É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

17 respostas


Sim, é possível modificar crenças centrais e intermediárias disfuncionais. Mas a literatura, fala mais em modificação/enfraquecimento do que em "apagar" a crença. Uma avaliação e a terapia na abordagem em TCC vai ajudar a aprofundar melhor esses aspectos

Rosana Britzki De Sordi

Rosana Britzki De Sordi

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Sim. Crenças centrais e intermediárias disfuncionais podem ser modificadas ao longo da psicoterapia, mas isso não significa que a crença antiga nunca mais será ativada. Em situações de estresse ou vulnerabilidade, padrões antigos podem reaparecer sem que isso signifique necessariamente uma recaída. O objetivo não é “apagar” uma crença, mas reduzir sua força e influência, fortalecendo formas mais adaptativas de pensar e agir. Por isso, o processo psicoterapêutico também envolve aprender a reconhecer esses padrões quando surgem e responder a eles de uma maneira diferente, possivelmente mais adaptativa.


Boa tarde! Sim, é possível modificar crenças centrais e intermediárias disfuncionais. No entanto, a reestruturação cognitiva não é um processo de "apagar do mapa" um caminho neural antigo, mas sim de construir e fortalecer um novo caminho alternativo mais adaptativo. Inativação vs. Apagamento: As crenças centrais antigas funcionam como "trilhas" profundas na mente. Com a terapia cognitiva, o paciente constrói uma nova trilha (crença adaptativa) e passa a usá-la com frequência, fazendo a antiga perder a força. Contudo, a estrutura da trilha antiga não deixa de existir completamente. Crenças Intermediárias: Por serem regras e atitudes ("Se eu não for perfeito, serei rejeitado"), elas costumam ser flexibilizadas gradualmente conforme a crença central perde a carga emocional. Gatilhos e Estresse Elevado: Sob forte estresse, cansaço físico ou eventos traumáticos, o cérebro tende a recorrer automaticamente aos padrões antigos mais consolidados. A crença antiga ganha força temporária, ativando novamente os pensamentos automáticos disfuncionais. A Recaída Não Significa Voltar à Estaca Zero: Ter uma recaída não significa que a mudança foi uma ilusão. Significa que a crença antiga foi reativada por um contexto específico, mas o paciente agora possui ferramentas que antes não tinha. Mudança Definitiva: Sim, é totalmente possível manter a crença disfuncional inativa para sempre (ou por longos anos). A diferença é que a "mudança permanente" exige manutenção contínua pelo próprio paciente. Prevenção de Recaídas: Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a fase final do tratamento é focada no paciente se tornar o seu próprio terapeuta. Ele aprende a identificar os primeiros sinais de reativação da crença e aplicar as estratégias cognitivas e comportamentais aprendidas. A reativação pontual de uma crença disfuncional não invalida a reestruturação cognitiva; ela apenas indica que o novo padrão mental precisa ser reforçado naquele momento específico. Trabalho com isso há bastante tempo, qualquer coisa continuo à disposição.

Dr. Amiris Costa

Dr. Amiris Costa

Psicólogo

Belo Horizonte

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Olá! Sim, é possível modificar crenças disfuncionais, mas é importante entender que mudança de crença não significa apagar completamente uma ideia antiga da mente. Na TCC, trabalhamos para que a crença disfuncional perca força e deixe de ser a principal forma de interpretar a si mesmo, os outros e o mundo. Por exemplo, alguém que acredita “não sou bom o suficiente” pode desenvolver uma visão mais equilibrada e realista sobre suas capacidades. Em períodos de estresse, perdas ou situações parecidas com experiências anteriores, a crença antiga pode ser ativada novamente. Isso não significa necessariamente que o tratamento fracassou ou que a pessoa voltou ao ponto inicial. A diferença é que ela pode reconhecer aquele pensamento, questioná-lo e escolher respostas mais adaptativas. Por isso, na TCC, também trabalhamos prevenção de recaídas: aprender a identificar sinais de alerta e utilizar novamente as estratégias aprendidas. Então, o objetivo não é garantir que uma crença antiga nunca mais apareça, mas que ela deixe de controlar a vida da pessoa. É como uma estrada que foi muito utilizada: podemos construir um novo caminho mais saudável, mas, em determinadas circunstâncias, o caminho antigo pode voltar a ser acessado. A terapia ensina justamente a reconhecer isso e escolher um caminho diferente.


Sim, crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais podem ser modificadas pela psicoterapia. Na TCC, o paciente aprende a identificar, questionar e flexibilizar crenças como “não sou bom o suficiente”, “preciso fazer tudo perfeitamente” ou “se alguém me rejeitar, significa que não tenho valor”. A Terapia do Esquema aprofunda esse processo, trabalhando padrões emocionais antigos, suas origens e as formas de enfrentamento que continuam mantendo essas crenças. Uma crença antiga pode ser reativada por determinados gatilhos, mas, após um tratamento consistente, a pessoa pode reconhecê-la mais rapidamente e deixar de tratá-la como uma verdade absoluta. Por isso, prevenção de recaídas também faz parte da psicoterapia. Se suas crenças disfuncionais estão causando ansiedade, baixa autoestima, depressão ou dificuldades nos relacionamentos, é importante fazer psicoterapia em vez de tentar modificar padrões tão profundos sozinho. Um psicólogo pode avaliar quais crenças estão presentes, compreender suas origens e desenvolver um tratamento personalizado para construir mudanças mais consistentes e duradouras. Isadora Klamt Psicóloga CRP 07/19323


Sim, é totalmente possível modificar crenças centrais e intermediárias disfuncionais na TCC, mas o processo não funciona como "deletar" um arquivo do cérebro. Nós criamos e fortalecemos uma nova crença funcional concorrente.Entenda como funciona a dinâmica de longo prazo e as recaídas:As crenças não somem, elas ficam latentes: A crença antiga (ex: "Eu sou incapaz") perde a força e entra em "modo de espera", enquanto a nova crença saudável vira a sua rota mental principal.Por que ocorrem recaídas? Diante de grandes estresses, perdas ou exaustão, o cérebro tende a buscar caminhos automáticos antigos. Isso reativa a crença disfuncional temporariamente.A mudança é duradoura? Sim. Recaída na TCC não significa retrocesso total ou que a mudança falhou, mas sim um alerta de que o paciente precisa reaplicar as ferramentas aprendidas na terapia.A última fase da TCC é justamente a Prevenção de Recaídas, onde o paciente aprende a ser o seu próprio terapeuta para identificar esses lapsos e desativar a crença antiga rapidamente. A mudança é real, mas exige manutenção dos novos hábitos mentais. Estou à disposição para ajudar nesse processo.


Olá, boa tarde. A crença central ou nuclear tem tratamento, mas isso não significa que não possam ocorrer pensamentos relacionados ao a ela. Acredito que hajam três possibilidades em seu caso: A primeira é que você emitiu um pensamento parecido com o que tinha antes, mas que ainda assim está tudo bem, pois não voltou à sua crença nuclear; A segunda é que não houve a devida finalização do tratamento, então a crença permaneceu em funcionamento pleno. Apenas os pensamentos deram uma pausa temporária (muito comum quando não se faz o tratamento até o fim). A terceira é que seu contexto atual contribuiu a construir novamente duas crenças nucleares.

Bruno Henrique Braz dos Santos

Bruno Henrique Braz dos Santos

Psicólogo

São José dos Campos

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Sim. É possível modificar profundamente crenças centrais e intermediárias disfuncionais, mas isso não significa necessariamente apagá-las para sempre. Mesmo após uma boa mudança terapêutica, uma crença antiga pode ser reativada em momentos de estresse, perdas ou situações semelhantes às experiências anteriores. Isso não significa que o tratamento falhou ou que a pessoa voltou ao ponto inicial. Por exemplo, alguém pode ter trabalhado a crença “sou incapaz” e passar a acreditar genuinamente “tenho dificuldades, mas sou capaz de aprender”. Em uma situação difícil, o pensamento antigo pode reaparecer. A diferença é que agora a pessoa consegue reconhecê-lo, questioná-lo e não necessariamente agir de acordo com ele. Então, na TCC, o objetivo não é garantir que uma crença antiga nunca mais apareça, mas reduzir sua força e sua influência sobre a vida. Recaídas também podem fazer parte do processo e são oportunidades para fortalecer as novas formas de pensar e agir.

Luan Coelho Valer

Luan Coelho Valer

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. Sim, crenças centrais e intermediárias podem ser modificadas. A terapia, especialmente abordagens como TCC, trabalha justamente para reestruturar interpretações rígidas, medos antigos e padrões automáticos. Porém, crenças não desaparecem como se fossem deletadas; elas são enfraquecidas e substituídas por crenças mais funcionais. Em momentos de estresse, vulnerabilidade ou gatilhos antigos, a crença disfuncional pode reaparecer, não porque “voltou a existir”, mas porque o cérebro recorre ao padrão mais antigo quando está sobrecarregado. Isso gera recaídas. Recaídas não significam que a mudança não funcionou. Significam que: a nova crença ainda precisa ser fortalecida; o contexto atual reativou memórias emocionais antigas; o cérebro está tentando voltar ao que era familiar. Crenças podem ser transformadas de forma duradoura, mas exigem manutenção, prática e consciência contínua. A recaída é parte do processo, não sinal de fracasso. Atenciosamente, Fernando Vicente Rébuli Segundo Psicólogo e Neuropsicólogo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços


Sim, crenças disfuncionais podem mudar, mas isso não significa que elas serão apagadas da nossa história. Crenças construídas ao longo de muitos anos podem voltar a aparecer em momentos de estresse, perdas ou situações que ativem antigas inseguranças. A diferença é que, depois da terapia, você pode aprender a reconhecer essas crenças e não acreditar nelas ou agir a partir delas como antes. Uma recaída também não significa que todo o progresso foi perdido. Na TCC, parte do tratamento é justamente desenvolver ferramentas para perceber quando padrões antigos estão reaparecendo e conseguir lidar com eles de uma maneira diferente!


Sim, crenças disfuncionais podem ser flexibilizadas e substituídas por formas mais realistas e saudáveis de interpretar as experiências, embora não seja possível garantir a mudança de “qualquer” crença de maneira definitiva. Em períodos de estresse, antigas crenças podem ser reativadas, mas isso não significa que todo o progresso foi perdido. Na TCC, o paciente aprende a reconhecê-las, questioná-las e responder de outra forma. Com a prática e a prevenção de recaídas, essas novas respostas tendem a se fortalecer e os episódios futuros podem se tornar menos intensos e mais fáceis de manejar.


Olá! Sim, crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais podem mudar significativamente durante a psicoterapia, mas é importante entender que "mudar uma crença" não significa necessariamente apagá-la da mente para que ela nunca mais apareça. Crenças centrais, como "sou incapaz", "não sou amável" ou "não sou bom o suficiente", geralmente foram construídas ao longo de muitos anos e são sustentadas por experiências repetidas. Por isso, sua modificação costuma exigir um processo consistente, envolvendo reestruturação cognitiva, experimentos comportamentais e novas experiências que contradigam o padrão antigo. Por exemplo, uma pessoa pode passar de: "Sou incompetente." para uma compreensão mais flexível: "Tenho capacidades e limitações. Posso cometer erros sem que isso determine meu valor ou minha competência." Isso não significa que, diante de uma situação de fracasso, o pensamento antigo nunca mais aparecerá. Em momentos de estresse, rejeição, perdas ou outras situações emocionalmente difíceis, uma crença antiga pode ser reativada. Isso não significa necessariamente que o tratamento fracassou ou que a pessoa voltou ao ponto inicial. Existe uma diferença importante entre: "A crença antiga apareceu novamente" e "A crença antiga voltou a controlar minha vida." Imagine alguém que durante anos acreditou: "Ninguém gosta de mim." Depois da terapia, essa pessoa construiu amizades, desenvolveu habilidades sociais e passou a ter uma visão mais equilibrada de si mesma. Um dia, alguém a rejeita e surge novamente o pensamento: "Ninguém gosta de mim." Se antes esse pensamento levaria a isolamento, desespero e abandono dos relacionamentos, agora a pessoa pode reconhecer: "Estou tendo novamente aquele pensamento antigo. Uma pessoa ter me rejeitado não significa que ninguém goste de mim." Ela sente o desconforto, mas continua se relacionando. Isso já representa uma mudança terapêutica importante. O mesmo vale para as crenças intermediárias. Uma pessoa pode ter aprendido: "Preciso agradar todo mundo para ser aceito." Depois do tratamento, pode desenvolver uma regra mais flexível: "Eu gostaria que as pessoas gostassem de mim, mas não preciso agradar todo mundo." Em uma situação de crítica, a regra antiga pode ser ativada novamente. A diferença é que ela não precisa obedecê-la. Por isso, eu não definiria o sucesso da terapia como "nunca mais pensar ou sentir aquilo". Um objetivo mais realista é que essas crenças se tornem menos rígidas, menos convincentes e menos capazes de determinar o comportamento. Inclusive, pesquisas sobre TCC e depressão mostram que a prevenção de recaídas pode estar relacionada não apenas à mudança do conteúdo dos pensamentos, mas também à mudança na maneira como a pessoa processa e responde aos pensamentos negativos. Isso ajuda a entender por que uma pessoa pode apresentar uma recaída sem que todo o trabalho terapêutico tenha sido perdido. Uma recaída pode acontecer quando antigas vulnerabilidades são reativadas por acontecimentos como perdas, rejeições, conflitos, estresse ou mudanças importantes. Por isso, a terapia também procura ensinar o paciente a reconhecer seus sinais de alerta e utilizar novamente as habilidades aprendidas. Podemos pensar em dois cenários: Antes da terapia: "Sou um fracasso" → acredito nisso → sinto vergonha → evito desafios → tenho menos experiências positivas → a crença fica ainda mais forte. Depois da terapia: "Sou um fracasso" → percebo que esse pensamento apareceu → avalio o contexto → reconheço outras evidências → tolero o desconforto → continuo agindo de acordo com meus objetivos. Nesse segundo cenário, o pensamento pode até aparecer, mas ele perdeu parte do poder que tinha sobre a pessoa. Portanto, não é necessário pensar que uma crença disfuncional precisa desaparecer "para sempre" para que a terapia tenha funcionado. Algumas crenças antigas podem permanecer disponíveis na memória e ser ocasionalmente ativadas, principalmente em períodos de maior vulnerabilidade. O objetivo é que uma nova forma de compreender a si mesmo e o mundo se torne mais acessível, mais convincente e mais utilizada, enquanto a crença antiga deixa de ser a principal explicação para as experiências. E talvez uma das mensagens mais importantes para o paciente seja: "Ter novamente um pensamento antigo não significa voltar a ser quem você era antes da terapia." O verdadeiro ganho pode estar justamente em perceber esse pensamento, não tratá-lo automaticamente como verdade e conseguir escolher como agir mesmo quando ele aparece. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Sim, crenças centrais e intermediárias disfuncionais podem mudar de forma profunda e duradoura. O que não costuma acontecer é você simplesmente “apagar” uma crença antiga como se ela nunca tivesse existido. Imagine que durante muitos anos você aprendeu a interpretar experiências pela crença “sou inadequado”. A partir dela, podem surgir regras como “preciso agradar todo mundo para ser aceito” ou “se alguém me rejeitar, significa que não tenho valor”. Na TCC, você não trabalha apenas repetindo pensamentos positivos. Você identifica como essa crença foi construída, questiona as evidências, testa previsões na prática e acumula novas experiências que sustentem uma crença mais equilibrada. Com repetição, a nova crença pode se tornar predominante. Em momentos de estresse, porém, a crença antiga pode ser temporariamente reativada. Isso não significa que você voltou ao ponto inicial. Antes, talvez pensasse “sou incapaz” e acreditasse nisso completamente. Depois da terapia, pode perceber: “minha crença antiga foi ativada porque estou passando por uma fase difícil”. Essa diferença é enorme. Por isso, recaída não significa necessariamente que a crença “voltou a ser verdadeira”. Muitas vezes significa apenas que um padrão antigo foi acionado e precisa ser manejado novamente. Na TCC, também se trabalha prevenção de recaídas justamente para você aprender a reconhecer esses sinais e agir antes que o padrão se fortaleça. O objetivo não é garantir que você nunca mais terá um pensamento antigo. É fazer com que ele deixe de comandar sua vida como antes.


Olá! Mais do que olharmos a crença em si, é olharmos a origem dessas crenças e o quanto ta doendo mantê-las em sua vida. Se o paciente tem recaídas como você escreve, é porque certamente não foi bem trabalhada as questões relativas de tais crenças, ou seja, elas não foram bem elaboradas. Olhar para as crenças e seus prejuízos na sua vida, relações e interações é importante, mas olhar para a origem disso e a serviço do que isso esta na sua vida é fundamental! Um abraço fraterno!


Sim, é possível modificar crenças centrais e intermediárias disfuncionais, inclusive crenças que foram construídas ao longo de muitos anos. Entretanto, na Terapia Cognitivo-Comportamental, não costumamos pensar essa mudança como algo necessariamente permanente no sentido de a crença antiga nunca mais aparecer. Uma crença pode ser modificada e perder força, enquanto uma situação específica, um período de estresse ou uma experiência emocionalmente significativa pode reativar, temporariamente, padrões antigos de pensamento e comportamento. Por exemplo, uma pessoa que trabalhou a crença “não sou capaz” pode passar a ter uma percepção muito mais equilibrada de suas capacidades. Em uma situação de fracasso, crítica ou grande pressão, porém, o pensamento antigo pode reaparecer. Isso não significa necessariamente que todo o processo terapêutico foi perdido ou que a crença “voltou ao ponto inicial”. Um dos objetivos da terapia é justamente desenvolver novas formas de interpretar as situações e responder a elas, além de aumentar a capacidade de reconhecer quando padrões antigos estão sendo ativados. Com o tempo, a crença disfuncional pode se tornar menos rígida, menos convincente e menos capaz de determinar o comportamento. Por isso, uma recaída ou uma reativação de pensamentos antigos não deve ser entendida como um fracasso da terapia. Ela pode ser uma oportunidade para identificar quais situações ainda são gatilhos e retomar as estratégias


É possível modificar crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais, mas eu evitaria pensar nesse processo como uma “substituição definitiva” de uma crença antiga por outra, como se a primeira deixasse de existir completamente. Na prática clínica, algumas crenças podem se tornar muito menos rígidas, menos frequentes e menos determinantes sobre a maneira como a pessoa interpreta a si mesma, os outros e as situações. O objetivo não é necessariamente nunca mais ter um pensamento ou sentir novamente uma antiga insegurança, mas desenvolver uma relação diferente com ela e ampliar as possibilidades de resposta. Por isso, uma pessoa pode, em determinados momentos de estresse, vivenciar novamente pensamentos ou sentimentos associados a uma crença antiga. Isso não significa necessariamente que ela “voltou ao zero” ou que todo o trabalho terapêutico foi perdido. Em situações de maior vulnerabilidade, padrões antigos podem ser reativados. A diferença é que, com o processo terapêutico, a pessoa pode reconhecê-los mais rapidamente, questioná-los e não necessariamente agir de acordo com eles. Também é importante diferenciar reativação de uma crença de recaída clínica. Ter novamente um pensamento ou sentimento antigo não significa, por si só, recaída. A recaída envolve a retomada significativa do padrão disfuncional e de seus prejuízos. Assim, eu não colocaria a questão como “é possível mudar para sempre ou apenas por algum tempo?”. Em muitos casos, a mudança é melhor compreendida como uma transformação na rigidez e no poder que aquela crença exerce sobre a pessoa. O trabalho terapêutico não precisa apagar completamente uma experiência psíquica anterior para produzir uma mudança profunda e duradoura, desde que seja bem feito e traga manejo para o paciente.

Clarice Coelho

Clarice Coelho

Psicanalista

Curitiba

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Sim. É possível modificar profundamente crenças centrais e intermediárias, mas isso não significa necessariamente apagá-las para sempre. Em momentos de estresse, a crença antiga pode ser reativada, sem que isso signifique que o tratamento “desfez”. A questão é o quanto ela ainda influencia o paciente e se ele consegue responder de uma maneira diferente. Agenda aberta no meu perfil, aqui no Doctoralia.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.