Perguntas do paciente (519)

  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero dizer que o fato de você reconhecer esse padrão e buscar ajuda demonstra algo muito importante: você não está negando o problema nem tentando justificá-lo. Esse costuma ser o primeiro passo para uma mudança consistente.

    Pelo que você descreve, houve uma mudança significativa após a gravidez da sua esposa. É interessante observar que você não relata apenas o aumento do consumo de pornografia, mas também um tempo cada vez maior preso ao celular, rolando o feed. Muitas vezes, esses comportamentos fazem parte de um mesmo ciclo: o cérebro passa a buscar estímulos rápidos que aliviam, ainda que temporariamente, emoções como ansiedade, solidão, estresse, insegurança ou sobrecarga. A pornografia acaba sendo uma das formas de obter esse alívio imediato, mas, quando se torna compulsiva, deixa de ser uma escolha e passa a funcionar como uma resposta automática ao desconforto emocional.

    O profissional mais indicado para iniciar esse processo é um psicólogo, especialmente alguém que tenha experiência no tratamento de comportamentos compulsivos, dependências comportamentais e regulação emocional. Dependendo da intensidade da compulsão e do impacto na sua vida, também pode ser importante uma avaliação com um psiquiatra, principalmente se houver sintomas de ansiedade, depressão ou outras condições associadas.

    Na psicoterapia, o foco não é apenas "parar de assistir pornografia". O trabalho é compreender por que esse comportamento passou a ocupar esse lugar na sua vida. O que mudou emocionalmente desde a gravidez? Como você lidou com as novas responsabilidades, com as mudanças na relação, na intimidade, na identidade como parceiro e futuro pai? Muitas vezes, a compulsão é apenas a ponta do iceberg, e o sofrimento que a sustenta permanece invisível.

    A neurociência mostra que comportamentos compulsivos reforçam circuitos de recompensa no cérebro, tornando o impulso cada vez mais automático. A boa notícia é que esses circuitos também podem ser modificados. Com um tratamento adequado, é possível fortalecer o autocontrole, desenvolver estratégias para regular as emoções e reduzir gradualmente a necessidade desse comportamento.

    É importante destacar que sentir vergonha ou culpa costuma alimentar ainda mais o ciclo compulsivo. O objetivo da terapia não é julgar você, mas compreender o que está acontecendo e ajudá-lo a recuperar a liberdade de escolher, em vez de agir por impulso.

    Se você percebe que esse comportamento já está afetando seu relacionamento, sua rotina ou a forma como você se vê, esse é um excelente momento para buscar ajuda. Será um prazer acolher a sua história e caminhar com você nesse processo. A compulsão não define quem você é, e ela pode ser tratada. Com o acompanhamento adequado, é possível reconstruir o controle sobre a própria vida e fortalecer sua relação consigo mesmo e com quem você ama.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero reconhecer a honestidade da sua pergunta. O sofrimento que você descreve não parece estar relacionado apenas ao que aconteceu no passado, mas à dificuldade de encontrar paz consigo mesmo, mesmo depois de seu parceiro ter escolhido permanecer na relação.

    Um ponto que me chamou bastante a atenção foi quando você disse que sente uma necessidade constante de voltar ao assunto, repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza de que ele realmente o(a) perdoou. Esse padrão pode, sim, estar relacionado à ansiedade e, em alguns casos, pode fazer parte de um ciclo semelhante ao observado no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), especialmente quando há uma necessidade repetitiva de obter certeza ou alívio por meio de confirmações. No entanto, isso não significa que você tenha TOC. Um diagnóstico só pode ser feito após uma avaliação clínica cuidadosa.

    Na prática clínica, vemos com frequência que a culpa saudável nos ajuda a reconhecer um erro e a reparar aquilo que é possível. Já a culpa que permanece por muito tempo, mesmo depois da reparação e do perdão, muitas vezes deixa de cumprir essa função e passa a se transformar em uma espécie de punição permanente. A mente tenta encontrar alívio voltando ao assunto, pedindo novas confirmações ou revendo mentalmente o que aconteceu. O problema é que esse alívio costuma durar pouco, fazendo com que a necessidade de confirmar reapareça novamente.

    Pela perspectiva psicanalítica, também investigamos por que é tão difícil aceitar o perdão do outro. Em alguns casos, a maior dificuldade não está na capacidade do parceiro de perdoar, mas na impossibilidade que a própria pessoa sente de se reconciliar com a imagem que passou a ter de si mesma. É como se ela permanecesse presa ao erro, sem conseguir reconhecer que um comportamento não define toda a sua identidade.

    A boa notícia é que esse sofrimento pode ser trabalhado. Quando compreendemos a origem dessa culpa, aprendemos a lidar com a ansiedade sem depender constantemente de confirmações e desenvolvemos formas mais saudáveis de reparar, aceitar a responsabilidade pelo passado e seguir em frente.

    Se você sente que essa culpa continua ocupando um espaço muito grande na sua vida, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos compreender por que essa necessidade de certeza permanece tão intensa, ajudá-lo(a) a romper esse ciclo de culpa e construir uma relação mais compassiva consigo mesmo, sem apagar o passado, mas também sem permanecer prisioneiro(a) dele. Você não precisa carregar esse peso para sempre.


  • Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t

    Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero dizer que o que você está sentindo é compreensível. Descobrir que o parceiro consome pornografia com uma frequência ou em contextos que você não imaginava pode despertar tristeza, insegurança, dúvidas e até fazer você questionar o significado disso para a relação. Esses sentimentos merecem ser acolhidos, não minimizados.

    Sobre a sua dúvida: não é possível concluir, apenas por esse comportamento, que ele tenha uma compulsão ou um vício. Assistir pornografia durante o expediente ou aproveitar momentos em que está sozinho pode ser um sinal de que esse comportamento merece atenção, mas o diagnóstico de uma compulsão depende de uma avaliação mais ampla. Alguns aspectos que costumamos investigar são: perda de controle sobre o comportamento, tentativas frustradas de reduzir ou parar, necessidade crescente de consumir, sofrimento significativo e prejuízos na vida afetiva, profissional ou social.

    Na prática clínica, o mais importante não é apenas a frequência do consumo, mas a função que ele exerce. Em algumas pessoas, a pornografia é utilizada como uma forma de aliviar ansiedade, estresse, solidão ou outras emoções difíceis. Quando isso acontece de maneira repetitiva e a pessoa passa a recorrer automaticamente a esse comportamento sempre que surge um desconforto, pode haver um padrão compulsivo que merece cuidado.

    Ao mesmo tempo, também é importante olhar para você. O que exatamente mais a machucou nessa descoberta? Foi a quantidade? O fato de acontecer no trabalho? A sensação de que ele buscava isso sempre que você saía? Ou a impressão de que existe uma intimidade sendo compartilhada com algo que não faz parte da relação? Compreender esses sentimentos é tão importante quanto entender o comportamento dele.

    Se essa situação tem gerado sofrimento para vocês ou está abalando a confiança no relacionamento, conversar com um psicólogo pode ajudar muito. Em alguns casos, o parceiro que consome pornografia também se beneficia de uma avaliação individual, principalmente se perceber que perdeu o controle sobre esse comportamento.

    Se você sentir que essa descoberta despertou inseguranças, dúvidas ou sofrimento que estão difíceis de elaborar sozinha, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos compreender o impacto emocional dessa situação, fortalecer sua segurança emocional e ajudá-la a diferenciar o que pertence à dinâmica do relacionamento daquilo que pode estar relacionado às suas próprias vivências e necessidades. Você não precisa enfrentar essa confusão sozinha.


  • Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixon

    Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixono por alguém e uma vez percebi que gostei de uma pessoa quando ele cortou o contanto quando tive uma coragem pra falar com ele. É possível eu conseguir não só amar como também identificar com mais facilidade esse sentimento e qual seria a relação de amar com a força pra seguir nas minhas metas pessoais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Muitas pessoas percebem apenas que "não conseguem se apaixonar" ou que "sempre escolhem as pessoas erradas". Você foi além: percebeu que, em alguns momentos, só reconhece o próprio sentimento quando existe a possibilidade de perder o vínculo. Essa é uma observação muito valiosa.

    Na perspectiva psicanalítica, quando uma pessoa cresce recebendo pouco afeto, ela pode aprender, de maneira inconsciente, a não entrar em contato com as próprias necessidades emocionais como forma de proteção. Em alguns casos, reconhecer que está apaixonado(a) significa também reconhecer a possibilidade de ser rejeitado(a), abandonado(a) ou sofrer. Então, sem perceber, o psiquismo mantém esse sentimento "à distância". Muitas vezes, ele só se torna evidente quando a perda já aconteceu ou parece inevitável.

    A boa notícia é que isso pode mudar. A capacidade de amar e de reconhecer o próprio amor não é algo fixo; ela pode ser desenvolvida à medida que você passa a conhecer melhor as suas emoções, compreender sua história de vida e construir relações em que se sinta emocionalmente seguro(a). Com o tempo, torna-se mais fácil identificar sinais como saudade, admiração, desejo de compartilhar experiências, vontade de cuidar e de estar próximo, antes que a perda revele aquilo que já existia.

    Existe também uma relação muito interessante entre o amor e a força para perseguir objetivos pessoais. Quando crescemos em um ambiente em que o afeto foi escasso, é comum que uma parte da energia psíquica fique voltada para buscar segurança emocional ou aprovação. Isso pode fazer com que os relacionamentos ocupem um espaço muito grande ou que o medo de perder alguém interfira na capacidade de investir em si mesmo. À medida que a pessoa desenvolve vínculos mais seguros (inclusive consigo mesma) essa energia deixa de ser consumida pela insegurança e pode ser direcionada para projetos, trabalho, estudos e sonhos. Em outras palavras, amar de forma mais saudável não enfraquece suas metas; pelo contrário, costuma fortalecê-las, porque você passa a caminhar por escolha, e não apenas pela necessidade de preencher um vazio.

    Na minha prática clínica, integrando a psicanálise e a neurociência, vemos que a forma como aprendemos a nos vincular influencia profundamente tanto nossos relacionamentos quanto nossa motivação e nossa capacidade de persistir diante dos desafios. Compreender esses padrões permite construir vínculos mais seguros e uma relação mais sólida consigo mesmo.

    Se você sente que essa dificuldade tem acompanhado sua vida, será um prazer acolher a sua história. A psicoterapia pode ajudá-lo(a) a compreender como suas experiências afetivas moldaram a forma de amar, fortalecer sua segurança emocional e permitir que você reconheça seus sentimentos com mais clareza, vivendo relações mais conscientes e uma vida mais alinhada aos seus próprios objetivos.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Boa tarde! Que pergunta importante. O fato de você perceber que os dias entre uma sessão e outra são mais difíceis já é uma informação muito valiosa para o processo terapêutico.

    Sim, alguns psicólogos utilizam recursos para serem levados para casa, mas isso varia de acordo com a abordagem teórica, os objetivos do tratamento e as necessidades de cada paciente. Não existe uma regra de que todo terapeuta deva fornecer materiais físicos, porém é uma prática bastante utilizada quando ela faz sentido para o caso.

    Esses recursos podem incluir, por exemplo, cartões com estratégias de enfrentamento, exercícios breves de respiração ou mindfulness, registros de pensamentos e emoções, diários terapêuticos, perguntas para reflexão, técnicas de regulação emocional ou lembretes personalizados construídos em conjunto com o paciente. O objetivo não é substituir a sessão, mas oferecer uma ponte entre um encontro e outro, ajudando a pessoa a acessar aquilo que está sendo construído na terapia justamente nos momentos em que mais precisa.

    Na minha prática clínica, integrando a psicanálise, a neurociência e técnicas baseadas em evidências, costumo pensar esses materiais de forma bastante individualizada. Algumas pessoas se beneficiam muito de exercícios de autorregulação, outras de registros emocionais, práticas de mindfulness, áudios terapêuticos ou pequenos roteiros para momentos de crise. O mais importante é que esses recursos façam sentido para a história e para as dificuldades específicas de cada paciente, e não sejam apenas uma tarefa para cumprir.

    Também me chamou a atenção quando você disse que sente mais ansiedade e angústia justamente nos dias em que não há sessão. Esse aspecto merece ser explorado na terapia, porque pode revelar necessidades emocionais importantes, como dificuldades na autorregulação, no sentimento de segurança ou na capacidade de lidar sozinho(a) com emoções intensas. Entender por que esses intervalos são tão difíceis costuma ser tão importante quanto encontrar estratégias para atravessá-los.

    A experiência clínica mostra que, quando os recursos entre as sessões são bem escolhidos e integrados ao processo terapêutico, eles podem, sim, favorecer a continuidade do tratamento e ajudar o paciente a desenvolver, gradualmente, mais autonomia emocional.

    Se você busca um acompanhamento em que o cuidado não fique restrito aos 50 minutos da sessão, será um prazer acolher a sua história. Acredito que a psicoterapia é um processo vivo, e, quando necessário, gosto de construir com cada paciente ferramentas que façam sentido para o seu dia a dia, ajudando-o(a) a se sentir mais amparado(a) enquanto desenvolve recursos internos cada vez mais sólidos.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sair de casa para construir a própria vida e, ao mesmo tempo, preocupar-se com uma mãe de 75 anos desperta emoções muito intensas. É possível sentir alegria por um novo começo e tristeza pela mudança ao mesmo tempo. Esses sentimentos não são incompatíveis.

    Pelo que você escreveu, percebo que sua dor não parece vir apenas da mudança de endereço, mas da responsabilidade que você sente em relação à sua mãe. Muitas pessoas que desenvolveram um vínculo de cuidado muito forte acabam vivendo a saída de casa como se estivessem abandonando quem amam, mesmo quando isso não corresponde à realidade.

    Vale a pena fazer uma pergunta importante: o que exatamente mais assusta você? É o medo de que ela se sinta sozinha? De que aconteça algo enquanto você não estiver lá? Ou a sensação de que está sendo um "mau filho" por seguir a sua própria vida? Essas respostas ajudam a entender se a ansiedade está relacionada à situação atual ou se ela também toca aspectos mais profundos da sua história.

    Na perspectiva psicanalítica, crescer também significa reorganizar os vínculos. Amar os pais não exige abrir mão da própria vida. É possível continuar sendo um filho presente, cuidadoso e amoroso sem permanecer na mesma casa. Muitas vezes, a culpa faz parecer que essas duas coisas são incompatíveis, quando, na verdade, elas podem coexistir.

    Uma estratégia prática é conversar com sua mãe sobre como vocês podem manter a proximidade: combinar dias para visitá-la, fazer ligações frequentes, ajudá-la a fortalecer a rede de apoio com familiares, vizinhos ou amigos e verificar se ela precisa de algum suporte adicional. Planejar esses cuidados costuma reduzir bastante a sensação de desamparo, tanto para ela quanto para você.

    Se, ainda assim, essa ansiedade estiver muito intensa ou vier acompanhada de uma culpa que parece impossível de aliviar, isso merece ser compreendido com mais profundidade. Às vezes, o sofrimento não está apenas na mudança em si, mas no significado emocional que ela assume para quem a vive.

    Se você sentir que faz sentido, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos compreender a origem dessa culpa, ajudá-lo a construir essa nova etapa da vida com mais segurança emocional e encontrar um equilíbrio entre cuidar da sua mãe e cuidar também dos seus próprios projetos. Você não precisa escolher entre amar sua mãe e construir a sua vida; é possível fazer as duas coisas de forma saudável.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sinto muito pela sua perda. O que você descreve é uma reação muito comum em um luto profundo por um animal que ocupava um lugar de amor, companhia e vínculo na sua vida. Quando perdemos alguém tão importante, nossa mente frequentemente entra em um ciclo de "e se...?", tentando encontrar uma forma de voltar no tempo e mudar o que aconteceu. Mas, na maioria das vezes, essa culpa é uma tentativa do nosso psiquismo de dar sentido ao que foi tão doloroso e inesperado.

    Pelo que você escreve, percebo que não é apenas a saudade que permanece, mas também um sofrimento que continua muito intenso, mesmo meses depois. O fato de ver outros cachorrinhos e sentir essa dor tão viva mostra que essa perda ainda não encontrou um lugar possível dentro de você.

    Na psicoterapia, especialmente a partir de uma escuta psicanalítica integrada aos conhecimentos da neurociência, trabalhamos justamente para compreender por que esse luto permanece tão doloroso, aliviar a culpa e permitir que o amor vivido com ela seja lembrado sem que cada lembrança machuque tanto. O objetivo não é esquecer quem ela foi, mas transformar essa dor para que ela deixe de ocupar tanto espaço na sua vida.

    Se você sentir que faz sentido, será um prazer caminhar com você nesse processo. Você não precisa carregar esse peso sozinha. Às vezes, tudo o que o luto precisa é de um espaço seguro para ser vivido, elaborado e acolhido.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O que você descreve é uma sensação muito mais comum do que parece, e costuma ser extremamente cansativa. Quando sentimos que "tudo depende de nós", é como se estivéssemos carregando um peso que nunca termina. Aos poucos, a mente entra em estado de alerta constante, como se descansar ou pedir ajuda fosse um risco.

    Na clínica, percebo que esse sentimento muitas vezes não nasce apenas das responsabilidades do presente. Ele pode estar relacionado a histórias de vida em que a pessoa precisou amadurecer cedo, assumir funções que não eram dela, cuidar dos outros antes de aprender a cuidar de si ou acreditar, mesmo sem perceber, que seu valor depende do quanto ela consegue dar conta.

    A boa notícia é que isso pode ser compreendido e transformado. Na psicoterapia, buscamos entender de onde vem essa necessidade de controlar tudo, de assumir todas as responsabilidades e por que é tão difícil confiar que as coisas possam acontecer sem que você sustente tudo sozinho(a). Quando essa origem é elaborada, o cérebro também deixa de permanecer em um estado constante de vigilância, permitindo que você viva com mais leveza e menos culpa.

    Se essa sensação tem feito parte da sua rotina e você sente que está sempre exausto(a), talvez esse seja um convite para olhar com mais cuidado para você. Será um prazer acolher sua história e caminhar ao seu lado nesse processo. Você não precisa carregar esse peso sozinho(a).


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sim, um término de relacionamento pode ser vivido como um verdadeiro processo de luto. Quando uma relação chega ao fim, não perdemos apenas a presença da outra pessoa. Também nos despedimos de planos, sonhos, da rotina construída a dois e, muitas vezes, de uma versão de nós mesmos que existia dentro daquela história. Por isso, essa dor pode ser tão intensa quanto outras perdas significativas.

    Na perspectiva psicanalítica, o sofrimento do término não está relacionado apenas ao que aconteceu no presente. Ele também pode despertar feridas emocionais mais antigas, como experiências de abandono, rejeição ou insegurança nos vínculos. É por isso que algumas pessoas conseguem seguir em frente com mais facilidade, enquanto outras permanecem presas à dor por meses ou até anos.

    A neurociência também mostra que o cérebro reage ao rompimento afetivo de maneira semelhante à dor física e a um processo de abstinência, já que perdemos uma importante fonte de vínculo, previsibilidade e recompensa emocional. Isso explica por que, muitas vezes, a pessoa sabe racionalmente que a relação acabou, mas emocionalmente sente que ainda não consegue aceitar.

    Na psicoterapia, o objetivo não é acelerar esse luto ou dizer que você deve "superar logo". É compreender o significado dessa perda na sua história, elaborar a dor, ressignificar o vínculo e ajudá-lo(a) a reconstruir sua vida sem que o sofrimento continue definindo os seus dias.

    Se você sente que esse término ainda ocupa um espaço muito grande na sua vida, saiba que você não precisa atravessar esse processo sozinho(a). Será um prazer acolher a sua história e ajudá-lo(a) a transformar essa dor em um caminho de autoconhecimento e reconstrução emocional.


  • Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sinto muito que você tenha passado por isso. Quando perdemos objetos da infância sem que tenhamos tido a oportunidade de escolher ou nos despedir deles, a dor costuma ir muito além do valor material. Muitas vezes, esses objetos representam lembranças, partes da nossa história, da nossa identidade e das pessoas que fizeram parte da nossa vida.

    É natural sentir tristeza, raiva, frustração ou até uma sensação de que algo importante foi arrancado de você. Permita-se reconhecer esses sentimentos, sem julgá-los. Eles fazem sentido diante da experiência que você viveu.

    Uma forma de começar a lidar com essa perda é resgatar aquilo que os objetos simbolizavam. Escrever sobre as lembranças, conversar com familiares, reunir fotografias ou criar um espaço para homenagear essas memórias pode ajudar a perceber que sua história continua viva, mesmo sem aqueles itens.

    Se você perceber que essa perda continua trazendo sofrimento intenso, ou que ela desperta outras dores e sentimentos antigos, talvez esse seja um convite para olhar com mais profundidade para essa experiência. Em psicoterapia, podemos compreender por que essa perda foi tão significativa, elaborar o luto por esses objetos e fortalecer a conexão com sua própria história, para que a lembrança permaneça como fonte de afeto, e não apenas de sofrimento.

    Se você sentir que esse é o momento de cuidar dessa dor, será um prazer acolher você em uma sessão. Juntos, podemos construir um espaço seguro para compreender o que essa perda representa na sua vida e encontrar formas mais leves de seguir em frente.


  • Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes)

    Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes) e eu descobri ontem com um ano juntos q eles são irmãos, e meu namorado pediu um tempo. Estou com medo de terminarmos, eu me sinto muito culpada. E ele é o único apoio que tenho (eu tenho autismo e depressão) e sem ele sinto que tudo vai desmoronar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Pelo que você contou, você não sabia que eles eram irmãos quando conversou com o irmão dele, e isso faz toda a diferença. A culpa costuma aparecer quando sentimos que causamos dor a alguém, mas culpa não é a mesma coisa que responsabilidade. Você não tinha essa informação e, portanto, não poderia agir de outra maneira.

    Também imagino como o pedido de um tempo pode ter despertado um medo muito profundo de perder a pessoa que hoje representa segurança e acolhimento para você. Quando convivemos com o autismo e a depressão, mudanças inesperadas e a possibilidade de rompimento podem ser vividas com uma intensidade ainda maior, trazendo a sensação de que "tudo vai desmoronar". Esse sentimento é real e merece ser acolhido, mas ele não significa que isso, de fato, vá acontecer.

    O que mais me chama a atenção na sua mensagem é quando você diz que ele é o seu único apoio. Esse é um peso muito grande para você carregar e também para qualquer relacionamento. Na psicoterapia, trabalhamos justamente para fortalecer os recursos internos da pessoa, para que ela possa enfrentar momentos difíceis sem sentir que toda a sua estabilidade depende exclusivamente de alguém.

    Independentemente do que acontecer entre vocês, você merece um espaço onde possa falar sobre esse medo, essa culpa e essa sensação de abandono sem ser julgada. É possível compreender por que essa situação está despertando tanto sofrimento e construir, aos poucos, uma base emocional mais segura.

    Se você sentir que precisa desse acolhimento, será um prazer caminhar com você nesse processo. Você não precisa enfrentar essa dor sozinha. Há caminhos para que essa angústia diminua e para que você recupere a sensação de segurança, independentemente do desfecho desse relacionamento.


  • TEPT-C tem cura total? Ou os sintomas só somem por um tempo e voltam?

    TEPT-C tem cura total? Ou os sintomas só somem por um tempo e voltam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Com um tratamento adequado, é possível reduzir significativamente os sintomas e, em muitos casos, a pessoa passa a viver de forma plena, com relacionamentos mais saudáveis, maior estabilidade emocional e sem que o trauma continue comandando suas escolhas.

    Na perspectiva da psicanálise, não buscamos apenas aliviar os sintomas, mas compreender como as experiências traumáticas foram inscritas na história psíquica da pessoa. Já a neurociência mostra que o cérebro possui uma grande capacidade de reorganização (neuroplasticidade). Isso significa que, quando o trauma é elaborado em um ambiente seguro e consistente, o sistema nervoso pode aprender novas formas de responder às situações, diminuindo o estado constante de alerta, a hipervigilância e as reações intensas.

    É verdade que momentos de estresse ou acontecimentos que lembrem o trauma podem reativar algumas emoções ou memórias. No entanto, isso não significa que a pessoa "voltou à estaca zero". A diferença é que, após um bom processo terapêutico, ela costuma ter muito mais recursos para reconhecer o que está acontecendo, regular suas emoções e atravessar esses momentos sem ficar novamente aprisionada pelo sofrimento.

    O mais importante é saber que você não está condenado(a) a viver para sempre definido(a) pelo trauma. O TEPT-C pode ser tratado, e a qualidade de vida pode melhorar de forma muito significativa quando o cuidado é individualizado e respeita a história de cada pessoa.

    Se essa é uma realidade que faz parte da sua vida, saiba que existe um caminho possível. Será um prazer acolher a sua história e ajudá-lo(a) a compreender como essas experiências ainda repercutem no presente, para que elas deixem de determinar o seu futuro. Você não precisa enfrentar esse processo sozinho(a).


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O sofrimento que você descreve é real e merece ser levado a sério. Não é "frescura", falta de força de vontade ou um traço de personalidade. Quando uma simples interação social provoca taquicardia, tremores, vontade de chorar, exaustão e até crises de ansiedade, estamos falando de algo que ultrapassa a timidez.

    Pelo que você conta, esse medo foi se intensificando ao longo dos anos e hoje interfere diretamente na sua vida, no trabalho e na forma como você se percebe. É muito comum que, depois de tantas experiências vividas com sofrimento, a pessoa comece a antecipar que será julgada, rejeitada ou que "vai dar errado", fazendo com que o próprio cérebro entre em estado de alerta antes mesmo da interação acontecer. Esse ciclo acaba reforçando o medo e tornando cada nova situação ainda mais difícil.

    A boa notícia é que isso tem tratamento. É importante procurar um psicólogo, de preferência alguém que tenha experiência com transtornos de ansiedade e dificuldades relacionais. Em alguns casos, uma avaliação com um psiquiatra também pode ser indicada, principalmente quando a ansiedade está tão intensa que impede a pessoa de viver ou de se beneficiar plenamente da psicoterapia.

    Na minha prática clínica, unindo a psicanálise e a neurociência, não trabalhamos apenas para diminuir os sintomas. Buscamos compreender por que esse medo ganhou tanta força na sua história, quais experiências podem ter contribuído para isso e como seu sistema nervoso aprendeu a reagir dessa maneira. A partir desse entendimento, é possível desenvolver recursos para regular a ansiedade, reconstruir a confiança nas relações e fazer com que as interações deixem de ser vividas como uma ameaça constante.

    O que mais me sensibilizou na sua mensagem foi quando você disse que tem medo de procurar ajuda e não ser levada a sério. Quero lhe dizer que um bom profissional não vai minimizar o que você sente. Pelo contrário: esse relato é suficiente para mostrar o quanto você tem sofrido e o quanto merece um espaço seguro para ser acolhida, sem julgamentos.

    Você não precisa aprender a ser "carismática" para merecer uma vida tranquila. Você merece poder conversar, trabalhar, conhecer pessoas e viver sem que cada interação seja uma batalha contra o próprio corpo e a própria mente.

    Se você sentir que este é o momento de cuidar de si, será um prazer acolher a sua história. Com um acompanhamento adequado, é possível compreender a origem desse sofrimento, reduzir a intensidade da ansiedade e ajudá-la a recuperar, aos poucos, a liberdade de viver sem que o medo dite todas as suas escolhas. Você não precisa enfrentar isso sozinha.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O fato de você conseguir perceber esse padrão e questioná-lo já é um passo muito importante. Muitas pessoas passam a vida repetindo esse comportamento sem nunca refletir sobre ele. O seu relato demonstra que existe um desejo genuíno de mudar.

    Na prática clínica, quando alguém sente uma necessidade muito intensa de defender suas opiniões ou tem dificuldade em considerar outros pontos de vista, nem sempre isso significa "teimosia". Muitas vezes, essa postura funciona como uma forma inconsciente de proteção. Para algumas pessoas, mudar de opinião pode ser vivido como perder o controle, admitir uma fragilidade ou até sentir que seu valor pessoal está sendo colocado em jogo.

    A psicanálise nos convida justamente a compreender o que está por trás desse comportamento: o que acontece emocionalmente quando alguém discorda de você? O que essa discordância desperta? Raiva, sensação de injustiça, medo de ser desrespeitado ou de não ser reconhecido? Quando entendemos a função que esse mecanismo exerce, fica muito mais fácil construir formas diferentes de lidar com essas situações.

    A neurociência também mostra que, quando estamos emocionalmente ativados, nosso cérebro tende a interpretar opiniões diferentes como uma ameaça, tornando mais difícil ouvir o outro com flexibilidade. A boa notícia é que essa forma de reagir pode ser modificada. Com autoconhecimento e treino, é possível desenvolver maior tolerância ao desconforto de ser contrariado e aprender a refletir antes de responder.

    O mais importante é que esse comportamento já está trazendo consequências para a sua vida, como dificuldades no trabalho e nos relacionamentos. Isso não significa que você "seja assim" para sempre, mas sim que existe um padrão que merece ser compreendido e transformado.

    Se você sentir que faz sentido aprofundar essa questão, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos investigar a origem dessa necessidade de sempre estar certo, fortalecer a flexibilidade emocional e ajudá-lo a construir relações mais saudáveis, sem que você precise abrir mão da sua identidade ou das suas convicções. Esse processo costuma trazer mudanças importantes não apenas na vida profissional, mas também na forma como a pessoa se relaciona consigo mesma e com os outros.


  • Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muit

    Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muito provavelmente minha vida só melhore mesmo entre 35 e 40 anos. Às vezes fico com raiva de mim mesmo por isso mesmo que eu vá atrás das minhas metas porém só de pensar nessa idade que minha vida melhore me deixa desmotivado pois sinto que minha vida começaria quando metade dela já passou. Como lidar com essa sensação e manter motivado mesmo com esse cenário em mente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O que você está sentindo é mais comum do que imagina, e quero começar dizendo que sua dor merece ser acolhida. Comparar nosso próprio tempo com o dos outros pode gerar uma sensação profunda de atraso, injustiça e até de fracasso, mesmo quando estamos nos esforçando e caminhando em direção aos nossos objetivos.

    Percebo que não é apenas uma questão de querer conquistar algo. O que parece machucar é a ideia de que você estaria chegando "tarde" à vida, como se existisse um cronograma ideal que você deveria ter seguido. Quando acreditamos nisso, cada ano que passa pode ser vivido como uma perda, e não como parte da construção da nossa trajetória.

    Mas vale refletir: quem definiu que a vida precisa estar resolvida aos 25 ou aos 30 anos? Muitas pessoas alcançam estabilidade profissional, financeira, emocional ou afetiva em diferentes momentos da vida. O problema não costuma ser a idade em si, mas a história que contamos para nós mesmos sobre o que ela significa.

    Também me chama a atenção a raiva que você sente de si mesmo. Muitas vezes, por trás dessa raiva existe um sofrimento mais profundo: uma sensação de não ser suficiente, de estar sempre devendo algo para si ou para os outros. Quando isso acontece, mesmo as conquistas reais acabam perdendo o valor, porque a mente permanece focada no tempo que foi perdido, e não no caminho que está sendo construído.

    Talvez uma pergunta importante seja: se sua vida realmente melhorar entre os 35 e os 40 anos, o que impede que você encontre significado, crescimento e satisfação durante o percurso? A vida não começa quando atingimos uma meta. Ela acontece enquanto estamos caminhando em direção a ela.

    Ainda assim, eu sei que mudar essa forma de enxergar não é simples. Muitas vezes, essas cobranças estão ligadas a experiências antigas, expectativas familiares, comparações constantes ou feridas relacionadas à autoestima e ao valor pessoal. Quando esses sentimentos são investigados com profundidade, frequentemente descobrimos que a dor não está apenas no futuro que parece distante, mas também na maneira como aprendemos a olhar para nós mesmos.

    A psicoterapia pode ajudar justamente nesse ponto: compreender de onde vem essa sensação de atraso, trabalhar a autocrítica excessiva e construir uma relação mais compassiva com a sua própria trajetória. Você não precisa enfrentar essa angústia sozinho. Existe um espaço seguro para explorar essas questões, ressignificar sua história e encontrar motivação que não dependa apenas de alcançar um determinado marco de idade.

    Se você sentir que faz sentido para você, ficarei feliz em acolher sua história em uma sessão. Às vezes, o primeiro passo não é acelerar o futuro, mas aprender a viver o presente com menos peso e mais confiança em quem você está se tornando.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Essa é uma das perguntas mais delicadas que recebemos na clínica, porque não existe uma resposta única para todos os casais. O respeito pode, sim, ser reconstruído, mas isso depende de condições muito específicas. O tempo de relacionamento, por si só, não determina essa possibilidade; o que realmente faz diferença é a disposição de ambos para reconhecer o próprio papel na dinâmica do casal e se comprometer com mudanças consistentes.

    Na prática clínica, percebemos que, após anos de conflitos, o problema raramente é apenas o conteúdo das discussões. Aos poucos, o casal passa a interpretar o outro como um adversário, e não mais como um parceiro. Cada conversa é vivida como uma ameaça, e críticas, ironias, ofensas ou atitudes defensivas tornam-se a principal forma de comunicação. Quando esse padrão se instala, o respeito vai sendo substituído por ressentimento e desconfiança.

    A psicanálise nos ajuda a compreender que muitos desses conflitos não dizem respeito apenas ao presente. Cada parceiro reage também às próprias histórias, feridas emocionais e expectativas, que acabam sendo projetadas na relação. Já a neurociência mostra que, quando um casal permanece por muito tempo em um estado de conflito, o cérebro passa a responder automaticamente com defesa, ataque ou afastamento. Nessas condições, ouvir o outro com abertura torna-se cada vez mais difícil.

    Ainda assim, a reconstrução é possível quando ambos conseguem interromper esse ciclo e assumir uma postura de responsabilidade, em vez de apenas buscar quem está certo ou errado. Isso exige disposição para reconhecer os próprios comportamentos, aprender novas formas de comunicação e reconstruir, pouco a pouco, a sensação de segurança na relação. Não é um processo rápido, mas pode acontecer.

    Por outro lado, quando um ou ambos já não conseguem enxergar o outro com o mínimo de dignidade, quando há agressões constantes, ausência total de abertura para mudanças ou quando apenas um tenta reconstruir a relação enquanto o outro permanece indiferente, é importante refletir se insistir nesse vínculo continua sendo saudável. Em alguns casos, preservar a saúde emocional de todos — especialmente quando há filhos envolvidos — passa justamente por reconhecer os limites da relação.

    Se você está vivendo essa realidade, saiba que não é preciso tomar decisões sozinho(a) nem no auge do desgaste emocional. Será um prazer acolher a sua história e ajudá-lo(a) a compreender se ainda existem possibilidades reais de reconstrução ou quais caminhos podem favorecer uma vida emocional mais saudável. Independentemente da resposta, a psicoterapia oferece um espaço seguro para que essa decisão seja tomada com mais clareza, menos culpa e maior consciência.


  • Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do pont

    Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do ponto de vista da psicanálise.

    Estou em um relacionamento em que há muitos conflitos, ofensas e perda de respeito mútuo. As brigas são frequentes e muitas vezes acontecem na frente dos nossos filhos. Já não existe mais convivência afetiva entre nós: não dormimos mais juntos e o carinho praticamente desapareceu.

    Sinto que, ao longo do relacionamento, houve um acúmulo de mágoas e quebra de confiança. Antes do casamento, minha esposa teve comportamentos que me geraram muita insegurança e desconfiança, o que fez com que eu entrasse no casamento já com o respeito e a admiração bastante abalados. Com o tempo, apesar de tentativas de reconstrução, o relacionamento foi se desgastando ainda mais.

    Hoje percebo um ciclo constante de conflito: eu reconheço meus erros e tento assumir responsabilidade pelas minhas atitudes durante as brigas, mas sinto que minha esposa não reconhece a própria participação nos problemas, o que me gera frustração e sensação de impotência. Isso acaba intensificando os conflitos entre nós.

    Também percebo em mim um grande desgaste emocional, sentimentos de baixa autoestima, medo de ficar sozinho e dúvida constante sobre se devo continuar tentando ou me afastar. Ao mesmo tempo, amo muito meus filhos e tenho muito medo de prejudicar a convivência com eles caso haja separação.

    Gostaria de entender, sob uma perspectiva psicanalítica, como esses padrões emocionais e relacionais podem estar se repetindo na minha vida e de que forma um processo terapêutico poderia me ajudar a compreender melhor minhas escolhas, meus vínculos afetivos e minha dificuldade em lidar com essa situação.

    Também gostaria de saber como a psicanálise enxerga situações em que há perda de respeito e repetição de conflitos dentro do casal, e quando isso pode indicar um limite emocional para a continuidade da relação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero agradecer pela confiança em compartilhar uma situação tão delicada. É possível perceber, pelo que você escreveu, o quanto esse relacionamento tem exigido emocionalmente de você. Viver em um ambiente marcado por conflitos constantes, ofensas e desgaste não afeta apenas o casal, mas também a autoestima, a sensação de segurança e o bem-estar de toda a família.

    Pela perspectiva psicanalítica, mais do que buscar quem está "certo" ou "errado", procuramos compreender o que sustenta essa dinâmica. Muitas vezes, um relacionamento passa a funcionar como um cenário onde feridas antigas, expectativas, medos e necessidades emocionais são constantemente reencenados. Você menciona que entrou no casamento já carregando insegurança, desconfiança e uma perda importante de admiração. Esses sentimentos podem ter criado uma base frágil para o vínculo, fazendo com que cada novo conflito reativasse dores que nunca chegaram a ser verdadeiramente elaboradas.

    Também chama atenção quando você fala sobre reconhecer seus próprios erros, mas sentir que sua esposa não faz o mesmo. Independentemente de como cada um vivencia essa situação, essa percepção pode alimentar um sentimento profundo de solidão dentro da relação. Quando um dos parceiros sente que está carregando sozinho o peso das tentativas de reconstrução, é comum surgirem impotência, ressentimento e o questionamento sobre até onde ainda é possível continuar investindo no vínculo.

    Outro aspecto muito importante é o medo de ficar sozinho e, ao mesmo tempo, o medo de uma separação prejudicar seus filhos. Na clínica, frequentemente percebemos que decisões tão difíceis não envolvem apenas o presente. Elas costumam mobilizar experiências anteriores de perda, abandono, rejeição e a forma como aprendemos, ao longo da vida, a nos relacionar com o amor e com a possibilidade de romper vínculos. É por isso que, muitas vezes, permanecer ou sair de uma relação pode gerar um conflito interno tão intenso.

    Quanto à perda de respeito, a psicanálise entende que ela é um sinal de grande sofrimento na relação. Quando o diálogo é substituído por ataques, humilhações ou desqualificações frequentes, o casal entra em um ciclo em que ambos deixam de se sentir vistos e reconhecidos. Isso não significa, necessariamente, que toda relação esteja condenada ao fim, mas indica que existe uma ruptura importante que precisa ser compreendida e, se houver desejo de ambos, trabalhada.

    Ao mesmo tempo, também é importante considerar que os filhos são profundamente sensíveis ao clima emocional da casa. Muitas pessoas permanecem em relacionamentos acreditando que essa é sempre a melhor escolha para protegê-los. No entanto, crescer em um ambiente de conflitos constantes também pode gerar sofrimento. Essa é uma reflexão que merece ser feita com muito cuidado, sem decisões impulsivas e sem culpa.

    A psicoterapia pode oferecer justamente esse espaço de reflexão. Mais do que dizer se você deve permanecer ou se separar, o processo terapêutico ajuda a compreender por que essa relação chegou a esse ponto, quais padrões emocionais podem estar se repetindo, quais necessidades suas têm sido negligenciadas e quais escolhas estão sendo guiadas pelo medo ou pelo desejo genuíno. Esse autoconhecimento costuma trazer mais clareza para tomar decisões importantes de forma consciente e menos impulsiva.

    Se você sentir que esse momento tem sido pesado demais para enfrentar sozinho, será um prazer acolhê-lo em um processo terapêutico. Em um espaço seguro, ético e sem julgamentos, poderemos compreender a história por trás desse sofrimento, fortalecer sua autoestima e ajudá-lo a construir caminhos que preservem sua saúde emocional e, consequentemente, sua relação com seus filhos, independentemente da decisão que venha a tomar sobre o casamento.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    A tristeza que você descreve não parece surgir "do nada". Mesmo que você ainda não consiga identificar exatamente a origem, ela está comunicando que algo importante dentro de você precisa ser ouvido.

    O que me chamou a atenção na sua mensagem foi quando você disse que sente que precisa "pisar em ovos" para expressar o que pensa e que, em outras ocasiões, já viveu uma tristeza muito intensa por não se sentir validada. Quando isso acontece repetidamente, é comum que a pessoa comece a silenciar suas próprias necessidades por medo de conflitos, rejeição ou de não ser compreendida. Com o tempo, esse esforço constante pode gerar um profundo desgaste emocional.

    Na perspectiva psicanalítica, muitas vezes esses sentimentos não dizem respeito apenas ao relacionamento atual. Eles podem tocar experiências anteriores em que suas emoções não encontraram espaço para serem acolhidas, fazendo com que situações do presente despertem dores antigas. Por isso, às vezes a intensidade da tristeza parece desproporcional ao acontecimento do momento: não é apenas sobre aquela conversa, mas sobre tudo o que ela representa na sua história.

    Pela neurociência, sabemos que quando uma pessoa vive repetidamente a sensação de não ser compreendida ou emocionalmente segura, o cérebro pode permanecer em estado de alerta. Isso aumenta a sensibilidade às interações, favorece o isolamento, intensifica o choro e dificulta a regulação das emoções. Não significa que haja algo de errado com você, mas que seu sistema emocional pode estar sobrecarregado.

    E respondendo à sua pergunta: sim, é possível que isso aconteça, mas não significa que você precise conviver com esse sofrimento como se fosse algo "normal". Sentir tristeza faz parte da vida, porém quando ela se torna frequente, intensa e começa a afetar sua forma de viver e de se relacionar, ela merece ser compreendida com mais profundidade.

    Se você sentir que esse sofrimento tem ocupado um espaço cada vez maior na sua vida, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos investigar juntos o significado dessa tristeza, compreender por que você sente que precisa esconder o que pensa e fortalecer a sua capacidade de se posicionar sem viver com tanto medo ou culpa. Você não precisa enfrentar isso sozinha. Existe um caminho para que suas emoções façam sentido e deixem de pesar tanto.


  • Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos

    Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos os lados e isso acontece, infelizmente, na frente dos nossos filhos. Percebo que isso está afetando meu bem-estar emocional.

    O que mais me angustia é que sinto muita dificuldade em conversar com minha esposa sobre os problemas, pois tenho a impressão de que ela nunca reconhece a própria participação nos conflitos. Isso me faz perder a esperança de que a relação possa melhorar.

    Também reconheço que eu erro e que, durante as discussões, acabo respondendo de forma inadequada. Hoje me sinto emocionalmente exausto, com baixa autoestima e muito confuso sobre como lidar com essa situação.

    Minha dúvida é: do ponto de vista psicológico, como saber quando um relacionamento ainda tem possibilidade de ser reconstruído e quando o desgaste já é tão grande que um afastamento temporário pode ser uma alternativa saudável para preservar a saúde emocional e o bem-estar dos filhos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    É muito diferente de perguntar "de quem é a culpa?". Você está tentando compreender a situação de forma honesta, reconhecendo o sofrimento da relação, os seus próprios erros e, principalmente, a preocupação com o impacto disso nos seus filhos.

    Pelo que você descreve, o problema não parece ser apenas a frequência das discussões, mas o padrão que elas assumiram. Quando um casal passa a se comunicar principalmente por meio de críticas, ofensas, defensividade e a sensação de que um nunca consegue ouvir o outro, o relacionamento entra em um ciclo de desgaste emocional que, se não for interrompido, tende a se intensificar. E quando essas situações acontecem repetidamente na frente dos filhos, eles também passam a vivenciar um ambiente de tensão que pode afetar seu desenvolvimento emocional.

    Um ponto que me chamou bastante a atenção foi quando você disse que sente que sua esposa nunca reconhece a própria participação nos conflitos. Independentemente de essa percepção corresponder totalmente à realidade ou não, ela revela que você se sente sozinho na tentativa de reparar a relação. E uma reconstrução saudável dificilmente acontece quando apenas um dos parceiros sente que está tentando mudar. Ao mesmo tempo, você também demonstra algo muito importante: consegue reconhecer que, nas discussões, acaba reagindo de maneiras das quais não se orgulha. Essa capacidade de olhar para si é um fator que favorece qualquer processo de mudança.

    Na psicologia, não existe um momento exato em que alguém possa dizer: "agora esse casamento não tem mais solução". O que costumamos observar é a disposição de ambos para refletir sobre o próprio comportamento, assumir responsabilidades, interromper padrões destrutivos e investir em novas formas de diálogo. Quando ainda existe essa disponibilidade, mesmo que haja muito sofrimento, há espaço para reconstrução.

    Por outro lado, quando o ambiente se torna continuamente hostil, quando o respeito desaparece, quando um ou ambos não conseguem mais conversar sem agressões e o sofrimento começa a comprometer a saúde emocional de todos os envolvidos, incluindo os filhos, pode ser importante considerar alternativas que interrompam esse ciclo. Em alguns casos, um afastamento temporário, pensado com maturidade e acompanhado por suporte psicológico, pode oferecer o espaço necessário para que cada um reflita sobre a relação e sobre si mesmo. O objetivo não é punir o outro, mas criar condições para decisões mais conscientes, preservando a saúde emocional da família.

    Na minha prática clínica, integrando a psicanálise e a neurociência, costumo trabalhar justamente esses momentos em que a dor parece maior do que a capacidade de encontrar respostas. Antes de decidir entre permanecer ou se afastar, é fundamental compreender quais padrões emocionais sustentam esses conflitos, como cada parceiro participa dessa dinâmica e quais possibilidades reais de mudança ainda existem.

    Você não precisa tomar uma decisão tão importante estando exausto, culpado e sem conseguir enxergar com clareza. Muitas vezes, quando estamos emocionalmente sobrecarregados, nossa capacidade de avaliar as possibilidades fica bastante comprometida.

    Se você sentir que este é o momento de cuidar de si e compreender essa história com mais profundidade, será um prazer acolher a sua trajetória. A psicoterapia pode ajudá-lo a recuperar a clareza, fortalecer sua autoestima e tomar decisões baseadas não apenas no sofrimento do momento, mas no que realmente favorece o seu bem-estar e o desenvolvimento saudável dos seus filhos. Independentemente do caminho escolhido, você não precisa atravessar esse processo sozinho.


  • Olá! Eu estou ficando um pouco preocupado com a minha situação atual, não para entrar em pânico, mas

    Olá! Eu estou ficando um pouco preocupado com a minha situação atual, não para entrar em pânico, mas estou ficando receoso.

    Eu venho chorando e ficando bem triste por conta de provavelmente nunca poder ter a chance de conhecer um grupo de K-pop que eu construí um Relacionamento Parassocial, e eu não sei se esse sentimento vai se "acalmar", entendo que muito disso é idealização minha da possível interação que aconteceria entre mim e o grupo, mas eu simplesmente não consigo parar de pensar nisso, eu fico mal de verdade, eu me "identifiquei" e me "conectei" tanto com o grupo que eu acho que não consigo mais ignorar isso.

    Vale ressaltar também que a minha vida social no momento está bem parada, isso com certeza acaba intensificando bastante toda essa questão. Será que isso uma hora vai passar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Você mesmo trouxe um ponto muito importante: percebe que existe uma idealização e reconhece que esse vínculo é parassocial. Isso demonstra que você consegue diferenciar a fantasia da realidade, o que é um aspecto bastante saudável. O problema não é gostar profundamente de um grupo ou criar uma conexão emocional com ele. Isso acontece com muitas pessoas. A questão é quando esse vínculo passa a ocupar um espaço tão grande que provoca tristeza intensa, choro e começa a interferir no seu bem-estar.

    O que mais me chamou a atenção foi quando você comentou que sua vida social está bastante parada. Na clínica, vemos com frequência que, quando necessidades emocionais importantes como pertencimento, acolhimento, identificação e conexão não encontram espaço suficiente na vida real, é natural que elas sejam investidas em figuras públicas, artistas ou personagens que despertam admiração e conforto. Isso não significa que haja algo de "errado" com você. Muitas vezes, esse vínculo cumpre uma função emocional importante.

    A pergunta talvez não seja apenas "por que eu sofro por talvez nunca conhecê-los?", mas também "o que esse grupo representa na minha vida?". Eles simbolizam companhia? Esperança? Um sentimento de ser compreendido? Inspiração? Quanto mais entendemos o significado desse vínculo, mais conseguimos compreender por que a possibilidade de nunca encontrá-los desperta uma dor tão intensa.

    A boa notícia é que, sim, esse sofrimento pode diminuir. Em muitos casos, conforme a pessoa amplia sua vida afetiva, fortalece vínculos reais e encontra novos espaços de pertencimento, essa relação parassocial deixa de ocupar um lugar tão central. Isso não significa deixar de gostar do grupo, mas fazer com que essa admiração deixe de ser acompanhada por tanto sofrimento.

    Se, porém, você percebe que esse pensamento está constante, o choro é frequente e a sensação de vazio ou tristeza tem aumentado, acredito que seria muito valioso procurar psicoterapia. Não para que alguém diga que "é só um grupo de K-pop", mas para compreender por que essa conexão se tornou tão significativa para você e como construir uma vida emocional em que esse carinho continue existindo, sem causar tanta dor.

    Se você sentir que faz sentido, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos explorar juntos o significado desse vínculo, fortalecer sua vida emocional e ajudá-lo a construir relações e experiências que ampliem esse sentimento de pertencimento. Você não precisa abrir mão do que gosta para viver com mais tranquilidade; o objetivo é que essa admiração possa coexistir com uma vida mais leve, rica em conexões e menos marcada pelo sofrimento.


Perguntas frequentes

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