Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a enfrentar

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Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a enfrentar a ambivalência nas relações interpessoais?
O terapeuta pode ajudar pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline a enfrentar a ambivalência favorecendo a capacidade de sustentar sentimentos opostos sem precisar agir ou decidir imediatamente, nomeando emoções contraditórias e explorando os movimentos de idealização e desvalorização. Na prática, isso envolve desacelerar reações, ampliar nuances e refletir sobre o outro para além de extremos. Na perspectiva psicanalítica, a ambivalência aparece na transferência, e ao ser acolhida sem ruptura, permite que o paciente experimente que é possível gostar e se frustrar com alguém ao mesmo tempo, o que vai sendo internalizado como base para relações mais estáveis; talvez aí surja um ponto interessante de escuta: o quanto sustentar essa mistura ainda parece ameaçador para ele.

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A ambivalência nas relações, no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline, costuma ser vivida como um verdadeiro “vai e volta emocional”: em um momento a pessoa é vista como extremamente importante, no outro como alguém que decepciona ou ameaça. Não é uma mudança superficial, é uma oscilação que vem carregada de intensidade e, muitas vezes, de medo profundo de abandono ou rejeição. Por isso, antes de tentar “corrigir” esse movimento, o terapeuta precisa ajudar o paciente a compreender o que está por trás dele.

Na prática, o trabalho começa nomeando esse padrão com cuidado, ajudando o paciente a perceber que essas mudanças não surgem do nada. Muitas vezes, pequenos sinais são interpretados pelo sistema emocional como grandes ameaças, e o cérebro reage tentando proteger a pessoa, seja idealizando para se aproximar, seja desvalorizando para se afastar e evitar dor. Quando isso começa a ficar mais claro, a experiência deixa de ser totalmente confusa e passa a ser, aos poucos, compreensível.

Um ponto central do processo é desenvolver a capacidade de sustentar sentimentos mistos. Em vez de precisar decidir rapidamente se o outro é “bom” ou “ruim”, o paciente vai sendo convidado a tolerar a ideia de que alguém pode ser importante e, ao mesmo tempo, falho. Isso parece simples na teoria, mas na vivência emocional exige treino, porque envolve abrir mão de certezas rápidas que, de alguma forma, davam sensação de segurança.

A própria relação terapêutica costuma ser um espaço onde essa ambivalência aparece com força, e isso não é um problema, é matéria-prima de trabalho. Quando o paciente oscila em relação ao terapeuta, existe uma oportunidade valiosa de explorar o que foi sentido, o que foi interpretado e como isso influenciou a reação. Com consistência, limites claros e validação, o terapeuta oferece uma experiência relacional diferente, menos instável, que vai sendo internalizada ao longo do tempo.

Talvez valha se perguntar: o que costuma acontecer dentro de você quando alguém não corresponde exatamente como você esperava? A mudança na forma como você vê essa pessoa é gradual ou acontece de forma muito rápida? E, quando você se afasta ou muda a forma de se relacionar, isso te protege ou acaba reforçando algum tipo de solidão ou frustração?

Essas reflexões ajudam a transformar a ambivalência de algo automático para algo que pode ser observado, compreendido e, aos poucos, flexibilizado. E é nesse espaço que novas formas de se relacionar começam a surgir.

Caso precise, estou à disposição.
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A ambivalência nas relações no Transtorno de Personalidade Borderline costuma aparecer como um movimento intenso entre aproximação e afastamento. A mesma pessoa pode ser vista como extremamente importante em um momento e, pouco depois, como decepcionante ou até ameaçadora. Isso não acontece por “inconstância” simples, mas porque o sistema emocional reage rapidamente a sinais de segurança ou risco no vínculo, muitas vezes baseados em experiências anteriores.

O trabalho do terapeuta começa ajudando o paciente a perceber esse padrão enquanto ele acontece. Em vez de tentar corrigir imediatamente a forma de pensar ou sentir, o foco é ampliar a consciência: “o que mudou aqui dentro de você para que a percepção do outro mudasse tão rápido?”. Essa observação vai criando um espaço entre a emoção e a interpretação, permitindo que o paciente não precise agir automaticamente com base nessa oscilação.

Ao longo do processo, o terapeuta também ajuda a integrar essas visões opostas. Em vez de alguém ser “totalmente bom” ou “totalmente ruim”, o paciente vai, aos poucos, desenvolvendo a capacidade de sustentar que uma mesma pessoa pode ter qualidades e falhas ao mesmo tempo. Isso parece simples racionalmente, mas emocionalmente exige maturação e repetição dentro de um vínculo seguro, inclusive na própria relação terapêutica.

Outro ponto importante é explorar o medo que está por trás dessa ambivalência. Muitas vezes, a aproximação ativa o medo de dependência ou abandono, enquanto o afastamento tenta proteger de uma possível dor. É como se o sistema emocional ficasse tentando encontrar um ponto de equilíbrio, mas ainda sem recursos suficientes para isso.

Talvez valha se perguntar: o que você sente quando começa a se aproximar mais de alguém? Em que momento essa proximidade passa a gerar desconforto? O que muda na sua percepção do outro quando você se sente ameaçado emocionalmente? Existe espaço para enxergar que essas duas visões podem coexistir?

Esse é um trabalho que vai sendo construído na experiência, não apenas na compreensão. Com o tempo, o paciente começa a desenvolver uma forma mais estável de se relacionar, em que as emoções continuam intensas, mas deixam de definir completamente a forma como ele enxerga o outro.

Caso precise, estou à disposição.

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