Perguntas do paciente (527)

  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Essa é uma pergunta muito delicada, e o simples fato de você estar se questionando já demonstra o quanto essa situação é importante para você. Quero que saiba que não é incomum que, durante a gestação, muitas mulheres sintam ambivalência: ao mesmo tempo em que existe a possibilidade de desejar o bebê, também podem surgir medo, insegurança, tristeza ou até dificuldade de se conectar com a ideia da maternidade. Isso não significa, necessariamente, que você esteja rejeitando o bebê. Muitas vezes, o que ainda não foi aceito é a transformação profunda que a chegada de um filho representa na vida, na identidade, nos planos e na rotina. Na perspectiva psicanalítica, essas emoções fazem parte de um processo de elaboração e merecem ser escutadas sem culpa ou julgamentos, para que você possa compreender o que, de fato, está sendo vivido. Se esses sentimentos têm trazido sofrimento, culpa ou persistem de forma intensa, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para acolher essas dúvidas, ajudá-la a diferenciar o medo da maternidade de uma dificuldade de vinculação com o bebê e construir essa experiência de forma mais tranquila. Se sentir que precisa desse apoio, será um prazer acolher você e caminhar ao seu lado nesse momento tão significativo da sua vida.


  • Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo

    Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O que mais chama atenção no seu relato é que a dor não parece vir apenas da experiência difícil no trabalho, mas do fato de você não ter se sentido acreditado justamente por quem esperava acolhimento. Quando buscamos apoio em uma figura tão importante quanto a mãe e recebemos dúvidas, críticas ou desqualificação do nosso sofrimento, é natural que surjam sentimentos profundos de abandono, traição e até uma dificuldade em voltar a confiar nas pessoas. Isso pode fazer com que a mente tente se proteger concluindo que "ninguém presta" ou que "todos são falsos", porque, quando quem deveria oferecer segurança falha, o mundo inteiro pode passar a parecer inseguro. No entanto, embora essa conclusão seja compreensível diante da sua história, ela também pode mantê-lo preso à dor e impedir que novas experiências de confiança aconteçam. Na psicanálise, procuramos compreender como essas vivências marcam a forma como nos relacionamos conosco e com os outros, dando espaço para que essas feridas sejam elaboradas, em vez de continuarem determinando a maneira como enxergamos as pessoas e a nós mesmos. Você não precisa minimizar o que viveu nem convencer ninguém de que seu sofrimento foi real. Ele merece ser escutado com respeito. Se sentir que esse sentimento ainda pesa sobre a sua vida, será um prazer acolher sua história em psicoterapia e ajudá-lo a ressignificar essas experiências, para que elas deixem de definir seus relacionamentos e sua capacidade de confiar novamente.


  • Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

    Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.

    Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.

    Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.

    Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero dizer que fez muito bem em procurar orientação. O que você descreve merece uma avaliação cuidadosa, não porque signifique necessariamente algo grave, mas porque há um conjunto de sintomas que vem causando sofrimento e interfere no seu dia a dia. Os "flashes" involuntários de tragédias, a necessidade de conferir algumas coisas para aliviar a ansiedade e a sensação de que algo ruim pode acontecer lembram, em alguns casos, pensamentos intrusivos, que podem estar presentes em quadros como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ou outros transtornos de ansiedade. No entanto, seu relato também inclui experiências perceptivas incomuns na infância, como a sensação da "bola gigante", dos espinhos e da pressão no corpo, além do retorno recente de algumas dessas vivências. Embora essas experiências possam ocorrer em diferentes condições e, isoladamente, não permitam concluir um diagnóstico, elas tornam importante uma investigação ampla. O profissional mais indicado para iniciar essa avaliação é um psiquiatra, que poderá verificar se há necessidade de exames complementares, encaminhamento para um neurologista ou outros especialistas, além de avaliar se existe algum transtorno psiquiátrico que explique o conjunto dos sintomas. Paralelamente, a psicoterapia é um recurso fundamental para compreender como esses pensamentos, medos e sensações afetam sua vida emocional e desenvolver estratégias para lidar com eles. Na psicanálise, buscamos entender não apenas os sintomas, mas também o significado que eles podem ter na história de cada pessoa, oferecendo um espaço seguro para que esse sofrimento seja elaborado. Independentemente do diagnóstico, o mais importante é que você não tente enfrentar isso sozinho. Há tratamento e investigação adequados para situações como essa. Se desejar um acompanhamento acolhedor e aprofundado, será um prazer recebê-lo em psicoterapia e caminhar com você na compreensão desse momento, trabalhando em conjunto com outros profissionais sempre que necessário, para que você possa recuperar sua tranquilidade e qualidade de vida.


  • Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet

    Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.

    Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.

    Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.

    Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Quero começar dizendo que o sofrimento que você descreve merece ser acolhido. Pelo seu relato, chama atenção que o acontecimento do passado já foi reconhecido, houve arrependimento, seu companheiro escolheu perdoá-la e vocês decidiram seguir juntos. No entanto, parece que quem ainda não conseguiu oferecer perdão é você mesma. Pessoas com TOC costumam experimentar uma culpa muito intensa e uma tendência a atribuir um significado exagerado aos próprios pensamentos, como se pensar algo fosse equivalente a desejar ou até mesmo a agir. Na realidade, imaginar por alguns instantes como a vida poderia ter sido se tivesse feito outra escolha é uma experiência humana e muito comum. Pensamentos hipotéticos surgem espontaneamente e, por si só, não significam que você queira aquela pessoa de volta ou que esteja sendo infiel novamente. O sofrimento aparece justamente porque o TOC tende a transformar uma dúvida comum em uma questão moral, levando você a buscar certezas impossíveis sobre o que sente e sobre o que esse pensamento "quer dizer". Na perspectiva psicanalítica, também é importante compreender que essa culpa persistente pode estar relacionada a conflitos internos que vão além do episódio em si, fazendo com que você permaneça presa a uma posição de autopunição mesmo depois de o outro já ter seguido em frente. A psicoterapia pode ajudá-la a diferenciar aquilo que pertence ao TOC daquilo que realmente expressa seus desejos e valores, além de trabalhar a construção do autoperdão, que parece ser a parte mais difícil dessa história. Você não precisa continuar vivendo sob o peso de uma culpa que se renova a cada pensamento involuntário. Se sentir que esse sofrimento tem ocupado um espaço grande na sua vida, será um prazer acolhê-la em psicoterapia e caminhar ao seu lado para que você possa compreender esses conflitos de forma mais profunda, fortalecer sua relação consigo mesma e viver seu relacionamento com mais leveza e segurança.


  • Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi

    Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
    Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O que você está descrevendo é uma experiência bastante comum entre pessoas que conviveram por muitos anos com o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Quando a ansiedade deixa de ocupar tanto espaço, pode surgir uma sensação de estranhamento, como se algo estivesse "faltando". Isso acontece porque, durante muito tempo, seu cérebro e seu corpo se acostumaram a funcionar em estado de alerta constante. Quando esse estado diminui, a tranquilidade pode parecer estranha, artificial ou até fazer você sentir que "não é mais você". No entanto, essa sensação não significa que você esteja perdendo sua identidade, mas que está conhecendo uma forma diferente de viver. É muito positivo que você já tenha percebido melhora nas crises após 22 dias de tratamento, embora ainda seja um período relativamente inicial para a sertralina, que costuma consolidar seus efeitos ao longo das semanas seguintes. A tendência, se a medicação continuar sendo eficaz e bem ajustada para você, é que essa sensação de calma deixe de parecer incomum e passe a ser vivida de forma cada vez mais natural. O objetivo não é fazer com que você deixe de sentir emoções ou se torne indiferente, mas permitir que elas aconteçam sem que a ansiedade domine sua vida. A tristeza e a estranheza que surgem nesse processo também merecem ser acolhidas, pois fazem parte de uma readaptação emocional. Na psicanálise, compreendemos que abandonar um modo antigo de funcionamento, mesmo que ele causasse sofrimento, pode despertar um sentimento de perda, porque ele fez parte da sua identidade por muito tempo. É justamente nesse momento que a psicoterapia se torna tão importante: ela ajuda você a reconhecer que existe uma diferença entre ser uma pessoa tranquila e ser alguém "sem personalidade". Com o tempo, você poderá construir uma nova relação consigo mesma, percebendo que a calma não diminui quem você é, mas amplia sua liberdade para viver, sentir e fazer escolhas com mais segurança. Continue mantendo o acompanhamento com sua psiquiatra e sua psicóloga, pois elas estão conduzindo esse processo de forma integrada. E lembre-se: você não está deixando de ser você; está, aos poucos, conhecendo uma versão sua que talvez a ansiedade não permitisse aparecer há muito tempo.


  • Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta

    Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sim, a DBT pode ser utilizada mesmo sem o diagnóstico de borderline, especialmente quando existem dificuldades importantes de regulação emocional, impulsividade, tolerância ao desconforto ou manejo de situações emocionalmente intensas. No entanto, como você já fez TCC e sente que não houve o resultado esperado, eu não partiria da ideia de que você precisa simplesmente de “outra técnica”, mas buscaria compreender de forma mais ampla como o TDAH e a bipolaridade estão se articulando na sua história, nos seus vínculos e na maneira como você vivencia e regula as emoções. No meu trabalho, como psicanalista com formação em neurociência, procuro justamente integrar a compreensão do funcionamento psíquico com o conhecimento sobre o funcionamento cerebral, sem reduzir a pessoa ao diagnóstico. Em uma primeira consulta, podemos conversar sobre o que você já tentou, o que sentiu que não funcionou e quais são hoje as suas principais dificuldades, para avaliarmos juntos qual abordagem pode ser mais adequada para você.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de qualquer coisa, quero acolher o quanto essa experiência tem sido angustiante para você. Pelo que você descreve, o que mais parece causar sofrimento não é um desejo por esse tipo de conteúdo, mas a culpa intensa que surgiu após ter se deparado com ele. É importante diferenciar a exposição a um material que provoca repulsa da identificação com ele. Você relata que interrompeu o vídeo rapidamente, perdeu o interesse e, desde então, sente vergonha, nojo e medo de que isso diga algo sobre quem você é. Esses sentimentos são muito diferentes de alguém que sente prazer ou busca repetidamente esse tipo de conteúdo. Além disso, o fato de ter ficado mais de uma década sem vivenciar essa situação e de dizer que acessa pornografia apenas esporadicamente não é compatível, por si só, com um quadro de dependência. A recaída que você sente pode estar muito mais relacionada à reativação de uma ferida emocional antiga do que a um "vício". Também lamento profundamente a experiência que você teve com aquele profissional. Nenhuma pessoa que busca ajuda deveria sair de uma consulta sentindo-se julgada ou envergonhada por sua história.

    Na perspectiva psicanalítica, muitas vezes a culpa excessiva revela um conflito interno mais profundo do que o próprio acontecimento. Algumas pessoas desenvolvem um olhar extremamente rígido sobre si mesmas, no qual um episódio isolado passa a definir toda a própria identidade. Nesses casos, o sofrimento costuma estar menos ligado ao que aconteceu e mais à forma como a mente transforma esse evento em uma prova de que "há algo de errado comigo". É justamente esse tipo de funcionamento que merece ser compreendido e elaborado em um espaço terapêutico.

    Você já deu um passo importante ao manter o acompanhamento psiquiátrico, mas acredito que a psicoterapia pode ajudá-la a olhar para essa culpa, para sua relação com a sexualidade, para sua história afetiva e para a forma como você construiu a imagem de si mesma ao longo da vida. Existe uma diferença enorme entre compreender um comportamento e condenar uma pessoa, e um processo terapêutico ético jamais parte do julgamento. Você merece um espaço onde possa falar sobre esses temas com liberdade, respeito e acolhimento. Se sentir que este é o momento de cuidar de si de forma mais profunda, será um prazer recebê-la em psicoterapia e caminhar ao seu lado para que essa culpa deixe de ocupar tanto espaço e você possa construir uma relação mais tranquila consigo mesma e com sua sexualidade.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O fato de você ainda pensar nessa pessoa depois de quatro anos não significa, necessariamente, que ela fosse "o amor da sua vida". Às vezes, quando uma relação termina sem que tenha sido plenamente vivida ou elaborada, nossa mente tende a manter essa história em aberto, imaginando como as coisas poderiam ter sido diferentes. A culpa pelos erros cometidos também pode fazer com que essa lembrança permaneça viva por muito tempo. Ao mesmo tempo, é compreensível que um relacionamento iniciado enquanto você ainda estava emocionalmente preso ao anterior não tenha trazido a felicidade que esperava, pois é difícil construir um novo vínculo quando uma parte do coração ainda está voltada para o passado. Na psicanálise, entendemos que, muitas vezes, não permanecemos ligados apenas à pessoa, mas ao significado que ela passou a representar: uma oportunidade perdida, um desejo não realizado, uma versão de nós mesmos que gostaríamos de ter sido. Por isso, antes de se perguntar se deveria tentar reconquistá-la ou esquecê-la, talvez a pergunta mais importante seja: o que essa história ainda representa para você? Elaborar essa resposta pode ser o caminho para encerrar esse ciclo, seja retomando esse vínculo de forma madura, se isso ainda for possível e fizer sentido, seja permitindo-se seguir em frente sem carregar o peso da culpa. Você não precisa enfrentar esse conflito sozinho. A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender por que essa lembrança permanece tão presente, ressignificar o passado e construir relacionamentos mais livres e conscientes. Se sentir que este é o momento de cuidar dessa parte da sua história, será um prazer acolhê-lo e caminhar ao seu lado nesse processo de autoconhecimento e transformação.


  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero dizer que o fato de você reconhecer esse padrão e buscar ajuda demonstra algo muito importante: você não está negando o problema nem tentando justificá-lo. Esse costuma ser o primeiro passo para uma mudança consistente.

    Pelo que você descreve, houve uma mudança significativa após a gravidez da sua esposa. É interessante observar que você não relata apenas o aumento do consumo de pornografia, mas também um tempo cada vez maior preso ao celular, rolando o feed. Muitas vezes, esses comportamentos fazem parte de um mesmo ciclo: o cérebro passa a buscar estímulos rápidos que aliviam, ainda que temporariamente, emoções como ansiedade, solidão, estresse, insegurança ou sobrecarga. A pornografia acaba sendo uma das formas de obter esse alívio imediato, mas, quando se torna compulsiva, deixa de ser uma escolha e passa a funcionar como uma resposta automática ao desconforto emocional.

    O profissional mais indicado para iniciar esse processo é um psicólogo, especialmente alguém que tenha experiência no tratamento de comportamentos compulsivos, dependências comportamentais e regulação emocional. Dependendo da intensidade da compulsão e do impacto na sua vida, também pode ser importante uma avaliação com um psiquiatra, principalmente se houver sintomas de ansiedade, depressão ou outras condições associadas.

    Na psicoterapia, o foco não é apenas "parar de assistir pornografia". O trabalho é compreender por que esse comportamento passou a ocupar esse lugar na sua vida. O que mudou emocionalmente desde a gravidez? Como você lidou com as novas responsabilidades, com as mudanças na relação, na intimidade, na identidade como parceiro e futuro pai? Muitas vezes, a compulsão é apenas a ponta do iceberg, e o sofrimento que a sustenta permanece invisível.

    A neurociência mostra que comportamentos compulsivos reforçam circuitos de recompensa no cérebro, tornando o impulso cada vez mais automático. A boa notícia é que esses circuitos também podem ser modificados. Com um tratamento adequado, é possível fortalecer o autocontrole, desenvolver estratégias para regular as emoções e reduzir gradualmente a necessidade desse comportamento.

    É importante destacar que sentir vergonha ou culpa costuma alimentar ainda mais o ciclo compulsivo. O objetivo da terapia não é julgar você, mas compreender o que está acontecendo e ajudá-lo a recuperar a liberdade de escolher, em vez de agir por impulso.

    Se você percebe que esse comportamento já está afetando seu relacionamento, sua rotina ou a forma como você se vê, esse é um excelente momento para buscar ajuda. Será um prazer acolher a sua história e caminhar com você nesse processo. A compulsão não define quem você é, e ela pode ser tratada. Com o acompanhamento adequado, é possível reconstruir o controle sobre a própria vida e fortalecer sua relação consigo mesmo e com quem você ama.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero reconhecer a honestidade da sua pergunta. O sofrimento que você descreve não parece estar relacionado apenas ao que aconteceu no passado, mas à dificuldade de encontrar paz consigo mesmo, mesmo depois de seu parceiro ter escolhido permanecer na relação.

    Um ponto que me chamou bastante a atenção foi quando você disse que sente uma necessidade constante de voltar ao assunto, repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza de que ele realmente o(a) perdoou. Esse padrão pode, sim, estar relacionado à ansiedade e, em alguns casos, pode fazer parte de um ciclo semelhante ao observado no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), especialmente quando há uma necessidade repetitiva de obter certeza ou alívio por meio de confirmações. No entanto, isso não significa que você tenha TOC. Um diagnóstico só pode ser feito após uma avaliação clínica cuidadosa.

    Na prática clínica, vemos com frequência que a culpa saudável nos ajuda a reconhecer um erro e a reparar aquilo que é possível. Já a culpa que permanece por muito tempo, mesmo depois da reparação e do perdão, muitas vezes deixa de cumprir essa função e passa a se transformar em uma espécie de punição permanente. A mente tenta encontrar alívio voltando ao assunto, pedindo novas confirmações ou revendo mentalmente o que aconteceu. O problema é que esse alívio costuma durar pouco, fazendo com que a necessidade de confirmar reapareça novamente.

    Pela perspectiva psicanalítica, também investigamos por que é tão difícil aceitar o perdão do outro. Em alguns casos, a maior dificuldade não está na capacidade do parceiro de perdoar, mas na impossibilidade que a própria pessoa sente de se reconciliar com a imagem que passou a ter de si mesma. É como se ela permanecesse presa ao erro, sem conseguir reconhecer que um comportamento não define toda a sua identidade.

    A boa notícia é que esse sofrimento pode ser trabalhado. Quando compreendemos a origem dessa culpa, aprendemos a lidar com a ansiedade sem depender constantemente de confirmações e desenvolvemos formas mais saudáveis de reparar, aceitar a responsabilidade pelo passado e seguir em frente.

    Se você sente que essa culpa continua ocupando um espaço muito grande na sua vida, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos compreender por que essa necessidade de certeza permanece tão intensa, ajudá-lo(a) a romper esse ciclo de culpa e construir uma relação mais compassiva consigo mesmo, sem apagar o passado, mas também sem permanecer prisioneiro(a) dele. Você não precisa carregar esse peso para sempre.


  • Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t

    Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Antes de tudo, quero dizer que o que você está sentindo é compreensível. Descobrir que o parceiro consome pornografia com uma frequência ou em contextos que você não imaginava pode despertar tristeza, insegurança, dúvidas e até fazer você questionar o significado disso para a relação. Esses sentimentos merecem ser acolhidos, não minimizados.

    Sobre a sua dúvida: não é possível concluir, apenas por esse comportamento, que ele tenha uma compulsão ou um vício. Assistir pornografia durante o expediente ou aproveitar momentos em que está sozinho pode ser um sinal de que esse comportamento merece atenção, mas o diagnóstico de uma compulsão depende de uma avaliação mais ampla. Alguns aspectos que costumamos investigar são: perda de controle sobre o comportamento, tentativas frustradas de reduzir ou parar, necessidade crescente de consumir, sofrimento significativo e prejuízos na vida afetiva, profissional ou social.

    Na prática clínica, o mais importante não é apenas a frequência do consumo, mas a função que ele exerce. Em algumas pessoas, a pornografia é utilizada como uma forma de aliviar ansiedade, estresse, solidão ou outras emoções difíceis. Quando isso acontece de maneira repetitiva e a pessoa passa a recorrer automaticamente a esse comportamento sempre que surge um desconforto, pode haver um padrão compulsivo que merece cuidado.

    Ao mesmo tempo, também é importante olhar para você. O que exatamente mais a machucou nessa descoberta? Foi a quantidade? O fato de acontecer no trabalho? A sensação de que ele buscava isso sempre que você saía? Ou a impressão de que existe uma intimidade sendo compartilhada com algo que não faz parte da relação? Compreender esses sentimentos é tão importante quanto entender o comportamento dele.

    Se essa situação tem gerado sofrimento para vocês ou está abalando a confiança no relacionamento, conversar com um psicólogo pode ajudar muito. Em alguns casos, o parceiro que consome pornografia também se beneficia de uma avaliação individual, principalmente se perceber que perdeu o controle sobre esse comportamento.

    Se você sentir que essa descoberta despertou inseguranças, dúvidas ou sofrimento que estão difíceis de elaborar sozinha, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos compreender o impacto emocional dessa situação, fortalecer sua segurança emocional e ajudá-la a diferenciar o que pertence à dinâmica do relacionamento daquilo que pode estar relacionado às suas próprias vivências e necessidades. Você não precisa enfrentar essa confusão sozinha.


  • Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixon

    Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixono por alguém e uma vez percebi que gostei de uma pessoa quando ele cortou o contanto quando tive uma coragem pra falar com ele. É possível eu conseguir não só amar como também identificar com mais facilidade esse sentimento e qual seria a relação de amar com a força pra seguir nas minhas metas pessoais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Muitas pessoas percebem apenas que "não conseguem se apaixonar" ou que "sempre escolhem as pessoas erradas". Você foi além: percebeu que, em alguns momentos, só reconhece o próprio sentimento quando existe a possibilidade de perder o vínculo. Essa é uma observação muito valiosa.

    Na perspectiva psicanalítica, quando uma pessoa cresce recebendo pouco afeto, ela pode aprender, de maneira inconsciente, a não entrar em contato com as próprias necessidades emocionais como forma de proteção. Em alguns casos, reconhecer que está apaixonado(a) significa também reconhecer a possibilidade de ser rejeitado(a), abandonado(a) ou sofrer. Então, sem perceber, o psiquismo mantém esse sentimento "à distância". Muitas vezes, ele só se torna evidente quando a perda já aconteceu ou parece inevitável.

    A boa notícia é que isso pode mudar. A capacidade de amar e de reconhecer o próprio amor não é algo fixo; ela pode ser desenvolvida à medida que você passa a conhecer melhor as suas emoções, compreender sua história de vida e construir relações em que se sinta emocionalmente seguro(a). Com o tempo, torna-se mais fácil identificar sinais como saudade, admiração, desejo de compartilhar experiências, vontade de cuidar e de estar próximo, antes que a perda revele aquilo que já existia.

    Existe também uma relação muito interessante entre o amor e a força para perseguir objetivos pessoais. Quando crescemos em um ambiente em que o afeto foi escasso, é comum que uma parte da energia psíquica fique voltada para buscar segurança emocional ou aprovação. Isso pode fazer com que os relacionamentos ocupem um espaço muito grande ou que o medo de perder alguém interfira na capacidade de investir em si mesmo. À medida que a pessoa desenvolve vínculos mais seguros (inclusive consigo mesma) essa energia deixa de ser consumida pela insegurança e pode ser direcionada para projetos, trabalho, estudos e sonhos. Em outras palavras, amar de forma mais saudável não enfraquece suas metas; pelo contrário, costuma fortalecê-las, porque você passa a caminhar por escolha, e não apenas pela necessidade de preencher um vazio.

    Na minha prática clínica, integrando a psicanálise e a neurociência, vemos que a forma como aprendemos a nos vincular influencia profundamente tanto nossos relacionamentos quanto nossa motivação e nossa capacidade de persistir diante dos desafios. Compreender esses padrões permite construir vínculos mais seguros e uma relação mais sólida consigo mesmo.

    Se você sente que essa dificuldade tem acompanhado sua vida, será um prazer acolher a sua história. A psicoterapia pode ajudá-lo(a) a compreender como suas experiências afetivas moldaram a forma de amar, fortalecer sua segurança emocional e permitir que você reconheça seus sentimentos com mais clareza, vivendo relações mais conscientes e uma vida mais alinhada aos seus próprios objetivos.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Boa tarde! Que pergunta importante. O fato de você perceber que os dias entre uma sessão e outra são mais difíceis já é uma informação muito valiosa para o processo terapêutico.

    Sim, alguns psicólogos utilizam recursos para serem levados para casa, mas isso varia de acordo com a abordagem teórica, os objetivos do tratamento e as necessidades de cada paciente. Não existe uma regra de que todo terapeuta deva fornecer materiais físicos, porém é uma prática bastante utilizada quando ela faz sentido para o caso.

    Esses recursos podem incluir, por exemplo, cartões com estratégias de enfrentamento, exercícios breves de respiração ou mindfulness, registros de pensamentos e emoções, diários terapêuticos, perguntas para reflexão, técnicas de regulação emocional ou lembretes personalizados construídos em conjunto com o paciente. O objetivo não é substituir a sessão, mas oferecer uma ponte entre um encontro e outro, ajudando a pessoa a acessar aquilo que está sendo construído na terapia justamente nos momentos em que mais precisa.

    Na minha prática clínica, integrando a psicanálise, a neurociência e técnicas baseadas em evidências, costumo pensar esses materiais de forma bastante individualizada. Algumas pessoas se beneficiam muito de exercícios de autorregulação, outras de registros emocionais, práticas de mindfulness, áudios terapêuticos ou pequenos roteiros para momentos de crise. O mais importante é que esses recursos façam sentido para a história e para as dificuldades específicas de cada paciente, e não sejam apenas uma tarefa para cumprir.

    Também me chamou a atenção quando você disse que sente mais ansiedade e angústia justamente nos dias em que não há sessão. Esse aspecto merece ser explorado na terapia, porque pode revelar necessidades emocionais importantes, como dificuldades na autorregulação, no sentimento de segurança ou na capacidade de lidar sozinho(a) com emoções intensas. Entender por que esses intervalos são tão difíceis costuma ser tão importante quanto encontrar estratégias para atravessá-los.

    A experiência clínica mostra que, quando os recursos entre as sessões são bem escolhidos e integrados ao processo terapêutico, eles podem, sim, favorecer a continuidade do tratamento e ajudar o paciente a desenvolver, gradualmente, mais autonomia emocional.

    Se você busca um acompanhamento em que o cuidado não fique restrito aos 50 minutos da sessão, será um prazer acolher a sua história. Acredito que a psicoterapia é um processo vivo, e, quando necessário, gosto de construir com cada paciente ferramentas que façam sentido para o seu dia a dia, ajudando-o(a) a se sentir mais amparado(a) enquanto desenvolve recursos internos cada vez mais sólidos.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sair de casa para construir a própria vida e, ao mesmo tempo, preocupar-se com uma mãe de 75 anos desperta emoções muito intensas. É possível sentir alegria por um novo começo e tristeza pela mudança ao mesmo tempo. Esses sentimentos não são incompatíveis.

    Pelo que você escreveu, percebo que sua dor não parece vir apenas da mudança de endereço, mas da responsabilidade que você sente em relação à sua mãe. Muitas pessoas que desenvolveram um vínculo de cuidado muito forte acabam vivendo a saída de casa como se estivessem abandonando quem amam, mesmo quando isso não corresponde à realidade.

    Vale a pena fazer uma pergunta importante: o que exatamente mais assusta você? É o medo de que ela se sinta sozinha? De que aconteça algo enquanto você não estiver lá? Ou a sensação de que está sendo um "mau filho" por seguir a sua própria vida? Essas respostas ajudam a entender se a ansiedade está relacionada à situação atual ou se ela também toca aspectos mais profundos da sua história.

    Na perspectiva psicanalítica, crescer também significa reorganizar os vínculos. Amar os pais não exige abrir mão da própria vida. É possível continuar sendo um filho presente, cuidadoso e amoroso sem permanecer na mesma casa. Muitas vezes, a culpa faz parecer que essas duas coisas são incompatíveis, quando, na verdade, elas podem coexistir.

    Uma estratégia prática é conversar com sua mãe sobre como vocês podem manter a proximidade: combinar dias para visitá-la, fazer ligações frequentes, ajudá-la a fortalecer a rede de apoio com familiares, vizinhos ou amigos e verificar se ela precisa de algum suporte adicional. Planejar esses cuidados costuma reduzir bastante a sensação de desamparo, tanto para ela quanto para você.

    Se, ainda assim, essa ansiedade estiver muito intensa ou vier acompanhada de uma culpa que parece impossível de aliviar, isso merece ser compreendido com mais profundidade. Às vezes, o sofrimento não está apenas na mudança em si, mas no significado emocional que ela assume para quem a vive.

    Se você sentir que faz sentido, será um prazer acolher a sua história. Na psicoterapia, podemos compreender a origem dessa culpa, ajudá-lo a construir essa nova etapa da vida com mais segurança emocional e encontrar um equilíbrio entre cuidar da sua mãe e cuidar também dos seus próprios projetos. Você não precisa escolher entre amar sua mãe e construir a sua vida; é possível fazer as duas coisas de forma saudável.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sinto muito pela sua perda. O que você descreve é uma reação muito comum em um luto profundo por um animal que ocupava um lugar de amor, companhia e vínculo na sua vida. Quando perdemos alguém tão importante, nossa mente frequentemente entra em um ciclo de "e se...?", tentando encontrar uma forma de voltar no tempo e mudar o que aconteceu. Mas, na maioria das vezes, essa culpa é uma tentativa do nosso psiquismo de dar sentido ao que foi tão doloroso e inesperado.

    Pelo que você escreve, percebo que não é apenas a saudade que permanece, mas também um sofrimento que continua muito intenso, mesmo meses depois. O fato de ver outros cachorrinhos e sentir essa dor tão viva mostra que essa perda ainda não encontrou um lugar possível dentro de você.

    Na psicoterapia, especialmente a partir de uma escuta psicanalítica integrada aos conhecimentos da neurociência, trabalhamos justamente para compreender por que esse luto permanece tão doloroso, aliviar a culpa e permitir que o amor vivido com ela seja lembrado sem que cada lembrança machuque tanto. O objetivo não é esquecer quem ela foi, mas transformar essa dor para que ela deixe de ocupar tanto espaço na sua vida.

    Se você sentir que faz sentido, será um prazer caminhar com você nesse processo. Você não precisa carregar esse peso sozinha. Às vezes, tudo o que o luto precisa é de um espaço seguro para ser vivido, elaborado e acolhido.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    O que você descreve é uma sensação muito mais comum do que parece, e costuma ser extremamente cansativa. Quando sentimos que "tudo depende de nós", é como se estivéssemos carregando um peso que nunca termina. Aos poucos, a mente entra em estado de alerta constante, como se descansar ou pedir ajuda fosse um risco.

    Na clínica, percebo que esse sentimento muitas vezes não nasce apenas das responsabilidades do presente. Ele pode estar relacionado a histórias de vida em que a pessoa precisou amadurecer cedo, assumir funções que não eram dela, cuidar dos outros antes de aprender a cuidar de si ou acreditar, mesmo sem perceber, que seu valor depende do quanto ela consegue dar conta.

    A boa notícia é que isso pode ser compreendido e transformado. Na psicoterapia, buscamos entender de onde vem essa necessidade de controlar tudo, de assumir todas as responsabilidades e por que é tão difícil confiar que as coisas possam acontecer sem que você sustente tudo sozinho(a). Quando essa origem é elaborada, o cérebro também deixa de permanecer em um estado constante de vigilância, permitindo que você viva com mais leveza e menos culpa.

    Se essa sensação tem feito parte da sua rotina e você sente que está sempre exausto(a), talvez esse seja um convite para olhar com mais cuidado para você. Será um prazer acolher sua história e caminhar ao seu lado nesse processo. Você não precisa carregar esse peso sozinho(a).


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sim, um término de relacionamento pode ser vivido como um verdadeiro processo de luto. Quando uma relação chega ao fim, não perdemos apenas a presença da outra pessoa. Também nos despedimos de planos, sonhos, da rotina construída a dois e, muitas vezes, de uma versão de nós mesmos que existia dentro daquela história. Por isso, essa dor pode ser tão intensa quanto outras perdas significativas.

    Na perspectiva psicanalítica, o sofrimento do término não está relacionado apenas ao que aconteceu no presente. Ele também pode despertar feridas emocionais mais antigas, como experiências de abandono, rejeição ou insegurança nos vínculos. É por isso que algumas pessoas conseguem seguir em frente com mais facilidade, enquanto outras permanecem presas à dor por meses ou até anos.

    A neurociência também mostra que o cérebro reage ao rompimento afetivo de maneira semelhante à dor física e a um processo de abstinência, já que perdemos uma importante fonte de vínculo, previsibilidade e recompensa emocional. Isso explica por que, muitas vezes, a pessoa sabe racionalmente que a relação acabou, mas emocionalmente sente que ainda não consegue aceitar.

    Na psicoterapia, o objetivo não é acelerar esse luto ou dizer que você deve "superar logo". É compreender o significado dessa perda na sua história, elaborar a dor, ressignificar o vínculo e ajudá-lo(a) a reconstruir sua vida sem que o sofrimento continue definindo os seus dias.

    Se você sente que esse término ainda ocupa um espaço muito grande na sua vida, saiba que você não precisa atravessar esse processo sozinho(a). Será um prazer acolher a sua história e ajudá-lo(a) a transformar essa dor em um caminho de autoconhecimento e reconstrução emocional.


  • Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Sinto muito que você tenha passado por isso. Quando perdemos objetos da infância sem que tenhamos tido a oportunidade de escolher ou nos despedir deles, a dor costuma ir muito além do valor material. Muitas vezes, esses objetos representam lembranças, partes da nossa história, da nossa identidade e das pessoas que fizeram parte da nossa vida.

    É natural sentir tristeza, raiva, frustração ou até uma sensação de que algo importante foi arrancado de você. Permita-se reconhecer esses sentimentos, sem julgá-los. Eles fazem sentido diante da experiência que você viveu.

    Uma forma de começar a lidar com essa perda é resgatar aquilo que os objetos simbolizavam. Escrever sobre as lembranças, conversar com familiares, reunir fotografias ou criar um espaço para homenagear essas memórias pode ajudar a perceber que sua história continua viva, mesmo sem aqueles itens.

    Se você perceber que essa perda continua trazendo sofrimento intenso, ou que ela desperta outras dores e sentimentos antigos, talvez esse seja um convite para olhar com mais profundidade para essa experiência. Em psicoterapia, podemos compreender por que essa perda foi tão significativa, elaborar o luto por esses objetos e fortalecer a conexão com sua própria história, para que a lembrança permaneça como fonte de afeto, e não apenas de sofrimento.

    Se você sentir que esse é o momento de cuidar dessa dor, será um prazer acolher você em uma sessão. Juntos, podemos construir um espaço seguro para compreender o que essa perda representa na sua vida e encontrar formas mais leves de seguir em frente.


  • Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes)

    Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes) e eu descobri ontem com um ano juntos q eles são irmãos, e meu namorado pediu um tempo. Estou com medo de terminarmos, eu me sinto muito culpada. E ele é o único apoio que tenho (eu tenho autismo e depressão) e sem ele sinto que tudo vai desmoronar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Pelo que você contou, você não sabia que eles eram irmãos quando conversou com o irmão dele, e isso faz toda a diferença. A culpa costuma aparecer quando sentimos que causamos dor a alguém, mas culpa não é a mesma coisa que responsabilidade. Você não tinha essa informação e, portanto, não poderia agir de outra maneira.

    Também imagino como o pedido de um tempo pode ter despertado um medo muito profundo de perder a pessoa que hoje representa segurança e acolhimento para você. Quando convivemos com o autismo e a depressão, mudanças inesperadas e a possibilidade de rompimento podem ser vividas com uma intensidade ainda maior, trazendo a sensação de que "tudo vai desmoronar". Esse sentimento é real e merece ser acolhido, mas ele não significa que isso, de fato, vá acontecer.

    O que mais me chama a atenção na sua mensagem é quando você diz que ele é o seu único apoio. Esse é um peso muito grande para você carregar e também para qualquer relacionamento. Na psicoterapia, trabalhamos justamente para fortalecer os recursos internos da pessoa, para que ela possa enfrentar momentos difíceis sem sentir que toda a sua estabilidade depende exclusivamente de alguém.

    Independentemente do que acontecer entre vocês, você merece um espaço onde possa falar sobre esse medo, essa culpa e essa sensação de abandono sem ser julgada. É possível compreender por que essa situação está despertando tanto sofrimento e construir, aos poucos, uma base emocional mais segura.

    Se você sentir que precisa desse acolhimento, será um prazer caminhar com você nesse processo. Você não precisa enfrentar essa dor sozinha. Há caminhos para que essa angústia diminua e para que você recupere a sensação de segurança, independentemente do desfecho desse relacionamento.


  • TEPT-C tem cura total? Ou os sintomas só somem por um tempo e voltam?

    TEPT-C tem cura total? Ou os sintomas só somem por um tempo e voltam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Stephanie Von Wurmb Helrighel

    Com um tratamento adequado, é possível reduzir significativamente os sintomas e, em muitos casos, a pessoa passa a viver de forma plena, com relacionamentos mais saudáveis, maior estabilidade emocional e sem que o trauma continue comandando suas escolhas.

    Na perspectiva da psicanálise, não buscamos apenas aliviar os sintomas, mas compreender como as experiências traumáticas foram inscritas na história psíquica da pessoa. Já a neurociência mostra que o cérebro possui uma grande capacidade de reorganização (neuroplasticidade). Isso significa que, quando o trauma é elaborado em um ambiente seguro e consistente, o sistema nervoso pode aprender novas formas de responder às situações, diminuindo o estado constante de alerta, a hipervigilância e as reações intensas.

    É verdade que momentos de estresse ou acontecimentos que lembrem o trauma podem reativar algumas emoções ou memórias. No entanto, isso não significa que a pessoa "voltou à estaca zero". A diferença é que, após um bom processo terapêutico, ela costuma ter muito mais recursos para reconhecer o que está acontecendo, regular suas emoções e atravessar esses momentos sem ficar novamente aprisionada pelo sofrimento.

    O mais importante é saber que você não está condenado(a) a viver para sempre definido(a) pelo trauma. O TEPT-C pode ser tratado, e a qualidade de vida pode melhorar de forma muito significativa quando o cuidado é individualizado e respeita a história de cada pessoa.

    Se essa é uma realidade que faz parte da sua vida, saiba que existe um caminho possível. Será um prazer acolher a sua história e ajudá-lo(a) a compreender como essas experiências ainda repercutem no presente, para que elas deixem de determinar o seu futuro. Você não precisa enfrentar esse processo sozinho(a).


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