O que o terapeuta deve fazer se o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tentar i

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O que o terapeuta deve fazer se o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tentar interromper o tratamento ou se afastar?
Quando um paciente com TPB tenta interromper o tratamento ou se afastar, geralmente isso não é “só desistência” — costuma ser uma comunicação emocional importante, muitas vezes ligada a medo de abandono, frustração, vergonha ou sensação de não estar sendo compreendido. A forma como o terapeuta responde a esse momento pode fortalecer ou fragilizar o vínculo.
Alguns princípios clínicos fundamentais:
1. Validar antes de intervir
Evite confrontar diretamente ou “convencer” o paciente a ficar. Primeiro, valide a experiência:
“Faz sentido que você esteja pensando em se afastar, considerando o quanto isso tem sido difícil pra você.”
Isso reduz defensividade e abre espaço para diálogo.
2. Explorar o significado da ruptura
A tentativa de abandono precisa ser investigada com curiosidade clínica:
O que aconteceu antes disso?
Houve sensação de rejeição, crítica ou frustração na terapia?
Está testando se o terapeuta vai insistir ou abandoná-lo?
Muitas vezes é uma reedição de padrões relacionais.
3. Nomear o processo (com cuidado)
Se houver vínculo suficiente, o terapeuta pode ajudar o paciente a perceber o padrão:
“Percebo que, quando algo fica muito intenso aqui, surge vontade de se afastar… isso acontece em outras relações também?”
Isso promove insight sem julgamento.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Quando um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline tenta interromper o tratamento ou se afastar, geralmente isso não acontece “do nada”. Na maioria das vezes, é uma expressão de algo que ficou difícil de sustentar emocionalmente naquele momento, como frustração, medo de abandono, sensação de não estar sendo compreendido ou até uma tentativa de se proteger antes de ser machucado.

O primeiro passo do terapeuta não é impedir a saída, mas tentar compreender o significado desse movimento. Forçar a continuidade pode ser vivido como invasivo, enquanto ignorar pode reforçar a sensação de abandono. Por isso, o caminho mais terapêutico costuma ser abrir espaço para conversar sobre o que está acontecendo, nomeando o afastamento como parte do processo e não como um “fracasso”.

Muitas vezes, esses momentos são oportunidades importantes de trabalho. É como se o paciente estivesse encenando, dentro da terapia, padrões que já acontecem em outras relações. Quando isso é abordado com cuidado, o vínculo pode até se fortalecer, porque o paciente começa a perceber que é possível ter conflito sem que a relação precise se romper.

Fico pensando… quando surge a vontade de se afastar, ela vem mais como um impulso rápido ou como algo que vai se acumulando? Existe algum momento específico que costuma anteceder essa decisão? E o que você imagina que aconteceria se, em vez de sair, você conseguisse falar exatamente o que está sentindo naquele instante?

Mesmo quando o paciente decide interromper, o terapeuta pode manter uma postura aberta e respeitosa, deixando claro que aquele espaço continua disponível. Essa experiência, muitas vezes, já é diferente de outras vividas pelo paciente, onde os vínculos se rompem de forma definitiva ou dolorosa.

Caso precise, estou à disposição.

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