Meu filho autista vem regredindo na escola, a escola diz que ele está agressivo. Em casa ele está no
Meu filho autista vem regredindo na escola, a escola diz que ele está agressivo. Em casa ele está normal. A escola se recusa a apresentar as cameras que ele esteja agressivo, inclusive ele voltou machucado e eles alegam que foi ele em crise. Estão exigindo que eu contrate um profissional para acompanha-lo em sala de aula. Não tenho condições devido o custo que já tenho na escola, porém qual melhor profissional nesse caso?
10 respostas
Prezada mãe, acolho com respeito e cuidado tudo o que você compartilhou. É compreensível que esteja preocupada e angustiada diante dessa situação. Ver seu filho voltar machucado, receber informações divergentes entre a escola e o que você observa em casa, e ainda se deparar com uma exigência financeira que não pode arcar — tudo isso gera uma sobrecarga emocional muito grande. Você tem o direito de ser ouvida e de buscar caminhos que protejam seu filho. Quando uma criança autista apresenta comportamentos diferentes entre casa e escola, isso geralmente indica que os ambientes oferecem demandas e estímulos distintos. A escola envolve ruído, interações sociais intensas, transições e expectativas que podem sobrecarregar a criança e gerar respostas que em casa não aparecem. Isso não significa que algo está "errado" em nenhum dos dois contextos — significa que é preciso compreender o que está acontecendo com calma e em parceria. Sugiro que você solicite uma reunião formal com a escola, preferencialmente por escrito. Nesse encontro, busque alinhar três pontos: entender quais situações desencadeiam os momentos de crise, combinar estratégias de acolhimento que respeitem o perfil do seu filho, e estabelecer um canal de comunicação regular. É legítimo pedir registros por escrito sobre os episódios relatados. Quanto às câmeras, esse é um tema delicado — caso a escola não permita o acesso, você pode solicitar que a própria equipe descreva detalhadamente os episódios e registre por escrito o que observou. Sobre o profissional mais adequado, a indicação depende da avaliação individual do caso. O psicólogo infantil pode investigar aspectos emocionais e comportamentais; o terapeuta ocupacional atua na regulação sensorial e na adaptação às rotinas; o psicopedagogo apoia questões de aprendizagem e organização das demandas escolares; e o acompanhante terapêutico pode ser indicado quando a criança precisa de apoio individualizado em ambiente escolar. Nem sempre é necessário contratar tudo isso por conta própria — em muitos casos, a escola pode articular apoio com a rede pública ou adaptar sua prática com orientação profissional. É importante saber que, se houver dificuldade de acesso à informação ou suspeita de violação de direitos, a família pode buscar orientação junto à Defensoria Pública, ao Conselho Tutelar ou a um advogado especializado em direitos da pessoa com deficiência. Esses canais existem para mediar conflitos e garantir que a criança seja acolhida com dignidade — não necessariamente como um passo de confronto, mas como um recurso de proteção e diálogo. Por fim, quero dizer algo que talvez você precise ouvir: você não está sozinha nessa. O fato de você buscar orientação, questionar e proteger seu filho já demonstra o cuidado profundo que você tem com ele. Esse caminho pode ser difícil, mas com diálogo, registros claros e apoio dos profissionais certos, é possível construir uma solução em que seu filho seja acolhido como ele é — com suas necessidades, seus tempos e seu modo de estar no mundo. Cuide de você também, porque uma mãe que se sente apoiada tem mais recursos para cuidar do seu filho. Perciliana Pena Psicopedagoga
Obtenha respostas com a consulta online
Precisa do conselho de um especialista? Agende uma consulta online: receba todas as respostas sem sair de casa.
Sinto muito pelo que você e seu filho estão passando. É uma situação profundamente angustiante. O melhor profissional para o caso dele, nesse momento, seria um Acompanhante Terapêutico (AT). Sobre a exigência da escola de que você custeie o profissional, isso não é legal. Se houver necessidade comprovada, a lei garante um acompanhante especializado pra ele, sendo que a responsável financeira é a escola (seja ela pública ou privada). Os pais não devem ter nenhum acréscimo na mensalidade ou taxa extra. Repassar esse custo para a família viola o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Espero que a situação resolva o quanto antes.
Esta é uma situação delicada e angustiante. Vou trazer algumas informações que podem ajudar a clarear os caminhos: Profissionais que costumam acompanhar crianças autistas em ambiente escolar Acompanhante terapêutico (AT): profissional que atua dentro da escola para ajudar a criança a regular comportamentos, facilitar a comunicação e apoiar a inclusão. Muitas vezes é indicado para casos em que há crises ou dificuldades de adaptação. Psicopedagogo: trabalha com estratégias de aprendizagem e pode ajudar a adaptar conteúdos e métodos de ensino Terapeuta ocupacional (TO): foca em habilidades de autorregulação, rotina e adaptação ao ambiente escolar. Psicólogo infantil especializado em TEA: pode orientar professores e acompanhar a criança em momentos críticos. Educador de apoio/inclusão (monitor escolar): em muitas redes públicas e privadas, é o profissional que acompanha alunos com necessidades específicas, sem custo adicional para a família. Aspectos legais e direitos: No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial garantem que a escola deve oferecer os apoios necessários para inclusão, sem cobrar custos extras da família. Exigir que os pais contratem um profissional particular para acompanhamento em sala não é prática correta. A responsabilidade de garantir acessibilidade e inclusão é da instituição de ensino. Se seu filho voltou machucado, e a escola não fornece transparência (como acesso às câmeras), você pode solicitar formalmente por escrito e, se necessário, acionar o Conselho Tutelar ou Ministério Público. Solicite um laudo médico atualizado que descreva as necessidades do seu filho. Isso fortalece a exigência de apoio escolar adequado. Converse com a coordenação pedagógica e peça um plano de inclusão individualizado (às vezes chamado de PDI ou PEI). Caso a escola insista em transferir a responsabilidade, você pode buscar orientação jurídica ou apoio em associações de pais de autistas.
A exigência da escola é ilegal: Pela legislação (Lei Berenice Piana nº 12.764/2012 e Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/2015), o acompanhante/mediador escolar especializado é um direito do aluno autista e o custo é de responsabilidade da escola (pública ou privada). A instituição não pode cobrar taxas nem exigir que a família pague por esse profissional. O profissional ideal: Para a sala de aula, o indicado é um Acompanhante Terapêutico (AT) ou aplicador ABA, que saiba identificar os gatilhos das crises (barulho, transições, frustração) e ajude na autorregulação. Imagens e machucados: Notifique a escola por escrito solicitando esclarecimentos formais sobre o machucado, cópia das ocorrências registradas e o Plano de Desenvolvimento Individualizado (PDI) do seu filho.
Olá, Tudo bem? Sinto muito que vocês estejam passando por essa situação. Entendo a sua preocupação, especialmente porque você relata uma diferença importante entre o comportamento do seu filho em casa e na escola, além do episódio em que ele retornou machucado. Quando uma criança autista apresenta uma mudança significativa de comportamento no ambiente escolar, é importante investigar o que pode estar desencadeando essas situações, em vez de considerar apenas o comportamento como uma dificuldade isolada. É necessário observar, por exemplo, aspectos relacionados à comunicação, interação social, demandas pedagógicas, mudanças na rotina, sobrecarga sensorial, dificuldades de adaptação ou possíveis conflitos no ambiente escolar. Nesse contexto, uma avaliação psicopedagógica pode contribuir para compreender melhor como seu filho está se desenvolvendo, identificar possíveis barreiras à aprendizagem e observar quais estratégias podem favorecer sua participação e adaptação no ambiente escolar. Também é importante manter o acompanhamento com os profissionais que já conhecem a criança, para que as informações possam ser compartilhadas de forma integrada. Em relação à solicitação de um profissional para acompanhá-lo em sala, é importante primeiro compreender qual é a necessidade apresentada pela criança e qual tipo de apoio a escola está indicando. O profissional de apoio escolar possui uma função específica e sua necessidade deve ser analisada considerando as características e necessidades do estudante. A legislação brasileira prevê a oferta de profissional de apoio escolar e estabelece que as instituições privadas devem cumprir as medidas de inclusão previstas na Lei Brasileira de Inclusão, sem cobrança de valores adicionais em razão dessas medidas. Por isso, antes de assumir um custo particular, sugiro solicitar à escola, preferencialmente por escrito, que informe quais comportamentos estão sendo observados, em quais situações ocorrem, quais estratégias já foram utilizadas e qual é a justificativa para a necessidade desse apoio. Também considero importante solicitar esclarecimentos formais sobre o episódio em que seu filho retornou machucado, buscando compreender o que aconteceu e quais medidas foram adotadas pela escola. O mais importante neste momento é buscar uma parceria entre família, escola e profissionais que acompanham seu filho, para compreender as causas dessas mudanças e construir estratégias que favoreçam sua segurança, aprendizagem e bem-estar. Caso tenha interesse, posso realizar uma avaliação psicopedagógica para conhecer melhor as dificuldades apresentadas e orientar a família quanto a estratégias que possam contribuir para o processo de aprendizagem e para a inclusão escolar. Espero que vocês consigam, por meio do diálogo, encontrar junto à escola um caminho de cuidado e apoio para que seu filho se sinta seguro e possa desenvolver todo o seu potencial. Rejane Romão Psicopedagogia Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento Rejane Romão
Entendo sua preocupação, principalmente porque existe uma diferença importante entre o comportamento apresentado em casa e o relatado pela escola. Nessa situação, antes de simplesmente contratar um acompanhante, é fundamental compreender o que está desencadeando essas mudanças no ambiente escolar. O ideal é realizar uma avaliação neuropsicopedagógica/psicopedagógica, analisando aspectos pedagógicos, comportamentais, comunicação, interação social, possíveis dificuldades de adaptação e as situações em que os episódios acontecem. Também é importante estabelecer um diálogo formal com a escola e construir estratégias de acompanhamento e inclusão. Quando há necessidade de apoio individualizado, pode ser indicado um profissional de apoio escolar, conforme as necessidades identificadas no estudo de caso. A legislação brasileira prevê esse suporte para estudantes com TEA quando comprovada a necessidade. No entanto, se a criança está retornando machucada e a escola atribui os episódios exclusivamente a “crises”, sem esclarecer adequadamente o que ocorreu, considero importante investigar cuidadosamente a situação, registrar os acontecimentos e solicitar à escola informações formais sobre os episódios. Meu primeiro passo seria, portanto, uma avaliação e uma reunião com a família e a escola para compreender o contexto antes de definir qual profissional e qual tipo de suporte são realmente necessários.
O ideal é buscar uma avaliação psicopedagógica para compreender as dificuldades apresentadas no ambiente escolar e identificar quais estratégias e suportes são necessários. A partir dessa avaliação, pode-se orientar a família e a escola quanto ao acompanhamento adequado.
Olá, compreendo sua preocupação e quero reforçar que você e seu filho têm direitos garantidos por lei. A Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012) reconhece o autismo como deficiência e assegura o direito à inclusão escolar, com os apoios necessários para que o aluno tenha pleno acesso à educação. Já a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) determina que a escola deve oferecer adaptações e recursos de apoio, sem custo adicional para a família. Isso significa que não é obrigação da família contratar um profissional particular para acompanhar o aluno em sala de aula. O suporte deve ser provido pela própria instituição ou pela rede pública de ensino. O profissional mais indicado para apoiar seu filho é um mediador escolar ou acompanhante especializado em autismo, mas esse acompanhamento deve ser garantido pela escola, não custeado pela família. Diante também da situação relatada — divergência entre o comportamento em casa e na escola, além do episódio de machucado — é fundamental que você registre formalmente suas observações e solicite esclarecimentos por escrito à escola. Espero que fique tudo bem!
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.



