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. Como o terapeuta pode lidar com a dificuldade de manter a consistência no tratamento, dado que pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ter dificuldade em seguir com a terapia a longo prazo?
O terapeuta pode lidar com a dificuldade de consistência no tratamento de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline mantendo um enquadre claro e estável, combinando expectativas desde o início e trabalhando abertamente as oscilações de vínculo e motivação, sem interpretar ausências como simples resistência, mas como comunicação. É importante nomear rupturas, explorar sentimentos que surgem em relação à terapia e reforçar pequenas continuidades, ajudando o paciente a perceber o valor do processo ao longo do tempo. Na perspectiva psicanalítica, as idas e vindas fazem parte da transferência e podem ser elaboradas como expressões de medo de dependência, abandono ou frustração; sustentar presença consistente, sem retaliar nem ceder excessivamente, permite que o paciente internalize uma experiência de vínculo que resiste às suas próprias oscilações.

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Essa dificuldade de manter a constância no tratamento, no caso do Transtorno de Personalidade Borderline, não costuma ser simplesmente “falta de comprometimento”. Muitas vezes, ela está diretamente ligada à própria forma como a pessoa vivencia vínculos, frustrações e oscilações emocionais. Em alguns momentos, a terapia pode ser percebida como extremamente necessária; em outros, como inútil, ameaçadora ou até decepcionante. E essa mudança interna acontece rápido, o que impacta diretamente a continuidade.

O terapeuta precisa trabalhar desde o início com essa realidade, sem idealizar uma adesão linear. Isso envolve construir um contrato terapêutico claro, alinhar expectativas e, principalmente, nomear que oscilações no vínculo e na motivação vão acontecer. Quando isso é previsto, deixa de ser visto como “problema inesperado” e passa a ser parte do processo clínico. A consistência, nesse contexto, não é ausência de instabilidade, mas a capacidade de retornar mesmo após oscilações.

Outro ponto central é investigar o que acontece nos momentos em que o paciente se afasta ou perde o engajamento. Muitas vezes, há sentimentos não verbalizados, como frustração com o terapeuta, sensação de não estar sendo compreendido ou medo de depender demais da relação. Quando esses conteúdos são trazidos para a sessão, a terapia deixa de ser apenas um espaço técnico e passa a ser também um espaço relacional que pode ser reparador.

Além disso, o terapeuta trabalha para fortalecer pequenas experiências de continuidade. Não é apenas sobre “manter meses de terapia”, mas sobre conseguir vir na próxima sessão, mesmo após uma semana difícil, ou retornar depois de uma ausência. Essas pequenas retomadas são, na prática, mudanças importantes no padrão de funcionamento.

Talvez valha você pensar: o que costuma acontecer internamente quando você começa a perder a vontade de continuar algo importante? Surge mais uma sensação de decepção, de cansaço ou de não ver sentido? E quando você se afasta, isso traz alívio, culpa ou ambos? Já houve momentos em que você conseguiu voltar depois de se afastar, e o que facilitou esse retorno?

Essas perguntas ajudam a entender que a dificuldade de consistência não é aleatória, ela segue um padrão que pode ser compreendido e trabalhado. E é justamente a partir desse entendimento que o tratamento começa a se sustentar de forma mais sólida ao longo do tempo.

Caso precise, estou à disposição.
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A dificuldade de manter consistência no tratamento no Transtorno de Personalidade Borderline não costuma ser falta de interesse ou “descompromisso”, mas um reflexo direto da instabilidade emocional e relacional que o próprio transtorno envolve. Em alguns momentos, o vínculo com o terapeuta pode ser sentido como essencial; em outros, como insuficiente, frustrante ou até ameaçador. Essa oscilação impacta diretamente a continuidade do processo.

Por isso, o terapeuta não trabalha apenas para “manter o paciente em sessão”, mas para tornar o próprio processo terapêutico mais compreensível e previsível. Isso inclui nomear abertamente as dificuldades de continuidade, antecipar possíveis momentos de afastamento e construir, junto com o paciente, acordos claros sobre frequência, faltas e retornos. Quando isso é feito de forma transparente, o paciente começa a sentir menos caos e mais estrutura.

Outro ponto central é olhar para o que acontece emocionalmente quando a vontade de desistir aparece. Muitas vezes, não é a terapia em si que está sendo rejeitada, mas o que ela desperta: frustração, medo de dependência, sensação de não estar sendo compreendido ou até vergonha. Se isso não é explorado, a desistência vira uma saída rápida para aliviar o desconforto.

Também é importante que o terapeuta sustente consistência mesmo quando o paciente oscila. A previsibilidade da postura do terapeuta funciona como um “ponto de estabilidade” para um sistema emocional que ainda está aprendendo a se organizar. Pequenos gestos de continuidade, como retomar temas importantes ou acolher retornos após faltas sem julgamento, têm um impacto significativo.

Talvez algumas perguntas ajudem a aprofundar esse ponto: o que costuma acontecer antes de você pensar em faltar ou desistir? Que sentimentos aparecem em relação à terapia nesses momentos? Existe alguma expectativa não atendida que poderia ser conversada? Como você percebe o vínculo com o terapeuta quando está mais próximo e quando está mais distante?

Esse tipo de trabalho transforma a própria dificuldade de continuidade em material terapêutico. Aos poucos, o paciente vai desenvolvendo mais capacidade de permanecer, mesmo quando a experiência interna oscila, e isso já representa um avanço importante na construção de estabilidade.

Caso precise, estou à disposição.

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