Como a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode lidar com a autoinvalidação?

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A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline pode lidar com a autoinvalidação aprendendo a reconhecer e aceitar suas próprias emoções e percepções como legítimas, mesmo quando intensas ou desconfortáveis. Esse processo envolve observar os sentimentos sem julgá-los ou minimizá-los, permitindo que sejam nomeados e compreendidos. Na psicoterapia, o paciente encontra um espaço seguro para validar suas experiências, refletir sobre padrões de autocrítica e fortalecer a confiança interna. Com o tempo, a prática da autovalidação ajuda a reduzir culpa, ansiedade e impulsividade, promovendo maior equilíbrio emocional e maior segurança nos vínculos interpessoais.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A autoinvalidação costuma ser uma das partes mais silenciosas e dolorosas do Transtorno de Personalidade Borderline. Muitas vezes a crítica externa do passado vai sendo internalizada, e a própria pessoa passa a repetir para si frases como “eu sou exagerado”, “isso é frescura”, “não deveria estar sentindo isso”. É como se a mente tivesse aprendido a se defender atacando a si mesma antes que o outro faça.

O primeiro movimento não é tentar eliminar essa voz crítica à força, mas reconhecê-la. Perceber quando ela aparece já é um avanço importante. Em vez de entrar automaticamente no conteúdo da crítica, pode ser útil perguntar: essa fala interna é um fato ou é um eco de experiências antigas? O que exatamente estou sentindo por trás dessa autocrítica? Muitas vezes há tristeza, medo ou vergonha pedindo reconhecimento.

Outro ponto essencial é separar validação de permissividade. Você pode dizer internamente “faz sentido eu estar magoado” sem concluir “então qualquer reação minha está certa”. Validar a emoção reduz a intensidade; regular o comportamento é o passo seguinte. Quando o sistema emocional se sente compreendido, a urgência diminui.

Talvez valha refletir: em quais situações você mais se invalida? Que tipo de frase você costuma repetir para si? Se alguém que você ama estivesse sentindo o mesmo, você falaria com ela da mesma forma que fala consigo? Essas perguntas ajudam a abrir espaço para uma postura mais compassiva e equilibrada.

Esse é um aprendizado que exige treino e, muitas vezes, acompanhamento estruturado. Se fizer sentido aprofundar isso, podemos trabalhar com cuidado esse processo. Caso precise, estou à disposição.

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