o que expõe a criança e o adolescente a experiências repetidas de falha, críticas, rejeição e invalidação, especialmente em contextos familiares e escolares pouco ajustados às suas necessidades. Quando essas experiências ocorrem de forma crônica, podem contribuir para a formação de padrões de apego inseguros, dificuldades persistentes de regulação emocional e uma autoimagem instável — elementos centrais do TPB. Além disso, a impulsividade e a reatividade emocional do TDAH podem se cristalizar, ao longo do tempo, em estratégias relacionais desadaptativas, sobretudo na ausência de intervenção precoce, validação emocional e suporte consistente. Assim, o TDAH atua mais como um fator de risco desenvolvimental, e não como uma causa determinística, sendo o TPB o resultado de uma interação complexa entre predisposição neurobiológica, história relacional, trauma relacional e contextos de invalidação emocional.
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Qual a diferença entre uma "avaliação neuropsicológica" e uma "avaliação psicológica"?
Qual a diferença entre uma "avaliação neuropsicológica" e uma "avaliação psicológica"?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A avaliação psicológica é mais ampla e busca compreender aspectos emocionais, comportamentais, de personalidade e de funcionamento psicológico geral, por exemplo, como você lida com emoções, relacionamentos, estresse, autoestima, ansiedade ou depressão. Ela utiliza entrevistas, observação clínica e testes psicológicos voltados para esses aspectos, sendo muito comum em contextos clínicos, escolares, organizacionais ou jurídicos. Já a avaliação neuropsicológica é um tipo específico e mais aprofundado de avaliação, que foca no funcionamento das funções cognitivas relacionadas ao cérebro, como atenção, memória, linguagem, raciocínio, funções executivas e velocidade de processamento, sempre buscando entender se há relação entre essas funções e possíveis alterações neurológicas ou do neurodesenvolvimento. Ela é indicada, por exemplo, em casos de suspeita de TDAH, transtornos de aprendizagem, demências, sequelas de AVC, traumatismo craniano ou outras condições neurológicas. Em resumo, enquanto a avaliação psicológica procura entender como você se sente, pensa e se comporta do ponto de vista emocional e psicológico, a avaliação neuropsicológica investiga como o seu cérebro está funcionando em termos cognitivos e como isso impacta o seu dia a dia. As duas se complementam, mas cada uma responde a perguntas diferentes, dependendo da sua queixa e da sua necessidade clínica.
Perguntas frequentes
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Fiz a cirurgia do desvio a um mês e ainda estou sem olfato, e sentindo tudo fedendo isso é normal?
Sim. Com um mês de pós operatório, ainda pode haver alteração do olfato,…